Avaliação de competências individuais e interprofissionais de profissionais de saúde em atividades clínicas simuladas: scoping review

Assessment of individual and interprofessional skills of health professionals in simulated clinical activities: a scoping review

Evaluación de competencias individuales e interprofesionales de profesionales de salud en actividades clínicas simuladas: scoping review

Fernanda Berchelli Girão Miranda Alessandra Mazzo Gerson Alves Pereira JuniorSobre os autores

Resumos

Objetivo:

identificar junto à literatura como tem sido realizada a avaliação de competências individuais e interprofissionais em atividades clínicas simuladas na formação e capacitação de profissionais da área de Saúde.

Método:

estudo realizado por meio de Scoping Review, conforme Joanna Briggs Institute. As buscas foram realizadas entre dezembro de 2015 a fevereiro de 2016 nas bases de dados eletrônicas estabelecidas, por intermédio dos descritores e sinônimos.

Resultados:

Foram analisados 20 estudos que atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos; os itens avaliados com maior frequência em todas as categorias profissionais foram as habilidades procedimentais e de comunicação; os dhecklists foram os instrumentos mais frequentes para avaliar competências.

Conclusão:

o desenvolvimento e a avaliação de competências profissionais e interprofissionais em simulação clínica têm sido realizadod com o apoio de instrumentos e métodos variados, todavia, o conteúdo e utilização destes podem limitar e direcionar o processo avaliativo.

Palavras-chave:
Pessoal de saúde; Simulação; Competência clínica; Métodos de avaliação


Objective:

to identify in the literature how the assessment of individual and interprofessional skills in simulated clinical activities in the training and qualification of health professionals has been performed.

Method:

study conducted through a scoping review according to the Joanna Briggs Institute. The searches were conducted between December 2015 and February 2016 in the established electronic databases through descriptors and synonyms.

Results:

Twenty studies that were in line with the established inclusion criteria were analyzed; communication and procedural skills were the most frequently assessed items in all professional categories, and checklists were the most frequently used instruments to assess the skills.

Conclusion:

the development and assessment of professional and interprofessional skills in clinical simulation have been carried out with the support of different instruments and methods, however their content and use may limit and direct the assessment process.

Keywords:
Health personnel; Simulation; Clinical skill; Assessment methods


Objetivo:

identificar en la literatura cómo se ha realizado la evaluación de competencias individuales e interprofesionales en actividades clínicas simuladas en la formación y capacitación de profesionales del área de la salud.

Método:

estudio realizado por medio de Scoping Review, conforme el Joanna Briggs Institute. Las búsquedas se realizaron entre diciembre de 2015 y febrero de 2016 en las bases de datos electrónicas establecidas, por medio de los descriptores y sinónimos.

Resultados:

Se analizaron 20 estudios que atendieron los criterios de inclusión establecidos, los ítems evaluados con mayor frecuencia en todas las categorías profesionales fueron las habilidades procedimentales y de comunicación; las checklists fueron los instrumentos más frecuentes para evaluar competencias.

Conclusión:

el desarrollo y evaluación de competencias profesionales e interprofesionales en simulación clínica se han realizado con el apoyo de instrumentos y métodos variados; no obstante, el contenido y la utilización de los mismos pueden limitar y direccionar el proceso de evaluación.

Palabras clave:
Personal de salud; Simulación; Competencia clínica; Métodos de evaluación


Introdução

Existem inúmeros conceitos utilizados para definir competências. Atualmente, competência tem sido descrita como um processo contínuo que, no contexto da saúde, envolve: habilidades cognitivas, psicomotoras, de comunicação, raciocínio clínico, capacidade de resolver problemas, tomada de decisões, e comportamento psicológico e social do aprendiz para se adaptar aos novos ambientes e condições11. McClelland DC. Testing for competence rather than for “intelligence”. Am Psychol.1973; 28(1):1-14.44. Furukawa PO, Cunha ICKO. Da gestão por competências às competências gerenciais do enfermeiro. Rev Bras Enferm. 2010; 63(6):1061-6..

As Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Medicina de 201455. Ministério da Educação (BR). Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina [Internet]. Brasília: MEC; 20914 [citado 20 Jun 2018]. Disponível em: http://www.abem-educmed.org.br/pdf/diretrizescurriculares.pdf.
http://www.abem-educmed.org.br/pdf/diret...
definem competência como sendo a capacidade de mobilizar diferentes recursos para solucionar, com pertinência e sucesso, os problemas da prática profissional em diferentes contextos do trabalho em saúde. A mobilização de capacidades cognitivas, atitudinais e psicomotoras promove uma combinação de recursos que se expressa em ações frente a um problema. As ações são traduzidas por desempenhos que refletem os elementos da competência, as capacidades de intervenção dos valores e padrão de qualidade num determinado contexto da prática. Assim, traduzem a excelência da prática médica nos cenários do Sistema Único de Saúde (SUS).

