Ofidismo no Tocantins: análise ecológica de determinantes e áreas de risco, 2007-2015 **Artigo derivado de dissertação de Mestrado de Shirley Barbosa Feitosa, intitulada ‘Perfil epidemiológico das pessoas acometidas por acidentes ofídicos e seus determinantes no Tocantins’, defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2017.

Ofidismo en Tocantins: análisis ecológico de determinantes y áreas de riesgo, 2007- 2015

Shirley Barbosa Feitosa Yukari Figueroa Mise Eduardo Luiz Andrade Mota Sobre os autores

Resumo

Objetivo

Investigar o perfil dos casos de acidentes ofídicos, seus determinantes e áreas de risco no estado do Tocantins.

Métodos

Estudo ecológico, com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do período 2007-2015. Empregou-se regressão linear múltipla e os testes Mann-Whitney e Kruskal-Wallis.

Resultados

Foram notificados 7.764 acidentes ofídicos (incidência de 62,1/100 mil habitantes; letalidade de 0,5%). As variáveis associadas ao ofidismo foram densidade demográfica (Coef.=1,36 – IC95% 0,72;1,99), trabalho agropecuário (Coef.=0,02 – IC95% 0,01;0,03), índice de desenvolvimento humano municipal (Coef.=2,99 – IC95% 0,60;5,38), área cultivada de mandioca (Coef.=8,49 – IC95% 1,66;15,32), população indígena (Coef.=0,02 – IC95% 0,00;0,04), proporção de população analfabeta (Coef.=4,70 – IC95% 0,61;8,79) e população empregada (Coef.=3,00 – IC95% 0,93;5,06), que explicaram 64,48% da variação. As áreas de alto risco foram as regiões de saúde Amor Perfeito, Cantão, Cerrado Tocantins Araguaia e Médio Norte Araguaia.

Conclusão

Aspectos socioeconômicos e demográficos municipais associaram-se ao ofidismo.

Mordeduras de Serpentes; Estudos Ecológicos; Perfil de Saúde; Zona de Risco

Resumen

Objetivo

Investigar el perfil de accidentes ofídicos, sus determinantes y áreas de riesgo, en el estado de Tocantins.

Métodos

Estudio ecológico con datos del Sistema de Información de Enfermedades de Agravamiento de Notificación, 2007-2015. Se utilizaron pruebas de regresión lineal y pruebas de Mann-Whitney y Kruskal-Wallis.

Resultados

Se reportaron 7.764 accidentes ofídicos (incidencia: 62,1/100.000 hab.; letalidad: 0,5%). Las variables relacionadas al ofidismo fueron densidad demográfica (Coef.=1,36 – IC95% 0,72;1,99), trabajo agrícola (Coef.=0,02 – IC95% 0,01;0,03), índice de desarrollo humano municipal (Coef.=2,99 – IC95% 0,60;5,38), área cultivada de yuca (Coef.=8,49 – IC95% 1,66;15,32), población indígena (Coef.=0,02 – IC95% 0,00;0,04), proporción de la población analfabeta (Coef.=4,70 – IC95% 0,61;8,79) y empleados (Coef.=3,00 – IC95% 0,93;5,06), explicando 64,48% de la variación. Las áreas de alto riesgo fueron las regiones de salud Amor Perfecto, Cantão, Cerrado Tocantins Araguaia y Medio Norte Araguaia.

Conclusión

Aspectos socioeconómicos y demográficos municipales se asociaron con el ofidismo.

Mordeduras de Serpientes; Estudios Ecológicos; Perfil de Salud; Zona de Riesgo

Introdução

Acidentes ofídicos persistem como um problema de Saúde Pública, pela assiduidade com que ocorrem e morbimortalidade que ocasionam, principalmente nos países tropicais, detentores da maior diversidade de serpentes de importância médica do planeta.( 11. World Health Organization - WHO. Guidelines for the management of snakebites [Internet]. 2. ed. New Delhi: World Health Organization; 2016 [cited 2020 Jun 29]. 140 p. Available from: https://www.who.int/snakebites/resources/9789290225300/en/
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)Esse agravo à saúde acomete, frequentemente, homens jovens, trabalhadores rurais, em idade economicamente ativa.( 11. World Health Organization - WHO. Guidelines for the management of snakebites [Internet]. 2. ed. New Delhi: World Health Organization; 2016 [cited 2020 Jun 29]. 140 p. Available from: https://www.who.int/snakebites/resources/9789290225300/en/
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)

