Utilização de medicamentos pela população quilombola: inquérito no Sudoeste da Bahia

Utilización de medicamentos por la población quilombola: pesquisa en el Suroeste de Bahia, Brasil

Danielle Souto de Medeiros Cristiano Soares de Moura Mark Drew Crosland Guimarães Francisco de Assis Acurcio Sobre os autores

Resumos

OBJETIVO

Analisar o uso de medicamentos pela população quilombola.

MÉTODOS

Estudo transversal de base populacional com 797 quilombolas adultos de Vitória da Conquista, BA, em 2011. Utilizou-se análise de variância para comparar as médias de medicamentos por indivíduo segundo variáveis demográficas, socioeconômicas e de comportamentos relacionados à saúde. Foram estimadas as prevalências, razões de prevalência e os respectivos intervalos de confiança de 95%. Análise múltipla foi conduzida por meio de regressão de Poisson com variância robusta.

RESULTADOS

Os medicamentos mais consumidos pela população foram aqueles que atuam nos sistemas cardiovascular e nervoso. A prevalência de uso de medicamentos foi de 41,9%, significativamente maior nas mulheres (50,3%) do que nos homens (31,9%). Após análise ajustada, o uso de fármacos foi associado a sexo feminino, idade de 60 anos e mais, nível econômico mais alto, pior avaliação da saúde, maior número de morbidades autorreferidas e de consultas médicas.

CONCLUSÕES

Mulheres e idosos deverão ser os grupos de preferência para o desenvolvimento de estratégias específicas que garantam o uso racional dos medicamentos. É necessária a promoção de prescrição racional no cotidiano dos serviços de saúde.

Grupo com Ancestrais do Continente Africano; Uso de Medicamentos; Fatores Socioeconômicos; Grupos de Risco; Vulnerabilidade em Saúde; Origem Étnica e Saúde; Estudos Transversais


OBJETIVO

Analizar el uso de medicamentos por la población quilombola.

MÉTODOS

Estudio transversal de base poblacional con 797 quilombolas adultas de Vitória da Conquista, Bahia, Brasil, en 2011. Se utilizó análisis de varianza para comparar los promedios de medicamentos por individuo según variables demográficas, socioeconómicas y de conductuales relacionados con la salud. Se estimaron las prevalencias, tasas de prevalencia y los respectivos intervalos de 95% de confianza. El análisis múltiple fue realizado por medio de regresión de Poisson con varianza robusta.

RESULTADOS

Los medicamentos más consumidos por la población fueron aquellos que actúan en los sistemas cardiovascular y nervioso. La prevalencia de uso de medicamentos fue de 41,9%, significativamente mayor en las mujeres (50,3%) que en los hombres (31,9%). Posterior al análisis ajustado, el uso de fármacos estuvo asociado al sexo femenino, edad de 60 años y más, nivel económico más alto, peor evaluación de la salud, mayor número de morbilidades auto-referidas y de consultas médicas.

CONCLUSIONES

Mujeres y ancianos deben ser los grupos de preferencia para el desarrollo de estrategias específicas que garanticen el uso racional de los medicamentos. Es necesaria la promoción de prescripción racional en el cotidiano de los servicios de salud.

Grupo de Ascendência Continental Africana; Utilización de Medicamentos; Factores Socioeconómicos; Grupos Vulnerables; Vulnerabilidad en Salud; Origen Étnico y Salud; Estudios Transversales


