NOTAS E INFORMAÇÕES

 

Interêsse pelo ensino por parte dos alunos de saúde pública

 

 

Ernestine M. Bastian

Do Centro de Saúde "Geraldo de Paula Souza" da Faculdade de Saúde Pública da USP – São Paulo, S.P. – Brasil

 

 

Em complementação a um trabalho sôbre ensino em saúde pública1 foi feita uma indagação junto aos alunos da Faculdade de Saúde Pública da USP nos anos de 1967, 1968 e 1969. No trabalho foi levantada a questão do preparo pedagógico do grupo de enfermeiras professoras de saúde pública. Independentemente disso, em debates, alunos das várias profissões da saúde trataram o assunto do preparo pedagógico do professor do ensino superior.

O objetivo da presente indagação era conhecer a extensão do interêsse que o ensino constitui para os vários profissionais •da saúde, alunos desta Faculdade.

 

PROCEDIMENTO

Foi apresentado um questionário a todos os alunos (portanto sem amostragem) dentro dos seus grupos profissionais, e estabelecido um prazo para as respostas. No ano 1967 quatro grupos responderam dentro do prazo, em 1968 e 1969 sete grupos de cada vez. As perguntas eram as seguintes:

a – Já teve em sua vida profissional alguma vez responsabilidade de ensino?

b – Desempenhará função de ensino (nível superior) após término do curso?

c – Interessa-se, em princípio, pelo ensino?

A resposta à primeira pergunta deveria informar sôbre oportunidades e experiência anterior no ensino do aluno, profissional da saúde. A segunda pergunta é de maior peso caso se cogite incluir matérias pedagógicas no currículo. A resposta à terceira orientará sôbre prováveis candidatos espontâneos a estas matérias.

 

RESULTADOS

Nos três anos em questão, o total de alunos dos cursos inquiridos era de 295. Foram conseguidas respostas de 289 alunos (98%). Na Tabela está apresentada a distribuição das respostas.

Das respostas ao questionário se destaca o seguinte:

Pergunta A – 64,7% dos alunos já tiveram em sua vida profissional oportunidade para ensinar. Salientam-se os educadores de saúde pública com 100% e os veterinários com 80%. Todos os grupos, individualmente, estão representados com 50% ou mais.

Pergunta B – Desempenharão função docente de nível superior 43,5%. Neles se sobressaem os veterinários com 100%. Dois grupos estão representados com mais que 50%, sendo os dentistas com 56,8% e os administradores hospitalares com 51,7%.

Pergunta C – Interessam-se, em princípio, pelo ensino 89,2%. Novamente estão os veterinários representados com 100%. Farmacêuticos, engenheiros e enfermeiros apresentam taxas acima de 90%. Nenhum grupo profissional está abaixo de 85%.

 

COMENTÁRIOS

No trabalho anterior ¹ ficou discutida a resolução de algumas escolas de saúde pública do continente, entre elas as do Chile 3 e de Harvard2 de oferecer preparo pedagógico aos seus alunos. Estas escolas verificaram que um grande número dos seus ex-alunos ensinam sua especialidade em vários níveis do ensino superior. Harvard, em inquérito realizado durante vários anos, encontrou uma média de 25% e achou-a suficiente para criar um "curso especial de preparação pedagógica" para profissionais de saúde pública.

O resultado do presente inquérito mostra que a porcentagem dos alunos que irão para o ensino é quase o dôbro da porcentagem de Harvard. Considerando ainda os alunos que manifestam intêresse espontâneo no ensino (a metade acima de 90%, todos acima de 85%) poder-se-ia esperar numerosas opções para as matérias pedagógicas. Sugerem êstes resultados a conveniência de uma oportunidade neste sentido. Sugerem as leis de aprendizagem que esta preparação, principalmente a prática do ensino, seja ministrada na escola de saúde pública, pela possibilidade de sua aplicação direta às matérias do campo profissional.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. BASTIAN, E. N. – Pós-graduação em saúde pública para enfermeiros. Preparo para ensino e pesquisa. São Paulo, 1969. [Tese de Doutoramento – Faculdade Higiene Saúde Pública da Univ. S. Paulo].        

2. HARVARD SCHOOL OF PUBLIC HEALTH. – Announcement of courses and general information, 1967-68. Boston, Mass., 1967.        

3. UNIVERSIDAD DE CHILE. Escuela de Salubridad. Prospecto, 1968. Santiago,. 1968.        

 

 

Recebido para publicação em 17-3-1970

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