Frequência e fatores associados a quedas em adultos com 55 anos e mais

Sabrina Canhada Ferrari Prato Selma Maffei de Andrade Marcos Aparecido Sarria Cabrera Renata Maciulis Dip Hellen Geremias dos Santos Mara Solange Gomes Dellaroza Arthur Eumann Mesas Sobre os autores

RESUMO

OBJETIVO

Analisar a frequência e fatores associados à ocorrência de quedas em adultos de 55 anos ou mais.

MÉTODOS

Estudo inserido em outro de base populacional com amostra representativa de pessoas com 40 anos ou mais da área urbana de município de médio porte do Paraná em 2011. Foram obtidos dados demográficos e socioeconômicos, características referentes aos hábitos de vida, às condições de saúde e à capacidade funcional (n = 1.180). Em 2012, selecionaram-se todas as pessoas com idade igual ou superior a 55 anos (n = 501). Foram estimadas a força de preensão palmar e a ocorrência de queda desde a última entrevista em 80,6% delas. Foram calculadas odds ratios (OR) brutas e ajustadas por regressão logística segundo modelo hierarquizado.

RESULTADOS

A frequência de queda foi de 24,3%. Após ajustes, observaram-se chances maiores de queda entre mulheres (OR = 3,10; IC95% 1,79–5,38), entre pessoas com idade igual ou superior a 65 anos (OR = 2,39; IC95% 1,45–3,95), com qualidade do sono ruim (OR = 1,78; IC95% 1,08–2,93) e com baixa força de preensão palmar (OR = 2,31; IC95% 1,34–3,97).

CONCLUSÕES

Qualidade ruim do sono e a baixa força muscular podem ser indicadores de maior risco de quedas e merecem avaliações e intervenções visando à prevenção desse agravo.

Meia-Idade; Idoso; Acidentes por Quedas; Fatores de Risco; Inquéritos Epidemiológicos

INTRODUÇÃO

A ocorrência de queda relaciona-se a uma complexa interação de fatores de risco agravados com o envelhecimento. Revisão de literatura sobre o tema22. Ambrose AF, Paul G, Hausdorff JM. Risk factors for falls among older adults: a review of the literature. Maturitas. 2013;75(1):51-61. https://doi.org/10.1016/j.maturitas.2013.02.009
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aponta como principais fatores de risco: sexo feminino, maior idade, polifarmácia, uso de psicotrópicos, história prévia de queda, dificuldade visual, declínio cognitivo e fatores ambientais, como pisos escorregadios, mobílias e tapetes mal posicionados. Além disso, algumas condições ou doenças crônico-degenerativas são associadas à maior ocorrência de quedas, como obesidade2626. Tas U, Verhagen AP, Bierma-Zeinstra SM, Hofman A, Odding E, Pols HA, et al. Incidence and risk factors of disability in the elderly: the Rotterdam Study. Prev Med. 2007;44(3):272-8. https://doi.org/10.1016/j.ypmed.2006.11.007
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, hipertensão22. Ambrose AF, Paul G, Hausdorff JM. Risk factors for falls among older adults: a review of the literature. Maturitas. 2013;75(1):51-61. https://doi.org/10.1016/j.maturitas.2013.02.009
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,2828. Yu PL, Qin ZH, Shi J, Zhang J, Xin MZ, Wu ZL, et al. Prevalence and related factors of falls among the elderly in an urban community of Beijing. Biomed Environ Sci. 2009;22(3):179-87. https://doi.org/10.1016/S0895-3988(09)60043-X
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, diabetes2828. Yu PL, Qin ZH, Shi J, Zhang J, Xin MZ, Wu ZL, et al. Prevalence and related factors of falls among the elderly in an urban community of Beijing. Biomed Environ Sci. 2009;22(3):179-87. https://doi.org/10.1016/S0895-3988(09)60043-X
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, neoplasias2424. Stone C, Lawlor PG, Nolan B, Kenny RA. A prospective study of the incidence of falls in patients with advanced cancer. J Pain Symptom Manage. 2011;42(4):535-40. https://doi.org/10.1016/j.jpainsymman.2011.01.006
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, doenças neuropsiquiátricas22. Ambrose AF, Paul G, Hausdorff JM. Risk factors for falls among older adults: a review of the literature. Maturitas. 2013;75(1):51-61. https://doi.org/10.1016/j.maturitas.2013.02.009
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,2828. Yu PL, Qin ZH, Shi J, Zhang J, Xin MZ, Wu ZL, et al. Prevalence and related factors of falls among the elderly in an urban community of Beijing. Biomed Environ Sci. 2009;22(3):179-87. https://doi.org/10.1016/S0895-3988(09)60043-X
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, e osteomusculares2626. Tas U, Verhagen AP, Bierma-Zeinstra SM, Hofman A, Odding E, Pols HA, et al. Incidence and risk factors of disability in the elderly: the Rotterdam Study. Prev Med. 2007;44(3):272-8. https://doi.org/10.1016/j.ypmed.2006.11.007
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. Por outro lado, a prática regular de atividade física destaca-se como fator protetor2020. Silva RB, Eslick GD, Duque G. Exercise for falls and fracture prevention in long term care facilities: a systematic review and meta-analysis. J Am Med Dir Assoc. 2013;14(9):685-9.e2. https://doi.org/10.1016/j.jamda.2013.05.015
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.

