Tendências temporais na incidência de câncer no estado de Mato Grosso, Brasil, de 2001 a 2016

Tendencias temporales de la incidencia del cáncer en el estado de Mato Grosso, Brasil, de 2001 a 2016

Viviane Cardozo Modesto Noemi Dreyer Galvão Rita Adriana Gomes de Souza Mário Ribeiro Alves Maria Teresa Bustamante-Teixeira Amanda Cristina de Souza Andrade Sobre os autores

Resumo

O objetivo foi analisar a tendência temporal na incidência de câncer nas macrorregiões de saúde do estado de Mato Grosso de 2001 a 2016. Estudo ecológico de série temporal com dados do Registro de Câncer de Base Populacional de Mato Grosso. Foram calculadas as taxas de incidência padronizadas por idade, desagregadas por ano, sexo, macrorregião e tipo de câncer. Para homens, a tendência foi crescente para o câncer de próstata para o estado e as macrorregiões Centro-Noroeste, Leste, Oeste e Sul, e para o câncer colorretal na Norte; e decrescente para o câncer de estômago no estado e Centro-Noroeste e Norte, para o câncer de pulmão na Leste e para o câncer de esôfago na Centro-Noroeste. Para mulheres, a tendência foi crescente para o câncer de mama no estado de 2009 a 2016; para o câncer de pulmão no estado (2008 a 2016) e na macrorregião Centro-Norte (2001 a 216) e Sul (2007 a 2016); e decrescente para o câncer de colo do útero no estado e para todas as macrorregiões, e para o câncer de estômago no estado e na Centro-Noroeste. O câncer colorretal apresentou tendência estável para o estado e todas as macrorregiões. As ações de vigilância, prevenção e controle do câncer devem considerar as diferenças regionais e de magnitude na ocorrência da doença.

Palavras-chave:
Neoplasias; Incidência; Estudos de séries temporais; Sistemas de informação

Resumen

El objetivo era analizar la tendencia temporal de la incidencia de cáncer en las macrorregiones sanitarias del estado de Mato Grosso de 2001 a 2016. Estudio de serie temporal ecológica con datos del Registro Poblacional de Cáncer de Mato Grosso. Se calcularon tasas de incidencia estandarizadas por edad desglosadas por año, sexo, macrorregión y tipo de cáncer. Para los hombres, la tendencia fue creciente para el cáncer de próstata en el estado y las macrorregiones Centro Noroeste, Este, Oeste y Sur, y para el cáncer colorrectal en el Norte; y una disminución para el cáncer de estómago en el estado y el Centro Noroeste y el Norte, para el cáncer de pulmón en el Este y para el cáncer de esófago en el Centro Noroeste. Para las mujeres, la tendencia fue creciente para el cáncer de mama en el estado de 2009 a 2016; para cáncer de pulmón en el estado (2008 a 2016) y en las macrorregiones Centro Norte (2001 a 216) y Sur (2007 a 2016); y en disminución para el cáncer de cuello uterino en el estado y para todas las macrorregiones, y para el cáncer de estómago en el estado y en el Centro Noroeste. El cáncer colorrectal mostró una tendencia estable en el estado y en todas las macrorregiones. Las acciones de vigilancia, prevención y control del cáncer deben considerar las diferencias regionales y de magnitud en la ocurrencia de la enfermedad.

Palabras clave:
Neoplasias; Incidencia; Estudios de series temporales; Sistemas de información

Introdução

O câncer é um importante problema de saúde pública em todo o mundo, devido à alta morbimortalidade e ao alto custo do tratamento, e apresenta tendência de aumento nas taxas de incidência nas últimas décadas. Esse crescimento pode ser explicado em parte pelo envelhecimento, pelo crescimento populacional e também pela mudança na distribuição dos fatores de risco de câncer, especialmente os modificáveis, como consumo de tabaco e álcool, inatividade física, sobrepeso e obesidade, alimentação inadequada, além das condições sociais, ambientais, políticas e econômicas11 World Health Organization (WHO). Global Action plan for the prevention and control of noncommunicable diseases 2013-2020. Geneva: WHO; 2018.,22 Bray F, Ferlay J, Soerjomataram I, Siegel RL, Torre LA, Jemal A. Global cancer statistics 2018: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin 2018; 68(6):394-424..

No mundo, em homens, o câncer mais incidente em países em desenvolvimento foi o câncer de próstata (11,3 por 100 mil/homens), seguido do câncer de pulmão (10,3 por 100 mil/homens), e para mulheres foi o câncer de mama (55,9 por 100 mil/mulheres), seguido do câncer colorretal (20,0 por 100 mil/mulheres)33 Sung, H, Ferlay, J, Siegel, RL, Laversanne, M, Soerjomataram, I, Jemal, A, Bray, F. Global cancer statistics 2020: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin 2021: 71: 209- 249.. No Brasil (2023-2025), o câncer de próstata (55,49 por 100 mil/ homens), pulmão (12,43 por 100 mil/homens) e colorretal (12,43 por 100 mil/ homens) foram os mais incidentes entre homens, e para as mulheres o câncer de mama (41,89 por 100 mil/mulheres), colo de útero (13,25 por 100 mil/mulheres) e colorretal (11,06 por 100 mil/mulheres), excluindo os cânceres de pele não-melanoma. Em Mato Grosso, entre homens, os tipos de câncer mais incidentes foram o de próstata, colorretal e pulmão, e para mulheres o câncer de mama, colorretal e colo do útero44 Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA; 2022.. No entanto, não há informações sobre a incidência dos vários tipos de câncer, no estado, desagregadas por região geográfica.

Análises desagregadas em unidades geográficas menores permitem investigar melhor as relações e interações entre a incidência de câncer e as mudanças das dimensões socioeconômicas, demográficas e da disponibilidade dos serviços de saúde. Além de contribuir para a identificação de prioridades no controle da doença, com o subsídio para o planeamento e gestão de serviços de saúde55 Oliveira JFP, Lima FCS, Galvão ND, Souza PCF. Cancer incidence in Mato Grosso state, Brazil: analysis of population-based registries (2007 a 2011). Rev Bras Epidemiol 2022; 25(Supl. 1):e220010..

Para a compreensão da magnitude do câncer, os registros de câncer de base populacional (RCBP) têm sido uma importante fonte de dados secundária sobre todos os novos diagnósticos de câncer que ocorrem em populações dentro de uma área geográfica definida66 Bray F, Znaor A, Cueva P, Korir A, Swaminathan R, Ullrich A, Wang SA, Parkin DM. Planning and Developing Population-based Cancer Registration in Low- and Middle-income Settings. Lyon: International Agency for Research on Cancer; 2014.. No estado de Mato Grosso, os RCBP Cuiabá e Interior, apesar de sua complexidade operacional, permitem determinar, anualmente, a incidência e a distribuição do câncer no estado e em unidades geográficas menores, como macrorregiões de saúde, regiões de saúde e municípios77 Ribeiro AG, Ferlay J, Piñeros M, Latorre MDRDO, Fregnani JHTG, Bray F. Geographic variations in cancer incidence and mortality in the State of São Paulo, Brazil 2001-17. Cancer Epidemiol 2023; 85:102403..

