Leishmaniose visceral no Piauí, 2007-2019: análise ecológica de séries temporais e distribuição espacial de indicadores epidemiológicos e operacionais

Leishmaniasis visceral en Piauí, Brasil, 2007-2019: análisis ecológico de series temporales y distribución espacial de indicadores epidemiológicos y operativos

André Felipe de Castro Pereira Chaves Igor Vinícius Soares Costa Matheus Oliveira de Brito Francisco Aragão de Sousa Neto Márcio Dênis Medeiros Mascarenhas Sobre os autores

Resumo

Objetivo

Analisar indicadores epidemiológicos e operacionais, a tendência temporal e a distribuição espacial da leishmaniose visceral (LV), bem como a coinfecção LV-HIV no estado do Piauí, Brasil, no período de 2007 a 2019.

Métodos

Estudo ecológico de séries temporais. Empregou-se a regressão de Prais-Winsten para analisar a tendência da incidência, letalidade e indicadores operacionais da LV.

Resultados

A incidência média de LV no estado foi de 6,03/100 mil habitantes, com tendência crescente na faixa de 40-59 anos [variação percentual anual (VPA) = 3,88; IC95% 0,49;7,40]; e nas regiões localizadas ao sul do estado: Tabuleiros do Alto Parnaíba (VPA = 14,19; IC95% 3,91;25,50); e Chapada das Mangabeiras (VPA = 12,15; IC95% 6,69;24,96). A letalidade média foi de 6,02%, mantendo-se estável. A taxa média de evolução para cura foi de 52,58%, com tendência decrescente (VPA = -5,67; IC95% -8,05;-3,23).

Conclusão

Houve tendência de aumento na incidência e de redução na taxa de cura da leishmaniose visceral.

Leishmaniose Visceral; Epidemiologia; Indicadores de Morbimortalidade; Notificação de Doenças; Sistemas de Informação em Saúde; Estudos de Séries Temporais

Resumen

Objetivo

Analizar los indicadores epidemiológicos y operativos, la tendencia temporal y la distribución espacial de la leishmaniasis visceral (LV), así como la coinfección LV-VIH el estado de Piauí, Brasil, de 2007 a 2019.

Métodos

Estudio ecológico de series temporales ecológicas. Se utilizó la regresión de Prais-Winsten para analizar la tendencia en indicadores de incidencia, letalidad y operacional del LV.

Resultados

La incidencia media de LV em estado fue de 6,03/100 mil habitantes, con tendencia creciente en grupos de 40 a 59 años [variación porcentual anual (VPA) = 3,88; IC95% 0,49;7,40] y en regiones ubicadas al sur del estado: Tabuleiros do Alto Parnaíba (VPA = 14,19; IC95% 3,91;25,50) y Chapada das Mangabeiras (VPA = 12,15; IC95% 6,69;24,96). La letalidad promedio fue de 6,02%, permaneciendo estable. La tasa media de evolución a la cura fue 52,58%, con tendencia decreciente (VPA = -5,67; IC95% -8,05; -3,23).

Conclusión

Hubo tendencia de aumento en la incidencia y reducción en la tasa de cura de LV.

Leishmaniasis Visceral; Epidemiología; Indicadores de Morbimortalidad; Notificación de Enfermedades; Sistemas de Información en Salud; Estudios de Series Temporales