A formação interprofissional é eficaz para o desenvolvimento de profissionais competentes, possibilitando: um estilo de educação que permite o trabalho em equipe, a integração e a flexibilidade da força de trabalho, além da reflexão dos aprendizes sobre a necessidade de domínios de conhecimentos, habilidades e atitudes para que possam atuar e contribuir para a socialização entre os profissionais66. MacKenzie D, Creaser G, Sponagle K, Gubitz G, MacDougall P Blacquiere D, et al. Best practice interprofessional stroke care collaboration and simulation: the student perspective. J Interprof Care. 2017; 31(6):793-6.,77. Costello M, Prelack K, Faller J, Huddleston J, Adly S, Doolin J. Student experiences of interprofessional simulation: findings from a qualitative study. J Interprof Care. 2018; 32(1):95-7.. Também permite a discussão de temas que, normalmente, apenas margeiam os conteúdos curriculares de uma forma pouco prática, como: profissionalismo, liderança, comunicação, tomada de decisão, administração e gerenciamento, educação permanente, ética e bioética, e juízo de crenças e valores pessoais e corporativos, compondo as competências gerais (ou comuns a todos os profissionais da saúde) da prática interprofissional compartilhada.

A Organização Mundial da Saúde (OMS)88. World Health Organization. Framework for action in interprofessional education and collaborative practice. Geneva: WHO; 2010. (WHO/HRH/HPN/10.3). defende que, dentre as estratégias de progresso para o futuro, devemos destacar a educação interprofissional. No Brasil, o avanço dessa temática tem sido associado às propostas do SUS para o desenvolvimento das equipes. Todavia, os processos de formação nem sempre englobam o trabalho interprofissional, o que repercute de forma negativa na prática clínica, no relacionamento do profissional com o paciente, com o familiar e com os demais membros da equipe multiprofissional99. Câmara AMCS, Cyrino AP Cyrino EG, Azevedo GD, Costa MV Bellini MIB, et al. Interprofessional education in Brazil: building synergic networks of educational and health care processes. Interface (Botucatu). 2016; 20(56):5-8.1111. Scherer ZAP Scherer EA, Carvalho AMP Reflexões sobre o ensino da enfermagem e os primeiros contatos do aluno com a profissão. Rev Lat Am Enfermagem. 2006; 14(2):285-91.. Conceitualmente, o termo multiprofissional diz respeito ao conjunto de profissionais que trabalham de maneira simultânea, mas sem estarem relacionados entre si, enquanto, no interprofissional, refere-se àquilo que se realiza entre duas ou mais profissões ou profissionais; em que participam indivíduos de diferentes profissões.

A formação em serviço proporciona não somente a qualificação dos trabalhadores do SUS, mas o desenvolvimento do próprio sistema de saúde, partindo da reflexão sobre a realidade dos serviços e sobre o que precisa ser transformado, com a finalidade de melhorar a gestão e o cuidado em saúde.

O trabalho colaborativo em equipes de saúde, respeitando normas institucionais dos ambientes de trabalho e compromissos ético-profissionais, pode superar a fragmentação dos processos de trabalho e promover parcerias e constituição de redes, ampliando a aproximação entre instituições, serviços e outros setores envolvidos na atenção integral à saúde. As diretrizes curriculares podem apontar para a elaboração compartilhada e interprofissional de projetos terapêuticos que estimulem o autocuidado e a autonomia das pessoas, famílias, grupos e comunidades, reconhecendo os usuários como protagonistas ativos de sua própria saúde.

Dentre as inúmeras estratégias que têm sido utilizadas para modificar tais situações e alcançar o aprimoramento e o desenvolvimento de competências específicas e interprofissionais de estudantes e profissionais de saúde, destaca-se o uso da simulação clínica. A simulação clínica é uma estratégia de ensino-aprendizagem que permite que, em ambiente artificial, se imitem as situações reais com a melhor verossimilhança possível. Pode ser utilizada em diferentes complexidades de cenários e com diversas modalidades de recursos. A fidelidade dos cenários é delimitada pelos objetivos de aprendizagem das atividades e, nesse contexto, as simulações de alta fidelidade geralmente envolvem situações complexas, raciocínio clínico e trabalho em equipe interprofissional1212. Martins JCA, Mazzo A, Negrão RBC, Coutinho VRD, Godoy S, Mendes IAC, et al. A simulada experiência clínica no ensino de enfermagem: retrospectiva histórica. Acta Paul Enferm. 2012; 25(4):619-25.,1313. Almeida RGS, Mazzo A, Martins JCA, Baptista RCN, Girão FB, Mendes IAC. Validação para a língua portuguesa da escala Student Satisfactionand Self-Confidence in Learning. Rev Lat Am Enfermagem. 2015; 23(6):1007-13..