O estado de Mato Grosso é caracterizado por áreas geográficas heterogêneos e com desigualdades regionais88 Scatena JHG, Oliveira LR, Galvão ND, Neves MAB. O uso de indicadores compostos para classificação das regiões de saúde de Mato Grosso. In: Scatena JHG, Kehrig RT, Spinelli MAS, organizadores. Regiões de saúde: diversidade e processo de regionalização em Mato Grosso. São Paulo: Hucitec; 2014. p. 169-192., além de transformações socioeconômicas e ambientais, que podem interferir nos processos de carcinogênese combinando diferentes fatores de risco. A economia do estado se baseia na produção de commodities agrícolas (soja, algodão, cana-de-açúcar e milho), por meio do modelo produtivo do agronegócio99 Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária. Mapa das macrorregiões do IMEA [Internet]. 2017. [acessado 2023 set 20]. Disponível em: https://www.imea.com.br/imea-site/view/uploads/metodologia/justificativamapa.pdf
https://www.imea.com.br/imea-site/view/u...
, o que o torna o maior consumidor de agrotóxicos do Brasil nos últimos anos1010 Pignati WA, Lima FANSE, Lara SS, Correa MLM, Barbosa JR, Leão LHDC, Pignatti MG. Spatial distribution of pesticide use in Brazil: a strategy for Health Surveillance. Cien Saude Colet 2017; 22(10):3281-3293.. Nesse sentido, o objetivo do estudo foi analisar a tendência temporal na incidência de câncer nas macrorregiões de saúde do estado de Mato Grosso de 2001 a 2016.

Métodos

Trata-se de um estudo ecológico de série temporal dos cinco tipos de câncer mais incidentes por sexo, excluindo câncer de pele não-melanoma, nas macrorregiões de saúde do estado de Mato Grosso no período de 2001 a 2016.

Mato Grosso está localizado na região Centro-Oeste do Brasil e é composto por 141 municípios, agregados em seis macrorregiões de saúde (Centro-Norte, Centro-Noroeste, Leste, Norte, Oeste e Sul)1111 Governo do Estado de Mato Grosso. Secretaria Estadual de Saúde. Resolução CIB/MT nº 57 de 26 de julho de 2018. Dispõe sobre as diretrizes do Planejamento Regional Integrado (PRI) estabelece a conformação das 16 (dezesseis) regiões de saúde no Estado de Mato Grosso em 06 (seis) macrorregiões [Internet]. 2018. [acessado 2023 abr 16]. Disponível em: http://www.saude.mt.gov.br/upload/noticia/2/arquivo/240820160127-SES-MT-A-mapa-de-saude-mt-2020.pdf
http://www.saude.mt.gov.br/upload/notici...
. A capital do estado, Cuiabá, pertence à macrorregião Centro-Norte, assim como Várzea Grande, que é o segundo município de maior população1212 Brasil. Ministério da Saúde (MS). Demográficas e socioeconômicas - população residente [Internet]. [acessado 2023 set 17]. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/
https://datasus.saude.gov.br/informacoes...
.

As macrorregiões de saúde são marcadas por diferenças demográficas, socioeconômicas e de saúde, que refletem o perfil das regiões de saúde que as integram88 Scatena JHG, Oliveira LR, Galvão ND, Neves MAB. O uso de indicadores compostos para classificação das regiões de saúde de Mato Grosso. In: Scatena JHG, Kehrig RT, Spinelli MAS, organizadores. Regiões de saúde: diversidade e processo de regionalização em Mato Grosso. São Paulo: Hucitec; 2014. p. 169-192.,1313 Martinelli NL, Scatena JHG, Castro ML, Soares NRF, Charbel SC, Souza NFDS, Medeiros ARS, Souza DPO. Análise da estruturação da Rede de Atenção à Saúde no estado de Mato Grosso, Brasil, no contexto da Regionalização. Cien Saude Colet 2023; 28(2):585-598.. Os serviços de atenção especializada em oncologia se distribuem em cinco macrorregiões assistenciais, e sua oferta concentra-se na capital1414 Governo de Mato Grosso. Secretaria de Estado de Saúde. Resolução CIB/MT Ad referendum n° 001 de 20 de fevereiro de 2017. Dispõe sobre a Aprovação do Plano de Ação da Atenção Oncológica no Estado de Mato Grosso de 2017 a 2019 [Internet]. 2017. [acessado 2023 set 20]. Disponível em: www.saude.mt.gov.br/arquivo/7317
www.saude.mt.gov.br/arquivo/7317...
. Na Tabela 1 são apresentadas as características das macrorregiões de saúde: a) população residente e 60 anos ou mais (2021); b) renda média domiciliar per capita (IBGE, 2010); c) taxa de analfabetismo (IBGE, 2010); d) percentual da população com 2º ciclo fundamental completo ou mais (IBGE, 2010); e) produto interno bruto per capita (PIB per capita) (IBGE, 2010); f) cobertura de equipes da atenção básica (2015); g) procedimentos ambulatoriais de média e alta complexidade por 100 habitantes (2015). As informações foram obtidas do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS)1212 Brasil. Ministério da Saúde (MS). Demográficas e socioeconômicas - população residente [Internet]. [acessado 2023 set 17]. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/
https://datasus.saude.gov.br/informacoes...
,1515 Brasil. Ministério da Saúde (MS). Indicadores de saúde e pactuações - rol de diretrizes, objetivos, metas e indicadores 2013-2015 - edição 2015 [Internet]. 2013. [acessado 2023 set 20]. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/
https://datasus.saude.gov.br/informacoes...
.

Tabela 1
Características demográficas, socioeconômicas e de saúde das macrorregiões de saúde do estado de Mato Grosso.

Os dados dos casos novos de câncer foram obtidos através do RCBP-Interior e RCBP-Cuiabá. O período escolhido para o estudo foi definido com base nas informações atualizadas do projeto de extensão “Vigilância de Câncer e seus fatores associados: atualização dos registros de base populacional e hospitalar”. A população censitária de 2010 e as estimativas populacionais intercensitárias utilizadas como denominadores para os cálculos das taxas de incidência foram extraídas do Tabnet - DATASUS1212 Brasil. Ministério da Saúde (MS). Demográficas e socioeconômicas - população residente [Internet]. [acessado 2023 set 17]. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/
https://datasus.saude.gov.br/informacoes...
.

Foram selecionados os cinco tipos de câncer mais incidentes, conforme a distribuição dos dados no estado, excluindo câncer de pele não-melanoma, segundo sexo e considerando a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10): (C61) próstata; (C33-C34) pulmão; (C18-C19-C20-C21) colorretal; (C16) estômago; e (C15) esôfago, para o sexo masculino e (C53) colo do útero; (50) mama; (C18-C19-C20-C21) colorretal; (C33-C34) pulmão; e (C16) estômago, para o sexo feminino. Foram excluídos todos os casos de neoplasia benignas, de comportamento incerto ou desconhecido (D00-D48).

Foram calculadas as taxas de incidência padronizadas por idade, por 100 mil habitantes, com base na população padrão mundial proposta por Segi1616 Segi M. Cancer mortality for selected sites in 24 countries (1950-57). Sendai: Tohoku University School of Medicine; 1960.. Foi utilizado o método direto e estimadas a partir das taxas específicas por idade em intervalos de dez anos, desagregadas por ano, sexo, macrorregião e câncer.

