Cuidados em saúde estão associados à piora da fragilidade em idosos comunitários

Jair Almeida Carneiro Cássio de Almeida Lima Fernanda Marques da Costa Antônio Prates Caldeira Sobre os autores

RESUMO

OBJETIVO

Identificar os fatores associados à piora da fragilidade em idosos residentes na comunidade.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo longitudinal prospectivo e analítico. A coleta de dados na linha de base ocorreu no domicílio dos participantes a partir de uma amostragem aleatória por conglomerados. Foram analisadas variáveis demográficas e socioeconômicas, morbidades e utilização de serviços de saúde. A fragilidade foi aferida pela Escala de Fragilidade de Edmonton. A segunda coleta de dados foi realizada após um período médio de 42 meses. As razões de prevalências ajustadas foram obtidas por análise múltipla de regressão de Poisson com variância robusta.

RESULTADOS

Participaram de ambas as etapas do estudo 394 idosos, sendo que 21,8% deles apresentaram piora da condição de fragilidade. As variáveis que se mantiveram estatisticamente associadas à transição para um estado pior de fragilidade foram: polifarmácia, autopercepção negativa de saúde, perda de peso e internação nos últimos 12 meses.

CONCLUSÕES

Os fatores que se mostraram associados à piora da fragilidade ao longo do período estudado entre idosos na comunidade foram os relacionados aos cuidados de saúde. Esse resultado deve ser considerado pelos profissionais de saúde na abordagem ao idoso frágil e vulnerável.

Idoso; Idoso Fragilizado; Fatores de Risco; Qualidade da Assistência à Saúde; Inquéritos e Questionários, utilização

INTRODUÇÃO

O envelhecimento populacional é considerado um dos maiores desafios para a saúde pública na atualidade. Esse fenômeno vem ocorrendo de maneira paulatina nos países desenvolvidos, mas se apresenta de forma acelerada nos países em desenvolvimento, acarretando novos desafios para o setor de saúde 11. Miranda GMD, Mendes ACG, Silva ALA. Population aging in Brazil: current and future social challenges and consequences. Rev Bras Geriat Gerontol. 2016;19(3):507-19. https://doi.org/10.1590/1809-98232016019.150140
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.

