Prevalência de bullying e fatores associados em escolares brasileiros, 2015

Deborah Carvalho Malta Flávia Carvalho Malta de Mello Rogério Ruscitto do Prado Ana Carolina Micheletti Gomide Nogueira de Sá Fátima Marinho Isabella Vitral Pinto Marta Maria Alves da Silva Marta Angélica Iossi Silva Sobre os autores

Resumo

O estudo analisou a prevalência de sofrer bullying e fatores associados em escolares brasileiros. Trata-se de análise da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2015 em amostra nacional com 102.301 alunos do 9º ano. Foi calculada a prevalência de sofrer bullying e foi feita inicialmente análise bivariada com estimativas de razões de chance (OR) e IC95% para estimar as associações entre vitimização e variáveis sociodemográficas, contexto familiar, violência familiar, saúde mental e comportamentos de risco. Posteriormente, procedeu-se ao modelo de regressão logística múltipla, inserindo as variáveis de interesse com (p < 0,20). No modelo final ajustado (ORa) permaneceram variáveis com p < 0,05. A prevalência de bullying foi de 7,4%. A análise multivariada mostrou que quem tem maior chance de sofrer bullying são os escolares do sexo masculino, com 13 anos, da escola pública, filhos de mães sem escolaridade, que trabalham, com relato de solidão, sem amigos, com insônia; que sofreram agressão física dos familiares, faltaram as aulas sem avisar aos pais, usaram tabaco. Predominaram vítimas de 13 anos, com contexto social e familiar desfavorável, mostrando cenário de vulnerabilidades, demandando apoio de redes de proteção social, escolar e famíliar.

Bullying; Adolescentes; Violência; Vulnerabilidade; Inquérito epidemiológico

Introdução

A adolescência é um período de grandes transformações, transições e adaptação para a vida adulta. Esta fase da vida é repleta de mudanças biológicas, cognitivas, emocionais e sociais 11. World Health Organizatin (WHO) . Social determinants of health and well-being among young people. Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study: international report from the 2009/2010 survey . Copenhagen : WHO Regional Office for Europe ; 2012 . [ Health Policy for Children and Adolescents, Nº 6 ],22. Brasil . Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, (PeNSE), 2015 [ Internet ]. Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 [ acessado 2017 Fev 01 ]. Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/sites/www.icict.fiocruz.br/files/PENSE_Saude%20Escolar%202015.pdf
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. Também constitui uma fase marcada pelo aumento da autonomia, independência em relação à família e experimentação de novos comportamentos e vivências, sujeitos a riscos que podem afetar a saúde de forma definitiva 11. World Health Organizatin (WHO) . Social determinants of health and well-being among young people. Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study: international report from the 2009/2010 survey . Copenhagen : WHO Regional Office for Europe ; 2012 . [ Health Policy for Children and Adolescents, Nº 6 ],22. Brasil . Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, (PeNSE), 2015 [ Internet ]. Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 [ acessado 2017 Fev 01 ]. Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/sites/www.icict.fiocruz.br/files/PENSE_Saude%20Escolar%202015.pdf
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. Nesta fase comumente aumentam as oportunidades de interações sociais, exposições a novos círculos de amizades e também a exposição a riscos e atos de violência 11. World Health Organizatin (WHO) . Social determinants of health and well-being among young people. Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study: international report from the 2009/2010 survey . Copenhagen : WHO Regional Office for Europe ; 2012 . [ Health Policy for Children and Adolescents, Nº 6 ],33. Malta DC , Oliveira TP , Santos MAS , Andrade SSCA , Silva MMA . Tendência dos fatores de risco e proteção de doenças crônicas não transmissíveis em adolescentes, Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2009 e 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 77 - 91 . .

O bullying é um ato de violência e tem sido compreendido como prática sistemática, ou quando há violência física ou psicológica em atos de intimidação, humilhação ou discriminação 44. Brasil . Lei nº 13.185, de 06 de novembro de 2015. Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática ( Bullying ). Diário Oficial da União 2015 ; 9 nov . . A palavra de origem inglesa bully (valentão, brigão) 55. Lopes Neto AA . Ações anti bullying . In: Lopes Neto AA . Bullying: saber identificar e como prevenir . São Paulo : Brasiliense ; 2011 . p. 62 - 100 . tem sido traduzida como assédio escolar, que descreve o comportamento agressivo entre estudantes 66. Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) . Adolescência: uma fase de oportunidades [ Internet ]. 2011 . New York : Unicef ; 2011 [ citado 2014 Mar 19 ]. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/pt/br_sowcr11web.pdf
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. A configuração do bullying inclui atos agressivos, repetitivos e com assimetria de poder entre pares 77. Berger KS . Update on bullying at school: Science forgotten? Dev Rev 2007 ; 27 ( 1 ): 90 - 126 .

8. Olweus D . Bullying at school. Long-term outcomes for the victims end an effective school-Based Intervention program . In: Huesmann LR , editor . Agressive Behavior: Current Perpectives . New York : Plenum Press ; 1994 . p. 97 - 130 .