Nas práticas clínicas simuladas os processos de desenvolvimento de competências interferem na formação individual, o que repercute também no trabalho interprofissional e é acompanhado pelas distintas formas como as competências individuais e interprofissionais têm sido avaliadas. Avaliar competências envolve a compreensão em plenitude do aprendiz pelo docente, é capaz de estimular no aprendiz: a autoavaliação, o raciocínio clínico, a consciência das atitudes, a percepção da infraestrutura e os recursos humanos, diagnósticos e terapêuticos disponíveis na instituição de saúde, tornando-o capaz de correlacionar esses fatores com o nível de atenção oferecido aos usuários dentro do sistema de saúde.

A formação dos profissionais em saúde é conduzida pelas Diretrizes Nacionais Curriculares, nas quais o desenvolvimento das competências e habilidades específicas sinalizam contribuições dessas profissões para a consolidação e fortalecimento do SUS. Assim, desenvolver e avaliar as competências desses profissionais torna-se necessário, podendo refletir diretamente na qualidade da assistência aos usuários do sistema de saúde brasileiro.

Nesse sentido, para apoiar esse processo, esse estudo tem como objetivo identificar, junto à literatura nacional e internacional, como tem sido realizada a avaliação de competências individuais e interprofissionais em atividades clínicas simuladas na formação e capacitação de profissionais de saúde.

Método

Estudo realizado por meio de Scoping Review, conforme a proposta do Joanna Briggs Institute (JBI)1414. The Joanna Briggs Institute (JBI). The Joanna Briggs Institute Reviewers' Manual 2015: methodology for JBI scoping reviews. Adelaide: JBI; 2015.. Para a construção da pergunta da pesquisa, aplicou-se a estratégia PCC, que representa uma mnemônica para População, Conceito e Contexto1414. The Joanna Briggs Institute (JBI). The Joanna Briggs Institute Reviewers' Manual 2015: methodology for JBI scoping reviews. Adelaide: JBI; 2015., definindo: P - alunos, profissionais de saúde; C -avaliação de competências; C - atividade simulada. Para a busca e seleção dos estudos, foi estabelecida a seguinte questão norteadora: “Como avaliar competências entre alunos e/ou profissionais de saúde em atividades clínicas simuladas?”.

A busca foi realizada por dois pesquisadores independentes, conforme critérios do JBI1414. The Joanna Briggs Institute (JBI). The Joanna Briggs Institute Reviewers' Manual 2015: methodology for JBI scoping reviews. Adelaide: JBI; 2015., nas bases de dados: Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), National Library of Medicine (PubMed), SCOPUS; e na plataforma Web of Science, por meio dos descritores e/ou seus sinônimos, de acordo com os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH), para cada item da estratégia. Dessa forma, foram utilizados para População (P): “Estudantes de Enfermagem” OR “Estudantes” OR “Pessoal de Saúde” OR “Enfermeiros” OR “Enfermagem” OR “Alunos de Enfermagem” OR “Enfermeiras Estudantes” OR “Enfermeiros Estudantes” OR “Profissional da Saúde” OR “Profissional de Saúde” OR “Profissionais da Saúde” OR “Trabalhador de Saúde” OR “Trabalhador da Saúde” OR “Trabalhadores de Saúde” OR “Trabalhadores da Saúde” OR “Students Nursing” OR “Students” OR “Health Personnel” OR “Nurses” OR “Nursing” OR “Nurses Students” OR “Nursing Students” OR “Student Nurses” OR “Health Professional” OR “Health Professionals” OR “Health Worker” OR “Health Workers”; Conceito (C): “Competência Clínica” OR “Competência Profissional” OR “Educação Baseada em Competências” OR “Avaliação” OR “Metodologia de Avaliação” OR “Métodos de Avaliação” OR “Técnicas de Avaliação” OR “Clinical Competence” OR “Professional Competence” OR “Competency-Based Education” OR “Evaluation” OR “Evaluation Methodology” OR “Assessment methods” OR “Technical Evaluation”; Contexto (C): “Simulação de Paciente” OR “Simulação” OR “Paciente simulado” OR “Patient Simulation” OR “Patient Simulations” OR “Simulation, Patient” OR “Simulations, Patient”.

Para a combinação dos descritores, foram considerados os termos booleanos: AND, OR e NOT1515. Santos CM, Pimenta CA, Nobre M. A estratégia PICO para a construção da pergunta de pesquisa e busca de evidências. Rev Lat Am Enfermagem. 2007; 15(3):508-11.. Após a realização da busca, foram inclusas: as pesquisas realizadas nos idiomas inglês, espanhol e português, com abordagem quantitativa e qualitativa, estudos primários, revisões sistemáticas, metanálises e/ou metassínteses, livros e guidelines, publicados em fontes indexadas ou na literatura cinzenta, que respondessem a pergunta estabelecida; não foram incluídos os artigos em idiomas diferentes dos estabelecidos, publicações de opiniões, consensos, retrações, editoriais, websites e propagandas veiculadas em mídias. As buscas foram executadas entre os meses de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016, período no qual todas as publicações foram acessadas, sem quaisquer restrições quanto ao espaço temporal. Para a seleção dos estudos, foi realizada a leitura criteriosa do título, resumo e palavras-chave, e, posteriormente, a adequação aos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. Em relação aos estudos em que o título, o resumo e as palavras-chave não foram suficientes para definir a seleção, buscou-se a leitura do artigo na íntegra.

