Namoro na adolescência no Brasil: circularidade da violência psicológica nos diferentes contextos relacionais

Adolescent dating in Brazil: the circularity of psychological violence in different relationship contexts

Queiti Batista Moreira Oliveira Simone Gonçalves de Assis Kathie Njaine Thiago Oliveira Pires Sobre os autores

Resumos

Avalia a perpetração de violência psicológica no relacionamento afetivo-sexual atual de adolescentes do sexo masculino e feminino e sua relação com violência psicológica vivenciada em outros contextos de suas vidas: família, relacionamento com amigos e com parceiros afetivo-sexuais anteriores. Responderam a um questionário fechado e autoaplicado 3.205 escolares do 2º ano do Ensino Médio, com idade entre 15 e 19 anos, de escolas públicas estaduais e particulares das capitais de dez estados brasileiros. Os resultados destacam que o aumento do número de eventos de violência psicológica perpetrada pelos adolescentes em seus relacionamentos íntimos está relacionado à mais elevada agressão verbal da mãe e do pai; e à mais frequente vivência de violência psicológica entre pais, irmãos, amigos e àquela presente nos namoros anteriores. Reforçam a noção de circularidade da violência psicológica nos diversos contextos de socialização do adolescente e destacam a continuidade do comportamento agressivo em outras relações de namoro, entre irmãos, na família e amigos.

Violência psicológica; Violência no namoro; Adolescentes; Família; Amigos; Pares


The scope of this paper is to evaluate the perpetration of psychological violence in current male and female dating relationships and their link to psychological violence experienced in other contexts of their lives, namely family, relationships with friends and dating partners. 3,205 students in the 2nd year of high school (15 to 19 years old) in public and private schools in ten Brazilian cities filled out a closed and self-administered questionnaire. The results highlight the fact that the increase in the number of psychologically violent events perpetrated by adolescents in their intimate relationships is related to greater verbal aggression of the mother and father, and the more frequent experiences of psychological violence between parents, siblings, friends and that existing in earlier dating relationships. This reinforces the notion of circularity of psychological violence in various contexts of socialization of adolescents and highlights the continuity of aggressive behavior in other dating relationships, and those between siblings, family and friends.

Psychological violence; Dating violence; Adolescence; Family; Friends; Peers


Introdução

A violência entre namorados adolescentes é considerada um problema de saúde pública na medida em que suas expressões podem se constituir em padrões de resolução de conflitos que se perpetuam nos relacionamentos íntimos na vida adulta 1 1. Cornelius TL, Sullivan KT, Wyngarden N, Milliken JC. Participation in prevention programs for dating violence: beliefs about relationship violence and intention to participate. J Interpers Violence 2009; 24(6):1057-1078. , 2 2. Frieze I. Female violence against intimate partners: an introduction. Hanson Psychology of Women Quarterly 2005; 29(3):229-237.. Por esse motivo, as ações de prevenção à violência entre parceiros íntimos precisa se voltar para essa faixa etária, quando as primeiras vivências de relacionamentos afetivo-sexuais estão acontecendo, reproduzindo, mas também transformando normas de gênero que justificam a violência contra o parceiro 3 3. Sears HA, Byers ES, Whelan JJ, Saint-Pierre M. If it hurts you, then it is not a joke: adolescents' ideas about girls and boys use of abusive behavior in dating relationships. J Interpers Violence 2006; 21(9):1191-1207. , 4 4. Oliveira QBM, Assis SG, Njaine K, Pires TO. Gênero e violência física no namoro de adolescentes de dez capitais brasileiras. Psicologia, Teoria e Pesquisa-UNB. No prelo 2013..

A literatura sobre violência entre namorados adolescentes mostra predominância de estudos sobre violência física e sexual, talvez por produzirem efeitos mais visíveis. A violência psicológica ainda tem pouco destaque, embora diversas pesquisas mostrem prevalências de violência psicológica mais altas do que as que têm merecido mais destaque 3 3. Sears HA, Byers ES, Whelan JJ, Saint-Pierre M. If it hurts you, then it is not a joke: adolescents' ideas about girls and boys use of abusive behavior in dating relationships. J Interpers Violence 2006; 21(9):1191-1207. , 5 5. Minayo MCS, Assis SG, Njaine K, organizadores. Amor e violência: um paradoxo de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2001.

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8. Jackson SM. Teenage dating violence [thesis]. New Zealand: University of Auckland; 1998.
- 9 9. Jezl D, Molidor C, Wright T. Physical, sexual and psychological abuse in high school dating relationships: prevalence rates and self esteem issues. Child Adolesc Social Work J 1996; 13(1):69-87.. Talvez essa escassez se deva ao fato de que a violência psicológica somente se torne visível a partir de seus efeitos, ou seja, quando se expressa em comportamentos apresentados pelas vítimas ao longo do tempo 10 10. Abranches CD, Assis SG. A (in)visibilidade da violência psicológica na infância e adolescência no contexto familiar. Cad Saúde Publica 2011; 27(5):843-854..

A partir da década de 80 verifica-se o crescente interesse pelo tema da violência psicológica entre namorados adolescentes, com relatos de pesquisas norte-americanas e canadenses 11 11. O'Keefe NK, Brockopp K, Chew E. Teen dating violence. Soc Work 1986; 31(6):463-468.

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13. Makepeace JM. Gender differences in courtship violence victimization. Fam Relat 1986; 35(3):383-388.
- 14 14. Aizenman M, Kelley G. The incidence of violence and acquaintance rape in dating violence relationships among college men and women. J Coll Stud Dev 1988; 29(4):305-311., portuguesa 15 15. Saavedra R, Machado C, Martins C, Vieira D. Inventário de conflitos nas relações de namoro entre adolescentes (ICRNA). In: Simões MR, Machado C, Gonçalves M, coordenadores. Instrumentos e contextos de avaliação psicológica. Coimbra: Almedina; 2011., espanholas 6 6. Fernández-Fuertes AA, Fuertes A. Physical and psychological aggression in dating relationships of spanish adolescents: motives and consequence. Child Abuse Negl 2010; 34(3):183-191. , 16 16. Rodríguez Francos L, Antuña Bellerín ML, López-Cepero Borrego J, Rodríguez Díaz FJ, Bringas Molleda C. Tolerance towards dating violence in spanish adolescents. Psicothema 2012; 24(2):236-242., chinesa 17 17. Shen AC, Chiu MY, Gao J. Predictors of dating violence among chinese adolescents: the role of gender-role beliefs and justification of violence. J Interpers Violence 2012; 27(6):1066-1089., suíça 18 18. Hamby S, Nix K, De Puy J, Monnier S. Adapting dating violence prevention to francophone Switzerland: a story of intra-western cultural differences. Violence Vict 2012; 27(1):33-42., israelenses 19 19. Schiff M, Zeira A. Dating aggression and sexual risk behaviours in a sample of at-risk Israeli Youth. Child Abuse Negl 2005; 29(11):1249-1263., mexicanas 20 20. Rivera-Rivera L, Allen B, Rodríguez-Ortega G, Chávez-Ayala R, Lazcano-Ponce E. Violencia durante el noviazgo, depresión y conductas de riesgo en estudiantes femeninas (12-24 años). Salud Publica Mex 2006; 48(Supl. 2):S288-S296. , 21 21. Antonio T, Hokoda A. Gender Variations in Dating Violence and Positive Conflict Resolution Among Mexican Adolescents. Violence Vict 2009; 14(4):533-545. e brasileiras 5 5. Minayo MCS, Assis SG, Njaine K, organizadores. Amor e violência: um paradoxo de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2001. , 22 22. Gomez AM, Speizer IS, Moracco KE. Linkages between gender equity and intimate partner violence among urban brazilian youth. J Adolesc Health 2011; 49(4):393-399..

