CONGRESSO CONGRESS

 

 

"Saúde, Justiça, Cidadania" para todos!

O VII Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (CBSC), realizado no final de julho passado no campus da Universidade de Brasília, no Distrito Federal, foi o congresso da diversidade, da inclusão e da criatividade. Foi, sem dúvida, um momento de exibição do vigor e da renovação do campo da saúde coletiva. Foram apresentados quase cinco mil trabalhos na modalidade de pôster (92 deles receberam menções honrosas), desenvolvidas 159 comunicações coordenadas, 127 painéis, 29 palestras, 13 colóquios, nove grandes debates e três conferências magnas. Nesse conjunto de apresentações orais foram apresentados 1.085 trabalhos científicos, envolvendo profissionais de serviços, professores e pesquisadores nacionais e internacionais.

O processo de construção do evento, a partir da Comissão Organizadora, contou com a participação ativa de um grande número de profissionais de diversas instituições de saúde no âmbito federal e distrital, e de professores e pesquisadores da Universidade de Brasília. A fase de avaliação dos trabalhos inscritos (quase 6.500) ­ crucial no processo ­ compreendeu duas etapas. A primeira, via Internet, mobilizou 350 avaliadores ad hoc que, em conjunto com a Comissão Científica, pré-selecionaram mais de cinco mil trabalhos. Na segunda etapa, presencial, mais de 60 profissionais, oriundos de várias instituições e centros de ensino e pesquisa em saúde coletiva do país, classificaram ­ entre os trabalhos pré-selecionados ­ a modalidade de apresentação que serviu de base para a montagem final da programação do congresso.

A dimensão desse Abrascão, marcada pelo surpreendente número de trabalhos e participantes inscritos, suscita algumas reflexões. Em primeiro lugar deve ser evocado o poder de convocação da Abrasco, que se consolida a cada dia como uma entidade acadêmica e política de referência para a Saúde e para o SUS. Ressalte-se também o desejo de todos em retomar, com vigor, o debate sobre os rumos da saúde e da reforma sanitária em nosso país.

O Congresso teve capacidade de aglutinar os diversos campos de conhecimento e de práticas da Saúde Coletiva, em que o mérito da Abrasco foi estimular a participação e acolher os diversos grupos e temas propostos. O comparecimento expressivo dos trabalhadores de saúde e do pessoal dos serviços foi responsável pelo volume surpreendente de produção científica sobre o SUS, evidenciando a diversidade do campo da saúde e do SUS em nosso país.

O clima de celebração tomou conta de todos os que estiveram no campus da UnB, dando disposição e alegria para as longas caminhadas necessárias entre uma atividade e outra. A sessão de homenagem a personagens que marcaram a história da reforma sanitária no país ­ Carlos Santana, Eleutério Rodrigues Neto e Sérgio Arouca ­ e aos ex-dirigentes da Abrasco, e a apresentação de um conjunto de atividades culturais paralelas ao Congresso reiteraram o respeito pela História e estimularam a criatividade, promovendo outras formas de convivência e expressão em saúde. A todo momento os participantes eram surpreendidos com apresentações de música, teatro, filmes e outros eventos acolhidos no "Cultura é Saúde".

O VII CBSC foi o maior evento da fase preparatória da XII Conferência Nacional de Saúde ­ Conferência Sérgio Arouca ­ que terá sua etapa nacional em dezembro próximo. Por certo, os ecos de nosso congresso estão ressoando na sua etapa de debates municipais e estarão também nas conferências estaduais e nacional, alimentando os debates com a profusão, profundidade e diversidade dos temas abordados nas distintas atividades que ocorreram em Brasília.

Para os GTs e comissões da Abrasco, o VII CBSC foi uma oportunidade de reconstrução e atualização de suas agendas incorporando os novos desafios ali estampados. Agora, fica a responsabilidade para a nova gestão da Abrasco que, com certeza, será pautada pelos vários significados deste Abrascão-2003.

O crescimento dos Abrascões deve ser comemorado. A ampliação dos programas de pós-graduação; a busca crescente por inflexões na Saúde Coletiva das atividades de graduação; o reconhecimento progressivo de que a complexidade da saúde pública exige maior integração entre os serviços e os centros de produção de conhecimentos e a incorporação de profissionais na rede de serviços, em especial nos Programas de Saúde da Família, são indicativos desta tendência.

Para o futuro fica o desafio de seguir ampliando o debate. O congresso em Brasília mostrou a necessidade de reestudar a organização dos próximos Abrascões. De imediato, paira a idéia de rever sua duração, permitindo mais possibilidades aos autores, expositores e demais congressistas.

De substantivo segue vivo o compromisso expresso nas numerosas atividades e nas moções aprovadas na plenária final do VII CBSC: a luta incansável pela qualidade de vida e saúde de todos os brasileiros. Esta é com certeza a idéia-força e o desejo dos quase oito mil congressistas que estiveram na Capital Federal participando do Abrascão.

 

Abrasco

 


 

VII Congresso Latino-Americano de Ciências Sociais e Saúde

 

Por uma agenda propositiva para o setor saúde

 

 

Data: 19 a 23 de outubro de 2003
Local: Hotel do Frade, Angra dos Reis,
Rio de Janeiro
Presidente: Maria Cecília de Souza Minayo
Co-organizador: Carlos Everardo Coimbra Júnior

 

 

Antecedentes

O VII Congresso Latino-Americano de Ciências Sociais e Saúde dá seqüência aos que vêm ocorrendo no Chile, na Argentina, no México, na Venezuela, de dois em dois anos, tentando reunir os cientistas sociais, médicos e sanitaristas em torno das questões de saúde pública do continente. Este Congresso é uma atividade do Fórum Mundial de Ciências Sociais e Medicina, originalmente criado, há mais de 15 anos, pela revista Social Science and Medicine, para aprofundar, socializar e divulgar os conhecimentos das ciências sociais aplicadas à saúde num espaço próprio, uma vez que, freqüentemente estavam elas e os cientistas, subsumidos ao campo da medicina. Tem o apoio da Fundação Oswaldo Cruz e da Comissão de Ciências Sociais e Saúde da Abrasco.

