Resumo
O objetivo deste estudo é verificar a associação da prática de bullying com comportamentos de risco à saúde e qualidade de vida, em meninos e meninas adolescentes, da cidade de Maringá, Paraná. Uma amostra representativa de 1.020 adolescentes participou do estudo. O bullying, os comportamentos de risco à saúde, a percepção de qualidade de vida e a condição econômica foram avaliados por questionários autorreportados. Razões de chances com intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram obtidas por meio da regressão logística binária e regressão logística ordinal, bruta e ajustada, adotando-se p<0,05. Os meninos praticantes de bullying tiveram 2,2 (IC95%=1,4-3,4) e 2,0 (IC95%=1,2-3,2) vezes mais chance de consumir álcool e de realizar atividade física do que meninos que não praticam bullying. Meninas praticantes de bullying tiveram 2,1 (IC95%=1,3-3,5), 3,6 (IC95%=1,3-10,1), 1,8 (IC95%= 1,1-2,9) e 2,7 (IC95%=1,1-6,3) vezes mais chance de fumar, usar drogas ilícitas, ter vício em smartphone e ter uma pior qualidade do sono, além de possuir 60% mais chance de ter uma pior percepção de qualidade de vida, respectivamente, em comparação com meninas não praticantes. Ser praticante de bullying pode estar associado a comportamentos de risco à saúde, tanto para os meninos quanto para as meninas.
Palavras-chave:
Bullying; Comportamentos de risco à saúde; Qualidade de vida; Adolescentes
Abstract
This study assessed the practice of bullying, health risk behavior and quality of life in adolescent boys and girls from the city of Maringá, Paraná. A representative sample of 1,020 adolescents participated in the study to assess the association between bullying, health-risk behavior, and quality of life factors through self-reported questionnaires. Odds ratios with 95% confidence intervals (95%CI) were obtained using both crude and adjusted binary and ordinal logistic regression, with a significance level of p<0.05. Male bullying perpetrators were 2.2 (95%CI=1.4-3.4) and 2.0 (95%CI=1.2-3.2) times more likely to consume alcohol and engage in physical activity compared to non-bullying males. Female bullying perpetrators were 2.1 (95%CI=1.3-3.5), 3.6 (95%CI=1.3-10.1), 1.8 (95%CI=1.1-2.9), and 2.7 (95%CI=1.1-6.3) times more likely to smoke, use illicit drugs, be addicted to smartphones, and have poorer sleep quality. These girls also had a 60% higher chance of having a worse perception of quality of life, respectively, compared to non-bullying females. The conclusion drawn is that bullying may be associated with health risk behaviors for both boys and girls.
Key words:
Bullying; Health risk behavior; Quality of life; Adolescent
Resumen
El objetivo de este estudio es verificar la asociación entre bullying escolar y conductas de riesgo para la salud y la calidad de vida en niños y niñas adolescentes de la ciudad de Maringá, Paraná. Participó del estudio una muestra representativa de 1.020 adolescentes. El bullying, las conductas de riesgo para la salud, la calidad de vida percibida y la situación económica se evaluaron mediante cuestionarios autoinformados. Los odds ratios con intervalos de confianza del 95% (IC95%) se obtuvieron mediante regresión logística binaria y regresión logística ordinal, cruda y ajustada, adoptando p<0,05. Los niños acosadores tenían 2,2 (IC95%=1,4-3,4) y 2,0 (IC95%=1,2-3,2) veces más probabilidades de consumir alcohol y realizar actividad física que los niños que no acosaban. Las niñas que practicaban bullying tuvieron 2,1 (IC95%=1,3-3,5), 3,6 (IC95%=1,3-10,1), 1,8 (IC95%=1,1-2,9) y 2,7 (IC95%=1,1-6,3) veces más probabilidades de fumar, consumir drogas ilícitas, tener adicción a los teléfonos inteligentes y tener peor calidad de sueño, además de tener un 60% más probabilidades de tener una peor percepción de calidad de vida, respectivamente, en comparación con las niñas no practicantes. El bullying escolar puede estar asociado con conductas de riesgo para la salud tanto de niños como de niñas y una peor calidad de vida para las niñas.
Palabras clave:
Bullying; Conductas de riesgo para la salud; Calidad de vida; Adolescentes
Introdução
O bullying caracteriza-se como atos repetitivos de violência física ou psicológica, e é considerado um problema de saúde pública por sua magnitude e pelas sérias consequências para o bem-estar e saúde do adolescente11 Brasil. Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015. Institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). Diário Oficial da União 2015; 9 nov.,22 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2015. Rio de Janeiro: IBGE; 2015.. Elevadas prevalências de bullying têm sido observadas em diversos lugares do mundo, no estudo de Koyanagy et al.33 Koyanagi A, Oh H, Carvalho AF, Smith L, Haro JM, Vancampfort D, Stubbs B, DeVylder JE. Bullying Victimization and Suicide Attempt Among Adolescents Aged 12-15 Years From 48 Countries. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry 2019; 58(9):907-918. com 134.229 adolescentes de 12 a 15 anos, de 48 países de vários continentes, mostrou que a prevalência de quem sofre bullying foi de 30,4%.
No Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019, 23% dos escolares de 13 a 17 anos, de diferentes capitais brasileiras, afirmaram que se sentiram humilhados pelos colegas nos últimos 30 dias, sendo esta prevalência maior em meninas (26,5%) em comparação com meninos (19,5%)44 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2019. Rio de Janeiro: IBGE; 2021.,55 Malta DC, Oliveira WA, Prates EJS, Mello FCM, Moutinho CDS, Silva MAI. Bullying entre adolescentes brasileiros: evidências das Pesquisas Nacionais de Saúde do Escolar, Brasil, 2015 e 2019. Rev Lat Am Enferm 2022; 30:e3679.. Apesar das prevalências de quem sofre bullying serem altas, a prevalência de quem pratica bullying reduziu de 20,4% em 2015 para 12,0% em 201944 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2019. Rio de Janeiro: IBGE; 2021..