Para a extração dos dados, entre os estudos selecionados, utilizou-se um instrumento estruturado pelos próprios pesquisadores conforme recomendações do JBI1414. The Joanna Briggs Institute (JBI). The Joanna Briggs Institute Reviewers' Manual 2015: methodology for JBI scoping reviews. Adelaide: JBI; 2015.. Na análise crítica dos artigos selecionados, foi ainda realizada análise do delineamento das pesquisas1616. Polit DF, Beck CT, Hungler BP Fundamentos de pesquisa em enfermagem: métodos, avaliação e utilização. Porto Alegre: Artmed; 2011..

Resultados

Foram identificados 2.936 estudos por meio da pesquisa nas bases de dados. Após leitura dos títulos e resumos, selecionaram-se 72 artigos para leitura na íntegra. Após análise da íntegra dos 72 estudos selecionados, vinte foram inclusos por responderem à questão da pesquisa. Para a apresentação dos resultados, as pesquisas foram numeradas de um a vinte. A descrição detalhada do processo de seleção e inclusão dos artigos encontra-se descrita no Fluxograma 1.

Fluxograma 1
Descrição do processo de seleção dos estudos. Ribeirão Preto, SP Brasil, 2016.

Os vinte estudos incluídos na amostra foram publicados entre os anos de 2003 a 2015. O Quadro 1 apresenta os estudos analisados segundo: o ano de publicação, autores, país de origem do estudo, amostra, abordagem metodológica, itens avaliados e estratégia simulada utilizada na avaliação; e o Quadro 2 apresenta os estudos avaliados conforme denominação e conteúdo dos instrumentos utilizados para a avaliação de competências.

Quadro 1
Estudos analisados segundo: o ano de publicação, autores, país de origem do estudo, amostra, abordagem metodológica, itens avaliados e estratégia utilizada em simulação para a avaliação. Ribeirão Preto, SP Brasil, 2016.
Quadro 2
Estudos analisados conforme denominação e conteúdo dos instrumentos utilizados para a avaliação. Ribeirão Preto, SP Brasil, 2016.

Discussão

A avaliação, sob a ótica de sua concepção formativa e como mecanismo fundamental de regulação e melhoria da qualidade da educação, desempenha um papel indutor fundamental para o processo de mudanças na graduação, tendo em perspectiva a formação de profissionais aptos a prestarem atenção à saúde de forma resolutiva e integral. A avaliação dos estudantes deve ter caráter processual, contextual, multimodal e formativo, com a utilização de instrumentos e métodos que avaliem conhecimentos, habilidades e atitudes, objetivando produzir reflexões coletivas que ofereçam diretrizes para a tomada de decisões e definição de prioridades.

Compete às instituições de ensino o desafio de determinar quais competências são as mais críticas e relevantes para que os estudantes e/ou profissionais em período de capacitação estejam seguros e minimamente preparados para a prática, assim como, garantir a avaliação das competências dos aprendizes ao se titularem22. Sportsman S. Competency education and validation in the United States: what should nurses know?. Nurs Forum. 2010; 45(3):140-9.,3737. Ruthes RM, Cunha ICKO. Entendendo as competências para aplicação de enfermagem. Rev Bras Enferm. 2008; 61(1):109-12.,3838. Pinilla-Roa AE. Evaluación de competencias profesionales en salud. Rev Fac Med. 2013; 61(1):53-70..

Como reflexo desse crescimento do uso da simulação clínica na formação e capacitação dos profissionais de saúde, temos visto a proliferação de instrumentos de avaliação destinados a avaliar o desempenho dos participantes nas práticas simuladas3939. Kardong-Edgren S, Adamson KA, Fitzgerald CA. Review of currently published evaluation instruments for human patient simulation. Clin Simul Nurs. 2010; 6(1):25-35.,4040. Mikasa AW, Cicero TF, Adamson KA. Outcome-based evaluation tool to evaluate student performance in high-fidelity simulation. Clin Simul Nurs. 2013; 9(9):361-7.. A prática clínica simulada destaca-se pelos efeitos positivos no desenvolvimento do trabalho interprofissional, sobretudo, no que diz respeito às habilidades não técnicas e, também, técnicas da aprendizagem de estudantes e profissionais de saúde88. World Health Organization. Framework for action in interprofessional education and collaborative practice. Geneva: WHO; 2010. (WHO/HRH/HPN/10.3).1111. Scherer ZAP Scherer EA, Carvalho AMP Reflexões sobre o ensino da enfermagem e os primeiros contatos do aluno com a profissão. Rev Lat Am Enfermagem. 2006; 14(2):285-91..

