Consumo de medicamentos para tratamento e prevenção da Covid-19: uma análise nos territórios da Atenção Primária à Saúde

Consumption of medicines for the treatment and prevention of Covid-19: an analysis in Primary Health Care territories

Isabella Alcantara de Oliveira Ricardo Alves de Olinda Débora Aparecida da Silva Santos Letícia Silveira Goulart Sobre os autores

Resumo

O objetivo do estudo foi avaliar o uso de medicamentos associados à Covid-19 por usuários da Atenção Primária à Saúde (APS). Trata-se de um estudo transversal com coleta de dados nas unidades de Estratégia Saúde da Família do município de Rondonópolis, MT, Brasil. Os dados foram obtidos com aplicação de um formulário semiestruturado. Dentre os participantes, 36% afirmaram ter consumido fármacos para prevenção da Covid-19, como ivermectina (89,58%), vitamina D (13,88%) e azitromicina (6,94%). Residir em domicílio em que duas ou mais pessoas precisaram sair para trabalhar na pandemia foi associado ao uso de medicamentos preventivos da Covid-19 (OR: 1,7; IC95%: 1,09 - 2,60). Os resultados indicam a necessidade de realizar ações para a promoção do uso racional de medicamentos nos territórios da APS, com vistas a capacitação profissional, educação popular em saúde e combate à desinformação.

Palavras-Chave:
Uso de Medicamentos; Atenção Primária à Saúde; Covid-19

Abstract

The study aimed to evaluate the use of medications associated with Covid-19 by users of Primary Health Care (PHC). This is a cross-sectional study with data collection in Family Health Strategy units in the city of Rondonopolis, MT, Brazil. Data were obtained using a semi-structured form. Among the participants, 36% said they had consumed drugs to prevent Covid-19, such as ivermectin (89.58%), vitamin D (13.88%) and azithromycin (6.94%). Living in a household where two or more people had to go out to work during the pandemic was associated with the use of Covid-19 preventive medications (OR: 1.7; 95% CI: 1.09 - vccccccc 2.60). The results indicate the need to carry out actions to promote the rational use of medicines in PHC territories, with a view to professional training, popular health education and combating misinformation.

Keywords:
Drug use; Primary Health Care; Covid-19

Introdução

Em dezembro de 2019, surgiu em Hubei-Wuhan, na China, o primeiro caso de Covid-19, doença causada pelo coronavírus denominado SARS-CoV-2 (ZhuZHU, N. et al. A novel coronavirus from patients with pneumonia in China, 2019. N Engl J Med., v. 382, p. 727-733, 2020.et al., 2020). Rapidamente, o vírus se tornou uma preocupação mundial e, em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou uma pandemia (OMS, 2020ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Folha informativa - Covid-19. Brasília: OMS, 2020. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875
https://www.paho.org/bra/index.php?optio...
). O Brasil confirmou seu primeiro caso da doença em 26 de fevereiro de 2020, na capital paulista. O país atingiu, até janeiro de 2023, mais de 36 milhões de casos confirmados e 696 mil óbitos (São Paulo, 2020SÃO PAULO. Secretaria Municipal da Saúde. Boletim Epidemiológico Covid-19. Vigilância em Saúde, Doenças e Agravos. São Paulo, abr. 2020. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.
https://www.prefeitura.sp....
; Brasil, 2022BRASIL. Ministério da saúde. Covid-19: Painel de Controle. Brasília, 2022. Disponível em: https://covid.saude.gov.br/.
https://covid.saude.gov.br/....
).

A prevenção da Covid-19 preconizada pelo Ministério da Saúde foi baseada em medidas não farmacológicas, como distanciamento social, uso correto de máscaras, lavagem das mãos e vacinação (Brasil, 2021BRASIL. Ministério da Saúde. Como se prevenir: medidas não farmacológicas de prevenção e controle da pandemia do novo coronavírus. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavirus/como-se-proteger#:~:text=Entre%20as%20medidas%20indicadas%20pelo,%2D19%2C%20conforme%20orienta%C3%A7%C3%B5es%20m%C3%A9dicas
https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavir...
). Apesar de não haver nenhum fármaco capaz de prevenir a Covid-19, muitos foram usados indiscriminadamente com esta finalidade, foi o caso da azitromicina, hidroxicloroquina/cloroquina, ivermectina e vitamina C (Sadio ., 2021SADIO, A. J. et al. Assessment of self-medication practices in the context of the Covid-19 outbreak in Togo. BMC Public Health, v. 21, n. 58, p. 1-9, 2021.; Quispe-Cañari ., 2021QUISPE-CAÑARI, et al. Self-medication practices during the Covid-19 pandemic among the adult population in Peru: a cross-sectional survey. Saudi Pharmaceutical Journal, v. 29, n. 1, p. 1-11, 2021.; Yáñez ., 2021YÁÑEZ, J. A. et al. Prescription, over-the-counter (OTC), herbal, and other treatments and preventive uses for Covid-19. Environmental and Health Management of Novel Coronavirus Disease (Covid-19). Academic Press, p. 379-417, 2021.). Até o momento, existem dois tratamentos medicamentosos comprovados para a doença, são eles, o corticoide dexametasona em pacientes hospitalizados, que permanecem em ventilação mecânica invasiva ou oxigênio, e anticorpos monoclonais para casos leves e moderados (Horby ., 2021HORBY, P. W. et al. Toci-lizumab in patients admitted to hospital with Covid-19 (RECOVERY): preliminary results of a randomised, controlled, open-label, platform trial. Med Rxiv, v. 2, n. 11, p. 21249258, 2021.; Jamaati ., 2021JAMAATI, H. et al. No clinical benefit of high dose corticosteroid administration in patients with Covid-19: A preliminary report of a randomized clinical trial. Eur. J. Pharmacol., v. 897, p. 173947, 2021.; Recovery, 2021RECOVERY. Dexamethasone in Hospitalized Patients with Covid-19. N. Engl. J. Med., v. 384, p. 693-704, 2021.; Barbosa; Araujo, 2022BARBOSA, O. A.; ARAÚJO, T. M. L. B. Tratamento farmacológico para Covid-19: revisão narrativa da evidência atual e potenciais estratégias terapêuticas. Rev cienti HMJMA, v. 3, n. 1, p. 42-49, 2022.).