Em 2009, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu o ofidismo na lista de doenças tropicais negligenciadas. No ano de 2019, estimou-se ocorrerem em todo o mundo, anualmente, 2,7 milhões casos de envenenamento ofídico e de 81 mil a 138 mil óbitos decorrentes, além de 400 mil vítimas sobreviventes com incapacidade física e psicológica.( 22. Williams DJ, Faiz MA, Abela-Ridder B, Ainsworth S, Bulfone TC, Nickerson AD, et al. Strategy for a globally coordinated response to a priority neglected tropical disease: Snakebite envenoming. PLoS Negl Trop Dis [Internet]. 2019 Feb [cited 2020 Jun 29];13(2):e0007059. Available from: https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0007059
https://doi.org/10.1371/journal.pntd.000...
)Apesar dessas estimativas, dados globais são relativamente incipientes, e o número de pessoas acometidas, em sua totalidade, subestimado.( 11. World Health Organization - WHO. Guidelines for the management of snakebites [Internet]. 2. ed. New Delhi: World Health Organization; 2016 [cited 2020 Jun 29]. 140 p. Available from: https://www.who.int/snakebites/resources/9789290225300/en/
https://www.who.int/snakebites/resources...
)

No período selecionado para o estudo, ocorreram cerca de 28,5 mil acidentes ofídicos por ano no Brasil, com uma incidência de 14,5/100 mil habitantes e uma letalidade de 0,41%,( 66. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Casos - OFIDISMO [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2019 [citado 2019 out 20]. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/outubro/16/1--Dados-Epidemiologicos-SiteSVS--Setembro-2019-OFIDISMO-CASOS.pdf
https://portalarquivos2.saude.gov.br/ima...
)nove vezes superior à estimativa mundial. A região Norte do país se destaca pela alta taxa de incidência: 56,0 casos/100 mil hab.( 44. Silva JC, Guimarães CDO, Palha MC. Perfil clínico-epidemiológico dos acidentes ofídicos ocorridos na ilha de Colares, Pará, Amazônia oriental. Semina Ciênc Biol Saúde [Internet]. 2015 jan-jun [citado 2020 jun 29];36(1):67-78. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0367.2015v36n1p67
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)

O conhecimento sobre o ofidismo avançou muito nas últimas décadas,( 88. Kasturiratne A, Wickremasinghe R, Silva N, Gunawardena N, Pathmeswaran A, Premaratna R, et al. The global burden of snakebite: a literature analysis and modelling based on regional estimates of envenoming and deaths. PLoS Med [Internet]. 2008 Nov [cited 2020 Jun 29];5(11):e218. Available from: https://doi.org/10.1371/journal.pmed.0050218
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) embora pouco se tenha investigado, sob uma perspectiva do contexto espacial, que considerasse a ocorrência desse agravo um evento complexo da sociedade, uma vez que as condições socioeconômicas e ambientais podem compor fatores de risco.( 44. Silva JC, Guimarães CDO, Palha MC. Perfil clínico-epidemiológico dos acidentes ofídicos ocorridos na ilha de Colares, Pará, Amazônia oriental. Semina Ciênc Biol Saúde [Internet]. 2015 jan-jun [citado 2020 jun 29];36(1):67-78. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0367.2015v36n1p67
http://dx.doi.org/10.5433/1679-0367.2015...
)

O presente estudo teve por objetivo investigar o perfil dos casos de acidentes ofídicos, seus determinantes e áreas de risco no estado do Tocantins, Brasil.

Métodos

Trata-se de um estudo ecológico de múltiplos grupos, em que o município foi a unidade de análise para a ocorrência de acidentes ofídicos no período de 2007 a 2015, no estado do Tocantins.