Ocorre violência psicológica sobre crianças e adolescentes quando a comunicação existente expõe uma mensagem cultural específica de rejeição ou quando prejudica o processo de socialização e o desenvolvimento psicológico. Dentre os comportamentos mais comuns desta forma de violência tem-se o ato de rejeitar, isolar, aterrorizar, ignorar e corromper 23 23. Garbarino J, Guttamann E, Seeley JW. The psychologically battery child. San Francisco: Jossey-Bass Publishers; 1986.. Jezl et al. 9 9. Jezl D, Molidor C, Wright T. Physical, sexual and psychological abuse in high school dating relationships: prevalence rates and self esteem issues. Child Adolesc Social Work J 1996; 13(1):69-87. consideram que as táticas indiretas de controle do outro e as agressões verbais ou emocionais alcançam um patamar privilegiado nas relações de namoro entre adolescentes.

Nesse cenário de pouca atenção à violência psicológica, Sears et al. 3 3. Sears HA, Byers ES, Whelan JJ, Saint-Pierre M. If it hurts you, then it is not a joke: adolescents' ideas about girls and boys use of abusive behavior in dating relationships. J Interpers Violence 2006; 21(9):1191-1207. afirmam que o envolvimento de adolescentes em violência no namoro acaba subestimado, pois além de seus altos índices de prevalência, a violência psicológica é a forma mais corriqueiramente perpetrada pelos adolescentes contra seus parceiros, além de ser um preditor da violência física no namoro 24 24. O'Leary KD, Slep AM. A dyadic longitudinal model of adolescent dating aggression. J Clin Child Adolesc Psychol 2003; 32(3):314-327. , 25 25. Molidor CE. Gender differences of psychological abuse in high school dating relationships. Child Adolesc Social Work J 1995; 12(2):119-134..

Os altos índices de agressões verbais observados entre namorados permitem vislumbrar como esse tipo de violência pode estar sendo banalizada e se conformando como uma forma de comunicação entre os adolescentes em seus relacionamentos afetivo-sexuais. Em um estudo quanti-qualitativo com adolescentes brasileiros, 85,3% já havia praticado algum tipo de violência verbal contra um parceiro (provocar ciúmes e raiva, depreciar, insultar, falar em tom hostil, dentre outros) e várias manifestações de agressões verbais eram justificadas ou mesmo consideradas aceitáveis pelos adolescentes 26 26. Oliveira QBM, Assis SG, Njaine K, Oliveira RVC. Violências nas relações afetivo-sexuais. In: Minayo MSC, Assis SG, Njaine K, organizadores. Amor e violência: um paradoxo das relações de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2011.. Altas prevalências também foram encontradas entre adolescentes espanhóis - 96,3% 6 6. Fernández-Fuertes AA, Fuertes A. Physical and psychological aggression in dating relationships of spanish adolescents: motives and consequence. Child Abuse Negl 2010; 34(3):183-191.. Entre os canadenses, 'falar com o parceiro em tom hostil' foi o item mais relatado de violência psicológica - 53,7%, seguido por 'falar sobre algo ruim que o parceiro tinha feito no passado' - 52,65 e por 'provocar ciúmes' - 51.85 27 27. Wolfe DA, Scott K, Reitzel-Jaffe D, Wekerle C. Development and validation of the Conflict in Adolescent Dating Relationships Inventory. Psychol Assess 2001; 13(2):277-293. , 28 28. Fernet M. Amour, violence et adolescence. Quebéc: Presses de d'Université du Québec; 2005..

Outro aspecto que justifica a relevância de aprofundarmos o conhecimento sobre a violência psicológica no âmbito dos relacionamentos íntimos tanto entre adolescentes quanto entre adultos é sua coocorrência com outros tipos de violência, conforme mostram alguns estudos 3 3. Sears HA, Byers ES, Whelan JJ, Saint-Pierre M. If it hurts you, then it is not a joke: adolescents' ideas about girls and boys use of abusive behavior in dating relationships. J Interpers Violence 2006; 21(9):1191-1207. , 26 26. Oliveira QBM, Assis SG, Njaine K, Oliveira RVC. Violências nas relações afetivo-sexuais. In: Minayo MSC, Assis SG, Njaine K, organizadores. Amor e violência: um paradoxo das relações de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2011.. Entre adolescentes brasileiros, por exemplo, 32,3% relataram vivenciar em conjunto, violência psicológica e sexual, e 24,9% convivem simultaneamente com violência psicológica, física e sexual 26 26. Oliveira QBM, Assis SG, Njaine K, Oliveira RVC. Violências nas relações afetivo-sexuais. In: Minayo MSC, Assis SG, Njaine K, organizadores. Amor e violência: um paradoxo das relações de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2011..

Dentre os diferentes fatores elencados por Fernet 28 28. Fernet M. Amour, violence et adolescence. Quebéc: Presses de d'Université du Québec; 2005. como importantes para o desencadeamento da violência entre parceiros adolescentes estão o histórico familiar e experiências de vitimização, as experiências amorosas e sexuais e o meio social. Nesse sentido, diversos estudos relacionam as agressões sofridas e/ou praticadas no namoro a outras vivenciadas ou testemunhadas na família, entre pares e grupos de amigos. Entretanto, novamente nota-se pouco destaque à violência psicológica, pois tais estudos privilegiam a violência física 29 29. O'Keefe M. Predictors of dating violence among high school students. J Interpers Violence 1997; 12(4):546-568. ou analisam a violência psicológica em conjunto com outros tipos de vio lência 30 30. Connolly JA, Goldberg A. Romantic relationships in adolescence: the role of friends and peers in their emergence and development. In: Furman W, Brown BB, Feiring C, editores. The development of romantic relationships in adolescence. New York: Cambridge University Press; 1999. p. 266-290.