Nos estudos encontrados nesta revisão, os itens avaliados com maior frequência em todas as categorias profissionais foram as habilidades procedimentais e de comunicação. Foi possível identificar ainda, com frequência, o uso do termo avaliação de competências para atributos de habilidades, conhecimentos e, até mesmo, de atitudes. Além disso, os instrumentos mencionados para avaliar competências, em alguns estudos, eram, na maior parte das vezes, compostos por Checklists relacionados a avaliação de habilidades e de conhecimentos1717. Yoo MS, Yoo Y The effectiveness of standardized patients as a teaching method for nursing fundamentals. J Nurs Educ. 2003; 42(10):444-8.2121. Kurz JM, Mahoney K, Martin-Plank L, Lidicker J. Objective structured clinical examination and advanced practice nursing students. J Prof Nurs. 2009; 25(3):186-91.,2323. Carvalho IP Pais VG, Almeida SS, Ribeiro-Silva R, Figueiredo-Braga M, Teles A, et al. Learning clinical communication skills: outcomes of a program for professional practitioners. Patient Educ Couns. 2011; 84(1):84-9.,2424. Armstrong KJ, Walker S, Jarriel AJ. Standardized patients, part 3: assessing student performance. Int J Athl Ther Train. 2011; 16(4):40-4.,3232. Franklin AE, Sideras S, Gubrud-Howe P, Lee CS. Comparison of expert modeling versus voice-over powerpoint lecture and presimulation readings on novice nurses'competence of providing care to multiple patients. J Nurs Educ. 2014; 53(11):615-22.,3333. Milner KA, Watson SM, Stewart JG, Denisco S. Use of Mini-CEX tool to assess clinical competence in family nurse practitioner students using undergraduate students as patients and doctoral students as evaluators. J Nurs Educ. 2014; 53(12):719-20..

O Checklist é um instrumento padronizado composto por um conjunto de condutas, nomes, itens ou tarefas que devem ser lembradas ou seguidas de forma sequencial. Pode ser considerado como uma ferramenta de avaliação que, sistematicamente, classifica o desempenho dos sujeitos. Todavia, pode direcionar o avaliador para outros aspectos esperados dos profissionais de saúde, como o trabalho em equipe, a tomada de decisão, a comunicação terapêutica, entre outros3434. Watts PI. A grounded theory model for faculty evaluation of nursing student performance during a simulation [dissertação]. Alabama: Faculty of The University of Alabama at Birmingham; 2015.. O uso de ferramentas pobres ou que possuam medidas inadequadas podem limitar o escopo, o potencial e a qualidade do uso do Checklist. Para que seja efetivo, um instrumento de avaliação necessita clarificar o que é mensurado, o julgamento clínico, o pensamento crítico, a competência ou a habilidade técnica a ser avaliada4141. Devellis RF Scale development: theory and applications. 3a ed. North Carolina: Sage; 2012..

A palavra habilidade é originária do latim Habilitate e possui, como significado, a qualidade de ser hábil, inteligente, de demostrar aptidão, engenho, destreza. Não é competência, mas, na maioria das vezes, caracteriza-se como pré-requisito para determinadas competências. No entanto, nem sempre um indivíduo hábil é um indivíduo competente4242. Graveto JMGN, Taborda JMC. Simulação e desenvolvimento habilidades. In: Martins JCA, Mazzo A, Mendes IAC, Rodrigues MA. A simulação no ensino de enfermagem. Ribeirão Preto: SOBRACEN; 2014.. Entre as habilidades mais avaliadas nesse estudo, destacaram-se: a habilidade de comunicação, procedimentais (exame físico, administração de medicamentos, enemas, cuidados com a pele, entre outros).

A comunicação permite a transmissão, de um indivíduo para outro, de informações claras e objetivas, tornando possível uma interação social4343. Peterson AA, Carvalho EC. Comunicação terapêutica na enfermagem: dificuldades para o cuidar de idosos com câncer. Rev Bras Enferm. 2011; 64(4):692-7., e é uma competência fundamental do trabalho interprofissional. O desenvolvimento e a avaliação da competência de comunicação são uma tarefa complexa, pois envolve empatia, clareza, objetividade, segurança, entre outros requisitos. Nessa revisão alguns pesquisadores utilizaram a simulação como estratégia para o desenvolvimento da comunicação em diferentes contextos, abrangendo: as entrevistas clínicas, a comunicação de más notícias, as orientações de procedimentos ou tratamentos a serem realizados, e, também, o relacionamento interprofissional da equipe de saúde1818. Baez A. Development of an objective structured clinical examination (OSCE) for practicing substance abuse intervention competencies: an application in social work education. J Soc Work Pract the Addict. 2005; 5(3):3-20.2020. Varga CRR, Almeida VC, Germano CMR, Melo DG, Chachá SGF, Souto BGA, et al. Relato de experiência: o uso de simulações no processo de ensino-aprendizagem em medicina. Rev Bras Educ Med. 2009; 33(2):291-7.,2626. Kubota Y, Yano Y, Seki S, Takada K, Sakuma M, Morimoto T, et al. Assessment of pharmacy students'communication competence using the roter interaction analysis system during objective structured clinical examinations. Am J Pharm Educ. 2011; 75(3):1-6.,2727. Young KH, Eun K, Lee ES. Effects of simulation-based education on communication skill and clinical competence in maternity nursing practicum. Korean J Womem Health Nurs. 2012; 18(4):312-20.,3030. Hsu LL, Huang YH, Hsieh SI. The effects of scenario-based communication training on nurses'communication competence and self-efficacy and myocardial infarction knowledge. Patient Educ Couns. 2014; 95(3):356-64.,3636. Franco CAGS, Franco RS, Santos VM, Uiema LA, Mendonça NB, Casanova AP, et al. OSCE para competências de comunicação clínica e profissionalismo: relato de experiência e meta-avaliação. Rev Bras Educ Med. 2015; 39(3):433-41..

