Uso de dietas especiais no Brasil: II Inquérito Nacional de Alimentação 2017-2018

Uso de dietas especiales en Brasil: II Encuesta Nacional de Alimentos 2017-2018

Beatriz Salari Bortolot Marina Campos Araujo Eliseu Verly JuniorSobre os autores

Resumo

O objetivo do presente estudo foi estimar a prevalência do uso de dietas especiais e analisar o perfil sociodemográfico, o estado nutricional e uso de sal, açúcar e adoçantes em brasileiros que realizam dietas especiais. Trata-se de um estudo transversal utilizando dados do segundo Inquérito Nacional de Alimentação 2017/2018 (n=45.689 indivíduos com pelo menos 10 anos de idade). Foi questionado o uso de dietas para hipertensão, diabetes, colesterol, doença do coração e para emagrecer. Foi estimada a prevalência do uso de dietas de acordo com características sociodemográficas e estado nutricional, e modelos de regressão logística foram utilizados para avaliar os fatores associados à realização de dietas. Todas as análises consideraram o desenho da amostra e os fatores de expansão. A prevalência do uso de dietas especiais foi de 14,3%, sendo as dietas para emagrecer (5,2%) e pressão alta (4,6%) as mais prevalentes. As mulheres, idosos, indivíduos de maior renda e com obesidade tiveram maiores chances de realizarem qualquer tipo de dieta especial quando comparados aos seus pares.

Palavras-chave:
Dietas especiais; Inquérito Nacional de Alimentação; Nutrição

Resumen

El objetivo del presente estudio fue estimar la prevalencia del uso de dietas especiales y analizar el perfil sociodemográfico, el estado nutricional y el uso de sal, azúcar y edulcorantes en brasileños que siguen dietas especiales. Se trata de un estudio transversal que utiliza datos de la segunda Encuesta Nacional de Alimentación 2017/2018 (n=45.689 personas de al menos 10 años). Se cuestionó el uso de dietas para la hipertensión, la diabetes, el colesterol, las enfermedades cardíacas y la pérdida de peso. Se estimó la prevalencia del uso de dieta según características sociodemográficas y estado nutricional, y se utilizaron modelos de regresión logística para evaluar factores asociados al uso de dieta. Todos los análisis consideraron el diseño muestral y los factores de expansión. La prevalencia del uso de dietas especiales fue del 14,3%, siendo las dietas para adelgazar (5,2%) y la hipertensión arterial (4,6%) las más prevalentes. Las mujeres, las personas mayores, las personas con mayores ingresos y las personas con obesidad tenían más probabilidades de seguir cualquier tipo de dieta especial en comparación con sus pares.

Palabras clave:
Dietas especiales; Encuesta Nacional de Alimentación; Nutrición

Introdução

Dados do estudo Global Burden of Disease estimaram que, em 2019, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) foram responsáveis por 74% do total de óbitos no mundo11 World Health Organization (WHO). The Top 10 Causes of Death [Internet]. [cited 2023 jun 15]. Available from: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/the-top-10-causes-of-death.
https://www.who.int/news-room/fact-sheet...
. Em 2018, segundo dados do Ministério da Saúde (MS), os quatro principais grupos de DCNT (câncer, diabetes, doenças pulmonares e cardiovasculares) foram responsáveis por 55% do total das mortes no Brasil. Na maioria das DCNT, foram observadas maiores taxas de mortalidade entre homens, e entre adultos e idosos. Homens apresentaram os maiores riscos de morte prematura por DCNT, sendo o maior risco observado para as doenças cardiovasculares (166 por 100 mil indivíduos)22 Brasil. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. Saúde Brasil 2020/2021: uma análise da situação de saúde e da qualidade da informação. Brasília: MS; 2021..

Mudanças no estilo de vida, em particular na alimentação, são estratégias importantes para controle das DCNT e seus fatores de risco, reduzindo o risco de mortalidade prematura33 Sofi F, Cesari F, Abbate R, Gensini GF, Casini A. Adherence to Mediterranean diet and health status: meta-analysis. BMJ 2008; 337:a1344.