INTRODUÇÃO

A leishmaniose visceral (LV) é uma doença infecciosa de distribuição mundial, tipicamente associada às más condições de vida. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 83 países ou áreas territoriais são atualmente considerados endêmicos, ou relataram casos de LV; apenas dez, incluindo o Brasil, concentram mais de 95% dos casos novos de LV no mundo. Estima-se que ocorram, a cada ano, 50 mil a 90 mil casos novos desse agravo, embora apenas 25% a 45% deles sejam reportados.11. World Health Organization. Leishmaniasis. Key facts. 20 May 2021. Geneva: World Health Organization; 2021 [citado 2021 jul 15]. Available from: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/leishmaniasis
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Historicamente conhecida como uma endemia rural, a LV chegou a ocasionar epidemias em várias grandes cidades brasileiras nas últimas décadas, tornando a enfermidade um grave problema de saúde pública.22. Sevá AP, Mao L, Galvis-Ovallos F, Lima JMT, Valle D. Risk analysis and prediction of visceral leishmaniasis dispersion in São Paulo State, Brazil. Plos Negl Trop Dis. 2017;11(2).e0005353. doi: 10.1371/journal.pntd.0005353 Existe evidência da relação entre LV e aumento do processo de desmatamento e urbanização do país, juntamente com a interferência humana nos habitat dos animais silvestres, levando à rápida expansão da doença nas cidades.33. Moreira CM, Segundo AS, Carvalhosa AA, Estevam LS, Pereira SA, Moreira AM. Comportamento geoespacial da leishmaniose tegumentar americana no município de Tangará da Serra–MT. J Health Sci. 2016; 18(3):171-6. doi: 10.17921/2447-8938.2016v18n3p171-6 Alguns problemas, como baixa renda, falta de assistência médica e baixo conhecimento da população sobre a doença, consequências da falta ou ineficiência das políticas públicas adotadas, contribuem para a persistência da endemia.44. Negrão GN, Ferreira MEMC. Considerações sobre a leishmaniose tegumentar americana e sua expansão no território brasileiro. Rev Percurso. 2014;6(1):147-68. doi: 10.4025/revpercurso.v6i1.21375 Outra relevante questão a abordar é a elevada frequência de coinfecção por LV e o vírus da imunodeficiência humana (HIV), devido à elevada prevalência deste quando associada ao aumento dos casos de leishmaniose visceral, motivo de preocupação dos profissionais de saúde, inclusive daqueles que atuam na vigilância epidemiológica, haja vista a gravidade dos casos e a rápida evolução clínica dos HIV- -positivos para a manifestação da síndrome da imunodeficiência adquirida, a aids.55. Araújo TME, Félix ELS, Araújo OD, Chaves AFCP, Sousa ECCL. Coinfecção leishmaniose visceral-HIV em um estado brasileiro: aspectos sociodemográficos, clínicos e laboratoriais Rev Interd. 2020 [citado 2021 abr 01];13(1):1-13. Disponível em: https://revistainterdisciplinar.uninovafapi.edu.br/index.php/revinter/article/view/1752/pdf_466
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A LV é causada por parasitos do complexo Leishmania donovani, entre eles a espécie causadora da doença no Brasil, a Leishmania infantum. As espécies de mosquitos Lutzomyia longipalpis e Lutzomyia cruzi, ambos pertencentes à subfamília flebotomíneos, são os dois principais vetores da LV e transmitem a doença ao homem durante o repasto sanguíneo das fêmeas infectadas.66. Cavalcante FRA, Cavalcante KKS, Florêncio CMGD, Moreno JO, Correia FGS, Alencar CH. Human visceral leishmaniasis: epidemiological, temporal and spacial aspects in Northeast Brazil, 2003-2017. Rev Inst Med Trop Sao Paulo. 62:e12. doi: 10.1590/S1678-9946202062012

Nas Américas, o Brasil concentrava 97% dos casos de LV em 2019, retratando a gravidade do problema para o país no que dizia respeito a sua vigilância e controle. No território brasileiro, durante o período de 2007 a 2017, o coeficiente de incidência de LV oscilou de 1,7 a 2,0 casos por 100 mil habitantes, enquanto a letalidade pela doença aumentou de 5,9% para 8,8%: os anos de 2015 e 2016 apresentaram maior letalidade, e o número de óbitos correspondeu a 9% do total de óbitos no decênio (2007-2016).77. Organização Pan-Americana da Saúde. Leishmanioses: informe epidemiológico das Américas [Internet]. Brasília: Organização Pan-Americana de Saúde; 2020 [citado 2021 jun 1]. Disponível em: https://www.paho.org/leishmaniasis
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Em 2017, foi aprovado o Plano de Ação de Leishmanioses nas Américas, visando reduzir a morbimortalidade por meio do fortalecimento do diagnóstico, tratamento, reabilitação, prevenção, vigilância e controle da infecção até o ano de 2022.77. Organização Pan-Americana da Saúde. Leishmanioses: informe epidemiológico das Américas [Internet]. Brasília: Organização Pan-Americana de Saúde; 2020 [citado 2021 jun 1]. Disponível em: https://www.paho.org/leishmaniasis
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A LV se encontra em expansão no Brasil, observando-se sua maior ocorrência na região Nordeste, onde foram registrados 56,7% dos casos diagnosticados em 2019, quando o Piauí respondeu por 9,6% das notificações dos casos no país.88. Ministério da Saúde (BR). Departamento de Informática do SUS. Datasus: Tabnet - informações de saúde, epidemiológicas e morbidade [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2021 [citado 2021 mar 08] Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?%20area=0203
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No estado, a taxa de incidência de LV foi de 5,9/100 mil hab. em 2018, nível três vezes maior que a média nacional, de 1,85/100 mil hab., para o mesmo ano.99. Mendes JR, Lopes AS, Sousa MSC, Silva MJM, Sousa PB, Chagas NS, et al. O Piauí como coadjuvante da leishmaniose visceral brasileira. Braz J Dev. 2020;6(3):11210-9. doi: 10.34117/bjdv6n3-114