No caso da América Latina, os congressos têm sido realizados com muito sucesso, embora se note que em alguns países a reflexão das ciências sociais e saúde está mais avançada, inclusive porque trabalham mais ativamente em pesquisa, e alguns têm programas de mestrado e doutorado que exigem e dão sustentação aos processos de investigação. Cada Congresso Latino-Americano produziu um livro com os principais textos debatidos, que se tornaram referências para estudantes e para pesquisadores, pois tratam de questões cruciais sobre a nossa realidade como desigualdades em saúde, mudanças no perfil demográfico e de saúde, reformas do Estado e em especial do setor saúde, dentre muitas outras.

 

Objetivo

Este VII Congresso tem como objetivo aprofundar coletivamente e de forma compartilhada entre os países questões cruciais da situação latino-americana do campo da saúde, dando ênfase à positividade dos processos e dos esforços de superação dos problemas. Como objetivo muito específico, tendo em vista as questões colocadas pelo governo brasileiro e pelos seus parceiros latino-americanos, estreitar as possibilidades de produção, investigação e cooperação conjuntas.

 

Metodologia

O Congresso, seguindo a linha e a tradição dos anteriores, constitui-se num tipo específico de evento, cujo centro é o aprofundamento do conhecimento, a partir de textos de referência, encomendados a colegas de todos os países, e que são discutidos, enriquecidos e ampliados com as situações específicas pelos colegas presentes. É previsto que em cada grupo participem cerca de 20 pessoas e não mais para que haja um real debate e aprofundamento.

O desenvolvimento dos grupos se dá com uma coordenação que busca encaminhar as discussões, e com uma relatoria que socializará numa plenária as discussões do grupo. Cada participante pode estar em dois grupos, pois os debates em cada um serão de dois dias. Na metade do Congresso os mesmos participantes estarão em outros grupos, também em dois dias. Em resumo, este evento não tem o modelo de exposição com grandes conferencistas, e seu formato se aproxima mais de um conjunto de oficinas de construção do conhecimento. Estudantes e jovens pesquisadores são muito bem-vindos e da nossa parte está sendo feito um grande esforço para viabilizar a presença desses juniores.

 

Conteúdo

O conteúdo do evento foi esboçado por um Comitê Científico Latino-Americano, reunido em abril de 2002. A seguir ficou estabelecido, após uma consulta pública da comunidade de ciências sociais e saúde por via eletrônica. Todo o esforço de então foi abordar temas relevantes, contemporâneos e que pudessem corresponder a um cenário das necessidades dos sistemas de saúde latino-americanos, visando à superação dos problemas e o estabelecimento de uma agenda positiva.

1) Reforma, administração e governança no setor saúde na América Latina, a partir dos anos 90

2) Indicadores de condições de saúde e desigualdades sociais

3) Mudanças demográficas e desafios à saúde dos idosos na América Latina

4) Papel das agências internacionais no financiamento e na definição de políticas de saúde na América Latina

5) Papel das Ong's na construção da política de saúde na América Latina

6) Ética e ciências sociais em Saúde

7) Etnicidade, raça e saúde na América Latina

8) História da saúde na América Latina

9) Construtores do setor saúde na América Latina

10) Contribuição da antropologia para o desenvolvimento das práticas de saúde na América Latina

11) Práticas alternativas em Saúde na América Latina

12) Novos discursos e velhas práticas em Saúde Pública na América Latina, com ênfase nas propostas de promoção da saúde e da qualidade de vida

13) Modelos conceituais e experiências em curso das relações entre saúde e ambiente na América Latina

14) Novos problemas de gênero na América Latina, com destaque para as desvantagens da saúde masculina

15) O impacto da violência sobre a saúde na América Latina

16) Participação popular, projetos de solidariedade e de promoção da vida, e discursos e práticas de educação em saúde na América Latina

17) Novas tecnologias de informação e educação em saúde na América Latina, provocadas pela revolução do setor de informação e de comunicação

18) Mudanças globais no mundo do trabalho e seus impactos sobre a saúde na América Latina

19) Novos impactos do consumo de álcool e drogas sobre a saúde na América Latina

20) Economia da Saúde na América Latina, tendo como referência, a questão social

 

O Congresso recebe inscrições de profissionais de todas as áreas da saúde. As inscrições estão abertas e só se fecharão quando completarmos o número de 250 participantes. Abra o site citado abaixo! A participação não exige apresentação de trabalho. Se qualquer profissional precisar de um convite nominal para conseguir financiamento institucional favor solicitar a cecilia@claves.fiocruz.br

Maria Cecília de Souza Minayo
Presidente da Representação Latino-Americana do Fórum Mundial de Ciências Sociais e Medicina

 

Secretaria
ML Eventos (att. Sra. Vera Bittencourt)
Telefone (55 21) 2276 4688
Fax (55 21) 2523 0295
mleventos@mleventos.com.br
www.mleventos.com.br/csys

ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: revscol@fiocruz.br