O envelhecimento implica alterações graduais e inevitáveis. É caracterizado como um processo dinâmico, progressivo e irreversível, ligado a fatores biológicos, psicológicos e sociais 22. Ciosak SI, Braz E, Costa MFBNA, Nakano NGR, Rodrigues J, Alencar RA, et al. Senescence and senility: a new paradigm in primary health care. Rev Esc Enferm USP. 2011;45 Esp Nº 2:1761-5. https://doi.org/10.1590/S0080-62342011000800022
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. O efeito acumulado de diversas condições relacionadas à saúde pode aumentar a susceptibilidade às doenças e comprometer a capacidade funcional de idosos para realizar as atividades cotidianas e, por conseguinte, culminar com desfechos clínicos adversos. O estado clinicamente reconhecível resultante do declínio na reserva e na função de múltiplos sistemas fisiológicos é definido como fragilidade 33. Lacas A, Rockwood K. Frailty in primary care: a review of its conceptualization and implications for practice. BMC Med. 2012;10:4. https://doi.org/10.1186/1741-7015-10-4
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A fragilidade pode ser observada em idosos que apresentam vulnerabilidade fisiológica para manter ou recuperar a homeostase após a ocorrência de eventos estressores. Trata-se da diminuição das reservas energéticas decorrente de alterações relacionadas ao processo de envelhecimento, compostas por sarcopenia, desregulação neuroendócrina e disfunção imunológica. A descompensação da homeostase surge quando eventos agudos, físicos, sociais ou psicológicos são capazes de levar ao aumento de efeitos deletérios sobre os diferentes sistemas orgânicos de idosos frágeis 33. Lacas A, Rockwood K. Frailty in primary care: a review of its conceptualization and implications for practice. BMC Med. 2012;10:4. https://doi.org/10.1186/1741-7015-10-4
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,44. Clegg A, Young J, Iliffe S, Rikkert MO, Rockwood K. Frailty in elderly people. Lancet. 2013;381(9868):752-62. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(12)62167-9
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Instrumentos simples, válidos, precisos e confiáveis para identificar a fragilidade são necessários e importantes para gestores e profissionais de saúde. Pesquisadores da Universidade de Alberta, na cidade de Edmonton, no Canadá, desenvolveram a Edmonton Frail Scale (EFS), que aborda nove domínios: cognição, estado de saúde, independência funcional, suporte social, uso de medicamento, nutrição, humor, continência urinária e desempenho funcional. É considerada uma escala abrangente, de fácil manuseio e aplicação 55. Rolfson DB, Majumdar SR, Tsuyuki RT, Tahir A, Rockwood K. Validity and reliability of the Edmonton Frail Scale. Age Ageing. 2006;35(5):526-9. https://doi.org/10.1093/ageing/afl041
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. Adaptada culturalmente para a língua portuguesa no Brasil, a EFS é considerada confiável e pode ser aplicada mesmo por profissionais não especializados em geriatria ou gerontologia. Já foram confirmadas as validades de conteúdo, de constructo e de critério do instrumento adaptado 66. Fabrício-Wehbe SCC, Schiaveto FV, Vendrusculo TRP, Haas VJ, Dantas RAS, Rodrigues RAP. Cross-cultural adaptation and validity of the “Edmonton Frail Scale - EFS” in a Brazilian elderly sample. Rev Lat Am Enfermagem. 2009;17(6):1043-9. https://doi.org/10.1590/S0104-11692009000600018
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Avaliações seriadas da fragilidade em idosos evidenciam o processo dinâmico dessa condição7–11, revelando a transição entre os estados de fragilidade ao longo do tempo. Todavia, pouco se sabe sobre a relevância desse processo no Brasil, onde esses indivíduos estão expostos a diferentes contextos sociais, econômicos, funcionais e assistenciais, capazes de influenciar a transição entre diferentes níveis de fragilidade. As mudanças nos estados de saúde são consideradas de interesse clínico e de saúde pública. Reconhecer os fatores que podem agravar tal estado é importante para a elaboração de medidas que possam prevenir a sua progressão. Este estudo teve por objetivo identificar os fatores associados à piora da fragilidade em idosos brasileiros residentes na comunidade.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo longitudinal prospectivo e analítico, de base populacional e domiciliar, com abordagem quantitativa, realizada com idosos comunitários. A pesquisa foi desenvolvida em um município de porte médio de Minas Gerais, no Sudeste do Brasil. A cidade conta com uma população de aproximadamente 400 mil habitantes e representa o principal polo urbano regional.

