EDITORIAL

 

 

A Revista Brasileira de Epidemiologia, dando continuidade à sua política de divulgação do conhecimento, apresenta neste número um conjunto de artigos que refletem o complexo quadro da transição epidemiológica no país.

Dois deles apresentam dados e discutem características da hanseníase e das enteroparasitoses, mostrando, assim, a persistência no nosso perfil epidemiológico de doenças infecciosas típicas de países em desenvolvimento.

Quatro artigos mostram resultados e discutem a prevalência ou aderência às recomendações para evitar a propagação das novas doenças infecciosas típicas da pós- transição epidemiológica, como infecção por HIV, Hepatite B e HCV. Em relação à morbidade por doenças crônico-degenerativas, registram-se artigos que abordam o declínio cognitivo de idosos, internações por diabetes mellitus e a prevalência de esclerose múltipla. Dois artigos abordam outros aspectos importantes da transição epidemiológica à morbidade por causas externas atendidas em um serviço de emergência e a identificação de padrões de consumo de álcool em município do interior do país.

Neste número estão presentes quatro artigos sobre nutrição. Destaca-se trabalho sobre agravo à saúde típico da transição epidemiológica, mostrando um perfil lipídico aumentado entre adolescentes, em uma capital do nordeste do país. Dois artigos são metodológicos e tratam da concordância entre avaliadores e outro sobre a validação de questionário sobre consumo alimentar. Por ultimo, um artigo traz dados sobre a tendência da pratica de amamentação.

Este número traz artigos que contribuem para a melhor compreensão de temas atuais no nosso complexo quadro epidemiológico. Proporciona informações sobre o perfil das internações de uma população indígena. Um artigo que traz para o debate abordagens metodológicas empregadas na avaliação do desmatamento da Amazônia e seu efeito sobre a saúde. E, por fim, um artigo com informações sobre os abortamentos atendidos em uma maternidade pública, aportando assim mais elementos para a polêmica discussão deste tema.

Seguimos, pois, na trajetória de aprimorar continuamente a RBE como um dos instrumentos para o pleno conhecimento de nossa realidade de saúde.

 

Márcia Furquim de Almeida
Moisés Goldbaum

Editores

Associação Brasileira de Pós -Graduação em Saúde Coletiva São Paulo - SP - Brazil
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