O Tocantins integra a região Norte do Brasil e suas principais atividades econômicas são a agricultura e a pecuária.( 1010. Nascimento JB. História e geografia do Tocantins. Goiânia: Editora Kelpes; 2013. )O estado possui 139 municípios, extensão territorial de 277.720,567km2 e população estimada de 1.515.126 habitantes.( 1111. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Cidades: Tocantins [Internet]. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2017 [citado 2017 abr 20]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/estadosat/perfil.php?sigla=to
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)Os indígenas correspondem a aproximados 5% dessa população, distribuídosentre nove etnias: Apinayé; Xerente; Karajá; Krahô; Xambioá; Krahô-Kanela; Javaé; Pankararu; e Avá-Canoeiro.( 1010. Nascimento JB. História e geografia do Tocantins. Goiânia: Editora Kelpes; 2013. ) O Tocantins apresenta índice de desenvolvimento humano (IDH) de 0,699 e índice de Gini de 0,60: 32,36% de sua população encontra-se em condições de pobreza.( 1111. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Cidades: Tocantins [Internet]. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2017 [citado 2017 abr 20]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/estadosat/perfil.php?sigla=to
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) O estado é composto por oito regiões de saúde: Médio Norte Araguaia; Bico do Papagaio; Sudeste; Cerrado Tocantins Araguaia; Ilha do Bananal; Capim Dourado; Cantão; e Amor Perfeito.( 1313. Governo do Estado de Tocantins. Secretaria de Estado da Saúde. Resolução CIB Nº 161/2012, 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre a conformação das novas regiões de saúde do Estado do Tocantins e as ações e serviços mínimos a serem ofertados nesses territórios [Internet]. Palmas: Governo do Estado de Tocantins; 2017 [citado 2017 abr 15]. Disponível em: https://central3.to.gov.br/arquivo/244723/
https://central3.to.gov.br/arquivo/24472...
)

Todos os municípios do estado foram incluídos no estudo, uma vez que notificaram casos de ofidismo no período selecionado.

Dados referentes à caracterização do ofidismo foram obtidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) da Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SESAU/TO), por município de ocorrência. As variáveis socioeconômicas e demográficas foram obtidas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil. Utilizaram-se dados censitários de 2010 e as progressões estatísticas para os períodos intercensitários.

As variáveis relacionadas aos indivíduos foram:

  1. sexo (masculino; feminino);

  2. idade (em anos: <15; 15 a 34; 35 a 54; 55 ou mais);

  3. escolaridade (não estudou; até ensino fundamental completo; ensino médio completo; ensino superior completo; sem informação);

  4. raça/cor da pele (branca; preta; amarela; parda; indígena; sem informação); e

  5. ocupação (agropecuário; trabalhador em geral; sem informação).

Em relação ao acidente ofídico, as variáveis investigadas foram:

  1. município de ocorrência;

  2. zona (urbana; rural; periurbana; sem informação);

  3. mês de ocorrência;

  4. local anatômico da picada (eixo central; membros inferiores; membros superiores; sem informação);

  5. gênero de serpente ( Bothrops; Crotalus; Micrurus; Lachesis ; não peçonhenta; sem informação);

  6. tempo transcorrido do acidente ao atendimento (até seis horas; acima de seis horas; sem informação);

  7. estadiamento (leve; moderado; grave; sem informação);

  8. evolução clínica (cura; óbito; sem informação); e

  9. acidente relacionado ao trabalho (sim; não; sem informação).

Foram investigadas as seguintes variáveis para o município:

  1. índice de desenvolvimento humano municipal (IDHM);

  2. índice de Gini;

  3. produto interno bruto (PIB) per capita (U$);

  4. população empregada (%);

  5. área destinada à agricultura (%);

  6. população empregada na agropecuária (%);

  7. população com acesso a água e coleta de lixo (%);

  8. proporção de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais de idade (%);

  9. proporção da população indígena do município, em relação à população geral municipal (%);

  10. densidade demográfica (hab./km2); e

  11. aspecto climático (período seco; período chuvoso).

As variáveis relacionadas à agropecuária foram selecionadas a partir das principais atividades desenvolvidas no Tocantins, por município, tendo como referência o ano de 2015. As variáveis relativas à agricultura consistiram das áreas cultivadas (em km2) de arroz, abacaxi, banana, cana-de-açúcar, feijão, mandioca, melancia, milho, soja e sorgo. Quanto à pecuária, considerou-se o total efetivo de rebanho, por cabeças de bovino, caprino, equino, galináceo e suíno. Todos os dados socioeconômicos provieram do banco de dados do IBGE.