31. Arriaga XB, Foshee VA. Adolescent dating violence: do adolescents follow in their friends', or their parents', footsteps?. J Interpers Violence 2004; 19(2):162-184.

32. Simon VA, Furman W. Interparental conflict and adolescents' romantic relationship conflict. J Res Adolescence 2010; 20(1):188-209.

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- 35 35. Ozer E, Tschann L, Flores E. Violence perpetration across peer and partner relationships: co-occurrence and longitudinal patterns among adolescents. J Adolesc Health 2004; 34(1):64-71., impossibilitando uma reflexão mais focada na violência psicológica em suas especificidades. Kinsfogel e Grych 36 36. Kinsfogel KM, Grych JH. Interparental conflict and adolescent dating relationships: Integrating cognitive, emotional, and peer influences. J Family Psychol 2004; 18(3):505-515. embora não enfoquem exclusivamente a violência psicológica, concluem que a agressão percebida entre pares, esteve associada aos relatos de conflito e de agressões no namoro, tanto as físicas quanto as verbais/emocionais.

Tendo em mente a possível existência de violência psicológica nos diferentes âmbitos relacionais de adolescentes, o presente artigo tem como objetivo avaliar a perpetração de violência psicológica no relacionamento afetivo-sexual atual de adolescentes do sexo masculino e feminino brasileiros e sua relação com violência psicológica vivenciada em outros contextos de suas vidas: família, relacionamento com amigos e com parceiros afetivo-sexuais anteriores.

Metodologia

Amostra

O presente estudo utiliza dados de uma pesquisa realizada entre 2007 e 2009 que investigou a prevalência da violência no namoro entre adolescentes entre 15-19 anos de idade 5 5. Minayo MCS, Assis SG, Njaine K, organizadores. Amor e violência: um paradoxo de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2001.. Foi realizado um inquérito epidemiológico com amostra representativa de adolescentes estudantes do 2o ano do Ensino Médio das escolas públicas estaduais e particulares das capitais de dez estados brasileiros totalizando 3.205 jovens. Esse tipo de estudo adotado permite aferir associação entre variáveis, e não causalidades. As cidades foram selecionadas por conveniência dentre aquelas com mais altas taxas de violência entre jovens, no ano de 2007. São alunos entre 15 e 19 anos de idade e que já namoraram ou "ficaram" com algum parceiro afetivo-sexual.

O plano amostral do projeto foi composto por vinte estratos, em função das dez capitais brasileiras, sendo duas em cada região do país: Manaus/AM, Porto Velho/RO, Recife/PE, Teresina/PI, Brasília/DF, Cuiabá/MT, Rio de Janeiro/RJ, Belo Horizonte/MG, Florianópolis/SC e Porto Alegre/RS; e da natureza da instituição de ensino (pública e particular). A amostragem conglomerada multi-estágio, com seleção em duas etapas: 1ª etapa - escolha das escolas, com probabilidade de seleção proporcional à quantidade de alunos (PPT sistemática) de 2° ano em cada um dos vinte estratos; 2ª etapa - uma turma foi selecionada aleatoriamente, dentro da escola, para a aplicação do questionário com todos os alunos.

Variáveis

A variável dependente utilizada é a escala Conflict in Adolescent Dating Relationships Inventory - CADRI 28 28. Fernet M. Amour, violence et adolescence. Quebéc: Presses de d'Université du Québec; 2005., que avalia a violência psicológica sofrida e perpetrada nos relacionamentos afetivos-sexuais (namoro ou "ficar") entre adolescentes. Neste artigo apresentam-se apenas dados da violência psicológica perpetrada pelo adolescente, diferenciada segundo os tipos: a) verbal/emocional, com itens tais como mencionar algo de ruim que o parceiro fez no passado, dizer coisas para deixá-lo com raiva, falar com ele em tom de voz hostil, insultar, ridicularizar na frente dos outros (10 itens); b) relacional: tentar virar os amigos contra o parceiro, dizer coisas sobre ele aos seus amigos, para virá-los contra ele, espalhar boatos sobre ele (3 itens); c) ameaças: destruir ou ameaçar destruir algo de valor do parceiro, tentar amedrontá-lo, ameaçar machucá-lo, ameaçar bater nele ou jogar coisa sobre ele (4 itens). Os resultados apresentados neste artigo agregam as três subescalas, considerando a totalidade de atos de violência psicológica perpetrada. As opções de resposta relativas aos últimos 12 meses são: nunca, raramente (aconteceu 1 ou 2 vezes), às vezes (3 a 5 vezes) e sempre (6 vezes ou mais). Cada opção de resposta foi recategorizada neste artigo da seguinte forma: nunca = 0; raramente = 1,5 vezes, que representa a média da frequência assinalada; às vezes = 4 (média da frequência assinalada); sempre = 6 (limite inferior da frequência assinalada, buscando não inflacionar os resultados). As pontuações de cada um desses itens foram somadas e seus escores foram computados (arredondados para números inteiros no modelo), visando avaliar a frequência/continuidade dos atos de violência psicológica perpetrada no namoro/ficar. A soma possível dos escores permite valores entre 0 e 102 pontos derivados dos 17 itens investigados. A escala foi adaptada transculturalmente para a língua portuguesa 5 5. Minayo MCS, Assis SG, Njaine K, organizadores. Amor e violência: um paradoxo de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2001..

Como variáveis independentes tem-se sexo e idade (15 a 19 anos), bem como as seguintes questões/escalas de violência psicológica:

Conflict Tactics Scale 37 37. Straus MA. Measuring intra family conflict and violence: the Conflict Tactics Scale. J Marriage Fam 1979; 41(1):75-88., que afere a violência familiar dos pais contra os filhos. Consiste de uma lista de ações que pode tomar um membro da família quando em conflito com outro. Neste artigo foi utilizada a subescala com 6 itens que avalia a agressão verbal praticada pelo pai e pela mãe sobre o(a) adolescente entrevistado(a) (últimos 12 meses), a partir de atos como xingar ou insultar, ficar emburrado, chorar, fazer coisas para irritar, ameaçar bater ou jogar coisas sobre o adolescente, destruir, bater ou chutar objetos. A escala foi validada para a população brasileira 38 38. Hasselmann MH, Reichenheim ME. Adaptação transcultural da versão em português das "Conflict Tactics Scales Form R" (CTS-1) usada para aferir violência no casal: equivalências semântica e de mensuração. Cad Saude Publica 2003; 19(4):1083-1093.. As opções de respostas foram codificadas em 0-nunca, 1-algumas vezes e 2-muitas vezes, permitindo a obtenção de escores individuais entre 0 e 12 pontos. Escores foram construídos com a soma desses itens buscando avaliar a continuidade dos atos de violência psicológica dos responsáveis sobre o adolescente.