O tamanho da amostra na linha de base foi calculado para estimar a prevalência de cada desfecho em saúde investigado no inquérito epidemiológico. Considerou-se uma população estimada de 30.790 idosos residentes na região urbana, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um nível de confiança de 95%, uma prevalência conservadora de 50% para os desfechos desconhecidos e um erro amostral de 5%. Por tratar-se de amostragem por conglomerados, o número identificado foi multiplicado por um fator de correção e efeito de delineamento ( deff ) de 1,5% e acrescido de 15% para eventuais perdas. O número mínimo de idosos definido pelo cálculo amostral foi de 656 pessoas 1212. Carneiro JA, Ramos GCF, Barbosa ATF, Mendonça JMG, Costa FM, Caldeira AP. Prevalence and factors associated with frailty in non-institutionalized older adults. Rev Bras Enferm. 2016;69(3):435-42. https://doi.org/10.1590/0034-7167.2016690304i
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Entre maio e julho de 2013 (ano-base), foram alocados para o estudo 685 idosos com idade igual ou superior a 60 anos. Visando dar continuidade à investigação, foi realizada a primeira onda do estudo entre os meses de novembro de 2016 e fevereiro de 2017. Nessa etapa, a residência de todos os idosos entrevistados no ano-base foi considerada elegível para a nova entrevista. Foram consideradas perdas os idosos não disponíveis para participação em pelo menos três visitas em dias e horários diferentes, mesmo com agendamento prévio, bem como os que mudaram de residência e os que faleceram. Os idosos que mudaram de endereço não foram procurados, pois não havia informações sobre o endereço atual. Foram utilizados os mesmos instrumentos de coleta de dados previamente empregados, todos validados 1212. Carneiro JA, Ramos GCF, Barbosa ATF, Mendonça JMG, Costa FM, Caldeira AP. Prevalence and factors associated with frailty in non-institutionalized older adults. Rev Bras Enferm. 2016;69(3):435-42. https://doi.org/10.1590/0034-7167.2016690304i
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A variável dependente foi o registro de transição para um estado pior do componente da EFS. A escala tem nove domínios, distribuídos em 11 itens com pontuação de zero a 17. A pontuação pode variar entre zero e quatro, indicando que não há presença de fragilidade; cinco e seis, definindo o idoso como aparentemente vulnerável; sete e oito, indicando fragilidade leve; nove e 10, fragilidade moderada; e 11 ou mais, fragilidade severa 55. Rolfson DB, Majumdar SR, Tsuyuki RT, Tahir A, Rockwood K. Validity and reliability of the Edmonton Frail Scale. Age Ageing. 2006;35(5):526-9. https://doi.org/10.1093/ageing/afl041
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. Os resultados da classificação de cada idoso foram comparados entre os dois momentos do estudo (primeira onda e linha de base).

Para a análise dos dados, os resultados da variável dependente foram dicotomizados em dois níveis: piora e não piora do escore geral da EFS. As variáveis independentes estudadas foram igualmente dicotomizadas: sexo (masculino ou feminino); faixa etária (até 79 anos ou ≥ 80 anos); situação conjugal (com companheiro, incluindo casado e união estável, ou sem companheiro, incluindo solteiros, viúvos e divorciados); arranjo familiar (reside sozinho ou reside com outras pessoas); escolaridade (até quatro anos de estudo ou maior que quatro anos de estudo); alfabetização (sabe ler ou não sabe ler); prática religiosa (sim ou não); renda própria (sim ou não); renda familiar mensal (até um salário mínimo ou maior que um salário mínimo); presença ou ausência de doenças crônicas referidas (hipertensão arterial, diabetes mellitus, doença cardíaca, doença osteoarticular, neoplasia, acidente vascular encefálico); sintomas depressivos, conforme a versão reduzida da escala de depressão geriátrica de Yesavage, a Geriatric Depression Scale (GDS-15), na qual uma pontuação igual ou maior que seis identifica sintomatologia depressiva 1313. Almeida OP, Almeida SA. Confiabilidade da versão brasileira da Escala de Depressão em Geriatria (GDS) versão reduzida. Arq Neuropsiquiatr. 1999;57(2B):421-6. https://doi.org/10.1590/S0004-282X1999000300013
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; polifarmácia, definida como uso de cinco ou mais medicamentos (sim ou não); perda de peso autorreferida (sim ou não); tabagismo (sim ou não); presença de cuidador (sim ou não); queda nos últimos 12 meses (sim ou não); consulta médica nos últimos 12 anos (sim ou não); internação nos últimos 12 meses (sim ou não) e autopercepção de saúde. Essa última variável foi avaliada por meio da questão: “Como o(a) sr(a). classificaria seu estado de saúde?”, cujas respostas possíveis eram “muito bom”, “bom”, “regular”, “ruim” ou “muito ruim”. Para análise, assumiu-se como percepção positiva da saúde as respostas “muito bom” e “bom”, enquanto as respostas “regular”, “ruim” e “muito ruim” foram classificadas como percepção negativa da saúde, seguindo estudos similares sobre o tema 1414. Silva RJS, Smith-Menezes A, Tribess S, Rómo-Perez V, Virtuoso Júnior JS. Prevalência e fatores associados à percepção negativa da saúde em pessoas idosas no Brasil. Rev Bras Epidemiol. 2012;15(1):49-62. https://doi.org/10.1590/S1415-790X2012000100005
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,1515. Medeiros SM, Silva LSR, Carneiro JA, Ramos GCF, Barbosa ATF, Caldeira AP. Factors associated with negative self-rated health among non-institutionalized elderly in Montes Claros, Brazil. Cienc Saude Coletiva. 2016;21(11):3377-86. https://doi.org/10.1590/1413-812320152111.18752015
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Análises bivariadas foram realizadas para identificar fatores associados à variável resposta por meio do teste qui-quadrado. A magnitude das associações foi estimada a partir das razões de prevalência (RP). A regressão de Poisson, com variância robusta, foi utilizada para calcular as RP ajustadas, considerando, de forma conjunta, as variáveis independentes que estiveram mais fortemente associadas com a piora do componente da EFS na análise bivariada, até o nível de significância de 20% (p < 0,20). Para a análise final, considerou-se um nível de significância de 0,05 (p < 0,05).

