ARTIGO ORIGINAL

 

Comportamento do Staphilococcus aureus causadores de infecções hospitalares, frente a atividade "in vitro" da fosfomicina

 

The behavior of Staphylococcus aureus responsible for hospital infections in the presence of Phosphomycin activity "in vitro"

 

 

Clara Pechmann Mendonça; Vera Lygia Ferreira Lourenço; Mario Tsunezi Shimizu; Paulo Roberto Natalino; Ivone Shizuko Anno

Do Departamento de Microbiologia da Faculdade de Farmácia e Odontologia de Araraquara, SP – Rua Expedicionários do Brasil, 1621 – Araraquara, SP – Brasil

 

 


RESUMO

Estudou-se a atividade "in vitro" da fosfomicina em 337 amostras de Staphylococcus aureus coletados de infecções intra-hospitalares, obtendo-se 310 amostras sensíveis (91,9%). Comparando-se com outros antimicrobianos, concluiu-se que a atividade da fosfomicina foi superior a todos.

Unitermos: Staphylococcus aureus. Infecção hospitalar. Fosfomicina.


SUMMARY

An "in vitro" study of Phosphomycin activity envolving 337 samples of Staphilococcus aureus collected from hospital infections was carried out. 310 (91,9%) of these turned out to be sensitive to the antibiotic. On analysing Phosphomycin the conclusion was that its activity proved to be superior to that of other antimicrobial agents.

Uniterms: Staphylococcus aureus. Hospital Infections. Phosphomycin.


 

 

INTRODUÇÃO

Os primeiros trabalhos científicos sobre o antibiótico fosfomicina apareceram na 9.a Conferência Interciência de Agentes Antimicrobianos e Quimioterápicos, em Washington, no ano de 1969.

A fosfomicina obtida inicialmente em caldo de fermentação de Streptomyces fradiae e depois Streptomyces viridicromogenes e wedmorensis 6,15, sendo facilmente sintetizado 2. É um antibiótico de amplo espectro, altamente sensível, de boa tolerância e que atua sobre a bactéria inibindo a etapa inicial da biossíntese da parede celular impedindo a formação do ácido N-acetil murâmico 13.

Pode ser administrado por via oral, intra-muscular e endovenosa. Difunde-se bem em todos os líquidos orgânicos atingindo a barreira liquorica após uma hora da sua presença no sangue. Atravessa a placenta atingindo o líquido amniótico na concentração equivalente ao sangue materno. Difunde-se facilmente na linfa e ossos 3.

Não foram registradas manifestações tóxicas com o uso desse antibiótico 4,5, 14.

É bastante ativo tanto "in vivo" como "in vitro" extendendo sua ação sobre numerosas bactérias Gram-negativas e principalmente sobre Gram-positivas.

Devido ser eliminado principalmente por via urinária em forma ativa 4,5,11 é considerado eficaz no tratamento de infecção urinária como provam numerosos trabalhos já apresentados 1,3,6,8,12.

Como se difunde bem em exudato brônquico, apresentando concentrações relativamente altas, tem sido usado com sucesso nos casos de broncopneumopatias 9.

Nosso trabalho foi realizado com a finalidade de estudar o comportamento do Staphylococcus aureus obtidos de infecções hospitalares frente a atividade "in vitro" da fosfomicina, comparando com o de outros antibióticos já testados.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Os Staphylococcus aureus testados de uma amostra de 337 foram coletados de infecções hospitalares e pertencem a nossa coleção.

Para o teste de sensibilidade a antibióticos foram utilizados os seguintes discos fabricados pela Dfico:

 

 

Os discos contendo 50 mcg. de fosfomicina foram fornecidos por gentileza da Companhia Espanhola de Penicilina e Antibióticos (CEPA).

As placas com meio de Agar Müeller Hinton receberam inóculo de 18-20 horas em Tripticase Soy Broth diluído a 1:1000. Após secagem em estufa a 37°C, por 15 min, receberam os discos e foram deixados em temperatura ambiente por mais de 30 min para pré-difusão e só depois incubados a 37°C.