O chamado “Kit Covid” ou “tratamento precoce” que consiste em uma combinação de fármacos com cloroquina/hidroxicloroquina, azitromicina, ivermectina, e outros medicamentos, foi extensivamente utilizado no Brasil, incentivado pelo governo federal e por algumas secretarias municipais de saúde. Como resultado, se observou uma ampla prescrição desses medicamentos com disponibilização em unidades de saúde públicas, além de sua massiva comercialização em estabelecimentos privados (Santos-PintoSANTOS-PINTO, C. D. B.; MIRANDA, E. S.; OSORIO-DE-CASTRO, C. G. S. O “kit-covid” e o Programa Farmácia Popular do Brasil. Cad de Saúde Pública, v. 37, p. 1-5, 2021.et al., 2021; Modesto, 2022MODESTO, T. S. La prescripción de medicamentos sin eficacia comprobada en la lucha contra la Covid-19 en Brasil: Podemos hablar de conflicto de intereses? Rev de Bioética y Derecho, p. 199-214, 2022.).

O consumo inadequado de medicamentos pode ocasionar um diagnóstico incorreto da doença de base, efeitos adversos graves, interações medicamentosas e resistência microbiana (Malik et al., 2020). A utilização indiscriminada de azitromicina pode levar ao desenvolvimento de resistência bacteriana. Esse evento, representa um grave problema de saúde pública uma vez que pode ser associado a um aumento do período de internação hospitalar e limitação de opções terapêuticas (Bezerra ., 2022BEZERRA, M. M. A. et al. Medicamentos na pandemia da Covid-19: Análise da comercialização de azitromicina, hidroxicloroquina, ivermectina e nitazoxanida no Brasil. Research, Society and Development, v. 11, n. 6, p. e16711628726, 2022.). Na França, nos primeiros meses da pandemia, foram relatadas 120 reações adversas a medicamentos (RAM), com manifestações consideradas graves, dentre elas, mortes súbitas, arritmias ventriculares e intervalo QTc prolongado, a maioria relacionada ao uso de hidroxicloroquina isolada ou associada à azitromicina (Gérard ., 2020GÉRARD, A. et al. “Off-label” use of hydroxychloroquine, azithromycin, lopinavir-ritonavir and chloroquine in Covid-19: A survey of cardiac adverse drug reactions by the French Network of Pharmacovigilance Centers. Therapies, v. 75, n. 4, p. 371-379, 2020.). No Brasil, a ivermectina foi utilizada em doses muito acima das convencionais, gerando RAM, com sintomas de náuseas, diarreias, dores abdominais, sonolências, tonturas e pruridos (Melo ., 2021MELO, J. R. R. et al. Automedicação e uso indiscriminado de medicamentos durante a pandemia da Covid-19. Cad de Saúde Pública, v. 37, n. 4, p. e00053221, 2021.; Ferreira; Ricardi, 2021FERREIRA, F. A.; RICARDI, E. S. Uso da ivermectina como antiparasitário e na Covid-19. Revista Cientifica, v. 1, n. 1, p. 1-8, 2021.).

As mídias sociais foram importantes na divulgação de protocolos, diretrizes e atualizações em tempo real do cenário pandêmico mundial. Entretanto, houve disseminação de dados falsos ou mal interpretados que incentivaram o consumo de medicamentos para prevenção da Covid-19 (González-Padilla, 2020GONZÁLEZ-PADILLA, D. A.; TORTOLERO-BLANCO, L. Social media influence in the Covid-19 Pandemic. International Braz Urol, v. 46, n. 1, p. 120-124, 2020.; Bassani ., 2021BASSANI, A. T. et al. SARS-COV-2: pandemia, negacionismo científico populista de extrema direita e a utilização off label de medicamentos. Rev de Políticas Públicas, v. 25, n. 1, p. 228-244, 2021.). Ademais, no Brasil, em 2020, houve um aumento significativo da comercialização de azitromicina, hidroxicloroquina e ivermectina, quando comparado aos anos anteriores (Bezerra ., 2022BEZERRA, M. M. A. et al. Medicamentos na pandemia da Covid-19: Análise da comercialização de azitromicina, hidroxicloroquina, ivermectina e nitazoxanida no Brasil. Research, Society and Development, v. 11, n. 6, p. e16711628726, 2022.).

A Atenção Primária à Saúde (APS) atuou no enfrentamento da pandemia através da assistência e diagnóstico dos usuários com Covid-19, vigilância em saúde no território e orientações para controle da infecção. Nesse contexto, compreender o consumo de medicamentos no cenário da pandemia fornecerá uma visão sobre questões importantes de gestão da saúde para a população e poderá orientar estratégias de promoção do uso racional de fármacos. O presente estudo buscou identificar o perfil do uso de medicamentos associado à Covid-19 por usuários da APS em um município da região centro-oeste brasileira.

Metodologia

Trata-se de um estudo transversal, observacional realizado com usuários das Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Rondonópolis-MT. De acordo com o último censo do IBGE (2010), este município, localizado na região sudeste do estado Mato Grosso, possui aproximadamente 138.326 habitantes com idade de 18 anos ou mais, correspondendo 70,76% da população da cidade. O município possui 72,75% de cobertura da APS. Foram incluídas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) registradas no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), aquelas em pleno funcionamento e localizadas em área urbana. Foram excluídos os locais que foram transformados em unidades sentinela durante a pandemia da Covid-19.