O teste qui-quadrado também foi utilizado para comparação das principais características entre o grupo acompanhado e as perdas. As informações coletadas foram analisadas por meio do programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 17.0 (SPSS for Windows , Chicago, EUA).

Todos os participantes foram orientados sobre a pesquisa e apresentaram sua anuência assinando o termo de consentimento livre e esclarecido. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa por meio do Parecer Consubstanciado nº 1.629.395.

RESULTADOS

Dentre os 685 idosos avaliados no ano-base, 92 se recusaram a participar da segunda fase do estudo, 78 mudaram de residência e não foram localizados, 67 não foram encontrados no domicílio após três visitas e 54 haviam falecido. Logo, participaram deste estudo 394 idosos.

A Tabela 1 apresenta a comparação das características do ano-base entre a população de idosos acompanhada e a população de idosos considerada como perda durante o seguimento deste estudo. Não foram encontradas diferenças significativas para as principais características dos grupos, o que destaca uma perda não diferencial.

Tabela 1
Comparação das principais características entre idosos acompanhados e perdidos na primeira onda de seguimento do estudo em um município de Minas Gerais, Brasil, 2013–2017.

Em relação à transição entre os componentes da EFS, 21,8% dos idosos apresentaram piora do estado de fragilidade, 33,0% apresentaram melhora e 45,2% não apresentaram alteração ( Tabela 2 ). A prevalência de fragilidade passou de 33,8% no ano-base para 36,8% nesta primeira onda do estudo.

Tabela 2
Transição entre os níveis de fragilidade, segundo a Edmonton Frail Scale (EFS), da linha de base até a primeira onda do estudo em um município de Minas Gerais, Brasil, 2013–2017.

As Tabelas 3 e 4 mostram os resultados das análises bivariadas entre as características dos idosos e a piora do nível de fragilidade. Nenhuma variável sociodemográfica se mostrou associada à piora da fragilidade.

Tabela 3
Associações entre a transição para níveis piores dos componentes da Edmonton Frail Scale e variáveis demográficas, sociais e econômicas de idosos residentes na comunidade acompanhados na primeira onda do estudo (análise bivariada) em um município de Minas Gerais, Brasil, 2013–2017.

Tabela 4
Associação entre a transição para níveis piores dos componentes da Edmonton Frail Scale e variáveis relacionadas a morbidades e à utilização de serviços de saúde entre idosos residentes na comunidade acompanhados na primeira onda do estudo (análise bivariada) em um município de Minas Gerais, Brasil, 2013–2017.

As variáveis que se mantiveram estatisticamente associadas à transição para um estado pior de fragilidade após análise múltipla, segundo a EFS, foram: polifarmácia, autopercepção negativa de saúde, perda de peso e internação nos últimos 12 meses ( Tabela 5 ).

Tabela 5
Fatores associados à piora da fragilidade em idosos residentes na comunidade (análise múltipla) em um município de Minas Gerais, Brasil, 2013–2017.

