Experimentação do álcool e tabaco entre adolescentes da região Centro-Oeste/Brasil

Elisângela Antônio de Oliveira Freitas Maria Silvia Amicucci Soares Martins Mariano Martinez Espinosa Sobre os autores

Resumo

O estudo tem como objetivo investigar a prevalência da experimentação do álcool e tabaco em adolescentes da região Centro-Oeste do Brasil e sua associação com fatores sociodemográficos. Estudo transversal, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar – PeNSE, realizada em 2015. A amostra foi composta por escolares do 9° ano do Ensino Fundamental. A variável dependente foi a experimentação do álcool e tabaco alguma vez na vida. Para identificação das variáveis associadas, foi realizada a análise de regressão de Poisson . A prevalência estimada ponderada da experimentação do álcool e do tabaco foi de 57,17% (IC95%: 56,20 a 58,14) e 22,38% (IC95%: 21,56 a 23,20), respectivamente. A prevalência de experimentação do álcool no sexo feminino foi maior que nos meninos; no entanto, para o tabaco, o sexo masculino apresentou prevalência maior que o sexo feminino. A experimentação do álcool e tabaco foi estatisticamente significativa com o avançar da idade. A dependência administrativa das escolas públicas expôs prevalência de 23,99% maior que as privadas na experimentação do tabaco. Conclui-se que a experimentação do álcool e tabaco, entre os adolescentes escolares, apresentou-se elevada e associada aos fatores sociodemográficos.

Consumo de bebidas alcoólicas; Tabaco; Adolescente

Introdução

A adolescência é a fase de crescimento para se alcançar o potencial humano, caracterizada por profundas mudanças físicas, psicológicas e emocionais. As decisões que se tomam e os hábitos que se formam podem determinar a sua saúde e bem-estar para toda a vida 11. World Health Organization (WHO) . Launch: A Lancet Commission on adolescent health and wellbeing . Geneva : WHO ; 2016 . [ acessado 30 Dez 16 ]. Disponível em: http://www.who.int/life-course/news/events/adolescent-health-lancet-papers/en/
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. Mundialmente, de cada seis indivíduos, um é adolescente, totalizando 1,2 bilhão de jovens com idades entre 10 e 19 anos 22. World Health Organization (WHO) . Media Centre: Global Strategy for Women’s, Children’s and Adolescents Health 2016-2030 . Geneva : WHO ; 2015 . [ acessado 27 Set 16 ]. Disponível em: http://www.who.int/life-course/publications/global-strategy-2016-2030/en/
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. O Brasil, em 2015, possuía a população de 204,5 milhões de pessoas das quais, aproximadamente, 34 milhões, cerca de 17%, eram adolescentes e 8% destes, residentes na região Centro-Oeste 33. Departamento de Informática do SUS (Datasus) . TabNet – População Residente – Brasil 2015 . Brasília : Datasus ; 2016 . [ acessado 14 Mar 17 ]. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?ibge/cnv/poptgo.def
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.

Essa fase é extremamente importante para que os adolescentes optem por um estilo de vida saudável, pois proporciona a formação de hábitos e atitudes que influenciarão na idade adulta, com as respectivas consequências para a qualidade de vida 44. Brasil . Ministério da Saúde (MS) . Saúde na Escola . Brasília : MS ; 2009 .

5. World Health Organization (WHO) . Media Centre: Health for the World’s Adolescents a second chance in the second decade . Geneva : WHO ; 2014 . [ acessado 2016 Out 25 ]. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2014/focus-adolescent-health/en/
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-66. World Health Organization (WHO) . Cardiovascular disease. CVD prevention and control: missed opportunities . Geneva : WHO ; 2015 . [ acessado 28 Set 15 ]. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs317/en/
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Alguns comportamentos iniciados nessa fase, como a alimentação inadequada, o sedentarismo e a experimentação do álcool e tabaco, são fatores de risco comuns para o desenvolvimento das principais doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). No Brasil, esse grupo de doenças foi responsável por 72,7% do total de mortes, com destaque para as enfermidades cardiovasculares (30,4%), as neoplasias (16,4%), as doenças respiratórias (6,0%) e o diabetes (5,3%) 66. World Health Organization (WHO) . Cardiovascular disease. CVD prevention and control: missed opportunities . Geneva : WHO ; 2015 . [ acessado 28 Set 15 ]. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs317/en/
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,77. Malta DC , Moura L , Prado RR , Escalante JC , Schmidt MI , Duncan BB . Mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis no Brasil e suas regiões, 2000 a 2011 . Epidemiol Serv Saude 2014 ; 23 ( 4 ): 599 - 608 . .