INTRODUÇÃO

Medicamentos são importantes instrumentos terapêuticos utilizados no processo saúde/doença. Estão entre as intervenções mais utilizadas e de grande valor no tratamento de doenças, aumentam a sobrevida e melhoram a qualidade de vida. 6. Dal Pizzol Tda S, Pons Eda S, Hugo FN, Bozzetti MC, Sousa MLR, Hilgert JB. Uso de medicamentos entre idosos residentes em areas urbanas e rurais de municipio no Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Cad Saude Publica. 2012;28(1):104-14. DOI:10.1590/S0102-311X2012000100011
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Seu uso é influenciado pela estrutura demográfica, fatores socioeconômicos, comportamentais e culturais. 2. Bertoldi AD, Barros AJD, Hallal PC, Lima RC. Utilização de medicamentos em adultos: prevalência e determinantes individuais. Rev Saude Publica. 2004; 38(2):228-38. DOI:10.1590/S0034-89102004000200012
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. Carvalho MF, Pascom ARP, Souza-Júnior PRB, Damacena GN, Szwarcwald CL. Utilization of medicines by the Brazilian population, 2003. Cad Saude Publica. 2005;21 Suppl 1:100-8. DOI:10.1590/S0102-311X2005000700011
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. Coelho Filho JM, Marcopito LF, Castelo A. Perfil de utilização de medicamentos por idosos em área urbana do Nordeste do Brasil. Rev Saude Publica. 2004;38(4):557-64. DOI:10.1590/S0034-89102004000400012
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. Costa KS, Barros MBA, Francisco PMBS, César CLG, Goldbaum M, Carandina L. Utilização de medicamentos e fatores associados: um estudo de base populacional no Município de Campinas, São Paulo, Brasil. Cad Saude Publica. 2011;27(4):649-58. DOI:10.1590/S0102-311X2011000400004
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- 6. Dal Pizzol Tda S, Pons Eda S, Hugo FN, Bozzetti MC, Sousa MLR, Hilgert JB. Uso de medicamentos entre idosos residentes em areas urbanas e rurais de municipio no Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Cad Saude Publica. 2012;28(1):104-14. DOI:10.1590/S0102-311X2012000100011
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, 1010 . Loyola Filho AI, Uchôa E, Firmo JOA, Lima-Costa MFF. Estudo de base populacional sobre o consumo de medicamentos entre idosos: Projeto Bambuí. Cad Saude Publica. 2005;21(2):545-53. DOI:10.1590/S0102-311X2005000200021
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11 . Ribeiro AQ, Rozenfeld S, Klein CH, César CC, Acurcio FA. Inquérito sobre uso de medicamentos por idosos aposentados, Belo Horizonte, MG. Rev Saude Publica. 2008;42(4):724-32. DOI:10.1590/S0034-89102008005000031
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- 1212 . Rozenfeld S, Fonseca MJM, Acurcio FA. Drug utilization and polypharmacy among the elderly: a survey in Rio de Janeiro City, Brazil. Rev Panam Salud Publica. 2008;23(1):34-43. DOI:10.1590/S1020-49892008000100005
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A utilização de medicamentos prescritos ou não é maior entre mulheres e idosos, o que os tornam mais suscetíveis a interações medicamentosas e ao uso inadequado. 3. Carvalho MF, Pascom ARP, Souza-Júnior PRB, Damacena GN, Szwarcwald CL. Utilization of medicines by the Brazilian population, 2003. Cad Saude Publica. 2005;21 Suppl 1:100-8. DOI:10.1590/S0102-311X2005000700011
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, 1010 . Loyola Filho AI, Uchôa E, Firmo JOA, Lima-Costa MFF. Estudo de base populacional sobre o consumo de medicamentos entre idosos: Projeto Bambuí. Cad Saude Publica. 2005;21(2):545-53. DOI:10.1590/S0102-311X2005000200021
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11 . Ribeiro AQ, Rozenfeld S, Klein CH, César CC, Acurcio FA. Inquérito sobre uso de medicamentos por idosos aposentados, Belo Horizonte, MG. Rev Saude Publica. 2008;42(4):724-32. DOI:10.1590/S0034-89102008005000031
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- 1212 . Rozenfeld S, Fonseca MJM, Acurcio FA. Drug utilization and polypharmacy among the elderly: a survey in Rio de Janeiro City, Brazil. Rev Panam Salud Publica. 2008;23(1):34-43. DOI:10.1590/S1020-49892008000100005
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Grande parte dos estudos sobre o tema foi desenvolvida no Sul e Sudeste do Brasil, 5. Costa KS, Barros MBA, Francisco PMBS, César CLG, Goldbaum M, Carandina L. Utilização de medicamentos e fatores associados: um estudo de base populacional no Município de Campinas, São Paulo, Brasil. Cad Saude Publica. 2011;27(4):649-58. DOI:10.1590/S0102-311X2011000400004
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. Dal Pizzol Tda S, Pons Eda S, Hugo FN, Bozzetti MC, Sousa MLR, Hilgert JB. Uso de medicamentos entre idosos residentes em areas urbanas e rurais de municipio no Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Cad Saude Publica. 2012;28(1):104-14. DOI:10.1590/S0102-311X2012000100011
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. Fleith VD, Figueiredo MA, Figueiredo KFLRO, Moura EC. Perfil de utilização de medicamentos em usuários da rede básica de saúde de Lorena, SP. Cienc Saude Coletiva. 2008;13(Suppl):755-62. DOI:10.1590/S1413-81232008000700026
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- 8. Flores VB, Benvegnú LA. Perfil de utilização de medicamentos em idosos da zona urbana de Santa Rosa, Rio Grande do Sul, Brasil. Cad Saude Publica. 2008; 24(6):1439-46. DOI:10.1590/S0102-311X2008000600024
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, 1010 . Loyola Filho AI, Uchôa E, Firmo JOA, Lima-Costa MFF. Estudo de base populacional sobre o consumo de medicamentos entre idosos: Projeto Bambuí. Cad Saude Publica. 2005;21(2):545-53. DOI:10.1590/S0102-311X2005000200021
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11 . Ribeiro AQ, Rozenfeld S, Klein CH, César CC, Acurcio FA. Inquérito sobre uso de medicamentos por idosos aposentados, Belo Horizonte, MG. Rev Saude Publica. 2008;42(4):724-32. DOI:10.1590/S0034-89102008005000031
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- 1212 . Rozenfeld S, Fonseca MJM, Acurcio FA. Drug utilization and polypharmacy among the elderly: a survey in Rio de Janeiro City, Brazil. Rev Panam Salud Publica. 2008;23(1):34-43. DOI:10.1590/S1020-49892008000100005
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na zona urbana 1. Arrais PSD, Brito LL, Barreto ML, Coelho HLL. Prevalência e fatores determinantes do consumo de medicamentos no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad Saude Publica. 2005;2(6):1737-46. DOI:10.1590/S0102-311X2005000600021
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, 2. Bertoldi AD, Barros AJD, Hallal PC, Lima RC. Utilização de medicamentos em adultos: prevalência e determinantes individuais. Rev Saude Publica. 2004; 38(2):228-38. DOI:10.1590/S0034-89102004000200012
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, 4. Coelho Filho JM, Marcopito LF, Castelo A. Perfil de utilização de medicamentos por idosos em área urbana do Nordeste do Brasil. Rev Saude Publica. 2004;38(4):557-64. DOI:10.1590/S0034-89102004000400012
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, 5. Costa KS, Barros MBA, Francisco PMBS, César CLG, Goldbaum M, Carandina L. Utilização de medicamentos e fatores associados: um estudo de base populacional no Município de Campinas, São Paulo, Brasil. Cad Saude Publica. 2011;27(4):649-58. DOI:10.1590/S0102-311X2011000400004
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, 7. Fleith VD, Figueiredo MA, Figueiredo KFLRO, Moura EC. Perfil de utilização de medicamentos em usuários da rede básica de saúde de Lorena, SP. Cienc Saude Coletiva. 2008;13(Suppl):755-62. DOI:10.1590/S1413-81232008000700026
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, 8. Flores VB, Benvegnú LA. Perfil de utilização de medicamentos em idosos da zona urbana de Santa Rosa, Rio Grande do Sul, Brasil. Cad Saude Publica. 2008; 24(6):1439-46. DOI:10.1590/S0102-311X2008000600024
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e restrita a uma faixa etária específica. 4. Coelho Filho JM, Marcopito LF, Castelo A. Perfil de utilização de medicamentos por idosos em área urbana do Nordeste do Brasil. Rev Saude Publica. 2004;38(4):557-64. DOI:10.1590/S0034-89102004000400012
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, 6. Dal Pizzol Tda S, Pons Eda S, Hugo FN, Bozzetti MC, Sousa MLR, Hilgert JB. Uso de medicamentos entre idosos residentes em areas urbanas e rurais de municipio no Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Cad Saude Publica. 2012;28(1):104-14. DOI:10.1590/S0102-311X2012000100011
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, 8. Flores VB, Benvegnú LA. Perfil de utilização de medicamentos em idosos da zona urbana de Santa Rosa, Rio Grande do Sul, Brasil. Cad Saude Publica. 2008; 24(6):1439-46. DOI:10.1590/S0102-311X2008000600024
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, 1010 . Loyola Filho AI, Uchôa E, Firmo JOA, Lima-Costa MFF. Estudo de base populacional sobre o consumo de medicamentos entre idosos: Projeto Bambuí. Cad Saude Publica. 2005;21(2):545-53. DOI:10.1590/S0102-311X2005000200021
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11 . Ribeiro AQ, Rozenfeld S, Klein CH, César CC, Acurcio FA. Inquérito sobre uso de medicamentos por idosos aposentados, Belo Horizonte, MG. Rev Saude Publica. 2008;42(4):724-32. DOI:10.1590/S0034-89102008005000031
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- 1212 . Rozenfeld S, Fonseca MJM, Acurcio FA. Drug utilization and polypharmacy among the elderly: a survey in Rio de Janeiro City, Brazil. Rev Panam Salud Publica. 2008;23(1):34-43. DOI:10.1590/S1020-49892008000100005
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A literatura disponível carece de estudos epidemiológicos que caracterizem a situação e utilização de medicamentos em populações específicas, rurais e de outras regiões do Brasil, particularmente no Nordeste. Há diferença nos padrões de uso de medicamentos que se modificam no decorrer do tempo em função das mudanças do perfil de doenças e das políticas de saúde. São necessárias investigações locais e periódicas que permitam identificar, monitorar e produzir informações sobre uso de medicamento em populações específicas.