4 Benson G, Pereira RF, Boucher JL. Rationale for the use of a Mediterranean diet in diabetes management. Diabetes Spectr 2011; 24(1):36-40.
-55 Campbell M. The role of exercise and physical activity in obesity. New strategies to treat and prevent obesity. In: Weaver JU. Practical Guide to Obesity Medicine. Amsterdam: Elsevier; 2017. p. 215-230.. Neste sentido, a adoção de dietas especiais é associada a escolhas alimentares mais saudáveis e normalmente faz parte das orientações prescritas por profissionais de saúde para indivíduos portadores de DCNT, tanto para o tratamento quanto para a prevenção de desfechos de saúde desfavoráveis66 Ahola AJ, Forsblom C, Groop P-H. Adherence to special diets and its association with meeting the nutrient recommendations in individuals with type 1 diabetes. Acta Diabetol 2018; 55(8):843-851. -. Entre as evidências que suportam o uso de dietas específicas para melhorar a saúde e diminuir os sintomas de doenças crônicas, destacam-se a dieta mediterrânea, para reduzir os principais eventos de doenças cardiovasculares, e a dieta DASH, para reduzir a pressão arterial e níveis de colesterol77 Eilat-Adar S, Sinai T, Yosefy C, Henkin Y. Nutritional recommendations for cardiovascular disease prevention. Nutrients 2013; 5(9):3646-3683.

8 Stradling C, Hamid M, Taheri S, Thomas GN. A review of dietary influences on cardiovascular health: part 2: dietary patterns. Cardiovasc Hematol Disord Drug Targets 2014; 14(1):50-63.
-99 Leung B, Lauche R, Leach M, Zhang Y, Cramer H, Sibbritt D. Special diets in modern America: Analysis of the 2012 National Health Interview Survey data. Nutr Health 2018; 24(1):11-18..

Dentre os poucos estudos que avaliaram o uso de dietas especiais em populações66 Ahola AJ, Forsblom C, Groop P-H. Adherence to special diets and its association with meeting the nutrient recommendations in individuals with type 1 diabetes. Acta Diabetol 2018; 55(8):843-851. -,99 Leung B, Lauche R, Leach M, Zhang Y, Cramer H, Sibbritt D. Special diets in modern America: Analysis of the 2012 National Health Interview Survey data. Nutr Health 2018; 24(1):11-18.

10 Lee CJ, Warren AP, Godwin S, Tsui JC, Perry G, Hunt SK. Impact of special diets on the nutrient intakes of southern rural elderly. J Am Diet Assoc 1993; 93(2):186-188.

11 Clarke TC, Black LI, Stussman BJ, Barnes PM, Nahin RL. Trends in the Use of Complementary Health Approaches Among Adults: United States, 2002-2012. Natl Health Stat Report 2015; 79: 1-16.
-1212 Stierman B, Ansai N, Mishra S, Hales CM. Special diets among adults: United States, 2015-2018. NCHS Data Brief 2020; 289:1-8, observam-se diferenças em relação a características dos indivíduos, como sexo, faixa etária e estado nutricional1111 Clarke TC, Black LI, Stussman BJ, Barnes PM, Nahin RL. Trends in the Use of Complementary Health Approaches Among Adults: United States, 2002-2012. Natl Health Stat Report 2015; 79: 1-16.,1212 Stierman B, Ansai N, Mishra S, Hales CM. Special diets among adults: United States, 2015-2018. NCHS Data Brief 2020; 289:1-8. Considerando que a ocorrência de DCNT é mais frequente em determinados estratos da população, como indivíduos com excesso de peso, de maior idade e piores condições socioeconômicas1313 Hone T, Stokes J, Trajman A, Saraceni V, Coeli CM, Rasella D, Durovni B, Millett C. Racial and socioeconomic disparities in multimorbidity and associated healthcare utilisation and outcomes in Brazil: a cross-sectional analysis of three million individuals. BMC Public Health 2021; 21(1):1287., conhecer a distribuição do uso de diferentes tipos de dietas segundo estas características permite avaliar o alcance do uso das dietas como forma de controle das DCNT nos grupos de maior risco. Não foi identificado, até o momento, nenhum estudo de representatividade nacional avaliando a prevalência do uso de dietas especiais na população brasileira. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi estimar a prevalência do uso de dietas especiais na população brasileira e analisar a associação entre perfil sociodemográfico e estado nutricional com o uso de dietas especiais na população brasileira a partir dos dados do II Inquérito Nacional de Alimentação 2017-2018. Além disso, foi avaliado o uso de sal, açúcar e adoçantes de adição entre os indivíduos que realizam dietas especiais. Estas variáveis serão utilizadas como marcadores de adesão às dietas, uma vez que são componentes que usualmente são abordados nos diferentes tipos de dietas especiais.