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde e da Educação, tem realizado a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), estando, no ano de 2015, em sua terceira edição, cuja finalidade é conhecer os fatores relacionados aos riscos e à proteção à saúde dos adolescentes brasileiros 88. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa nacional de saúde do escolar: 2015 . Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 . . Considera-se, assim, a escola uma importante instituição para a realização do monitoramento dos fatores de risco entre os adolescentes, por ser um local onde os jovens passam a maior parte de suas vidas. Conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2015, o acesso da população de 6 a 14 anos e 15 a 17 anos à escola foi de 98,5% e 84,3%, respectivamente, mostrando a acessibilidade dessa instituição para a promoção da saúde do adolescente 99. Costa JV , Silva ARV , Moura IH , Carvalho RBN , Bernardes LE , Almeida PC . Análise de fatores de risco para hipertensão arterial em adolescentes escolares . Rev Lat Am Enfermagem [ periódico na internet ] 2012 [ acessado 20 Nov 16 ]; 20 ( 2 ):[ 7 telas ]. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v20n2/pt_11.pdf
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,1010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD 2015 . Rio de Janeiro : IBGE ; 2015 . [ acessado 31 Out 16 ]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2013/
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Malta et al. 1111. Malta DC , Andreazzi MAR , Oliveira-Campos M , Andrade SSCA , Bandeira de Sá NN , Moura L , Dias AJR , Crespo CD , Silva Júnior JB . Tendência dos fatores de risco e proteção de doenças crônicas não transmissíveis em adolescentes, Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2009 e 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 77 - 91 . verificaram que não houve diferença quanto à experimentação de bebidas alcoólicas desses jovens nas duas edições da PeNSE, sendo 71,4% em 2009 e 70,5% em 2012. Quanto aos indicadores do tabagismo, houve redução da experimentação de cigarros de 24,2% para 22,3% 1111. Malta DC , Andreazzi MAR , Oliveira-Campos M , Andrade SSCA , Bandeira de Sá NN , Moura L , Dias AJR , Crespo CD , Silva Júnior JB . Tendência dos fatores de risco e proteção de doenças crônicas não transmissíveis em adolescentes, Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2009 e 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 77 - 91 . . Considerando que o álcool é a substância mais consumida entre os jovens em idades cada vez mais precoces e o tabagismo possui vasta dependência entre os adolescentes, destaca-se a relevância deste estudo para o monitoramento dos comportamentos de risco para a saúde na vida dos jovens da região Centro-Oeste. Essa região tem absorvido fluxos migratórios de todo o Brasil, pessoas em busca de emprego e melhores condições de vida, cujo processo de expansão influencia diretamente no estilo de vida dos adolescentes, visto que esse espaço territorial aparece, em diversos estudos, com grande percentual de jovens que já experimentaram álcool e tabaco na vida.

A hipótese é que a experimentação do álcool ocorra, principalmente, entre o sexo feminino, e o tabaco, com o masculino, em idades cada vez mais prematuras. Por isso, a presente pesquisa pode contribuir para ampliar o estudo e o conhecimento dos determinantes sociais do comportamento, relacionados à experimentação do álcool e tabaco em adolescentes. Os resultados podem ser úteis, inclusive, para evidenciar os comportamentos de risco e subsidiar o desenvolvimento de atividades de promoção e intervenção na população de escolares, visando à melhoria da saúde dos jovens.

Utilizando os dados secundários da PeNSE 2015, o objetivo do presente estudo foi estimar a prevalência da experimentação do álcool e tabaco entre escolares brasileiros do 9º ano do Ensino Fundamental da região Centro-Oeste e sua associação com os fatores demográficos e socioeconômicos.

Métodos

Trata-se de um estudo transversal que analisou os dados da terceira edição da PeNSE 88. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa nacional de saúde do escolar: 2015 . Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 . . Foram avaliados os dados relativos aos adolescentes da região Centro-Oeste do Brasil.

A população de estudo foi composta por escolares do 9º ano do Ensino Fundamental das 26 capitais e do Distrito Federal. Para cada um dos estratos geográficos, foi dimensionada e selecionada uma amostra de escola, sendo chamada de estrato de alocação e cada escola foi designada por meio do cruzamento, a partir da sua dependência administrativa (pública ou privada), e o seu tamanho, medido pelo número de turmas, de modo a estimar a proporção da ordem de 50%, com nível de confiança de 95% e erro absoluto da ordem de três pontos percentuais e nível de significância em cinco pontos percentuais. Os estudantes presentes no dia da coleta de dados foram convidados a participar da pesquisa e responderam a um questionário estruturado e autoaplicável inserido em um s martphone . A metodologia e os resultados principais da PeNSE encontram-se publicados 88. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa nacional de saúde do escolar: 2015 . Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 . .

Da PeNSE 2015, na região Centro-Oeste, participaram 394 escolas e 570 turmas, as quais tinham, nessa data, 17.606 estudantes matriculados no 9° ano. No dia da pesquisa, 14.205 discentes estavam presentes e 14.180 responderam sobre experimentação do álcool e tabaco 88. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa nacional de saúde do escolar: 2015 . Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 . .

No planejamento amostral da pesquisa PeNSE, foi utilizada uma amostragem do tipo probabilístico, considerando os métodos por conglomerados em dois estágios e estratificada. Na amostragem por conglomerados, as unidades amostrais primárias foram as escolas e as secundárias, as turmas das escolas selecionadas. Após esse processo, as turmas foram relacionadas a partir de duas informações: número de alunos matriculados e número de alunos que frequentavam habitualmente as aulas. Foram excluídas do cadastro as escolas com menos de 15 alunos na série desejada, pois, ainda que representassem cerca de 20% das instituições, totalizavam menos de 3% do total dos matriculados. Foram eliminadas, também, as turmas do período noturno, por refletirem apenas cerca de 3% dessa população 88. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa nacional de saúde do escolar: 2015 . Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 . .