Contudo, a prática do bullying ainda acontece com frequência e pode afetar negativamente a vida do adolescente praticante de bullying. Esta prática pode ter relação a comportamentos de risco à saúde (CRS), o termo CRS é caracterizado como a participação em atividades que podem comprometer negativamente a saúde física e mental do adolescente66 Feijó RB, Oliveira ÉA. Comportamento de risco na adolescência. J Pediatr (Rio J) 2001; 77:125-134., como uso de tabaco, consumo de bebidas alcoólicas, uso de drogas ilícitas, comportamento sedentário, nível insuficiente de atividade física77 García-Hermoso A, Hormazabal-Aguayo I, Oriol-Granado X, Fernández-Vergara O. Bullying victimization , physical inactivity and sedentary behavior among children and adolescents : a meta-analysis. Int J Behav Nutr Phys Act 2020; 17(1):114.
8 Ngantcha M, Janssen E, Godeau E, Ehlinger V, Le-Nezet O, Beck F, Spilka S. Revisiting Factors Associated With Screen Time Media Use: A Structural Study Among School-Aged Adolescents. J Phys Act Health 2018; 15(6):448-456.-99 Nikolaou D. Bullying, cyberbullying, and youth health behaviors. Kyklos 2022; 75(1):75-105., e adicionalmente o sono insuficiente que quando acontece tende a trazer prejuízos a saúde e pode ser considerado um problema crônico entre os adolescentes1010 Lima RJCP, Batalha MA, Ribeiro CCC, Silva AAM, Batista RFL. Fatores de risco comportamentais modificáveis para DNT e sono em adolescentes brasileiros. Rev Saude 2023; 57:60.. Estes componentes estão associados a doenças cardiovasculares, câncer, obesidade, interferências emocionais, cognitivas, estresse e depressão, podendo ser negativamente influentes na saúde do indivíduo a curto, médio e longo prazo22 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2015. Rio de Janeiro: IBGE; 2015.,1010 Lima RJCP, Batalha MA, Ribeiro CCC, Silva AAM, Batista RFL. Fatores de risco comportamentais modificáveis para DNT e sono em adolescentes brasileiros. Rev Saude 2023; 57:60.
11 Cavalcante MBPT, Alvez MBP, Barroso MGT. Adolescência, ácool e drogas: uma revisão na perspectiva da promoção da saúde. Rev Enferm 2008; 12(123):555-559.-1212 World Health Organization (WHO). Physical Activity [Internet]. 2015 [cited 2018 nov 3]. Available from: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs385/en/.
http://www.who.int/mediacentre/factsheet... .
A prática do bullying além de ter relação com fatores físicos, como os CRS, está associada a fatores psicológicos e de percepções do próprio indivíduo. Um destes fatores é a percepção de qualidade de vida (PQV). Adolescentes não envolvidos com o bullying tendem a possuir maiores escores na PQV nos quesitos de bem-estar físico, mental, familiar, amigos e doença1313 Kadiroğlu T, Hendekci A, Tosun Ö. Archives of Psychiatric Nursing Investigation of the relationship between peer victimization and quality of life in school-age adolescents. Arch Psychiatr Nurs 2018; 32(6):850-854.,1414 Guedes DP, Guedes JERP. Translation, cross-cultural adaptation and psychometric properties of the kidscreen-52 for the brazilian population. Rev Paul Pediatr 2011; 29(3):364-371.. Ou seja, adicionado ao CRS, a PQV também parece ter relação com a prática de bullying, uma vez que a qualidade de vida contempla domínios físicos, psicológicos, sociais e ambientais1515 Dubey VP, Kievišien J, Agostinis-sobrinho C. Bullying and Health Related Quality of Life among Adolescents - A Systematic Review. Children 2022; 9(6):766..
Evidências apontam a relação do bullying com o comportamento sedentário1616 Hertz MF, Everett Jones S, Barrios L, David-Ferdon C, Holt M. Association Between Bullying Victimization and Health Risk Behaviors Among High School Students in the United States. J Sch Health 2015; 85(12):833-842.,1717 Vrijen C, Wiertsema M, Ackermans MA, Ploeg RD. Childhood and Adolescent Bullying Perpetration and Later Substance Use: A Meta-analysis. Pediatrics 2021; 147(3):e2020034751., níveis insuficientes de atividade física1818 Méndez I, Ruiz-esteban C, Ortega E, Ruiz-esteban C. Impact of the Physical Activity on Bullying. Front Psychol 2019; 10:1520.,1919 Martín DS, Matesanz RV. Relationship between the levels of physical activity and the defining features of the roles of aggression-victimization situations in schoolchildren. Sport Tech J Sch Sport Phys Educ Psychomot 2018; 4:59-76., consumo de bebidas alcóolicas2020 Peleg-Oren N, Cardenas GA, Comerford M, Galea S. An Association Between Bullying Behaviors and Alcohol Use Among Middle School Students. J Early Adolesc 2012; 32(6):761-775., tabaco2121 Moore SE, Norman RE, Suetani S, Thomas HJ, Sly PD, Scott JG, Moore SE, Sly PD, Health C. Consequences of bullying victimization in childhood and adolescence: A systematic review and meta-analysis. World J Psychiiatr 2017; 22:60-76., drogas ilícitas1717 Vrijen C, Wiertsema M, Ackermans MA, Ploeg RD. Childhood and Adolescent Bullying Perpetration and Later Substance Use: A Meta-analysis. Pediatrics 2021; 147(3):e2020034751., qualidade do sono2222 Donoghue C, Meltzer LJ. Sleep it off : Bullying and sleep disturbances in adolescents. J Adolesc 2018; 68:87-93.,2323 Ding H, Cao L, Xu B, Li Y, Xie J, Wang J, Su P, Wang G. Involvement in bullying and sleep disorders in Chinese early adolescents. Front Psychiatry 2023; 14:1115561. e qualidade de vida2424 Lourdes Á De, Pérez M, José J, Cánovas G. The Impact of the Magnitude of the Group of Bullies on Health Related Quality of Life and Academic Performance Among Adolescents. Child Psychiatry Hum Dev 2023; 54(3):796-805. na adolescência. No entanto, estes estudos ainda não mostram resultados consistentes na literatura, mostrando associações positivas e negativas ou mesmo ausência de associações. Além disso, muitos estudos apresentam fraquezas metodológicas incluindo o uso de questionários não validados para a avaliação do bullying44 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), 2019. Rio de Janeiro: IBGE; 2021.,2525 Chung JY, Sun MS, Kim HJ. What makes bullies and victims in Korean elementary schools? Child Youth Serv Rev 2018; 94:132-139.. No Brasil não existem pesquisas publicadas que analisem a relação da prática de bullying com CRS e PQV e ainda são importantes estudos com amostras representativas para evidenciar características de uma população.