Métodos

Foram utilizados dados do módulo de características das dietas, coletado no segundo Inquérito Nacional de Alimentação (INA), que corresponde ao Bloco de Consumo Alimentar Pessoal da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), conduzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2017 e 2018. Para a POF 2017-2018 foram selecionados 57.920 domicílios. A amostra para o INA correspondeu 34,7% dos domicílios amostrados para a POF 2017-2018, totalizando 20.112 domicílios selecionados. Todos os moradores com pelo menos 10 anos de idade dos 20.112 domicílios amostrados responderam as questões relativas ao uso de dietas especiais, totalizando 46.164 indivíduos1414 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE; 2020.. Para este estudo, houve a exclusão dos indivíduos amarelos e indígenas (n=475), totalizando o total de 45.689 indivíduos.

Descrição das variáveis

Realização de dietas especiais - INA - POF 2017-2018

A variável investigada foi obtida a partir das seguintes perguntas do Bloco de consumo alimentar pessoal da POF 2017-2018: “Faz alguma dieta?”: “sim” ou “não”; “Dieta para”: “emagrecer”, “pressão alta”, “colesterol”, “diabetes”, “doença do coração” e “outra necessidade”.

O entrevistado poderia informar a condição de estar submetido a uma dieta que atendesse a múltiplos propósitos, ou seja, era possível marcar mais de uma opção dentre as dietas apresentadas. Não havia opção para informar qual a dieta que se referia a “outra necessidade”.

A fim de identificar se era realizado, concomitantemente, mais de um tipo de dieta especial, foi categorizado a quantidade de tipos de dietas em: apenas um tipo de dieta, dois tipos e três tipos ou mais de dietas.

Características sociodemográficas

Foram coletadas informações sobre sexo (masculino e feminino); idade, posteriormente categorizada em adolescentes (<20 anos), adultos (20 a 59 anos) e idosos (60 anos ou mais); raça/cor da pele (branca, preta, amarela, parda ou indígena); escolaridade e renda domiciliar per capita.

A renda domiciliar per capita foi calculada como a renda total do domicílio dividida pelo número de residentes e convertida em salários mínimos segundo valor vigente no período de referência do estudo (R$ 954,00, janeiro de 2018). A seguir foi categorizada como “≤0,5 salário mínimo per capita”, “>0,5 e ≤1”, “>1 e ≤2”, “>2 e ≤3”, “>3 e ≤4” e “>4”.

A escolaridade foi avaliada pela questão “Qual foi o curso mais elevado que frequentou anteriormente?”. Foram utilizadas as categorias: até primário completo, fundamental completo, médio completo e superior completo ou mais.

Para a variável raça/cor de pele, as opções de resposta eram: “branca”, “preta”, “parda”, “amarela” ou “indígena”. Estas duas últimas, amarela e indígena, não foram incluídas nas análises por apresentarem percentual baixo (1,2%) na amostra.