Incapacidade e lesões graves estão entre as principais consequências decorrentes de queda. Implicam custos econômicos e sociais elevados, principalmente quando há comprometimento da independência do indivíduo e necessidade de cuidados especializados em domicílio ou em instituições de longa permanência22. Ambrose AF, Paul G, Hausdorff JM. Risk factors for falls among older adults: a review of the literature. Maturitas. 2013;75(1):51-61. https://doi.org/10.1016/j.maturitas.2013.02.009
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.

Embora haja vários trabalhos de queda em idosos na comunidade, observa-se concentração de estudos entre idosos com morbidades, fragilizados e institucionalizados55. Deandrea S, Lucenteforte E, Bravi F, Foschi R, La Vecchia C, Negri E. Risk factors for falls in community-dwelling older people: a systematic review and meta-analysis. Epidemiology. 2010;21(5):658-68. https://doi.org/10.1097/EDE.0b013e3181e89905
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. As Diretrizes de Prevenção de Quedas em Idosos1212. Kenny R, Rubenstein LZ, Tinetti ME, Brewer K, Cameron KA, Capezuti EA, et al. Summary of the updated American Geriatrics Society/British Geriatrics Society clinical practice guideline for prevention of falls in older persons. J Am Geriatr Soc. 2011;59(1):148-57. https://doi.org/10.1111/j.1532-5415.2010.03234.x
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(2010) evidenciam a importância da identificação precoce de adultos mais velhos em situação de risco. Nesse contexto, o presente estudo teve por objetivo analisar a frequência e fatores associados à ocorrência de queda em indivíduos com 55 anos ou mais. O conhecimento desse perfil pode direcionar ações de profissionais da atenção primária na prevenção de quedas e na manutenção da independência funcional.