Investigar a PQV e CRS que se associam a prática do bullying se torna de grande importância, uma vez que há a necessidade de mais estudos para concretizar uma conclusão segura para estas associações. Com isso, o objetivo deste estudo foi verificar a associação da prática de bullying com CRS e PQV, em adolescentes da cidade de Maringá, Paraná, Brasil.
Métodos
Este estudo se caracteriza como transversal, com uma amostra representativa de adolescentes matriculados no período diurno, na rede pública de ensino da cidade de Maringá, Paraná, Brasil. Município de porte médio-grande, é o terceiro maior do estado em termos populacionais, com uma população média de 436.472 habitantes e possui um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,8082626 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Índice de Desenvolvimento Humano - Maringá-PR, Brasil [Internet]. 2010 [acessado 2023 nov 19]. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pr/maringa/pesquisa/37/30255?tipo=ranking&ano=2010.
https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pr/ma... e um Índice de Gini de Renda Domiciliar per Capita (indicador de desigualdade) de 0,49372626 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Índice de Desenvolvimento Humano - Maringá-PR, Brasil [Internet]. 2010 [acessado 2023 nov 19]. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pr/maringa/pesquisa/37/30255?tipo=ranking&ano=2010.
https://cidades.ibge.gov.br/brasil/pr/ma... .
A amostra foi composta por meninos e meninas adolescentes, com idades entre 15 e 17 anos. O cálculo de tamanho de amostra foi realizado utilizando o método de Cochran-Mantel-Haenszel2727 Lachin JM. Power and sample size evaluation for the Cochran-Mantel-Haenszel mean score (Wilcoxon rank sum) test and the Cochran-Armitage test for trend. Stat Med 2011; 30(25):3057-3066. para análises de associação entre variáveis dicotômicas.
Bullying foi considerado como a variável de exposição principal. Os desfechos do estudo e para os quais os cálculos de tamanho de amostra foram feitos foram os seguintes: fumo (tabaco), consumo de álcool, uso de drogas ilícitas, baixa qualidade de sono, prática insuficiente de atividade física, e comportamento sedentário. Um total de seis cálculos de tamanho de amostra foram realizados.
Todos os cálculos foram realizados considerando um nível de significância de 5%, poder de 80% e razão de expostos para não expostos de 1:1. Para cada cálculo, a prevalência do desfecho em cada grupo da exposição foi considerada como 50% - valor padrão quando não se tem informação sobre a prevalência dos desfechos nos grupos de exposição. Os valores dos Odds Ratio para o cálculo foram obtidos a partir de estudos prévios da literatura1515 Dubey VP, Kievišien J, Agostinis-sobrinho C. Bullying and Health Related Quality of Life among Adolescents - A Systematic Review. Children 2022; 9(6):766.
16 Hertz MF, Everett Jones S, Barrios L, David-Ferdon C, Holt M. Association Between Bullying Victimization and Health Risk Behaviors Among High School Students in the United States. J Sch Health 2015; 85(12):833-842.
17 Vrijen C, Wiertsema M, Ackermans MA, Ploeg RD. Childhood and Adolescent Bullying Perpetration and Later Substance Use: A Meta-analysis. Pediatrics 2021; 147(3):e2020034751.-1818 Méndez I, Ruiz-esteban C, Ortega E, Ruiz-esteban C. Impact of the Physical Activity on Bullying. Front Psychol 2019; 10:1520..
O tamanho da amostra necessário para o estudo variou de 172 (uso de drogas ilícitas) até 776 indivíduos (Comportamento sedentário). Então do maior valor houve um acréscimo de 30% para possíveis perdas e recusas, e o tamanho amostral mínimo estimado foi de 1.009 adolescentes.
A partir da divisão por bairro da cidade de Maringá-PR foram sorteadas escolas das regiões norte, sul, leste, oeste e central (uma de cada região) e conforme o número de alunos matriculados em cada uma delas. Assim, a amostra foi selecionada de forma probabilística em três estágios: 1º) todas as escolas estaduais foram listadas e estratificadas de acordo com cada uma das regionais; 2º) foi realizado sorteio de uma escola de cada regional; 3º) foi realizada uma seleção aleatória simples de uma turma ou mais (conforme a quantidade de alunos que represente a região).
Foram adotados os seguintes critérios de exclusão: os adolescentes com deficiência física ou mental, e adolescentes que não concluíram todas as avaliações do estudo ou desistiram de participar. No total, foram avaliados 1.308 adolescentes. Após as exclusões seguindo os critérios (adolescentes que não terminaram de responder o questionário ou responderam de forma incorreta, se negaram participar e adolescentes com deficiência), a amostral final foi de 1.020 adolescentes.
O estudo seguiu as normas que regulamentam a pesquisa envolvendo seres humanos e do Conselho Nacional de Saúde (Resolução nº 466/2012), e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Cesumar, CAAE: 57872522.6.0000.5539. A coleta de dados foi feita no ano de 2022 nos meses de abril até junho pela pesquisadora principal e por uma equipe treinada de 6 pessoas: 1 graduando, 2 mestrandos e 3 doutorandos do Departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Maringá, experientes em coletas de dados.