Estado nutricional

O índice de massa corporal (IMC) foi calculado a partir do peso e altura autorreferidos. Foram utilizados os pontos de corte recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 1998)1515 World Health Organization (WHO). Growth reference data for 5-19 years [Internet]. 2007 [cited 2023 jun 13]. Available from: http://www.who.int/growthref/who2007_bmi_for_age/en/index.html.
http://www.who.int/growthref/who2007_bmi...
para adultos e idosos, considerando <18,5kg/m² (abaixo do peso), >18,5 até 24,9kg/m² (peso adequado), ≥25 até 29,9kg/m² (sobrepeso) e >30,0kg/m² (obesidade). Para adolescentes, foram adotados os valores de IMC em escore z para idade e sexo recomendados pela OMS1616 World Health Organization (WHO). Obesity: preventing and managing the global epidemic. Geneva: WHO; 1998., utilizando-se o Software WHO Anthro-Plus versão 1.0.4, considerando as seguintes classificações do índice IMC para idade: escore-z <-2 (baixo peso), escore-z ≥-2 e escore-z <1 (eutrofia), escore-z ≥1 e escore-z <2 (sobrepeso) e escore-z ≥2 (obesidade).

Uso de sal, açúcar e adoçante de adição

O questionário também incluiu questões sobre o uso de sal de adição (se tinha o hábito de adicionar sal ao prato de comida) e açúcar de adição (se o uso mais frequente era de açúcar, adoçante ou ambos). Para a variável sal de adição o entrevistado podia assinalar “sim” ou “não”. Já para a variável açúcar e adoçante de adição, o entrevistado podia assinalar o uso: i) somente de açúcar, ii) somente de adoçante, iii) açúcar e adoçante. Para este estudo considerou-se o uso somente de açúcar e somente de adoçante.

Análise estatística

Foram estimadas as prevalências e seus respectivos intervalos de confiança de 95% do uso de dieta especial e sua finalidade (emagrecer, pressão alta, diabetes, colesterol e doença do coração) de acordo com a faixa etária e sexo, estado nutricional, estratos de renda, escolaridade e raça/cor. Além disso, foi estimada a prevalência e intervalo de confiança de 95% do uso de sal, açúcar de adição e adoçante segundo a realização dos tipos de dietas especiais. Foram consideradas diferença estatisticamente significativas entre as prevalências quando não houve sobreposição de seus respectivos IC95%.

Modelos de regressão logística foram utilizados para avaliar os fatores associados ao uso de dietas especiais, sendo um modelo para cada variável dependente: i) realizar qualquer tipo de dieta; ii) dieta para pressão alta; iii) dieta para emagrecer; e iv) dieta para diabetes. Cada um dos modelos foi mutuamente ajustado pelas seguintes variáveis: sexo, faixa etária, estado nutricional, renda domiciliar per capita, escolaridade e raça.

As análises foram realizadas nos Programas R versão 4.1.0 e SAS OnDemand for Academics, considerando o desenho amostral complexo e os seus fatores de expansão.

Aspetos éticos

O presente estudo utilizou banco de dados secundários da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-20181414 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE; 2020., sendo este de acesso público e irrestrito, no qual os microdados estão disponibilizados gratuitamente no site da instituição (https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/24786-pesquisa-de-orcamentos-familiares-2.html?edicao=28523&t=sobre). Sendo assim, o presente trabalho dispensa apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa.

Resultados

A amostra foi composta em sua maioria por mulheres (52,1%), adultos (62,9%), pardos (44,9%), eutróficos (45,5%), indivíduos com ensino médio completo (26,4%) e residindo em domicílios com renda domiciliar per capita de um a dois salários mínimos por mês (31,6%) (Tabela 1).

Tabela 1
Caracterização da população estudada. Inquérito Nacional de Alimentação, 2017-2018 (n=45.689).

