EDITORIAL

 

A pesquisa sobre políticas de saúde

 

 

Kenneth R. de Camargo Jr.

 

 

O tema deste número - novamente selecionado a partir de textos submetidos por demanda livre a nossa revista - contempla uma das áreas mais dinâmicas da pesquisa em Saúde Coletiva no Brasil, a pesquisa sobre políticas de saúde, que não por acaso já foi tema de outras edições de Physis.

Essa é uma das áreas onde mais se articulam duas vertentes fundamentais do campo da Saúde Coletiva - a reflexão crítica e a intervenção - numa contribuição direta para o bem-estar da população. É, adicionalmente, uma área caracteristicamente interdisciplinar e criativa, lançando mão de múltiplas técnicas de pesquisa para a elucidação de problemas igualmente variados, como se pode constatar com a leitura dos artigos que compõem o tema desta edição.

No primeiro artigo do tema, Vianna e Lima apresentam análise da conformação dos Colegiados de Gestão Regional no estado do Rio de Janeiro, com base em múltiplas abordagens metodológicas. Segue-se o trabalho de Valadares e Souza, trazendo seu estudo sobre o processo de inserção do tema da violência nos marcos legais da política pública brasileira de saúde mental, a partir de uma revisão documental. Araújo e Teixeira fazem a reconstrução do processo de formulação da Política de Saúde da População Negra (PSPN) em Salvador no período 2005-2006, também a partir de múltiplas técnicas de pesquisa. Por fim, Shimizu encerra o tema com uma análise das percepções de gestores sobre os desafios da formação de redes de atenção à saúde no Brasil, com base na análise de entrevistas.

Abrindo a seção de temas livres, o estudo de Golias et al. caracteriza os acidentes com envolvimento de motocicletas no perímetro urbano de Paranavaí-PR, em 2007, e estima o impacto econômico das internações advindas destes. Rodrigues et al. apresentam uma revisão da regulação do trabalho dos médicos de família no Brasil e em outros países, com o objetivo de discutir a recente flexibilização da carga horária de trabalho dos médicos na Estratégia Saúde da Família. Leite et al. discutem a inserção da Psicologia nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), com base nas percepções de psicólogos que atuam nos NASFs de Juazeiro do Norte-CE.

Veras et al. detalham uma proposta de linha de cuidados ao idoso que tem como foco a promoção e prevenção da saúde. Duarte et al. descrevem os gastos e o perfil demográfico e epidemiológico dos pacientes portadores de dislipidemia atendidos pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica do Sistema Único de Saúde, no período de 2003 a 2006. França e Costa analisam a sustentabilidade econômico-financeira requerida para a cobertura da Atenção Básica (AB) nos municípios de Minas Gerais selecionados pelo Governo Federal para atuação em saúde no âmbito do Plano Brasil sem Miséria (BSM).

Silva parte da primeira condenação do Brasil por violação de direitos humanos, para uma discussão em profundidade de várias de suas facetas, em especial a diversidade de versões sobre o caso e a construção social de um de seus elementos: a vítima. Halpern e Leite examinam a construção do alcoolismo dos pacientes de um ambulatório especializado em dependência química e examinam como ocorreu o adoecimento desses pacientes no ambiente laboral. Cavalcanti et al. descrevem o Modelo Lógico da "Rede Cegonha". Giami e Vasconcellos-Bernstein apresentam uma investigação etnográfica realizada em dois grandes hospitais parisienses sobre a coleta de material para espermograma de homens já declarados inférteis. Encerrando a seção, Medeiros et al. analisam a percepção das benzedeiras sobre o cuidado à saúde da criança, enfocando a prática da benzeção no município de Caraúbas-RN.

Na seção de Resenhas, Vieira discute Le temps de la fatigue: la gestion social du mal-être au travail, de Marc Loriol.

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Mais uma vez, gostaríamos de registrar nosso agradecimento ao trabalho incansável de nossos colaboradores quase invisíveis, os revisores, garantia maior de qualidade e credibilidade da publicação científica, cujos nomes listamos ao final desta edição.

Em particular, contudo, homenageamos uma revisora que se destacou ao longo do ano pela sua dedicação, traduzida por ter sido a líder em pareceres formulados para nossa revista. Inaugurando o que pretendemos que seja uma tradição da última edição de cada ano, apresentamos a Revisora do Ano de 2013, Wilza Vieira Villela.

Além de reconhecida liderança feminista e na pesquisa e ativismo em HIV/Aids, Wilza Villela é livre-docente em Ciências Sociais em Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (2010), doutora em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo (1992) e pós-doutora em Medicina Preventiva pela Universidade Federal de São Paulo (2008). Mestre em Medicina Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1982), graduou-se em Medicina pela Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, atual UNI-RIO (1976), com especialização e residência médica em Psiquiatria. É também docente do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da Universidade de Franca e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UNIFESP, segundo dados coletados em seu currículo Lattes.

Saudando Wilza, reconhecemos seu trabalho individual e o de todos os revisores que tornam possível a existência de Physis. Muito obrigado a vocês.

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Desejamos a todos os leitores, autores e revisores de Physis um excelente 2014.

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