Após a autorização de Secretaria Estadual de Educação e das escolas, os pesquisadores levaram até os adolescentes o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) que foram assinados pelos pais ou responsáveis para que pudessem participar da pesquisa. Os adolescentes participantes também assinaram um termo de assentimento livre e esclarecido (TALE) aceitando participar da pesquisa.
Um dia antes da coleta de dados em cada escola, foi entregue aos alunos das turmas sorteadas o TCLE e o TALE. Estes documentos deveriam ser assinados e devolvidos no dia da coleta de dados para que os alunos pudessem participar do estudo. A pesquisadora e a equipe foram até a escola no dia seguinte para recolher os termos e na sequência foi realizado o preenchimento do questionário na sala de aula. A duração média do preenchimento foi de aproximadamente 40 minutos para cada turma.
A coleta de dados foi realizada durante as aulas de Educação Física. Foi explicado aos participantes que suas informações seriam sigilosas e em hipótese alguma seria divulgado os seus nomes e o conteúdo do instrumento. Além disso, foi ressaltado a não obrigatoriedade da participação e que era possível desistir em qualquer momento da coleta. Cada adolescente autorreportou os dados individualmente e em caso de dúvida chamavam um dos pesquisadores para o esclarecimento.
Para avaliar e classificar praticantes do bullying foi utilizado o Questionário de Bullying de Olweus (QBO)2828 Gonçalves FG, Heldt E, Peixoto BN, Rodrigues GA, Filipeto M, Guimarães LSP. Construct validity and reliability of Olweus Bully / Victim Questionnaire - Brazilian version. Psicol Reflex Crit 2016; 29:1-8., que é a versão brasileira do Revised Olweus Bully/Victim Questionnaire (OBVQ)2929 Olweus D. The revised Olweus Bully/victim questionnaire. Bergen: University of Bergen, Research Center for Health Promotion (HEMIL); 1996.. O questionário apresentou confiabilidade adequada para a escala de praticantes (α=0,87). Este instrumento contém 23 itens que investigam se os indivíduos já experimentaram e/ou se envolveram em comportamentos de bullying e com que frequência nos últimos 30 dias, apresentando uma escala para quem é vítima e outra para quem é praticante de bullying. Foi utilizada para este estudo a escala de praticante de bullying. Foram classificados como praticantes do bullying aqueles que responderem terem se envolvido “Uma ou mais vezes por semana” em comportamentos de bullying.
O comportamento sedentário foi avaliado pelo Questionário de Atividades Sedentárias (QASA) para adolescentes3030 Hardy LL, Booth ML, Okely AD. The reliability of the Adolescent Sedentary Activity Questionnaire (ASAQ). Prev Med (Baltim) 2007; 45(1):71-74., na versão para brasileiros3131 Guimarães RF, Silva MP, Legnani E, Mazzardo O, Campos W. Reproducibility of adolescent sedentary activity questionnaire (ASAQ) in Brazilian adolescents. Rev Bras Cineantropometr Desemp Hum 2013; 15(3):276-285.. O QASA apresenta indicadores positivos de validade e reprodutibilidade em adolescentes brasileiros (CCI=0,88; IC95%=0,82-0,91, para dia de semana e CCI=0,77 (IC95%=0,68-0,84, para final de semana). Este instrumento fornece informações do tempo gasto em horas e/ou minutos em diferentes tipos de atividades sedentárias durante a semana e fim de semana de uma semana comum. A classificação foi dada pelo tercil de horas apresentado pela amostra, assim divididos em “Alto”, “Médio” e “Baixo” tempo em comportamento sedentário.
Foi aplicado o Versão curta da Escala de Vício no Smartphone (SAS-SV)3232 Luiz A, Andrade M, Scatena A, Di G, Martins G, Oliveira B, Becker A, Cristina C, Abadio W, Oliveira D, Kim D jin. Addictive Behaviors Validation of smartphone addiction scale - Short version ( SAS-SV ) in Brazilian adolescents. Addict Behav 2020; 110:106540. válida para adolescentes brasileiros, para verificar se o adolescente é classificado com vício ou não no uso do smartphone, sendo considerado um tipo de comportamento sedentário. O SAS-SV apresenta boa confiabilidade (α=0,81; ω=0,78), este questionário é constituído por dez questões sobre o uso do aparelho, com opções de resposta em escala do tipo Likert, de 1 a 6, indo do “Discordo totalmente” até o “Concordo totalmente”. A partir do escore que pode variar de 10 a 60 pontos, o ponto de corte apontado pelos autores3232 Luiz A, Andrade M, Scatena A, Di G, Martins G, Oliveira B, Becker A, Cristina C, Abadio W, Oliveira D, Kim D jin. Addictive Behaviors Validation of smartphone addiction scale - Short version ( SAS-SV ) in Brazilian adolescents. Addict Behav 2020; 110:106540. é de 33 para meninos e meninas, assim um resultado acima deste ponto de corte classifica o adolescente com uso problemático do smarphone, ou seja, com um indicativo que tenha uma disposição para o vício no uso do aparelho.
Para avaliar se o adolescente se encontra em níveis insuficientes de atividade física, foi avaliado o nível de atividade física por meio do questionário Physical Activity Questionnaire for Adolescents (PAQ-A)3333 Kowalski KC, Crocker PRE, Kowalski NP. Convergent validity of the Physical Activity Questionnaire for Adolescents. Pediatr Exerc Sci 1997; 9(4):342-352. na versão pra adolescentes brasileiros3434 Guedes DP, Guedes JERP. Medida da atividade física em jovens brasileiros: Reprodutibilidade e validade do PAQ-C e do PAQ-A. Rev Bras Med Esp 2015; 21(6):425-432.. O PAQ-A tem indicadores positivos de validade, reprodutibilidade (CCI entre 0,68 e 0,88 e de consistência interna [α=0,76]). Este questionário é direcionado para adolescentes de 14 a 18 anos, relacionado à frequência de atividade física no tempo livre e à prática de atividade física em intensidade modera à vigorosa durante as aulas de educação física, nos últimos 7 dias por meio de 8 questões com as opções de respostas em escala do tipo Likert de medida crescente de 1 a 5. Os adolescentes foram classificados em: menos ativos (níveis insuficientes) e mais ativos, sendo o ponto de corte a mediana dos resultados da amostra.