9. Lisboa C , Braga LL , Ebert G . O fenômeno bullying ou vitimização entre pares na atualidade: definições, formas de manifestação e possibilidades de intervenção . Contextos Clínic 2009 ; 2 ( 1 ): 59 - 71 .
-1010. Pigozi PL , Machado AL . Bullying na adolescência: visão panorâmica no Brasil . Cien Saude Colet 2015 ; 20 ( 11 ): 3509 - 3522 . . A sua ocorrência pressupõe a convivência por um período prolongado. Estes eventos têm sido muito estudados nas escolas, embora possam ocorrer em qualquer outro espaço, como ambiente de trabalho, equipes esportivas, outros espaços na comunidade 55. Lopes Neto AA . Ações anti bullying . In: Lopes Neto AA . Bullying: saber identificar e como prevenir . São Paulo : Brasiliense ; 2011 . p. 62 - 100 .,99. Lisboa C , Braga LL , Ebert G . O fenômeno bullying ou vitimização entre pares na atualidade: definições, formas de manifestação e possibilidades de intervenção . Contextos Clínic 2009 ; 2 ( 1 ): 59 - 71 .,1010. Pigozi PL , Machado AL . Bullying na adolescência: visão panorâmica no Brasil . Cien Saude Colet 2015 ; 20 ( 11 ): 3509 - 3522 . .

Enquanto um fenômeno social o bullying se caracteriza como um fenômeno de grupo e no contexto escolar a maioria das crianças está diretamente ou indiretamente envolvida no bullying e suas consequências, seja como vítima, agressor ou observador 1111. Sanders CE , Phye GD . Bullying: implications for the classroom . London : Elsevier Academic Press ; 2004 . . Existem diferentes expressões do bullying que incluem xingamentos, agressões físicas, ameaças, roubo, abuso verbal, bem como expressões e gestos de humilhação, dentre outros 1212. Lamb J , Pepler DJ , Craig W . Approach to bullying and victimization . Can Fam Physician 2009 ; 55 ( 4 ): 356 - 360 . .

O bullying é um problema global, sendo descrito em diversos países. Pesquisa realizada pela OMS entre escolares de mais de 40 países, apontou que 14% dos adolescentes de 13 anos referiram já ter sofrido bullying nos últimos dois meses 1313. World Health Organization (WHO) . Inequalities young people’s health: key findings from the Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) 2005/2006 survey fact sheet . Copenhagen : WHO ; 2008 . [ Health Policy for Children and Adolescents, No. 5 ]. .

Estudos também têm apontado consequências para a saúde dos indivíduos que sofreram vitimização na infância, como dificuldades nas atividades escolares 1414. Due P , Holstein BE , Lynch J , Diderichsen F , Gabhain SN , Scheidt P , Currie C ; Health Behaviour in School-Aged Children Bullying Working Group . Bullying and symptoms among school-aged children: international comparative cross sectional study in 28 countries . Eur J Public Health 2005 ; 15 ( 2 ): 128 - 132 . , problemas com o sono 1515. Sharp S , Thompson D . Sources of stress: a contrast between pupil perspectives and pastoral teachers’ perspectives . Sch Psychol Int 1992 ; 13 ( 3 ): 229 - 241 . , maior propensão para o abandono escolar 1616. Stone S , Han M . Perceived school environments, perceived discrimination, and school performance among children of Mexican immigrants . Child Youth Serv Rev 2005 ; 27 ( 1 ): 51 - 66 . , dificuldade no relacionamento, piora da autoestima 1717. Zequinão MA , Medeiros P , Pereira B . Cardoso FL . Bullying escolar um fenômeno multifacetado . Educ Pesqui 2016 ; 42 ( 1 ): 181 - 198 . , distúrbios mentais na vida adulta 1717. Zequinão MA , Medeiros P , Pereira B . Cardoso FL . Bullying escolar um fenômeno multifacetado . Educ Pesqui 2016 ; 42 ( 1 ): 181 - 198 . , e atitudes limites como o suicídio 1818. Henry KL , Lovegrove PJ , Steger MF , Chen PY , Cigularov KP , Tomazic RG . The potential role of meaning in life in the relationship between bullying victimization and suicidal ideation . J Youth Adolesc 2013 ; 43 ( 2 ): 221 - 232 .,1919. Levasseur M , Kelvin EA , Grosskopf N . Intersecting identities and the association between bullying and suicide attempt among New York city youths: results from the 2009 New York city youth risk behavior survey . Am J Public Health 2013 ; 103 ( 6 ): 1082 - 1089 . .

A literatura internacional1818. Henry KL , Lovegrove PJ , Steger MF , Chen PY , Cigularov KP , Tomazic RG . The potential role of meaning in life in the relationship between bullying victimization and suicidal ideation . J Youth Adolesc 2013 ; 43 ( 2 ): 221 - 232 .,1919. Levasseur M , Kelvin EA , Grosskopf N . Intersecting identities and the association between bullying and suicide attempt among New York city youths: results from the 2009 New York city youth risk behavior survey . Am J Public Health 2013 ; 103 ( 6 ): 1082 - 1089 .e nacional so bre bullying e fatores associados tem ampliado e dentre as evidencias descritas destacam-se a ocorrência de vitimização em alunos mais novos, com poucos amigos 2020. Malta DC , Porto DL , Crespo CD , Silva MMA , Andrade SSC , Mello FCM , Monteiro R , Silva MAI . Bullying em escolares brasileiros: análise da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 92 - 105 .,2121. Oliveira WA , Silva MAI , Mello FCM , Porto DL , Yoshinaga ACM , Malta DC . Causas do bullying: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar . Rev. Latino-Am. Enfermagem Artigo Original Forthcoming 2015 DOI: 10.1590/0104-1169.0022.2552 www.eerp.usp.br/rlae
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, retraídos, pouco sociáveis, que sofrem depressão, ansiedade 2222. Carvalhosa S , Lima L , Matos MG . Bullying – A provocação/vitimação entre pares no contexto escolar português . Anál Psicol 2001 ; 4 ( 19 ): 523 - 537 . , e também aqueles que têm piores relações com pares 2222. Carvalhosa S , Lima L , Matos MG . Bullying – A provocação/vitimação entre pares no contexto escolar português . Anál Psicol 2001 ; 4 ( 19 ): 523 - 537 . . Outros fatores foram descritos como adolescentes com deficiência física e mental 2323. Cruz DMC , Silva JT , Alves HC . Evidências sobre violência e deficiência: implicações para futuras pesquisas . Rev Bras Educ Espec 2007 ; 13 ( 1 ): 131 - 146 . , com diferentes orientações sexuais e de gênero; com tendências suicidas 1919. Levasseur M , Kelvin EA , Grosskopf N . Intersecting identities and the association between bullying and suicide attempt among New York city youths: results from the 2009 New York city youth risk behavior survey . Am J Public Health 2013 ; 103 ( 6 ): 1082 - 1089 . . No Brasil, Malta et al. 2424. Malta DC , Prado RR , Dias AJC , Mello FCM , Silva MAI , Costa MR , Caiaffa WT . Bullying e fatores associados em adolescentes brasileiros: análise da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 131 - 145 . , analisando dados da PeNSE 2012 identificaram vulnerabilidades associadas ao bullying no campo da saúde mental, como insônia e solidão, uso de tabaco, além de pouco apoio familiar. Entretanto, diversos aspectos ainda permanecem obscuros, como trabalho infantil, remuneração do trabalho, relações familiares, uso de drogas, dentre outros.