MÉTODOS

O presente estudo faz parte de um estudo maior, de base populacional (Doenças Cardiovasculares no Estado do Paraná: mortalidade, perfil de risco, terapia medicamentosa e complicações – VIGICARDIO)2323. Souza RKT, Bortoletto MSS, Loch MR. Prevalência de fatores de risco cardiovascular em pessoas com 40 anos ou mais de idade, em Cambé, Paraná (2011): estudo de base populacional. Epidemiol Serv Saude. 2013;22(3):435-44. https://doi.org/10.5123/S1679-49742013000300008
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, com amostra representativa de residentes com 40 anos ou mais da área urbana de Cambé, PR. O município possui população de 96.735 habitantes, segundo o Censo de 2010a a Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico 2010: Paraná [citado 2011 mai 10]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/tabelaspdff/total_populacao_parana.pdf . O cálculo da amostra do estudo VIGICARDIO considerou margem de erro de 3,0%, intervalo de 95% de confiança, prevalência do desfecho de 50,0% e acréscimo para perdas e recusas de 25,0%, resultando em 1.322 pessoas a serem entrevistadas. Os 86 setores censitários da área urbana de Cambé foram selecionados e o número de pessoas a serem entrevistadas em cada setor foi definido de acordo com a distribuição proporcional de residentes por sexo e faixa etária (por quinquênios). Após sorteio da quadra inicial, sorteava-se o canto da quadra em que se iniciaria o percurso no sentido anti-horário, com intervalo amostral de 1,2, visando garantir a representatividade de todos os setores censitários. Detalhes do cálculo amostral e do processo de seleção dos entrevistados encontram-se em outra publicação2323. Souza RKT, Bortoletto MSS, Loch MR. Prevalência de fatores de risco cardiovascular em pessoas com 40 anos ou mais de idade, em Cambé, Paraná (2011): estudo de base populacional. Epidemiol Serv Saude. 2013;22(3):435-44. https://doi.org/10.5123/S1679-49742013000300008
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Os dados foram obtidos em entrevistas domiciliares. Foram obtidas informações sobre hábitos de vida, condições de saúde, uso de medicamentos (com observação de bulas, receitas ou embalagens), atividades básicas da vida diária (ABVD) e atividades instrumentais da vida diária (AIVD), por meio, respectivamente das escalas de Katz et al.1010. Katz S, Ford AB, Moskowitz RW, Jackson BA, Jaffe MW. Studies of Illness in the aged: The Index of ADL: a standardized measure of biological and psychosocial function. JAMA. 1963;185(12):914-9. https://doi.org/10.1001/jama.1963.03060120024016
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e de Lawton e Brody1313. Lawton MP, Brody EM. Assessment of older people: self-maintaining and instrumental activities of daily living. Gerontologist. 1969;9(3):179-86. https://doi.org/10.1093/geront/9.3_Part_1.179
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, e qualidade do sono pelo índice de Pittsburgh (PSQI)44. Buysse DJ, Reynolds CF, Monk TH, Berman SR, Kupfer DJ. The Pittsburgh Sleep Quality Index: a new instrument for psychiatric practice and research. Psychiatry Res. 1989;28(2):193-213. https://doi.org/10.1016/0165-1781(89)90047-4
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. Peso e altura foram verificados por meio de balança eletrônica portátil e fita métrica inextensível, respectivamente. Foram obtidas três medidas de pressão arterial e considerada a média aritmética da segunda e terceira medidas para definição de hipertensão arterial (≥ 140 mmHg para a pressão sistólica e/ou ≥ 90 mmHg para pressão diastólica e/ou uso de medicamento anti-hipertensivo)2323. Souza RKT, Bortoletto MSS, Loch MR. Prevalência de fatores de risco cardiovascular em pessoas com 40 anos ou mais de idade, em Cambé, Paraná (2011): estudo de base populacional. Epidemiol Serv Saude. 2013;22(3):435-44. https://doi.org/10.5123/S1679-49742013000300008
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.

A coleta de dados do VIGICARDIO ocorreu entre fevereiro e junho de 2011, totalizando 1.180 participantes. Por questões de logística, os indivíduos com 55 anos ou mais foram selecionados para este estudo, correspondendo a 501 participantes. Entre abril e agosto de 2012, foi realizado um segundo inquérito domiciliar. Foram localizados 404 participantes que tinham 55 anos ou mais na primeira pesquisa (80,6%). As perdas ocorreram por mudança de endereço (n = 51), internação (n = 3), óbito (n = 11), recusa (n = 12) ou não localização após três tentativas de contato (n = 20). O tempo médio decorrido entre os dois levantamentos de dados foi de 14 meses (mínimo de 11 e máximo de 18 meses). Não houve diferença significativa entre entrevistados e perdas quanto à idade, raça/cor, estado civil, escolaridade, classificação econômica ou presença de doenças crônicas. Apenas sexo apresentou diferença significativa (p = 0,02), com maior perda de homens.

A variável dependente correspondeu ao autorrelato da ocorrência de queda acidental desde o primeiro inquérito domiciliar. A pergunta utilizada foi: “Desde a última entrevista, o(a) Sr.(a) caiu alguma vez?”.

As seguintes variáveis foram obtidas no primeiro inquérito domiciliar:

  • Características demográficas e socioeconômicas: sexo, idade, situação conjugal, raça/cor de pele, escolaridade e classe econômica.

  • Características referentes aos hábitos de vida e às condições de saúde: prática de atividade física no tempo livre, tabagismo, índice de massa corporal, uso de medicamento psicotrópico, qualidade do sono, relato de diagnóstico médico para as seguintes morbidades: insuficiência cardíaca congestiva (ICC), diabetes mellitus (DM), depressão, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), neoplasia e hipertensão arterial.