Os pressupostos para o cálculo amostral foram: nível de confiança de 95%, erro amostral de 5% e proporção esperada de 0,50, o que resultou em 380 usuários, distribuídos em 40 UBS. A fim de se evitar possíveis perdas, optou-se por incluir 400 indivíduos no estudo.

A amostragem foi por conveniência, sendo incluídos no estudo usuários com idade igual ou superior a 18 anos, que compareceram à UBS nos dias em que os pesquisadores se encontravam no local para realizar a coleta de dados e que aceitaram participar da pesquisa por meio da concordância com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foram excluídos aqueles que não apresentaram condições de saúde e de comunicação para responder os questionamentos.

Foi realizado um teste piloto com usuários não incluídos na amostra da pesquisa, a fim de ajustar o instrumento de coleta de dados. Os dados foram coletados em ambiente privado nas UBS, no período de janeiro a setembro de 2021, por pesquisadores previamente treinados. Foi aplicado um questionário semiestruturado composto por três blocos, características sociodemográficas, clínicas e uso de medicamentos para Covid-19. Os medicamentos consumidos foram autorrelatados pelos participantes, mediante aos questionamentos: Quais medicamentos você usou para tratamento da Covid? Quais medicamentos você usou para evitar a infecção de Covid?

Para identificar o perfil farmacoterapêutico relacionado à Covid-19, também, interrogou-se os participantes sobre uso com ou sem prescrição médica, orientação sobre efeitos adversos e eficácia dos fármacos, profissional que realizou a orientação, local de aquisição e fontes de informação sobre medicamentos.

A variável dependente do estudo foi uso de medicamentos para prevenção da Covid-19, e a resposta dicotomizada em sim e não, para tal, foi realizada a seguinte pergunta: Você usou algum medicamento para evitar a infecção de Covid-19?

Para uma análise dos fatores associados, foram consideradas as seguintes variáveis independentes: a) Características sociodemográficas: sexo; faixa etária; raça/cor da pele; estado civil; escolaridade; renda familiar; trabalho em atividade essencial durante a pandemia; número de pessoas que saíram da residência para trabalhar; plano de saúde e número de pessoas que moram na casa. b) Características clínicas: como considera seu estado de saúde; doença crônica e diagnóstico de Covid-19.

Para análise dos dados, inicialmente foi realizada a estatística descritiva. Para avaliar os fatores associados ao consumo de medicamentos para prevenção da Covid-19, foi utilizado o modelo de regressão logística univariada e multivariada. As variáveis que obtiveram um valor de p <0,20 na análise univariada foram considerados para a análise multivariada, que foram posteriormente finalizadas usando um valor < 0,05. Este procedimento permitiu a estimativa de razão de chances ajustada (aORs) com intervalos de confiança de 95%. As análises foram realizadas usando o software R© versão 3.4.3 e o nível de significância foi estabelecido em 95%.

Durante a pesquisa, foram seguidos todos os preceitos éticos para pesquisa com seres humanos, de acordo com a Resolução 466, de 12 de dezembro de 2012, do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde (Brasil, 2012BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466, de 12 dezembro de 2012, que trata de pesquisas em seres humanos e atualiza a resolução 196. Brasília (DF): Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/ saudelegis/cns/2013/res 0466_12_12_2012.html
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/...
). Esse estudo fez parte de uma pesquisa matricial intitulada “Pandemia de Covid-19 no Município de Rondonópolis: análise dos aspectos epidemiológicos e uso de medicamentos” e foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Muller, Universidade Federal de Mato Grosso, parecer 4.418.798 e CAEE 39427420.1.0000.5541.

Resultados

Participaram do estudo 400 indivíduos. A média de idade foi de 41,78 anos. Os participantes em sua maioria eram da faixa etária entre 18 a 39 anos (45,00%; n=180), do sexo feminino (70,50%; n=282), cor parda (55,75%; n=223), não possuíam companheiro (a) (51,00%; n=204) e estudaram 9 anos ou mais (64,50%; n= 258). Predominaram os indivíduos com renda familiar de 2 salários mínimos ou mais (60,00%; n=240), que não trabalharam em atividades essenciais durante a pandemia (86,50%, n=346), em que até 1 pessoa da família saía de casa para trabalhar diariamente (59,75%; n=239) e não possuíam filiação com plano de saúde (84,50%; n=338).

Quanto às características clínicas dos pacientes, um total de 242 (60,50%) consideraram seu estado de saúde como muito bom, 134 (33,50%) como regular e apenas 24 (6,00%) como ruim. A maioria dos participantes não possuía doença crônica (63,25%; n=253). Em relação à Covid-19, 77 (19,25%) afirmaram terem sido diagnosticados com Covid-19 através de exames laboratoriais, desses, a maioria não necessitou de internação hospitalar (98,75%; n=395).

Tabela 1
Análise univariada dos fatores associados ao consumo de medicamentos para prevenção da Covid-19. Rondonópolis, MT. 2021

Dentre os participantes que contraíram Covid-19 (n=77), os medicamentos mais utilizados para tratamento da doença foram azitromicina (66,23%; n=51), dipirona ou paracetamol (54,54%; n=42) e ivermectina (45,45%; n=35) (Figura 1A). Os fármacos usados para tratamento da Covid-19 foram amplamente prescritos por médicos (96,60 %). A Secretaria Municipal de Saúde de Rondonópolis adotou um protocolo padrão para tratamento da Covid-19 que incluía ivermectina, azitromicina e dipirona. Esses medicamentos foram adquiridos em sua maioria em farmácias públicas (55,84%; n=43). Nesse grupo, 42,75% (n=33) dos indivíduos recebeu orientação sobre a eficácia e os efeitos adversos dos fármacos. O profissional médico foi o principal responsável por fornecer essas informações (40,25%; n=31).