As habilidades procedimentais levam à confiança interprofissional e a eficácia dos processos que envolvem as relações dentro da equipe, e com pacientes e seus familiares. São procedimentos integrantes e relevantes na formação individual dos profissionais. Muitas ações têm como base o desenvolvimento procedimental, e o sucesso de uma intervenção depende da destreza técnica na realização desses procedimentos1717. Yoo MS, Yoo Y The effectiveness of standardized patients as a teaching method for nursing fundamentals. J Nurs Educ. 2003; 42(10):444-8.,2121. Kurz JM, Mahoney K, Martin-Plank L, Lidicker J. Objective structured clinical examination and advanced practice nursing students. J Prof Nurs. 2009; 25(3):186-91.,2222. Jarzemsky P McCarthy J, Ellis N. Incorporating quality and safety education for nurses competencies in simulation scenario design. Nurse Educ. 2010; 35(2):90-2.,2424. Armstrong KJ, Walker S, Jarriel AJ. Standardized patients, part 3: assessing student performance. Int J Athl Ther Train. 2011; 16(4):40-4.,2828. Waterval EME, Stephan K, Peczinka D, Shaw A. Designing a process for simulation-based anual nurse competency assessment. J Nurses Staff Dev. 2012; 28(6):274-8.,3232. Franklin AE, Sideras S, Gubrud-Howe P, Lee CS. Comparison of expert modeling versus voice-over powerpoint lecture and presimulation readings on novice nurses'competence of providing care to multiple patients. J Nurs Educ. 2014; 53(11):615-22.,3333. Milner KA, Watson SM, Stewart JG, Denisco S. Use of Mini-CEX tool to assess clinical competence in family nurse practitioner students using undergraduate students as patients and doctoral students as evaluators. J Nurs Educ. 2014; 53(12):719-20..