  • Características referentes à capacidade funcional: dificuldade visual e/ou auditiva (autorrelatada), para subir ou descer escadas e para a realização de atividades básicas da vida diária (ABVD)1010. Katz S, Ford AB, Moskowitz RW, Jackson BA, Jaffe MW. Studies of Illness in the aged: The Index of ADL: a standardized measure of biological and psychosocial function. JAMA. 1963;185(12):914-9. https://doi.org/10.1001/jama.1963.03060120024016
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    e instrumentais da vida diária (AIVD)1313. Lawton MP, Brody EM. Assessment of older people: self-maintaining and instrumental activities of daily living. Gerontologist. 1969;9(3):179-86. https://doi.org/10.1093/geront/9.3_Part_1.179
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    .

No segundo inquérito, verificou-se a força de preensão palmar por meio de dinamômetro manual hidráulico, modelo SAEHAN SH5001, seguindo as normas preconizadas pela American Society of Hand Therapists77. Fess EE. Grip strength. In: Casanova JS, editor. Clinical assessment recommendations. 2.ed. Chicago: American Society of Hand Therapists; 1992. p.41-5..

Para a realização das análises bivariadas e múltipla, a idade foi agrupada em 55 a 64 anos e 65 anos ou mais, a raça/cor da pele em branca ou amarela e preta/parda/indígena e a situação conjugal em com e sem companheiro.

A escolaridade foi classificada por anos de estudo (zero a três, quatro a sete, e oito anos ou mais). A classe econômica foi avaliada segundo critérios da Associação Brasileira de Empresas e Pesquisasb b Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Critério de Classificação Econômica Brasil. São Paulo; 2009 [citado 2011 out 10]. Disponível em: http://www.abep.org/Servicos/Download.aspx?id=04 , agrupadas em classes A/B, C e D/E.

As recomendações de Haskel et al.88. Haskell WL, Lee IM, Pate RR, Powell KE, Blair SN, Franklin BA, et al. Physical activity and public health: updated recommendation for adults from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association. Med Sci Sports Exerc. 2007;39(8):1423-34. https://doi.org/10.1249/mss.0b013e3180616b27
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foram seguidas para a avaliação da prática de atividade física no tempo livre. Foram considerados praticantes de atividade física os que referiram realizar atividade física de intensidade moderada (por exemplo, caminhada em ritmo rápido, dança) no mínimo 30 minutos, cinco ou mais vezes na semana e/ou atividade física de intensidade vigorosa (por exemplo, corrida, futebol) no mínimo 20 minutos durante três ou mais vezes na semana. Os que não se enquadravam nesses critérios foram considerados não praticantes.

A dificuldade visual foi dividida em duas categorias: indivíduos sem dificuldade ou que apresentavam algum distúrbio visual que não os prejudicava na realização das atividades de vida diária, e indivíduos com dificuldade visual exacerbada (que só enxergavam o contorno dos objetos e precisavam ser guiados nas atividades de vida diária) ou que não enxergavam.

Foram consideradas dependentes as pessoas que informaram dificuldade na realização de duas ou mais atividades básicas ou duas ou mais atividades instrumentais da vida diária1111. Katz S, Downs TD, Cash HR, Grotz RC. Progress in development of the index of ADL. Gerontologist. 1970;10(1):20-30..

As informações referentes aos medicamentos de uso contínuo foram coletadas por meio de elementos comprobatórios (bulas, caixas, frascos, cartelas ou receitas) e por perguntas relacionadas à indicação, local de obtenção e forma de utilização do medicamento. Utilizou-se a Anatomical Therapeutic Chemical (N03 – N07)c c World Health Organization. The anatomical therapeutic chemical classification system with defined daily doses (ATC/DDD). [citado 2012 dez 05]. Disponível em: https://www.yumpu.com/en/document/view/4414280/guidelines-for-atc-classification-and-ddd-assignment-whocc para a identificação dos medicamentos psicotrópicos.

Os hábitos do sono nos 30 dias que antecederam a entrevista do primeiro inquérito domiciliar foram avaliados por meio do índice de qualidade de sono de Pittsburgh (PSQI)44. Buysse DJ, Reynolds CF, Monk TH, Berman SR, Kupfer DJ. The Pittsburgh Sleep Quality Index: a new instrument for psychiatric practice and research. Psychiatry Res. 1989;28(2):193-213. https://doi.org/10.1016/0165-1781(89)90047-4
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. Valores superiores a cinco pontos foram considerados indicativos de qualidade ruim do sono.