Para a análise de tendência da incidência foi utilizada a regressão por joinpoint usando o ano calendário como variável regressora. A regressão de joinpoint descreve a relação entre duas variáveis por meio de regressão linear por partes, em que as mudanças de padrão são conectadas por pontos de inflexão1717 Kim HJ, Fay MP, Feuer EJ, Midthune DN. Permutation tests for joinpoint regression with applications to cancer rates. Stat Med 2000; 15;19(3):335-351.. A autocorrelação serial foi verificada pelo teste de Durbin-Watson. A suposição de normalidade foi verificada pelo teste de Shapiro-Wilk, e de homoscedasticidade pelo teste de Breusch-Pagan. A escolha do modelo de análise se deu a partir da verificação das suposições do modelo. Foram calculadas a variação percentual anual (APC - annual percent change) e a variação percentual média anual (AAPC - average annual percent change) - média geométrica ponderada das diferentes APC com peso igual ao tamanho do segmento para cada intervalo de tempo1717 Kim HJ, Fay MP, Feuer EJ, Midthune DN. Permutation tests for joinpoint regression with applications to cancer rates. Stat Med 2000; 15;19(3):335-351.. APC positiva significa tendência crescente, APC negativa significa tendência decrescente, e p-valor > 0,05 significa tendência estável. Foi utilizado o software Joinpoint Regression Program, versão 8.3.6.1 (Statistical Research and Applications Branch, National Cancer Institute, Bethesda, Estados Unidos), para a análise de tendência, e o software STATA, versão 16.0, para a análise descritiva e os gráficos.

O referido projeto está inserido em um projeto maior com o título “Câncer e seus fatores associados: análises de registro de base populacional e hospitalar de Mato Grosso”, encaminhado ao Comitê de Ética e Pesquisa de Saúde da UFMT, com parecer de aprovação número 4.858.521, de 20 de julho de 2021. O projeto tem parceria e financiamento do Ministério Público do Trabalho, 23ª Região, com vigência de julho de 2019 a julho de 2023.

Resultados

No período de 2001 a 2016, o estado de Mato Grosso notificou 74.756 novos casos de câncer (incluindo de pele não-melanoma), 53,0% no sexo masculino. Os mais frequentes para homens foram próstata (22,8%), pulmão (6,7%), estômago (5,5%), colorretal (5,0%) e esôfago (3,2%). Em mulheres foram mama (19,6%), colo do útero (13,2%), colorretal (5,6%), pulmão (4,0%) e estômago (3,0%).

A taxa de incidência entre homens aumentou para próstata (37,8 em 2001 para 44,9/100 mil homens em 2016) e colorretal (9,4 para 10,5/100 mil homens) e reduziu para pulmão (14,8 para 11,1/100 mil homens), estômago (14,0 para 8,9/100 mil homens) e esôfago (6,9 para 5,3/100 mil homens) (Figura 1). Em mulheres, a taxa aumentou para mama (31,1 para 39,4/100 mil mulheres) e colorretal (9,6 para 10,9/100 mil mulheres), e uma pequena redução para colo do útero (33,5 para 17,7/100 mil mulheres), pulmão (7,9 para 7,8/100 mil mulheres) e estômago (6,3 para 5,1/100 mil mulheres) (Figura 2).

Figura 1
Taxa de incidência padronizada dos cinco tipos de câncer mais frequentes no sexo masculino (por 100mil/homens) segundo macrorregião de saúde do estado de Mato Grosso, 2001 a 2016.

Figura 2
Taxa de incidência padronizada dos cinco tipos de câncer mais frequentes no sexo feminino (por 100mil/mulheres) segundo macrorregião de saúde do estado de Mato Grosso, 2001 a 2016.

A Tabela 2 apresenta as variações percentuais anuais das taxas de incidência para homens. Para o câncer de próstata, foi observado aumento de 7,1% no período de 2001 a 2016 na macrorregião Leste, 5,9% na Oeste, 4,7% na Sul, 4,5% na Centro-Noroeste, e no estado de 1,7%. Para o câncer de pulmão houve redução de 3,5% da taxa de incidência na macrorregião Leste no período de 2001 a 2016 e de 4,1% no estado para o mesmo período. Para o câncer colorretal houve aumento de 4,3% na taxa de incidência na macrorregião Norte. Para o câncer de estômago, no mesmo período, foi observada redução de 2,7% na macrorregião Centro-Noroeste, de 4,5% na Norte e de 3,3% no estado, enquanto para a macrorregião Leste a redução foi observada no período de 2001 a 2009 (APC= -13,1%) e para a Oeste nos períodos de 2001 a 2008 (APC= -9,6%) e 2011 a 2016 (APC= -8,7%). Para o câncer de esôfago a redução foi verificada somente para a macrorregião Centro-Noroeste (AAPC = -4,5%).

Tabela 2
Análise de tendência das taxas de incidência padronizadas dos cinco tipos de câncer mais frequentes no sexo masculino segundo macrorregiões de saúde do estado de Mato Grosso, 2001 a 2016.

A Tabela 3 apresenta as variações percentuais anuais das taxas de incidência para mulheres. Para o câncer de mama foi observada redução de 3,0% no período de 2001 a 2009 na macrorregião Centro-Norte e aumento de 6,8% no período de 2009 a 2016 para o estado. Para o câncer de colo do útero, no período de 2012 a 2016, a tendência foi decrescente para o estado (AAPC = -6,0%) e em quase todas as macrorregiões, Centro-Noroeste (AAPC = -5,7%), Leste (AAPC = -7,6), Norte (AAPC = -7,0%), Oeste (AAPC = -5,2%) e Sul (AAPC = -4,9%). A macrorregião Centro-Norte apresentou tendência decrescente somente no período de 2003 a 2010 (APC = -11,2). Para o câncer de pulmão, a macrorregião Centro-Norte apresentou tendência crescente (AAPC = 2,6%) e a Sul apresenta uma quebra na série, com tendência decrescente no período de 2001 a 2007 (APC = -8,4%) e crescente no período de 2007 a 2016 (APC = 7,9%), e para o estado a tendência foi decrescente de 2001 a 2008 (APC = -2,9%), e crescente de 2008 a 2016 (APC = 4,8%). Para o câncer colorretal foram observadas tendências estáveis para todas as macrorregiões e o estado. O câncer de estômago apresentou redução da tendência de incidência na macrorregião Centro-Noroeste (AAPC = -5,9%) e no estado (AAPC = -2,5%) no período de 2001 a 2016.

Tabela 3
Análise de tendência das taxas de incidência padronizadas dos cinco tipos de câncer mais frequentes no sexo feminino segundo macrorregiões de saúde do estado de Mato Grosso, 2001 a 2016.

Discussão

No presente estudo foram apresentadas as tendências das taxas de incidência padronizadas dos cinco tipos de câncer mais frequentes, para ambos os sexos, no estado de Mato Grosso, e segundo as macrorregiões de saúde, no período de 2001 a 2016. De maneira semelhante ao perfil global de câncer33 Sung, H, Ferlay, J, Siegel, RL, Laversanne, M, Soerjomataram, I, Jemal, A, Bray, F. Global cancer statistics 2020: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin 2021: 71: 209- 249., e também na América do Sul e Caribe1818 Piñeros M, Laversanne M, Barrios E, Cancela CM, Vries E, Pardo C, Bray F. An updated profile of the cancer burden, patterns and trends in Latin America and the Caribbean. Lancet Reg Heal Am 2022; 13. DOI: 10.1016/j.lana.2022.100294
https://doi.org/10.1016/j.lana.2022.1002...
, os cânceres mais incidentes no estado foram próstata, mama, colorretal, pulmão e estômago. A carga de câncer no estado reflete a transição epidemiológica, com tipos de câncer associados às infecções e atribuídos ao desenvolvimento socioeconômico, bem como a hábitos de vida não saudáveis33 Sung, H, Ferlay, J, Siegel, RL, Laversanne, M, Soerjomataram, I, Jemal, A, Bray, F. Global cancer statistics 2020: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin 2021: 71: 209- 249.,66 Bray F, Znaor A, Cueva P, Korir A, Swaminathan R, Ullrich A, Wang SA, Parkin DM. Planning and Developing Population-based Cancer Registration in Low- and Middle-income Settings. Lyon: International Agency for Research on Cancer; 2014.,77 Ribeiro AG, Ferlay J, Piñeros M, Latorre MDRDO, Fregnani JHTG, Bray F. Geographic variations in cancer incidence and mortality in the State of São Paulo, Brazil 2001-17. Cancer Epidemiol 2023; 85:102403..