O uso de dietas especiais foi relatado por 14,3% dos indivíduos. A prevalência foi maior entre as mulheres (17,8%; IC95% 17,0-19,0) quando comparada aos homens (9,6%; IC95% 9,0-10,0); entre os idosos (27,3%; IC95% 25,7-28,9) em comparação às demais faixas etárias; em indivíduos de maior renda (22,7%; IC95% 20,9-25,7) quando comparados ao estrato inferior de renda; e entre os indivíduos com obesidade (21,6%; IC95% 20,1-23,2) em comparação aos demais estados nutricionais. As maiores prevalências de realização de dietas foram observadas nos indivíduos de menor escolaridade (até primário completo) (Tabela 1).

Dentre a população estudada (n=45.689), a dieta para emagrecer foi a mais prevalente na população (5,2%; IC95% 4,8-5,5), seguida da dieta para pressão alta (4,6%; IC95% 4,3-5,0), diabetes (3,5%; IC95% 3,3-3,8), colesterol (2,9%; IC95% 2,7-3,2) e dieta do coração (0,8%; IC95% 0,7-0,9). A dieta para pressão alta foi mais prevalente nos homens (3,7%; IC95% 3,3-4,0) e a dieta para emagrecer mais prevalente nas mulheres (7,4%; IC95% 6,9-7,9). A prevalência da realização de qualquer tipo de dieta foi maior entre os idosos, tanto para homens (22,4%; IC95% 20,3-24,6) quanto para mulheres (31,2%; IC95% 29,1-33,3), destacando-se as dietas para pressão alta e diabetes nesta faixa etária. Entre os adultos e adolescentes, a dieta para emagrecer foi a mais prevalente, tanto para homens quanto para mulheres. Dentre as pessoas que faziam dieta, a maioria da população estudada (70,1%; IC95% 69,1-72,7) afirmou realizar apenas um tipo de dieta especial (Tabela 2).

Tabela 2
Prevalência (%) e intervalo de confiança 95% da realização de dietas especiais de acordo faixa etária e sexo. Inquérito Nacional de Alimentação, 2017-2018 (n=45.689).

Observou-se maior prevalência da prática de diferentes tipos de dieta entre indivíduos com excesso de peso e obesidade e os de maior renda, e uma redução entre os de maior escolaridade. A exceção foi em relação à dieta para emagrecer que foi mais prevalente entre os de maior escolaridade, 10,4%; IC95% 9,1-11,7, vs. 2,6%; IC95% 1,8-3,5 em indivíduos com até primário completo. Não foi observado um padrão definido de realização de dietas segundo a raça/cor (Tabela 3).

Tabela 3
Prevalência (%) e intervalo de confiança 95% da realização de dietas especiais de acordo com o estado nutricional, renda domiciliar per capita e escolaridade. Inquérito Nacional de Alimentação 2017-2018 (n= 45.689).

A prevalência do uso de açúcar foi menor entre os indivíduos que relataram realizar qualquer tipo de dieta comparados àqueles que não realizaram nenhum tipo de dieta (homens: 53,1%; IC95% 49,7-56,5 vs. 85,4%; IC95% 84,4-86,4; mulheres: 51,1%; IC95% 48,6-53,5 vs. 81,9%; IC95% 80,8-82,9). No entanto, a prevalência do uso de adoçante foi maior entre os indivíduos que realizaram dieta, 28,2%; IC95% 25,2-31,2 (homens) e 28,4%; IC95% 26,3-30,4 (mulheres), comparados àqueles que não realizaram nenhum tipo de dieta, 4,5%; IC95% 4,0-5,1 (homens) e: 6,7%; IC95% 6,0-7,4 (mulheres). Esta diferença foi mais predominante entre os indivíduos que realizavam dieta para diabetes, quando comparados àqueles sem dieta. O uso do sal de adição, em sua maioria, foi menos prevalente entre os que realizavam dieta, principalmente entre as mulheres (9,6%; IC95% 8,4-10,9), sendo a menor prevalência entre os indivíduos que realizavam dieta para pressão alta (homens: 6,3%; IC95% 3,8-8,8; mulheres: 5,9%; IC95% 4,3-7,5) (Tabela 4).