DISCUSSÃO

Este estudo mostrou a transição por diferentes níveis de fragilidade em idosos comunitários ao longo de um período médio de 42 meses entre a linha de base e a primeira onda do estudo, identificando que as condições associadas à piora do estado de fragilidade foram relacionadas a morbidades e à autopercepção negativa da saúde. A prevalência da fragilidade aumentou discretamente entre os dois momentos. Quase metade do grupo de idosos manteve o padrão da avaliação anterior e cerca de um quinto apresentou piora do estado de fragilidade, enquanto outros apresentaram melhora, o que destaca o processo dinâmico da fragilidade, conforme já apontado por outros autores 77. Gill TM, Gahbauer EA, Allore HG, Han L. Transitions between frailty states among community-living older persons. Arch Intern Med. 2006;166(4):418-23. https://doi.org/10.1001/archinte.166.4.418
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,88. Etman A, Burdorf A, Van der Cammen TJ, Mackenbach JP, Van Lenthe FJ. Socio-demographic determinants of worsening in frailty among community-dwelling older people in 11 European countries. J Epidemiol Community Health. 2012;66(12):1116-21. https://doi.org/10.1136/jech-2011-200027
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Estudo pioneiro 77. Gill TM, Gahbauer EA, Allore HG, Han L. Transitions between frailty states among community-living older persons. Arch Intern Med. 2006;166(4):418-23. https://doi.org/10.1001/archinte.166.4.418
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observou, por três intervalos iguais no decorrer de 54 meses, que as transições para estados de maior fragilidade foram mais frequentes, com taxas de 43,3%, que as transições para estados de menor fragilidade, com taxas de até 23,0%, enquanto a transição de frágil para não frágil foi baixa, com taxas de 0% a 0,9%. Outro estudo 88. Etman A, Burdorf A, Van der Cammen TJ, Mackenbach JP, Van Lenthe FJ. Socio-demographic determinants of worsening in frailty among community-dwelling older people in 11 European countries. J Epidemiol Community Health. 2012;66(12):1116-21. https://doi.org/10.1136/jech-2011-200027
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mostrou a seguinte transição da fragilidade em 24 meses: 22,1% dos indivíduos pioraram, 61,8% não apresentaram alteração e 16,1% melhoraram.

As variações nas porcentagens encontradas nos estudos podem ser justificadas pela utilização de instrumentos diferentes com parâmetros distintos ou pela falta de padronização metodológica, com diferenças nos intervalos de tempo entre as avaliações e na composição da amostra, inclusive quanto ao grupo etário. Apesar de existir vários instrumentos para aferir a fragilidade em idosos, a confiabilidade e a validade da maioria não foi avaliada.