Para os homens, o câncer de próstata apresentou tendência crescente para o estado e para quatro das seis macrorregiões estudadas (Centro-Noroeste, Leste, Oeste e Sul). Estudo sobre a incidência e mortalidade do câncer de próstata em 89 países de 2000 a 2019, observou que a incidência aumentou em 65 países, manteve-se estável ​​em 15 e diminuiu em 9, e países com índice de desenvolvimento humano (IDH) muito alto apresentaram taxa de incidência duas vezes maior do que aqueles com baixo IDH. No Brasil, a tendência foi crescente no período (AAPC: 0,47), entretanto nos períodos de 2004 a 2007 e 2007 e 2017 apresentou tendência estável e decrescente, respectivamente1919 Wang L, Lu B, He M, Wang Y, Wang Z, Du L. Prostate Cancer Incidence and Mortality: Global Status and Temporal Trends in 89 Countries From 2000 to 2019. Front Public Health 2022; 10:811044.. Estudo realizado nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande no período de 2000 a 2016 observou tendência estável e uma quebra em 2006, com tendência decrescente no final da série2020 Souza BSN, Melanda FN, Lima FCS, Silva PFO, Aguilar LB. Incidence trend of five main causes of cancer, in greater Cuiabá, Mato Grosso, Brazil, 2000 to 2016. Rev Bras Epidemiol 2022; 25(Supl.1):e220012..

A diminuição ou estabilidade da taxa de incidência para o câncer de próstata está relacionada às mudanças recentes no uso do teste de antígeno prostático específico (PSA) para rastreamento. Atualmente, maioria das agências reguladoras governamentais em países como Brasil, Argentina e Colômbia são contra a triagem de PSA2121 Culp MBB, Soerjomataram I, Efstathiou JA, Bray F, Jemal A. Recent global patterns in prostate cancer incidence and mortality rates. Eur Urol 2020; 77(1):38-52.. O aumento da incidência do câncer de próstata pode estar relacionado à ocorrência dos principais fatores de risco modificáveis, que geralmente se relacionam ao estilo de vida, como alimentação e atividade física, e a fatores não modificáveis, como idade, aspectos hormonais e genéticos33 Sung, H, Ferlay, J, Siegel, RL, Laversanne, M, Soerjomataram, I, Jemal, A, Bray, F. Global cancer statistics 2020: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin 2021: 71: 209- 249., e na oferta de serviços de atenção à saúde2222 Klein J, von dem Knesebeck O. Socioeconomic inequalities in prostate cancer survival: a review of the evidence and explanatory factors. Soc Sci Med 2015; 142:9-18.,2323 Sacramento RS, Simão LJ, Viana KCG, Andrade MAC, Amorim MHC, Zandonade E. Associação de variáveis sociodemográficas e clínicas com os tempos para início do tratamento do câncer de próstata. Cien Saude Colet 2019; 24(9):3265-3274..

Para as mulheres, o câncer de mama apresentou tendência crescente no período de 2009 a 2016 para o estado, e decrescente na macrorregião Centro-Norte no período de 2001 a 2009, resultado semelhante ao observado nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande, que apresentaram aumento das taxas de incidência no período de 2000 a 20162020 Souza BSN, Melanda FN, Lima FCS, Silva PFO, Aguilar LB. Incidence trend of five main causes of cancer, in greater Cuiabá, Mato Grosso, Brazil, 2000 to 2016. Rev Bras Epidemiol 2022; 25(Supl.1):e220012., e nos países em desenvolvimento, onde, desde os anos 2000, tanto a incidência quanto a mortalidade apresentam tendência de aumento33 Sung, H, Ferlay, J, Siegel, RL, Laversanne, M, Soerjomataram, I, Jemal, A, Bray, F. Global cancer statistics 2020: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin 2021: 71: 209- 249..

O aumento nas taxas de incidência do câncer de mama pode refletir a ocorrência dos fatores de risco reprodutivos, como adiamento da gestação, menor número de filhos e menor período de aleitamento materno exclusivo, e estilo de vida, como ingestão de álcool, excesso de peso corporal, sedentarismo, além da oferta de recursos de saúde e melhora no rastreamento do câncer de mama33 Sung, H, Ferlay, J, Siegel, RL, Laversanne, M, Soerjomataram, I, Jemal, A, Bray, F. Global cancer statistics 2020: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin 2021: 71: 209- 249.. Segundo as Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil, o rastreamento mamográfico deve ser realizado em mulheres de 50 a 69 anos uma vez a cada dois anos2424 Instituto Nacional de Câncer (INCA). Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil. Rio de Janeiro: INCA; 2015.. Entretanto, é preciso considerar que o aumento do rastreamento pode indicar algum grau de sobrediagnóstico, e que há desigualdades na distribuição da oferta e utilização dos procedimentos de detecção precoce do câncer de mama nas regiões brasileiras2525 Tomazelli JG, Silva GA. Rastreamento do câncer de mama no Brasil: uma avaliação da oferta e utilização da rede assistencial do Sistema Único de Saúde no período 2010-2012. Epidemiol Serv Saude 2017; 26(4):713-724.. As regiões com maior desigualdade, medida pelo índice de Gini, apresentam menor acesso ao exame de mamografia2626 Bezerra HS, Melo TFV, Barbosa JV, Feitosa EELC, Souza LCM. Avaliação do acesso em mamografias no Brasil e indicadores socioeconômicos: um estudo espacial. Rev Gaucha Enferm 2018; 39:e20180014., e aquelas com maior IDH têm maior proporção de realização de mamografia nos últimos dois anos2727 Sadovsky ADI, Poton WL, Reis-Santos B, Barcelos MRB, Silva ICMS. Índice de desenvolvimento humano e prevenção secundária de câncer de mama e colo do útero: um estudo ecológico. Cad Saude Publica 2015; 31(7):1539-1550..

O câncer de colo do útero apresentou tendência de redução para o estado e quase todas as macrorregiões no período de 2001 a 2016, exceto a macrorregião Centro-Norte, em que houve tendência estável de 2000 a 2003 e 2010 a 2016, e redução de 2003 a 2010. No mundo, nas últimas décadas, tem sido observado declínio da taxa de incidência do câncer do colo do útero, sendo maior na América Latina e Ásia2828 Zhang X, Zeng Q, Cai W, Ruan W. Trends of cervical cancer at global, regional, and national level: data from the Global Burden of Disease study 2019. BMC Public Health 2021; 21(1):894.. A tendência da incidência do câncer do colo do útero em dez capitais brasileiras, com dados do RCBP de 1996 a 2011, apresentou diminuição na maioria das capitais analisadas, destacando-se Curitiba, São Paulo e Goiânia2929 Instituto Nacional de Câncer (INCA). Magnitude da ocorrência do câncer do colo do útero no Brasil. Inform Vigil Cancer 2013; 4:1-16.. Em estudo realizado em Campinas, também foi observada redução na taxa de incidência padronizada do câncer do colo do útero, que passou de 16,08 casos/100.000 mulheres em 1991 a 1995 para 6,94 casos/100 mil mulheres em 2010 a 20143030 Ferreira MDC, Vale DB, Barros MBA. Incidence and mortality from breast and cervical cancer in a Brazilian town. Rev Saude Publica 2021; 55:67..