Globalmente a OMS tem coordenado pesquisas nos países para o monitoramento destes eventos, visando identificar mudanças e apoiar políticas públicas no seu enfrentamento 1313. World Health Organization (WHO) . Inequalities young people’s health: key findings from the Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) 2005/2006 survey fact sheet . Copenhagen : WHO ; 2008 . [ Health Policy for Children and Adolescents, No. 5 ]. . No Brasil, a primeira Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) realizada no Brasil, em 2009, em uma amostra de escolares das capitais brasileiras, do 9º ano do ensino fundamental, apontou que 5,4% dos estudantes relataram ter sofrido bullying quase sempre ou sempre nos últimos 30 dias 2525. Malta DC , Porto DL , Crespo CD , Silva MMA , Andrade SAC , Mello FCM , Monteiro R , Silva MAI . Bullying em escolares brasileiros: análise da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 92 - 105 . . Em 2012, a segunda edição da PeNSE mostrou crescimento para 6,8% nas capitais , o que corresponde a um aumento de 25% 2424. Malta DC , Prado RR , Dias AJC , Mello FCM , Silva MAI , Costa MR , Caiaffa WT . Bullying e fatores associados em adolescentes brasileiros: análise da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 131 - 145 . . Este crescimento chamou ainda mais a atenção sobre o tema, demandando a necessidade de monitoramento periódico, o que resultou em 2015 na terceira edição da PeNSE , que permite avaliar o comportamento no período. Outra vantagem consiste na identificação de mudanças nos fatores associadas e explorar novos aspectos, como o trabalho entre adolescentes, remuneração do trabalho e a vitimização, em função de novas questões adicionadas ao questionário 22. Brasil . Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, (PeNSE), 2015 [ Internet ]. Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 [ acessado 2017 Fev 01 ]. Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/sites/www.icict.fiocruz.br/files/PENSE_Saude%20Escolar%202015.pdf
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O estudo atual tem por objetivo analisar a prevalência de sofrer bullying e fatores associados à vitimização em escolares brasileiros, na terceira edição da PeNSE 2015.

Metodologia

O estudo analisou dados da PeNSE 2015, inquérito de corte transversal realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde, entre escolares matriculados no 9º ano do ensino fundamental, das escolas públicas e privadas no país. A amostra é representativa de Brasil, 27 Unidades Federadas, municípios das capitais e Distrito Federal 22. Brasil . Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, (PeNSE), 2015 [ Internet ]. Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 [ acessado 2017 Fev 01 ]. Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/sites/www.icict.fiocruz.br/files/PENSE_Saude%20Escolar%202015.pdf
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Foram utilizados três estágios de seleção, no primeiro foram recrutados os municípios ou grupos de municípios (Unidade Primária de Amostragem - UPA), no segundo as escolas (Unidade Secundária de Amostragem - USA), e no terceiro as turmas (Unidade Terciária de Amostragem - UTA). Todos os alunos presentes no dia da coleta, nas turmas sorteadas foram convidados a participar da pesquisa 22. Brasil . Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, (PeNSE), 2015 [ Internet ]. Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 [ acessado 2017 Fev 01 ]. Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/sites/www.icict.fiocruz.br/files/PENSE_Saude%20Escolar%202015.pdf
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. Participaram da pesquisa 102.301 alunos, em 3.040 escolas e 4.159 turmas. Considerando os escolares frequentes e os que não quiseram participar do estudo, a perda amostral foi de cerca de 8,5%. Para o cálculo do tamanho da amostra foram considerados todos os alunos matriculados no 9º ano do Ensino Fundamental regular, diurno, das escolas que apresentaram mais de 15 alunos matriculados nesse nível, segundo o Censo Escolar vigente à época do planejamento da pesquisa. Para estimar o tamanho (número de alunos) de um plano amostral conglomerado em estágios e uma seleção com probabilidades proporcionais, considerou-se uma estimativa de proporção de 50%, com margem de erro e nível de confiança de 95%. Mais detalhes da amostra podem ser consultados em outras publicações 22. Brasil . Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, (PeNSE), 2015 [ Internet ]. Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 [ acessado 2017 Fev 01 ]. Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/sites/www.icict.fiocruz.br/files/PENSE_Saude%20Escolar%202015.pdf
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Ampliou-se o modelo conceitual de Malta et al. 2424. Malta DC , Prado RR , Dias AJC , Mello FCM , Silva MAI , Costa MR , Caiaffa WT . Bullying e fatores associados em adolescentes brasileiros: análise da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 131 - 145 . , que identificaram fatores associados a sofrer bullying em quatro dimensões: I) fatores demográficos, II) fatores relacionados á saúde mental (solidão, insônia, e não ter amigos), III) situações familiares como (morar com os pais, supervisão familiar, sofrer violência familiar, faltar às aulas), IV) comportamentos (uso de substancias psicoativas) e ter tido relação sexual 2424. Malta DC , Prado RR , Dias AJC , Mello FCM , Silva MAI , Costa MR , Caiaffa WT . Bullying e fatores associados em adolescentes brasileiros: análise da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 131 - 145 . . O estudo incluiu novas variáveis no modelo, como no contexto socioeconômico: a escolaridade da mãe, trabalho e trabalho remunerado do escolar, e no contexto familiar morar com os pais.

