Absenteísmo por distúrbios musculoesqueléticos em trabalhadores do Brasil: milhares de dias de trabalho perdidos

Rafael Haeffner Luciana Puchalski Kalinke Vanda Elisa Andres Felli Maria de Fátima Mantovani Dario Consonni Leila Maria Mansano Sarquis Sobre os autores

RESUMO:

Objetivo:

Descrever e analisar o absenteísmo dos trabalhadores do Brasil notificados com distúrbios musculoesqueléticos, do período de 2007 a 2012.

Métodos:

Estudo quantitativo, transversal e descritivo, com dados retrospectivos e secundários. Os registros foram do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, que notifica trabalhadores em regime de previdência, bem como os informais. O período do estudo foi de seis anos. As variáveis foram: sociodemográficas, organizacionais do trabalho e específicas do agravo.

Resultados:

Foram aproximadamente 5 milhões de dias perdidos de trabalho, de 18.611 trabalhadores afastados e notificados com o agravo. Os grupos que mais se destacaram na análise foram os analfabetos, na faixa etária dos 50 aos 59 anos, com carga horária diária de trabalho acima de 6 horas, do grande grupo ocupacional 4, os CID-10 M50 e M51 e os trabalhadores com transtornos mentais.

Conclusões:

Elevado absenteísmo entre os trabalhadores com distúrbios musculoesqueléticos, analfabetos, idade dos 50 aos 59 anos, trabalhadores de serviços administrativos, CID-10 M51 e trabalhadores com transtornos mentais. Há necessidade de traçar políticas públicas que contemplem o absenteísmo causado pelo agravo, a fim de reduzir a morbidade, bem como os prejuízos socioeconômicos.

Palavras-chave:
Absenteísmo; Saúde do trabalhador; Transtornos traumáticos cumulativos; Doenças profissionais; Epidemiologia; Sistemas de informação em saúde