Outras formas de violência psicológica foram indagadas através de perguntas isoladas, que se referem ao tipo de relação existente, sem mensuração de tempo: se os pais humilham um ao outro (presença/ausência); se ocorreu agressão verbal em relacionamentos afetivo-sexuais anteriores do adolescente (presença/ausência); se há resolução de conflitos entre amigos através de xingamentos e humilhações (presença/ausência); e se há brigas entre irmãos envolvendo xingamentos e humilhações.

Análise

Foram aplicados modelos de regressão binomial negativa inflacionada de zeros, por assumir que a variável resposta é uma contagem (frequência de violência psicológica perpetrada) com uma alta quantidade de zeros (respostas negativas) e devido a sua variância ser muito maior do que a sua média (superdispersão) 39 39. Fumes G, Corrente JE. Modelos inflacionados de zeros: aplicações na análise de um questionário de frequência alimentar. Rev Bras Biom 2010; 28(1):24-38. , 40 40. Lambert D. Zero-inflated poisson regression with an application to defects in manufacturing. Technometrics 1992; 34(1):1-14.. Pelo fato dos dados modelados serem originados de amostragem complexa, informações sobre o plano amostral foram inseridas para correção das medidas de precisão e pesos para correção das medidas pontuais.

Partiu-se inicialmente de um modelo completo (que agregava todas as variáveis independentes) para explicar a frequência de violência psicológica perpetrada no namoro ou no "ficar". Cada tipo de violência foi analisada separadamente, totalizando seis modelos múltiplos ajustados (agressão verbal materna e paterna, violência entre pais, irmãos, amigos e em relacionamentos afetivo-sexuais anteriores), avaliando-se em cada um a presença de interação dessas variáveis com sexo e idade, retirando as variáveis não estatisticamente significativas ao nível de 0,05.

Na pesquisa original 5 5. Minayo MCS, Assis SG, Njaine K, organizadores. Amor e violência: um paradoxo de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2001. adolescentes foram questionados a respeito de outros tipos de violência (física e sexual), outras formas relacionais quais como violência entre irmãos, violência intrafamiliar, entretanto, no presente estudo, a metodologia adotada não se propôs a controlar a violência psicológica em relação às demais formas de violência. O pacote estatístico utilizado foi o Stata versão 10.

Resultados

Como se pode observar na Tabela 1, há maior presença de mulheres (62,6%) e de jovens da idade de 16 anos (54,1%) na amostra investigada. No que se refere a convivência corriqueira com a violência em outros contextos, tem-se que a violência entre irmãos é a mais frequente (75,6%), seguida pela que se dá entre amigos (46,3%) e a que ocorreu em relacionamentos afetivo-sexuais anteriores do adolescente (29,8%). O relato da existência de violência psicológica entre os pais foi mencionada por 25% dos entrevistados. No que tange a agressão verbal do pai sobre os 3.205 adolescentes investigados neste artigo, encontrou-se a média de 2,1 pontos positivos no escore - dentre os 6 itens que compõem a escala. Frequência um pouco maior foi encontrada em relação à agressão verbal materna (média de 3,2 pontos).

Tabela 1
Descrição das variáveis de análise.

Quanto a variável dependente violência psicológica perpetrada no namoro pelo adolescente, encontrou-se a média de 14,1 pontos positivos entre os 3.205 estudantes investigados, considerando-se o somatório das respostas das 17 questões que aferem este tipo de violência.

O próximo passo foi efetuar a modelagem dos dados, analisando sexo e idade em um modelo simples. Como a variável idade não foi estatisticamente significativa (p = 0,344), foi excluída das análises seguintes.

Na Tabela 2 estão apresentados os resultados para cada um dos seis modelos, que se referem aos âmbitos vivenciados pelos adolescentes: familiar, com amigos e em relacionamentos afetivo-sexuais anteriores analisados de forma independente.

Tabela 2
Variáveis associadas com violência psicológica perpetrada nas relações afetivo-sexuais de adolescentes.

A seguir analisam-se os resultados obtidos na parte não inflacionada dos modelos, de interesse para o presente artigo.

No primeiro modelo avalia-se a violência psicológica perpetrada pelo adolescente no namoro ou no "ficar" em relação à agressão verbal materna e ao sexo do adolescente. Verifica-se a presença mais frequente de perpetração de violência no namoro ou "ficar" pelas mulheres (18,4% - exponencial do coeficiente = 1,184) quando comparadas aos homens, na presença de agressão verbal da mãe (modelo 1). Observa-se ainda que esta tendência feminina de maior perpetração de violência no namoro é constante para os demais contextos relacionais investigados: a) 21,5% a mais entre mulheres que sofrem agressão verbal paterna (modelo 2); b) 22% nas que testemunham a violência psicológica entre pais (modelo 3); c) 21,8% nas que convivem com violência psicológica entre irmãos (modelo 4); d) 27,8% dentre as com relacionamentos afetivo-sexuais anteriores com violência psicológica (modelo 5); e) 26,6% entre as que vivenciam violência psicológica entre amigos (modelo 6).

No que se refere ao número de eventos de violência psicológica perpetrado por adolescentes no namoro ou "ficar" tem-se um incremento de 5,5% (exponencial do coeficiente = 1,055) a cada aumento de uma unidade no escore de agressão verbal da mãe, levando-se em consideração o sexo do adolescente (modelo 1). Este resultado de continuidade do incremento de violência psicológica perpetrada no namoro também se mostra como uma tendência: a) eleva-se 5,5% à medida que aumenta uma unidade no escore de agressão verbal do pai (modelo 2); b) cresce 18,1% com a presença do testemunho de violência psicológica entre os pais (modelo 3); c) aumenta 18,6% com a presença de conflitos entre amigos (modelo 6); d) eleva-se 27,9% paralelo a presença da violência psicológica entre irmãos (modelo 4); e) eleva-se 53,1% na presença de violência psicológica em relacionamentos afetivo-sexuais anteriores (modelo 5).

Na parte inflacionada dos modelos observa-se o aumento de pontos no escore ou a presença de agressões/violências (variáveis independentes) implica em menor chance de pertencer ao grupo que não pratica violência psicológica nas suas relações afetivo-sexuais.

Discussão

Nossos resultados destacam que o aumento do número de eventos de violência psicológica perpetrada por adolescentes (de ambos os sexos) em seus relacionamentos íntimos está relacionado: a) a mais elevada agressão verbal da mãe e do pai; e b) a mais frequente vivência de violência psicológica entre pais, irmãos, amigos e àquela presente nos namoros anteriores. Denota-se nesses ambientes uma cultura relacional violenta.