Melhoria no acesso aos serviços de saúde, aumento do nível de escolaridade ou campanhas educacionais para grupos populacionais vulneráveis, diminuição do risco de infecção pelo HPV (papilomavírus humano) e campanhas de prevenção são estratégias que podem contribuir para a redução da incidência do câncer de colo do útero33 Sung, H, Ferlay, J, Siegel, RL, Laversanne, M, Soerjomataram, I, Jemal, A, Bray, F. Global cancer statistics 2020: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin 2021: 71: 209- 249.,3030 Ferreira MDC, Vale DB, Barros MBA. Incidence and mortality from breast and cervical cancer in a Brazilian town. Rev Saude Publica 2021; 55:67.. No Brasil, a oferta de exames citopatológicos do colo do útero para mulheres de 25 a 64 anos vem aumentando desde 20153131 Instituto Nacional de Câncer (INCA). Detecção precoce do câncer. Rio de Janeiro: INCA; 2021., e essa faixa etária é a recomendada para o rastreio, a cada três anos, conforme as diretrizes atuais3232 Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. Rio de Janeiro: INCA; 2016.. De acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde, em Mato Grosso, em 2019, o percentual de mulheres de 25 a 64 anos que fizeram o último exame preventivo para câncer de colo do útero há menos de três anos foi de 79,7%3333 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde [Internet]. [acessado 2023 set 17]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/9160-pesquisa-nacional-de-saude.html
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/soc...
. A realização de exames citológicos para diagnóstico precoce do câncer cervical produz impactos positivos nas taxas de morbimortalidade3434 Wright JD, Chen L, Tergas AI, Burke WM, Hou JY, Neugut AI, Ananth CV, Hershman DL. Population-level trends in relative survival for cervical cancer. Am J Obstet Gynecol 2015; 213(5):670.e1-7..

O câncer de pulmão apresentou tendência de estabilidade em ambos os sexos no estado e em quase todas as macrorregiões de saúde, exceto na Leste para homens, que foi decrescente, e para mulheres na Centro-Norte de 2001 a 2016, que foi crescente, e Sul que foi decrescente de 2001 a 2007 e crescente de 2007 a 2016. Em relação ao estado, para as mulheres houve redução de 2001 a 2008 e aumento de 2008 a 2016. Diferentemente do estudo que analisou as tendências de incidência em Cuiabá e Várzea Grande, mostrou que para as mulheres houve estabilidade no período de 2000 a 2016 e aumento somente para a faixa etária de 50 a 79 anos, enquanto para os homens foi decrescente para todas as faixas etárias3535 Cabral JF, Caló RS, Evangelista FM, Reis JB, Oliveira JFP, Lima FCS, Galvão ND, Silva AMC. Trend analysis of lung cancer incidence and mortality in Grande Cuiabá, Mato Grosso, Brazil, 2000 to 2016. Rev Bras Epidemiol 2022; 25(Supl. 1):e220014..

Em nível mundial, ao longo de dez anos, as tendências decrescentes de incidência foram identificadas no câncer de pulmão entre homens, e crescente entre mulheres, podendo ser reflexo dos padrões de adesão e cessação do tabagismo. Para homens, os países com a queda mais significativa foram Bahrein (AAPC: -6,53), Colômbia (AAPC: -5,69) e Brasil (AAPC: -4,61). Para mulheres, houve um aumento mais drástico na Índia (AAPC: 4,34), Brasil (AAPC: 2,43) e Coreia do Sul (AAPC: 2,35)3636 Zhou B, Zang R, Zhang M, Song P, Liu L, Bie F, Peng Y, Bai G, Gao S. Worldwide burden and epidemiological trends of tracheal, bronchus, and lung cancer: a population-based study. EBioMedicine 2022; 78:103951..

A estimativa para 2050, é de que cheguem a cerca de 3,8 milhões de casos anuais de câncer de pulmão no mundo, mesmo com os atuais níveis de risco e taxas específicas por idade3737 Sharma R. Mapping of global, regional and national incidence, mortality and mortality-to-incidence ratio of lung cancer in 2020 and 2050. Int J Clin Oncol 2022; 27(4):665-675., e recomendam-se maiores intervenções preventivas para as populações específicas3838 Instituto Nacional de Câncer (INCA). Pesquisa especial de tabagismo. Rio de Janeiro: INCA; 2011.. Nos últimos 20 anos, a política de controle do tabagismo, no Brasil, atuou na queda acentuada da prevalência de fumantes, devido a mudanças legislativas, sociais e políticas que estimularam essa alteração de comportamento na sociedade, obtendo índices de cessação do tabaco em até 50%3939 Sá VK, Coelho JC, Capelozzi VL, Azevedo SJ. Lung cancer in Brazil: epidemiology and treatment challenges. Lung Cancer (Auckl) 2016; 7:141-148..

O tabagismo é, de longe, o fator de risco mais significativo para o câncer de pulmão, não só no Brasil como também ao redor do mundo3939 Sá VK, Coelho JC, Capelozzi VL, Azevedo SJ. Lung cancer in Brazil: epidemiology and treatment challenges. Lung Cancer (Auckl) 2016; 7:141-148.,4040 Siegel RL, Miller K, Jemal A. Cancer statistics, 2018. CA Cancer J Clin 2018; 68(1):7-30.. Apesar da diminuição do consumo de tabaco, o país gasta mais de três vezes o que arrecada com uso de tabaco, sendo R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ao ano e R$ 39,4 bilhões com custos médicos ao ano4141 Salem Szklo A, Lacerda Mendes F, Cavalcante TM, Viegas JR. Interferência da indústria do tabaco no Brasil: a necessidade do ajuste de contas. Rev Bras Cancerol 2020; 66(2):e-11878.. Desde 2014, o cigarro eletrônico (mistura de aromatizantes, solvente e nicotina líquida) ganhou espaço no mercado de consumo no mundo todo4242 Groot PM, Wu CC, Carter BW, Munden RF. The epidemiology of lung cancer. Transl Lung Cancer Res 2018; 7(3):220-233.. O mercado atual de cigarros eletrônicos apresenta desafios significativos para a formulação de políticas regulatórias, tendo em vista que não são regulamentados e apresentam altos níveis de comercialização via internet, facilitando o acesso substancial ao produto3636 Zhou B, Zang R, Zhang M, Song P, Liu L, Bie F, Peng Y, Bai G, Gao S. Worldwide burden and epidemiological trends of tracheal, bronchus, and lung cancer: a population-based study. EBioMedicine 2022; 78:103951.. Entretanto, os componentes presentes nas partículas no vapor do cigarro eletrônico podem causar danos inflamatórios nas vias aéreas e no pulmão, e danos a longo prazo4343 Callahan-Lyon P. Electronic cigarettes: human health effects. Tob Control 2014; 23(Suppl. 2):ii36-40..

Para o câncer colorretal, em ambos os sexos, o estado e as macrorregiões apresentaram tendência de estabilidade, exceto a Norte para o sexo masculino, onde a tendência foi crescente. Resultado diferente do observado em São Paulo, que apontou aumento na incidência do câncer colorretal entre as mulheres até a faixa etária dos 60 anos, e entre homens a tendência da taxa de incidência foi crescente até 29 anos e nas faixas etárias a partir dos 40 anos foi estável para o total4444 Oliveira MM. Desigualdades na incidência e mortalidade do câncer colorretal no Município de São Paulo e Brasil [Tese]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo; 2018.. Em países de baixa e média renda a incidência de câncer colorretal tem aumentado, e em países de alta renda têm diminuído ou se estabilizado4040 Siegel RL, Miller K, Jemal A. Cancer statistics, 2018. CA Cancer J Clin 2018; 68(1):7-30..