INTRODUÇÃO

Os distúrbios musculoesqueléticos (DME), também conhecidos por transtornos traumáticos cumulativos, são patologias que acometem trabalhadores dos mais diversos grupos ocupacionais. Podem causar inflamação e degeneração, afetando principalmente estruturas como músculos, nervos, tendões, articulações e cartilagens, acarretando dor e limitação funcional11. Brasil. Ministério da Saúde. Dor Relacionada ao Trabalho: lesões por esforços repetitivos (LER): distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. - Brasília: Ministério da Saúde; 2012.,22. Souza NSS, Santana VS. Incidência cumulativa anual de doenças musculoesqueléticas incapacitantes relacionadas ao trabalho em uma área urbana do Brasil. Cad Saúde Pública. 2011; 27(11): 2124-34. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2011001100006
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Os DME estão entre os agravos ocupacionais que geram maiores sequelas aos trabalhadores. Entre as principais consequências estão o sofrimento do trabalhador pelos sintomas causados, as limitações cotidianas e o absenteísmo, que pode ser mais prolongado e recorrente do que em outras doenças11. Brasil. Ministério da Saúde. Dor Relacionada ao Trabalho: lesões por esforços repetitivos (LER): distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. - Brasília: Ministério da Saúde; 2012.,22. Souza NSS, Santana VS. Incidência cumulativa anual de doenças musculoesqueléticas incapacitantes relacionadas ao trabalho em uma área urbana do Brasil. Cad Saúde Pública. 2011; 27(11): 2124-34. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2011001100006
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O absenteísmo ou afastamento do trabalho, devido aos DME, gera a perda de produtividade e ocasiona um importante impacto econômico para o empregador, governo, sociedade em geral, além de limitações e sofrimento aos trabalhadores acometidos33. Oenning NSX, Carvalho FM, Lima VMC. Fatores de risco para absenteísmo com licença médica em trabalhadores da indústria de petróleo. Rev Saúde Pública. 2014; 48(1): 103-22. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-8910.2014048004609
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,44. Coggon D, Ntani G, Prada SV, Martinez JM, Serra C, Benavides FG, et al. International variation in absence from work attributed to musculoskeletal illness: findings from the CUPID study. Occup Environ Med. 2013; 70: 575-84. https://doi.org/10.1136/oemed-2012-101316
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Os DME em trabalhadores têm como principais fatores associados o caráter repetitivo de movimentos, a invariabilidade das tarefas, a postura estática durante as atividades laborais e as altas exigências físicas como o manuseio de altas cargas de peso. Além de aspectos psicossociais relacionados ao trabalho que modulam a dor dos DME11. Brasil. Ministério da Saúde. Dor Relacionada ao Trabalho: lesões por esforços repetitivos (LER): distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador. - Brasília: Ministério da Saúde; 2012.,44. Coggon D, Ntani G, Prada SV, Martinez JM, Serra C, Benavides FG, et al. International variation in absence from work attributed to musculoskeletal illness: findings from the CUPID study. Occup Environ Med. 2013; 70: 575-84. https://doi.org/10.1136/oemed-2012-101316
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O absenteísmo por DME pode se associar com fatores como sexo, faixa etária, escolaridade e ocupação44. Coggon D, Ntani G, Prada SV, Martinez JM, Serra C, Benavides FG, et al. International variation in absence from work attributed to musculoskeletal illness: findings from the CUPID study. Occup Environ Med. 2013; 70: 575-84. https://doi.org/10.1136/oemed-2012-101316
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. Em países como a Espanha e a Grécia, os agravos ocupacionais afastaram por milhares de dias os trabalhadores de diversas ocupações, no período de um ano55. Rocamora IT, Gimeno D, Delclos G, Benavides FG, Manzanera R, Jardí J, et al. Heterogeneity and event dependence in the analysis of sickness absence. BMC Med Res Methodol. 2013, 13: 114. https://doi.org/10.1186/1471-2288-13-114
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,66. Alexopoulos EC, Merekoulias G, Tanagra D, Konstantinou EC, Mikelatou E, Jelastopulu E. Sickness Absence in the Private Sector of Greece: Comparing Shipyard Industry and National Insurance Data. Int J Environ Res Public Health. 2012; 9: 1171-81. DOI: 10.3390/ijerph9041171
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.

Em uma pesquisa ocupacional na Holanda, os DME foram os mais recorrentes para o absenteísmo77. Roelen CAM, Koopmans PC, Anema JR, Beek AJVD. Recurrence of Medically Certified Sickness Absence According to Diagnosis: A Sickness Absence Register Study. J Occup Rehabil. 2010; 20: 113-21. https://dx.doi.org/10.1007%2Fs10926-009-9226-8
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. No Brasil, um estudo realizado com trabalhadores do serviço público, na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, registrou que os DME estavam entre as doenças com maior risco para o afastamento do trabalho88. Rodrigues CS, Freitas RM, Assunção AA, Bassi IB, Medeiros AM. Absenteísmo-doença segundo auto relato de servidores públicos municipais em Belo Horizonte. Rev Bras Est Pop. 2013; 30: S135-54.. As doenças crônicas costumam gerar maior absenteísmo do que as agudas99. Guariguata L, Beer I, Hough R, Bindels E, Maasdorp DW, Feeley FG, et al. Diabetes, HIV and other health determinants associated with absenteeism among formal sector workers in Namibia. BMC Public Health [Internet]. 2012; 12: 44. Disponível em: http://www.biomedcentral.com/1471-2458/12/44 Acessado em abril de 2014). https://doi.org/10.1186/1471-2458-12-44
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.

Nos últimos anos a força de trabalho tem aumentado no país. Atualmente o Brasil conta com aproximadamente 96 milhões de trabalhadores1010. Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Banco de dados agregados: Pesquisa nacional por amostra de domicílios (PNAD): pesquisa básica [Internet]. Brasil: IBGE; 2013. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/protabl.asp?c=1869&z=pnad&o=3&i=P (Acessado em outubro de 2013).
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. Há poucos estudos na literatura nacional sobre absenteísmo por distúrbios musculoesqueléticos. Percebe-se que há necessidade de análises mais detalhadas do absenteísmo por DME, o que possibilitaria novas estratégias de prevenção frente a esses agravos.