A obtenção de informações sobre a utilização de medicamentos em população quilombola é importante para a identificação de problemas existentes nesse âmbito e de fatores associados ao uso. Essa população apresenta um contexto caracterizado pela exclusão, pela negação do direito natural de pertencimento e, por se localizarem principalmente em áreas rurais, pela dificuldade geográfica. 9. Guerrero AFH, Oliveira SD, Toledo LM, Guerrero JCH, Teixeira P. Mortalidade Infantil em Remanescentes de Quilombos do Munícipio de Santarém - Pará, Brasil. Saude Soc . 2007;16(2):103-10. DOI:10.1590/S0104-12902007000200010
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, 1515 . Silva JAN. Condições Sanitárias e de Saúde em Caiana dos Crioulos, uma Comunidade Quilombola do Estado da Paraíba. Saude Soc. 2007;16(2):111-24. DOI:10.1590/S0104-12902007000200011
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Esse contexto determina condições especiais de vulnerabilidade e de iniquidade em saúde e subsidia o desenvolvimento e a implementação de políticas afirmativas específicas para comunidades negras e quilombolas. a a Ministério da Saúde. Portaria no992/GM, de 13 de maio de 2009. Institui a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Diario Oficial Uniao . 14 mai 2009 [citado 2012 fev 25]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2009/prt0992_13_05_2009.html , b b Brasil. Lei ordinária no12.288, de 20 de julho de 2010. Institui o Estatuto da Igualdade Racial; altera as Leis no7.716, de 5 de janeiro de 1989, 9.029, de 13 de abril de 1995, 7.347, de 24 de julho de 1985, e 10.778, de 24 de novembro de 2003. Diario Oficial Uniao . 21 jul 2010 [citado 2012 Fev 25]:1. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12288.htm , c c Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Programa Brasil Quilombola. Brasília (DF): Abaré; 2004 [citado 2010 maio 12]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/brasilquilombola_2004.pdf

O presente estudo teve por objetivo descrever o uso de medicamentos pela população de comunidades quilombolas.

MÉTODOS

Estudo transversal de base populacional utilizando os dados do Projeto COMQUISTA (Comunidades Quilombolas de Vitória da Conquista: Avaliação de Condicionantes de Saúde), em Vitória da Conquista, BA, em 2011. d d Bezerra VM, Medeiros DS, Gomes KO, Souzas R, Giatti L, Guimarães MDC et al. Inquérito de Saúde em Comunidades Quilombolas de Vitória da Conquista/BA (Projeto COMQUISTA): aspectos metodológicos e análise descritiva. Cienc Saude Coletiva [internet]. 2013 ago [citado 2013 ago 2]. Disponível em: http://www.cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/artigo_int.php?id_artigo=12327

Os 797 participantes do estudo foram selecionados por amostragem probabilística em dois estágios: i) partilha proporcional entre os cinco distritos que continham comunidades quilombolas, de acordo com a população e seleção de cada comunidade, e de sua escolha, por meio de seleção aleatória simples; ii) seleção aleatória dos domicílios de acordo com sua distribuição proporcional por distrito. Os residentes do domicílio selecionado com 18 anos ou mais foram convidados a participar da pesquisa.

No cálculo do tamanho da amostra foi considerada a estimativa de prevalência de 50%, dada a heterogeneidade dos eventos mensurados, precisão de 5%, intervalo de confiança de 95% (IC95%) e efeito de desenho de 2. Foram acrescidos 30% ao número obtido, para perdas, o que resultou numa amostra de 884 indivíduos. Detalhes do procedimento de amostragem do inquérito encontram-se publicados. d d Bezerra VM, Medeiros DS, Gomes KO, Souzas R, Giatti L, Guimarães MDC et al. Inquérito de Saúde em Comunidades Quilombolas de Vitória da Conquista/BA (Projeto COMQUISTA): aspectos metodológicos e análise descritiva. Cienc Saude Coletiva [internet]. 2013 ago [citado 2013 ago 2]. Disponível em: http://www.cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/artigo_int.php?id_artigo=12327 Foi encontrada uma proporção de perdas (15,5%) inferior à prevista no início do estudo, mas significativamente maior no gênero masculino e em indivíduos mais jovens (18 a 34 anos). Os principais motivos para as perdas foram ausência no domicílio e recusas.

As informações foram obtidas por meio de questionários semiestruturados, adaptados a partir da Pesquisa Nacional de Saúde. e e Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). Inquérito Região Integrada do Distrito Federal (RIDE/DF). Brasília (DF); 2011 [citado 2011 abr 2]. Disponível em: http://www.pns.icict.fiocruz.br/index.php?pag=proposicao Estudo piloto foi realizado para verificar a dinâmica de recrutamento, testar os instrumentos de coleta de dados e confirmar a viabilidade da investigação. As entrevistas foram individuais e domiciliares e aplicadas por meio de computadores portáteis de setembro a outubro de 2011 (HP Pocket Rx5710).