A presença de violência psicológica em relacio namentos pregressos acarreta aumento de 53,1% na ocorrência dessa mesma forma de agressão no relacionamento atual. Em seguida vem a violência entre irmãos, que, quando presente, eleva em 27,9% essa mesma forma de violência no namoro. Realidade similar ocorre para a violência psicológica entre amigos e entre os pais, que se associam à elevação de 18,6% e 18,1%, respectivamente, à violência psicológica no namoro atual. Esses resultados encontram-se controlados segundo o sexo do adolescente e reforçam a noção de circularidade da violência psicológica nos diversos contextos de socialização do adolescente. Dão destaque para a manutenção do comportamento agressivo nos diversos namoros (noção de continuidade) e entre irmãos, mas também na família e entre amigos tal realidade procede.

No que tange à violência parental sofrida algumas pesquisas têm mostrado que os homens e mulheres que sofrem de violência dos pais são significativamente mais propensos a cometer vio lência em um relacionamento de namoro 8 8. Jackson SM. Teenage dating violence [thesis]. New Zealand: University of Auckland; 1998. , 41 41. O'Keefe M, Treister L. Victims of dating violence among high school students: are the predictors different for males and females? Violence Against Women 1998; 4(2):195-223.

42. Schwartz M, O'Leary SG, Kendziora KT. Dating aggression among high school students. Violence Vict 1997; 12(4):295-305.

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- 45 45. Jankowski MK, Leitenberg H, Henning K, Coffey P. Intergenerational transmission of dating aggression as a function of witnessing only same sex parents vs. opposite sex parents vs. parents as perpetrators of domestic violence. J Fam Violence 1999; 14(3): 267-279.. Wolfe et al. 27 27. Wolfe DA, Scott K, Reitzel-Jaffe D, Wekerle C. Development and validation of the Conflict in Adolescent Dating Relationships Inventory. Psychol Assess 2001; 13(2):277-293. relataram que, entre meninos e meninas de 15 anos de idade, as experiências de maus-tratos de pais contra filhos foram positivamente relacionadas com o uso de comportamentos psicologicamente abusivos contra o parceiro.

No presente estudo, observa-se situação relevante em relação à violência psicológica paterna e materna praticada contra os filhos, sobretudo nas meninas, estabelecendo-se uma relação progressiva: um incremento de 5,5% na fre quência de violência psicológica na relação afetivo-sexual no namoro/ficar ao se elevar em uma unidade o escore da agressão verbal da mãe ou do pai, controlado pelo sexo do adolescente. Confirmando estes resultados, Price e Byers apud Sears et al. 46 46. Sears HA, Byers ES, Price EL. The co-occurrence of adolescent boys' and girls' use of psychologically, physically, and sexually abusive behaviours in their dating relationships. J Adolesc 2007; 30(3):487-504. mostram que experiências de abuso psicológico entre pais e filhos e testemunho de abuso psicológico entre os pais foram positivamente relacionados com a prática de violência psicológica no namoro.

Vale destacar que a literatura mostra que não só sofrer, mas testemunhar violência interparental também é considerado preditor de perpetração violência no namoro em outros estudos 32 32. Simon VA, Furman W. Interparental conflict and adolescents' romantic relationship conflict. J Res Adolescence 2010; 20(1):188-209. , 36 36. Kinsfogel KM, Grych JH. Interparental conflict and adolescent dating relationships: Integrating cognitive, emotional, and peer influences. J Family Psychol 2004; 18(3):505-515. , 44 44. Kaura SA, Allen CM. Dissatisfaction with relationship power and dating violence perpetration by men and women. J Interpers Violence 2004; 19(5): 576-588.. Nessas situações, Simon e Furman 32 32. Simon VA, Furman W. Interparental conflict and adolescents' romantic relationship conflict. J Res Adolescence 2010; 20(1):188-209. concluem que as percepções dos adolescentes bem como suas avaliações acerca do conflito interparental estavam relacionadas com a quantidade de conflito no relacionamento romântico e com os estilos de conflitos por eles vivenciados. As avaliações dos adolescentes acerca do conflito entre seus pais (isto é, autocensura, ameaça percebida) moderou muitas das associações entre o conflito interparental e comportamento de conflito com parceiros românticos. Os padrões de efeitos moderados diferiram por sexo 32 32. Simon VA, Furman W. Interparental conflict and adolescents' romantic relationship conflict. J Res Adolescence 2010; 20(1):188-209..

De Kinsfogel e Grych 36 36. Kinsfogel KM, Grych JH. Interparental conflict and adolescent dating relationships: Integrating cognitive, emotional, and peer influences. J Family Psychol 2004; 18(3):505-515. e Simon e Furman 32 32. Simon VA, Furman W. Interparental conflict and adolescents' romantic relationship conflict. J Res Adolescence 2010; 20(1):188-209. destacam a importância dos processos sociocognitivos para melhor compreensão das ligações entre a agressão na família e nas relações de namoro, com destaque para a socialização de gênero. Kinsfogel e Grych 36 36. Kinsfogel KM, Grych JH. Interparental conflict and adolescent dating relationships: Integrating cognitive, emotional, and peer influences. J Family Psychol 2004; 18(3):505-515. concluem que meninos que testemunharam maiores níveis de conflito interparental agressivo eram mais prováveis de perceber a agressão em uma relação de namoro como justificável, predizendo comportamentos hostis e abusivos em relação a parceiros de namoro. Entre as meninas, por sua vez, não foi encontrada correlação entre sua exposição ao conflito interparental a suas crenças sobre agressão. Simon e Furman 32 32. Simon VA, Furman W. Interparental conflict and adolescents' romantic relationship conflict. J Res Adolescence 2010; 20(1):188-209. informam que entre os meninos que fizeram avaliações negativas de conflito interparental, este previu um maior engajamento em conflitos e em agressões físicas. Em contraste, o conflito interparental foi associado com menor engajamento em conflitos e mais inícios de mudanças positivas entre as meninas.

Segundo esses autores, uma possível explicação para esses diferentes efeitos em meninos e meninas residiria nas diferenças de gênero construídas no processo de socialização, as quais orientariam as meninas para os relacionamentos e os meninos para um foco mais individual. Sugere-se, portanto, que meninas que testemunham conflitos parentais podem ser mais sensíveis ao potencial do conflito em causar danos ao relacio namento, enquanto os meninos poderiam se concentrar mais na funcionalidade da agressão em alcançar a dominância. Assim, os meninos que testemunham altos níveis de conflito podem interpretar a agressão como uma forma de alcançar objetivos em um relacionamento, enquanto as meninas podem perceber a agressão como algo que é prejudicial para os relacionamentos 36 36. Kinsfogel KM, Grych JH. Interparental conflict and adolescent dating relationships: Integrating cognitive, emotional, and peer influences. J Family Psychol 2004; 18(3):505-515.. Simon e Furman 32 32. Simon VA, Furman W. Interparental conflict and adolescents' romantic relationship conflict. J Res Adolescence 2010; 20(1):188-209. destacam a tendência das meninas participantes do estudo em evitar conflitos no namoro, ou mesmo amenizá-los, dentre aquelas que avaliaram negativamente o conflito interparental.