Figura 1
Medicamentos utilizados para Covid-19 por usuários da Atenção Primária à Saúde. Rondonópolis, MT, 2021. (A) apresenta os medicamentos usados para tratamento e (B), para prevenção

Quanto ao uso de medicamentos para a prevenção da Covid-19, 36% (n=144) dos participantes relataram ter utilizado algum tipo de fármaco para essa finalidade. Os medicamentos mais consumidos foram ivermectina (89,58%; n=129), vitamina D (13,88%; n=20) e azitromicina (6,94%; n=10) (Figura 1B). As fontes de informação sobre medicamentos para prevenção do Covid-19 mais citadas foram familiares e amigos (65,97%; n=95), redes e mídias sociais (41,66%; n=60), televisão (20,13%; n=29) e profissionais da saúde (6,94%; n=10). Uma prevalência de 33,00% da população estudada (n=132) realizou automedicação para tratar e ou prevenir a Covid-19.

No modelo de regressão multivariada, apenas a variável número de pessoas que saíram para trabalhar foi associada ao uso de medicamentos preventivos à Covid-19. Quando duas ou mais pessoas da residência precisaram sair para trabalhar na pandemia, os indivíduos apresentaram 1,7 (IC95%: 1,09 - 2,60) vez maior de chances de usar medicamentos para prevenção da Covid-19. A Figura 2 apresenta esse resultado.

Figura 2
Análise dos fatores associados ao consumo de medicamentos para prevenção da Covid-19 em usuários da Atenção Primária à Saúde de Rondonópolis, MT. Essas associações foram expressas como Razões de Chance ajustadas (odds ratio) a partir de um modelo de regressão logística multivariada.

Discussão

A Covid-19 surgiu como uma emergência clínica e trouxe consigo um grande desafio terapêutico. A falta de um tratamento baseado em evidências científicas levou à utilização de diferentes diretrizes de manejo, em muitos casos, com rápidas mudanças nos protocolos aplicados ao longo da pandemia (Díaz ., 2021DÍAZ, E. et al. Tratamiento farmacológico de la Covid-19: revisión narrativa de los grupos de trabajo de enfermedades infecciosas y sepsis (gteis) y del grupo de trabajo de transfusiones hemoderivados (gtth). Med Intensiva, v. 45, n. 2, p. 104-121, mar 2021). A APS precisou suportar as demandas tradicionais de saúde, além de realizar prevenção e diagnóstico da doença em tempo oportuno, reduzindo o risco de agravo da doença (Sousa ., 2020SOUSA, A. J. M. et al. Atenção primária à saúde e covid-19: uma revisão integrativa. Cadernos ESP, v. 14, n. 1, p. 45-52, jun 2020.). No presente estudo, a maioria dos participantes não foi hospitalizada por Covid-19 e os medicamentos mais consumidos para tratamento domiciliar da doença foram azitromicina, dipirona ou paracetamol e ivermectina. O uso excessivo da azitromicina como tratamento inicial da Covid-19 e a prescrição inadequada de outros antibióticos em pacientes infectados por SARS-CoV-2, pode levar ao surgimento de resistência bacteriana o que representa um grave problema de saúde pública (Casalengua ., 2021CASALENGUA, M. L. T. et al. Uso seguro de los medicamentos en Atención Primaria, también en época de pandemia de la Covid-19. Aten Primaria, v. 53, p. 102223, 2021.) O uso dos analgésicos e antitérmicos dipirona e paracetamol, se justificam para tratar os sintomas clínicos mais comuns na Covid-19 que são febre e mialgia (Wannmacher, 2012WANNMACHER, L. Medicamentos de uso corrente no manejo de dor e febre. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Uso racional de medicamentos: temas selecionados. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. p. 73.; Rang, 2016RANG, H. P.; DALE, M. M. Farmacologia. São Paulo: Elsevier, 2016.).

Vários estudos de revisão sistemática e meta-análise concluíram que não há evidências confiáveis disponíveis que suportam o uso de ivermectina para tratamento de Covid-19 (Popp ., 2021POPP, et al. Ivermectin for preventing and treating Covid-19. Cochrane Database of Systematic Reviews, v. 7, p. 1-159, 2021.; Reis ., 2022REIS, G. et al. Effect of Early Treatment with Ivermectin among Patients with Covid-19. The New England Journal of Medicine, v. 386, n. 18, p. 1721-1731, 2022.; Lim ., 2022LIM, S. C. L. et al. Efficacy of Ivermectin Treatment on Disease Progression Among Adults with Mild to Moderate Covid-19 and Comorbidities: The I-TECH Randomized Clinical Trial. JAMA Internal Med, v. 182, n. 4, p. 426-435, 2022.). No início da pandemia, com a propagação de um novo vírus, os profissionais de saúde foram pressionados a enfrentar um desafio duplo, buscar conhecimento científico constantemente e oferecer uma resposta satisfatória e em tempo hábil à população (Modesto, 2022MODESTO, T. S. La prescripción de medicamentos sin eficacia comprobada en la lucha contra la Covid-19 en Brasil: Podemos hablar de conflicto de intereses? Rev de Bioética y Derecho, p. 199-214, 2022.). Segundo Nacul e Azevedo (2020), os profissionais devem saber lidar não somente com as evidências disponíveis, mas também com a ausência delas, para que adotem uma conduta ética e benéfica ao paciente. Nesse sentido a equipe da APS como principal porta de entrada para casos leves de Covid-19, pode atuar na redução da disseminação do vírus, através do acompanhamento dos infectados em isolamento domiciliar, identificação de risco e propagação de informações científicas (Daumas ., 2020DAUMAS, R. P. et al. O papel da atenção primária na rede de atenção à saúde no Brasil: limites e possibilidades no enfrentamento da Covid-19. Cad. de Saúde Pública, v. 36, n. 6, p. e00104120, 2020.).