Uma revisão sistemática com 150 estudos registrou 27 instrumentos diferentes de avaliação da fragilidade em idosos utilizados. Dentre eles, apenas dois, incluindo a EFS, seguiram a diretriz que aborda as melhores práticas no desenvolvimento de medidas complexas. Tais instrumentos apresentaram confiabilidade aceitável e boa validade concorrente preditiva 1616. Bouillon K, Kivimaki M, Hamer M, Sabia S, Fransson EI, Singh-Manoux A, et al. Measures of frailty in population based studies: an overview. BMC Geriatr. 2013;13:64. https://doi.org/10.1186/1471-2318-13-64
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Os resultados deste estudo evidenciam uma associação significativa da piora da fragilidade em idosos que residem na comunidade com a autopercepção negativa do estado de saúde. Essa relação também foi identificada em revisão sistemática de estudos longitudinais sobre o assunto 1717. Feng Z, Lugtenberg M, Franse C, Fang X, Hu S, Jin C, et al. Risk factors and protective factors associated with incident or increase of frailty among community-dwelling older adults: a systematic review of longitudinal studies. PLoS One. 2017;12(6):e0178383. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0178383
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. A autopercepção de saúde, medida subjetiva e abrangente da condição de saúde, é um indicador capaz de avaliar de maneira eficaz, rápida e de baixo custo a saúde e o contexto de vida de grupos populacionais 1818. Aguilar-Palacio I, Carrera-Lasfuentes P, Rabanaque MJ. Salud percibida y nivel educativo en España: tendencias por comunidades autónomas y sexo (2001-2012). Gac Sanit. 2015;29(1):37-43. https://doi.org/10.1016/j.gaceta.2014.07.004
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. Incorpora tanto componentes físicos, cognitivos e emocionais como aspectos relacionados ao bem-estar e à satisfação com a própria vida 1919. Pagotto V, Bachion MM, Silveira EA. Autoavaliação da saúde por idosos brasileiros: revisão sistemática da literatura. Rev Panam Salud Publica. 2013;33(4):302-10. https://doi.org/10.1590/S1020-49892013000400010
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,2020. Pavão ALB, Werneck GL, Campos MR. Autoavaliação do estado de saúde e a associação com fatores sociodemográficos, hábitos de vida e morbidade na população: um inquérito nacional. Cad Saude Publica. 2013;29(4):723-34. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2013000400010
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. Essa medida tem, portanto, a capacidade de predizer de maneira robusta e consistente a piora da fragilidade em idosos, além da mortalidade e do declínio da capacidade funcional 2020. Pavão ALB, Werneck GL, Campos MR. Autoavaliação do estado de saúde e a associação com fatores sociodemográficos, hábitos de vida e morbidade na população: um inquérito nacional. Cad Saude Publica. 2013;29(4):723-34. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2013000400010
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,2121. Borim FSA, Barros MBA, Neri AL. Autoavaliação da saúde em idosos: pesquisa de base populacional no Município de Campinas, São Paulo, Brasil. Cad Saude Publica. 2012;28(4):769-80. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2012000400016
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.

Os resultados mostraram associação entre a piora da fragilidade e a perda de peso, um marcador frequentemente utilizado para avaliar a nutrição. O estado nutricional comprometido é um determinante importante relacionado à fragilidade em idosos, como evidenciado em duas revisões sistemáticas sobre o assunto, que destacaram a associação entre desnutrição (aferida pela perda de peso) e fragilidade 1717. Feng Z, Lugtenberg M, Franse C, Fang X, Hu S, Jin C, et al. Risk factors and protective factors associated with incident or increase of frailty among community-dwelling older adults: a systematic review of longitudinal studies. PLoS One. 2017;12(6):e0178383. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0178383
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,2222. Lorenzo-López L, Maseda A, Labra C, Regueiro-Folgueira L, Rodríguez-Villamil JL, Millán-Calenti JC. Nutritional determinants of frailty in older adults: a systematic review. BMC Geriatr. 2017;17(1):108. https://doi.org/10.1186/s12877-017-0496-2
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. A ingestão adequada de macro e micronutrientes é capaz de atrasar o início das consequências negativas promovidas pela fragilidade em idosos, bem como retardar o seu desenvolvimento e a sua progressão. A qualidade da dieta está inversamente associada com o risco de ser frágil 2222. Lorenzo-López L, Maseda A, Labra C, Regueiro-Folgueira L, Rodríguez-Villamil JL, Millán-Calenti JC. Nutritional determinants of frailty in older adults: a systematic review. BMC Geriatr. 2017;17(1):108. https://doi.org/10.1186/s12877-017-0496-2
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.

A piora da fragilidade em idosos residentes na comunidade se associou à polifarmácia, como também identificado em outro estudo 1010. Trevisan C, Veronese N, Maggi S, Baggio G, Toffanello ED, Zambon S, et al. Factors influencing transitions between frailty states in elderly adults: The Progetto Veneto Anziani Longitudinal Study. J Am Geriatr Soc. 2017;65(1):179-84. https://doi.org/10.1111/jgs.14515
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. A vulnerabilidade dos idosos aos problemas decorrentes do uso de medicamentos é significativa, devido à complexidade das condições clínicas, à necessidade de diversos agentes terapêuticos e às particularidades farmacocinéticas e farmacodinâmicas inerentes ao envelhecimento, além dos potenciais efeitos adversos da interação medicamentosa 2323. Oliveira LPBA, Santos SMA. An integrative review of drug utilization by the elderly in primary health care. Rev Esc Enferm USP. 2016;50(1):163-74. https://doi.org/10.1590/S0080-623420160000100021
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. O uso de muitos medicamentos pode expor o idoso à vulnerabilidade a eventos estressores, representada pela dificuldade do organismo em restaurar a homeostase, predispondo à piora da fragilidade.

