Completude e caracterização dos registros de sífilis gestacional e congênita na Bahia, 2007-2017**Artigo derivado da dissertação de mestrado acadêmico intitulada ‘Associação entre as taxas de incidência de sífilis gestacional e sífilis congênita e a cobertura de pré-natal no estado da Bahia’, defendida por Maria Auxiliadora Santos Soares junto ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), em 2020.

Completitud y caracterización de los registros de sífilis gestacional y congénita en Bahia, Brasil, 2007-2017

Maria Auxiliadora Santos Soares Rosana Aquino Sobre os autores

Resumo

Objetivo

Descrever a completude e as características das notificações de sífilis gestacional e congênita no estado da Bahia, Brasil, no período 2007-2017.

Métodos

Estudo ecológico, com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Foram calculadas as taxas de incidência para a Bahia e suas macrorregiões de saúde, e o percentual da completude dos dados.

Resultados

Foram identificados 15.050 casos de sífilis gestacional e 7.812 de sífilis congênita, no período analisado. A taxa de incidência variou de 1,3 para 15,1 casos em gestantes/1 mil nascidos vivos, e de 0,5 para 6,7 casos em menores de 1 ano/1 mil nascidos vivos. A completude da ‘classificação clínica’ dos casos de sífilis gestacional apresentou preenchimento variável, entre 58,2% e 67,2%, entre 2007 e 2017.

Conclusão

Evidenciou-se aumento nas taxas de incidência, falha no preenchimento das notificações e necessidade de implementação de uma rotina de avaliação da qualidade das informações.

Palavras-chave:
Sífilis Congênita; Cuidado Pré-Natal; Perfil de Saúde; Epidemiologia Descritiva; Sistema de Informação em Saúde

Resumen

Objetivo

Describir las características y la completitud de las notificaciones de sífilis gestacional y congénita en el estado de Bahia, Brasil, para el período 2007-2017.

Métodos

Estudio ecológico con datos del Sistema de Información de Agravamiento de Notificación (Sinan). Se calcularon las tasas de incidencia por macrorregión y estado y el porcentaje de la completitud de los datos.

Resultados

Se identificaron 15.050 casos de sífilis gestacional y 7.812 de sífilis congénita. La tasa de incidencia varió de 1,3 a 15,1 casos en gestante/1.000 nacidos vivos y de 0,5 a 6,7 casos en menores de 1 año/1.000 nacidos vivos. La completitud de la variable ´clasificación clínica´ de casos de sífilis gestacional varió de 58,2% a 67,2% en los períodos.

Conclusión

El estudio reveló un aumento en las tasas de incidencia, falla en la completitud de las notificaciones y la necesidad de la implementación de una rutina de evaluación de la calidad de las informaciones.

Palabras clave:
Sífilis Congénita; Atención Prenatal; Perfil de Salud; Epidemiología Descriptiva; Sistemas de Información en Salud

Introdução

A sífilis, doença causada pela bactéria Treponema pallidum, é classificada como adquirida, quando é contraída por contato sexual ou por transfu­são sanguínea; e congênita ou gestacional, quando ocorre transmissão materno-fetal durante a gestação. A doença afeta quase todos os sistemas do organismo humano e, quando não tratada, progride por muitos anos.11. Ministério da Saúde (BR). Infecção pelo HIV e Aids, Hepatites Virais, Sífilis Adquirida e em Gestantes, Sífilis Congênita. In: Guia de vigilância em saúde: volume único. 2a ed. Brasília, DF: MS; 2017. Capítulo 4; 242-85 p.