Mesmo após o surgimento de evidências científicas que indicavam a ineficácia dos fármacos que compõe o chamado kit Covid, tais tratamentos ainda foram considerados em prescrições médicas em todo o Brasil (Santos-Pinto; Miranda; Osorio-de-Castro, 2021). Essa realidade também foi observada no presente estudo. Uma pesquisa brasileira constatou que após o início da pandemia, as vendas desses fármacos aumentaram significativamente, 69,75% para azitromicina, 10.856.481,39% para hidroxicloroquina e 12.291.129,32% para ivermectina (Hentschke-Lopes ., 2022HENTSCHKE-LOPES, M. et al. Vendas de medicamentos “kit Covid” e reações adversas a medicamentos relatadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Cad. de Saúde Pública, v. 38, n. 7, p. e00001022, 2022.).

A divulgação preliminar dos resultados de estudos científicos sobre eficácia de medicamentos para Covid-19, a propagação de Fake News e as prescrições de medicamentos sem eficácia comprovada, incentivaram a população a consumir fármacos de forma indiscriminada e irracional (Lima ., 2020LIMA, W. G. et al. Uso irracional de medicamentos e plantas medicinais contra a Covid-19 (sARs-Cov-2): Um problema emergente. Braz Journal of Health and Pharmacy, v. 2, n. 3, p. 37-53, 2020.). Segundo Onchonga, Omwoyo e Nyamamba (2020ONCHONGA, D.; OMWOYO, J.; NYAMAMBA, D. Assessing the prevalence of self-medication among healthcare workers before and during the 2019 SARS-CoV-2 (Covid-19) pandemic in Kenya. Saudi Pharmaceutical Journ., v. 28, n. 10, p. 1149-1154, 2020.), no Quênia, ocorreu um aumento da automedicação de 36,2% antes da pandemia para 60,4% durante a pandemia.

Na presente pesquisa, a automedicação associada ao tratamento e ou prevenção da Covid-19 foi de 33%. Outros estudos descrevem que a automedicação na pandemia ocorreu em 15,30%, 34,3% e 71,40% da população do Guiné, Colômbia e Bangladesh, respectivamente (ToureTOURE, A. et al. Self-medication against Covid-19 in health workers in Conakry, Guinea. Journ of public health in Africa, v. 13, n. 2, p. 2082, 2022.et al., 2022; Gaviria-Mendoza ., 2022GAVIRIA-MENDOZA, A. et al. Self-medication and the ‘infodemic’ during mandatory preventive isolation due to the Covid-19 pandemic. Therapeutic advances in drug safety, v. 13, p. 20420986221072376, 2022.; Nasir; Chowdhry; Zahan, 2020NASIR, M.; CHOWDHURY, A. S.; ZAHAN, T. Self-medication during Covid-19 outbreak: a cross sectional online survey in Dhaka city. Inter Journ of Basic & Clinical Pharmacology, v. 9, p. 1325, 2020.). Na Nigéria, o medo da quarentena, medo do contágio da Covid-19, superlotação dos serviços de saúde e influência de amigos e familiares foram fatores relacionados à prática da automedicação para prevenção e/ou tratamento da Covid-19 (Wegbom et al., 2021).

A vacinação contra a Covid-19 iniciou no Brasil em janeiro de 2021 e é atualmente a estratégia de prevenção mais eficaz contra a doença (CardwellCARDWELL, K. et al. Pharmacological interventions to prevent Covid-19 disease: A rapid review. Rev Med Virol., v. 32, n. 3, p. 2299, 2022.et al., 2022, Brasil, 2023BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Imunizações - PNI, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavirus/vacinas/pni
https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavir...
). Medidas adicionais incluem distanciamento social, higiene das mãos, etiqueta respiratória e uso de máscara (Cardwell et al., 2022). Apesar de não haver medidas farmacológicas capazes de prevenir a Covid-19, uma prevalência de 36% dos usuários da APS de Rondonópolis, MT consumiram medicamentos com esse objetivo. Estudos realizados na Austrália, Togo e Irã identificaram que 20%, 34,2% e 52% da população, respectivamente, fez uso de fármacos como medida preventiva para a doença (Zhang ., 2021ZHANG, A. et al. Self-Medication with Antibiotics for Protection against Covid-19: The Role of Psychological Distress, Knowledge of, and Experiences with Antibiotics. Antibiotics (Basel), v. 10, n. 3, p. 232, 2021.; Sadio ., 2021SADIO, A. J. et al. Assessment of self-medication practices in the context of the Covid-19 outbreak in Togo. BMC Public Health, v. 21, n. 58, p. 1-9, 2021.; Heshmatifar ., 2021HESHMATIFAR, N. et al. Prevalence and Factors Related to Self-Medication for Covid-19 Prevention in the Elderly. Salmand: Iranian Journal of Ageing, v. 16, n. 1, p. 112-127, 2021.). Essa prática, infelizmente, foi muito difundida na pandemia, e traz consigo muitos riscos, uma vez que a população pode apresentar falsa sensação de proteção contra o vírus, além de estar exposta à RAM e à gastos desnecessários.

