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Convidamos três reconhecidos e produtivos pesquisadores para debater o texto de Alexandre Kalache, cada um destes, autoridades em seus campos de atuação: Políticas de Saúde e Planejamento, no caso de Ligia Bahia; a Geriatria, para Renato Maia Guimarães, e Práticas em Saúde Coletiva para Kenneth Camargo. Os debatedores identificaram muito bem os desafios gerados pelo envelhecimento populacional para a sociedade brasileira, particularmente para o campo da saúde pública.

Entre os principais aspectos de suas abordagens, destacamos os seguintes:

Segundo Ligia Bahia, as relações entre envelhecimento, proteção social e desenvolvimento econômico e social desautoriza a prescrição de soluções ingênuas para as dramáticas mudanças demográficas que ocorrem em todos os países do mundo. As relações entre envelhecimento, trabalho, bem-estar social, saúde, inovação, mercado e estilo de vida e desenvolvimento devem se tornar ponto de pauta para todas as instituições brasileiras envolvidas com a investigação e execução de políticas públicas.

Renato Guimarães chama a atenção para a necessidade de aprimorar a política de aposentadoria, fugindo da visão economicista e reconhecendo-se que o aprimoramento da aposentadoria no Brasil nos últimos anos possibilitou um aumento dos indicadores de qualidade de vida entre idosos.

Kenneth Camargo reforça esta visão quando afirma que soluções de "mercado" não darão conta dos desafios, ao menos no sentido de construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Kenneth Camargo ressalta que tais desafios são parte de um conjunto de dilemas que desafia a comunidade humana a pensar em qual sociedade queremos. O aumento na proporção de idosos na população é mais um agente estressor para um sistema de difícil equilíbrio.

De modo geral, os debatedores concordam com Kalache sobre a viabilidade da construção de um pacto de solidariedade internacional e intergeracional. No entanto, é necessário um aprofundamento na investigação das singularidades da situação brasileira, para subsidiar os fundamentos de um pacto nacional de solidariedade. Na realidade brasileira, segundo Renato Guimarães, este pacto implica outro pacto de cidadania, de inclusão e de respeito às leis que protegem os idosos.

Concordando com os debatedores, portanto, no nosso ponto de vista, os maiores desafios estão relacionados às desigualdades econômicas, sociais e culturais que envolvem as atuais e futuras gerações.

ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: revscol@fiocruz.br