Foram calculadas a taxa de incidência (número de casos dividido pela população, a cada 100 mil hab.), a taxa de mortalidade (número de óbitos divididos pela população, a cada 100 mil hab.) e a letalidade (proporção do número de óbitos em relação ao número de casos) para o ofidismo, por ano e por município. A descrição do perfil epidemiológico foi feita pelas frequências – absoluta e relativa – das variáveis referentes aos indivíduos acidentados e aos acidentes.

Na análise de regressão linear múltipla, foram consideradas como exposição as variáveis demográficas e socioeconômicas municipais. Os casos de ofidismo municipal registrados no período foram a variável-resposta. A associação do ofidismo com as variáveis demográficas e socioeconômicas municipais foi analisada por meio de regressão linear múltipla. As variáveis que atingiram o nível de significância de 5% no modelo não ajustado foram selecionadas e submetidas à análise. Os resultados foram apresentados como coeficiente (Coef.) e intervalo de confiança de 95% (IC95%). O critério de informação de Akaike (AIC) foi usado para avaliar a qualidade do ajuste do modelo. Para investigação de sazonalidade, foi realizada análise de associação entre frequência mensal de acidentes e o período sazonal (período seco, de maio a setembro; e período chuvoso, de outubro a abril), pelo teste de Mann-Whitney. Para a identificação das áreas de risco, utilizou-se o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis (p-valor ajustado). Os grupamentos resultantes foram classificados como de baixo ou alto risco, com base nos coeficientes de incidência de ofidismo. Posteriormente, foram elaborados mapas para análise da distribuição espacial.

O programa Stata® versão 12.0 foi utilizado para o processamento dos testes de regressão linear, Mann-Whitney e Kruskal-Wallis; e o Tabwin versão 3.6, do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus)/Ministério da Saúde), para a elaboração dos mapas.

O projeto do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (CEP/ISC/UFBA): Parecer nº 2.091.150, de 30 de maio de 2017.

Resultados

No Tocantins, foram notificados 7.764 acidentes ofídicos no período de 2007 a 2015. A incidência média estadual foi de 62,1/100 mil hab., variando de 52,2 a 78,4/100 mil hab. ( Figura 1 ). A incidência municipal variou de 2,8 a 288,8/100 mil hab. Os municípios com maiores incidências foram Recursolândia (288,8/100 mil hab.), Centenário (260,4/100 mil hab.), Tocantínia (252,8/100 mil hab.), Santa Maria (240,0/100 mil hab.) e Conceição do Tocantins (235,3/100 mil hab.) ( Figura 2 ).

Figura 1
– Taxa de incidência (por 100 mil hab.), letalidade (%) e taxa de mortalidade (por 100 mil hab.) dos acidentes ofídicos no estado do Tocantins, Brasil, 2007 a 2015

Figura 2
– Distribuição espacial dos acidentes ofídicos segundo a taxa de incidência acumulada (por 100 mil hab.) nos municípios que integram as regiões de saúde do estado do Tocantins, 2007-2015

Legenda:

APE: Amor Perfeito

BCP: Bico do Papagaio

CAN: Cantão

CPD: Capim Dourado

CTA: Cerrado Tocantins-Araguaia

IBA: Ilha do Bananal

MNA: Médio Norte Araguaia

SUD: Sudeste

As regiões de saúde Médio Norte Araguaia e Cerrado Tocantins Araguaia foram as que mais notificaram casos, com 22,7% e 16,8% dos registros, respectivamente. As regiões de saúde Médio Norte Araguaia e Cerrado Tocantins Araguaia referiram os maiores coeficientes de incidência, 97,3/100 mil hab. e 89,1/100 mil hab., respectivamente ( Tabela 1 e Figura 3 ).

Tabela 1
– Classificação de áreas de risco de acidente ofídico entre as regiões de saúde do estado do Tocantins, Brasil, 2007-2015
Figura 3
– Mapeamento das áreas de risco de acidente ofídico nas regiões de saúde do estado do Tocantins, 2007-2015

Legenda:

APE: Amor Perfeito

BCP: Bico do Papagaio

CAN: Cantão

CPD: Capim Dourado

IBA: Ilha do Bananal

CTA: Cerrado Tocantins-Araguaia

SUD: Sudeste

MNA: Médio Norte Araguaia

Ocorreram, no período, 36 óbitos, perfazendo uma letalidade média de 0,5%, com variação entre 0,3 e 0,9% para o estado e entre 0,0 e 8,7% para os municípios. O acidente crotálico foi o mais letal (1,4%), seguido do botrópico (0,4%). Não foram registrados óbitos por Micrurus e Lachesis . O gênero da serpente não foi informado em 3 óbitos. A mortalidade variou de 0,0 a 0,5/100 mil hab. entre os municípios ( Figura 1 ).