O objetivo deste estudo foi analisar indicadores epidemiológicos e operacionais, a tendência temporal e a distribuição espacial da LV, bem como a coinfecção LV-HIV no estado estado do Piauí, no período de 2007 a 2019.

MÉTODOS

Desenho e período do estudo

Estudo ecológico de séries temporais, com registros de casos novos confirmados de LV em residentes do Piauí, notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) no período de 2007 a 2019, tendo como unidade de análise o estado, dividido em 11 regiões de saúde, cada uma agregando municípios circunvizinhos a um polo considerado como referência em saúde.

Local do estudo

O Piauí contava com uma população estimada em 3.281.480 habitantes no ano de 2020, uma densidade demográfica de 12,4 hab. por km22. Sevá AP, Mao L, Galvis-Ovallos F, Lima JMT, Valle D. Risk analysis and prediction of visceral leishmaniasis dispersion in São Paulo State, Brazil. Plos Negl Trop Dis. 2017;11(2).e0005353. doi: 10.1371/journal.pntd.0005353 e índice de desenvolvimento humano de 0,646, ocupando a 24º posição entre as 27 unidades da Federação, abaixo da média nacional de 0,765.

Fonte de dados

Os dados do Sinan sobre notificação de casos confirmados de LV foram obtidos nos meses de setembro a outubro de 2020, enquanto os dados da população residente no mês de setembro, oriundos de projeções realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ambos os bancos de dados encontram-se disponíveis no sítio eletrônico do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde, acessados por meio da ferramenta TabNet.88. Ministério da Saúde (BR). Departamento de Informática do SUS. Datasus: Tabnet - informações de saúde, epidemiológicas e morbidade [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2021 [citado 2021 mar 08] Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?%20area=0203
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A definição de ‘caso novo de LV’ consiste na confirmação da doença, seja por critério laboratorial ou clínico-epidemiológico, referido pela primeira vez em um indivíduo, seja pela exacerbação dos sintomas após 12 meses da cura clínica, desde que não haja evidência de imunodeficiência.1010. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de vigilância em saúde [Internet]. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2019 [citado 2021 fev 10]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_3ed.pdf
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Foram selecionados os casos novos e confirmados de leishmaniose notificados no período de 2007 a 2019. Os indicadores foram calculados segundo definições constantes do Caderno de Indicadores, elaborado pelo Grupo Técnico de Leishmanioses do Ministério da Saúde.1111. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis. Coordenação-Geral de Doenças Transmissíveis. Caderno de indicadores: leishmaniose tegumentar e leishmaniose visceral [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde. 2018 [citado 2021 jun 1]. Disponível em: http://portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/LTA/Indicadores_Leishmanioses_2018.pdf
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Indicadores epidemiológicos

A taxa de incidência de LV foi calculada dividindo-se o número de casos novos de leishmaniose visceral pela população residente no período de estudo vezes 100 mil hab. A letalidade foi calculada dividindo-se o número de óbitos por leishmaniose visceral pelo total de casos novos de leishmaniose visceral vezes 100. O percentual de confirmação laboratorial foi calculado a partir da divisão entre o número de casos de leishmaniose visceral confirmados por critério laboratorial e o total de casos novos vezes 100.

Variáveis

As variáveis sociodemográficas analisadas foram: sexo (masculino; feminino); faixa etária (em anos: 0 a 4; 5 a 9; 10 a 19; 20 a 39; 40 a 59; 60 ou mais); raça/cor da pele (branca; preta; amarela; parda; indígena; sem informação); escolaridade (analfabeto/ensino fundamental; ensino médio; ensino superior); zona de residência (urbana; rural/periurbana; sem informação); e região de saúde do estado (Carnaubais; Chapada das Mangabeiras; Cocais; Entre Rios; Planície Litorânea; Serra da Capivara; Tabuleiros do Alto Parnaíba; Vale do Canindé; Vale do Rio Guaribas; Vale do Sambito; Vale dos Rios Piauí e Itaueiras).