A estimativa global da sífilis em 2016 foi de 6 milhões de novos casos, tendo a taxa de incidência média de sífilis congênita sido de 5,2 casos/100 mil nascidos vivos, entre 2016 e 2017.22. World Health Organization. Report on global sexually transmitted infection surveillance, 2018. Geneva: WHO; 2018 [acesso 16 jan. 2021]. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/277258/9789241565691-eng.pdf?ua=1
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O Brasil tem apresentado aumento nas taxas de incidência de sífilis congênita e sífilis gestacional. No período de 2010 a 2019, as taxas passaram de 2,4 para 8,2 casos de sífilis congênita por 1 mil nascidos vivos, e de 3,5 para 20,8 casos de sífilis gestacional por 1 mil nascidos vivos.33. Ministério da Saúde (BR). Sífilis: 2020. Bol Epidemiol.2020 out. [acesso em 12 jan.2020]; (especial):1-44. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2020/boletim-sifilis-2020
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A sífilis congênita é uma doença de notificação compulsória desde 1986, enquanto a sífilis gestacional e a sífilis adquirida têm sua notificação obrigatória a partir de 2005 e 2010, respectivamente.44. Dantas LA, Jerônimo SHNM, Teixeira GA, Lopes TRG, Cassiano NA, Carvalho JBL. Perfil epidemiológico de sífilis adquirida diagnosticada e notificada em hospital universitário materno infantil. Enferm Glob. 2017;16(46):217-245. https://dx.doi.org/10.6018/eglobal.16.2.229371
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A notificação é realizada por qualquer profissional de saúde responsável pela comunicação da ocorrência da doença à autoridade sanitária, representando um importante instrumento da vigilância epidemiológica.55. Teixeira MG, Penna GO, Risi JB, Penna ML, Alvim MF, Moraes JC, et al. Seleção das doenças de notificação compulsória: critérios e recomendações para as três esferas de governo. Inf Epidemiol SUS. 1998;7(1):7-28. http://dx.doi.org/10.5123/S0104-16731998000100002.
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A alimentação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), igualmente obrigatória, é realizada pelos municípios, estados e o Distrito Federal. A notificação dos casos permite conhecer a magnitude do agravo, além de auxiliar no planejamento de ações, monitoramento e avaliação dos programas e políticas para o controle da sífilis.66. Ministério da Saúde (BR). Roteiro para uso do SINAN Net, análise da qualidade da base de dados e cálculo de indicadores epidemiológicos e operacionais: violência interpessoal/autoprovocada: versão preliminar. Brasília, DF: MS; 2019.,77. Teixeira LO, Belarmino V, Gonçalves CV, Mendoza-Sassi RA. Tendência temporal e distribuição espacial da sífilis congênita no estado do Rio Grande do Sul entre 2001 e 2012. Cien Saude Colet. 2018;23(8):2587-97. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018238.25422016.
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A qualidade dos dados produzidos pelo Sinan é essencial para que os indicadores de saúde cumpram suas finalidades;88. Mello Jorge MHP, Laurenti R, Gotlieb SLD. Avaliação dos sistemas de informação em saúde no Brasil. Cad Saude Colet. 2010;18(1):7-18. por conseguinte, a subnotificação de casos e o preenchimento incompleto dos dados constituem os principais problemas identificados pela vigilância da doença, em diversos estados brasileiros. Uma base de dados de boa qualidade deve conter todos os casos diagnosticados, descartar duplicidades, e ter seus campos preenchidos de forma consistente, de maneira a retratar o contexto epidemiológico. O completo preenchimento da ficha de notificação é essencial para a melhor compreensão do perfil dos casos.66. Ministério da Saúde (BR). Roteiro para uso do SINAN Net, análise da qualidade da base de dados e cálculo de indicadores epidemiológicos e operacionais: violência interpessoal/autoprovocada: versão preliminar. Brasília, DF: MS; 2019. O conhecimento do perfil e distribuição dos casos da sífilis no território pode contribuir com a construção de um sistema de informações confiável e completo, necessário à adoção de medidas de intervenção preventiva e assistencial efetivas.

O estudo teve como objetivo descrever a completude e as características das notificações de sífilis gestacional e congênita no estado da Bahia, Brasil, referentes ao período de 2007 a 2017.

Métodos

Estudo ecológico dos casos de sífilis gestacional e congênita notificados no estado da Bahia, entre 2007 e 2017.

A Bahia se situa na região Nordeste do Brasil e possuía uma população estimada de 14.812.617 habitantes em 2018.99. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades e estados: Salvador. [Brasília, DF]: IBGE; 2018 [acesso 17 jan. 2019]. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/ba/salvador.html?
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O estado constitui-se de 417 municípios, organizados entre nove macrorregiões de saúde: Centro-Leste, Centro-Norte, Extremo Sul, Leste, Nordeste, Norte, Sul, Oeste e Sudoeste. No que concerne à saúde materno-infantil, o estado apresentou queda na taxa de fecundidade de 2008 a 2018, decréscimo na proporção de mães que não realizaram consultas de pré-natal, além de aumento no percentual de mães com sete ou mais dessas consultas realizadas, entre 2009 e 2018.1010. Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. Plano estadual de saúde: 2020-2023. Salvador, BA: Sesab; 2019 [acesso 5 maio 2021]. Disponível em: http://www.saude.ba.gov.br/sobre-a-sesab/plano-estadual-de-saude-da-bahia-pes/
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Entre 2008 e 2017, o estado apresentou expressivo número de casos de sífilis gestacional e congênita, além de complicações da infecção.1111. Félix ICG, Oliveira TF, Souza CDF, Machado MF. Análise de tendência da sífilis congênita no estado da Bahia de 2008 a 2017. Rev Cienc Saude. 2020;10(1):4-10. doi: https://doi.org/10.21876/rcshci.v10i1.873.
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Todos os casos de sífilis gestacional e congênita registrados no Sinan do estado da Bahia, no período selecionado, foram incluídos no estudo.