Assim, foi investigado o desfecho de sofrer bullying – segundo a pergunta: Nos últimos 30 dias, com que frequência algum dos seus colegas de sua escola te esculacharam, zombaram, mangaram, intimidaram ou caçoaram tanto que você ficou magoado/incomodado/aborrecido/ofendido/humilhado?”

As respostas foram categorizadas em “Não” (nunca, raramente, às vezes) e “Sim” (a maior parte do tempo, sempre).

Foram testadas associações com as seguintes variáveis:

I) C aracterísticas sociodemográficas foram analisadas as seguintes variáveis independentes: a) sexo (categorizada em: masculino e feminino); b) idade (categorizada em: ≤13 anos, 13 anos, 14 anos, 15 anos, e 16 anos e mais); e c) cor da pele (categorizada em: branca, preta, parda, amarela, e indígena), d) Escolas (pública ou privada), e) escolaridade da mãe (Sem escolaridade, Primário (incompleto/completo), Secundário (incompleto/completo), Superior (incompleto/completo), f) trabalha atualmente (sim, não), g) Remuneração pelo trabalho (sim, não).

II) C ontexto familiar - foram analisadas as seguintes variáveis: a) Morar com mãe e/ou pai - Categorizada como sim (escolares que residem com pai e mãe, residem só com a mãe, ou residem só com pai); ou não (residir sem pai e mãe); b) Supervisão familiar - Categorizada em: sim (na maior parte do tempo, sempre pais ou responsáveis sabiam realmente o que o adolescente estava fazendo); ou não (nunca, raramente, às vezes); c) Faltar às aulas sem autorização - Categorizada em não (nunca); ou sim (1 ou 2 vezes; 3 ou mais vezes nos últimos 30 dias);

III) No módulo de saúde mental foram analisadas como variáveis independentes: a) Sentir-se sozinho - agregada em não (nunca, às vezes nos últimos 12 meses); sim (na maioria das vezes, sempre nos últimos 12 meses); b) Insônia - agregada em não (nunca, as vezes nos últimos 12 meses); ou sim (na maioria das vezes, sempre nos últimos 12 meses); c) Amigos - categorizada como não (nenhum); ou sim: (1, 2, 3, ou mais amigos).

IV) Comportamentos - Uso do tabaco nos últimos 30 dias, ou regular (sim, não), Uso do Álcool regular, uso nos últimos 30 dias (sim, não), Drogas experimentação na vida (sim, não). Ter tido Relação sexual (sim, não).

Inicialmente, realizou-se o cálculo da prevalência de sofrer bullying segundo as variáveis sociodemográficas, variáveis explicativas do contexto familiar, violência familiar, saúde mental, comportamentos de risco e relação sexual. Para explorar fatores associados com o desfecho examinado, relato de sofrer bullying, procedeu-se inicialmente a análise bivariada calculando-se o Odds Ratios (ORs) bruto com seus respectivos intervalos de confiança, usando-se regressão logística bivariada. Posteriormente, procedeu-se ao modelo de regressão logística múltipla, inserindo as variáveis de interesse, com base na literatura e com p < 0,20. No modelo final ajustado (ORa), permaneceram as variáveis estatisticamente significativas com p < 0,05. Procedeu-se a análise de colinearidade e interação entre as variáveis.

Para todas as análises foram considerados a estrutura amostral e os pesos para obtenção de estimativas populacionais. Os dados foram analisados com auxílio do pacote estatístico SPSS, versão 20, adequado para análises de dados obtidos por plano amostral complexo.

Os estudantes foram informados sobre a pesquisa, sua livre participação e que poderiam interromper a mesma caso não se sentissem à vontade para responder as perguntas. Caso concordassem responderam a um questionário individual em um smarthphone sob a supervisão de pesquisadores do IBGE 22. Brasil . Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, (PeNSE), 2015 [ Internet ]. Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 [ acessado 2017 Fev 01 ]. Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/sites/www.icict.fiocruz.br/files/PENSE_Saude%20Escolar%202015.pdf
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. A PeNSE está em acordo com as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos e foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisas do Ministério da Saúde (CONEP/MS), sob Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE), em 30 de Março de 2015.

Resultados

Participaram da amostra aqui analisada 48,7% de alunos do sexo masculino, 51,3% do sexo feminino, 85,5% de escolas públicas e 14,5% de privadas; idade menor de 13 anos 0,4%, 13 a 15 anos 88,6%, 16 anos e mais 11%; raça cor branca 36,1%, preta 13,4%, parda 43,1%, amarela 4,1%, indígena 3,3%. ( Tabela 1 )

Tabela 1
Descrição da população entrevistada na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, segundo sexo, dependência administrativa, idade e cor ou raça. Brasil, 2015.

