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Pirataria: o barato pode sair caro

 

Piracy: what you pay is what you get

 

 

Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa

 

 

Combater a venda de produtos falsificados não é uma tarefa simples. Com o aumento dos empregos informais, cresceu também a pirataria – como são popularmente conhecidas a fabricação e a comercialização de cópias de artigos originais. Mais interessada na compra de produtos baratos do que em qualidade, a população investe em CDs, DVDs, tênis e bonés, estimulando, assim, uma prática irregular.

Um problema que tem deixado as autoridades em alerta é o número crescente de fabricantes ilegais atuando no mercado da saúde. Materiais de limpeza produzidos clandestinamente estão sendo comercializados, na sua maioria, em embalagens de refrigerantes reaproveitadas. E não tem qualquer avaliação de que são seguros e produzem bons resultados. Os saneantes são importantes porque acabam com as sujeiras, germes e bactérias, prevenindo o aparecimento de doenças causadas pela falta de higiene dos ambientes. Mas é imprescindível que tenham sua qualidade reconhecida pelos órgãos competentes.

Consumir materiais de limpeza fabricados fora dos padrões sanitários pode representar graves riscos à saúde. Para evitar o consumo e a proliferação desse tipo de produto ilegal, a Anvisa vem realizando ações educativas com as Vigilâncias Sanitárias locais. No dia 1° de setembro, em parceria com a Vigilância Sanitária do Estado do Rio de Janeiro, a Agência lançou a cartilha de orientação para os consumidores de saneantes. Foram entregues, na cidade do Rio de Janeiro, 30 mil exemplares com informações sobre os riscos e os perigos que podem ameaçar a saúde das pessoas dentro de suas casas. Também foram desenvolvidas atividades educativas em São Paulo, Recife e Natal.

Quando ingeridos, os saneantes ilegais causam sérios danos à saúde, podendo levar à morte. "Os principais sintomas de intoxicação são queimaduras, problemas respiratórios e irritações", alerta o engenheiro agrônomo e técnico da Gerência de Saneantes da Anvisa, Andersem Santos de Morais. "Os saneantes ilegais apresentam os preços mais baixos porque normalmente não fazem o que prometem", diz. Em sua maioria, são produtos que possuem cor e cheiro agradável. São vendidos por ambulantes em caminhões, peruas, de porta em porta. Costumam ser oferecidos também em lojas que revendem produtos e artigos para limpeza.

Mas o risco não é só para quem utiliza o material. As pessoas que manipulam as substâncias também correm riscos ao misturar os ingredientes do saneante clandestino. "Esse trabalho deve ser desenvolvido por um químico ou técnico especializado. Produtos químicos são corrosivos e liberam substâncias tóxicas. A pessoa que está lidando com as misturas necessita de proteção especial", afirma Andersem.

Portanto, usar um produto saneante pirateado, sem qualquer garantia de qualidade e segurança, representa uma grave ameaça à saúde. Para prevenir doenças e garantir a qualidade e eficácia na limpeza dos ambientes, a população deve sempre utilizar um material registrado pela Anvisa. "Para ser vendido no comércio, a Agência exige que as empresas desenvolvam produtos seguros, de acordo com as normas técnicas e legais, e que todo o processo seja acompanhado de um rigoroso controle de qualidade", esclarece Andersem.

Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil
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