Tabela 4
Prevalência (%) e intervalo de confiança 95% do uso de açúcar, adoçante e sal de adição de acordo com a realização de dietas e o sexo. Inquérito Nacional de Alimentação, 2017-2018 (n=45.689).

Na análise com os modelos da regressão logística, os idosos apresentaram maiores chances de uso de dietas especiais comparados aos adultos, exceto em relação a dieta para emagrecer. As maiores magnitudes das associações foram observadas em relação às dietas para pressão alta e diabetes (OR=3,9; IC95% 3,2-4,7 e OR=4,7; IC95% 3,8-5,8, respectivamente). Indivíduos com obesidade apresentaram maior chance de realizar os diferentes tipos de dietas testados, com maior associação observada para dietas para emagrecer (OR=4,2; IC95% 3,4-5,0). O efeito da renda sobre a realização de qualquer tipo de dieta foi observado, de forma geral, em quase todas as categorias comparadas à de menor renda. Especificamente em relação à dieta para pressão alta e diabetes, não foram observadas diferenças entre os estratos de renda. Indivíduos com maior escolaridade apresentaram maior chance de realizar dieta para emagrecer. Por outro lado, os de menor escolaridade apresentaram maior chance de realizar dietas para pressão alta e diabetes (Tabela 5).

Tabela 5
Associação1 entre a realização de dietas especiais e características sociodemográficas e estado nutricional. Inquérito Nacional de Alimentação, 2017-2018 (n=45.689).

Discussão

O presente estudo estimou que aproximadamente 15% da população brasileira acima de 10 anos de idade realizava dietas especiais, sendo a dieta para emagrecer a mais prevalente, seguida pela dieta para pressão alta, diabetes, colesterol e dieta do coração. Verificou-se que, de forma geral, as mulheres, os idosos, indivíduos com obesidade, e indivíduos com maior renda tiveram maior chance de realizar dietas em comparação aos seus pares.

Já é conhecido que as mulheres tendem a procurar mais os serviços de saúde, o que corrobora para maior prevalência do uso de dietas entre as mulheres quando comparado aos homens. De acordo com a última edição da PNS 2019, 82,3% das mulheres se consultaram um médico nos 12 meses anteriores à entrevista em comparação à 69,4% dos homens1717 Cobo B, Cruz C, Dick PC. Desigualdades de gênero e raciais no acesso e uso dos serviços de atenção primária à saúde no Brasil. Cien Saude Colet 2021; 26(9):4021-4032.. Além disso, segundo a PNS1818 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2019: Percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal: Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro: IGBE; 2020., a proporção de diagnóstico de DCNT aumenta com a idade, o que explica a maior prevalência de realização de dietas entre os idosos, uma vez que este grupo tende a necessitar mais de estratégias para manutenção da saúde.