A variável dependente foi uso de medicamentos, obtida a partir da pergunta: “Nos últimos 15 dias o (a) senhor(a) usou medicamentos?”, comprovada por meio de apresentação da embalagem ou prescrição. Para os que responderam sim, foram registrados nome, forma farmacêutica e dose de cada especialidade farmacêutica, e se prescrita ou não por profissional de saúde (médico, dentista ou enfermeiro). As especialidades foram classificadas de acordo com o Anatomical Therapeutic Chemical Classification System (ATC), f f World Health Organization. Anatomical therapeutic chemical (ATC) classification index with defined daily doses (DDD’s) 2000. Oslo; 2000 [citado 2012 Fev 15]. Disponível em: http://www.whocc.no/atc_ddd_index/ níveis 1 (anatômico) e 2 (terapêutico). Os medicamentos foram classificados pela presença ou não na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME) g f World Health Organization. Anatomical therapeutic chemical (ATC) classification index with defined daily doses (DDD’s) 2000. Oslo; 2000 [citado 2012 Fev 15]. Disponível em: http://www.whocc.no/atc_ddd_index/ vigente no período. As unidades de análise foram o indivíduo e os medicamentos. O número médio de medicamentos por entrevistado foi usado como indicador de intensidade de uso. Cada especialidade foi desdobrada em seus princípios ativos com auxílio do Dicionário de Especialidades Farmacêuticas h g Secretaria Municipal de Saúde de Vitória da Conquista. Comissão de Farmácia e Terapêutica. Relação Municipal de Medicamentos Essenciais: REMUME 2010. Vitória da Conquista; 2010. para o cálculo do número médio de princípios ativos por entrevistado.

As variáveis independentes foram idade, estado conjugal, escolaridade, situação de trabalho, nível econômico (classificação econômica definida pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa), i h Dicionário de Especialidades Farmacêuticas: DEF 2011/12. 40 ed. Rio de Janeiro: EPUC; 2011. autopercepção do estado de saúde, número de morbidades autorreferidas, frequência de visitas domiciliares de agente comunitário ou profissional de saúde e número de consultas médicas nos últimos 12 meses. O número de morbidades foi definido a partir do somatório das morbidades autorreferidas pelo entrevistado e relacionadas no questionário (hipertensão, diabetes, hipercolesterolemia, doença cardíaca, acidente vascular cerebral, asma ou bronquite asmática, artrite, problema crônico na coluna, tuberculose, depressão, outra doença mental, doença pulmonar e osteoporose). Presença de hipertensão ou diabetes apenas na gravidez não foram consideradas.

As diferenças entre as médias de princípios ativos por entrevistado foram comparadas por análise de variância. A prevalência de uso de medicamentos foi calculada a partir do número de participantes que responderam ter utilizado pelo menos um medicamento nos 15 dias anteriores à entrevista, dividido pelo total de entrevistados. A Razão de Prevalência (RP) foi usada como estimativa de associação entre o uso de medicamentos e as variáveis explicativas de interesse. Essa medida e seu IC95% foram estimados por regressão de Poisson com variância robusta. Regressão de Poisson múltipla com variância robusta foi utilizada para obter estimativas das razões de prevalência para o uso de medicamento, ajustadas por potenciais fatores de confusão. Foram incluídas no modelo inicial as variáveis que apresentaram associação com uso de medicamentos em nível de significância < 20% na análise univariada. Utilizou-se nível de significância de 5% para os testes e para a permanência das variáveis no modelo final. Os modelos foram comparados pelos critérios de Akaike (AIC) e de informação Bayesiana (BIC). A adequação do modelo foi avaliada pelo qui-quadrado. O programa R, versão 2.11.1, foi utilizado na análise dos dados.

A pesquisa foi aprovada pelos Comitês de Ética em Pesquisas da Faculdade São Francisco de Barreiras (CAAE 0118.0.066.000-10, de 29/10/2010) e da Universidade Federal de Minas Gerais (CAAE 0118.0.066.203-10, de 13/7/2011), em consonância com o disposto na Declaração de Helsinque e na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Os participantes foram previamente informados sobre os objetivos da pesquisa, procedimentos e sigilo dos dados pela leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, expressando sua concordância em participar do estudo.

RESULTADOS

Dos 797 indivíduos adultos que responderam ao inquérito, 54,3% eram mulheres; a maioria tinha entre 35 e 59 anos (41,5%). Mais da metade (61,4%) vivia com companheiro e 72,4% tinha até quatro anos completos de estudo ( Tabela 1 ). A maioria não estava trabalhando e 85,6% pertencia aos níveis econômicos D ou E. Houve predominância de autopercepção de saúde boa ou muito boa e 41,2% dos entrevistados relataram não apresentaram as morbidades pesquisadas. Em relação à utilização dos serviços de saúde, metade dos participantes não consultou médico e 50,3% dos participantes teve visita mensal de agente comunitário ou profissional de saúde. A frequência de uso de medicamentos foi de 41,9% (IC95% 38,5;45,4).

Tabela 1
. Características da população quilombola estudada. Projeto COMQUISTA, Vitória da Conquista, BA, 2011.

Os participantes utilizaram 714 medicamentos, correspondendo a 853 princípios ativos (média = 1,1 princípios ativos/indivíduo; desvio padrão = 1,7; amplitude = 0 a 15). A maioria dos medicamentos foi prescrita por médico, dentista ou enfermeiro (83,3%) e 70,0% deles constavam na REMUME.

As especialidades farmacêuticas mais utilizadas pertenciam aos sistemas cardiovascular, nervoso, aparelho digestivo e metabolismo e musculoesquelético ( Tabela 2 ), com médias de consumo superiores nesses grupos. Os diuréticos foram o subgrupo terapêutico mais consumido (média de 0,15/ indivíduo), seguidos pelos agentes com ação no sistema renina-angiotensina (0,13), analgésicos (0,08) e anti-inflamatórios e antirreumáticos (0,07). Fármacos utilizados para diabetes predominaram no aparelho digestivo e metabolismo.

Tabela 2
. Distribuição das especialidades farmacêuticas por grupos e subgrupos, segundo a classificação anatômica e terapêutica (níveis 1 e 2 da ATC),a e razão de número de medicamentos por indivíduo. Projeto COMQUISTA, Vitória da Conquista, BA, 2011.