As informações sobre casos de sífilis gestacional e congênita foram oriundas do Sinan, e as de nascidos vivos, do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc). Os dados utilizados no estudo foram obtidos mediante acesso ao sítio eletrônico do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (Datasus) - http://www2.datasus.gov.br/DATASUS 1212. Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil. Informações de Saúde (TABNET) [Internet]. [Brasília, DF]: Datasus; 2019 [acesso 6 ago. 2019]. Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=02
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- entre os dias 23 de julho e 6 de agosto de 2019.

As variáveis de interesse foram coletadas considerando-se todos os anos do período estudado, e incluíram:

  1. a) Número de casos de sífilis gestacional para o estado da Bahia e suas macrorregiões de saúde, segundo raça/cor da pele (negra - somatório de pretas e pardas - e não negra), faixa etária (em anos: menos de 9, 10 a 14, 15 a 19, 20 a 39 e 40 a 59) e classificação clínica (primária, secundária, terciária e latente);

  2. b) Número de casos sífilis congênita para o estado da Bahia e suas macrorregiões de saúde, segundo raça/cor da pele (negra - somatório de pretos e pardos - e não negra), sexo (masculino ou feminino), faixa etária da criança (até 6 dias, 7 a 27 dias, 28 dias a 1 ano, e 2 a 12 anos), escolaridade da mãe (sem estudo, 1ª a 4ª série completa ou incompleta, 5ª a 8ª série completa ou incompleta, ensino médio completo ou incompleto e ensino superior completo ou incompleto), realização do pré-natal (sim ou não), momento do diagnóstico da sífilis materna (durante o pré-natal, no momento do parto/curetagem, após o parto ou não realizado), realização do tratamento da parceria (sim ou não), classificação final da sífilis congênita (recente, tardia, ou natimorto/aborto por sífilis) e evolução da sífilis na criança (vivo, óbito por sífilis congênita e óbito por outra causa);

  3. c) Número de nascidos vivos para o estado da Bahia e suas macrorregiões de saúde, utilizado no cálculo das taxas de incidência.

Para a descrição do perfil dos casos de sífilis gestacional e congênita, foram calculadas frequências relativas para o estado, referentes aos períodos de 2007 a 2010, 2011 a 2014 e 2015 a 2017. As taxas de incidência de sífilis gestacional foram calculadas dividindo-se o número de casos novos de sífilis em gestante (numerador) pelo número de nascidos vivos (denominador), e seu quociente multiplicado por 1.000; para as taxas de incidência de sífilis congênita, dividiu-se o número de casos novos de sífilis congênita em menores de 1 ano (numerador) pelo número de nascidos vivos (denominador), e seu quociente foi multiplicado por 1.000. As taxas foram calculadas por ano e macrorregião de saúde.

A completude dos dados foi calculada dividindo-se o número de informações-dados ignorados/em branco pelo total de casos notificados para os anos de 2007 a 2010, 2011 a 2014, 2015 a 2017 e 2007 a 2017, multiplicando-se cada quociente por 10066. Ministério da Saúde (BR). Roteiro para uso do SINAN Net, análise da qualidade da base de dados e cálculo de indicadores epidemiológicos e operacionais: violência interpessoal/autoprovocada: versão preliminar. Brasília, DF: MS; 2019.,e seu resultado classificado com base nos parâmetros do Sinan: grau de completude excelente (≥95,0%), bom (90-94,9%), regular (70-89,9%), ruim (50-69,9%) e muito ruim (<50%).

As frequências relativas e os percentuais de completude foram calculados utilizando-se o programa Excel, também utilizado na organização dos dados. O cálculo das taxas de incidência, foi feito utilizando o programa StataSE12.