O câncer colorretal é considerado um marcador de desenvolvimento socioeconômico em países de renda baixa e média4545 Fidler MM, Soerjomataram I, Bray F. A global view on cancer incidence and national levels of the human development index. Int J Cancer 2016; 139(11):2436-2446.. Contudo, em países de alta renda, as taxas de incidência apresentam comportamento diferente, principalmente para indivíduos com idade acima de 50 anos, tendo estabilidade e/ou redução4040 Siegel RL, Miller K, Jemal A. Cancer statistics, 2018. CA Cancer J Clin 2018; 68(1):7-30.,4646 Bailey CE, Hu C, You YN, Bednarski BK, Rodriguez-Bigas MA, Skibber JM, Cantor SB, Chang GJ. Increasing Disparities in the Age-Related Incidences of Colon and Rectal Cancers in the United States, 1975-2010. JAMA Surg 2015; 150(1):17-22.. As recomendações a serem adotadas para controle do câncer colorretal implica cuidados especializados, conciliados à execução de medidas e a esforços contínuos para monitorar as tendências da incidência da doença4040 Siegel RL, Miller K, Jemal A. Cancer statistics, 2018. CA Cancer J Clin 2018; 68(1):7-30..

O câncer de estômago no estado de Mato Grosso demonstrou tendência decrescente em ambos os sexos e também para as macrorregiões Centro-Noroeste e Norte para o sexo masculino e Centro-Noroeste para sexo feminino. No mundo, a diminuição das taxas de incidência do câncer de estômago teve início a partir de meados do século XX, começando na América do Norte e na Europa, e em muitos outros países, incluindo os da Ásia e da América Latina4747 Torre LA, Siegel RL, Ward EM, Jemal A; Global Cancer Incidence and Mortality Rates and Trends. An Update. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 2016; 25(1):16-27.. Nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande foi observada, de 2000 a 2016, tendência decrescente da taxa de incidência para os homens e estabilidade para as mulheres2020 Souza BSN, Melanda FN, Lima FCS, Silva PFO, Aguilar LB. Incidence trend of five main causes of cancer, in greater Cuiabá, Mato Grosso, Brazil, 2000 to 2016. Rev Bras Epidemiol 2022; 25(Supl.1):e220012.. Em Fortaleza, entre 1990 e 2002, o câncer de estômago apresentou, para os homens, tendência de diminuição (APC = -1,9%), e para as mulheres, aumento (APC = 8,5%)4848 Oliveira JFP, Koifman RJ, Monteiro GTR. Câncer de estômago: tendência da incidência e da mortalidade no município de Fortaleza, Ceará. Cad Saude Colet 2012; 20(3):359-366..

O câncer de esôfago apresentou tendência de estabilidade no estado em quase todas as macrorregiões de saúde, exceto a macrorregião Centro-Noroeste, em que houve tendência de redução. No Brasil, a maioria dos casos é encontrada em homens, com aumento de 69% em 2005 para 78% em 2015, crescimento na incidência de 12,8 para 19,1/100.000 homens no mesmo período, enquanto as taxas para as mulheres permaneceram estáveis durante o período. Destaca-se que os novos casos apresentaram maiores concentrações nas regiões ao Sul do Brasil4949 Amorim CA, Souza LP, Moreira JP, Luiz RR, Carneiro AJV, Souza HSP. Geographic distribution and time trends of esophageal cancer in Brazil from 2005 to 2015. Mol Clin Oncol 2019; 10(6):631-638..

Apesar da presença dos fatores de risco como tabagismo, inatividade física, consumo alimentar inadequado e excesso de peso, houve também redução no consumo de tabaco e da infecção por H. Pylori, acesso a melhores alimentos (vegetais crus, frutas cítricas), sendo fator de proteção para o câncer de estômago e esôfago5050 Plummer M, Franceschi S, Vignat J, Forman D, de Martel C. Global burden of gastric cancer attributable to pylori. Int J Cancer 2015; 136:487-490.

51 Karimi P, Islami F, Anandasabapathy S, Freedman ND, Kamangar F; Gastric Cancer: Descriptive Epidemiology, Risk Factors, Screening, and Prevention. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 2014; 23(5):700-713.
-5252 Ilic M, Ilic I. Epidemiology of stomach cancer. World J Gastroenterol 2022; 28(12):1187-1203.. Com o aumento de novas tecnologias de terapias e diagnóstico precoce, o esclarecimento adicional sobre fatores de risco ajuda a identificar várias oportunidades de prevenção e reduzir o impacto dos cânceres gastrointestinais5252 Ilic M, Ilic I. Epidemiology of stomach cancer. World J Gastroenterol 2022; 28(12):1187-1203.

53 Oliveira MM, Silva IPB, Teixeira R, Malta DC, Iser BPM. Esophageal cancer mortality in Brazil: a time-series analysis from the global burden of disease study. Arq Gastroenterol 2021; 58(1):100-106.
-5454 Cruz AIBM, Pinto LFR, Thuler LCS, Bergmann A. Perfil dos Pacientes com Câncer de Esôfago Diagnosticados entre 2001 e 2010 no Brasil. Rev Bras Cancerol 2018; 64(4):471-477..

Este estudo forneceu informações sobre a tendência temporal dos cinco principais tipos de câncer em Mato Grosso, desagregadas por macrorregiões de saúde, demonstrando a importância do RCBP para a vigilância do câncer no estado. A análise de séries temporais da incidência de câncer é importante para auxiliar no planejamento e na avaliação de políticas públicas de prevenção e controle da doença. Este estudo avançou ao analisar uma série histórica atualizada e com boa representatividade do câncer no estado de Mato Grosso. Em relação à qualidade dos dados do RCBP, para o período de 2001 a 2016, foi observado para o RCBP Cuiabá percentual de casos registrados somente pela declaração de óbito (%SDO) menor do que 20% (10,5% para sexo masculino e 8,7% para sexo feminino), enquanto para o RCBP Interior foi de 25,8% para o sexo masculino e 19,4% para o sexo feminino. O percentual de verificação microscópica foi maior do que 70% para registros da capital e do interior5555 International Agency for Research on Cancer (IARC). Cancer incidence in five continents. Lyon: IARC; 2007.. Por serem dados secundários, podem apresentar problemas de subnotificação, erros de preenchimento e de codificação, que foram minimizados pela melhoria da qualidade das informações ao longo do tempo66 Bray F, Znaor A, Cueva P, Korir A, Swaminathan R, Ullrich A, Wang SA, Parkin DM. Planning and Developing Population-based Cancer Registration in Low- and Middle-income Settings. Lyon: International Agency for Research on Cancer; 2014..

O câncer mais incidente entre homens foi o de próstata, com tendência crescente para o estado e quatro macrorregiões, Centro-Noroeste, Leste, Oeste e Sul, e para as mulheres foi o câncer de mama, com tendência crescente para o estado e a macrorregião Centro-Norte. Destaca-se ainda a tendência crescente do câncer de pulmão para o estado no período de 2008 a 2016 e para as macrorregiões Centro-Norte e Sul entre as mulheres, e do câncer colorretal na macrorregião Norte entre homens. Para o câncer de colo do útero, estômago para ambos os sexos e esôfago para os homens houve redução das taxas de incidência no período de estudo.