A prevalência de utilização de medicamentos em mulheres foi significativamente superior à observada entre os homens (50,3% e 31,9%, respectivamente) ( Tabela 3 ). Uso de medicamentos associou-se positiva e significativamente ao sexo feminino, maior idade, melhor nível econômico (classes D, C e B2), pior estado de saúde autorreferido, maior número de doenças autorreferidas e maior número de consultas médicas nos 12 meses anteriores ( Tabela 3 ). Associação negativa e significativa foi observada com cinco anos completos de estudo ou mais e trabalho à época da entrevista.

Tabela 3
. Prevalência e razão de prevalência (RP) para uso de medicamentos, média e desvio padrão (DP) do número de princípios ativos, segundo variáveis avaliadas. Projeto COMQUISTA, Vitória da Conquista, BA, 2011. (N = 797)

A média de princípios ativos utilizados pelos entrevistados foi significativamente maior entre indivíduos do sexo feminino, com mais idade, menor escolaridade, que não trabalhavam, de melhor nível econômico, com pior avaliação de saúde, maior número de doenças relatadas e de consultas médicas ( Tabela 3 ).

Mostraram-se independentemente associados à maior frequência de utilização de medicamentos pela população quilombola: a) sexo feminino; b) idade de 60 anos ou mais; c) nível econômico mais elevado, com gradiente dose-resposta; d) avaliação ruim ou muito ruim do estado de saúde; e) maior número de morbidades autorreferidas, com gradiente dose-resposta; e f) maior número de consultas médicas, com gradiente dose-resposta ( Tabela 4 ). Os valores preditos pelos modelos mostraram-se adequados aos valores observados.

Tabela 4
. Razões de prevalências ajustadas para uso de medicamentos das variáveis incluídas no modelo final de regressão. Projeto COMQUISTA, Vitória da Conquista, BA, 2011.

DISCUSSÃO

A frequência de uso de medicamentos nessa população (41,9%) foi inferior à observada em estudos com adultos em Fortaleza, CE (49,7%), 1. Arrais PSD, Brito LL, Barreto ML, Coelho HLL. Prevalência e fatores determinantes do consumo de medicamentos no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad Saude Publica. 2005;2(6):1737-46. DOI:10.1590/S0102-311X2005000600021
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Lorena, SP (51,3%), 7. Fleith VD, Figueiredo MA, Figueiredo KFLRO, Moura EC. Perfil de utilização de medicamentos em usuários da rede básica de saúde de Lorena, SP. Cienc Saude Coletiva. 2008;13(Suppl):755-62. DOI:10.1590/S1413-81232008000700026
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Pelotas, RS (65,9%), 2. Bertoldi AD, Barros AJD, Hallal PC, Lima RC. Utilização de medicamentos em adultos: prevalência e determinantes individuais. Rev Saude Publica. 2004; 38(2):228-38. DOI:10.1590/S0034-89102004000200012
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e no Brasil (49,0%). 3. Carvalho MF, Pascom ARP, Souza-Júnior PRB, Damacena GN, Szwarcwald CL. Utilization of medicines by the Brazilian population, 2003. Cad Saude Publica. 2005;21 Suppl 1:100-8. DOI:10.1590/S0102-311X2005000700011
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Esse fato pode ser parcialmente explicado pelo menor acesso a medicamentos pelos quilombolas, uma vez que residem em áreas rurais, onde estão predominantemente restritos aos serviços públicos de saúde. Para indivíduos residentes em lugares mais distantes, desprovidos de transporte coletivo regular, deslocar-se do local de moradia para adquirir medicamentos pode ser difícil. 6. Dal Pizzol Tda S, Pons Eda S, Hugo FN, Bozzetti MC, Sousa MLR, Hilgert JB. Uso de medicamentos entre idosos residentes em areas urbanas e rurais de municipio no Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Cad Saude Publica. 2012;28(1):104-14. DOI:10.1590/S0102-311X2012000100011
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O percentual de medicamentos presentes na REMUME foi elevado, uma vez que é frequente maior prescrição de medicamentos disponíveis em farmácias da rede municipal de saúde em populações de baixa renda. Entre as menores prevalências de uso de medicamentos observadas em estudos brasileiros com idosos, encontram-se aquelas em municípios de pequeno porte localizados no interior (como Bambuí, MG, 69,1%), 1010 . Loyola Filho AI, Uchôa E, Firmo JOA, Lima-Costa MFF. Estudo de base populacional sobre o consumo de medicamentos entre idosos: Projeto Bambuí. Cad Saude Publica. 2005;21(2):545-53. DOI:10.1590/S0102-311X2005000200021
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em áreas de baixo nível socioeconômico (área periférica de Fortaleza, 60,7%) 4. Coelho Filho JM, Marcopito LF, Castelo A. Perfil de utilização de medicamentos por idosos em área urbana do Nordeste do Brasil. Rev Saude Publica. 2004;38(4):557-64. DOI:10.1590/S0034-89102004000400012
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e em zonas rurais (Carlos Barbosa, RS, 63,5%). 6. Dal Pizzol Tda S, Pons Eda S, Hugo FN, Bozzetti MC, Sousa MLR, Hilgert JB. Uso de medicamentos entre idosos residentes em areas urbanas e rurais de municipio no Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Cad Saude Publica. 2012;28(1):104-14. DOI:10.1590/S0102-311X2012000100011
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O uso de medicamentos nas comunidades quilombolas não parece diferir daquele observado em comunidades rurais e de baixa renda.