Este estudo teve como objetivo descrever e analisar o absenteísmo dos trabalhadores do Brasil, notificados com DME no período de 2007 a 2012, em relação aos fatores sociodemográficos, ocupacionais e relacionadas ao agravo.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo epidemiológico, transversal, descritivo, retrospectivo e de abordagem quantitativa. Faz parte de uma pesquisa referente a uma dissertação do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Paraná.

Os dados são secundários, provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) nacional, dos casos notificados com DME no período de 01 de janeiro 2007 a 31 de dezembro de 2012 no Brasil. O estudo totalizou seis anos de registros. Ressalta-se que o SINAN notifica casos de DME de trabalhadores incluídos e não incluídos em um regime de previdência social.

No Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), por exemplo, o trabalhador que é afastado por doença e necessita do benefício previdenciário para a sua subsistência, precisa encaminhá-lo pela previdência social. O mesmo não acontece no SINAN, a procura geralmente é espontânea, utilizando inicialmente os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma parte dos trabalhadores que buscam esse acompanhamento não tem ou perdeu o vínculo formal de trabalho, especialmente aqueles que sofrem de doenças com afastamento de longa duração. Os motivos explicitados anteriormente podem tornar diferente a cobertura de notificações entre o SINAN e o INSS.

Os registros foram fornecidos em arquivo formato .xls em abril de 2013 pelo Ministério da Saúde do Brasil. Foram incluídos todos os registros dos trabalhadores notificados com DME. O critério de exclusão constituiu nas categorias que perfizessem menos de 1% dos registros de afastamento, pela baixa importância quantitativa em relação ao total dos dados. As exclusões ocorreram com os grandes grupos ocupacionais (GG) 0 e 1 (Quadro 1). Outra categoria excluída foi a dos trabalhadores com menos de 15 anos de idade.

Quadro 1:
Descrição dos grandes grupos ocupacionais conforme a Classificação Brasileira de Ocupações.

Para esta pesquisa foram selecionadas as seguintes variáveis e campos preenchidos da ficha de notificação de lesões por esforços repetitivos ou distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (LER/DORT) do SINAN:

  1. dados gerais: data da notificação (ano da notificação);

  2. notificação individual: sexo (masculino, feminino), faixa etária (15 - 19, 20 - 29, 30 - 39, 40 - 49, 50 - 59, a partir de 60 anos); escolaridade (analfabeto, ensino fundamental, ensino médio, ensino superior);

  3. antecedentes epidemiológicos: ocupação, transtorno mental (sim, não, ignorado);

  4. LER/DORT: jornada de trabalho de mais de seis horas (sim, não); diagnóstico específico de acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10);

  5. conclusão: afastamento do trabalho para tratamento (sim, não, ignorado), tempo de afastamento do trabalho para tratamento (horas, dias, meses, anos).

As ocupações referentes aos casos de LER/DORT registrados em antecedentes epidemiológicos foram categorizadas em GG, de acordo com a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) (Quadro 1). Na variável “tempo de afastamento” houve quatro formas de registro (horas, dias, meses e anos). Foi realizada a padronização do tempo de afastamento para “dias perdidos de trabalho”.

Para a variável CID-10 específico, houve a categorização e o agrupamento de acordo com o CID-10. A análise dos dados foi realizada com o software Stata versão 12 (Stata Corp., College Station, Estados Unidos).

Foram feitas tabelas de contingência incluindo a variável “dias perdidos de trabalho”, com a média e a mediana em relação às variáveis sexo, faixa etária, carga horária diária de trabalho, GG, grupamento específico do CID-10 e transtorno mental. Houve a descrição do intervalo interquartil (25 - 75%) para cada grupo, a fim de comparar os 50% centrais dos “dias perdidos de trabalho” entre as categorias de cada variável independente.