Todavia, é importante ressaltar que tais estudos enfocaram a violência física 32 32. Simon VA, Furman W. Interparental conflict and adolescents' romantic relationship conflict. J Res Adolescence 2010; 20(1):188-209. ou o somatório de todas as violências 36 36. Kinsfogel KM, Grych JH. Interparental conflict and adolescent dating relationships: Integrating cognitive, emotional, and peer influences. J Family Psychol 2004; 18(3):505-515., o que pode não servir diretamente como modelo explicativo para a violência psicológica, que congrega manifestações explícitas e sutis. Desta forma, diversas manifestações de violência psicológica, muitas vezes, nem são consideradas agressão, passando despercebidas pelos adolescentes, que a praticam de forma corriqueira e frequente 6 6. Fernández-Fuertes AA, Fuertes A. Physical and psychological aggression in dating relationships of spanish adolescents: motives and consequence. Child Abuse Negl 2010; 34(3):183-191. , 26 26. Oliveira QBM, Assis SG, Njaine K, Oliveira RVC. Violências nas relações afetivo-sexuais. In: Minayo MSC, Assis SG, Njaine K, organizadores. Amor e violência: um paradoxo das relações de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2011. , 46 46. Sears HA, Byers ES, Price EL. The co-occurrence of adolescent boys' and girls' use of psychologically, physically, and sexually abusive behaviours in their dating relationships. J Adolesc 2007; 30(3):487-504., contribuindo assim para sua invisibilidade 10 10. Abranches CD, Assis SG. A (in)visibilidade da violência psicológica na infância e adolescência no contexto familiar. Cad Saúde Publica 2011; 27(5):843-854..

Nosso estudo mostra que as meninas tendem a perpetrar mais violência psicológica no namoro que os meninos, a despeito da violência psicológica que vivenciam em outros contextos. Tal resultado é consistente com outras pesquisas em que as meninas relatam praticarem mais violência psicológica do que os meninos 2 2. Frieze I. Female violence against intimate partners: an introduction. Hanson Psychology of Women Quarterly 2005; 29(3):229-237. , 3 3. Sears HA, Byers ES, Whelan JJ, Saint-Pierre M. If it hurts you, then it is not a joke: adolescents' ideas about girls and boys use of abusive behavior in dating relationships. J Interpers Violence 2006; 21(9):1191-1207. , 6 6. Fernández-Fuertes AA, Fuertes A. Physical and psychological aggression in dating relationships of spanish adolescents: motives and consequence. Child Abuse Negl 2010; 34(3):183-191. , 19 19. Schiff M, Zeira A. Dating aggression and sexual risk behaviours in a sample of at-risk Israeli Youth. Child Abuse Negl 2005; 29(11):1249-1263. , 46 46. Sears HA, Byers ES, Price EL. The co-occurrence of adolescent boys' and girls' use of psychologically, physically, and sexually abusive behaviours in their dating relationships. J Adolesc 2007; 30(3):487-504.. A percepção de que a violência psicológica é algo mais comum entre as mulheres é mostrada por Sears et al. 3 3. Sears HA, Byers ES, Whelan JJ, Saint-Pierre M. If it hurts you, then it is not a joke: adolescents' ideas about girls and boys use of abusive behavior in dating relationships. J Interpers Violence 2006; 21(9):1191-1207. e Oliveira et al. 26 26. Oliveira QBM, Assis SG, Njaine K, Oliveira RVC. Violências nas relações afetivo-sexuais. In: Minayo MSC, Assis SG, Njaine K, organizadores. Amor e violência: um paradoxo das relações de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2011., revelando mais uma vez a expressão das normas de gênero tradicionais em que meninas são encorajadas a falar sobre seus sentimentos e a expressar sua raiva verbalmente, algo interditado socialmente aos meninos, a quem restaria a expressão física da raiva e outros sentimentos negativos diante de um conflito.

Ao citar diversos estudos que associam testemunhar violência entre os pais àquela entre parceiros íntimos na vida adulta, Frieze 2 2. Frieze I. Female violence against intimate partners: an introduction. Hanson Psychology of Women Quarterly 2005; 29(3):229-237. afirma que essa relação pode ser especialmente forte nas mulheres.

Entretanto, os estudos sobre a diferença de impacto das violências perpetradas por pais e mães no namoro de seus filhos não são consensuais. No estudo de Kaura e Allen 44 44. Kaura SA, Allen CM. Dissatisfaction with relationship power and dating violence perpetration by men and women. J Interpers Violence 2004; 19(5): 576-588. a perpetração feminina de violência no namoro está relacio nada com a violência do pai, enquanto que a perpetração masculina de violência no namoro relaciona-se com a violência da mãe, ou seja, somente a violência sofrida pelos pais do sexo oposto foram preditores significantes da prática da violência no namoro nesse estudo. Jankowski et al. 45 45. Jankowski MK, Leitenberg H, Henning K, Coffey P. Intergenerational transmission of dating aggression as a function of witnessing only same sex parents vs. opposite sex parents vs. parents as perpetrators of domestic violence. J Fam Violence 1999; 14(3): 267-279., opostamente, afirmam que os entrevistados que presenciaram agressão física conjugal praticada pelo genitor do mesmo sexo estavam em maior risco de perpetrar o mesmo tipo de agressão no namoro, ao passo que aqueles que presenciaram apenas o genitor do sexo oposto agredir o parceiro não estavam em risco.

Foshee et al. 47 47. Foshee V, Bauman K, Linder F. Family violence and the perpetration of adolescent dating violence: Examining social learning and social control processes. J Marriage Fam 1999; 61(2):331-342. por outro lado, reportam que a violência materna é mais significativa do que a paterna no que tange à influência na violência no namoro. Recentemente, Templea et al. 48 48. Templea JR, Shoreyb RC, Tortoleroc SR, Wolfe DA, Gregory L. Stuartb GL. Importance of gender and attitudes about violence in the relationship between exposure to interparental violence and the perpetration of teen dating violence. Child Abuse Negl 2013; 37(5):343-352. afirmaram que para adolescentes do sexo feminino, houve uma associação entre a exposição à violência interparental (pai-mãe e mãe-pai) e perpetração de violência física e psicológica contra o parceiro; já entre os rapazes, houve apenas associação entre a violência da mãe contra o pai e a perpetração de violência no namoro. Além disso, para meninas e meninos, a relação entre a violência da mãe contra o pai e perpetração de violência no namoro foi totalmente mediada por atitudes de aceitação da violência. Como se pode perceber, para além das discordâncias, constata-se que níveis mais altos de violência parental experimentado durante a infância estariam associados com níveis mais elevados de perpetração de violência no namoro entre adolescentes.