Essa piora também esteve associada à internação nos últimos 12 meses, conforme observado em outras pesquisas 99. Lee JS, Auyeung TW, Leung J, Kwok T, Woo J. Transitions in frailty states among community-living older adults and their associated factors. J Am Med Dir Assoc. 2014;15(4):281-6. https://doi.org/10.1016/j.jamda.2013.12.002
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,1111. Chamberlain AM, Rutten LJ, Manemann SM, Yawn BP, Jacobson DJ, Fan C, et al. Frailty trajectories in an elderly population‐based cohort. J Am Geriatr Soc. 2016;64(2):285-92. https://doi.org/doi:10.1111/jgs.13944
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. Isso reforça a importância da reabilitação após hospitalizações como medida para reduzir a deterioração das condições de saúde do idoso. Esse aspecto é particularmente importante para os profissionais de saúde que atendem essa população. As internações, ainda que curtas, tendem a interferir bastante na rotina dos idosos, precipitando alterações que os tornam mais frágeis. Assim, as equipes da Estratégia Saúde da Família devem estabelecer maior aproximação com esses indivíduos, propiciando rápida recuperação e antecipando situações de agravamento, como inadequações ou interrupções no uso de medicamentos e inatividade física, entre outros.

Alguns fatores foram associados à piora da fragilidade em outras investigações8–11e destacados em revisão sistemática de estudos longitudinais 1717. Feng Z, Lugtenberg M, Franse C, Fang X, Hu S, Jin C, et al. Risk factors and protective factors associated with incident or increase of frailty among community-dwelling older adults: a systematic review of longitudinal studies. PLoS One. 2017;12(6):e0178383. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0178383
https://doi.org/10.1371/journal.pone.017...
, mas não se mostraram presentes neste trabalho. Na Europa 88. Etman A, Burdorf A, Van der Cammen TJ, Mackenbach JP, Van Lenthe FJ. Socio-demographic determinants of worsening in frailty among community-dwelling older people in 11 European countries. J Epidemiol Community Health. 2012;66(12):1116-21. https://doi.org/10.1136/jech-2011-200027
https://doi.org/10.1136/jech-2011-200027...
, foram analisados dados de 14.424 pessoas residentes na comunidade com idade igual ou maior que 55 anos; idosos de idade superior a 65 anos, sexo feminino e baixa escolaridade apresentaram maior risco de piora da fragilidade. Em 3.018 chineses com 65 anos ou mais que vivem na comunidade 99. Lee JS, Auyeung TW, Leung J, Kwok T, Woo J. Transitions in frailty states among community-living older adults and their associated factors. J Am Med Dir Assoc. 2014;15(4):281-6. https://doi.org/10.1016/j.jamda.2013.12.002
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, hospitalizações, idade avançada, acidente vascular cerebral anterior, câncer prévio, diabetes mellitus e osteoartrite foram associadas à piora da fragilidade. Fatores sociais e comportamentais, incluindo o tabagismo, se associaram à piora da fragilidade em estudo com norte-americanos 2424. Chamberlain AM, St Sauver JL, Jacobson DJ, Manemann SM, Fan C, Roger VL, et al. Social and behavioural factors associated with frailty trajectories in a population-based cohort of older adults. BMJ Open. 2016;6(5):e011410. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2016-011410
https://doi.org/10.1136/bmjopen-2016-011...
. Em idosos italianos 1010. Trevisan C, Veronese N, Maggi S, Baggio G, Toffanello ED, Zambon S, et al. Factors influencing transitions between frailty states in elderly adults: The Progetto Veneto Anziani Longitudinal Study. J Am Geriatr Soc. 2017;65(1):179-84. https://doi.org/10.1111/jgs.14515
https://doi.org/10.1111/jgs.14515...
, fatores socioeconômicos e clínicos estiveram relacionados à piora da fragilidade, entre eles a idade mais avançada, sexo feminino, obesidade, doença cardiovascular, osteoartrite, tabagismo e polifarmácia. As diferenças observadas retratam provavelmente as particularidades apresentadas por cada grupo populacional, além dos diferentes intervalos de tempo e instrumentos para aferição da fragilidade empregados pelos autores.