Embora os dados sejam de domínio público, o projeto do estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (CEP-ISC/UFBA), aprovado conforme Parecer nº 3.786.456, emitido em 20 de dezembro de 2019.

Resultados

Foram notificados na Bahia, entre 2007 e 2017, 15.050 casos de sífilis gestacional e 7.812 casos de sífilis congênita. Neste período, a taxa de incidência de sífilis gestacional subiu de 1,3 para 15,1 casos/1 mil nascidos vivos (Figura 1), e a taxa de incidência de sífilis congênita, de 0,5 para 6,7 casos/1 mil nascidos vivos (Figura 2). Em todos os anos observados, a taxa de incidência de sífilis congênita foi inferior à taxa de incidência de sífilis gestacional no estado.

Figura 1
Taxa de incidência de sífilis gestacional segundo macrorregiões de saúde, Bahia, 2007-2017

Todas as macrorregiões apresentaram crescimento nas taxas de incidência de sífilis. A taxa de incidência de sífilis gestacional nas macrorregiões Extremo Sul e Sul foram superiores as do conjunto da Bahia e da macrorregião Leste, após 2010 (Figura 1). Quanto à incidência de sífilis congênita, taxas superiores às do estado foram observadas em todo o período estudado, na macrorregião Extremo Sul; e na maioria dos anos, na macrorregião Leste. Em 2007, as macrorregiões Sul, Nordeste e Centro-Norte do estado não apresentaram casos (Figura 2).

Figura 2
Taxa de incidência de sífilis congênita segundo macrorregiões de saúde, Bahia, 2007-2017

Entre 2007 e 2009, a macrorregião de saúde Extremo Sul apresentou taxa de incidência de sífilis congênita superior à taxa de incidência de sífilis gestacional, tendo-se verificado perfil de ocorrência semelhante na macrorregião Sudoeste, em 2008 e 2009; na macrorregião Leste, em 2008; e nas macrorregiões Oeste e Centro-Leste, em 2009.

Quanto à qualidade das informações dos casos de sífilis gestacional foram observadas pequenas variações nos percentuais de preenchimento dos dados na maioria das variáveis. A completude da variável ‘faixa etária’ foi excelente em todos os períodos (preenchimento em torno de 100%), e a da variável ‘raça/cor da pele’, regular na maioria dos períodos (preenchimento entre 85,0% e 89,2%), exceto em 2015- 2017, quando ela foi classificada como boa (preenchimento de 90,2%). Já a completude da variável 'classificação clínica', com proporção de preenchimento entre 58,2% e 67,2%, foi ruim (Tabela 1).

Tabela 1
Percentual de preenchimento e grau de completude das variáveis dos casos de sífilis gestacional e sífilis congênita, por períodos, Bahia, 2007-2017

Em relação aos casos de sífilis congênita, a completude da variável ‘faixa etária’ da criança foi excelente em todos os períodos, enquanto da variável ‘classificação final da sífilis congênita’, variou de boa, nos dois primeiros períodos (93,1%, de 2007 a 2010, e 92,1%, de 2011 a 2014), a excelente no período de 2015 a 2017, quando não houve registro de informação ignorada (100 de completude). Quanto à ‘escolaridade da mãe’, a completude foi ruim (preenchimento entre 57,0% e 69,8%), enquanto as variáveis ‘realização do pré-natal’ (preenchimento entre 82,4% e 88,6%) e ‘evolução’ do caso (preenchimento entre 87,6% e 89,3%), apresentaram completude regular nos períodos analisados. As variáveis ‘raça/cor da pele’ e ‘parceria tratada’ foram classificadas com graus de completude regulares ou ruins, ao longo do período (Tabela 1).

Sobre o perfil dos casos de sífilis gestacional, a maioria ocorreu em mulheres negras (menor percentual para o período 2007-2010, 87,2%) e na faixa etária dos 20 aos 39 anos (menor percentual em 2011-2014, 70,9%). A infecção foi classificada principalmente como primária, tendo o menor percentual de casos - 39,9% - ocorrido no período de 2015 a 2017, e o maior - 65,8% -, no período de 2007 a 2010 (Tabela 2).