Após a análise descritiva dos dados, foram controlados os possíveis outliers, para evitar a influência das medidas discrepantes nos resultados finais. Na análise das variáveis qualitativas dicotômicas foi adotado o teste U de Mann-Whitney, e Kruskal-Wallis para as variáveis com três ou mais categorias. Os testes foram realizados com a variável dependente “dias perdidos de trabalho” em relação às variáveis independentes. A variável dependente não apresentou aderência à distribuição normal no teste de Kolmogorov-Smirnov (p < 0,05).

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Secretária de Saúde do Estado do Paraná, mediante o Certificado de Apresentação para Apreciação Ética nº 287.570, no mês de maio de 2013, conforme a Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

RESULTADOS

No período de 2007 a 2012 foram registrados no SINAN 32.438 trabalhadores com DME. A média de idade dos trabalhadores notificados pelo agravo foi de 40 anos. O absenteísmo totalizou 4.961.478 dias de trabalho perdidos para 18.611 (57,4%) trabalhadores notificados e afastados com esse agravo no SINAN. O absenteísmo foi semelhante entre homens e mulheres.

Em relação à escolaridade, houve diferença significativa (p = 0,0001) de afastamento entre as categorias, em que os analfabetos tiveram maior mediana (183 dias), e do segundo ao terceiro quartil (60,1 a 182,6). A faixa etária de maior destaque foi a dos 50 aos 59 anos, com mediana de 122 dias; e do segundo ao terceiro quartil (45 a 365,2). Quanto à carga horária diária de trabalho, as diferenças de afastamento foram significativas (p < 0,0001), em que os trabalhadores com mais de 6 horas diárias de trabalho ficaram com a mediana de 90 dias (Tabela 1).

Tabela 1:
Absenteísmo por distúrbios musculoesqueléticos em trabalhadores em relação ao sexo, escolaridade, faixa etária e carga horária de trabalho. Brasil, 2007-2012.

Entre os GG, as diferenças foram estatisticamente significativas, conforme o teste de Kruskal-Wallis (p = 0,0001). O GG 4 (trabalhadores de serviços administrativos) foi o que teve a maior média de afastamento (316,3 dias) (Tabela 2).

Tabela 2:
Absenteísmo por distúrbios musculoesqueléticos em trabalhadores em relação aos grandes grupos ocupacionais. Brasil, 2007-2012.

Na Tabela 3, observa-se diferença significativa entre os grupos do CID-10 (p = 0,0001) M51 (outros transtornos dos discos vertebrais) e M50 (transtornos dos discos cervicais), ambas com medianas de 183 dias, e do percentil 25 a 75%, respectivamente, 90 a 730 e 90 a 639,2 dias. Os trabalhadores que possuíam doença mental foram fortemente associados ao afastamento do trabalho por DME (p < 0,0001).

Tabela 3:
Absenteísmo por distúrbios musculoesqueléticos em trabalhadores em relação ao CID-10 específico e doença mental. Brasil, 2007-2012.

DISCUSSÃO

Neste estudo foi encontrado um absenteísmo de aproximadamente 5 milhões de dias perdidos de trabalho em 6 anos de estudo, entre os trabalhadores notificados com DME pelo SINAN, no período de 2007 a 2012 no Brasil.

Ao observar a mediana e os 50% centrais (segundo ao terceiro quartil) de dias perdidos de trabalho para os grupos de variáveis, constatou-se que ocorreram afastamentos mais prolongados para analfabetos, da faixa etária dos 50 aos 59 anos, que trabalham mais de 6 horas diárias, pertencentes ao GG 4, diagnosticados com CID-10 M50 e M51, além dos trabalhadores notificados com LER/DORT que possuíam doença mental.