Houve maior prevalência de utilização de medicamentos entre as mulheres, em concordância com a literatura. 1. Arrais PSD, Brito LL, Barreto ML, Coelho HLL. Prevalência e fatores determinantes do consumo de medicamentos no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad Saude Publica. 2005;2(6):1737-46. DOI:10.1590/S0102-311X2005000600021
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, 2. Bertoldi AD, Barros AJD, Hallal PC, Lima RC. Utilização de medicamentos em adultos: prevalência e determinantes individuais. Rev Saude Publica. 2004; 38(2):228-38. DOI:10.1590/S0034-89102004000200012
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. Carvalho MF, Pascom ARP, Souza-Júnior PRB, Damacena GN, Szwarcwald CL. Utilization of medicines by the Brazilian population, 2003. Cad Saude Publica. 2005;21 Suppl 1:100-8. DOI:10.1590/S0102-311X2005000700011
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. Coelho Filho JM, Marcopito LF, Castelo A. Perfil de utilização de medicamentos por idosos em área urbana do Nordeste do Brasil. Rev Saude Publica. 2004;38(4):557-64. DOI:10.1590/S0034-89102004000400012
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. Costa KS, Barros MBA, Francisco PMBS, César CLG, Goldbaum M, Carandina L. Utilização de medicamentos e fatores associados: um estudo de base populacional no Município de Campinas, São Paulo, Brasil. Cad Saude Publica. 2011;27(4):649-58. DOI:10.1590/S0102-311X2011000400004
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- 6. Dal Pizzol Tda S, Pons Eda S, Hugo FN, Bozzetti MC, Sousa MLR, Hilgert JB. Uso de medicamentos entre idosos residentes em areas urbanas e rurais de municipio no Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Cad Saude Publica. 2012;28(1):104-14. DOI:10.1590/S0102-311X2012000100011
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, 1111 . Ribeiro AQ, Rozenfeld S, Klein CH, César CC, Acurcio FA. Inquérito sobre uso de medicamentos por idosos aposentados, Belo Horizonte, MG. Rev Saude Publica. 2008;42(4):724-32. DOI:10.1590/S0034-89102008005000031
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Sans et al 1313 . Sans S, Paluzie G, Puig T, Balañá L, Balaguer-Vintró I. Prevalencia del consumo de medicamentos en la población adulta de Cataluña . Gac Sanit . 2002;16(2):121-30. explicam que o consumo de medicamentos é superior entre as mulheres pela maior frequência em consultas médicas e consequentemente pela maior probabilidade de detecção e diagnóstico de problemas de saúde. Além disso, vários programas de saúde (pré-natal, prevenção de câncer de mama e de colo de útero) são voltados para mulheres, tornando-as mais propensas à medicalização. 2. Bertoldi AD, Barros AJD, Hallal PC, Lima RC. Utilização de medicamentos em adultos: prevalência e determinantes individuais. Rev Saude Publica. 2004; 38(2):228-38. DOI:10.1590/S0034-89102004000200012
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Neste estudo, o número de consultas médicas foi significativamente maior entre as mulheres.

Os grupos de medicamentos mais utilizados foram aqueles que atuam nos sistemas cardiovascular, nervoso, aparelho digestivo e metabolismo e musculoesquelético, em concordância com outros estudos nacionais de base populacional 5. Costa KS, Barros MBA, Francisco PMBS, César CLG, Goldbaum M, Carandina L. Utilização de medicamentos e fatores associados: um estudo de base populacional no Município de Campinas, São Paulo, Brasil. Cad Saude Publica. 2011;27(4):649-58. DOI:10.1590/S0102-311X2011000400004
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e em populações de idosos. 4. Coelho Filho JM, Marcopito LF, Castelo A. Perfil de utilização de medicamentos por idosos em área urbana do Nordeste do Brasil. Rev Saude Publica. 2004;38(4):557-64. DOI:10.1590/S0034-89102004000400012
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, 6. Dal Pizzol Tda S, Pons Eda S, Hugo FN, Bozzetti MC, Sousa MLR, Hilgert JB. Uso de medicamentos entre idosos residentes em areas urbanas e rurais de municipio no Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Cad Saude Publica. 2012;28(1):104-14. DOI:10.1590/S0102-311X2012000100011
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, 1010 . Loyola Filho AI, Uchôa E, Firmo JOA, Lima-Costa MFF. Estudo de base populacional sobre o consumo de medicamentos entre idosos: Projeto Bambuí. Cad Saude Publica. 2005;21(2):545-53. DOI:10.1590/S0102-311X2005000200021
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11 . Ribeiro AQ, Rozenfeld S, Klein CH, César CC, Acurcio FA. Inquérito sobre uso de medicamentos por idosos aposentados, Belo Horizonte, MG. Rev Saude Publica. 2008;42(4):724-32. DOI:10.1590/S0034-89102008005000031
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- 1212 . Rozenfeld S, Fonseca MJM, Acurcio FA. Drug utilization and polypharmacy among the elderly: a survey in Rio de Janeiro City, Brazil. Rev Panam Salud Publica. 2008;23(1):34-43. DOI:10.1590/S1020-49892008000100005
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Outros estudos nacionais com a população adulta 2. Bertoldi AD, Barros AJD, Hallal PC, Lima RC. Utilização de medicamentos em adultos: prevalência e determinantes individuais. Rev Saude Publica. 2004; 38(2):228-38. DOI:10.1590/S0034-89102004000200012
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, 3. Carvalho MF, Pascom ARP, Souza-Júnior PRB, Damacena GN, Szwarcwald CL. Utilization of medicines by the Brazilian population, 2003. Cad Saude Publica. 2005;21 Suppl 1:100-8. DOI:10.1590/S0102-311X2005000700011
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mostraram dados semelhantes, embora o sistema ATC não tenha sido utilizado para a classificação dos medicamentos, o que limita as comparações.

Uma pesquisa na Catalunha, 1313 . Sans S, Paluzie G, Puig T, Balañá L, Balaguer-Vintró I. Prevalencia del consumo de medicamentos en la población adulta de Cataluña . Gac Sanit . 2002;16(2):121-30. Espanha, mostrou os mesmos grupos terapêuticos encontrados em diferente ordem de classificação: predominaram os fármacos utilizados no sistema nervoso. Não existe padrão fixo de prescrição, que depende das características do sistema de saúde e da população avaliada. Contudo, Ribeiro et al 1111 . Ribeiro AQ, Rozenfeld S, Klein CH, César CC, Acurcio FA. Inquérito sobre uso de medicamentos por idosos aposentados, Belo Horizonte, MG. Rev Saude Publica. 2008;42(4):724-32. DOI:10.1590/S0034-89102008005000031
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afirmam ser possível que os prescritores assumam padrões de indicação em função da idade dos pacientes, de acordo com as pressões ideológicas e de mercado, o que poderia explicar as semelhanças observadas.