Relataram ter sofrido bullying nos últimos 30 dias 7,4% (IC95% 7,2-7,6) dos alunos, sem diferença segundo sexo. Estudantes de 13 anos relataram mais bullying com prevalência de 8,8% (IC95% 8,1-9,5), reduzindo após 14 anos, chegando aos 16 anos a 6,8% (IC95% 6,3-7,3). Escolares de raça preta referem prevalência de 8,2% (IC95% 7,2-9,3), as demais raças sem diferença estatística.

A prática foi mais frequente entre os escolares que estudam na escola pública, e entre adolescentes cujas mães não têm escolaridade com prevalência de 9,3% (IC95% 8,5-10,3), sem diferença entre morar ou não com os pais. Os estudantes que trabalham referem mais bullying com 9,8% (IC95% 9,3-10,3), e os que recebem pelo trabalho com 9,3% (IC95% 8,8-9,8). Entre as características da saúde mental foi mais frequente a prática de bullying entre os que relatam solidão com 16,6% (IC95% 16,1-17,2), insônia com 15,2% (IC95% 14,5-15,8), e não tem amigos com 14,1% (IC95% 13,0-15,1).

Dentre as características da família, sofrem mais vitimização escolares que relatam apanhar de familiares com 15,4% (IC95% 14,8-16,0) e os que faltam as aulas sem comunicar a família com 9,9% (IC95% 9,5-10,3). Diferentemente os que relatam supervisão familiar sofrem menos com 6,7% (IC 95% 6,5-6,9).

Dentre os que relatam comportamentos de risco, sofrer bullying foi mais frequente em escolares que usam de tabaco com 12,7% (IC95% 11,4-14,0), álcool com 8,8% (IC95% 8,5-9,2), experimentaram drogas com 8,9% (IC95% 8,3-9,5), bem como em escolares que relataram ter tido relação sexual, com 8,1% (IC95%7,8-8,5). A Tabela 2 mostra o OR bruto das variáveis.

Tabela 2
Frequência da ocorrência de bullying entre escolares do 9º ano do Ensino Fundamental, prevalência e OR Bruto, segundo fatores sociodemográficos, variáveis do contexto familiar, saúde mental e comportamentos. Brasil, 2015.

Procedeu-se à análise de regressão multivariada ajustado por todas as variáveis do modelo e a idade de 13 anos mostrou maior chance de sofrer bullying. Ao contrário, escolares com menos de 13 anos tiveram menor chance (ORa = 0,58 IC 95% 0,35– 0,95) e também os mais velhos: 14 anos com (ORa = 0,72 IC 95% 0,67– 0,77), 15 anos com (ORa = 0,63 IC 95% 0,58– 0,69), escolares com 16 anos com (ORa = 0,51 IC 95% 0,46– 0,57) sofreram menos bullying . Escolares do sexo feminino (ORa = 0,69 IC 95% 0,65 – 0,73) e alunos que estudam em escola privada (ORa = 0,84 IC 95% 0,77– 0,92), tiveram menor chance de sofrer bullying . Ainda entre as variáveis sociodemográficas, ser filho de mães sem escolaridade aumentou a chance de sofrer bullying (ORa = 1,30 IC 95% 1,15– 1,47) , bem como trabalhar atualmente (ORa 1,33 IC95% 1,23-1,43), enquanto receber remuneração, perdeu a significância estatística ( Tabela 3 ).

Tabela 3
Fatores de risco associados a sofrer bullying entre escolares do 9º ano do ensino fundamental. Brasil, 2015.

Entre as variáveis da saúde mental permaneceram no modelo final com maior chance de bullying os que relataram sentir-se solitários com (ORa 2,88 IC95% 2,69-3,08), ter insônia com (ORa 1,50 IC95% 1,39-1,62), não ter amigos com (ORa 1,67 IC95% 1,49-1,86). No contexto familiar mostraram mais chance de vitimização escolares que referiram ter apanhado de familiares com (ORa 2,35 IC95% 2,2-2,5) e faltaram as aulas sem comunicar aos pais com (ORa 1,40 IC95% 1,31-1,49). Dentre os comportamentos de risco, sofreram mais bullying quem teve uso regular do tabaco com (ORa 1,16 IC95% 1,03-1,31). A experimentação de drogas inverteu a direção e mostrou no modelo multivariado, menor chance de vitimização com (ORa 0,82 IC95% 0,74-0,91). Demais variáveis não se mantiveram no modelo multivariado ( Tabela 3 ).

Discussão

O estudo atual sobre adolescentes brasileiros entrevistados na PeNSE 2015 identificou que 7,4% referiram sofrer bullying. A analise multivariada apontou que tem maior chance de sofrer bullying escolares do sexo masculino, de 13 anos, que estudavam na escola pública, cujas mães não têm escolaridade e que trabalham. Aspectos da saúde mental como solidão e insônia também mostraram mais chance de vitimização, assim como o uso do tabaco, sofrer agressão física dos familiares, faltar às aulas sem avisar aos pais. O uso de drogas foi protetor.