Em um estudo no Brasil com registros oriundos do INSS, sobre DME em trabalhadores, o absenteísmo totalizou aproximadamente 12 milhões de dias perdidos em 1 ano1111. Meziat Filho NM, Silva GA. Invalidez por dor nas costas entre segurados da Previdência Social do Brasil. Rev Saúde Pública. 2011; 45(3): 494-502. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102011000300007
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. É perceptível que pode haver diferenças quanto ao absenteísmo entre pesquisas que abordam a mesma temática. Esse fato pode ocorrer devido às particularidades de cada sistema de informação, o que pode elucidar tal variação.

Nesta pesquisa os dados extraídos do SINAN foram de trabalhadores com e sem vínculo previdenciário. Devemos destacar que o trabalhador que precisa se ausentar de forma prolongada em função de DME necessita usufruir do benefício previdenciário junto ao INSS, o que pode tornar maior o registro de dados pela previdência. Diferente situação do SINAN, em que a busca por acompanhamento pelo SUS ocorre espontaneamente para fins de tratamento do agravo.

Quanto ao sexo, neste estudo os afastamentos entre homens e mulheres foram semelhantes. Entretanto, em Salvador, Bahia, a LER/DORT incapacitante afastou mais mulheres (66,9%) do que homens22. Souza NSS, Santana VS. Incidência cumulativa anual de doenças musculoesqueléticas incapacitantes relacionadas ao trabalho em uma área urbana do Brasil. Cad Saúde Pública. 2011; 27(11): 2124-34. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2011001100006
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. Na Noruega, 65,1% dos afastamentos foram em trabalhadores do sexo feminino1212. Sivertsen H, Lillefjell M, Espnes GA. The relationship between health promoting resources and work participation in a sample reporting musculoskeletal pain from the Nord-Trøndelag Health Study, HUNT 3, Norway. BMC Musculoskelet Disord. 2013; 14: 100. https://doi.org/10.1186/1471-2474-14-100
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. Na Suécia e Japão, o sexo feminino foi associado com afastamento do trabalho por patologias ocupacionais1313. Taloyan M, Aronsson G, Leineweber C, Hanson LM, Alexanderson K, Westerlund H. Sickness Presenteeism Predicts Suboptimal Self-Rated Health and Sickness Absence: A Nationally Representative Study of the Swedish Working Population. PLoS One. 2012; 7(9): e44721. DOI: 10.1371/journal.pone.0044721
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,1414. Matsudaira K, Shimazu A, Fujii T, Kubota K, Sawada T, Kikuchi N, et al. Workaholism as a Risk Factor for Depressive Mood, Disabling Back Pain, and Sickness Absence. PLoS One. 2013; 8(9): e75140. DOI: 10.1371/journal.pone.0075140
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. Em um estudo de caso controle, as mulheres tiveram 2,6 vezes mais chances para afastamento de longa duração, sendo o sexo um preditor para o absenteísmo33. Oenning NSX, Carvalho FM, Lima VMC. Fatores de risco para absenteísmo com licença médica em trabalhadores da indústria de petróleo. Rev Saúde Pública. 2014; 48(1): 103-22. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-8910.2014048004609
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. Outro estudo realizado demonstrou que servidores públicos do sexo feminino tiveram significativamente 1,12 vezes mais risco para o absenteísmo88. Rodrigues CS, Freitas RM, Assunção AA, Bassi IB, Medeiros AM. Absenteísmo-doença segundo auto relato de servidores públicos municipais em Belo Horizonte. Rev Bras Est Pop. 2013; 30: S135-54..

O aumento do risco do sexo feminino por DME é compreensível, tendo em vista que geralmente a mulher assume “dupla jornada” em seu dia a dia, entre as tarefas domésticas, como cuidar dos filhos e da casa, somadas à rotina diária de trabalho, o que resulta em sobrecarga mental e física; além das diferenças anatomofisiológicas em relação ao homem1515. Magnago TSBS, Lisboa MTL, Griep RH, Kirchhof ALC, Camponogara S, Nonnenmacher CQ, et al. Condições de trabalho, características sócio demográficas e distúrbios musculoesqueléticos em trabalhadores de enfermagem. Acta Paul Enferm. 2010; 23(2): 187-93. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-21002010000200006
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. Os aspectos de sobrecarga citados podem agravar a evolução dos casos de mulheres com distúrbios musculoesqueléticos e, por conseguinte, elevar o afastamento do trabalho.

