Sujeito, singularidade e interpretação em psicanálise

 

Subject, singularity, and interpretation in psychoanalysis

 

Sujet, singularité et interprétation en psychanalyse

 

 

Joel Birman

Professor do Instituto de Medicina Social da UERJ.

 

 


RESUMO

Este texto comenta um escrito inédito de P. Aulagnier, apresentado no VIII Fórum Internacional de Psicanálise, realizado no Rio de Janeiro em 1989. Baseando-se nas obras fundamentais de P. Aulagnier, o comentário destaca os pressupostos epistemológicos que fundam a concepção de sujeito no discurso teórico da autora (interpretação, intersubjetividade, temporalidade, singularidade e investimento libidinal). Desses pressupostos derivam os critérios que norteiam a sua leitura metapsicológica do psiquismo. Após tematizar a questão da demanda de análise, o autor destaca a idéia de que o conceito de interpretação psicanalítica não integra a leitura hermenêutica, sublinhando a ética do desejo inerente ao ato de psicanalisar.


ABSTRACT

The article comments on an unpublished paper by P. Aulagnier, presented at the 8th International Fórum on Psychoanalysis, held in Rio in 1989. Based on Aulagnier' s foundational works, the present texthighlights the epistemologi-cal presuppositions that underpin the concept of subject in her theoretical discourse (interpretation, intersubjectivity, temporality, singularity, and libidinal investment) and from which the criteria that guide Aulagnier's meta-psychological reading of the psyche are derived. After framing the question of demand for psychoanalysis, the article focuses on the idea that the concept of psychoanalytical interpretation is not part of a hermeneutic reading. It further stresses the ethics of desire inherent to the act of psychoanalyzing.


RESUME

Ce texte commente un texte inédit de P. Aulagnier presenté lors du VlIIè. Fórum International de Psychanalyse réalisé à Rio de Janeiro en 1989. II se base sur les oeuvres fondamentales de P. Aulagnier pour mettre en relief les prémis-ses épistémologiques qui fondent la conception de sujet dans le discours théorique de cet auteur (interprétation, intersubjectivité, temporalité, singularité et investissement libidinal). De ces premisses dérivent les critères qui orientent sa lecture mètapsychologique du psychisme. Aprés avoir thématisé la question de la demande d'analyse, le commentateur souligne 1'idée selon laquelle le concept d'interprétation psychanalytique n'appartient pas à la lecture her-méneutique et met en évidence 1'éthique du désir qui est inhérente à l'acte de psychanalyser.


 

 

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1 HEGEL E.W.F., La Phénoménologie de l'esprit (1807). Introduccion. Volume 1, Paris, Aubier, 1941, p. 73.
2 AULAGNIER P., Le Je et ses interprétations. Paris, 1989, mimeografado, p. 5.         
3 Sobre isso, ver: LAPLANCHE J., "Apulsão e seu objeto-fonte: seu destino na transferência", in LAPLANCHE J., Teoria da sedução generalizada e outros ensaios. Porto Alegre, Artes Médicas, 1988;          LAPLANCHE J., "Traumatismo, tradução, transferência e outros transes". Idem.
4 AULAGNIER P,,Le Je et ses interprétations. Op. cit., p. 18.
5 Como a realização do comentário de um texto implica sempre um trabalho de interpretação, me apoiarei nas obras mais importantes da autora para não ser arbitrário. Sobre isso, ver: AULAGNIER P., La violence de l'interprétation. Paris, Presses Universitaires de France, 1975;          AULAGNIER P,,Lesdestins duplaisir. Paris, Presses Universitaries de France, 1979;          AULAGNIER P., L'apprenti-historien et le maitre sorcier. Paris, Presses Universitaires de France, 1984.         
6 Aulagnier P., Le Je et ses interprétations. Op. cit., pp. 4-5.
7 Idem, p. 14.
8 Idem, p. 1.
9 Idem, p. 4.
10 Idem, p. 5.
11 "... Cette lecture du conflit explique 1'importance que faccorde aux ejfets d'inter-réaction réciproques et ilfaut souligner le terme réciproque, à l 'oeuvre du premier au dernier jour de notre existence dans notre vie relationnelle et, de ce fait, dans notre vie tout court". Idem, p. 9. O grifo é nosso.
12 Idem, pp. 10-16.
13 Idem, p. 8.
14 Idem, pp. 7-8.
15 Idem, pp. 6-7.
16 Idem, p. 15.
17 Idem, pp. 10-16
18 Idem, p. 6.
19 Idem, pp. 6-7.
20 Idem, p. 6.
21 Idem, p. 9.
22 Idem, pp. 8-9.
23 Idem, p. 9.
24 Idem, p. 12.
25 Idem, pp. 10-13.
26 Idem, pp. 10-12.
27 Idem, pp. 1-5.
28 Idem, pp. 12-13.
29 Idem, p. 1.
30 Idem, pp. 16-22.
31 Sobre isso, ver: RICOEUR P., De l'interprétation. Essais sur Freud. Paris, Seuil, 1965;          RICOEUR P., Le conflit des interprétations. Essais d'herméneutique. Paris, Seuil, 1969, pp. 101-207.
32 Sobre isso, ver: AULAGNIER P., "Un problème actuel: les constructions psychanalytiques," in Topique, número 3. Paris, Presses Universitaires de France, 1970, pp. 61-96.         
33 AULAGNIER P., Le Je et ses interprétations. Op. cit., pp. 19-20.

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