RESUMO DE LIVROS/BOOK REVIEWS

 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Administração de Saúde no Brasil Gonçalves, E.L. (organizador). São Paulo, Pioneira Editora, 1982.

O livro é uma coletânea de artigos elaborados por um grupo de pesquisadores sanitaristas, epidemiologistas, sociólogos e administradores reunidos pelo Programa de Administração Hospitalar e Sistemas de Saúde - PROAHSA que é desenvolvido em conjunto por duas instituições: o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas.

A coletânea consta de: a) um prefácio de Fernando G. Carmona, onde são colocados os já por demais sabidos problemas organizacionais e institucionais do setor saúde: ausência de coordenação, dificuldades no estabelecimento de diretrizes nacionais; exagerada centralização a nível federal; diminuição da potencialidade e criatividade dos órgãos nos outros dois níveis de governo etc.; b) Parte 1: Aspectos Gerais com os artigos "Saúde e Desenvolvimento", de Ana Maria Malik, "Caracterização Demográfica e Social da Realidade Brasileira", de João Yunes e Ednéia Primo e "Situação Sanitária do Brasil", por Ruy Laurenti; c) Parte 2: Diagnóstico de Situação com "Situação Assistencial Brasileira", de Cid Guimarães e "Avaliação crítica do Sistema Assistencial Brasileiro", de Ernesto Lima Gonçalves (que é também o organizador da coletânea); d) Parte 3: "Aspectos institucionais e organizacionais", com "Previdência Social no Brasil", de Luiz Fernando Nicz, e e) em Anexo: o Plano de reorientação da assistência à saúde no âmbito da previdência social do CONASP.

Os artigos estão bem redigidos e amplamente documentados e contêm, com maiores detalhes:

a) em "Saúde e Desenvolvimento", a análise do nível de saúde, nível de vida e assistência à saúde, desenvolvimento e saúde e alguns indicadores, exemplos da informação disponível no Brasil e conclusões como se imagina que Ana Maria Malik o faria, com a capacidade que tem;

b) em "Caracterização Demográfica e Social da Realidade Brasileira", características fisiográficas do território, de formação e evolução da população, taxa de crescimento e densidade demográfica, esperança de vida, mortalidade infantil e fecundidade, cor, instrução, população economicamente ativa, mobilidade populacional e comportamento demográfico das regiões metropolitanas;

c) em "Situação Sanitária do Brasil", crescimento e distribuição urbano-rural e freqüência de doenças na população brasileira (enfocando grandes endemias, morbidade referente à demanda em serviços de saúde, doenças de notificação obrigatória com destaque para as da primeira infância, doenças profissionais e acidentes de trabalho), algumas características da mortalidade e indicador da qualidade material de vida (IQMV);

d) em "Situação Assistencial Brasileira", evolução histórica, assistência hospitalar, unidades sanitárias, unidades integradas e assistência médica previdenciária;

e) em "Avaliação Crítica do Sistema Assistencial Brasileiro", avaliação de situação (suficiência, distribuição, coordenação do sistema e adequação do sistema assistencial), a eficácia e a eficiência do sistema e conclusão em 14 propostas bem objetivas;

f) em "Aspectos Institucionais e Organizacionais", a evolução histórica da assistência médica da Previdência Social brasileira; a Previdência Social e a determinação de suas políticas de saúde, características atuais dos serviços médicos da Previdência Social, perspectivas da assistência médica previdenciária (incluindo o problema atual, direcionamento das soluções possíveis, as novas diretrizes do INAMPS e o futuro da assistência médica previdenciária). Nesta última parte é forçoso observar que como o autor analisa exclusivamente o INAMPS, o nome dado ao capítulo não reflete seu sentido; deveria chamar-se algo como grupos de pressão ou políticas ou instrumentação de uma instituição e refletir, no título, a sua abrangência específica: o INAMPS, tão somente.

Confesso que, ao fazer o presente resumo, achava-me influenciada por dois aspectos. O primeiro e que acabou sendo amplamente endossado por mim, pela leitura anterior de outro resumo do mesmo livro por Geraldo Giovanni, sociólogo da UNICAMP (Medicina, Cultura e Ciência - Rev. da Associação Médica Brasileira, 1, julho/Agosto/Setembro-1983 – São Paulo) que, entre outras considerações sobre a boa qualidade dos artigos e o equilíbrio mantido pelos seus autores considera "a parcimônia e a timidez de uma boa parte das conclusões. . ." . . .Já foi dito alhures que os acadêmicos são demasiadamente bem educados para tratarem casos de polícia. . .". O segundo aspecto: é que já conhecidas a linha de pensamento e a prática de administração de Ernesto Lima Gonçalves, com quem tive a honra de trabalhar algumas vezes, esperava justamente que o livro trouxesse, além dos elementos, mais estratégias para, finalmente, poder intervir na Administração de Saúde no Brasil. O livro é ótimo, abrangente, sério, mas deveria chamar-se, mais fielmente, "Fundamentos ou condicionantes para administração de . . .". Mais próximo do título está, mais, o artigo de Ernesto Lima Gonçalves, onde encontramos o núcleo de uma proposta de administração.

O índice precisaria ser completado, ou revisto, pois está em desacordo com o conteúdo, havendo omissão de títulos ou incorreções na citação de páginas. (No índice: 2 - Diagnóstico de situação pág. 103; no texto: Situação assistencial e sua avaliação crítica, pág. 99). Há, também, entre os capítulos, a inserção de uma espécie de introdução aos mesmos (por exemplo, nas páginas 99 a 101 - Situação assistencial e sua avaliação crítica), cuja autoria não fica clara.