O nível de escolaridade pode ser outro aspecto importante relacionado ao afastamento do trabalho. Nesta pesquisa os trabalhadores analfabetos tiveram as maiores medianas de dias de trabalho perdidos devido aos DME. O processo de trabalho é um aspecto importante em relação às patologias ocupacionais, e pode ser fortemente influenciado pelo nível de escolaridade1616. Rutz EM, Hensing G, Westerlund H, Backheden M, Hammarström A. Determinants in adolescence for adult sickness absence in women and men: a 26-year follow-up of a prospective population based cohort (Northern Swedish cohort). BMC Public Health. 2013; 13: 75. https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-75
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. Provavelmente trabalhadores com menor nível de escolaridade estejam em ocupações com maiores níveis e diversidades de exposições, e se exponham por tempo mais prolongado a fatores de risco, o que pode agravar o quadro patológico1616. Rutz EM, Hensing G, Westerlund H, Backheden M, Hammarström A. Determinants in adolescence for adult sickness absence in women and men: a 26-year follow-up of a prospective population based cohort (Northern Swedish cohort). BMC Public Health. 2013; 13: 75. https://doi.org/10.1186/1471-2458-13-75
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A idade é um fator que pode estar associado ao absenteísmo causado por DME44. Coggon D, Ntani G, Prada SV, Martinez JM, Serra C, Benavides FG, et al. International variation in absence from work attributed to musculoskeletal illness: findings from the CUPID study. Occup Environ Med. 2013; 70: 575-84. https://doi.org/10.1136/oemed-2012-101316
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. Neste estudo, a faixa etária dos 50 aos 59 anos obteve a maior mediana (122 dias). Em um estudo multicêntrico realizado em 18 países do mundo, o risco para absenteísmo por DME foi maior acima de 30 anos de idade44. Coggon D, Ntani G, Prada SV, Martinez JM, Serra C, Benavides FG, et al. International variation in absence from work attributed to musculoskeletal illness: findings from the CUPID study. Occup Environ Med. 2013; 70: 575-84. https://doi.org/10.1136/oemed-2012-101316
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. Para os trabalhadores de uma empresa petrolífera no Brasil, o risco para afastamento do trabalho ocorreu em idades acima de 50 anos33. Oenning NSX, Carvalho FM, Lima VMC. Fatores de risco para absenteísmo com licença médica em trabalhadores da indústria de petróleo. Rev Saúde Pública. 2014; 48(1): 103-22. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-8910.2014048004609
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. Isso pode ser explicado devido ao fato de que a maior produtividade laboral se concentra em faixas etárias intermediárias. Já em idade avançada, os processos degenerativos podem ser a explicação mais plausível1717. Coggon D, Ntani G, Palmer KT, Felli VE, Harari R, Barrero LH, et al. The CUPID (Cultural and Psychosocial Influences on Disability) Study: Methods of Data Collection and Characteristics of Study Sample. PLoS One. 2012; 7(7): 1-12. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0039820
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.

Neste estudo os trabalhadores com carga horária de trabalho acima de seis horas diárias tiveram maior mediana de afastamento do trabalho para o tratamento de DME. Em uma pesquisa na Namíbia, o trabalho realizado em jornada parcial foi fator de proteção para o absenteísmo99. Guariguata L, Beer I, Hough R, Bindels E, Maasdorp DW, Feeley FG, et al. Diabetes, HIV and other health determinants associated with absenteeism among formal sector workers in Namibia. BMC Public Health [Internet]. 2012; 12: 44. Disponível em: http://www.biomedcentral.com/1471-2458/12/44 Acessado em abril de 2014). https://doi.org/10.1186/1471-2458-12-44
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. No Japão, o afastamento do trabalho foi associado com a carga horária semanal de trabalho acima de 60 horas1414. Matsudaira K, Shimazu A, Fujii T, Kubota K, Sawada T, Kikuchi N, et al. Workaholism as a Risk Factor for Depressive Mood, Disabling Back Pain, and Sickness Absence. PLoS One. 2013; 8(9): e75140. DOI: 10.1371/journal.pone.0075140
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. A carga horária de trabalho mais elevada dos trabalhadores pode estar associada à morbidade, pelo aumento do tempo de exposição aos fatores de riscos laborais.