Neste estudo, foram analisadas como variáveis dependentes: experimentação do álcool e tabaco, alguma vez na vida. Consideraram-se, como variáveis independentes, os dados demográficos (sexo; idade (≤ 13; 14; ≥ 15 anos), raça/coautorrelatada) e socioeconômicos (escolaridade materna, dependência administrativa da escola: pública ou privada).

O modelo conceitual de análise do presente estudo foi feito, inicialmente, estimando as prevalências ponderadas pelos pesos amostrais da experimentação de álcool e tabaco para cada categoria das variáveis demográficas e socioeconômicas consideradas, com seus respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%). Em seguida, realizou-se uma análise bivariada entre as variáveis dependentes e as independentes, considerando a razão de prevalência estimada pelo modelo de regressão de Poisson simples com variância robusta, com seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) e valores de p . Posteriormente, as variáveis que apresentaram valores de p inferiores a 0,20 ( p < 0,20) foram testadas no modelo de regressão de Poisson múltiplo com variância robusta. Permaneceram, no modelo final, as variáveis com valores de p inferiores a 0,05 ( p < 0,05). Todas as análises estatísticas foram realizadas como programa Stata Versão 14.0, utilizando o módulo survey (svy) para amostras complexas, por possibilitarem incorporar os pesos amostrais.

A PeNSE 2015 foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, do Conselho Nacional de Saúde 88. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa nacional de saúde do escolar: 2015 . Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 . .

Resultados

A prevalência estimada e intervalo de confiança de 95% ponderados da experimentação do álcool e do tabaco foi de 57,17% (IC95%: 56,20 a 58,14) e 22,38% (IC95%: 21,56 a 23,20), respectivamente, dados não apresentados em tabela.

Na Tabela 1 , são apresentadas as prevalências ponderadas pelos pesos amostrais da experimentação de álcool e tabaco para cada categoria, segundo as variáveis demográficas e socioeconômicas consideradas no estudo, com seus respectivos intervalos de 95% de confiança (IC95%) e tamanho de amostra (n). Nesta tabela, observa-se que existe diferença estatisticamente significativa entre as prevalências das categorias de todas as variáveis para as duas variáveis dependentes em estudo, uma vez que a maioria dos intervalos de 95% de confiança não se intercepta.

Tabela 1
Prevalência # e intervalo de confiança de 95% # da experimentação do álcool e tabaco, segundo as variáveis demográficas e socioeconômicas dos adolescentes escolares do 9º ano do Ensino Fundamental da região Centro-Oeste/Brasil. PeNSE 2015.

Na Tabela 2 , estão expostos os resultados ponderados das prevalências e as análises dos modelos de regressão de Poisson simples robusta, com razões de prevalência estimadas entre a experimentação do álcool e as variáveis demográficas e econômicas, com seus respectivos intervalos de confiança, sendo selecionadas, para a análise múltipla, as variáveis: sexo, idade, escolaridade materna e a dependência administrativa da escola. Na análise múltipla, permaneceram associadas à experimentação do álcool, pelos adolescentes, as variáveis: sexo, raça/cor de pele e idade. Observou-se que o sexo feminino apresentou razão de prevalência de experimentação do álcool 9% maior que os meninos ( p < 0,001). Indivíduos de cor branca revelaram maior prevalência de experimentação do álcool em comparação com a população indígena. Esse comportamento também foi estatisticamente significativo nas idades de 14 e 15 anos ou mais, em relação aos adolescentes de até 13 anos, com razão de prevalência de 1,15 e 1,42 respectivamente ( Tabela 3 ).

Tabela 2
Prevalência e razão de prevalência de experimentação do álcool, segundo as variáveis demográficas e socioeconômicas dos adolescentes escolares do 9º ano do Ensino Fundamental da região Centro-Oeste/Brasil. PeNSE 2015.
Tabela 3
Variáveis do modelo final e razão de prevalência ajustada por regressão de Poisson Robusta (RP a ) múltipla, associadas à experimentação do álcool, com seus respectivos intervalos de confiança (IC) de 95% e valor p , região Centro-Oeste, Brasil, 2015.

Na Tabela 4 , mostram-se os resultados ponderados da análise dos modelos de regressão de Poisson simples robusta, com razões de prevalência estimada entre a associação da experimentação do tabaco com as variáveis: sexo, raça/cor da pele, idade, escolaridade materna e tipo de escola; porém, após a análise do modelo múltiplo final de regressão de Poisson , apenas as variáveis: sexo, idade, raça/cor de pele e tipo de escola permaneceram com significância estatística. Os resultados revelam que, entre os adolescentes a experimentarem tabaco, os indivíduos do sexo masculino apresentaram razão de prevalência 15% maior que as meninas ( p < 0,001). Esse comportamento também foi mais frequente na faixa etária de 14 anos ou mais, em relação aos menores ou iguais aos de 13 anos. Indivíduos de cor indígena, preta e parda ostentaram maior prevalência de experimentação do tabaco (30%, 17% e 15%, respectivamente) em comparação com a branca. O tipo de escola classificada como pública revelou razão de prevalência 14% maior que as escolas privadas, na experimentação do tabaco ( Tabela 5 ).