Os acidentes ocorreram sobretudo no período chuvoso (65,3%) (p<0,001). A maioria das pessoas era do sexo masculino (76,9%), com idade entre 15 e 34 anos (36,3%). Houve perda de informação sobre escolaridade em 21% dos casos e, entre as notificações preenchidas com essa variável, predominou escolarização até no máximo o ensino fundamental (61,7%). A ocupação, quando referida, identificou trabalhadores agropecuários (31,1%) como os mais afetados. Quanto à raça/cor da pele, 76,6% eram pardos e 4,1% indígenas ( Tabela 2 ).

Tabela 2
– Distribuição de casos de ofidismo segundo características associadas, por triênio, nos municípios (139) do estado do Tocantins, 2007-2015

A maioria dos acidentes envolveu o gênero Bothrops (77,2%). Em 6,6% dos casos, a serpente não foi identificada, e em 5,2% a serpente não era peçonhenta. Os acidentes procederam, hegemonicamente, da zona rural (83,0%), com atendimento médico nas primeiras horas pós-picada (82,8%). Os membros inferiores foram mais acometidos (82,2%). Os casos foram predominantemente classificados como de gravidade leve (46,0%) e com evolução para cura (95,7%). Em 27,5% dos casos, o acidente teve relação com o trabalho ( Tabela 2 ).

Após a análise não ajustada, alcançaram significância estatística (5%) as seguintes variáveis: IDHM (Coef.=4,29 – IC95% 2,04;6,55), índice de Gini (Coef.=1,48 – IC95% 0,63;4,32), densidade demográfica (Coef.=1,78 – IC95% 0,99;2,58), proporção de analfabetismo (Coef.=4,78 – IC95% 2,60;6,96), desemprego entre os maiores de 18 anos de idade (Coef.=2,48 – IC95% 0,63;4,32) e áreas cultivadas de soja (Coef.=0,12 – IC95% 0,02;0,21), mandioca (Coef.=20,60 – IC95% 13,65;27,65), milho (Coef.=0,31 – IC95% 0,07;0,55), sorgo (Coef.=5,56 – IC95% 2,08;9,05), feijão (Coef.=4,67 – IC95% 0,15;9,19) e banana (Coef.=58,58 – IC95%33,55;83,63).

A regressão linear múltipla evidenciou forte associação do ofidismo (p<0,001) com 7 das 16 variáveis investigadas: densidade demográfica; trabalho agropecuário; IDHM; área cultivada de mandioca; população indígena; taxa de analfabetismo; e emprego ( Tabela 3 ). O modelo proposto explicou 64,48% (R2 ajustado = 0,6448) do ofidismo no Tocantins.

Tabela 3
– Modelo final da análise de regressão linear múltipla para o acidente ofídico segundo variáveis agropecuárias, geográficas e socioeconômicas, nos municípios (139) do estado do Tocantins, 2007-2015

A Tabela 1 apresenta os resultados do teste de Kruskal-Wallis. Quanto ao risco de acidente ofídico, a comparação entre as regiões de saúde identificou duas áreas distintas (p<0,005): (i) uma área de alto risco, com incidência acumulada de 85,7/100 mil hab., composta pelas regiões de saúde Amor Perfeito, Cantão, Cerrado Tocantins Araguaia e Médio Norte Araguaia; e (ii) uma área de “baixo risco”, com incidência acumulada de 44,7/100 mil hab., composta pelas regiões de saúde Bico do Papagaio, Capim Dourado, Ilha do Bananal e Sudeste.