O tema bullying tem tido interesse crescente na literatura em anos recentes 11. World Health Organizatin (WHO) . Social determinants of health and well-being among young people. Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) study: international report from the 2009/2010 survey . Copenhagen : WHO Regional Office for Europe ; 2012 . [ Health Policy for Children and Adolescents, Nº 6 ],2626. Costa MR , Xavier CC , Andrade AC , Proietti FA , Caiaffa WT . Bullying among adolescents in a Brazilian urban center - “Health in Beagá Study” . Rev Saude Publica 2015 ; 49 ( 56 ): 1 - 10 .,2727. Mello FCM , Malta DC , Prado RR , Farias MS , Alencastro LCS , Silva MAI . Bullying e fatores associados em adolescentes da Região Sudeste segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar . Rev Bras Epidemiol 2016 ; 19 ( 4 ): 866 - 877 . . A prevalência de vitimização varia em diversos estudos e países. Na Europa e América do Norte estudos descreveram a prevalência de sofrer bullying entre 5 a 20% 2828. Carlyle KE , Steinman KJ . Demographic differences in the prevalence, co-occurrence, and correlates of adolescent bullying at school . J Sch Health 2007 ; 77 ( 9 ): 623 - 629 .,2929. Schnohr C , Niclasen BV . Bullying among Greenlandic school children: development since 1994 and relations to health and health behavior . Int J Circumpolar Health 2006 ; 65 ( 4 ): 305 - 312 . , na África, entre 21 a 40% 3030. Liang H , Flisher AJ , Lombard CJ . Bullying, violence, and risk behavior in South African school students . Child Abuse Negl 2007 ; 31 ( 2 ): 161 - 171 . . No Brasil, estudo transversal aninhado a uma coorte em Pelotas, em 1.075 alunos, da 1ª à 8ª série, de duas escolas públicas identificou 17,6% do total de 1.075 estudantes sofriam bullying3131. Moura DR , Cruz ACN , Quevedo LA . Prevalência e características de escolares vítimas de bullying . J Pediatr ( Rio J ) 2011 ; 87 ( 1 ): 19 - 23 .. Em Caxias do Sul, RS, no ano de 2011, dentre 1.230 escolares do sexto ano (de 11 a 14 anos), 10,2% eram vítimas e 7,1% praticavam o bullying3232. Rech RR , Halpern R , Tedesco A , Santos DF . Prevalence and characteristics of victims and perpetrators of bullying . J Pediatr ( Rio J ) 2013 ; 89 ( 2 ): 164 - 170 ..

Estas diferentes prevalências podem ser explicadas pelo emprego de metodologias distintas, como o desenho da pesquisa, amostragem, idade pesquisada, questionários utilizados com diferentes perguntas, período e frequência considerados para caracterizar o evento, além dos tipos de bullying considerados (verbal, físico, psicológico, sexual, outros) 1010. Pigozi PL , Machado AL . Bullying na adolescência: visão panorâmica no Brasil . Cien Saude Colet 2015 ; 20 ( 11 ): 3509 - 3522 . e outras características culturais 2626. Costa MR , Xavier CC , Andrade AC , Proietti FA , Caiaffa WT . Bullying among adolescents in a Brazilian urban center - “Health in Beagá Study” . Rev Saude Publica 2015 ; 49 ( 56 ): 1 - 10 . .

A maioria das investigações aponta maior ocorrência entre meninos 3131. Moura DR , Cruz ACN , Quevedo LA . Prevalência e características de escolares vítimas de bullying . J Pediatr ( Rio J ) 2011 ; 87 ( 1 ): 19 - 23 .

32. Rech RR , Halpern R , Tedesco A , Santos DF . Prevalence and characteristics of victims and perpetrators of bullying . J Pediatr ( Rio J ) 2013 ; 89 ( 2 ): 164 - 170 .

33. Fleming LC , Jacoben KH . Bullying among middle-school students in low and middle income countries . Health Promot Int 2010 ; 25 ( 1 ): 73 - 84 .
-3434. Klomek AB , Marroco F , Kleinman M , Schnofeld IS , Gould MS . Peer victimization, depression, and suicidiality in adolescents . Suicide Life Threat Behav 2008 ; 38 ( 2 ): 166 - 180 . , embora estudo de Costa et al. 2626. Costa MR , Xavier CC , Andrade AC , Proietti FA , Caiaffa WT . Bullying among adolescents in a Brazilian urban center - “Health in Beagá Study” . Rev Saude Publica 2015 ; 49 ( 56 ): 1 - 10 . em Belo Horizonte não tenha encontrado diferença significativa entre os sexos e Ybarra et al. 3535. Ybarra ML , Diener-West M , Leaf PJ . Examining the overlap in internet harassment and school bullying: implications for school intervention . J Adolesc Health 2007 ; 41 ( 6 Supl. 1 ): S42 - 50 . tenham encontrado maior frequência de vitimização pela internet entre as meninas. O estudo atual confirmou maior chance entre escolares do sexo masculino após a análise multivariada. Destaca-se a importância desta análise, pois os dados brutos não haviam apontado esta diferença.

A maioria dos estudos descreve ocorrência mais elevada em estudantes mais jovens 2727. Mello FCM , Malta DC , Prado RR , Farias MS , Alencastro LCS , Silva MAI . Bullying e fatores associados em adolescentes da Região Sudeste segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar . Rev Bras Epidemiol 2016 ; 19 ( 4 ): 866 - 877 .,2929. Schnohr C , Niclasen BV . Bullying among Greenlandic school children: development since 1994 and relations to health and health behavior . Int J Circumpolar Health 2006 ; 65 ( 4 ): 305 - 312 .,3535. Ybarra ML , Diener-West M , Leaf PJ . Examining the overlap in internet harassment and school bullying: implications for school intervention . J Adolesc Health 2007 ; 41 ( 6 Supl. 1 ): S42 - 50 . , coincidente com o estudo atual, maior chance de sofrer vitimização aos 13 anos, comparados com 14, 15 e 16 anos e mais. Cabe destacar, que apesar de ocorrência elevada em escolares menores de 13 anos, a mostra da PeNSE é constituída de escolares de 9º ano, concentrando na maioria estudantes entre 13 e 15 anos, assim a amostra de Nono ano escolar da PeNSE não tem poder estatístico para representar estudantes com menos de 13 anos. Cabe destacar, que nesta mesma pesquisa, o IBGE incluiu subamostra, de alunos por idade, 13 a 17 anos, que confirmou a premissa, de menor prevalência de bullying em escolares de 13 anos 22. Brasil . Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, (PeNSE), 2015 [ Internet ]. Rio de Janeiro : IBGE ; 2016 [ acessado 2017 Fev 01 ]. Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/sites/www.icict.fiocruz.br/files/PENSE_Saude%20Escolar%202015.pdf
https://www.icict.fiocruz.br/sites/www.i...
.