As competências descritas em diferentes complexidades envolvem um conjunto de atividades que incluem a inserção do profissional4444. Miller GE. The assessment of clinical skills/competence/performance. Acad Med. 1990; 65 Supl 9:63-7.. As competências avaliadas nos estudos foram: a segurança e a qualidade dos cuidados centrados no paciente2222. Jarzemsky P McCarthy J, Ellis N. Incorporating quality and safety education for nurses competencies in simulation scenario design. Nurse Educ. 2010; 35(2):90-2.,3434. Watts PI. A grounded theory model for faculty evaluation of nursing student performance during a simulation [dissertação]. Alabama: Faculty of The University of Alabama at Birmingham; 2015.,3535. Bodamer C, Feldman M, Kushinka J, Brock E, Dow A, Evans JA, et al. An internal medicine simulated practical examination for assessment of clinical competency in third-year medical students. Simul Healthc. 2015; 10(6):345-51., o gerenciamento e a gestão do serviço e do cuidado de saúde2525. Cates LA, Wilson D. Acquisition and maintenance of competencies through simulation for neonatal nurse practitioners: beyond the basics. Adv Neonatal Care. 2011; 11(5):321-7.,3131. Eun K, Kim HY Effects of multi-mode simulation learning on nursing students'critical thinking disposition, problem solving process, and clinical competence. Korean J Adult Nurs. 2014; 26(1):107-16.,3434. Watts PI. A grounded theory model for faculty evaluation of nursing student performance during a simulation [dissertação]. Alabama: Faculty of The University of Alabama at Birmingham; 2015., a comunicação2626. Kubota Y, Yano Y, Seki S, Takada K, Sakuma M, Morimoto T, et al. Assessment of pharmacy students'communication competence using the roter interaction analysis system during objective structured clinical examinations. Am J Pharm Educ. 2011; 75(3):1-6.,2727. Young KH, Eun K, Lee ES. Effects of simulation-based education on communication skill and clinical competence in maternity nursing practicum. Korean J Womem Health Nurs. 2012; 18(4):312-20.,3030. Hsu LL, Huang YH, Hsieh SI. The effects of scenario-based communication training on nurses'communication competence and self-efficacy and myocardial infarction knowledge. Patient Educ Couns. 2014; 95(3):356-64.,3535. Bodamer C, Feldman M, Kushinka J, Brock E, Dow A, Evans JA, et al. An internal medicine simulated practical examination for assessment of clinical competency in third-year medical students. Simul Healthc. 2015; 10(6):345-51.,3636. Franco CAGS, Franco RS, Santos VM, Uiema LA, Mendonça NB, Casanova AP, et al. OSCE para competências de comunicação clínica e profissionalismo: relato de experiência e meta-avaliação. Rev Bras Educ Med. 2015; 39(3):433-41., e os cuidados assistenciais2626. Kubota Y, Yano Y, Seki S, Takada K, Sakuma M, Morimoto T, et al. Assessment of pharmacy students'communication competence using the roter interaction analysis system during objective structured clinical examinations. 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A simulação tem revolucionado a forma como educadores abordam a educação clínica. Nesta revisão houve diferença considerável no emprego desse método para a avaliação de competências entre as diferentes categorias profissionais, com a concentração em 12 artigos para a enfermagem e a medicina; destaca-se que apenas dois estudos envolveram a temática, com, no mínimo, duas profissões da saúde. Essa concentração de estudos em duas categorias profissionais e uma quantidade limitada de estudos interprofissionais torna-se preocupante, pois, conforme o último relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)4545. Organização Pan-Americana da Saúde. Educação interprofissional na atenção à saúde: melhorar a capacidade dos recursos humanos para alcançar a saúde universal. Relatório da reunião. Bogotá, Colômbia.7 a 9 de dezembro de 2016. Washington (DC):OPAS; 2017. e OMS88. World Health Organization. Framework for action in interprofessional education and collaborative practice. Geneva: WHO; 2010. (WHO/HRH/HPN/10.3)., os métodos de simulação clínica estão incluídos como recomendações específicas para a educação transformadora, para aumentar a educação e qualificação de trabalho interprofissional da saúde. Sendo assim, a necessidade de produção científica das demais profissões em saúde e, sobretudo, para atingir os melhores resultados aos usuários dos serviços, investimentos em práticas interprofissionais.

Em muitas ocasiões, a simulação clínica pode ser considerada como um grande desafio aos docentes, pois exige capacitação para a sua implementação e desenvolvimento, o que leva a um consumo significativo de tempo e energia, e a necessidade de habilitação do corpo docente, além de dedicação para o planejamento das atividades, utilizando a concepção dos objetivos de aprendizagem e avaliando sua execução quanto ao cumprimento destes objetivos4646. Manz JA, Hercinger M, Todd M, Hawkins KS, Parsons ME. Improving consistency of assessment of student performance during simulated experiences. Clin Simul Nurs. 2013; 9(7):229-33..

O cenário simulado pode ser considerado bem elaborado e realístico quando permite que o aprendiz desenvolva experiências cognitivas, psicomotoras, afetivas e sociais que colaborem para a sua formação profissional. Deve possibilitar a transposição dos conhecimentos do laboratório para os ambientes clínicos reais4747. Medley CF, Horne C. Using simulation technology for undergraduate nursing education. J Nurs Educ. 2005; 44(1):31-4.5050. Almeida RGS, Mazzo A, Martins JCA, Pedersoli CE, Fumincelli L, Mendes IAC. Validação para a língua portuguesa da simulation design scale. Texto Contexto Enferm. 2015; 24(4):934-40.. A OSCE é uma ferramenta avaliativa versátil, na qual o aprendiz demonstra suas habilidades quando se depara com situações de casos reais5151. Zayyan M. Objective structured clinical examination: the assessment of choice. Oman Med J. 2011; 26(4):219-22..

O Mini-CEX (avaliação do exame clínico) foi um instrumento criado pela American Board of Internal Medicine (ABIM) para desenvolver a formação, a avaliação e para promover a melhora do desempenho clínico de profissionais da saúde e para ser utilizado no campo clínico. Na amostra' o Mini-CEX foi utilizado em prática simulada. Sua confiabilidade e impacto educacional positivo têm sido relatados em muitas especialidades5252. Weller JM, Jolly B, Misur MP, Merry AF, Jones A, Crossley JG, et al. Mini-clinical evaluation exercise in anaesthesia training. Br J Anaesth. 2009; 102(5):633-41..