Tabela 4
Prevalência e razão de prevalência de experimentação do tabaco, segundo as variáveis demográficas e socioeconômicas dos adolescentes escolares do 9º ano do Ensino Fundamental da região Centro-Oeste/Brasil. PeNSE 2015.
Tabela 5
Variáveis do modelo final e razão de prevalência ajustada por regressão de Poisson Robusta (RP a ) múltipla, associadas à experimentação do tabaco, com seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC 95%) e valor p , região Centro-Oeste, Brasil, 2015.

Discussão

Os resultados, neste estudo, confirmaram a magnitude desta investigação quanto à experimentação do álcool e tabaco entre escolares da região Centro-Oeste. Dessa forma, pesquisas envolvendo jovens escolares podem fornecer subsídios para a estruturação de políticas públicas de promoção à saúde e prevenção de doenças.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que indivíduos entre 10 e 19 anos de idade possuem problemas de saúde, devido ao consumo de álcool e tabaco, porque isso reduz o autocontrole e aumenta os comportamentos considerados de risco 55. World Health Organization (WHO) . Media Centre: Health for the World’s Adolescents a second chance in the second decade . Geneva : WHO ; 2014 . [ acessado 2016 Out 25 ]. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/news/releases/2014/focus-adolescent-health/en/
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. A análise dos dados de estudos nacionais e internacionais mostra a necessidade de haver monitoramento e enfrentamento quanto ao consumo de bebidas alcoólicas pelos jovens. No Brasil, o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA) detectou que 1/5 dos adolescentes entrevistados havia consumido bebida alcoólica nos 30 dias anteriores à entrevista 1212. Coutinho ESF , França-Santos D , Magliano ES , Bloch KV , Barufaldi LA , Cunha CF , Vasconcellos MTL , Szklo M . ERICA: padrões de consumo de bebidas alcoólicas em adolescentes brasileiros . Rev Saude Publica 2016 ; 50 ( Supl. 1 ): 8s . . Nos Estados Unidos, um levantamento sobre o comportamento de risco na população jovem, por meio do estudo Youth Risk Behavior Survey (YRBS), em 2015, apontou a prevalência estimada de 63,2% de experimentação na vida e de 32,8% nos últimos 30 dias 1313. Youth Risk Behavior Survey . Trends in the Prevalence of Alcohol Use National YRBS: 1991-2015 . Atlanta ; 2016 . [ acessado 10 Out 16 ]. Disponível em: http://www.cdc.gov/yrbss
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.

Em um estudo transversal realizado no Brasil, constatou-se a relação entre problemas escolares e o uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas. Na oportunidade , foi identificado que o consumo de álcool está associado a repetências, falta de concentração, notas baixas, desejo de abandonar a escola e sentimento de tédio no ambiente escolar. Esses adolescentes apresentaram padrões maiores de risco comportamental, gerando prejuízos escolares 1414. Cardoso LRD , Malbergier A . Problemas escolares e o consumo de álcool e outras drogas entre adolescentes . Psicol Esc Educ 2014 ; 18 ( 1 ): 27 - 34 . .

Os dados deste trabalho apontam que a prevalência no sexo feminino é significativamente mais elevada do que no sexo masculino para a experimentação de bebida alcoólica alguma vez na vida cujos resultados estão em concordância com estudos anteriores 1515. Malta DC , Sardinha LMV , Mendes I , Barreto SM , Giatti L , Castro IRR , Moura L , Dias AJR , Crespo C . Prevalência de fatores de risco e proteção de doenças crônicas não transmissíveis em adolescentes: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), Brasil, 2009 . Cien Saude Colet 2010 ; 15 ( 2 ): 3009 - 3019 .,1616. Malta DC , Mascarenhas MDM , Porto DL , Barreto SM , Morais Neto OL . Exposição ao álcool entre escolares e fatores associados . Rev Saude Publica 2014 ; 48 ( 1 ): 52 - 62 . , sendo isso verificado, também, nas amostras nacionais da PeNSE 2009 e 2012 1111. Malta DC , Andreazzi MAR , Oliveira-Campos M , Andrade SSCA , Bandeira de Sá NN , Moura L , Dias AJR , Crespo CD , Silva Júnior JB . Tendência dos fatores de risco e proteção de doenças crônicas não transmissíveis em adolescentes, Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2009 e 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 77 - 91 .,1717. Malta DC , Mascarenhas MDM , Porto DL , Duarte EA , Sardinha LM , Barreto SM , Morais Neto OL . Prevalência do consumo de álcool e drogas entre adolescentes: análise dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar . Rev Bras Epidemiol 2011 ; 14 ( 1 ): 136 - 146 .,1818. Malta DC . Consumo de álcool entre adolescentes brasileiros segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE 2012) . Ver Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 203 - 214 . .

O mesmo resultado foi constatado na Argentina 1919. Mulassi AH , Hadid C , Borracci RA , Labruna MC , Picarel AE , Robilotte AN , Redruello M , Masoli O . Eating habits, physical activity, smoking and alcohol consumption in adolescents attending school in the province of Buenos Aires . Arch Argent Pediatr 2010 ; 108 ( 1 ): 45 - 54 . e no Reino Unido 2020. Staff J , Maggs JL , Cundiff K , Evans-Polce RJ . Childhood cigarette and alcohol use: negative links with adjustment . Addict Behav 2016 ; 62 : 122 - 128 . . Porém, no estudo Health Behavior in School Aged Children (HBSC), observou-se que, entre os adolescentes com idade de 11 e 13 anos, não há diferença no consumo semanal entre os sexos, mas, na idade de 15 anos, o consumo de álcool é maior nos rapazes 2121. Currie C , Van der Sluijs W , Whitehead R , Currie D , Rhodes G , Neville F , Inchley J . HBSC 2014 Survey in Scotland National Report . Saint Andrews : CAHRU ; 2015 . .