O tempo e a qualidade do sono dos adolescentes foram avaliados por meio do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI)3535 Buysse DJ, Reynolds CF, Monk TH, Berman SR, Kupfer DJ. The Pittsburgh Sleep Quality Index: A New Instrument for Psychiatric Practice and Research. Psychiatry Res 1989; 28:193-213., traduzido e validado para adolescentes brasileiros3636 Passos MHP, Silva HA, Pitangui ACR, Oliveira VMA, Lima AS, Araújo RC. Reliability and validity of the Brazilian version of the Pittsburgh Sleep Quality Index in adolescents. J Pediatr (Rio J) 2017; 93(2):200-206.. O PSQI é uma ferramenta com apropriada consistência interna (α=0,71) e confiabilidade adequada (ICC de 0,65 [IC95%=0,21-0,85] na avaliação do tempo e da qualidade do sono)3737 Owen N, Healy GN, Matthews CE, Dusntan DW. Too Much Sitting: The Population-Health Science of Sedentary Behavior. Analysis 2012; 38(3):105-113.. Os escores podem variar de 0 a 21 pontos. O questionário possui 19 questões sobre o tempo, qualidade e distúrbios de sono nos últimos 30 dias, destacando para a lembrança mais exata da maioria dos dias e noites do último mês. Os adolescentes que pontuaram acima de 5 pontos foram classificados com má qualidade do sono, assim apresentando risco e a pontuação menor que cinco, adequada qualidade do sono, sem risco. Em relação ao tempo de sono foram considerados indivíduos que possuem tempo de sono inadequado aqueles que tiverem com um tempo menor de 8,33 horas de sono por dia e adequado tempo de sono aqueles que tiverem de 8,33 horas de sono por dia ou mais3838 Pereira ÉF, Barbosa DG, Andrade RD, Claumann GS, Pelegrini A, Louzada FM. Sono e adolescência: quantas horas os adolescentes precisam dormir? J Bras Psiquiatr 2015; 64(1):40-44..
Para avaliar o uso de cigarro, drogas ilícitas e bebidas alcoólicas foi utilizado a versão brasileira para adolescentes3939 Guedes DP, Lopes CC. Validation of the Brazilian version of the 2007 Youth Risk. Rev Saude Publica 2010; 44(5):840-850., Youth Risk Behavior Survey (YRBS), desenvolvido pelo Center for Disease Control and Prevention4040 Kann L, McManus T, Harris W, Shanklin SL, Flint K, Hawkins J, Queen B, Lowry R, Olsen EO, Chyen D, Whittle L, Thornton J, Lim C, Yamakawa Y, Brener N, Zaza S. Youth Risk Behavior Surveillance - United States , 2015. MMWR Surveill Summ 2016; 65(6):1-174., o qual apresenta propriedades psicométricas adequadas para sua aplicação (concordância média Kappa 68,6%). Foi considerado risco: consumir pelo menos um cigarro nos 30 dias antecedentes à coleta4141 Birdsey J, Cornelius M, Jamal A, Park-lee E, Cooper MR, Wang J, Sawdey MD, Cullen KA, Neff L. Tobacco Product Use Among U.S. Middle and High School Students - National Youth Tobacco Survey, 2023. Morb Mortal Wkly Rep 2023; 72(44):1173-1182.; consumir algum tipo de droga ilícita (pelo menos uma) nos últimos 30 dias anteriores a coleta e consumir pelo menos uma dose de bebida alcoólica nos últimos 30 dias.
Para avaliar a percepção de qualidade de vida foi utilizado o questionário KIDSCREEN-52, versão para crianças e adolescentes, validado no Brasil1414 Guedes DP, Guedes JERP. Translation, cross-cultural adaptation and psychometric properties of the kidscreen-52 for the brazilian population. Rev Paul Pediatr 2011; 29(3):364-371.. Este questionário possui 52 questões distribuídas em 10 dimensões relacionadas à qualidade de vida: Saúde e atividade física; Sentimentos; Estado emocional; Autopercepção; Autonomia e tempo livre; Família/ambiente familiar; Aspecto financeiro; Amigos e apoio social; Ambiente escolar; Provocação/bullying. Neste questionário o α de Cronbach apresenta coeficientes entre 0,725 e 0,894. Os valores de consistência interna na versão criança/adolescente variaram entre 0,725 na dimensão “Autopercepção” e 0,894 na dimensão “Aspecto Financeiro”, com valor global médio de 0,817.
As respostas das questões são distribuídas em escala tipo Likert de um a cinco pontos (referentes a acontecimentos na semana anterior) O KIDSCREEN-52 proporciona um escore, onde quanto maior o resultado, melhor é a percepção de qualidade de vida. No presente estudo foi categorizado como alta percepção de qualidade de vida ou baixa percepção, a partir da mediana do escore dos adolescentes.
Este estudo apresentou como variáveis de controle: a classe econômica, o sexo e a faixa etária (divididos por idade de 15, 16 e 17 anos). O sexo e a faixa etária foram obtidos por meio de uma anamnese.
A avaliação da classe econômica foi feita pelo Questionário de Critério de Classificação Econômica Brasil, proposto pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa4242 Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). Critério de classificação econômica - Alterações na aplicação do Critério Brasil, válidas a partir de 16/04/2018. São Paulo: ABEP; 2018.. Este critério visa estimar o poder de compra das pessoas e famílias por meio de utensílios presentes na casa, e o grau de instrução do chefe da família. Para este estudo, a amostra foi classificada em classe alta (classe A), média (classe B1 e B2) e baixa (C e D).