A força de preensão palmar foi analisada segundo percentis separadamente para homens e mulheres. Por não haver ponto de corte validado na literatura para definição de baixa força muscular, as pessoas foram classificadas em: ≤ percentil 25 (baixa força muscular) ou > percentil 25.

Balança eletrônica portátil foi utilizada para a medida do peso, da marca Plenna, com precisão de 100 gramas. A altura foi aferida por meio de uma fita métrica inelástica e inextensível fixada em uma parede sem rodapé ou porta. Calculou-se o índice de massa corporal (IMC) para classificação de obesidade, segundo critérios da Organização Mundial da Saúde (IMC < 30 = não; ≥ 30 = sim)2121. Silveira EA, Kac G, Barbosa LS. Prevalência e fatores associados à obesidade em idosos residentes em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil: classificação da obesidade segundo dois pontos de corte do índice de massa corporal. Cad Saude Publica. 2009;25(7):1569-77. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2009000700015
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.

Considerando que a variável força de preensão palmar foi obtida somente no segundo inquérito, a análise dos dados foi feita de forma transversal. A medida de associação empregada foi a odds ratio (OR) para a análise bivariada e para a regressão logística binária realizada por modelo hierárquico conceitual, usando o método Backward Stepwise (Likelihood Ratio).

Variáveis com p < 0,20 na análise bivariada foram selecionadas para compor o modelo hierárquico conceitual. O modelo foi definido em três níveis: distal (características demográficas e socioeconômicas), intermediário (características referentes aos hábitos de vida e às condições de saúde) e proximal (características referentes à capacidade funcional), considerando a anteposição temporal dos fatores para ocorrência de queda (Figura). Decidiu-se pela manutenção da variável classe econômica para ajuste no nível distal na modelagem, independentemente do resultado estatístico.

Figura
Modelo conceitual hierárquico de fatores associados à ocorrência de queda em pessoas de 55 anos ou mais. Cambé, PR, 2011 a 2012.

Variáveis do nível distal foram ajustadas por aquelas de mesmo nível. As do nível intermediário, por variáveis com p < 0,10 no ajuste anterior e por variáveis deste nível, e as do nível proximal, por variáveis com p < 0,10 no ajuste anterior e por variáveis deste nível. Indivíduos com algum campo não informado ou codificado como ignorado foram excluídos da análise múltipla. O nível de significância adotado para as análises foi de 5% (teste Wald). Para todas as variáveis, foi estabelecida uma categoria de referência (OR = 1), considerada a de menor risco para ocorrência de queda.

As análises estatísticas foram realizadas com auxilio do programa SPSS 19.0.

O presente estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa da Universidade Estadual de Londrina para a primeira (CAAE 0192.0.268.000-10) e a segunda pesquisa (CAAE 0021.0.268.000-11). Os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

RESULTADOS

A média de idade dos 404 indivíduos avaliados nos dois estudos foi de 65,5 anos (desvio padrão de 7,1 anos). Mais da metade (59,4%) dos entrevistados era do sexo feminino, 66,6% referiram ser da raça/cor branca ou amarela, 67,1% eram casados ou tinham união estável e 54,2% foram considerados como da classe econômica C. A escolaridade média foi de 4,4 anos de estudo (desvio padrão de 4,2 anos). Do total, 22,8% praticavam regularmente alguma atividade física e 14,6% eram fumantes. A utilização contínua de pelo menos um medicamento psicotrópico foi referida por 19,6% dos entrevistados. A qualidade do sono de 39,4% da população foi considerada ruim, 20,0% referiram diagnóstico médico de depressão, 16,1% de diabetes mellitus, 12,1% de doença pulmonar obstrutiva crônica, 6,7% de neoplasia, 40,1% de hipertensão arterial e 4,5% de insuficiência cardíaca.

Pouco mais de um terço (36,6%) dos entrevistados mencionaram dificuldade para subir ou descer escadas, 12,4% dificuldade auditiva e 10,9% dificuldade visual. A maioria da população pesquisada foi considerada independente para a realização das atividades básicas (98,5%) e instrumentais (85,9%) da vida diária.

Queda desde a primeira entrevista foi referida por 24,3% (IC95% 20,1–28,5) e, destes, 64,3% (IC95% 54,8–73,8) referiram uma única queda. Observou-se frequência crescente de queda de acordo com o aumento da idade: de 15,6% (IC95% 8,1–23,1) para indivíduos com idade entre 55 e 59 anos, de 19,0% (IC95% 11,9–26,1) para os com idade entre 60 e 64 anos, e de 31,3% (IC95% 24,8–37,8) para os com 65 anos ou mais de idade.