As variáveis clínicas analisadas foram: coinfecção por LV e HIV (sim; não; sem informação); critério de confirmação (laboratorial; clínico-epidemiológico); diagnóstico parasitológico (positivo; negativo; não realizado); diagnóstico por imunofluorescência indireta (positivo; negativo; não realizado); e evolução clínica (cura; óbito por LV; transferência; óbito por outra causa; abandono; sem informação).

Indicadores operacionais

A proporção de casos de leishmaniose visceral coinfectados pelo HIV foi obtida dividindo-se o número total de casos novos de leishmaniose em coinfectados com HIV pelo número total de casos novos de leishmaniose visceral vezes 100. A evolução para cura clínica foi calculada com a divisão do número total de casos novos de leishmaniose visceral que evoluíram para cura clínica pelo número total de casos novos de leishmaniose visceral vezes 100. A proporção de casos de leishmaniose visceral com evolução ignorada foi calculada pelo quociente entre o número total de casos de leishmaniose visceral (novos e recidivas) com evolução ignorada e o número total de casos de leishmaniose visceral (novos e recidivas) com evolução ignorada vezes 100.

A caracterização dos casos foi apresentada por meio de frequências absoluta e relativa, com a verificação de associação segundo sexo pelo teste qui-quadrado de Mantel-Haenszel. Para a análise de tendência, aplicou-se o modelo de regressão linear de Prais-Winsten, pelo qual foi calculada a variação percentual anual (VPA) e seus intervalos de confiança a 95% (IC95%), utilizando-se o programa Stata em sua versão 14 (StataCorp LP, College Station EUA). A tendência dos indicadores analisados foi interpretada como crescente (p-valor<0,05 e coeficiente da regressão positivo), decrescente (p-valor<0,05 e coeficiente da regressão negativo) e estável (p-valor>0,05); em todos os casos, foi atestada significância estatística quando p-valor<0,05. Os indicadores foram desagregados por região de saúde e apresentados em mapas, elaborados utilizando-se o programa Tabwin.

Considerações éticas

Como se trata de pesquisa com dados secundários de acesso público, sem identificação dos casos, não houve necessidade de submissão à aprovação de um Comitê de Ética em Pesquisa.

RESULTADOS

Foram notificados 2.521 casos novos confirmados de LV no Piauí, no período de 2007 a 2019. Na série temporal analisada, o ano com maior número de casos foi 2007, ao contabilizar 237 casos de LV registrados, enquanto o ano de 2019, com 145 casos registrados, foi o de menor número de ocorrências. A média anual de casos registrados foi de 193,9, havendo incremento ou redução das notificações de um ano para outro, com maior variação positiva observada no biênio 2013-2014 (+66 casos), e maior variação negativa no biênio 2007-2008 (-47casos).

Entre os menores de 9 anos de idade, a maioria dos casos foram do sexo feminino (62,4%), ao passo que, na faixa etária de 20 a 59 anos, houve maior proporção de casos do sexo masculino (50,9%) (p<0,001). Verificou-se predomínio de pessoas da raça/cor da pele preta/parda (91,7%), analfabetas ou com ensino fundamental (80,1%) e residentes na zona urbana (67,9%). Quanto aos aspectos clínicos, prevaleceram os casos de LV confirmados laboratorialmente (87,4%), sendo o percentual de exames parasitológicos positivos maior entre o sexo masculino (56,2%). Entre os resultados do diagnóstico pelo teste da imunofluorescência indireta, encontrou-se maior proporção de soropositivos no sexo feminino (27,0%), comparado ao sexo masculino (21,5%), além de ter chamado a atenção o percentual desses exames não realizados, tanto para o sexo masculino (67,8%) (p=0,002) como para o sexo feminino (62,1%) (p=0,002). A proporção dos casos de coinfecção LV-HIV foi de 12,4% (p<0,001) no sexo masculino, superior à observada no sexo feminino (6,1%). Finalmente, a proporção de indivíduos com registro de evolução para cura clínica foi de 52,4% entre ambos os sexos. Todavia, houve considerável percentual de registros sem informação sobre essa variável (35,9%) (Tabela 1).