As adolescentes que afirmaram ter usado álcool pelo menos uma vez na vida estão em situação crítica e isso representa fator de risco, pois compromete a saúde física e psíquica das jovens, as quais ficam expostas, constantemente, a episódios de violências, como brigas e acidentes de trânsito, além de aquisição das doenças crônicas, segundo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância 2222. Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) . O direito de ser adolescente: Oportunidade para reduzir vulnerabilidades e superar desigualdades . Brasília : Unicef ; 2011 . .

Revisão da literatura sobre o tema corrobora os resultados do modelo final, mostrando haver relação entre a experimentação do álcool e as variáveis raça/cor branca 1616. Malta DC , Mascarenhas MDM , Porto DL , Barreto SM , Morais Neto OL . Exposição ao álcool entre escolares e fatores associados . Rev Saude Publica 2014 ; 48 ( 1 ): 52 - 62 . . O presente trabalho apontou que a experimentação de bebida alcoólica na idade de 15 anos ou mais é 42% maior em relação àqueles com idade de 13 anos ou menos, revelando haver adesão de novos usuários com o passar do tempo. Tavares et al. 2323. Tavares T , Bonito J , Oliveira M . Caracterização do consumo de álcool entre os escolares de 12 a 21 anos de idade do distrito de Beja . In: Pereira B , Cunha C , Anastácio Z , Carvalho G , coordenadores . Atas do IX seminário internacional de educação física, lazer e saúde . Braga : Instituto de Educação da Universidade do Minho ; 2013 . p. 339 - 358 . , ao estudarem jovens com idades até 21 anos de um distrito de Portugal, constataram que a maioria, cerca de 92%, já havia experimentado bebida alcoólica, destacando o aumento da prevalência de consumo de bebidas alcoólicas ao longo da vida.

O I Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado em 2005-2006, identificou que 14 anos é a idade média da experimentação de bebida alcoólica 2424. Pinsky I , Sanches M , Zaleski M , Laranjeira R , Caetano R . Patterns of alcohol use among Brazilian adolescents . Rev Bras Psiquiatr 2010 ; 32 ( 3 ): 242 - 249 . . Resultados análogos foram localizados em estudos anteriores 1515. Malta DC , Sardinha LMV , Mendes I , Barreto SM , Giatti L , Castro IRR , Moura L , Dias AJR , Crespo C . Prevalência de fatores de risco e proteção de doenças crônicas não transmissíveis em adolescentes: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), Brasil, 2009 . Cien Saude Colet 2010 ; 15 ( 2 ): 3009 - 3019 .,1717. Malta DC , Mascarenhas MDM , Porto DL , Duarte EA , Sardinha LM , Barreto SM , Morais Neto OL . Prevalência do consumo de álcool e drogas entre adolescentes: análise dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar . Rev Bras Epidemiol 2011 ; 14 ( 1 ): 136 - 146 .,2525. Coutinho ESF , França-Santos D , Magliano ES , Bloch KV , Barufaldi LA , Cunha CF , Vasconcellos MTL , Szklo M . ERICA: padrões de consumo de bebidas alcoólicas em adolescentes brasileiros . Ver Saude Publica 2016 ; 50 ( Supl. 1 ): 8s .

26. Farias Júnior JC , Mendes JKF , Barbosa DBM , Lopes AS . Fatores de risco cardiovascular em adolescentes: prevalência e associação com fatores sociodemográficos . Rev Bras Epidemiol 2011 ; 14 ( 1 ): 50 - 62 .
-2727. Zvolinskaia E , Kimitsidi MG , Aleksandrov AA . Prevalence of some modified cardiovascular risk factors among young students . Ter Arkh 2014 ; 87 ( 1 ): 57 - 63 . . Segundo o VI Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre estudantes do Ensino Fundamental e Médio das redes pública e privada, das 26 capitais de Estados brasileiros, a maioria dos adolescentes já havia consumido bebida alcoólica, pelo menos, uma vez na vida nessa faixa etária 2828. Carlini ELA , Noto AR , Sanchez ZM , Carlini CMA , Locatelli DP , Abeid LR , Amato TC , Opaleye ES , Tondowski CS , Moura YG . VI Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio das Redes Pública e Privada de Ensino nas 27 Capitais Brasileiras . São Paulo : SENAD ; 2010 . .

O estudo realizado no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas de Cuiabá com adolescentes na faixa etária entre 14 e 17 anos apontou início precoce do consumo de bebida alcoólica pelos jovens 2929. Marcon SR , Sene JO , Oliveira JRT . Contexto familiar e uso de drogas entre adolescentes em tratamento . SMAD Rev Eletron Saude Mental Alcool Drogas 2015 ; 11 ( 3 ): 122 - 128 . . Isso também foi observado na comunidade europeia e em parte do continente americano, sendo que, aos 11 anos, 1% declarou ser usuário semanal. Nas idades de 13 e 15 anos, constataram-se 3% e 14%, respectivamente, de jovens com consumo semanal de bebida alcoólica 2121. Currie C , Van der Sluijs W , Whitehead R , Currie D , Rhodes G , Neville F , Inchley J . HBSC 2014 Survey in Scotland National Report . Saint Andrews : CAHRU ; 2015 . .