Quanto ao ramo de atividade econômica, em uma pesquisa houve maior afastamento do trabalho por DME em trabalhadores da indústria de transformação, seguido do comércio22. Souza NSS, Santana VS. Incidência cumulativa anual de doenças musculoesqueléticas incapacitantes relacionadas ao trabalho em uma área urbana do Brasil. Cad Saúde Pública. 2011; 27(11): 2124-34. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2011001100006
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. Em outro estudo, a análise dos dados secundários de trabalhadores de uma universidade pública no Brasil revelou que a maior mediana de dias perdidos de trabalho foi entre trabalhadores operacionais (122,5 dias)1818. Zechinatti AC, Belloti JC, Moraes VY, Albertoni WM. Occupational musculoskeletal and mental disorders as the most frequent associations to worker's sickness absence: A 10-year cohort study. BMC Res Notes. 2012; 5: 229. https://doi.org/10.1186/1756-0500-5-229
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. Essas pesquisas tiveram resultados semelhantes ao presente estudo. Em geral as ocupações que expõem os trabalhadores ao manuseio de cargas pesadas, repetição de movimentos e longos períodos em posição estática predispõem ao maior risco para LER/DORT e ao absenteísmo subsequente1919. Heneweer H, Picavet HSJ, Staes F, Kiers H, Vanhees L. Physical fitness, rather than self-reported physical activities, is more strongly associated with low back pain: evidence from a working population. Eur Spine J. 2012; 21: 1265-72. https://doi.org/10.1007/s00586-011-2097-7
https://doi.org/10.1007/s00586-011-2097-...
.

Em relação ao sítio anatômico, em um estudo na Noruega as maiores causas de absenteísmo foram as lesões de ombro e cervical1212. Sivertsen H, Lillefjell M, Espnes GA. The relationship between health promoting resources and work participation in a sample reporting musculoskeletal pain from the Nord-Trøndelag Health Study, HUNT 3, Norway. BMC Musculoskelet Disord. 2013; 14: 100. https://doi.org/10.1186/1471-2474-14-100
https://doi.org/10.1186/1471-2474-14-100...
. Em Salvador, Bahia, uma pesquisa realizada sobre a incidência de DME mostrou que os diagnósticos que mais causaram afastamento do trabalho foram as sinovites/tenossinovites e as lesões de ombro22. Souza NSS, Santana VS. Incidência cumulativa anual de doenças musculoesqueléticas incapacitantes relacionadas ao trabalho em uma área urbana do Brasil. Cad Saúde Pública. 2011; 27(11): 2124-34. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2011001100006
http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2011...
. As pesquisas citadas corroboram os achados deste estudo.

Os DME e os transtornos mentais podem ser as maiores causas de absenteísmo em trabalhadores, além de ocorrerem com maior recorrência em comparação a outras doenças ocupacionais77. Roelen CAM, Koopmans PC, Anema JR, Beek AJVD. Recurrence of Medically Certified Sickness Absence According to Diagnosis: A Sickness Absence Register Study. J Occup Rehabil. 2010; 20: 113-21. https://dx.doi.org/10.1007%2Fs10926-009-9226-8
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. A saúde mental precária, além de afastar por si só os trabalhadores em geral, ainda pode potencializar ou modular os sintomas dos distúrbios osteomusculares, especialmente a dor, por mecanismo de somatização44. Coggon D, Ntani G, Prada SV, Martinez JM, Serra C, Benavides FG, et al. International variation in absence from work attributed to musculoskeletal illness: findings from the CUPID study. Occup Environ Med. 2013; 70: 575-84. https://doi.org/10.1136/oemed-2012-101316
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. Nesta pesquisa os afastamentos do trabalho por DME foram associados aos transtornos mentais.