Tabela 1
– Características sociodemográficas e clínicas dos casos novos de leishmaniose visceral (n=2.521), Piauí, 2007-2019

A taxa média de incidência de LV no período do estudo foi de 6,03/100 mil hab., variando de 7,57 em 2007 a 4,43 em 2019. Observou-se tendência de aumento desse indicador nas regiões da Chapada das Mangabeiras (VPA = 12,15; IC95% 6,69;24,96;) e Tabuleiros do Alto Parnaíba (VPA = 14,19; IC95% 3,91;25,50), localizadas ao sul do Piauí. Houve tendência de redução apenas na região da Planície Litorânea (VPA = -8,77; IC95% -14,45;-2,71). A média de letalidade foi de 6,02%, com variação de 6,33% em 2007 a 4,14% em 2019, observando-se estabilidade na tendência (Tabela 2; Figura 1).

Tabela 2
– Tendência da taxa de incidência (por 100 mil habitantes), da letalidade (%) e de indicadores operacionais (%) da leishmaniose visceral, Piauí, 2007-2019

Figura 1
– Evolução da taxa de incidência de leishmaniose visceral total e segundo sexo, Piauí, 2007-2019

Em relação aos indicadores operacionais da LV, verificou-se incremento no percentual de casos com confirmação laboratorial (VPA = 0,58; IC95% 0,29;0,87) e no percentual de casos com informação ignorada sobre a evolução clínica (VPA = 7,02; IC95% 2,18;12,09). Houve tendência de redução no percentual de casos com realização de exame imunológico (VPA = -10,69; IC95% -18,59;-2,03) e na evolução para cura clínica (VPA = -5,67; IC95% -8,05;-3,23) (Tabela 2; Figura 2).

Figura 2
– Evolução nas proporções dos indicadores operacionais da leishmaniose visceral e dos casos de coinfecção LV-HIV, Piauí, 2007-2019

a) Dados a partir de 2008; b) LV: Leishmaniose visceral; c) HIV: Vírus da imunodeficiência humana (human immunodeficiency virus - HIV).

A Figura 3 apresenta a distribuição espacial dos indicadores epidemiológicos e operacionais de LV segundo regiões de saúde do estado do Piauí. As regiões com as maiores taxas de incidência média de LV foram Entre Rios, onde se localiza a capital Teresina (7,33/100 hab.), Chapada das Mangabeiras (7,11/100 hab.) e Serra da Capivara (6,84/100 hab.) mais ao Sul, e Cocais (6,51/100 hab.) na região norte do estado. A maior proporção de casos confirmados laboratorialmente correspondeu à Planície Litorânea (93,2%), havendo somente duas regiões com confirmação laboratorial inferior a 80%: Serra da Capivara e Vale do Canindé. As maiores médias de letalidade foram observadas nas regiões do Vale dos Rios Piauí e Itaueiras (8,0%) e Entre Rios (7,7%), correspondendo a menor à região da Serra da Capivara (2,3%). A evolução para cura foi observada, em maior proporção, na região norte do estado, principalmente na área da Planície Litorânea (66,7%) e na região Entre Rios (61,6%). Tabuleiros do Alto Parnaíba foi a região de saúde do Piauí com a menor taxa de cura (6,3%).

Figura 3
– Distribuição espacial da taxa média de incidência e dos indicadores operacionais da leishmaniose visceral, Piauí, 2007-2019