A PeNSE 2015 identificou associação entre sofrer bullying e características como sentir-se sozinho, insônia e a falta de amigos. Este tema é de grande relevância e deve ser monitorado, dado que estudos tem associado bullying com solidão, ansiedade, insônia, tristeza, além de depressão, estresse pós-traumático e pensamentos suicidas 1818. Henry KL , Lovegrove PJ , Steger MF , Chen PY , Cigularov KP , Tomazic RG . The potential role of meaning in life in the relationship between bullying victimization and suicidal ideation . J Youth Adolesc 2013 ; 43 ( 2 ): 221 - 232 .,3535. Ybarra ML , Diener-West M , Leaf PJ . Examining the overlap in internet harassment and school bullying: implications for school intervention . J Adolesc Health 2007 ; 41 ( 6 Supl. 1 ): S42 - 50 .,3636. Morris EB , Zhang B , Bondy SJ . Bullying and smoking: examining the relationships in Ontario adolescents . J Sch Health 2006 ; 76 ( 9 ): 465 - 470 . . A literatura aponta a extensão do problema e as graves consequências para a saúde presente e futura dos adolescentes, inclusive o stress pós-traumático 3737. Albuquerque PP , Williams LCA , D’Affonseca SM . Efeitos Tardios do Bullying e Transtorno de Estresse Pós Traumático: Uma Revisão Crítica . Psic Teor Pesq 2013 ; 29 ( 1 ): 91 - 98 . . Assim, a PeNSE 2015 possibilitou identificar estas associações em pesquisa de âmbito nacional, monitorando aspectos da saúde mental, que podem resultar em depressão e graves consequências para a saúde mental.

Diferentes estudos no mundo têm apontado associação entre a vitimização e comportamentos de risco como uso do tabaco, álcool e drogas 3434. Klomek AB , Marroco F , Kleinman M , Schnofeld IS , Gould MS . Peer victimization, depression, and suicidiality in adolescents . Suicide Life Threat Behav 2008 ; 38 ( 2 ): 166 - 180 .,3535. Ybarra ML , Diener-West M , Leaf PJ . Examining the overlap in internet harassment and school bullying: implications for school intervention . J Adolesc Health 2007 ; 41 ( 6 Supl. 1 ): S42 - 50 .,3737. Albuquerque PP , Williams LCA , D’Affonseca SM . Efeitos Tardios do Bullying e Transtorno de Estresse Pós Traumático: Uma Revisão Crítica . Psic Teor Pesq 2013 ; 29 ( 1 ): 91 - 98 .,3838. Tharp-Taylor S , Haviland A , D’Amico EJ . Victimization from mental and physical bullying and substance use in early adolescence . Addict Behav 2009 ; 34 ( 6-7 ): 561 - 567 . Também no Brasil, estudo realizado em Belo Horizonte, encontrou maior prevalência de bullying entre adolescentes que relataram envolvimento em brigas, uso de drogas, episódio de embriaguez e consumo de cigarro 2626. Costa MR , Xavier CC , Andrade AC , Proietti FA , Caiaffa WT . Bullying among adolescents in a Brazilian urban center - “Health in Beagá Study” . Rev Saude Publica 2015 ; 49 ( 56 ): 1 - 10 . . Malta et al. 2424. Malta DC , Prado RR , Dias AJC , Mello FCM , Silva MAI , Costa MR , Caiaffa WT . Bullying e fatores associados em adolescentes brasileiros: análise da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2012) . Rev Bras Epidemiol 2014 ; 17 ( Supl. 1 ): 131 - 145 . também descreveram associação entre bullying e o uso do tabaco nos últimos 30 dias analisando dados para o Brasil. Enquanto Mello et al. 2727. Mello FCM , Malta DC , Prado RR , Farias MS , Alencastro LCS , Silva MAI . Bullying e fatores associados em adolescentes da Região Sudeste segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar . Rev Bras Epidemiol 2016 ; 19 ( 4 ): 866 - 877 . , em analise multivariada da PeNSE 2012 para a região Sudeste, encontraram que o álcool foi fator de proteção para vitimização do bullying, o que foi atribuído ao fato de ser consumido por grupos de amigos, tornando-se um fator de socialização e de convívio entre os pares. No estudo atual, apenas o uso do tabaco esteve associado ao bullying .