Discussão

As análises dos casos notificados de ofidismo no Tocantins de 2007 a 2015 evidenciaram que esse tipo de acidente acomete, predominantemente, homens adultos jovens, trabalhadores rurais, nos membros inferiores, por envenenamento botrópico. Esses casos se distribuíram desigualmente, no estado, delimitando áreas de alto risco (regiões de saúde Amor Perfeito, Cantão, Cerrado Tocantins Araguaia e Médio Norte Araguaia) e de “baixo risco” (regiões de saúde Bico do Papagaio, Capim Dourado, Ilha do Bananal e Sudeste). Os acidentes ofídicos estiveram relacionados a densidade demográfica, trabalho agropecuário, IDHM, área cultivada de mandioca, população indígena, taxa de analfabetismo e emprego.

O perfil epidemiológico encontrado é consonante com o padrão mundial, nacional e regional.( 11. World Health Organization - WHO. Guidelines for the management of snakebites [Internet]. 2. ed. New Delhi: World Health Organization; 2016 [cited 2020 Jun 29]. 140 p. Available from: https://www.who.int/snakebites/resources/9789290225300/en/
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) A precocidade no atendimento médico divergiu do atraso comumente referido para a região Norte,( 77. Bernarde PS. Serpentes peçonhentas e acidentes ofídicos no Brasil. São Paulo: Anolis Books; 2014. ) provavelmente porque o Tocantins destoa da região quanto às principais questões de acessibilidade geográfica características da Amazônia.( 44. Silva JC, Guimarães CDO, Palha MC. Perfil clínico-epidemiológico dos acidentes ofídicos ocorridos na ilha de Colares, Pará, Amazônia oriental. Semina Ciênc Biol Saúde [Internet]. 2015 jan-jun [citado 2020 jun 29];36(1):67-78. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0367.2015v36n1p67
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)

No período estudado, o Tocantins apresentou o terceiro mais alto coeficiente de incidência de ofidismo, tanto para o conjunto do Brasil quanto para a região Norte, ficando atrás apenas dos estados de Roraima e Pará.( 66. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Casos - OFIDISMO [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2019 [citado 2019 out 20]. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/outubro/16/1--Dados-Epidemiologicos-SiteSVS--Setembro-2019-OFIDISMO-CASOS.pdf
https://portalarquivos2.saude.gov.br/ima...
) A maioria dos municípios apresentou incidência superior à média nacional,( 66. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Casos - OFIDISMO [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2019 [citado 2019 out 20]. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/outubro/16/1--Dados-Epidemiologicos-SiteSVS--Setembro-2019-OFIDISMO-CASOS.pdf
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) o que reforça a necessidade de priorizar o enfrentamento do ofidismo no plano municipal de saúde, com incremento circunstancial de ações efetivas de vigilância e educação em saúde com foco na melhoria da qualidade das notificações e na prevenção. São necessárias pactuações entre municípios ou regiões de saúde, com o objetivo de se constituírem redes para o atendimento em tempo oportuno.

Todas as regiões de saúde do estado, inclusive as que compõem a região de “baixo risco” para ofidismo, apresentaram risco triplicado em relação aos parâmetros nacionais, considerando-se o mesmo período de estudo como referência.( 66. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Casos - OFIDISMO [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2019 [citado 2019 out 20]. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/outubro/16/1--Dados-Epidemiologicos-SiteSVS--Setembro-2019-OFIDISMO-CASOS.pdf
https://portalarquivos2.saude.gov.br/ima...
) Comparadas ao padrão nacional, todas as regiões de saúde do Tocantins seriam de alto risco.

A análise da situação desse agravo no estado, com apreciação das áreas de “baixo risco” e alto risco de ofidismo, sazonalidade e barreiras geográficas, deve ser levada em conta, para orientação das estratégicas de distribuição de soros antiofídicos e fortalecimento das ações de vigilância. Essa dedicação à análise – contínua e oportuna – é indispensável diante de eventuais problemas de acesso a determinadas áreas, baixo estoque de soros e indisponibilidade desses imunobiológicos nos municípios, seja por não se constituírem em áreas consideradas de risco, seja por não conterem unidades de saúde adequadas para realização de soroterapia.( 1616. Longbottom J, Shearer FM, Devine M, Alcoba G, Chappuis F, Weiss DJ, et al. Vulnerability to snakebite envenoming: a global mapping of hotspots. Lancet [Internet]. 2018 Jul [cited 2020 Jun 29];392(10148):673-84. Available from: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)31224-8
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)