Na análise bivariada, observaram-se chances maiores de queda (p < 0,05) entre indivíduos do sexo feminino, com idade igual ou superior a 65 anos (Tabela 1), com qualidade do sono ruim, com diagnóstico de depressão (Tabela 2), dificuldade para subir ou descer escadas, considerados dependentes para a realização das atividades básicas de vida diária e com baixa força de preensão palmar (Tabela 3).

Tabela 1
Fatores de risco (não ajustados) para ocorrência de queda, referentes às características demográficas e socioeconômicas. Cambé, PR, 2011 a 2012. (N = 404)
Tabela 2
Fatores de risco (não ajustados) para ocorrência de queda, correspondentes aos hábitos de vida e às condições de saúde. Cambé, PR, 2011 a 2012. (N = 404)
Tabela 3
Fatores de risco não ajustados para ocorrência de queda, correspondentes à capacidade funcional. Cambé, PR, 2011 a 2012. (N = 404)

O ajuste das variáveis do nível distal, na análise hierarquizada, mostrou o sexo feminino e a idade ≥ 65 anos como de maior chance para queda. No nível intermediário, ter qualidade do sono ruim foi o único fator estatisticamente significativo para ocorrência de queda, independentemente das variáveis deste nível e das do nível anterior. Apenas baixa força muscular (≤ percentil 25) associou-se à ocorrência de queda no nível proximal após ajuste para variáveis do próprio nível e dos níveis anteriores (Tabela 4).

Tabela 4
Regressão logística hierarquizada de fatores associados à ocorrência de queda em pessoas de 55 anos ou mais. Cambé, PR, 2011 a 2012. (N = 372)

DISCUSSÃO

O relato de queda na população estudada (24,3%) foi menor quando comparado a estudos realizados com população mais velha, embora os fatores associados tenham sido semelhantes. Em uma coorte de 1.415 indivíduos com idade de 65 anos ou mais, residentes na cidade de São Paulo, SP, 30,9% referiram queda no ano anterior à entrevista1616. Perracini MR, Ramos LR. Fatores associados a quedas em uma coorte de idosos residentes na comunidade. Rev Saude Publica. 2002;36(6):709-16. https://doi.org/10.1590/S0034-89102002000700008
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. Em outros estudos de base populacional no Brasil, a prevalência de quedas nos últimos 12 meses entre idosos com 60 anos ou mais foi de 27,6% em áreas urbanas de 100 municípios de 23 estados2222. Siqueira FV, Facchini LA, Silveira DS, Piccini RX, Tomasi E, Thumé E, et al. Prevalence of falls in elderly in Brazil: a countrywide analysis. Cad Saude Publica. 2011;27(9):1819-26. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2011000900015
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, de 27,1% em Montes Claros, MG1717. Ramos GCF, Carneiro JA, Barbosa ATF, Mendonça JMG, Caldeira AP. Prevalência de sintomas depressivos e fatores associados em idosos no norte de Minas Gerais: um estudo de base populacional. J Bras Psiquiatr. 2015;64(2):122-31. https://doi.org/10.1590/0047-2085000000067
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e de 30,3% em um município fluminense1515. Motta LB, Aguiar AC, Coutinho ESF, Huf G. Prevalência e fatores associados a quedas em idosos em um município do Rio de Janeiro. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2010;13(1):83-91. https://doi.org/10.1590/S1809-98232010000100009
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. A menor frequência de queda identificada na presente pesquisa pode estar relacionada à composição da amostra, que inclui adultos com idade a partir de 55 anos, e à predominância de indivíduos independentes para a realização das atividades básicas e instrumentais da vida diária.