Na amostra de estudos, foi possível observar que a avaliação de competências foi realizada com o apoio de instrumentos variados, os quais, utilizados de forma conjunta, apoiaram-se mutuamente para se obterem os resultados almejados1818. Baez A. Development of an objective structured clinical examination (OSCE) for practicing substance abuse intervention competencies: an application in social work education. J Soc Work Pract the Addict. 2005; 5(3):3-20.,2323. Carvalho IP Pais VG, Almeida SS, Ribeiro-Silva R, Figueiredo-Braga M, Teles A, et al. Learning clinical communication skills: outcomes of a program for professional practitioners. Patient Educ Couns. 2011; 84(1):84-9.,2424. Armstrong KJ, Walker S, Jarriel AJ. Standardized patients, part 3: assessing student performance. Int J Athl Ther Train. 2011; 16(4):40-4.,2727. Young KH, Eun K, Lee ES. Effects of simulation-based education on communication skill and clinical competence in maternity nursing practicum. Korean J Womem Health Nurs. 2012; 18(4):312-20.,2929. Hinton JE, Mays MZ, Hagler D, Randolph P DeFalco N, Kastenbaum B, et al. Measuring post- licensure competence with simulation: the nursing performance profile. J Nurs Regul. 2012; 3(2):45-53.3131. Eun K, Kim HY Effects of multi-mode simulation learning on nursing students'critical thinking disposition, problem solving process, and clinical competence. Korean J Adult Nurs. 2014; 26(1):107-16.,3535. Bodamer C, Feldman M, Kushinka J, Brock E, Dow A, Evans JA, et al. An internal medicine simulated practical examination for assessment of clinical competency in third-year medical students. Simul Healthc. 2015; 10(6):345-51.. Além disso, para alguns pesquisadores, foram os protocolos institucionais que determinaram os itens a serem observados nas atividades2222. Jarzemsky P McCarthy J, Ellis N. Incorporating quality and safety education for nurses competencies in simulation scenario design. Nurse Educ. 2010; 35(2):90-2.,2525. Cates LA, Wilson D. Acquisition and maintenance of competencies through simulation for neonatal nurse practitioners: beyond the basics. Adv Neonatal Care. 2011; 11(5):321-7.,2828. Waterval EME, Stephan K, Peczinka D, Shaw A. Designing a process for simulation-based anual nurse competency assessment. J Nurses Staff Dev. 2012; 28(6):274-8..

Como possibilidade para tal finalidade, os marcos de competências, desenvolvidos inicialmente pelo Colégio Real de Médicos e Cirurgiões do Canadá, como um quadro de competências para médicos, o “CanMEDS Framework"5353. Frank JR, Snell L, Sherbino J. CanMEDS 2015 Physician Competency Framework. Ottawa: Royal College of Physicians and Surgeons of Canada; 2015. e, em 2008, o “Milestones”, desenvolvidos pelo Accreditation Council for Graduate Medical Education (ACGME)5454. Beeson MS, Carter WA, Christopher TA, Heidt JW, Jones JH, Meyer LE, et al. The development of the emergency medicine milestones. Acad Emerg Med. 2013; 20(7):724-9., têm se apresentado como uma possibilidade no processo de desenvolvimento e avaliação de competências nas diversas áreas do conhecimento e, também, no trabalho interprofissional.

Os marcos de competências são descrições do comportamento e desenvolvimento dos estudantes em um quadro no qual, visivelmente, conseguimos perceber a sua evolução ao longo da formação e descrever as expectativas progressivas para a aprendizagem em cada momento e desempenho esperado5353. Frank JR, Snell L, Sherbino J. CanMEDS 2015 Physician Competency Framework. Ottawa: Royal College of Physicians and Surgeons of Canada; 2015.5656. Ten Cate O, Chen HC, Hoff RG, Peters H, Bok H, Van Der Schaaf M. Curriculum development for the workplace using Entrustable Professional Activities (EPAs): AMEE Guide No. 99. Med Teach. 2015; 37(11):983-1002..

Conclusão

As evidências demonstram a simulação clínica de alta fidelidade como uma estratégia que permite o desenvolvimento e avaliação de competências profissionais específicas, comuns e interprofissionais em diversas áreas da saúde.

Essa avaliação tem sido realizada com o apoio de instrumentos e métodos variados, com diferentes características, que contribuem de alguma maneira para a avaliação das competências desejadas; no entanto, o conteúdo e utilização destes podem limitar e direcionar o processo avaliativo.

Por se tratar de uma Scoping Review, esse estudo não permite avaliar a eficácia dos resultados encontrados, o que pode ser considerado uma limitação. Consideramos que a amostra analisada demonstra resultados promissores no uso da simulação clínica para o desenvolvimento e avaliação de competências em saúde e sugerimos que futuros estudos precisam ser desenvolvidos, para que a avaliação de competência de alunos ou profissionais da área da saúde apresente uma objetividade detalhada para o alcance da alta fidedignidade, pois, o processo de avaliação, muitas vezes, gera desfechos para a vida do aprendiz.

A relevância desse estudo se destaca por abranger uma gama de instrumentos ou ferramentas para o desenvolvimento da avaliação de competências com detalhamentos sobre cada um deles, além de estarem associados às estratégias simuladas.

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Histórico

  • Recebido
    17 Out 2017
  • Aceito
    13 Abr 2018
  • Publicação
    2018
UNESP Botucatu - SP - Brazil
E-mail: intface@fmb.unesp.br