A letalidade média estadual é equiparável à média nacional para o mesmo período. Entretanto, a estimativa observada no município de Tupirama é problemática, considerando-se que os soros antiofídicos são ofertados pela rede pública de saúde do Brasil.( 1717. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de vigilância em saúde [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2016 [citado 2020 jun 29]. 773 p. Disponível em: https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/agosto/25/GVS-online.pdf
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)Sabe-se que o êxito letal é um desfecho complexo, influenciado por diversos fatores, como gênero de serpente, uso de torniquete e picada em extremidades (dedos de mãos e pés), como também pelo tempo decorrido entre o acidente e o atendimento (principalmente em casos provenientes da zona rural), tipo de soro utilizado e número de ampolas adotadas, estes três últimos relacionados ao serviço de saúde.( 1818. Almeida WF. Trabalho agrícola e sua relação com saúde/doença. In: Mendes R, editor. Patologia do trabalho. Rio de Janeiro: Atheneu; 2013. )Tais fatores devem ser considerados na análise da ocorrência de casos graves e, consequentemente, nos óbitos por envenenamento ofídico.

No Tocantins, o trabalho agropecuário foi associado ao ofidismo. Fragilidades sociais como a baixa escolaridade e o analfabetismo,típicas em pessoas acometidas pelo ofidismo, são recorrentes nesse grupo ocupacional,( 1919. Mise YF, Lira-da-Silva RM, Carvalho FM. Fatal snakebite envenoming and agricultural work in Brazil: a case–control study. Am J Trop Med Hyg [Internet]. 2019 Jan [cited 2020 Jun 29];100(1):150-4. Available from: https://doi.org/10.4269/ajtmh.18-0579
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)uma situação que parece refletir a invisibilidade desses trabalhadores na formulação de políticas e programas de proteção à saúde do trabalhador. O cenário é particularmente grave quando o ofidismo é um agravo de fácil prevenção, mediante concessão de equipamento de proteção individual (EPI), constantemente não utilizado durante a atividade agropecuária.( 1818. Almeida WF. Trabalho agrícola e sua relação com saúde/doença. In: Mendes R, editor. Patologia do trabalho. Rio de Janeiro: Atheneu; 2013. ) Áreas plantadas de mandioca ( Manihot esculenta Crantz) (em km2 cultivados), especialmente, associaram-se ao ofidismo no estado. Essa lavoura explora intensamente o solo, cujo preparo para o plantio pode provocar impactos de desflorestamento.( 2020. Silva FL, Silva JR, Silva LRP. Efeito do desmatamento e do programa de transferência de renda “Bolsa Família” na produção da mandioca (Manihot esculenta crantz) no Estado do Pará. Obs Econ Latinoame [Internet]. 2014 [citado 2020 jun 29];197. Disponível em: https://econpapers.repec.org/RePEc:erv:observ:y:2014:i:197:14
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)

A associação do IDHM com o ofidismo pode estar relacionada com a economia agropecuária predominante no estado. A densidade demográfica foi fortemente associada ao ofidismo no Tocantins. Esse padrão é consonante com achados para o continente americano, em 2017, embora diverso do Rio de Janeiro em 2004.( 2121. Chippaux JP. Incidence and mortality due to snakebite in the Americas. PLoS Negl Trop Dis [Internet]. 2017 Jun [cited 2020 Jun 29];11(6):e0005662. Available from: https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0005662
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) O Tocantins, por ser o estado mais recente do Brasil, encontra-se em expansão demográfica, com maior dinâmica populacional em municípios de intensa atividade agropecuária, fomentada mediante incentivos fiscais para grandes empresários.( 2222. Duarte GA, Lemos LCS, Sozinho RB, Sena TM. As (trans)formações socioespaciais no estado do Tocantins e o (des)envolvimento a partir da implantação da rodovia Belém-Brasília (BR-010). Anais XVI Encontro Nacional de Geógrafos; 2010 out 1, Porto Alegre-RS. Porto Alegre; 2010. ) Esse cenário propicia o recrutamento de pessoas para o trabalho rural. Consistente com essa associação, a variável ‘emprego’ relacionou-se com o ofidismo, provavelmente pelo perfil econômico dos municípios, hegemonicamente agropecuários.( 1111. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Cidades: Tocantins [Internet]. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; 2017 [citado 2017 abr 20]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/estadosat/perfil.php?sigla=to
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) Esses achados sugerem que as atividades laborais referentes à agricultura (plantio, colheita, acondicionamento, transporte etc.) e pecuária são realizadas sem proteção adequada, cenário clássico do ofidismo.( 2323. Mise YM, Lira-da-Silva RM, Carvalho FM. Agriculture and snakebite in Bahia, Brazil - an ecological study. Ann Agric Environ Med [Internet]. 2016 [citado 2020 jun 29];23(3):416-9. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/22751/1/Yukari%20Figueroa.%20Agriculture...2016.pdf
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)