Para análise dos dados, as características sociodemográficas e descrição das variáveis desfecho e exposição foram descritas a partir de frequências absolutas e relativas. O teste do Qui-quadrado foi utilizado para comparar as proporções e suas possíveis diferenças entre os sexos. Para associação entre as variáveis bullying, CRS (níveis insuficientes de atividade física, sono insuficiente, qualidade do sono, uso de tabaco, drogas ilícitas e bebidas alcoólicas) e PQV foi utilizada a regressão logística binária para desfechos dicotômicos e regressão logística ordinal para o desfecho politômico ordinal (comportamento sedentário).
Como controle foram utilizadas as variáveis sexo, idade e classe econômica, sendo feitas por meio de análises ajustadas. Assim, foram criados três modelos de análise: modelo 1: análise bruta; modelo 2: análise ajustada para classe econômica; modelo 3: análise ajustada para sexo, idade e classe econômica. As análises foram feitas utilizando o software estatístico Stata versão 15.0 (StataCorp LLC, College Station, TX, USA) e consideraram um nível de significância de 5% (p≤0,05).
Resultados
A amostra final foi composta por 1.020 adolescentes, sendo 50,1% do sexo masculino (n=511). A Tabela 1 mostra a descrição das variáveis de exposição, desfecho e covariáveis total e estratificada por sexo, mostrando se há diferença entre meninos e meninas (valor p). Quanto ao bullying, 17,2% (n=175) da amostra relatou realizar bullying, não havendo diferença significativa entre os sexos.
A Tabela 2 mostra a associação bruta e ajustada, nos três modelos, entre cada comportamento de risco à saúde avaliado, percepção de qualidade de vida e prática de bullying. Razões de odds destacadas em negrito apresentam associações estatisticamente significantes (valor p<0,05). As associações significativas do modelo 2 se mantiveram as mesmas ao do modelo 1, exceto a percepção de qualidade de vida dos meninos que quando ajustada para classe econômica não teve mais associação com a prática de bullying no modelo 2. E o modelo 3 também foi bastante similar ao modelo 1 e 2, mostrando que as associações do bullying se mantiveram significativas, exceto comportamento sedentário para meninas, quando controlado a classe econômica e a idade dos adolescentes não foram mais significativas.
Os adolescentes praticantes de bullying apresentaram mais chances (valores ajustados, modelo 3) de estarem no grupo que fumava (OR=1,7); consumia álcool (OR=1,8), tinha uso problemático de smartphone (OR=1,5), tinham pior qualidade de sono (OR=1,6) e que faziam mais atividade física (OR=1,5), ou seja, apresentaram mais chances de não estar no comportamento de risco de prática insuficiente de atividade física, quando comparados aos não praticantes (Tabela 2).
Estratificado por sexo, os meninos que realizaram bullying tiveram 2,2 e 2,0 vezes mais chance de consumir álcool e de realizar atividade física, respectivamente. E as meninas praticantes de bullying tiveram 2,1, 3,6, 1,8 e 2,7 vezes mais chance de fumar, usar drogas ilícitas, ter vício em smartphone e ter uma pior qualidade do sono, respectivamente, além de possuir 60% (OR=0,4 IC95%=0,3-0,8) mais chance de ter uma pior percepção de qualidade de vida (Tabela 2).
Discussão
Diante do objetivo do estudo de verificar a associação da prática de bullying com CRS e PQV, em adolescentes da cidade de Maringá, Paraná, Brasil, os dados mostraram que praticar de bullying tem associação com fumar, consumir álcool, ter vício em smartphone, ter uma pior qualidade do sono e realizar mais atividade física. Quando analisado os sexos separadamente, os meninos que realizaram bullying mostraram ter mais chance de consumir álcool e de realizar atividade física. E as meninas praticantes de bullying mostraram mais chance de fumar, usar drogas ilícitas, ter vício em smartphone, ter uma pior qualidade do sono, e uma pior percepção de qualidade de vida.
Quanto a relação da prática do bullying com o consumo de álcool, os resultados do presente estudo concordam com outros estudos que também observam essa relação positiva2020 Peleg-Oren N, Cardenas GA, Comerford M, Galea S. An Association Between Bullying Behaviors and Alcohol Use Among Middle School Students. J Early Adolesc 2012; 32(6):761-775.,4343 Williams GC, Battista K, Jiang Y, Morrison H, Leatherdale ST. Longitudinal associations between bullying and alcohol use and binge drinking among grade 9 and 10 students in the COMPASS study. Can J Public Health 2020; 111(6):1024-1032.. Um estudo longitudinal mostrou que os adolescentes que não consumiam álcool excessivamente no início da pesquisa, mas que se tornaram praticantes de bullying após dois anos, estavam mais propensos ao consumo excessivo de álcool4343 Williams GC, Battista K, Jiang Y, Morrison H, Leatherdale ST. Longitudinal associations between bullying and alcohol use and binge drinking among grade 9 and 10 students in the COMPASS study. Can J Public Health 2020; 111(6):1024-1032.. Talvez o consumo do álcool possa fazer com que os indivíduos se sintam superiores ao outros, dando a sensação de serem mais valentes, o que pode os deixar mais agressivos, e assim praticar bullying. Além disso, pretextos sociais podem motivar o adolescente a consumir álcool4343 Williams GC, Battista K, Jiang Y, Morrison H, Leatherdale ST. Longitudinal associations between bullying and alcohol use and binge drinking among grade 9 and 10 students in the COMPASS study. Can J Public Health 2020; 111(6):1024-1032.. Indivíduos de 15 a 17 anos são proibidos de consumir álcool, mas se mesmo assim consomem, pode ser pelo fato de não terem suporte familiar adequado ou que estejam em vulnerabilidade social, o que pode fazer com que estejam mais suscetíveis de serem agressivos com os colegas.