A maior prevalência de realização de todos os tipos de dietas entre os indivíduos com sobrepeso e obesidade pode ser em parte explicada pela atenção maior aos cuidados com saúde direcionadas a estes grupos em vista do risco aumentado para outras comorbidades1919 Mariath AB, Grillo LP, Silva RO, Schmitz P, Campos IC, Medina JRP, Kruger RM. Obesidade e fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis entre usuários de unidade de alimentação e nutrição. Cad Saude Publica 2007; 23(4):897-905.,2020 Malta DC, Iser BPM, Claro RM, Moura L, Bernal RTI, Nascimento AF, Silva Jr. JB, Monteiro CA; Grupo Técnico de Redação do Vigitel. Prevalência de fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis em adultos: estudo transversal, Brasil, 2011. Epidemiol Serv Saude 2013; 22(3):423-434.. No entanto, representa um percentual pequeno em relação ao total de indivíduos com excesso de peso na população, que está em torno de 60%1818 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2019: Percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal: Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro: IGBE; 2020.. Por outro lado, indica também uma intenção de mudança no estado de saúde2121 Mastellos N, Gunn LH, Felix LM, Car J, Majeed A. Transtheoretical model stages of change for dietary and physical exercise modification in weight loss management for overweight and obese adults. Cochrane Database Syst Rev 2014; 2:CD008066., o que é um diagnóstico positivo, ainda que em uma pequena parcela da população. Somado a isso, motivações de ordem estéticas, independentemente de questões relativas à saúde, provavelmente explicam uma parte considerável destes resultados, especialmente entre as mulheres2222 Silva AFS, Lima TF, Japur CC, Gracia-Arnaiz M, Penaforte FRO. "A magreza como normal, o normal como gordo": reflexões sobre corpo e padrões de beleza contemporâneos. Rev Fam Ciclos Vida Saúde Contexto Soc 2018; 6(4):809-813..

A segunda dieta mais relatada na população estudada foi a dieta para pressão alta (4,9%), principalmente entre os idosos (11,6% entre os homens e 17,2% entre as mulheres). Espera-se que as pessoas diagnosticadas com pressão alta recebam alguma recomendação sobre sua alimentação e sejam capazes de efetivar tais orientações visando o controle da hipertensão. Neste estudo não sabemos se as pessoas que fazem dietas para hipertensão de fato foram diagnosticadas com hipertensão (embora seja bem razoável assumir que sim, pelo menos para a grande maioria). Da mesma forma, não sabemos se todas as pessoas já diagnosticadas já receberam alguma orientação sobre adotar alguma dieta. De todo modo, a prevalência de uso de dieta para pressão alta observada é substancialmente inferior à prevalência de hipertensos estimada no Brasil (23,9% da população, sendo 46% entre os idosos, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde)1818 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde 2019: Percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal: Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro: IGBE; 2020.. Isto implica que a dieta como uma estratégia importante para o controle da hipertensão é pouco utilizada. Situação um pouco mais otimista é observada para a diabetes. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, a prevalência de diabetes varia de 6,6% a 9,4% dos brasileiros, dependendo do critério utilizado para diagnóstico2323 Malta DC, Szwarcwald CL. Prevalência de diabetes mellitus determinada pela hemoglobina glicada na população adulta brasileira, Pesquisa Nacional de Saúde. Rev Bras Epidemiol 2019; 22(Supl. 2):E190006.SUPL.2., diante de aproximadamente 4% da população que relatou o uso de dieta para esta finalidade.

Foi observada menor utilização de sal e açúcar de adição entre quem relatou fazer uso de dietas, indicando a importância que estes componentes geralmente recebem nas orientações sobre alimentação. Neste estudo não foi avaliada a qualidade nutricional das dietas. No entanto, fazer o uso das dietas especiais parece ter tido um efeito benéfico na escolha (e consequentemente no consumo) de sal e açúcar na população, que são itens abordados nas dietas para pressão alta e diabetes, e importantes no controle das respectivas doenças.

A maior chance de realizar dietas entre os de maior rendimento segue o já conhecido efeito da renda no acesso aos serviços de saúde2424 Tomasiello D, Bazzo JP, Parga JP, Servo L, Pereira, RHM (2023). Desigualdades raciais e de renda no acesso à saúde nas cidades brasileiras. Texto para Discussão Ipea 2832. Brasília: Ipea; 2023.. O mais provável é que este grupo tenha tido maior acesso ao diagnóstico, maior acesso a profissionais com condições e recursos para dar orientações sobre alimentação, ou mesmo terem maior condições para seguir as orientações recebidas. No entanto, chama a atenção o fato de as maiores prevalências terem sido observadas, de forma geral, entre os de menor escolaridade, particularmente indivíduos com até o primário completo, mesmo após o ajuste por faixa etária (considerando que os idosos são os com maior prevalência de DCNT e também os de menor escolaridade). Uma das explicações é a maior prevalência de DCNT observada entre os indivíduos de menor escolaridade1313 Hone T, Stokes J, Trajman A, Saraceni V, Coeli CM, Rasella D, Durovni B, Millett C. Racial and socioeconomic disparities in multimorbidity and associated healthcare utilisation and outcomes in Brazil: a cross-sectional analysis of three million individuals. BMC Public Health 2021; 21(1):1287., e isto parece ser um determinante importante independente da renda e da faixa etária.