Os fármacos mais consumidos como terapia preventiva da Covid-19 foram ivermectina, vitamina D e azitromicina. Resultado similar foi observado no estudo de Souza . (2021SOUZA, M. N. C. et al. Occurrence of Self-medication in the Brazilian population as a preventive strategy for SARS-CoV-2. Res. Society and Development, v. 10, n. 1, p. e44510111933, 2021.), que incluiu participantes de 12 estados brasileiros, no qual a ivermectina foi o fármaco mais consumido com o objetivo de prevenir a infeção por SARS-CoV-2. Pesquisas realizadas na Austrália e na Índia, evidenciaram que a azitromicina foi amplamente utilizada pela população para prevenção da Covid-19 (Zhang ., 2021ZHANG, A. et al. Self-Medication with Antibiotics for Protection against Covid-19: The Role of Psychological Distress, Knowledge of, and Experiences with Antibiotics. Antibiotics (Basel), v. 10, n. 3, p. 232, 2021.; Azhar ., 2021AZHAR, H. et al. Prevalence, attitude and knowledge of self-medication during covid-19 disease pandemic. Pakistan Jour of Med and Health Sciences, v. 15, n. 5, p. 902-905, 2021.) No Peru, os fármacos mais consumidos para essa finalidade foram paracetamol, seguido de antirretrovirais e hidroxicloroquina (Quispe-Cañari ., 2021QUISPE-CAÑARI, et al. Self-medication practices during the Covid-19 pandemic among the adult population in Peru: a cross-sectional survey. Saudi Pharmaceutical Journal, v. 29, n. 1, p. 1-11, 2021.).

Estudos apontam que os fatores associados à prevenção farmacológica da Covid-19 foram sexo feminino, possuir companheiro, faixa etária de 36 a 45 anos, trabalhar no setor da saúde, possuir ensino médio ou superior e ter tido contato com um familiar infectado com a doença (Sadio ., 2021SADIO, A. J. et al. Assessment of self-medication practices in the context of the Covid-19 outbreak in Togo. BMC Public Health, v. 21, n. 58, p. 1-9, 2021.; Elayeh; Akour; Haddadin, 2021ELAYEH, E.; AKOUR, A.; HADDADIN, R. N. Prevalence and predictors of self-medication drugs to prevent or treat Covid-19: Experience from a Middle Eastern country. Int J Clin Pract., v. 75, p. e14860, 2021.). No presente estudo, o consumo de fármacos para prevenção da Covid-19 foi associado ao maior número de pessoas que precisaram sair para trabalhar na pandemia. Provavelmente, a percepção de maior risco de exposição ao vírus, levou ao uso de medicamentos para evitar a doença. A disseminação de informações equívocas sobre a terapêutica da Covid-19 aliada ao negacionismo da ciência pode ter gerado uma falsa sensação de defesa contra o vírus SARS-CoV-2.

Quanto às fontes de informações, a maioria dos participantes consumiu medicamentos para prevenção do vírus por indicação de familiares ou amigos e mídias e redes sociais. Segundo Galhardi . (2020GALHARDI, C. P. et al. Fato ou fake? Uma análise da desinformação frente à pandemia da Covid-19 no Brasil. Ciênc & Saúd Coletiva, v. 25, n. 2, p.4201-4210, 2020.) nos primeiros meses da pandemia, 65% das notícias falsas recebidas ensinavam métodos para prevenir o contágio da Covid-19, além disso, a pesquisa apontou que 10,5% foram publicadas no Instagram, 15,8% no Facebook e 73,7% circularam via WhatsApp. Somado a esses fatores deve-se pontuar que o uso de fármacos sem comprovação científica para a Covid-19 também foi incentivado por profissionais médicos, autoridades públicas, Secretarias de Saúde, Ministério da Saúde e Governo Federal (Melo ., 2021MELO, J. R. R. et al. Automedicação e uso indiscriminado de medicamentos durante a pandemia da Covid-19. Cad de Saúde Pública, v. 37, n. 4, p. e00053221, 2021.).

Nesse contexto, a APS é um local privilegiado para promoção do uso racional de medicamentos, devendo realizar a contraindicação desses fármacos para prevenção da doença, vigilância do uso no território, incentivo à vacinação e diálogo com a comunidade sobre a temática (Costa; Carvalho; Coelho, 2021COSTA, W. A.; CARVALHO, N. C.; COELHO, P. A. B. Abordagem da automedicação contra Covid-19 pelo Médico de Família e Comunidade. Rev Bras Med Fam Comunidade, v. 16, n. 43, p. 2880, 2021.). Uma APS bem constituída e integrada, possui papel fundamental no controle e redução de danos causados por uma pandemia, além de fortalecer os dados epidemiológicos e o planejamento de intervenções regionais (FariasFARIAS, L. A. B. G. et al. O papel da atenção primária no combate ao Covid-19: impacto na saúde pública e perspectivas futuras. Rev Bras Med Fam Comunidade, v. 15, n. 42, p. 2455, 2020.et al., 2020).

Como limitações do presente estudo, pode-se citar o método de autorrelato, que possui viés de memória e a amostragem por conveniência, pois não possibilita uma distribuição probabilística da população. Apesar dessas limitações, o estudo trouxe importantes informações sobre o consumo de medicamentos associado à Covid-19 neste município.

Conclusão

Os dados apontam para o uso indiscriminado de medicamentos no contexto da pandemia de Covid-19 nos territórios da APS, uma vez que os usuários utilizaram fármacos sem comprovação científica para o tratamento da Covid-19. Esse uso foi orientado por profissionais médicos e a maioria dos fármacos foi adquirida em farmácias públicas do município. Somado a isso, esses medicamentos também foram amplamente usados para a prevenção da Covid-19, com predomínio de ivermectina. A prevenção farmacológica para a doença foi influenciada sobretudo por familiares ou amigos e mídias sociais e um maior número de pessoas do domicílio que precisaram sair de casa para trabalhar na pandemia foi associado ao consumo de fármacos para prevenção da Covid-19.

Uma vez que o padrão de consumo de medicamentos para tratamento e prevenção da Covid-19 sofreu influência de muitos fatores que vão desde questões relacionadas ao próprio usuário até políticas de saúde, torna-se essencial a realização de ações que busquem a promoção do uso racional de medicamentos na APS, para tal, deve haver capacitação dos profissionais de saúde, bem como estratégias que promovam a educação popular em saúde e combatam a desinformação.