DISCUSSÃO

O estudo analisou o contexto epidemiológico da LV no Piauí em 13 anos selecionados. O estado apresenta alta ocorrência de casos de LV, e fatores como desigualdades socioeconômicas e condições ambientais têm contribuído para o aumento dos casos da doença.1212. Lemos MHS, Silva WC, Gomes FCS, Lages LP, Costa JO, Assis Júnior JDP, t. al. Epidemiologia das leishmanioses no estado do Piauí. Braz J Surg Clin Res. 2019;25 (2):53-7 [citado 2021 abr 07] Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20190103_214829.pdf
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Observou-se maior proporção de LV no sexo masculino e em pessoas na idade entre 20 e 59 anos. Estes dados corroboram resultados de estudos realizados na cidade de Teresina1313. Correia AVGM. Perfil clínico-epidemiológico da leishmaniose visceral em Teresina-PI [dissertação]. Rio de Janeiro (RJ): Fundação Oswaldo Cruz; 2015. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/13944/1/angela_correia_ioc_mest_2015.pdf
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e na região norte do estado de Minas Gerais,1414. Farias HMT, Gusmão JD, Aguilar RV, Barbosa SFA. Perfil epidemiológico da leishmaniose visceral humana nas regiões de saúde do norte de Minas Gerais. Enferm Foco. 2019;10(2):90-6. doi: 10.21675/2357-707X.2019.v10.n2.1887 onde foram identificadas maiores proporções de LV, 67% e 64% respectivamente, no sexo masculino e em pessoas dessa faixa etária. Em relação à maior ocorrência de LV entre o sexo masculino, existe a hipótese de a doença estar relacionada a fatores hormonais.1515. Guerra-Silveira F, Abad-Franch F. Sex bias in infectious disease epidemiology: patterns and processes. PLoS One. 2013;8(4): e62390. doi: 10.1371/journal.pone.0062390 Porém, outros autores sugerem que a ocorrência de LV possa se associar a riscos ocupacionais.1212. Lemos MHS, Silva WC, Gomes FCS, Lages LP, Costa JO, Assis Júnior JDP, t. al. Epidemiologia das leishmanioses no estado do Piauí. Braz J Surg Clin Res. 2019;25 (2):53-7 [citado 2021 abr 07] Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20190103_214829.pdf
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Vale ressaltar que ambos os sexos podem ser acometidos pela LV, e que, a partir da análise feita, não se pode chegar à conclusão sobre o sexo masculino ser um fator de risco para a infecção.

Pessoas de raça/cor preta/parda foram as mais acometidas pela doença, corroborando dados de mais um estudo realizado em Teresina, onde os autores atribuíram esse resultado (i) à dificuldade de definição de raça/cor da pele na população brasileira e (ii) ao fato de o maior contingente local ser de baixa renda, coincidentemente o grupo mais acometido pela doença, de raça/cor preta ou parda.1515. Guerra-Silveira F, Abad-Franch F. Sex bias in infectious disease epidemiology: patterns and processes. PLoS One. 2013;8(4): e62390. doi: 10.1371/journal.pone.0062390

A maioria (80%) dos casos ocorreu em indivíduos analfabetos ou com nível de escolaridade fundamental, confirmando a pobreza como um dos determinantes da maior ocorrência de LV, uma vez que (i) a baixa escolaridade constitui um marcador de baixa renda e (ii) o estado do Piauí apresenta elevada desigualdade socioeconômica. Além disso, os resultados do trabalho em tela ratificam as evidências de que indivíduos com baixa escolaridade tendem a apresentar menor nível de conhecimento sobre as medidas de prevenção da doença, o que favorece a maior incidência de casos de LV.1616. Pontes DS, Moraes LCA, Batista MHJ, Luz PK, Silva RS. Aspectos epidemiológicos da leishmaniose visceral humana em Teresina, Piauí. Temas em Saúde. 2020;20(4):110-36. doi: 10.29327/213319.20.4-5

Houve maior proporção de ocorrências da doença na zona urbana, responsável pelo maior crescimento de casos em relação às demais zonas. A subnotificação na zona rural, como consequência da falta de recursos, de infraestrutura e de disponibilidade de testes diagnósticos, juntamente com o processo migratório, a precária condição socioeconômica e o desmatamento crescente para construção de moradias, estradas e fábricas, são os fatores que, possivelmente, contribuíram para o aumento de casos nas regiões urbanas.1717. Rocha MBM. Investigação epidemiológica da leishmaniose visceral no município de Sobral, Ceará de 2014 a 2018. SANARE. 2020;19(1):18-25. doi: 10.36925/sanare.v19i1.1283As falhas nas atividades de vigilância, como a busca ativa e a identificação de casos suspeitos, somadas à escassez de recursos financeiros e humanos qualificados, são fatores importantes para a falta de controle da doença nos centros urbanos.1818. Sousa NA, Linhares CB, Pires FGB, Teixeira TC, Lima JS, Nascimento MLO. Perfil epidemiológico dos casos de leishmaniose visceral em Sobral-CE, de 2011 a 2015. SANARE. 2018;17(1):51-7. doi: 10.36925/sanare.v17i1.1222