Tabela 2
Frequência absoluta e percentual dos casos de sífilis gestacional segundo raça/cor da pele, classificação clínica e faixa etária materna, por períodos, Bahia, 2007-2017

Os casos confirmados de sífilis congênita foram diagnosticados principalmente em recém-nascidos com até 6 dias de vida de raça/cor da pele negra. Houve maior proporção de mães com nível de escolaridade da 5ª a 8ª série, completa ou incompleta (maior percentual para 2011-2014, 46,0%); que realizaram pré-natal (maior percentual em 2015-2017, 85,5%); diagnóstico de sífilis materna durante o pré-natal (maior percentual para 2015-2017, 52,3%); e parcerias não tratadas (maior percentual para 2015-2017, 82,6%) (Tabela 3).

Tabela 3
Frequência absoluta e percentual dos casos de sífilis congênita segundo raça/cor da pele, faixa etária e sexo da criança, escolaridade materna, realização de pré-natal, momento do diagnóstico da sífilis materna, parceria tratada, classificação e evolução do caso, por períodos, Bahia, 2007-2017

No período de 2015 a 2017, 97,7% dos casos de sífilis congênita notificados foram classificados como recentes e não foram a óbito. Os percentuais de classificação como ‘natimorto/aborto por sífilis’ cresceram de 0,6%, de 2,0% no período do estudo (2007-2017), e a evolução para óbito apresentou percentuais semelhantes nos dois primeiros períodos, 3,2% (2007-2010) e 3,4% (2011-2014), com redução para 1,6% no último período (2015-2017) (Tabela 3).

Discussão

Os resultados do estudo mostraram aumento das taxas de incidência de sífilis gestacional e congênita entre 2007 e 2017, no estado da Bahia e suas macrorregiões de saúde. Em relação à qualidade dos dados, observou-se grau de completude regular ou ruim de algumas variáveis, comprometendo o conhecimento da distribuição da doença nos grupos populacionais e as características clínicas e epidemiológicas dos casos.

O aumento nas taxas de incidência de sífilis gestacional e congênita apontam para possíveis falhas na implementação das medidas de controle desses problemas pela saúde pública. Entretanto, destaca-se que o aprimoramento do sistema de vigilância e a ampliação na utilização de testes rápidos, que aumentam a detecção e acompanhamento dos casos, podem ter contribuído para o aumento no número dos casos, devido a melhora na detecção da doença.1313. Ministério da Saúde (BR). Sífilis. Bol Epidemiol. 2017 [acesso 18 nov. 2018];48(36). Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2017/boletim-epidemiologico-de-sifilis-2017
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2017/bo...
,1414. Ministério da Saúde (BR). Sífilis. Bol Epidemiol. 2018 out. [acesso 9 fev. 2019];49(45). Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2018/boletim-epidemiologico-de-sifilis-2018
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Quanto à distribuição geográfica, as macrorregiões de saúde Extremo Sul, Sul e Leste, que concentraram as maiores taxas de incidência de sífilis gestacional e sífilis congênita, caracterizam os municípios de Teixeira de Freitas, Porto Seguro, Salvador e Camaçari prioritários para a Estratégia de Resposta Rápida à Sífilis nas Redes de Atenção. Estes quatro municípios baianos, juntamente com outros 96 municípios brasileiros, respondem por 60% dos casos de sífilis no país.1414. Ministério da Saúde (BR). Sífilis. Bol Epidemiol. 2018 out. [acesso 9 fev. 2019];49(45). Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2018/boletim-epidemiologico-de-sifilis-2018
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2018/bo...

A taxa de incidência de sífilis congênita foi superior à taxa de incidência de sífilis gestacional em alguns anos, nas macrorregiões Sudoeste, Oeste, Extremo Sul, Leste e Centro-Leste. Este achado deve estar relacionado a falhas no sistema de vigilância epidemiológica e na atenção pré-natal, e, como decorrência dessas falhas, falta de acesso a exames diagnósticos e tratamento adequado, inclusive da parceria.

A caracterização dos casos demonstrou maiores percentuais de ocorrência da doença entre mulheres negras, na faixa etária de 20 a 39 anos com menor escolaridade. Este perfil epidemiológico foi semelhante ao encontrado em outros estudos1515. Araújo CL, Shimizu HE, Sousa AIA, Hamann EM. Incidência de sífilis congênita no Brasil e sua relação com a estratégia saúde da família. Rev Saude Publica. 2012;46(3):479-86. doi: https://doi.org/10.1590/S0034-89102012000300010.
https://doi.org/10.1590/S0034-8910201200...