A ausência de escolaridade como fator determinante evidencia um problema de vulnerabilidade social, padrão apontado desde os trabalhos de Vital Brazil com indivíduos picados na região Sudeste do país, no início do século XX.( 2424. Mott ML, Fabergé O, Alves S, Dias CESB, Fernandes CS, Ibañez N. A defesa contra o ofidismo de Vital Brazil e a sua contribuição à Saúde Pública brasileira. Cad Hist Ciênc [Internet]. 2011 [citado 2020 jun 29];7(2):89-110. Disponível em: http://periodicos.ses.sp.bvs.br/pdf/chci/v7n2/v7n2a06.pdf.
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) Assim, é indispensável o enfrentamento dessa vulnerabilidade com políticas públicas que priorizem ações eficazes de fornecimento e sensibilização dos trabalhadores rurais quanto ao uso de EPIs, considerados os aspectos locais de sazonalidade e atividade agropecuária.

A associação do ofidismo com populações indígenas reforça a necessidade de estudos que envolvam essa população. Trata-se de uma temática complexa, presente em escassos estudos científicos sobre ofidismo nessa etnia. O conhecimento específico da situação epidemiológica de envenenamento ofídico nessas populações é essencial à elaboração de políticas públicas efetivas, voltadas à melhoria da assistência à saúde dos indígenas. Todavia, é mister ampliar a discussão sobre preservação ambiental para além das áreas indígenas, como estratégica para evitar o refúgio das serpentes e sua concentração próxima a esse grupo étnico.

Os resultados deste estudo devem ser considerados sob algumas condições limitantes, como a subnotificação e a incompletude dos dados de notificação do Sinan, especialmente para variáveis socioeconômicas. Esses atributos, historicamente, apresentam problemas na notificação, não obstante a qualidade do preenchimento dos dados ter melhorado nos útimos. Também cumpre lembrar as limitações metodológicas inerentes ao desenho ecológico.

Conclui-se que o ofidismo no Tocantins tem alta incidência e é fortemente associado a atributos sociodemográficos e ao perfil agrícola municipal. O estudo apontou, ainda, as áreas de maior ocorrência, um resultado destinado a auxiliar no planejamento da distribuição de soro antiofídico no estado. Grupos vulneráveis da sociedade estiveram fortemente associados ao ofidismo no Tocantins, assim como características agropecuárias e demográficas municipais relacionadas com desigualdades sociais, impactos no modo de vida e novas necessidades de saúde dos trabalhadores rurais.

A vigilância de acidentes ofídicos no Tocantins deve ser priorizada, no sentido de se fortalecerem a educação em saúde para prevenção, a prestação dos primeiros socorros, diagnóstico e tratamento, além dos serviços de manejo clínico e distribuição eficiente dos antivenenos. Para tanto, é fundamental se considerarem as áreas de risco, a distribuição espacial e sazonal dos casos e as barreiras geográficas, no acesso ao atendimento.

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    Artigo derivado de dissertação de Mestrado de Shirley Barbosa Feitosa, intitulada ‘Perfil epidemiológico das pessoas acometidas por acidentes ofídicos e seus determinantes no Tocantins’, defendida junto ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2017.
  • Editora associada: Bárbara Reis-Santos - orcid.org/0000-0001-6952-0352

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    31 Ago 2020
  • Data do Fascículo
    2020

Histórico

  • Recebido
    04 Mar 2020
  • Aceito
    24 Maio 2020
Secretaria de Vigilância em Saúde - Ministério da Saúde do Brasil Brasília - Distrito Federal - Brazil
E-mail: leilapgarcia@gmail.com