Após 18-20 horas foi feita a leitura considerando-se sensível o halo de inibição de 12 mm ou mais.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A fosfomicina apresentou mais ativa que os demais antimicrobianos testados, aparecendo com 310 amostras sensíveis (91,9%) seguindo-se a Cefaloridine com 293 (86,9%) e a Gentamicina com 222 (65,8%) (ver Tabela).

Através da Figura podemos verificar em porcentagem todas as sensibilidades e resistência dos Staphylococcus aureus frente aos antimicrobianos testados.

Hutzler e col. 10 em semelhante observação verificaram que a Gentamicina foi sensível para 93,6% das amostras seguidas da Fosfomicina com 91,0% e Cefaloridina com 87,3%.

Fazendo-se uma comparação entre os fagotipos dos Staphylococcus testados e a atividade "in vitro" a fosfomicina, observamos que das 27 amostras resistentes, 23 pertencem ao grupo I de Cowan; 3 ao grupo II e um que não respondeu a fagotipagem a 1 ea 100 RTD. Não possuimos maiores dados para se poder tirar qualquer conclusão.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. BARNETT, J. A. et al. – Evaluation of MK-955 in urinary tract infection. Antimicrob. Agents Chemother. 1969. p 349-51, 1970.        

2. CHRISTENSEN, B.G. et al. – Struture and synthesis of Phosphonomycin. Science, 166:123-5, 1969.        

3. CLARK, H. et al – Evaluation of MK-955 a new cell wall active antibiotic. Antimicrob. Agents Chemother. 1969. p. 339-42, 1970.        

4. FOLTZ, E.L. & WALLICK, H. – Pharmacodynamics of phosphonomycin (MK-955) following intravenous administration in man. Antimicrob. Agents Chemother. 1969. p. 316-21, 1970.        

5. FOLTZ, E.L. et al. – Pharmacodmamics of phosphonomycin after oral administration in man. Antimicrob. Agents Chemother. 1969. p 322-6, 1970.        

6. GOMES, LUS, R. & RIOJA, A. apud LAGUNERO, L. R. & MENENDEZ, L. M.12.

7. HENDLIN, D. et al. – Phosphonomycin, a new antibiotic produced by strains of Streptomyces. Science, 166:122-3, 1969.        

8. HOLLOWAY, W.J. et al. – Preliminary trials with MK-955. Antimicrob. Agents Chemother. 1969. p. 327-31, 1970.        

9. HONORATO, F. et al. – Fosfomicina en bronconeumopatias agudas. Rev. Med. Univ. Navarra, 27:1-10, 1973.        

10. HUTZLER, R.U. et al. – Atividade "in vitro" da fosfomicina em relação a germes causadores de infecções hospitalares. Rev. bras. Med., 31:433-6, 1974.        

11. KESTLE, D.G. & KIRBY, W.M.M. – Clinical pharmacology and in vitro – activity of MK-955, a new antibiotic. Antimicrob. Agents Chemother., 1969. p. 332-7, 1970.        

12. LAGUNERO, L.R. & MENENDEZ, L.M. – Infecciones urinárias tratadas con fosfomicina. Folia clin. int., Barcelona, 2:1-15, 1974.        

13. LORENZO-VELASQUES, B. – Un nuevo antibiotico, sencillo, de amplio espectro y de buena tolerancia. La fosfomicina. Arch. Fac. Med., Madrid, 23:307-10, 1973.        

14. MILLER, A.K. et al. – Phosphomycin. Evaluation in mice. Antimicrob. Agents Chemother. 1969. p. 310-5, 1970.        

15. STAPLEY, E.O. et al. – Phosphonomicin. Discovery and in vitro biological characterization. Antimicrob. Agents Chemother. 1969. p. 284-90, 1970.        

 

 

Recebido para publicação em 13-11-74
Aprovado para publicação em 13-01-75

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