Parcela dos casos registrados apresentaram coinfecção LV-HIV, com maior ocorrência no sexo masculino. A terapia antirretroviral (TARV) leva ao aumento da resposta imune da pessoa vivendo com HIV, reduzindo as infecções oportunistas e complicações decorrentes da infecção. No entanto, a baixa adesão da população HIV-positiva à TARV e a baixa procura por assistência são fatores que, possivelmente, explicam a elevada frequência de pessoas com essa coinfecção.1919. Menezes EG, Santos SRF, Melo GZS, Torrente G, Pinto AS, Goiabeira YNLA. Fatores associados à não adesão dos antirretrovirais em portadores de HIV/AIDS. Acta Paul Enferm. 2018;31(3):299-304. doi: 10.1590/1982-0194201800042 Assim, torna-se importante realizar a investigação detalhada dos casos para confirmação e/ou descarte da coinfecção LV-HIV, com a realização da testagem para HIV nas pessoas com suspeita ou confirmação de LV. Igualmente importante é a instituição do tratamento de ambos os agravos, considerando-se que a leishmaniose favorece o agravamento da infecção por HIV em indivíduos com LV.99. Mendes JR, Lopes AS, Sousa MSC, Silva MJM, Sousa PB, Chagas NS, et al. O Piauí como coadjuvante da leishmaniose visceral brasileira. Braz J Dev. 2020;6(3):11210-9. doi: 10.34117/bjdv6n3-114

Segundo este estudo, das 11 regiões de saúde do Piauí, Chapada das Mangabeiras e Tabuleiros do Alto Parnaíba são as que apresentam tendência de crescimento, enquanto regiões de expansão agrária localizadas na porção sul do estado. Estes resultados, possivelmente, relacionam-se ao fato de essa população rural possuir maior vulnerabilidade social e menores níveis de conhecimento sobre medidas de prevenção.1212. Lemos MHS, Silva WC, Gomes FCS, Lages LP, Costa JO, Assis Júnior JDP, t. al. Epidemiologia das leishmanioses no estado do Piauí. Braz J Surg Clin Res. 2019;25 (2):53-7 [citado 2021 abr 07] Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20190103_214829.pdf
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Estudo realizado em um município do estado sugeriu que a expansão da LV nas áreas de transição urbano-rural sugere que a expansão de bairros periféricos nas cidades pode ser um fator determinante para a persistência da doença nas áreas urbanas.2020. Nascimento L, Andrade EB. Epidemiologia da leishmaniose canina no município de Pedro II, Piauí, entre os anos de 2013 e 2019. Pesqui Ensino Ciênc Exatas Nat. 2021;5:e1623. doi: 10.29215/pecen.v5i0.1623 Outrossim, a ocupação de locais recém-desflorestados permite o contato mais estreito do homem com o ambiente de reprodução do vetor causador da doença e com os reservatórios selvagens portadores do parasita.2121. Batista FMA, Machado FFOA, Silva JMO, Mittmann J, Barja PR, Simioni AR. Leishmaniose: perfil epidemiológico dos casos notificados no estado do Piauí entre 2007 e 2011. Revista Univap. 2014;20(35):44-55. doi: 10.18066/revunivap.v20i35.180

Os índices elevados de LV em diferentes regiões do estado do Piauí também podem ser explicados pela ausência das medidas preventivas e de controle de parte dos municípios, preconizadas pelo Ministério da Saúde, além da carência de recursos humanos capacitados no nível local.1414. Farias HMT, Gusmão JD, Aguilar RV, Barbosa SFA. Perfil epidemiológico da leishmaniose visceral humana nas regiões de saúde do norte de Minas Gerais. Enferm Foco. 2019;10(2):90-6. doi: 10.21675/2357-707X.2019.v10.n2.1887 Sousa et al.2222. Sousa RLT, Nunes MI, Freire SM. Perfil epidemiológico de pacientes com leishmaniose visceral notificados em hospital de referência em Teresina – PI. RIES. 2019;8(1):126-35. doi: 10.33362/ries.v8i1.1475 enfatizaram que as medidas oriundas dos estudos realizados foram incapazes de eliminar a transmissão da doença e impedir a ocorrência de novas endemias.