Com essas ressalvas, mais de forma e de título, considero a coletânea de interesse para técnicos de áreas específicas e para o administrador da macro organização do setor público de saúde; para que este último possa, com os dados oferecidos, fazer a intervenção necessária e eficaz na administração de saúde.

 


 

 

Jorge da Rocha Gomes

Departamento de Saúde Ambiental – FSP/USP

 

 

Guidelines on studies in environmental epidemiology. Geneva, World Health Organization, 1983. 351 p. (Environmental health criteria, 27).

Este é o 27° volume da série "Environmental Health Criteria" sendo publicado em conjunto pela Organização Mundial da Saúde, Organização Internacional do Trabalho e Programa Ambiental das Nações Unidas. Discute estudos epidemiológicos de uma forma geral ao contrário das demais publicações da série que se preocupam com agentes agressores ambientais específicos como mercúrio, chumbo, arsênico, radiação ultravioleta, etc.

Em doenças infecciosas os estudos epidemiológicos já estão bem estabelecidos e têm-se mostrado muito úteis. O mesmo não acontece com as doenças causadas por agentes não biológicos presentes no ambiente. Pelos vários fatores intervenientes e suas interações torna-se muito mais complexo chegar a conclusões inequívocas da relação entre a exposição e seus efeitos sobre a saúde. Por isto, os estudos epidemiológicos realizados com estes propósitos muitas vezes apresentam falhas metodológicas que invalidam as conclusões.

Preocupada com este assunto, a OMS realizou vários encontros para discutir uma publicação que estabelecesse as diretrizes para pesquisas epidemiológicas ambientais. Tal objetivo foi alcançado com a edição deste volume em 1983, resultante da elaboração de 102 consultores de 26 países-membros da OMS. O Presidente do Grupo Editorial foi o professor J. Kostrzewski, do Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Higiene de Varsóvia.

A monografia é bastante abrangente, abordando, exaustivamente, os vários aspectos das pesquisas epidemiológicas ambientais: planejamento; avaliação da exposição; medida e interpretação dos efeitos sobre a saúde; organização e acompanhamento do estudo; análise e interpretação dos dados; tipos de relatórios e usos das informações epidemiológicas.

São apresentados inúmeros exemplos de pesquisas que esclarecem e ilustram bastante o texto. Extensa lista de referências bibliográficas atualizadas pode ser consultada após cada capítulo.

As diretrizes estabelecidas torna a leitura da monografia extremamente útil, imprescindível mesmo, para os que pretendem realizar pesquisas neste campo como epidemiologistas, médicos, estatísticos, engenheiros, químicos, farmacêuticos-bioquímicos, toxicologistas, enfermeiros, sociólogos, cientistas sociais, além de outros. Embora seja dirigido mais ao ambiente não ocupacional, muitos exemplos são de saúde ocupacional e muitas das diretrizes também são aplicáveis a saúde do trabalhador. Por isto também é de grande utilidade para os profissionais desta área.

 


 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Planejamento e administração de saúde; por Aldo da Fonseca Tinôco e Juarez de Queiroz Campos. Brasília, Centro Gráfico do Senado Federal, 1984.226 p.

O livro consta de apresentação, introdução e 3 partes: alguns aspectos sócio-econômicos da saúde (10 páginas), planejamento de saúde (110 páginas) e a administração hospitalar no contexto da saúde (55 páginas).

A introdução é centrada na Lei 6229/75, considerada como produto do "amadurecimento das autoridades públicas quanto à real abrangência da intrincada e complexa política de saúde comunitária" e na legislação dela decorrente. Assim, inclui didaticamente o que seria, legalmente, a organização dos serviços de Saúde. É incluído, também, um comentário sobre o Plano de Reorientação da Assistência à Saúde no Âmbito da Previdência Social do CONASP.

No título I - "Alguns aspectos sócio-econômicos da saúde" são abordadas a evolução histórica e os tópicos Saúde e Desenvolvimento Brasileiro e Distribuição da Renda Nacional.

O título II - "Planejamento de Saúde", o mais extenso, reúne os trabalhos e a experiência docente do Prof. Aldo da Fonseca Tinoco, nos seguintes tópicos: aspectos da assistência médica no Brasil, o tradicional e o moderno no planejamento de saúde, problemas que dificultam a implementação do planejamento de saúde, técnicas de uso mais corrente no planejamento de saúde, diagnóstico da situação de saúde de uma área programática local com esquemas conceitual e operacional do planejamento, indicadores do nível de saúde, prioridades e avaliação. O capítulo é todo um curso de planejamento de saúde, com uma grande utilidade didática e atualidade de conceitos.

O título III - "A Administração Hospitalar no Contexto da Saúde" é de leitura agradável e original ao tratar de assuntos muito sérios. Engloba "O jogo do gato e do rato", colocando como similar a luta Hospital x Previdência, "Os preços políticos dos medicamentos e o papel da CEME", "O sistema de controle de contas e a aferição da qualidade da assistência médico-hospitalar", "Planos integrados e a profissionalização na área da saúde", "Análise crítica do Plano CONASP", "E o Paciente?" e "Exercícios futurológicos". O trabalho não trata dos temas usuais de administração hospitalar e sim de aspectos mais políticos daquela frente à sua colocação num Sistema de saúde.

O livro é importante pela sua utilidade didática e atualidade, para estudantes, técnicos governamentais e docentes das áreas de planejamento e administração e políticas públicas no setor saúde.

Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revsp@org.usp.br