O consumo do álcool é um comportamento de risco que começa, geralmente, em idades precoces, em níveis perigosos ou prejudiciais, o qual poderá se estender para a fase adulta, gerando doenças e transtornos familiares 3030. Heron J , Macleod J , Munafò MR , Melotti R , Lewis G , Tilling K , Hickman M . Patterns of alcohol use in early adolescence predict problem use at age 16 . Alcohol Alcohol 2012 ; 47 ( 2 ): 169 - 177 . . Mesmo com a existência da lei proibindo a venda e o consumo de bebida alcoólica para menores de 18 anos, é preocupante a precocidade com que os adolescentes estão ingerindo o álcool. A experimentação do destilado, nessa fase, está associada aos comportamentos de risco e, além de aumentar a chance de envolvimento em acidentes, está fortemente relacionada à morte violenta, queda no desempenho escolar e dificuldades no aprendizado 3131. Pechansky F , Szobot CM , Scivoletto S . Uso de álcool entre adolescentes: conceitos, características epidemiológicas e fatores etiopatogênicos . Rev Bras Psiquiatr 2004 ; 26 ( Supl. 1 ): 14 - 17 .,3232. Paiva PCP , Paiva HN , Lamounier JA , Ferreira e Ferreira E , César CAS , Zarzar PM . Consumo de álcool em binge por adolescentes escolares de 12 anos de idade e sua associação com sexo, condição socioeconômica e consumo de álcool por melhores amigos e familiares . Cien Saude Colet 2015 ; 20 ( 11 ): 3427 - 3435 . .

Outro problema de saúde pública é o tabagismo, cuja experimentação é um fator preponderante para que o adolescente se torne fumante ativo. Realizou-se, no Brasil, um Inquérito sobre Tabagismo em Escolares (Vigescola), constatando-se que a prevalência de experimentação do tabaco entre os adolescentes foi elevada. E isso está associado à busca de identidade e de espaço no mundo adulto, o que ocorre, principalmente, nessa fase da vida 3333. Instituto Nacional do Câncer (INCA) . Vigescola – Vigilância de tabagismo em escolares: Dados e fatos de 12 capitais brasileiras . Rio de Janeiro : INCA ; 2004 . .

No Brasil, a prevalência do tabagismo na população em 1997 era de 32,7%, passando em 2011 a ser 14,8%; isso se deve, provavelmente, ao controle do marketing e da comercialização, às atividades educativas nas escolas e à restrição do consumo em locais públicos e de trabalho 3434. Silva ST , Martins MC , Faria FR , Cotta RMM . Combate ao Tabagismo no Brasil: a importância estratégica das ações governamentais . Cien Saude Colet 2014 ; 19 ( 2 ): 539 - 552 . .

Na análise dos dados do YRBS de 1991 a 2015, nos Estados Unidos, observa-se decréscimo nas prevalências do consumo, tanto de experimentação do tabaco na vida quanto ao uso nos últimos 30 dias; entretanto, os dados encontrados ainda são elevados. Em 2015, a prevalência estimada foi de 32,3% de experimentação na vida e de 10,8% nos últimos 30 dias 3535. Youth Risk Behavior Survey . Trends in the Prevalence of Tobacco Use National YRBS: 1991-2015 . Atlanta ; 2016 [ acessado 25 Out 16 ]. Disponível em: http://www.cdc.gov/healthyyouth/data/yrbs/index.htm
http://www.cdc.gov/healthyyouth/data/yrb...
. Notam-se índices maiores do que do Brasil, onde foi feita uma Pesquisa Especial de Tabagismo, envolvendo estudantes de 15 a 24 anos de idade, mostrando que a experimentação do cigarro entre os adolescentes chegou a 14,8% para ambos os sexos 3636. Instituto Nacional de Câncer (INCA) , Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) . Pesquisa especial de tabagismo – PETab: relatório Brasil . Rio de Janeiro : INCA ; 2011 . .

A presente investigação salienta que as maiores prevalências de experimentação do tabaco ocorreram nos meninos e esses resultados demonstram o comportamento do adolescente perante o uso do tabaco. E isso aumentou, mundialmente, a partir do século XX, associado à ideia de masculinidade, força e poder, sendo influenciada pelas propagandas que transmitiam imagem de sucesso 3737. Musk AW , Klerk NH . History of tobacco and health . Respirology 2003 ; 8 ( 3 ): 286 - 290 . . Os resultados, em relação ao sexo, corroboram diversos estudos anteriores e apontam que ser do sexo masculino é um fator preponderante para a experimentação do tabaco 2020. Staff J , Maggs JL , Cundiff K , Evans-Polce RJ . Childhood cigarette and alcohol use: negative links with adjustment . Addict Behav 2016 ; 62 : 122 - 128 .,2727. Zvolinskaia E , Kimitsidi MG , Aleksandrov AA . Prevalence of some modified cardiovascular risk factors among young students . Ter Arkh 2014 ; 87 ( 1 ): 57 - 63 .,3838. Farias Júnior JC , Mendes JKF , Barbosa DBM , Lopes AS . Fatores de risco cardiovascular em adolescentes: prevalência e associação com fatores sociodemográficos . Ver Bras Epidemiol 2011 ; 14 ( 1 ): 50 - 62 .