As regiões de saúde Vale dos Rios Piauí e Itaueiras e Entre Rios apresentaram maior letalidade por LV. No Brasil,1818. Sousa NA, Linhares CB, Pires FGB, Teixeira TC, Lima JS, Nascimento MLO. Perfil epidemiológico dos casos de leishmaniose visceral em Sobral-CE, de 2011 a 2015. SANARE. 2018;17(1):51-7. doi: 10.36925/sanare.v17i1.1222 em 2019, observou-se a maior letalidade por LV dos últimos dez anos, de 9%. Um estudo conduzido no Piauí,1212. Lemos MHS, Silva WC, Gomes FCS, Lages LP, Costa JO, Assis Júnior JDP, t. al. Epidemiologia das leishmanioses no estado do Piauí. Braz J Surg Clin Res. 2019;25 (2):53-7 [citado 2021 abr 07] Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20190103_214829.pdf
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no período de 2015 a 2017, que encontrou letalidade acima de 7%, ratifica esse dado. A letalidade na macrorregião de saúde Norte de Minas,33. Moreira CM, Segundo AS, Carvalhosa AA, Estevam LS, Pereira SA, Moreira AM. Comportamento geoespacial da leishmaniose tegumentar americana no município de Tangará da Serra–MT. J Health Sci. 2016; 18(3):171-6. doi: 10.17921/2447-8938.2016v18n3p171-6 entre 2011 e 2015, de cerca de 8%, foi igualmente elevada. O diagnóstico tardio e a elevação do número de casos na população com comorbidades são fatores capazes de explicar a alta letalidade encontrada, sendo as complicações infecciosas e as hemorragias as principais causas de morte por LV.1414. Farias HMT, Gusmão JD, Aguilar RV, Barbosa SFA. Perfil epidemiológico da leishmaniose visceral humana nas regiões de saúde do norte de Minas Gerais. Enferm Foco. 2019;10(2):90-6. doi: 10.21675/2357-707X.2019.v10.n2.1887

Observou-se redução de casos que evoluíram para cura, ao longo dos anos estudados, atingindo o menor percentual (33,1%) em 2019. Em contrapartida, houve aumento da frequência de notificações com informação sobre o desfecho ignorada, que também atingiu maior percentual em 2019. Estes dados sugerem ser a distorção desse parâmetro a causa dessas perdas de informação. Mais um estudo conduzido no Piauí,1212. Lemos MHS, Silva WC, Gomes FCS, Lages LP, Costa JO, Assis Júnior JDP, t. al. Epidemiologia das leishmanioses no estado do Piauí. Braz J Surg Clin Res. 2019;25 (2):53-7 [citado 2021 abr 07] Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20190103_214829.pdf
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entre 2015 e 2017, encontrou resultados semelhantes aos da presente pesquisa, tendo reportado um percentual de cura acima de 39%. Outro estudo aponta que a evolução para cura possui tendência de redução em crianças menores de 1 ano de vida e é significativamente baixa em indivíduos acima de 60 anos.2424. Cavalcante IJM, Vale MR. Aspectos epidemiológicos da leishmmaniose visceral (calazar) no Ceará no período de 2007 a 2011. Rev Bras Epidemiol. 2014;17(4):911-24. doi: 10.1590/1809-4503201400040010 Ademais, o aumento proporcional de informação ignorada pode contribuir para a redução do índice de cura clínica.

As limitações do estudo referem-se à natureza dos dados utilizados, de fontes secundárias, sujeitas a imprecisão de informações e subnotificação, duplicidade de registro e/ou erros de preenchimento dos formulários.

Com base nos resultados apresentados, conclui-se que a LV se mantém como uma doença negligenciada no Piauí, com preocupante tendência crescente da incidência e elevado percentual de casos em tratamento com evolução ignorada, sugerindo falhas nas ações de assistência, vigilância e controle da doença no estado.

Ainda são escassos os estudos que analisaram a LV no Piauí. Nesse sentido, esta análise contribui para o maior conhecimento da situação epidemiológica da LV no estado e, consequentemente, para as ações de identificação de áreas de risco de transmissão vetorial, vigilância entomológica e zoonótica. Tendo em vista a tendência crescente da LV em algumas regiões de saúde do estado, faz-se necessário o desenvolvimento de mais estudos nessas regiões, de maneira a se identificarem os fatores condicionantes desse agravo e, finalmente, de se eliminar a transmissão da doença.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    27 Abr 2022
  • Data do Fascículo
    2022

Histórico

  • Recebido
    17 Jun 2021
  • Aceito
    15 Dez 2021
Secretaria de Vigilância em Saúde - Ministério da Saúde do Brasil Brasília - Distrito Federal - Brazil
E-mail: leilapgarcia@gmail.com