16. Domingues RMSM, Szwarcwald CL, Souza-Júnior PRB, Leal MC. Prevalência de sífilis na gestação e testagem pré-natal: Estudo Nascer no Brasil. Rev Saude Publica. 2014;48(5):766-74. https://doi.org/10.1590/S0034-8910.2014048005114.
https://doi.org/10.1590/S0034-8910.20140...
-1717. Favero MLDC, Ribas KAW, Costa MCD, Bonafé SM. Sífilis congênita e gestacional: notificação e assistência pré-natal. Arch Health Sci. 2019;26(1):2-8. doi: https://doi.org/10.17696/2318-3691.26.1.2019.1137.
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e está associado com menor acesso ao acompanhamento pré-natal de qualidade,1818. Coimbra LC, Silva AAM, Mochel EG, Alves MTSSB, Ribeiro VS, Aragão VMF, et al. Fatores associados à inadequação do uso da assistência pré-natal. Rev Saude Publica. 2003;37(4):456-62. doi: https://doi.org/10.1590/S0034-89102003000400010.
https://doi.org/10.1590/S0034-8910200300...
,1919. Tomasi E, Fernandes PAA, Fischer T, Siqueira FCV, Silveira DS, Thumé E, et al. Qualidade da atenção pré-natal na rede básica de saúde do Brasil: indicadores e desigualdades sociais. Cad Saude Publica. 2017;33(3):e00195815. doi: https://doi.org/10.1590/0102-311X00195815.
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que contribui para a manutenção da transmissão vertical. As desigualdades no acesso e a baixa qualidade do pré-natal explicariam, em alguma medida, a maior exposição das crianças de classes menos privilegiadas ao risco de contraírem sífilis congênita.1515. Araújo CL, Shimizu HE, Sousa AIA, Hamann EM. Incidência de sífilis congênita no Brasil e sua relação com a estratégia saúde da família. Rev Saude Publica. 2012;46(3):479-86. doi: https://doi.org/10.1590/S0034-89102012000300010.
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Entretanto, é possível que a sífilis não afete apenas um grupo de risco específico. Alguns estudos observaram maiores percentuais de casos de sífilis congênita provenientes de mães com escolaridade superior a oito anos de estudo, como é o caso de uma pesquisa realizada no município de Montes Claros, MG, entre 2007 e 2013 (44,1% dos casos de sífilis gestacional notificados).2020. Lafetá KRG, Martelli-Junior H, Silveira MF, Paranaíba LMR. Maternal and congenital syphilis, underreported and difficult to control. Rev Bras Epidemiol. 2016;19(1): 63-74. doi: https://doi.org/10.1590/1980-5497201600010006.
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Outros dois estudos, ao abordarem a raça/cor da pele da mãe, um no município de Maringá, PR, entre 2009 e 2015,1717. Favero MLDC, Ribas KAW, Costa MCD, Bonafé SM. Sífilis congênita e gestacional: notificação e assistência pré-natal. Arch Health Sci. 2019;26(1):2-8. doi: https://doi.org/10.17696/2318-3691.26.1.2019.1137.
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e outro no estado do Rio Grande do Sul, entre 2001 e 2012,77. Teixeira LO, Belarmino V, Gonçalves CV, Mendoza-Sassi RA. Tendência temporal e distribuição espacial da sífilis congênita no estado do Rio Grande do Sul entre 2001 e 2012. Cien Saude Colet. 2018;23(8):2587-97. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018238.25422016.
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encontraram percentuais de casos em filhos de mães brancas de 53,1% e 59,6% respectivamente. A comparação ou extrapolação desses resultados para outras realidades do país, da mesma forma que os achados do presente trabalho, deve ser cuidadosa, dadas as diferenças na distribuição da população por raça/cor da pele entre os diversos estados brasileiros.

É importante destacar que, no primeiro período de análise, de 2007 a 2010, cerca de 24% das mulheres não tiveram acesso ao pré-natal. Embora esse percentual tenha apresentado redução ao longo dos anos estudados, ainda alcançava 14% dos casos no último período, uma evidência de possíveis deficiências entre alguns municípios na captação da gestante e no acesso à atenção pré-natal.