O presente estudo identificou associação significativa entre ocorrência de queda e sexo feminino e idade avançada, independentemente da classe econômica. Autores destacam a execução mais frequente de atividades domésticas1616. Perracini MR, Ramos LR. Fatores associados a quedas em uma coorte de idosos residentes na comunidade. Rev Saude Publica. 2002;36(6):709-16. https://doi.org/10.1590/S0034-89102002000700008
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e a maior perda de massa magra e força muscular1414. Lebrão ML, Laurenti R. Saúde, bem-estar e envelhecimento: o estudo SABE no município de São Paulo. Rev Bras Epidemiol. 2005;8(2):127-41. https://doi.org/10.1590/S1415-790X2005000200005
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como possíveis causas da maior ocorrência de queda entre as mulheres. O avanço da idade leva a alterações estruturais e funcionais que podem reduzir a capacidade de resposta rápida e eficaz do equilíbrio, comprometendo o desempenho das habilidades motoras, a força muscular, a marcha e a estabilidade postural, que tornam o indivíduo vulnerável à queda11. Abreu S, Caldas C. Velocidade de marcha, equilíbrio e idade: um estudo correlacional entre idosas praticantes e idosas não praticantes de um programa de exercícios terapêuticos. Rev Bras Fisioter. 2008;12(4):324-30. https://doi.org/10.1590/S1413-35552008000400012
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.

Qualidade do sono ruim também foi identificada como fator de risco para quedas mesmo após ajuste por variáveis como sexo, idade e depressão. Esse resultado foi semelhante ao apresentado por Stone et al.2525. Stone KL, Blackwell TL, Ancoli-Israel S, Cauley JA, Redline S, Marshall LM, et al. Sleep disturbances and risk of falls in older community-dwelling men: the outcomes of Sleep Disorders in Older Men (MrOS Sleep) Study. J Am Geriatr Soc. 2014;62(2):299-305. https://doi.org/10.1111/jgs.12649.
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em estudo realizado nos Estados Unidos com 3.101 indivíduos, no qual a má qualidade do sono avaliada por meio do PSQI foi significativamente associada com maiores chances de ter quedas.

Após ajuste, a variável depressão não se associou à ocorrência de queda neste estudo, mas a depressão pode estar relacionada à redução da velocidade da marcha e à perda de força muscular, características que estão relacionadas à ocorrência de queda1818. Rao SS. Prevention of falls in older patients. Am Fam Physician. 2005;72(1):81-8.. Segundo Ricci et al.1919. Ricci NA, Gonçalves DFF, Coimbra IB, Coimbra AMV. Fatores associados ao histórico de quedas de idosos assistidos pelo programa de Saúde da Família. Saude Soc. 2010;19(4):898-909. https://doi.org/10.1590/S0104-12902010000400016
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, os sintomas depressivos merecem atenção e tratamento adequado, por suas consequências debilitantes e por sua associação com quedas, pois podem ter efeito devastador na qualidade de vida do indivíduo.

A baixa força de preensão palmar também se mostrou associada à ocorrência de queda, independentemente de outras variáveis como qualidade do sono, depressão e dificuldade de subir/descer escadas. Visser et al.2727. Visser M, Schaap LA. Consequences of sarcopenia. Clin Geriatr Med. 2011;27(3):387-99. https://doi.org/10.1016/j.cger.2011.03.006
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identificaram maior risco de declínio funcional, quedas e mortalidade em indivíduos mais velhos com baixa força muscular. A perda de força muscular é considerada um importante indicador de fragilidade e está relacionada de forma direta com o aumento do número de quedas, dificuldade em utilizar escadas, perda de agilidade e fraturas33. Bohannon RW, Bear-Lehman J, Desrosiers J, Massy-Westropp N, Mathiowetz V. Average grip strength: a meta-analysis of data obtained with a Jamar dynamometer from individuals 75 years or more of age. J Geriatr Phys Ther. 2007;30(1):28-30. https://doi.org/10.1519/00139143-200704000-00006
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.

Características reconhecidas como fatores de risco para quedas, como dificuldade visual, presença de outras doenças crônicas e uso de medicamentos22. Ambrose AF, Paul G, Hausdorff JM. Risk factors for falls among older adults: a review of the literature. Maturitas. 2013;75(1):51-61. https://doi.org/10.1016/j.maturitas.2013.02.009
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, não apresentaram associação com esse desfecho na presente pesquisa. A queda em idosos é um evento multicausal com inúmeros fatores que atuam conjuntamente e que interagem entre si99. Inouye SK, Studenski S, Tinetti ME, Kuchel GA. Geriatric syndromes: clinical, research, and policy implications of a core geriatric concept. J Am Geriatr Soc. 2007;55(5):780-91. https://doi.org/10.1111/j.1532-5415.2007.01156.x
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. Isso contribui para que seja menos provável que uma determinada variável mantenha-se associada ao evento analisado no modelo múltiplo, em que outros importantes fatores foram incluídos.