Diferente de outros estudos, as associações entre álcool e a prática de bullying foram positivas somente nos meninos, o estudo de Klink et al.4444 Klinck M, Fagle T, Ohannessian CM. Appearance-related teasing and substance use during early adolescence. Psychol Addict Behav 2020; 34(4):541-548., mostrou que as associações positivas entre provocações e uso de álcool foram mais fortes entre as meninas. Já uma revisão sistemática que analisou a associação do bullying e o uso de substâncias psicoativas mostraram que há uma associação entre prática de bullying e uso de substâncias em ambos os sexos4545 Horta CL, Horta RL, Mester A, Lindern D, Weber JLA, Levandowski DC, Lisboa CSDM. Bullying e uso de substâncias psicoativas na adolescência: Uma revisão sistemática. Cien Saude Colet 2018; 23(1):123-140.. Ou seja, apesar de no presente estudo apenas os meninos mostrarem associação positiva entre praticar bullying e consumir álcool, há na literatura estudos que mostram a tendência de haver associação entre estas variáveis para os meninos e para as meninas4545 Horta CL, Horta RL, Mester A, Lindern D, Weber JLA, Levandowski DC, Lisboa CSDM. Bullying e uso de substâncias psicoativas na adolescência: Uma revisão sistemática. Cien Saude Colet 2018; 23(1):123-140..
Na amostra deste estudo, os meninos autorreportaram serem mais ativos do que as meninas e isso pode explicar o motivo da relação entre a prática de atividade física e a prática de bullying ser significativamente positiva somente para os meninos. Uma possível explicação para isso é que o ambiente social da atividade física possa influenciar a prática do bullying, onde o adolescente mais ativo e mais habilidoso pode se sentir mais forte que outros indivíduos menos habilidosos e assim o insultá-lo. Além disso, os locais de prática de atividade física tendem a ter menos vigilância e assim maior oportunidade de “anonimato”, podendo ser o ambiente esportivo, um “gatilho” para ações de bullying. Haver ou não haver relação entre estas duas variáveis ainda é conflitante na literatura para os dois sexos, há estudos que mostram relação positiva1818 Méndez I, Ruiz-esteban C, Ortega E, Ruiz-esteban C. Impact of the Physical Activity on Bullying. Front Psychol 2019; 10:1520.,4646 Oliveira WA, Silva MAI, Silva JL, Mello FCM, Prado RR, Malta DC. Associations between the practice of bullying and individual and contextual variables from the aggressors' perspective. J Pediatr (Rio J) 2016; 92(1):32-39., estudo que mostra relação negativa2525 Chung JY, Sun MS, Kim HJ. What makes bullies and victims in Korean elementary schools? Child Youth Serv Rev 2018; 94:132-139. e outros que mostram não haver relação1919 Martín DS, Matesanz RV. Relationship between the levels of physical activity and the defining features of the roles of aggression-victimization situations in schoolchildren. Sport Tech J Sch Sport Phys Educ Psychomot 2018; 4:59-76.,4747 Sampasa-Kanyinga H, Colman I, Goldfield GS, Janssen I, Wang JL, Hamilton HA, Chaput JP. Associations between the Canadian 24 h movement guidelines and different types of bullying involvement among adolescents. Child Abus Negl 2020; 108:104638., mas esse estudo sugere que professores de educação física estejam atentos à prática de bullying no contexto escolar.
Os comportamentos de risco à saúde de fumar e de usar drogas ilícitas apresentaram relação com praticar bullying para as meninas. Uma meta-análise abrangendo 28.477 participantes mostrou que realmente a prática de bullying está associada positivamente com o uso de tabaco e drogas em geral e além disso, praticantes tem mais risco de consumirem substâncias mais tarde na vida do que os indivíduos que não praticam bullying1717 Vrijen C, Wiertsema M, Ackermans MA, Ploeg RD. Childhood and Adolescent Bullying Perpetration and Later Substance Use: A Meta-analysis. Pediatrics 2021; 147(3):e2020034751.. Apesar da literatura mostrar esta associação em ambos os sexos, no presente estudo somente as meninas obtiveram resultados significativos, o que pode ser pelo motivo de que meninas que usam tabaco e/ou drogas ilícitas se sentem mais superiores às meninas que não fazem o uso destas substâncias do que os meninos que fazem uso das substâncias, e isso pode ser um motivo de praticarem bullying.
Outra relação que foi positiva para as meninas foi o uso problemático de smartphones que atualmente pode ser caracterizado como um tipo de comportamento sedentário. Ainda são escassos na literatura estudos que mostram a relação entre o vício em smartphone e praticar bullying, entretanto o estudo de Blinka et al.4848 Blinka L, Sta A, Sablat N, Husarova D. Adolescents' problematic internet and smartphone use in (cyber) bullying experiences : A network analysis. Child Adolesc Ment Health 2023; 28(1):60-66. apresentaram resultados semelhantes ao deste estudo, onde mostra que há associação entre o uso problemático de smartphones e experiências com bullying em meninas, adicionado a isso, este estudo mostra que a falta de sono devido ao uso da Internet, hoje na maioria das vezes acessados pelo smatphone, também se conecta a experiências com o bullying1717 Vrijen C, Wiertsema M, Ackermans MA, Ploeg RD. Childhood and Adolescent Bullying Perpetration and Later Substance Use: A Meta-analysis. Pediatrics 2021; 147(3):e2020034751.. Isso pode ser explicado pelo fato de que o smartphone é mais um meio onde pode acontecer o bullying, só que de maneira virtual (o bullying quando acontece em dispositivos digitais é conhecido como cyberbullying)4848 Blinka L, Sta A, Sablat N, Husarova D. Adolescents' problematic internet and smartphone use in (cyber) bullying experiences : A network analysis. Child Adolesc Ment Health 2023; 28(1):60-66.. Este tipo de bullying é facilitado uma vez que quem o faz é “protegido” pelas telas, o que deixa o praticante mais encorajado. As meninas apresentando maior prevalência de problemas com o uso destes dispositivos, pode ser um dos motivos para somente elas apresentarem associação entre estas variáveis.