Esses resultados foram semelhantes aos de estudos realizados no estado de Minas Gerais, nos anos de 2007 a 2015,2121. Alves PIC, Scatena LM, Haas VJ, Castro SS. Evolução temporal e caracterização dos casos de sífilis congênita em Minas Gerais, 2007-2015. Cien Saude Colet. 2020;25(8):2949-60. doi: https://doi.org/10.1590/1413-81232020258.20982018.
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e na capital Porto Velho, RO, entre 2009 e 2014.2222. Moreira KFA, Oliveira DM, Alencar LN, Cavalcante DFB, Pinheiro AS, Orfão NH. Perfil dos casos notificados de sífilis congênita. Cogitare Enferm. 2017;22(2):e48949. doi: http://dx.doi.org/10.5380/ce.v22i2.48949.
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Segundo esses dois estudos, os percentuais de mulheres que passaram por gestação sem acompanhamento pré-natal e cujos filhos nasceram com sífilis congênita foram de 17,8% e 15,6%, respectivamente. Entretanto, percentuais bem diferentes foram observados em um estudo nacional, realizado no biênio 2011-2012, quando apenas 3,5% das mulheres não haviam realizado pré-natal;2323. Domingues RMSM, Leal MC. Incidência de sífilis congênita e fatores associados à transmissão vertical da sífilis: dados do estudo Nascer no Brasil. Cad Saude Publica.2016;32(6):e00082415. doi: https://doi.org/10.1590/0102-311X00082415.
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e em Maringá, entre 2009 e 2015, quando este mesmo percentual foi inferior a 2%.1717. Favero MLDC, Ribas KAW, Costa MCD, Bonafé SM. Sífilis congênita e gestacional: notificação e assistência pré-natal. Arch Health Sci. 2019;26(1):2-8. doi: https://doi.org/10.17696/2318-3691.26.1.2019.1137.
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O presente estudo encontrou que aproximadamente 50% de mães que realizaram receberam o diagnóstico de sífilis durante este acompanhamento. Trata-se de um percentual considerado baixo, indicativo de diagnóstico tardio para algumas gestantes, tendo em vista que a maioria das mães realizou o pré-natal e este prevê a realização do teste rápido logo na primeira consulta. A avaliação da qualidade dos dados do Sinan demonstrou que ainda existe grande quantidade de informações não preenchidas ou ignoradas, um grave problema a ser superado. Estudo realizado em Salvador, capital da Bahia, em período anterior ao analisado, também chamou a atenção para esse fato, demonstrando que o não preenchimento de informações se mantém ao longo do tempo, nos municípios do estado.2424. Almeida MFG, Pereira SM. Caracterização epidemiológica da sífilis congênita no município de Salvador, Bahia. J Bras Doencas Sex Transm. 2007;19(3-4):144-56.

A quantidade de informações ignoradas/em branco nas fichas de notificação não é uma realidade apenas da Bahia, ou do Brasil. A descrição e análise das características epidemiológicas da sífilis materna e congênita em alguns países da América Latina (Argentina, Bolívia, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Panamá, Paraguai e Uruguai) e do Caribe, entre 2010 e 2012, indicou, como principal limitação, a proporção de dados ausentes. Um exemplo foi a República Dominicana, cujo Sistema de Informação Perinatal apresentou mais de 80% de dados ausentes para triagem de sífilis materna e neonatal, resultando em sua exclusão da análise.2525. Serruya SJ, Duran P, Martinez G, Romero M, Caffe S, Alonso M, et al. Maternal and congenital syphilis in selected Latin America and Caribbean countries: a multi-country analysis using data from the Perinatal Information. Sex Health. 2015;12(2):164-9. doi: http://dx.doi.org/10.1071/SH14191.
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É possível que o preenchimento inadequado das fichas esteja associado à quantidade de campos presentes, à não obrigatoriedade do preenchimento de alguns campos e ao excesso de formulários a serem preenchidos nos serviços de saúde.2121. Alves PIC, Scatena LM, Haas VJ, Castro SS. Evolução temporal e caracterização dos casos de sífilis congênita em Minas Gerais, 2007-2015. Cien Saude Colet. 2020;25(8):2949-60. doi: https://doi.org/10.1590/1413-81232020258.20982018.
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No sentido de garantir a qualidade das informações, é necessário treinar e sensibilizar os profissionais para o correto e completo preenchimento das fichas de notificação.