As diferenças nas tendências da incidência dos cinco tipos de câncer entre as macrorregiões do estado podem refletir diferentes estágios da transição demográfica e epidemiológica88 Scatena JHG, Oliveira LR, Galvão ND, Neves MAB. O uso de indicadores compostos para classificação das regiões de saúde de Mato Grosso. In: Scatena JHG, Kehrig RT, Spinelli MAS, organizadores. Regiões de saúde: diversidade e processo de regionalização em Mato Grosso. São Paulo: Hucitec; 2014. p. 169-192., assim como o perfil socioeconômico e a oferta de recursos de saúde99 Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária. Mapa das macrorregiões do IMEA [Internet]. 2017. [acessado 2023 set 20]. Disponível em: https://www.imea.com.br/imea-site/view/uploads/metodologia/justificativamapa.pdf
https://www.imea.com.br/imea-site/view/u...
,1111 Governo do Estado de Mato Grosso. Secretaria Estadual de Saúde. Resolução CIB/MT nº 57 de 26 de julho de 2018. Dispõe sobre as diretrizes do Planejamento Regional Integrado (PRI) estabelece a conformação das 16 (dezesseis) regiões de saúde no Estado de Mato Grosso em 06 (seis) macrorregiões [Internet]. 2018. [acessado 2023 abr 16]. Disponível em: http://www.saude.mt.gov.br/upload/noticia/2/arquivo/240820160127-SES-MT-A-mapa-de-saude-mt-2020.pdf
http://www.saude.mt.gov.br/upload/notici...
. Os resultados reforçam a necessidade de ações específicas de vigilância, prevenção, controle e assistência ao câncer em todo o estado, a fim de garantir a linha de cuidado e o acesso ao diagnóstico e à assistência oncológica por meio do fortalecimento e da expansão da rede de tratamento do câncer no Sistema Único de Saúde. É relevante ressaltar a importância de ações para aumentar o acesso a prevenção primária, diagnóstico precoce, tratamento e reabilitação, levando em consideração as disparidades sociais existentes nas macrorregiões de saúde no estado de Mato Grosso.

Agradecimentos

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, pela bolsa de mestrado; à Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) e ao Ministério Público do Trabalho 23ª Região, pelo suporte financeiro do projeto; ao Instituto Nacional do Câncer (INCA), pela contribuição na capacitação dos registradores de câncer.