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-4141. Cristina A , Alves J , Perelman J . Desigualdades socioeconómicas no tabagismo em jovens dos 15 aos 17 anos . Rev Port Saude Publica 2016 ; 34 ( 1 ): 69 - 76 . .

Em análise realizada na Polônia, observou-se que, entre os adolescentes entrevistados, os que eram do sexo masculino tinham mais propensão à experimentação do tabaco em comparação com as mulheres e isso aumentava com o avançar da idade desses indivíduos 4242. Polańska K , Wojtysiak P , Bąk-Romaniszyn L , Kaleta D . Susceptibility to cigarette smoking among secondary and high school students from a socially disadvantaged rural area in Poland . Tob Induc Dis 2016 ; 14 ( 1 ): 28 . . Porém, no estudo de Figueiredo et al. 4343. Figueiredo VC , Szklo AS , Costa LC , Kuschnir MCC , Silva TLN , Bloch KV , Szklo M . ERICA: prevalência de tabagismo em adolescentes brasileiros . Ver Saude Publica 2016 ; 50 ( Supl. 1 ): 12 e Fernandes et al. 4444. Fernandes SSC , Andrade CR , Caminhas AP , Camargos PAM , Ibiapina CC . Prevalência do relato de experimentação de cigarro em adolescentes com asma e rinite alérgica . J Bras Pneumol 2016 ; 42 ( 2 ): 84 - 87 . , não foram encontradas diferenças significativas quanto à experimentação do tabaco por sexo.

No presente estudo, verificou-se que a prevalência de adolescentes que já experimentaram o tabaco aumentou com o avançar da idade, assim como o observado com a experimentação do álcool. Essa associação significativa entre a experimentação do tabaco com o aumento da idade entre os adolescentes está em concordância com diversos estudos anteriores 4141. Cristina A , Alves J , Perelman J . Desigualdades socioeconómicas no tabagismo em jovens dos 15 aos 17 anos . Rev Port Saude Publica 2016 ; 34 ( 1 ): 69 - 76 .,4545. Menezes AHR , Dalmas JC , Scarinci IC , Maciel SM , Cardelli AAM . Fatores associados ao uso regular de cigarros por adolescentes estudantes de escolas públicas de Londrina, Paraná, Brasil . Cad Saude Publica 2014 ; 30 ( 4 ): 774 - 784 .

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-4848. Mahabee-Gittens EM , Xiao Y , Gordon JS , Khoury JC . The dynamic role of parental influences in preventing adolescent smoking initiation . Addict Behav 2013 ; 38 ( 4 ): 1905 - 1911 . e foi verificado também que a supremacia do tabagismo aumenta mundialmente com o avançar da idade entre os adolescentes, principalmente, na faixa de 13 a 15 anos 4949. World Health Organization (WHO) . Social determinants of health and well-being among young people: Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study: international report from the 2009/2010 survey . Copenhagen : WHO ; 2012 . .

A iniciação precoce ao uso de tabaco é um fator prognóstico para o adoecimento e deve ser combatida. Quanto mais cedo se estabelece a dependência ao tabaco, maior o risco de morte prematura e a diferença, em alguns anos, após o início do uso, pode aumentar, em quase o dobro, os riscos de danos à saúde, com grande repercussão em termos de anos de vida perdidos para a sociedade 3636. Instituto Nacional de Câncer (INCA) , Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) . Pesquisa especial de tabagismo – PETab: relatório Brasil . Rio de Janeiro : INCA ; 2011 .,5050. Wunsch Filho V , Mirra AP , López RVM , Antunes LF . Tabagismo e câncer no Brasil: evidências e perspectivas . Rev Bras Epidemiol 2010 ; 13 ( 2 ): 175 - 187 . .

Na análise nacional dos dados da PeNSE 2012, verificou-se que as chances de experimentação do tabaco cresceram com o aumento da idade e que um em cada cinco adolescentes já havia experimentado tabaco, sendo as chances maiores entre os escolares que trabalham, confirmando que, estar em desvantagens sociais, marcado pelo trabalho infantil, pode oferecer maior chance de experimentar tabaco 5151. Barreto SM , Giatti L , Oliveira-Campos M , Andreazzi MA , Malta DC . Experimentation and use of cigarette and other tobacco products among adolescents in the Brazilian state capitals (PeNSE 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 62 - 76 . .

No estudo HBSC, realizado em 43 países, não foram observadas diferenças significativas aos 11 anos entre os sexos; entretanto, nas idades de 13 e 15 anos, essa diferença foi constatada e a prevalência foi maior nos homens ou nas mulheres, de acordo com o país analisado 4949. World Health Organization (WHO) . Social determinants of health and well-being among young people: Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study: international report from the 2009/2010 survey . Copenhagen : WHO ; 2012 . .

Os resultados do modelo final, em relação à raça/cor de pele, corroboram os estudos anteriores e mostram que, ser indígena e ter cor preta e parda, são fatores que aumentam as chances da experimentação do tabaco entre os jovens 4040. Bazotti A , Finokiet M , Conti IL , França MTA , Waquil PD . Tabagismo e pobreza no Brasil: uma análise do perfil da população tabagista a partir da POF 2008-2009 . Cien Saude Colet 2016 ; 21 ( 1 ): 45 - 52 . .