Entre as informações ignoradas, destaca-se a classificação clínica da sífilis em gestantes, que apresentou um dos maiores percentuais de incompletude. Este resultado pode ser um indicativo da dificuldade dos profissionais em classificar a sífilis na gestação, reforçado pelo percentual de sífilis gestacional classificada como primária, haja vista essa classificação ser rara entre as gestantes. A presença do cancro duro, característica da fase primária da doença, tem um tempo limitado e pode aparecer em regiões não visíveis; assim, para a maioria das gestantes, o diagnóstico ocorre na fase latente ou tardia.2626. Cardoso ARP, Araújo MAL, Cavalcante MS, Frota MA, Melo SP. Análise dos casos de sífilis gestacional e congênita nos anos de 2008 a 2010 em Fortaleza, Ceará, Brasil. Cien Saude Colet. 2018;23(2):563-74. doi: http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018232.01772016.
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Outra informação que revelou um importante percentual de variáveis com preenchimento ‘ignorado’ ou ‘em branco’ foi o tratamento da parceria. Soma-se a isso o fato de a ausência de tratamento de parcerias ter-se mostrado frequente ao longo dos anos, o que pode contribuir para a reinfecção da gestante e consequente infecção fetal.

Em outubro de 2017, o Ministério da Saúde alterou a definição de tratamento adequado da sífilis na gestante: deixou-se de considerar o tratamento simultâneo da parceria sexual e passou-se a considerar apenas o tratamento completo com penicilina, de acordo com a fase clínica da doença, a ser iniciado, pelo menos, até 30 dias antes do parto. A partir dessa nova definição, provisoriamente, todas as fichas de investigação e notificação de caso de sífilis congênita devem ser preenchidas com a informação de que a parceria sexual foi tratada concomitantemente com a gestante, independentemente de essa informação ter sido coletada.2727. Ministério da Saúde (BR). Nota Informativa n. 2, de 19 de setembro de 2017. Altera os critérios de definição de casos para notificação de sífilis adquirida, sífilis em gestantes e sífilis congênita. Brasília, DF: MS: 2017. Além de gerar informações equivocadas sobre o tratamento da(s) parceria(s), essa orientação poderá reduzir os esforços dos profissionais de saúde na captação das parcerias das gestantes e sua sensibilização sobre a importância do pré-natal do parceiro, na realização de exames diagnósticos e tratamento adequado da parceria, implicando consequências negativas para o controle da transmissão do agravo.

A utilização de dados secundários foi uma limitação do estudo, diante do objetivo de descrever o perfil e a evolução das taxas de incidência de sífilis gestacional e congênita, dada a possibilidade de subnotificação de casos e comprometimento de sua qualidade. Outro fato importante a destacar é que algumas informações preenchidas na ficha de notificação de caso novo só estavam disponíveis quando obtidas diretamente do sistema de vigilância municipal ou estadual. A ausência na base do Sinan, de acesso público, de informações fundamentais para descrição do perfil dos casos de sífilis gestacional e congênita limitou o conhecimento das características socioeconômicas e de aspectos relacionados ao diagnóstico clínico-laboratorial e de tratamento das gestantes e suas parcerias.

Os resultados do estudo, entretanto, demonstraram a necessidade de intervenções visando melhorar a atenção pré-natal, de modo a se garantir a prevenção e o bloqueio da transmissão vertical da sífilis, além da qualidade das informações que devem subsidiar a tomada de decisão, para implementação de tais ações.

O monitoramento da qualidade das informações e da evolução da epidemia, e a análise e divulgação sistemáticas dessas informações, devem ser estruturadas em todos os níveis da rede de serviços do SUS na Bahia, envolvendo tanto gestores como profissionais de saúde. Estas etapas são fundamentais para o fortalecimento da ação do estado frente a esses agravos.

Conclui-se que a resposta institucional à sífilis gestacional e congênita na Bahia, como no Brasil, deve incluir atividades de educação permanente, destinadas às equipes de vigilância e de Atenção Primária em Saúde, de comunicação social e ampliação do acesso da população, especialmente das gestantes ao pré-natal, e, finalmente, a melhoria da qualidade da rede de serviços disponibilizados pelo SUS.

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    Artigo derivado da dissertação de mestrado acadêmico intitulada ‘Associação entre as taxas de incidência de sífilis gestacional e sífilis congênita e a cobertura de pré-natal no estado da Bahia’, defendida por Maria Auxiliadora Santos Soares junto ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), em 2020.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    19 Nov 2021
  • Data do Fascículo
    2021

Histórico

  • Recebido
    20 Jan 2021
  • Aceito
    14 Jul 2021
Secretaria de Vigilância em Saúde - Ministério da Saúde do Brasil Brasília - Distrito Federal - Brazil
E-mail: leilapgarcia@gmail.com