O sono também foi uma variável que mostrou associação com a provocação do bullying para as meninas, onde as praticantes tiveram mais chance de ter uma pior qualidade de sono do que as que não realizam bullying. Esta associação corrobora com achados da literatura, que mostram haver relação positivas entre praticantes de bullying e distúrbios do sono2222 Donoghue C, Meltzer LJ. Sleep it off : Bullying and sleep disturbances in adolescents. J Adolesc 2018; 68:87-93.,2323 Ding H, Cao L, Xu B, Li Y, Xie J, Wang J, Su P, Wang G. Involvement in bullying and sleep disorders in Chinese early adolescents. Front Psychiatry 2023; 14:1115561.. As meninas do presente estudo também mostraram ter uma pior qualidade de sono do que os meninos no geral, independentemente se envolvidas ou não com o bullying, o que pode explicar o fato de ter dado associação somente para as meninas. Uma má qualidade do sono pode resultar em problemas com a saúde mental, tendência ao mau humor, irritabilidade e nervosismos4949 Agathão BT, Lopes CS, Cunha DB, Sichieri R. Gender differences in the impact of sleep duration on common mental disorders in school students. BMC Public Health 2020; 20(1):148., o que provavelmente pode impactar no relacionamento com os colegas, e consequentemente favorecer a prática do bullying. Entretanto não foram avaliados outros hábitos diários que podem influenciar na qualidade do sono, como ingerir bebidas energéticas ou comer muito próximo da hora de dormir, o que também poderia influenciar o sono.
Por fim, a PQV das meninas que praticam bullying mostrou associação com a prática do bullying, ou seja, as praticantes de bullying tendem a ter uma pior percepção de qualidade de vida do que as que não são praticantes. Resultados da literatura parecem concordar com este achado2424 Lourdes Á De, Pérez M, José J, Cánovas G. The Impact of the Magnitude of the Group of Bullies on Health Related Quality of Life and Academic Performance Among Adolescents. Child Psychiatry Hum Dev 2023; 54(3):796-805.. A revisão sistemática realizada por Dubey et al.1515 Dubey VP, Kievišien J, Agostinis-sobrinho C. Bullying and Health Related Quality of Life among Adolescents - A Systematic Review. Children 2022; 9(6):766. aponta que o bullying pode influenciar significativamente a PQV de adolescentes, pois este é um período da vida em que ocorrem inúmeras transformações pessoais e interpessoais na vida do adolescente. Sendo a qualidade de vida um constructo multidimensional com domínios físicos, psicológicos, sociais e ambientais1515 Dubey VP, Kievišien J, Agostinis-sobrinho C. Bullying and Health Related Quality of Life among Adolescents - A Systematic Review. Children 2022; 9(6):766., quando um ou mais destes domínios estão afetados, podem colaborar para que o adolescentes tenha atitudes agressivas que resultem ao bullying. Além disso, alguns estudos apontam que há uma tendência das meninas possuírem uma PQV inferior ao dos meninos5050 Ashdown-franks G, Sabiston CM, Solomon-krakus S, Loughlin JLO. Sport participation in high school and anxiety symptoms in young adulthood. Ment Health Phys Act 2017; 12:19-24.,5151 Baciu C, Baciu A. Quality of life and students' socialization through sport. Procedia 2015; 209:78-83., podendo ter relação com o resultado do presente estudo, onde somente houve relação entre prática de bullying e PQV para as meninas.
O estudo apresenta algumas limitações: 1) apesar de ser representativo, o estudo considerou apenas instituições públicas de ensino, entretanto a inclusão de adolescentes de instituições privadas seria justificada apenas pela ampliação da amostra, pois, mesmo em escolas públicas a amostra abrange todos os estratos econômicos; 2) os dados foram obtidos de forma autorreportada, o que pode superestimar os resultados do estudo. Para amenizar este viés foram utilizados somente questionários com propriedades psicométricas adequadas para a população do estudo; 3) a coleta de dados aconteceu pouco tempo depois em que as escolas normalizaram as aulas presenciais após grande período de isolamento social causado pela pandemia de COVID-19. Isso pode ter afetado alguns comportamentos dos adolescentes além do que aconteceria sem a pandemia, porém foi um período de realidade mundial o que não tira a importância destes dados neste período; 4) algumas questões do questionário de comportamentos de risco à saúde, principalmente sobre o uso do tabaco, álcool e drogas ilícitas podem causar insegurança nos adolescentes, que podem não querer expor tais informações e omitir sobre o consumo mesmo sendo afirmado que os nomes não seriam expostos, por isso é necessário cautela ao interpretar estes dados. 5) não foi coletado o local que aconteceu o bullying realizado pelo adolescente, o que impede de saber se lugares com menos vigilância e que facilitam o anonimato tendem a ocorrer mais bullying.
Este estudo apresenta pontos fortes que merecem ser destacados, como a realização de uma pesquisa envolvendo amostra representativa da cidade de Maringá-PR e o fato do trabalho trazer contribuições importantes relacionadas a prática de bullying, o que o tema no Brasil ainda é pouco explorado, principalmente relacionando-o com comportamentos de risco à saúde em adolescentes.
Conclui-se que há associação da prática de bullying com comportamentos de risco à saúde e com a PQV em adolescentes. Sendo que esta associação para os meninos foi entre a prática de bullying e o consumo de álcool e a prática de atividade física (ser mais ativo), e para as meninas os resultados indicam pontos de atenção para prática de bullying e fumar, uso de drogas ilícitas, vício em smartphone, qualidade do sono e PQV. Sugere-se a realização de mais pesquisas envolvendo a prática de bullying e seus correlatos, assim como ações no município e em território nacional para que o bullying seja evitado nas escolas.
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Financiamento
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.