Houve grande consumo de analgésicos e anti-inflamatórios e antirreumáticos. Isso pode ser explicado pela maior tendência à automedicação, comum entre os usuários dessas classes terapêuticas, 1414 . Schmid B, Bernal R, Silva NN. Automedicação em adultos de baixa renda no município de São Paulo. Rev Saude Publica. 2010;44(6):1039-45. DOI:10.1590/S0034-89102010000600008
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em parte devido à venda livre e, muitas vezes, irregular. De fato, 65,6% dos analgésicos e 46,4% dos produtos anti-inflamatórios e antirreumáticos não haviam sido prescritos por profissional de saúde.

Observou-se utilização crescente de medicamentos dos mais jovens para os idosos, tendência consistente com a literatura 2. Bertoldi AD, Barros AJD, Hallal PC, Lima RC. Utilização de medicamentos em adultos: prevalência e determinantes individuais. Rev Saude Publica. 2004; 38(2):228-38. DOI:10.1590/S0034-89102004000200012
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, 3. Carvalho MF, Pascom ARP, Souza-Júnior PRB, Damacena GN, Szwarcwald CL. Utilization of medicines by the Brazilian population, 2003. Cad Saude Publica. 2005;21 Suppl 1:100-8. DOI:10.1590/S0102-311X2005000700011
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, 5. Costa KS, Barros MBA, Francisco PMBS, César CLG, Goldbaum M, Carandina L. Utilização de medicamentos e fatores associados: um estudo de base populacional no Município de Campinas, São Paulo, Brasil. Cad Saude Publica. 2011;27(4):649-58. DOI:10.1590/S0102-311X2011000400004
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, 7. Fleith VD, Figueiredo MA, Figueiredo KFLRO, Moura EC. Perfil de utilização de medicamentos em usuários da rede básica de saúde de Lorena, SP. Cienc Saude Coletiva. 2008;13(Suppl):755-62. DOI:10.1590/S1413-81232008000700026
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e que pode refletir a maior prevalência de morbidades com o avanço da idade. Esse efeito foi confirmado na análise ajustada, em que essa variável esteve independentemente associada à utilização de medicamentos.

A escolaridade influenciou negativamente a quantidade de medicamentos utilizados. Esse achado difere do encontrado em idosos em Belo Horizonte, MG, 1111 . Ribeiro AQ, Rozenfeld S, Klein CH, César CC, Acurcio FA. Inquérito sobre uso de medicamentos por idosos aposentados, Belo Horizonte, MG. Rev Saude Publica. 2008;42(4):724-32. DOI:10.1590/S0034-89102008005000031
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e Rio de Janeiro, RJ, 1212 . Rozenfeld S, Fonseca MJM, Acurcio FA. Drug utilization and polypharmacy among the elderly: a survey in Rio de Janeiro City, Brazil. Rev Panam Salud Publica. 2008;23(1):34-43. DOI:10.1590/S1020-49892008000100005
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na população de Fortaleza, CE, 1. Arrais PSD, Brito LL, Barreto ML, Coelho HLL. Prevalência e fatores determinantes do consumo de medicamentos no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad Saude Publica. 2005;2(6):1737-46. DOI:10.1590/S0102-311X2005000600021
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e brasileira, 3. Carvalho MF, Pascom ARP, Souza-Júnior PRB, Damacena GN, Szwarcwald CL. Utilization of medicines by the Brazilian population, 2003. Cad Saude Publica. 2005;21 Suppl 1:100-8. DOI:10.1590/S0102-311X2005000700011
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mas está de acordo com o da população de Pelotas, RS. 2. Bertoldi AD, Barros AJD, Hallal PC, Lima RC. Utilização de medicamentos em adultos: prevalência e determinantes individuais. Rev Saude Publica. 2004; 38(2):228-38. DOI:10.1590/S0034-89102004000200012
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O efeito, entretanto, não foi mantido após ajuste pelas demais variáveis. As comunidades pesquisadas apresentaram homogeneidade quanto ao nível de instrução (mais de 70% tinha até quatro anos completos de estudo), o que fez com que o ponto de corte nessa variável fosse menor que o adotado em outros estudos, dificultando as comparações. Outros fatores pesquisados, como a idade, também poderiam confundir a associação. De fato, associação entre idade e escolaridade foi encontrada, indicando que a proporção de indivíduos com 60 anos ou mais, sem escolaridade, foi de 75,7% (contra 33,3% e 10,8% nos grupos etários de 35 a 59 e 18 a 34 anos, respectivamente), e, ao mesmo tempo, utilizaram mais medicamentos.

O maior uso de medicamentos entre os indivíduos de nível econômico mais alto foi consistente com o estudo de Bertoldi et al, 2. Bertoldi AD, Barros AJD, Hallal PC, Lima RC. Utilização de medicamentos em adultos: prevalência e determinantes individuais. Rev Saude Publica. 2004; 38(2):228-38. DOI:10.1590/S0034-89102004000200012
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embora não tenham sido identificados os níveis A e B1 na população quilombola. Outros estudos que utilizaram renda familiar mensal como indicador do nível econômico 1. Arrais PSD, Brito LL, Barreto ML, Coelho HLL. Prevalência e fatores determinantes do consumo de medicamentos no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad Saude Publica. 2005;2(6):1737-46. DOI:10.1590/S0102-311X2005000600021
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, 6. Dal Pizzol Tda S, Pons Eda S, Hugo FN, Bozzetti MC, Sousa MLR, Hilgert JB. Uso de medicamentos entre idosos residentes em areas urbanas e rurais de municipio no Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Cad Saude Publica. 2012;28(1):104-14. DOI:10.1590/S0102-311X2012000100011
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, 1010 . Loyola Filho AI, Uchôa E, Firmo JOA, Lima-Costa MFF. Estudo de base populacional sobre o consumo de medicamentos entre idosos: Projeto Bambuí. Cad Saude Publica. 2005;21(2):545-53. DOI:10.1590/S0102-311X2005000200021
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encontraram resultados semelhantes. Essa associação foi confirmada após análise ajustada.

O consumo de medicamentos foi menor em indivíduos que trabalhavam à época da entrevista, porém o efeito não foi mantido após ajuste pelas demais variáveis. O trabalho rural apresenta características que podem interferir na utilização dos fármacos. Dal Pizzol 6. Dal Pizzol Tda S, Pons Eda S, Hugo FN, Bozzetti MC, Sousa MLR, Hilgert JB. Uso de medicamentos entre idosos residentes em areas urbanas e rurais de municipio no Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Cad Saude Publica. 2012;28(1):104-14. DOI:10.1590/S0102-311X2012000100011
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ressalta em seu trabalho que trabalhadores rurais que permanecem o dia inteiro na lavoura podem desistir de utilizar um ou mais medicamentos com mais frequência do que os urbanos se o uso for dificultado pelas condições próprias do trabalho rural.