Entre as limitações desta pesquisa, destaca-se a possível subnotificação de casos dos DME, dificultando a real dimensão do agravo sobre a população exposta. Isso não permite o acompanhamento adequado dos trabalhadores não notificados que sofrem desse agravo, além de impedir análises mais refinadas com esses registros. Uma das possíveis causas da subnotificação do SINAN é a utilização da assistência privada ou convênios de saúde.

Outra limitação foi a falta de completitude de algumas variáveis, o que reduziu a qualidade do preenchimento das fichas de notificação de LER/DORT e, por conseguinte, limitou de certo modo a robustez das análises deste estudo.

Por outro lado, este estudo apresentou vantagens na utilização dos dados do SINAN, como a abrangência das notificações, pois há registros dos trabalhadores segurados pela previdência social e informais.

Uma das formas de prevenção das doenças relacionadas ao trabalho é a aplicação das políticas públicas de saúde. Há várias normas que regulamentam o trabalho no Brasil, com o objetivo de prevenir esses agravos relacionados e/ou potencializados pelo trabalho. Apesar de não ser específica para a prevenção dos DME, a Norma Regulamentadora nº 17 (NR 17) é um conjunto de recomendações para que sejam realizadas análises ergonômicas das atividades laborais, que visam proporcionar conforto e segurança aos trabalhadores. A NR 17 pode prevenir ou minimizar os DME em trabalhadores2020. Brasil. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora 17 (NR 17) [Internet]. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego; 1990. Disponível em: http://www.trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-17-ergonomia (Acessado em março de 2012).
http://www.trabalho.gov.br/seguranca-e-s...
.

CONCLUSÃO

Esta pesquisa constatou milhares de dias perdidos de trabalho no Brasil, entre os casos de DME em trabalhadores das mais diversas ocupações notificadas no SINAN nacional. Entre as medianas de tempo de afastamento, os grupos que mais se destacaram foram os analfabetos, na faixa etária dos 50 aos 59 anos, com carga horária acima de 6 horas diárias de trabalho, o grande grupo ocupacional 4, os transtornos dos discos vertebrais (M50 e M51) e os trabalhadores com transtorno mental.

O perfil de morbidade estudado é aplicável à população com vínculo de trabalho formal, bem como aos trabalhadores informais ou com vínculos precários de trabalho, com doenças de longa duração que requerem tratamento e recuperação prolongada.

A partir destes resultados, torna-se possível perceber a magnitude que esse agravo representa à saúde dos trabalhadores das mais diversas ocupações pelas limitações, sofrimento e absenteísmo causados, além do considerável prejuízo sociodemográfico e ocupacional gerados. Os gastos diretos e indiretos com os DME possivelmente foram significativos.

Torna-se necessária a reflexão para a atualização das políticas públicas que contemplem o afastamento do trabalho, tendo em vista os dados desta e de outras pesquisas em saúde do trabalhador. Tal reflexão possibilitará repensar a saúde do trabalhador, bem como a produtividade que isso pode representar às instituições. Outras investigações poderão constatar ou desenvolver outros processos de trabalho que poderão modificar esse perfil patológico de morbidade, tais como os de inferência causal, que contribuiriam ao fenômeno de estudo, com vistas às causas e possíveis medidas de intervenção.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao Ministério da Saúde do Brasil, o fornecimento dos dados pertinentes a esta pesquisa, e à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), a fomentação de bolsas de mestrado ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Paraná.

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  • Fonte de financiamento: nenhuma

Histórico

  • Recebido
    24 Maio 2016
  • Aceito
    03 Out 2017
  • Publicação Online
    02 Ago 2018
Associação Brasileira de Pós -Graduação em Saúde Coletiva São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revbrepi@usp.br