Ao comparar com estudos internacionais semelhantes, as prevalências de uso de dietas observadas no Brasil foram maiores que as observadas nos Estados Unidos, com base nos dados do National Health Interview Survey de 20121111 Clarke TC, Black LI, Stussman BJ, Barnes PM, Nahin RL. Trends in the Use of Complementary Health Approaches Among Adults: United States, 2002-2012. Natl Health Stat Report 2015; 79: 1-16., com 34.525 americanos acima de 18 anos. Entre os americanos, a prevalência do uso de dietas foi 7,5%. Dentre os que fizeram dietas especiais, a maior parte era do sexo feminino (60,6%), entre 50 e 64 anos de idade (36,1%), em indivíduos com sobrepeso e obesidade (62,5%). Além disso, o estudo encontrou maior prevalência de uso de dietas em indivíduos brancos não-hispânicos (74,6%) e entre aqueles que cursaram ensino superior (58,4%). Também foi observado maior prevalência entre os que tiveram algum histórico de doença: hipertensão (30,3%), diabetes (10,4%), alguma doença do coração (3,5%).

Outro estudo conduzido com a população americana, no entanto, as prevalências foram mais próximas às observadas no presente estudo. Stierman et al.1212 Stierman B, Ansai N, Mishra S, Hales CM. Special diets among adults: United States, 2015-2018. NCHS Data Brief 2020; 289:1-8, usando dados do National Center for Health Statistics (NCHS) observou que aproximadamente 17% dos adultos norte-americanos com 20 anos ou mais relataram estar em qualquer tipo de dieta especial entre 2015 e 2018, novamente com um percentual maior entre as mulheres (19% entre as mulheres vs. 15% entre os homens). A prevalência também foi maior entre os indivíduos com 40 a 59 anos (19,2%) e com 60 anos ou mais (19,3%). O percentual de adultos em uma dieta especial aumentou com a escolaridade, o que não foi, entretanto, observado no presente estudo. O padrão dos tipos mais comuns de dietas especiais variou de acordo com a idade, no entanto, o tipo mais comum de dieta especial considerando todas as faixas etárias foi a dieta para perda de peso ou dieta de baixa caloria.

Cabe mencionar aqui algumas limitações do presente estudo: o conceito do que se entende por dieta pode variar entre os indivíduos, não sendo possível saber se a dieta referida representa uma mudança dietética de curto ou longo prazo e não há dados que permitam avaliar a indicação necessária ou diagnóstico prévio que justifique a finalidade da dieta adotada. Porém, como pontos fortes do estudo, destaca-se o fato de ser um trabalho inédito e a nível nacional, por avaliar a prevalência do uso de dietas especiais em uma amostra representativa da população brasileira.

Concluindo, aproximadamente 15% da população relatou uso de algum tipo de dieta especial, sendo mais frequente em mulheres, idosos, indivíduos com excesso de peso e de maior renda. As prevalências do uso de dietas para hipertensão e diabetes foram substancialmente inferiores ao percentual da população que relata diagnóstico destas condições.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    10 Fev 2025
  • Data do Fascículo
    Fev 2025

Histórico

  • Recebido
    27 Fev 2023
  • Aceito
    20 Dez 2023
  • Publicado
    22 Dez 2023
ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva Rio de Janeiro - RJ - Brazil
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