Em relação à vivência de violência no grupo de amigos (entre pares) e sua relação com violência no namoro entre os adolescentes, nossos resultados corroboram outras pesquisas que mostram que fazer parte de grupos de colegas/amigos abusivos está positivamente relacionado com a prática de violência no namoro 30 30. Connolly JA, Goldberg A. Romantic relationships in adolescence: the role of friends and peers in their emergence and development. In: Furman W, Brown BB, Feiring C, editores. The development of romantic relationships in adolescence. New York: Cambridge University Press; 1999. p. 266-290. , 31 31. Arriaga XB, Foshee VA. Adolescent dating violence: do adolescents follow in their friends', or their parents', footsteps?. J Interpers Violence 2004; 19(2):162-184. , 34 34. Harper GW, Gannon C, Watson SE, Catania JA, Dolcini MM. The role of close friends in african american adolescents' dating and sexual behavior. J Sex Res 2004; 41(4):351-362. , 36 36. Kinsfogel KM, Grych JH. Interparental conflict and adolescent dating relationships: Integrating cognitive, emotional, and peer influences. J Family Psychol 2004; 18(3):505-515..

Arriaga e Foshee 31 31. Arriaga XB, Foshee VA. Adolescent dating violence: do adolescents follow in their friends', or their parents', footsteps?. J Interpers Violence 2004; 19(2):162-184. afirmam que apenas a vio lência entre amigos prediz consistentemente a violência no namoro, em detrimento da associação entre violência interparental e a que ocorre no namoro dos adolescentes. Kinsfogel e Grych 36 36. Kinsfogel KM, Grych JH. Interparental conflict and adolescent dating relationships: Integrating cognitive, emotional, and peer influences. J Family Psychol 2004; 18(3):505-515. e Connolly e Goldberg 30 30. Connolly JA, Goldberg A. Romantic relationships in adolescence: the role of friends and peers in their emergence and development. In: Furman W, Brown BB, Feiring C, editores. The development of romantic relationships in adolescence. New York: Cambridge University Press; 1999. p. 266-290. discutindo sobre o papel do grupo de amigos na adolescência, afirmam que os mesmos são importantes influências nessa faixa etária, pois funcionam como modelos comportamentais e contribuem na construção de normas individuais e valores a respeito de interações sociais. Assim, a forma pela qual os amigos lidam com os conflitos em seus relacionamentos afetivo-sexuais pode ser tão ou mais importante do que a dos pais. Por ser o namoro um tema relevante e frequente em conversas entre amigos adolescentes 30 30. Connolly JA, Goldberg A. Romantic relationships in adolescence: the role of friends and peers in their emergence and development. In: Furman W, Brown BB, Feiring C, editores. The development of romantic relationships in adolescence. New York: Cambridge University Press; 1999. p. 266-290., a aprovação ou rejeição dos pares em relação às agressões cometidas entre namorados pode exercer uma forte influên cia sobre o comportamento do adolescente 36 36. Kinsfogel KM, Grych JH. Interparental conflict and adolescent dating relationships: Integrating cognitive, emotional, and peer influences. J Family Psychol 2004; 18(3):505-515., orientando a escolha de novos namorados e o curso desses relacionamentos 34 34. Harper GW, Gannon C, Watson SE, Catania JA, Dolcini MM. The role of close friends in african american adolescents' dating and sexual behavior. J Sex Res 2004; 41(4):351-362..

Já Levendosky et al. 33 33. Levendosky AA, Huth-Bocks A, Semel MA. Adolescent peer relationships and mental health functioning in families with domestic violence. J Clin Child Adolesc Psychol 2002; 31:206-218. ao investigarem o papel de apoio social dos colegas na previsão de agressão no namoro, descobriram que os amigos podem influenciar as relações dos adolescentes no namoro para melhor ou para pior, incentivando ou rejeitando atitudes violentas. Assim, sugere-se que um comportamento violento praticado ou endossado pelo grupo de amigos pode influenciar a mesma prática no namoro. Kinsfogel e Grych 36 36. Kinsfogel KM, Grych JH. Interparental conflict and adolescent dating relationships: Integrating cognitive, emotional, and peer influences. J Family Psychol 2004; 18(3):505-515., além de evidenciarem a importância do papel que as relações entre pares desempenham nas relações de namoro, também as consideram relevantes na compreensão de como o conflito interparental pode levar a agressão entre namorados. Mostram que jovens de lares mais agressivos associam-se mais com colegas com maior propensão a comportamentos abusivos, e estes grupos de pares podem desenvolver suas próprias "normas", apoiando ou até mesmo incentivando as agressões entre namorados.

No presente artigo, constata-se que o aumento do número de eventos de violência psicológica perpetrada por adolescentes também está relacionado com a maior frequência da vivência de violência psicológica entre irmãos e nos namoros anteriores.

Em revisão sobre a violência familiar e comportamento agressivo e transgressor na infância, Pesce 49 49. Pesce RP. Problemas de comportamento externalizantes na infância: a violência em foco [tese]. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz; 2009. afirma que a violência psicológica está presente em modelos coercitivos de educação, integrando, portanto, uma dinâmica de coerção dos filhos. Em artigo que aborda os conflitos severos entre irmãos como uma forma de violência familiar prejudicial ao desenvolvimento de crianças e adolescentes, a autora encontra a relação direta entre comportamentos destrutivos entre irmãos e o relato materno de comportamento transgressor de seus filhos (Garcia et al. apud Pesce 49 49. Pesce RP. Problemas de comportamento externalizantes na infância: a violência em foco [tese]. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz; 2009.). Podemos reconhecer esse modelo coercitivo no estudo de Meneghel et al. 50 50. Meneghel SN, Giuliani EJ, Falceto O. Relações entre violência doméstica e agressividade na adolescência. Cad Saude Publica 1998; 14(2):327-335. em que a pedagogia da violência se concretiza em menos flexibilidade e diálogo por um lado, e por mais rigidez nas relações e nos papéis desempenhados por outro, gerando mais conflitos entre os irmãos. Embora o foco tenha sido as punições fisicamente violentas, pode-se afirmar que o estudo aponta para uma dinâmica de comunicação violenta na família que se evidencia também na relação entre irmãos, o que vemos em nossos resultados. Nesse sentido, as autoras destacam que os adolescentes punidos tiveram oito vezes mais chance de serem violentos com os irmãos.