O presente estudo apresenta limitações. Por tratar-se de um estudo desenvolvido em dois momentos, ocorreram perdas de indivíduos entre o primeiro e o segundo inquérito domiciliar, ainda que a busca de informações com vizinhos e agentes comunitários de saúde (ACS) e por contatos telefônicos tenham sido utilizadas como estratégias para minimizá-las. Outra limitação está relacionada ao fato de a queda ter sido autorreferida, condição sujeita ao viés de memória do entrevistado. Características importantes para a compreensão do desfecho, como obstáculos ambientais, superfícies molhadas, calçados inadequados22. Ambrose AF, Paul G, Hausdorff JM. Risk factors for falls among older adults: a review of the literature. Maturitas. 2013;75(1):51-61. https://doi.org/10.1016/j.maturitas.2013.02.009
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, entre outras, não foram incluídas na análise. Algumas condições de saúde, apesar de incluídas, não chegaram a compor o modelo múltiplo, ainda que houvesse justificativa teórica (como uso de psicotrópicos, hipertensão e diabetes) devido ao reduzido tamanho amostral. Algumas doenças, como osteoartrite, não foram analisadas. A variável relativa à obesidade agrupou pessoas com baixo peso às com peso considerado normal ou na faixa de sobrepeso em uma mesma categoria, o que pode ter reduzido a frequência de quedas nesse agrupamento e a diferença em relação às pessoas com obesidade. Ademais, pelo fato de a análise dos dados ter sido feita de forma seccional, não se pode descartar a possibilidade de causalidade reversa, particularmente na relação entre quedas e força muscular. Quedas podem causar fraturas – em estudo amplo conduzido no Brasil2222. Siqueira FV, Facchini LA, Silveira DS, Piccini RX, Tomasi E, Thumé E, et al. Prevalence of falls in elderly in Brazil: a countrywide analysis. Cad Saude Publica. 2011;27(9):1819-26. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2011000900015
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, 11,0% dos idosos que sofreram quedas relataram fraturas – e, consequentemente, reduzir a força muscular.

A presente pesquisa utilizou dados provenientes de estudo de base populacional, o que possibilitou identificar fatores associados à ocorrência de queda em população com 55 anos ou mais, de menor risco para esse desfecho do que o observado em idosos. Esses fatores podem ser indicadores de perda precoce da independência funcional nessa população. Além disso, modelo hierárquico conceitual foi utilizado para o estudo de fatores associados à queda, e contemplou características demográficas e socioeconômicas relacionadas ao estilo de vida, à presença de doenças crônicas e à capacidade funcional.

Os resultados encontrados nesta pesquisa são importantes para nortear ações de profissionais atuantes em Unidades de Saúde da Família e nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família, além de políticas públicas, como: incentivar a prática de atividade física para o fortalecimento muscular66. El-Khoury F, Cassou B, Charles MA, Dargent-Molina P. The effect of fall prevention exercise programmes on fall induced injuries in community dwelling older adults: systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ. 2013;347:f6234. https://doi.org/10.1136/bmj.f6234
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, ampliar instalações de academias ao ar livre, promover educação permanente sobre riscos ambientais e de atitudes de risco no contexto do envelhecimento1212. Kenny R, Rubenstein LZ, Tinetti ME, Brewer K, Cameron KA, Capezuti EA, et al. Summary of the updated American Geriatrics Society/British Geriatrics Society clinical practice guideline for prevention of falls in older persons. J Am Geriatr Soc. 2011;59(1):148-57. https://doi.org/10.1111/j.1532-5415.2010.03234.x
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e identificar indivíduos em situação de risco para queda, como os com qualidade do sono ruim, para a devida atenção.

Em síntese, a frequência de queda identificada nesta pesquisa foi menor que a de estudos realizados somente com população idosa. Além do sexo feminino e idade avançada, fatores modificáveis, como a qualidade do sono ruim e baixa força muscular, destacaram-se como de risco para queda. A identificação desse perfil pode colaborar no direcionamento de ações de saúde voltadas à prevenção de quedas.

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  • Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq – Processo 150173/2013-0 – pós-doutorado júnior [PDJ]).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    27 Abr 2017

Histórico

  • Recebido
    22 Fev 2014
  • Aceito
    19 Jun 2016
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revsp@org.usp.br