Referências

  • 1
    World Health Organization (WHO). Global Action plan for the prevention and control of noncommunicable diseases 2013-2020. Geneva: WHO; 2018.
  • 2
    Bray F, Ferlay J, Soerjomataram I, Siegel RL, Torre LA, Jemal A. Global cancer statistics 2018: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin 2018; 68(6):394-424.
  • 3
    Sung, H, Ferlay, J, Siegel, RL, Laversanne, M, Soerjomataram, I, Jemal, A, Bray, F. Global cancer statistics 2020: GLOBOCAN estimates of incidence and mortality worldwide for 36 cancers in 185 countries. CA Cancer J Clin 2021: 71: 209- 249.
  • 4
    Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA; 2022.
  • 5
    Oliveira JFP, Lima FCS, Galvão ND, Souza PCF. Cancer incidence in Mato Grosso state, Brazil: analysis of population-based registries (2007 a 2011). Rev Bras Epidemiol 2022; 25(Supl. 1):e220010.
  • 6
    Bray F, Znaor A, Cueva P, Korir A, Swaminathan R, Ullrich A, Wang SA, Parkin DM. Planning and Developing Population-based Cancer Registration in Low- and Middle-income Settings. Lyon: International Agency for Research on Cancer; 2014.
  • 7
    Ribeiro AG, Ferlay J, Piñeros M, Latorre MDRDO, Fregnani JHTG, Bray F. Geographic variations in cancer incidence and mortality in the State of São Paulo, Brazil 2001-17. Cancer Epidemiol 2023; 85:102403.
  • 8
    Scatena JHG, Oliveira LR, Galvão ND, Neves MAB. O uso de indicadores compostos para classificação das regiões de saúde de Mato Grosso. In: Scatena JHG, Kehrig RT, Spinelli MAS, organizadores. Regiões de saúde: diversidade e processo de regionalização em Mato Grosso. São Paulo: Hucitec; 2014. p. 169-192.
  • 9
    Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária. Mapa das macrorregiões do IMEA [Internet]. 2017. [acessado 2023 set 20]. Disponível em: https://www.imea.com.br/imea-site/view/uploads/metodologia/justificativamapa.pdf
    » https://www.imea.com.br/imea-site/view/uploads/metodologia/justificativamapa.pdf
  • 10
    Pignati WA, Lima FANSE, Lara SS, Correa MLM, Barbosa JR, Leão LHDC, Pignatti MG. Spatial distribution of pesticide use in Brazil: a strategy for Health Surveillance. Cien Saude Colet 2017; 22(10):3281-3293.
  • 11
    Governo do Estado de Mato Grosso. Secretaria Estadual de Saúde. Resolução CIB/MT nº 57 de 26 de julho de 2018. Dispõe sobre as diretrizes do Planejamento Regional Integrado (PRI) estabelece a conformação das 16 (dezesseis) regiões de saúde no Estado de Mato Grosso em 06 (seis) macrorregiões [Internet]. 2018. [acessado 2023 abr 16]. Disponível em: http://www.saude.mt.gov.br/upload/noticia/2/arquivo/240820160127-SES-MT-A-mapa-de-saude-mt-2020.pdf
    » http://www.saude.mt.gov.br/upload/noticia/2/arquivo/240820160127-SES-MT-A-mapa-de-saude-mt-2020.pdf
  • 12
    Brasil. Ministério da Saúde (MS). Demográficas e socioeconômicas - população residente [Internet]. [acessado 2023 set 17]. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/
    » https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet
  • 13
    Martinelli NL, Scatena JHG, Castro ML, Soares NRF, Charbel SC, Souza NFDS, Medeiros ARS, Souza DPO. Análise da estruturação da Rede de Atenção à Saúde no estado de Mato Grosso, Brasil, no contexto da Regionalização. Cien Saude Colet 2023; 28(2):585-598.
  • 14
    Governo de Mato Grosso. Secretaria de Estado de Saúde. Resolução CIB/MT Ad referendum n° 001 de 20 de fevereiro de 2017. Dispõe sobre a Aprovação do Plano de Ação da Atenção Oncológica no Estado de Mato Grosso de 2017 a 2019 [Internet]. 2017. [acessado 2023 set 20]. Disponível em: www.saude.mt.gov.br/arquivo/7317
    » www.saude.mt.gov.br/arquivo/7317
  • 15
    Brasil. Ministério da Saúde (MS). Indicadores de saúde e pactuações - rol de diretrizes, objetivos, metas e indicadores 2013-2015 - edição 2015 [Internet]. 2013. [acessado 2023 set 20]. Disponível em: https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet/
    » https://datasus.saude.gov.br/informacoes-de-saude-tabnet
  • 16
    Segi M. Cancer mortality for selected sites in 24 countries (1950-57). Sendai: Tohoku University School of Medicine; 1960.
  • 17
    Kim HJ, Fay MP, Feuer EJ, Midthune DN. Permutation tests for joinpoint regression with applications to cancer rates. Stat Med 2000; 15;19(3):335-351.
  • 18
    Piñeros M, Laversanne M, Barrios E, Cancela CM, Vries E, Pardo C, Bray F. An updated profile of the cancer burden, patterns and trends in Latin America and the Caribbean. Lancet Reg Heal Am 2022; 13. DOI: 10.1016/j.lana.2022.100294
    » https://doi.org/10.1016/j.lana.2022.100294
  • 19
    Wang L, Lu B, He M, Wang Y, Wang Z, Du L. Prostate Cancer Incidence and Mortality: Global Status and Temporal Trends in 89 Countries From 2000 to 2019. Front Public Health 2022; 10:811044.
  • 20
    Souza BSN, Melanda FN, Lima FCS, Silva PFO, Aguilar LB. Incidence trend of five main causes of cancer, in greater Cuiabá, Mato Grosso, Brazil, 2000 to 2016. Rev Bras Epidemiol 2022; 25(Supl.1):e220012.
  • 21
    Culp MBB, Soerjomataram I, Efstathiou JA, Bray F, Jemal A. Recent global patterns in prostate cancer incidence and mortality rates. Eur Urol 2020; 77(1):38-52.
  • 22
    Klein J, von dem Knesebeck O. Socioeconomic inequalities in prostate cancer survival: a review of the evidence and explanatory factors. Soc Sci Med 2015; 142:9-18.
  • 23
    Sacramento RS, Simão LJ, Viana KCG, Andrade MAC, Amorim MHC, Zandonade E. Associação de variáveis sociodemográficas e clínicas com os tempos para início do tratamento do câncer de próstata. Cien Saude Colet 2019; 24(9):3265-3274.
  • 24
    Instituto Nacional de Câncer (INCA). Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil. Rio de Janeiro: INCA; 2015.
  • 25
    Tomazelli JG, Silva GA. Rastreamento do câncer de mama no Brasil: uma avaliação da oferta e utilização da rede assistencial do Sistema Único de Saúde no período 2010-2012. Epidemiol Serv Saude 2017; 26(4):713-724.
  • 26
    Bezerra HS, Melo TFV, Barbosa JV, Feitosa EELC, Souza LCM. Avaliação do acesso em mamografias no Brasil e indicadores socioeconômicos: um estudo espacial. Rev Gaucha Enferm 2018; 39:e20180014.
  • 27
    Sadovsky ADI, Poton WL, Reis-Santos B, Barcelos MRB, Silva ICMS. Índice de desenvolvimento humano e prevenção secundária de câncer de mama e colo do útero: um estudo ecológico. Cad Saude Publica 2015; 31(7):1539-1550.
  • 28
    Zhang X, Zeng Q, Cai W, Ruan W. Trends of cervical cancer at global, regional, and national level: data from the Global Burden of Disease study 2019. BMC Public Health 2021; 21(1):894.
  • 29
    Instituto Nacional de Câncer (INCA). Magnitude da ocorrência do câncer do colo do útero no Brasil. Inform Vigil Cancer 2013; 4:1-16.
  • 30
    Ferreira MDC, Vale DB, Barros MBA. Incidence and mortality from breast and cervical cancer in a Brazilian town. Rev Saude Publica 2021; 55:67.
  • 31
    Instituto Nacional de Câncer (INCA). Detecção precoce do câncer. Rio de Janeiro: INCA; 2021.
  • 32
    Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero. Rio de Janeiro: INCA; 2016.
  • 33
    Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde [Internet]. [acessado 2023 set 17]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/9160-pesquisa-nacional-de-saude.html
    » https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/9160-pesquisa-nacional-de-saude.html
  • 34
    Wright JD, Chen L, Tergas AI, Burke WM, Hou JY, Neugut AI, Ananth CV, Hershman DL. Population-level trends in relative survival for cervical cancer. Am J Obstet Gynecol 2015; 213(5):670.e1-7.
  • 35
    Cabral JF, Caló RS, Evangelista FM, Reis JB, Oliveira JFP, Lima FCS, Galvão ND, Silva AMC. Trend analysis of lung cancer incidence and mortality in Grande Cuiabá, Mato Grosso, Brazil, 2000 to 2016. Rev Bras Epidemiol 2022; 25(Supl. 1):e220014.
  • 36
    Zhou B, Zang R, Zhang M, Song P, Liu L, Bie F, Peng Y, Bai G, Gao S. Worldwide burden and epidemiological trends of tracheal, bronchus, and lung cancer: a population-based study. EBioMedicine 2022; 78:103951.
  • 37
    Sharma R. Mapping of global, regional and national incidence, mortality and mortality-to-incidence ratio of lung cancer in 2020 and 2050. Int J Clin Oncol 2022; 27(4):665-675.
  • 38
    Instituto Nacional de Câncer (INCA). Pesquisa especial de tabagismo. Rio de Janeiro: INCA; 2011.
  • 39
    Sá VK, Coelho JC, Capelozzi VL, Azevedo SJ. Lung cancer in Brazil: epidemiology and treatment challenges. Lung Cancer (Auckl) 2016; 7:141-148.
  • 40
    Siegel RL, Miller K, Jemal A. Cancer statistics, 2018. CA Cancer J Clin 2018; 68(1):7-30.
  • 41
    Salem Szklo A, Lacerda Mendes F, Cavalcante TM, Viegas JR. Interferência da indústria do tabaco no Brasil: a necessidade do ajuste de contas. Rev Bras Cancerol 2020; 66(2):e-11878.
  • 42
    Groot PM, Wu CC, Carter BW, Munden RF. The epidemiology of lung cancer. Transl Lung Cancer Res 2018; 7(3):220-233.
  • 43
    Callahan-Lyon P. Electronic cigarettes: human health effects. Tob Control 2014; 23(Suppl. 2):ii36-40.
  • 44
    Oliveira MM. Desigualdades na incidência e mortalidade do câncer colorretal no Município de São Paulo e Brasil [Tese]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo; 2018.
  • 45
    Fidler MM, Soerjomataram I, Bray F. A global view on cancer incidence and national levels of the human development index. Int J Cancer 2016; 139(11):2436-2446.
  • 46
    Bailey CE, Hu C, You YN, Bednarski BK, Rodriguez-Bigas MA, Skibber JM, Cantor SB, Chang GJ. Increasing Disparities in the Age-Related Incidences of Colon and Rectal Cancers in the United States, 1975-2010. JAMA Surg 2015; 150(1):17-22.
  • 47
    Torre LA, Siegel RL, Ward EM, Jemal A; Global Cancer Incidence and Mortality Rates and Trends. An Update. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 2016; 25(1):16-27.
  • 48
    Oliveira JFP, Koifman RJ, Monteiro GTR. Câncer de estômago: tendência da incidência e da mortalidade no município de Fortaleza, Ceará. Cad Saude Colet 2012; 20(3):359-366.
  • 49
    Amorim CA, Souza LP, Moreira JP, Luiz RR, Carneiro AJV, Souza HSP. Geographic distribution and time trends of esophageal cancer in Brazil from 2005 to 2015. Mol Clin Oncol 2019; 10(6):631-638.
  • 50
    Plummer M, Franceschi S, Vignat J, Forman D, de Martel C. Global burden of gastric cancer attributable to pylori. Int J Cancer 2015; 136:487-490.
  • 51
    Karimi P, Islami F, Anandasabapathy S, Freedman ND, Kamangar F; Gastric Cancer: Descriptive Epidemiology, Risk Factors, Screening, and Prevention. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 2014; 23(5):700-713.
  • 52
    Ilic M, Ilic I. Epidemiology of stomach cancer. World J Gastroenterol 2022; 28(12):1187-1203.
  • 53
    Oliveira MM, Silva IPB, Teixeira R, Malta DC, Iser BPM. Esophageal cancer mortality in Brazil: a time-series analysis from the global burden of disease study. Arq Gastroenterol 2021; 58(1):100-106.
  • 54
    Cruz AIBM, Pinto LFR, Thuler LCS, Bergmann A. Perfil dos Pacientes com Câncer de Esôfago Diagnosticados entre 2001 e 2010 no Brasil. Rev Bras Cancerol 2018; 64(4):471-477.
  • 55
    International Agency for Research on Cancer (IARC). Cancer incidence in five continents. Lyon: IARC; 2007.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    21 Mar 2025
  • Data do Fascículo
    Mar 2025

Histórico

  • Recebido
    25 Abr 2023
  • Aceito
    14 Dez 2023
  • Publicado
    16 Dez 2023
ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: revscol@fiocruz.br