Publicações da literatura sobre o tema corroboram esta afirmação, mostrando que jovens de escolas públicas se relacionam mais facilmente com a experimentação do tabaco 4343. Figueiredo VC , Szklo AS , Costa LC , Kuschnir MCC , Silva TLN , Bloch KV , Szklo M . ERICA: prevalência de tabagismo em adolescentes brasileiros . Ver Saude Publica 2016 ; 50 ( Supl. 1 ): 12,5252. Correa KS , Camêlo CPR , Lima LA , Sardinha MC , Rabahi MF . Dramatização como Instrumento de Informação a Respeito do Tabagismo entre Escolares . Arq Cienc Saude UNIPAR 2015 ; 18 ( 2 ): 69 - 73 .,5353. Lapenda JC , Marques DA , Rufino RD , Silva OA , Oliveira FG . Diagnóstico das Condições de Saúde dos Estudantes de uma Escola Pública no Município de Caruaru, Pernambuco . Rev Eletr Cienc 2015 ; 8 ( 1 ): 20 - 30 . . Estudo de Malta et al. 5454. Malta DC , Oliveira-Campos M , Prado RR , Andrade SSC , Mello FCM , Dias AJR , Bomtempo DB . Psychoactive substance use, family context and mental health among Brazilian adolescents, National Adolescent School-based Health Survey (PeNSE 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 46 - 61 . detectou maior risco do uso de tabaco entre os estudantes de escolas públicas, cujo trabalho mostrou, também, que não ter amigos propicia o uso de tabaco.

A OMS considera o tabaco e o consumo de álcool fatores de risco que devem ser combatidos e classificados como de alta prioridade, dado o elevado número de mortes prematuras e incapacidades em todo o mundo 5555. World Health Organization (WHO) . Global Health Risks . Mortality and burden of disease attributable to selected major risks . Geneva : WHO ; 2009 .,5656. Gore FM , Bloem PJN , Patton GC , Ferguson J , Joseph V , Coffey C , Sawyer SM , Mathers CD . Carga global da doença em jovens com idade entre 10-24 anos: Uma análise sistemática . Lancet 2011 ; 377 ( 9783 ): 2093 - 2102 . . O uso do álcool, atualmente, é três vezes mais disseminado que o do tabaco entre os adolescentes, cujos indivíduos estão expostos a diversas situações de riscos para a saúde, tornando-se imprescindível monitorar os fatores de risco e proteção a que os jovens estão submetidos 1515. Malta DC , Sardinha LMV , Mendes I , Barreto SM , Giatti L , Castro IRR , Moura L , Dias AJR , Crespo C . Prevalência de fatores de risco e proteção de doenças crônicas não transmissíveis em adolescentes: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), Brasil, 2009 . Cien Saude Colet 2010 ; 15 ( 2 ): 3009 - 3019 . .

O Vigescola também constatou que grande parte dos escolares comprava tabaco livremente 3333. Instituto Nacional do Câncer (INCA) . Vigescola – Vigilância de tabagismo em escolares: Dados e fatos de 12 capitais brasileiras . Rio de Janeiro : INCA ; 2004 . . Tais resultados apontam a necessidade de intervenções direcionadas a esse grupo populacional, bem como o empoderamento da população para a desnormatização da venda de cigarros e similares para menores de 18 anos 3434. Silva ST , Martins MC , Faria FR , Cotta RMM . Combate ao Tabagismo no Brasil: a importância estratégica das ações governamentais . Cien Saude Colet 2014 ; 19 ( 2 ): 539 - 552 . .

Dentre os limites do estudo, citamos as restrições decorrentes do perfil de acesso às escolas dos adolescentes, pois a metodologia não contempla alunos que ingressaram tardiamente na instituição. Além disso, limita-se a estudantes com frequência regular na escola, excluindo, assim, os adolescentes fora do sistema educacional. Por se tratar de estudo transversal, as associações observadas não necessariamente têm relação de causa-efeito, não sendo possível, portanto, identificar os prejuízos do uso dessas substâncias para a população de estudo. No entanto, o aumento do consumo dessas substâncias pode levar a limitações que interferirão na qualidade de vida desses indivíduos 88. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa nacional de saúde do escolar: 2015 . Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 . .

Conclui-se, assim, que a experimentação do álcool e tabaco entre os adolescentes escolares apresentou-se associada a fatores sociodemográficos. Esses comportamentos na adolescência trazem implicações para o bem-estar e a saúde dos indivíduos ao longo da vida, devido ao maior risco de desenvolverem doenças crônicas não transmissíveis. Sendo a adolescência tão marcada por transformações e exposições a diversas situações de risco à saúde, os resultados deste trabalho mostram a importância da implementação de políticas públicas de saúde e educação, por meio de ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, no sentido de se evitar o aumento desses fatores comportamentais que comumente se encontram agregados.

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Histórico

  • Recebido
    07 Jan 2017
  • Revisado
    26 Jun 2017
  • Aceito
    28 Jun 2017
  • Publicação Online
    02 Maio 2019
  • Publicação em número
    Abr 2019
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