A partir de relatos de meninas que sofreram violência intrafamiliar, De Antoni e Koller 51 51. De Antoni C, Koller SH. A visão de família entre adolescentes que sofreram violência intrafamiliar. Estudos de Psicologia 2000; 5(2):347-381. afirmam que há uma relação de poder dos irmãos mais velhos sobre os mais novos, o que poderia desencadear brigas e coerções, muitas vezes demarcando uma posição hierarquicamente superior do irmão mais velho, que agrediria quando repudiado em seu comando, ou coagindo os que obedecem.

Sobre a recorrência de violência psicológica em relacionamentos afetivo-sexuais, Ramirez 52 52. Ramirez M, Paik A, Sanchagrin K, Heimer K. Violent peers, network centrality, and intimate partner violence perpetration by young men. J Adolesc Health 2012; 51(5):503-509. et al. e Bonomi et al. 53 53. Bonomi AE, Anderson ML, Nemeth J, Bartle-Haring S, Buettner C, Schipper D. Dating violence victimization across the teen years: abuse frequency, number of abusive partners, and age at first occurrence. BMC Public Health 2012; 10(12):637. destacam que em contraste com estudos com população adulta, cuja maioria de mulheres e homens indicaram apenas um parceiro abusivo, os adolescentes tenderam a relatar que se relacionaram com mais de um parceiro que havia perpetrado violência no namoro contra eles.

Nesse estudo, entre as mulheres que relataram violência no namoro, mais de um terço relatou ter vivenciado violência de dois ou mais parceiros, dentre os quais se destacam expressões de violência psicológica: o comportamento controlador (35,6%); humilhações/xingamentos (37,0%); insultos (44,3%); e ameaças (62,5%). Uma proporção considerável de homens que sofreram violência no namoro também disseram que tiveram dois ou mais parceiros que perpetraram violência, como se segue: o comportamento de controle (42,1%); insultos (51,2%); baixos postos (53,3%), ameaças (55,6%) e chamadas indesejadas/mensagens de texto (60,7%). Homens e mulheres raramente relataram um incidente isolado de violência no namoro.

No que se refere ao aspecto etário, reitera-se que a violência entre parceiros íntimos na adolescência se processa de maneira diversa do que nos adultos 54 54. Wekerle C, Wolfe DA. The role of child maltreatment and attachment style in adolescent relationship violence. Dev Psychopathol 1998; 10(3):571-586., constatando-se, entre os primeiros, a simetria entre os gêneros no que se refere a perpetrar e sofrer violências no namoro 6 6. Fernández-Fuertes AA, Fuertes A. Physical and psychological aggression in dating relationships of spanish adolescents: motives and consequence. Child Abuse Negl 2010; 34(3):183-191. , 19 19. Schiff M, Zeira A. Dating aggression and sexual risk behaviours in a sample of at-risk Israeli Youth. Child Abuse Negl 2005; 29(11):1249-1263. , 26 26. Oliveira QBM, Assis SG, Njaine K, Oliveira RVC. Violências nas relações afetivo-sexuais. In: Minayo MSC, Assis SG, Njaine K, organizadores. Amor e violência: um paradoxo das relações de namoro e do 'ficar' entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2011. , 43 43. Wolfe DA, Scott K, Wekerle C, Pittman A. Child maltreatment: risk of adjustment problems and dating violence in adolescence. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry 2001; 40(3):282-298. , 55 55. Malik S, Sorenson SB, Aneshensel CS. Community and dating violence among adolescents: perpetration and victimization. J Adolesc Health 1997; 21(5): 291-302.

56. Molidor C, Tolman RM. Gender and contextual factors in adolescent dating violence. Violence Against Women 1998; 4(2):180-194.
- 57 57. Antônio T, Hokoda A. Gender variations in dating violence and positive conflict resolution among mexican adolescents. Violence Vict 2009; 24(4):533-545.. Assim, destacamos que os achados em estudos com adultos não devem ser transpostos diretamente para amostras com adolescentes, sobretudo por estes estarem em fase de experimentações em que as manifestações de violência nas relações íntimas ainda são mais similares entre os gêneros, ao passo que entre adultos, normas de gênero estão mais recrudescidas, tendendo as manifestações da violência a ocorrer mais próximas dos padrões tradicionais que localizam a violência na masculinidade 58 58. Saffioti HIB. Gênero, patriarcado e violência. São Paulo: Fundação Perseu Abramo; 2004. , 59 59. Bourdieu P. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil; 2011..

Ressalta-se que o presente artigo não apresenta relação de causalidade entre vivências anteriores de violência psicológica e aquela que ocorre no namoro do adolescente, pois a metodologia empregada na pesquisa não permite tal afirmação. Os resultados obtidos apontam para a concomitância das formas de violência psicológica ao longo do desenvolvimento e para o aumento do número de eventos desse tipo de violência, perpetrada por adolescentes, relacionado à vivência de violências psicológicas em outros contextos relacionais.

A teoria da Aprendizagem Social 60 60. Bandura A. Aggression: a social learning analysis. Englewood Cliffs: Prentice-Hall; 1973. trata da transmissão intergeracional da violência, em que comportamentos seriam aprendidos por imitação, podendo ser reproduzidos vida afora. De acordo com esta teoria, ser vítima de maus-tratos ou testemunha de agressões frequentes na família e em outros contextos de convivência influenciaria a percepção, podendo legitimar diferentes tipos de violência como formas de resolver conflitos. Kim et al. 61 61. Kim HK, Pears KC, Capaldi DM, Owen D. Emotion dysregulation in the intergenerational transmission of romantic relationship conflict. J Fam Psychol 2009; 23(4):585-595. apontam outra forma de compreensão, afirmando que conflitos de relacionamento em uma geração não predizem diretamente outros na próxima, discordando de que a transmissão intergeracional de conflito de relacionamento ocorra através da aprendizagem direta. Estes autores apostam na desregulação emocional da família e em pouca disciplina por parte dos pais como preditores do resultado de conflito interparental. Isso apoiaria o argumento de que a capacidade do indivíduo de regular suas emoções e os comportamentos emocionalmente relacionados (por exemplo, raiva, hostilidade) desempenha um papel significativo nas associações de conflito de relacionamento transgeracionais. Assim, para estes autores, a desregulação emocional seria um importante mecanismo subjacente ao moldar relacionamentos românticos em gerações. A partir desses posicionamentos, percebe-se a necessidade de avanço do conhecimento no que se refere ao aprendizado da violência e da complexidade dos contextos onde se dão os relacionamentos afetivos-sexuais dos adolescentes na sociedade atual.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Mar 2014

Histórico

  • Recebido
    05 Set 2013
  • Aceito
    04 Out 2013
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