Observou-se tendência de aumento da frequência e de número de medicamentos com a piora do indicador da condição de saúde. A autopercepção de saúde mostrou-se negativamente associada ao uso, acompanhando os achados de outros estudos epidemiológicos. 1. Arrais PSD, Brito LL, Barreto ML, Coelho HLL. Prevalência e fatores determinantes do consumo de medicamentos no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad Saude Publica. 2005;2(6):1737-46. DOI:10.1590/S0102-311X2005000600021
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, 3. Carvalho MF, Pascom ARP, Souza-Júnior PRB, Damacena GN, Szwarcwald CL. Utilization of medicines by the Brazilian population, 2003. Cad Saude Publica. 2005;21 Suppl 1:100-8. DOI:10.1590/S0102-311X2005000700011
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, 7. Fleith VD, Figueiredo MA, Figueiredo KFLRO, Moura EC. Perfil de utilização de medicamentos em usuários da rede básica de saúde de Lorena, SP. Cienc Saude Coletiva. 2008;13(Suppl):755-62. DOI:10.1590/S1413-81232008000700026
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- 1313 . Sans S, Paluzie G, Puig T, Balañá L, Balaguer-Vintró I. Prevalencia del consumo de medicamentos en la población adulta de Cataluña . Gac Sanit . 2002;16(2):121-30. O efeito dessa variável foi confirmado na análise ajustada. Outra variável indicadora da condição de saúde da população foi o número de morbidades autorreferidas, que mostra problemas crônicos de saúde dos indivíduos e que esteve associada ao uso de medicamentos mesmo após ajuste.

As variáveis relacionadas aos serviços, frequência de visitas domiciliares de agente comunitário ou profissional de saúde e número de consultas médicas mostraram comportamentos diferentes sobre o uso de medicamentos. A frequência de visitas domiciliares não se mostrou associada, mesmo a população de estudo sendo proveniente da zona rural e considerando essa visita como um momento em que poderia haver entrega de medicamentos.

As frequências de uso de medicamentos aumentaram com maior número de consultas médicas, mesmo após ajuste, seguindo o apontado em outros estudos. 1. Arrais PSD, Brito LL, Barreto ML, Coelho HLL. Prevalência e fatores determinantes do consumo de medicamentos no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad Saude Publica. 2005;2(6):1737-46. DOI:10.1590/S0102-311X2005000600021
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, 1111 . Ribeiro AQ, Rozenfeld S, Klein CH, César CC, Acurcio FA. Inquérito sobre uso de medicamentos por idosos aposentados, Belo Horizonte, MG. Rev Saude Publica. 2008;42(4):724-32. DOI:10.1590/S0034-89102008005000031
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, 1212 . Rozenfeld S, Fonseca MJM, Acurcio FA. Drug utilization and polypharmacy among the elderly: a survey in Rio de Janeiro City, Brazil. Rev Panam Salud Publica. 2008;23(1):34-43. DOI:10.1590/S1020-49892008000100005
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Arrais et al 1. Arrais PSD, Brito LL, Barreto ML, Coelho HLL. Prevalência e fatores determinantes do consumo de medicamentos no Município de Fortaleza, Ceará, Brasil. Cad Saude Publica. 2005;2(6):1737-46. DOI:10.1590/S0102-311X2005000600021
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sugerem que isso pode estar relacionado à crescente medicalização da sociedade, em que a maioria das consultas é finalizada com uma prescrição. O sistema de saúde brasileiro enfrenta dificuldades para superar as práticas do modelo biomédico, visto que a população valoriza e prefere as práticas curativas, o atendimento individualizado e baseado na prescrição, às ações de promoção da saúde e de prevenção de agravos. Aliada a essa prática, é frequente a irracionalidade na utilização dos medicamentos, o que pode causar diversos problemas, como reações adversas, doenças iatrogênicas, resistência (antimicrobianos) e gastos desnecessários. 2. Bertoldi AD, Barros AJD, Hallal PC, Lima RC. Utilização de medicamentos em adultos: prevalência e determinantes individuais. Rev Saude Publica. 2004; 38(2):228-38. DOI:10.1590/S0034-89102004000200012
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O trabalho apresenta limitações. A utilização de um período recordatório de 15 dias para a avaliação da utilização de medicamentos foi priorizada para possibilitar a comparação com outras pesquisas, visto que a maioria na área utiliza esse período. No entanto, essa estratégia pode resultar em viés de memória. Para contornar essa limitação, a análise foi restrita aos medicamentos para os quais houve comprovação de uso por meio de apresentação de embalagens e prescrições. A perda diferencial, observada em homens e indivíduos na faixa etária de 18 a 34 anos, pode ter causado superestimação do uso de medicamentos pela população total e por indivíduos do sexo masculino, uma vez que é esperado menor consumo nos grupos sub-representados.

A avaliação dos determinantes individuais de consumo em quilombolas indica que as mulheres, assim como os idosos, são os grupos mais propensos ao uso de medicamentos; portanto, deverão ser os grupos de preferência para o desenvolvimento de estratégias específicas para garantir o seu uso racional. O maior número de consultas médicas também aumentou expressivamente a utilização de medicamentos, o que reforça a necessidade de intensificação das estratégias de promoção no cotidiano dos serviços de saúde. O conhecimento do perfil de utilização de medicamentos pela população quilombola é o primeiro passo para compreender o acesso e discutir o seu uso racional. Aspectos como automedicação e polifarmácia, além do papel dos hábitos de vida, crenças e valores dos indivíduos quilombolas na procura por serviços de saúde e utilização de medicamentos necessitam investigação mais detalhada.

Aos pesquisadores do Projeto COMQUISTA pela participação no planejamento e supervisão da coleta dos dados.

REFERÊNCIAS

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  • Trabalho apresentado no 10º Congresso de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em Porto Alegre, RS, em 2012.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Out 2013

Histórico

  • Recebido
    6 Mar 2013
  • Aceito
    1 Jun 2013
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil
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