Referências

  • AZHAR, H. et al. Prevalence, attitude and knowledge of self-medication during covid-19 disease pandemic. Pakistan Jour of Med and Health Sciences, v. 15, n. 5, p. 902-905, 2021.
  • BARBOSA, O. A.; ARAÚJO, T. M. L. B. Tratamento farmacológico para Covid-19: revisão narrativa da evidência atual e potenciais estratégias terapêuticas. Rev cienti HMJMA, v. 3, n. 1, p. 42-49, 2022.
  • BASSANI, A. T. et al. SARS-COV-2: pandemia, negacionismo científico populista de extrema direita e a utilização off label de medicamentos. Rev de Políticas Públicas, v. 25, n. 1, p. 228-244, 2021.
  • BEZERRA, M. M. A. et al. Medicamentos na pandemia da Covid-19: Análise da comercialização de azitromicina, hidroxicloroquina, ivermectina e nitazoxanida no Brasil. Research, Society and Development, v. 11, n. 6, p. e16711628726, 2022.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Como se prevenir: medidas não farmacológicas de prevenção e controle da pandemia do novo coronavírus. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavirus/como-se-proteger#:~:text=Entre%20as%20medidas%20indicadas%20pelo,%2D19%2C%20conforme%20orienta%C3%A7%C3%B5es%20m%C3%A9dicas
    » https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavirus/como-se-proteger#:~:text=Entre%20as%20medidas%20indicadas%20pelo,%2D19%2C%20conforme%20orienta%C3%A7%C3%B5es%20m%C3%A9dicas
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466, de 12 dezembro de 2012, que trata de pesquisas em seres humanos e atualiza a resolução 196. Brasília (DF): Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/ saudelegis/cns/2013/res 0466_12_12_2012.html
    » https://bvsms.saude.gov.br/bvs/
  • BRASIL. Ministério da saúde. Covid-19: Painel de Controle. Brasília, 2022. Disponível em: https://covid.saude.gov.br/.
    » https://covid.saude.gov.br/.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Imunizações - PNI, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavirus/vacinas/pni
    » https://www.gov.br/saude/pt-br/coronavirus/vacinas/pni
  • CARDWELL, K. et al. Pharmacological interventions to prevent Covid-19 disease: A rapid review. Rev Med Virol., v. 32, n. 3, p. 2299, 2022.
  • CASALENGUA, M. L. T. et al. Uso seguro de los medicamentos en Atención Primaria, también en época de pandemia de la Covid-19. Aten Primaria, v. 53, p. 102223, 2021.
  • COSTA, W. A.; CARVALHO, N. C.; COELHO, P. A. B. Abordagem da automedicação contra Covid-19 pelo Médico de Família e Comunidade. Rev Bras Med Fam Comunidade, v. 16, n. 43, p. 2880, 2021.
  • DAUMAS, R. P. et al. O papel da atenção primária na rede de atenção à saúde no Brasil: limites e possibilidades no enfrentamento da Covid-19. Cad. de Saúde Pública, v. 36, n. 6, p. e00104120, 2020.
  • DÍAZ, E. et al. Tratamiento farmacológico de la Covid-19: revisión narrativa de los grupos de trabajo de enfermedades infecciosas y sepsis (gteis) y del grupo de trabajo de transfusiones hemoderivados (gtth). Med Intensiva, v. 45, n. 2, p. 104-121, mar 2021
  • ELAYEH, E.; AKOUR, A.; HADDADIN, R. N. Prevalence and predictors of self-medication drugs to prevent or treat Covid-19: Experience from a Middle Eastern country. Int J Clin Pract., v. 75, p. e14860, 2021.
  • FARIAS, L. A. B. G. et al. O papel da atenção primária no combate ao Covid-19: impacto na saúde pública e perspectivas futuras. Rev Bras Med Fam Comunidade, v. 15, n. 42, p. 2455, 2020.
  • FERREIRA, F. A.; RICARDI, E. S. Uso da ivermectina como antiparasitário e na Covid-19. Revista Cientifica, v. 1, n. 1, p. 1-8, 2021.
  • GALHARDI, C. P. et al. Fato ou fake? Uma análise da desinformação frente à pandemia da Covid-19 no Brasil. Ciênc & Saúd Coletiva, v. 25, n. 2, p.4201-4210, 2020.
  • GAVIRIA-MENDOZA, A. et al. Self-medication and the ‘infodemic’ during mandatory preventive isolation due to the Covid-19 pandemic. Therapeutic advances in drug safety, v. 13, p. 20420986221072376, 2022.
  • GÉRARD, A. et al. “Off-label” use of hydroxychloroquine, azithromycin, lopinavir-ritonavir and chloroquine in Covid-19: A survey of cardiac adverse drug reactions by the French Network of Pharmacovigilance Centers. Therapies, v. 75, n. 4, p. 371-379, 2020.
  • GONZÁLEZ-PADILLA, D. A.; TORTOLERO-BLANCO, L. Social media influence in the Covid-19 Pandemic. International Braz Urol, v. 46, n. 1, p. 120-124, 2020.
  • HENTSCHKE-LOPES, M. et al. Vendas de medicamentos “kit Covid” e reações adversas a medicamentos relatadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Cad. de Saúde Pública, v. 38, n. 7, p. e00001022, 2022.
  • HESHMATIFAR, N. et al. Prevalence and Factors Related to Self-Medication for Covid-19 Prevention in the Elderly. Salmand: Iranian Journal of Ageing, v. 16, n. 1, p. 112-127, 2021.
  • HORBY, P. W. et al. Toci-lizumab in patients admitted to hospital with Covid-19 (RECOVERY): preliminary results of a randomised, controlled, open-label, platform trial. Med Rxiv, v. 2, n. 11, p. 21249258, 2021.