Carvalhosa et al. 2222. Carvalhosa S , Lima L , Matos MG . Bullying – A provocação/vitimação entre pares no contexto escolar português . Anál Psicol 2001 ; 4 ( 19 ): 523 - 537 . encontraram que entre os estudantes que sofreram bullying, o uso de drogas foi menor. No estudo atual, na análise bruta, a experimentação de drogas mostrou maior chance de vitimização, o que se inverteu na análise multivariada, mostrando-se protetor. Ao testar colinearidade e interação entre as variáveis do domínio comportamentos de risco, dados não mostrados, foi detectada interação negativa entre relação sexual e uso de drogas. Ambos comportamentos são mais frequentes em escolares mais velhos, 15 anos e mais. Assim, o fato do bullying ter sido mais frequente em escolares mais jovens, 13 anos, pode explicar a mudança na direção no comportamento da variável “uso de drogas”, mostrando-se protetora na análise multivariada, por estar associada a escolares mais velhos, que, em geral, sofrem menos bullying. Da mesma forma, a perda de significância entre relação sexual e vítimas de bullying também pode ser explicado pela interação negativa aqui identificada. Assim, o estudo atual diferiu do que foi descrito na literatura internacional, que tem associado atividade sexual e bullying 3939. Rudatsikira E , Siziya S , Kazembe LN , Muula AS . Prevalence and associated factors of physical fighting among school-going adolescents in Namibia . Ann Gen Psychiatry 2007 ; 6 : 18 . .

A ocorrência de faltar às aulas sem comunicar aos pais esteve associada ao bullying, bem como agressão familiar. Estes indicadores denotam falta de vínculos familiares, ambientes de insegurança e violência, que também resultam em agravos para a saúde física e mental dos adolescentes 4040. Andrade SC , Yokota RT , Sá NN , Silva MM , Araújo WN , Mascarenhas MM , Malta DC . Relação entre violência física, consumo de álcool e outras drogas e bullying entre adolescentes escolares brasileiros . Cad Saude Publica 2012 ; 28 ( 9 ): 1725 - 1736 .,4141. Youngblade LM , Theokas C , Schulenberg J , Curry L , Huang IC , Novak M . Risk and promotive factors in families, schools, and communities: a contextual model of positive youth development in adolescence . Pediatrics 2007 ; 119 ( 1 ): 47 - 53 . .

Esta perspectiva associada à vulnerabilidade das vítimas de bullying ainda é explicada por estudos que têm apontado que aspectos específicos do baixo autoconceito, seja físico, acadêmico, emocional ou social, e a baixa autoestima, levam a uma maior vitimização ao longo do tempo, bem como podem desencadear comportamentos agressivos 1111. Sanders CE , Phye GD . Bullying: implications for the classroom . London : Elsevier Academic Press ; 2004 . .

Isto posto, reitera-se a importância de se considerar a atenção às vítimas e vítimas agressoras uma vez que é nesse o grupo que podemos evidenciar maior vulnerabilidade uma vez que apresenta um efeito não apenas aditivo, mas reprodutivo do fenômeno, com níveis mais elevados de envolvimento em comportamentos violentos fora da escola, de uso de substancias, depressão, ansiedade e com os piores resultados em avaliações de ajustamento psicossocial 4242. Zequinão MA , Medeiros P , Pereira B , Cardoso FL . Bullying escolar: um fenômeno multifacetado . Educ. Pesqui . 2016 ; 42 ( 1 ): 181 - 198 . .

Outro tema ainda pouco estudado consiste na relação com o trabalho. Na fase de desenvolvimento dos adolescentes, as relações sociais são propulsoras da construção de valores, de modos de pensar e agir. Assim, crianças e adolescentes inseridas na produção interrompem estes processos e podem sofrer discriminação, o que pode explicar a maior vitimização aqui encontrada em escolares que trabalham 4343. Cruz MNA , Assunção AA . Estrutura e Organização do Trabalho Infantil de Rua em Belo Horizonte, MG, Brasil . Saúde Soc . 2008 ; 17 ( 1 ): 131 - 142 . . Ter rendimentos não se manteve no modelo final, provavelmente pelo fato do trabalho ser marcador do mesmo fenômeno.

A PeNSE é o mais amplo estudo entre escolares no país, representando Brasil, Unidades Federadas, capitais, escolas públicas e privadas, além de inserir diversos temas de interesse para a saúde do escolar. Como se trata de informações autorreferidas, pode-se esperar diferenças na interpretação sobre o ato de sofrer o bullying e as demais variáveis. As associações aqui identificadas devem ser vistas com reserva, em função do modelo transversal e na medida simultânea do bullying e fatores associados, limitando afirmações sobre temporalidade. Além disto, sentimentos de abandono, solidão e tristeza das vítimas, podem leva-los a adotar comportamentos de risco 2222. Carvalhosa S , Lima L , Matos MG . Bullying – A provocação/vitimação entre pares no contexto escolar português . Anál Psicol 2001 ; 4 ( 19 ): 523 - 537 . . Outras variáveis associadas com o evento, podem não ter sido incluídas no estudo atual.

Conclusão

Conclui-se pela associação entre a vitimização na escola e variáveis sociodemográficas, como ser do sexo masculino, mais jovem, com piores condições socioeconômicas, como filhos de mães sem estudo, que estudam na escola pública e trabalham. Contribuem ainda ambiente familiar desfavorável, como agressão familiar, sem diálogos, sofrimento mental, e escolares com uso regular do tabaco. Estes dados podem apoiar políticas públicas de proteção. O bullying pode afetar a saúde física e mental dos adolescentes, demandando atuação integrada de educadores, profissionais de saúde, pais e a comunidade em geral. As iniciativas devem se pautar pela promoção da saúde e proteção, integralidade e intersetorialidade.

Agradecimentos

Os autores agradecem ao Ministerio da Saude, Secretaria de Vigilância em Saúde, apoio TED.

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Histórico

  • Recebido
    20 Jan 2017
  • Revisado
    18 Abr 2017
  • Aceito
    22 Jun 2017
  • Publicação Online
    02 Maio 2019
  • Publicação em número
    Abr 2019
ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: revscol@fiocruz.br