  • JAMAATI, H. et al. No clinical benefit of high dose corticosteroid administration in patients with Covid-19: A preliminary report of a randomized clinical trial. Eur. J. Pharmacol., v. 897, p. 173947, 2021.
  • LIM, S. C. L. et al. Efficacy of Ivermectin Treatment on Disease Progression Among Adults with Mild to Moderate Covid-19 and Comorbidities: The I-TECH Randomized Clinical Trial. JAMA Internal Med, v. 182, n. 4, p. 426-435, 2022.
  • LIMA, W. G. et al. Uso irracional de medicamentos e plantas medicinais contra a Covid-19 (sARs-Cov-2): Um problema emergente. Braz Journal of Health and Pharmacy, v. 2, n. 3, p. 37-53, 2020.
  • MAIK, M. et al. Self-medication during Covid-19 pandemic: challenges and opportunities. Drogas Ther Perspect, v. 36, n. 12, p. 565-567, 2020.
  • MELO, J. R. R. et al. Automedicação e uso indiscriminado de medicamentos durante a pandemia da Covid-19. Cad de Saúde Pública, v. 37, n. 4, p. e00053221, 2021.
  • MODESTO, T. S. La prescripción de medicamentos sin eficacia comprobada en la lucha contra la Covid-19 en Brasil: Podemos hablar de conflicto de intereses? Rev de Bioética y Derecho, p. 199-214, 2022.
  • Nacul MP, Azevedo MA. The difficult crossroads of decisions at covid-19: how can the deontology implicit in evidence-based medicine help us to understand the different attitudes of doctors at this time? Rev. do Coleg Bras de Cirurgiões, v. 47, n. 1, p. e-20202705, 2020.
  • NASIR, M.; CHOWDHURY, A. S.; ZAHAN, T. Self-medication during Covid-19 outbreak: a cross sectional online survey in Dhaka city. Inter Journ of Basic & Clinical Pharmacology, v. 9, p. 1325, 2020.
  • ONCHONGA, D.; OMWOYO, J.; NYAMAMBA, D. Assessing the prevalence of self-medication among healthcare workers before and during the 2019 SARS-CoV-2 (Covid-19) pandemic in Kenya. Saudi Pharmaceutical Journ., v. 28, n. 10, p. 1149-1154, 2020.
  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Folha informativa - Covid-19. Brasília: OMS, 2020. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875
    » https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875
  • POPP, et al. Ivermectin for preventing and treating Covid-19. Cochrane Database of Systematic Reviews, v. 7, p. 1-159, 2021.
  • QUISPE-CAÑARI, et al. Self-medication practices during the Covid-19 pandemic among the adult population in Peru: a cross-sectional survey. Saudi Pharmaceutical Journal, v. 29, n. 1, p. 1-11, 2021.
  • RANG, H. P.; DALE, M. M. Farmacologia. São Paulo: Elsevier, 2016.
  • RECOVERY. Dexamethasone in Hospitalized Patients with Covid-19. N. Engl. J. Med., v. 384, p. 693-704, 2021.
  • REIS, G. et al. Effect of Early Treatment with Ivermectin among Patients with Covid-19. The New England Journal of Medicine, v. 386, n. 18, p. 1721-1731, 2022.
  • SADIO, A. J. et al. Assessment of self-medication practices in the context of the Covid-19 outbreak in Togo. BMC Public Health, v. 21, n. 58, p. 1-9, 2021.
  • SANTOS-PINTO, C. D. B.; MIRANDA, E. S.; OSORIO-DE-CASTRO, C. G. S. O “kit-covid” e o Programa Farmácia Popular do Brasil. Cad de Saúde Pública, v. 37, p. 1-5, 2021.
  • SÃO PAULO. Secretaria Municipal da Saúde. Boletim Epidemiológico Covid-19. Vigilância em Saúde, Doenças e Agravos. São Paulo, abr. 2020. Disponível em: https://www.prefeitura.sp.
    » https://www.prefeitura.sp.
  • SOUSA, A. J. M. et al. Atenção primária à saúde e covid-19: uma revisão integrativa. Cadernos ESP, v. 14, n. 1, p. 45-52, jun 2020.
  • SOUZA, M. N. C. et al. Occurrence of Self-medication in the Brazilian population as a preventive strategy for SARS-CoV-2. Res. Society and Development, v. 10, n. 1, p. e44510111933, 2021.
  • TOURE, A. et al. Self-medication against Covid-19 in health workers in Conakry, Guinea. Journ of public health in Africa, v. 13, n. 2, p. 2082, 2022.
  • WANNMACHER, L. Medicamentos de uso corrente no manejo de dor e febre. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Uso racional de medicamentos: temas selecionados. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. p. 73.
  • WEGBOMO, A. I., et al. Self-Medication Practices and Associated Factors in the Prevention and/or Treatment of Covid-19 Virus: A Population-Based Survey in Nigeria. Frontiers in public health, v. 9, p. 606801, 2021.
  • YÁÑEZ, J. A. et al. Prescription, over-the-counter (OTC), herbal, and other treatments and preventive uses for Covid-19. Environmental and Health Management of Novel Coronavirus Disease (Covid-19). Academic Press, p. 379-417, 2021.
  • ZHANG, A. et al. Self-Medication with Antibiotics for Protection against Covid-19: The Role of Psychological Distress, Knowledge of, and Experiences with Antibiotics. Antibiotics (Basel), v. 10, n. 3, p. 232, 2021.
  • ZHU, N. et al. A novel coronavirus from patients with pneumonia in China, 2019. N Engl J Med., v. 382, p. 727-733, 2020.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    15 Jul 2024
  • Data do Fascículo
    2024

Histórico

  • Recebido
    26 Maio 2023
  • Aceito
    28 Set 2023
  • Revisado
    08 Set 2023
PHYSIS - Revista de Saúde Coletiva Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: publicacoes@ims.uerj.br