Alguns estudos investigaram e observaram que doenças pulmonares 99. Lee JS, Auyeung TW, Leung J, Kwok T, Woo J. Transitions in frailty states among community-living older adults and their associated factors. J Am Med Dir Assoc. 2014;15(4):281-6. https://doi.org/10.1016/j.jamda.2013.12.002
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, consumo de bebidas alcoólicas 2424. Chamberlain AM, St Sauver JL, Jacobson DJ, Manemann SM, Fan C, Roger VL, et al. Social and behavioural factors associated with frailty trajectories in a population-based cohort of older adults. BMJ Open. 2016;6(5):e011410. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2016-011410
https://doi.org/10.1136/bmjopen-2016-011...
, perda de visão, hipovitaminose D e hiperuicemia 1010. Trevisan C, Veronese N, Maggi S, Baggio G, Toffanello ED, Zambon S, et al. Factors influencing transitions between frailty states in elderly adults: The Progetto Veneto Anziani Longitudinal Study. J Am Geriatr Soc. 2017;65(1):179-84. https://doi.org/10.1111/jgs.14515
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, assim como a baixa função congnitiva 99. Lee JS, Auyeung TW, Leung J, Kwok T, Woo J. Transitions in frailty states among community-living older adults and their associated factors. J Am Med Dir Assoc. 2014;15(4):281-6. https://doi.org/10.1016/j.jamda.2013.12.002
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,1010. Trevisan C, Veronese N, Maggi S, Baggio G, Toffanello ED, Zambon S, et al. Factors influencing transitions between frailty states in elderly adults: The Progetto Veneto Anziani Longitudinal Study. J Am Geriatr Soc. 2017;65(1):179-84. https://doi.org/10.1111/jgs.14515
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são também fatores associados à piora da fragilidade. Todavia, esses fatores não foram investigados no presente estudo, o que representa uma limitação para uma análise comparativa mais ampla.

Outra limitação foi a impossibilidade de avaliar as transições de fragilidade que ocorreram em intervalos de tempo menores que o período entre a linha de base e a primeira onda do estudo. Além disso, parte das variáveis estudadas foram autorrelatadas. Todavia, a despeito dessas limitações, este trabalho possui amostra aleatória, com número expressivo de idosos residentes na comunidade. Foi utilizado instrumento adaptado à cultura brasileira, padronizado, abrangente e com métodos simples, válidos, precisos e confiáveis. Além disso, este estudo abordou uma gama de variáveis que potencialmente influenciam as transições de fragilidade, destacando aspectos que podem ser utilizados por gestores e por profissionais da saúde.

Por fim, conclui-se que a fragilidade foi confirmada como um processo dinâmico, caracterizado por transição entre os níveis da escala ao longo do tempo. Os fatores relacionados à saúde que mostraram associação com a piora da fragilidade em idosos que residem na comunidade foram: polifarmácia, autopercepção negativa de saúde, perda de peso e internação nos últimos 12 meses. Esses resultados devem ser considerados pelos profissionais de saúde que lidam com idosos comunitários, especialmente em equipes da Estratégia Saúde da Família. Reconhecendo-os como marcadores de piora do estado de fragilidade, os profissionais de saúde podem fazer intervenções oportunas para evitar o agravamento das condições de saúde do idoso e promover melhor qualidade de vida.

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  • Financiamento: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG – Edital Universal 2013, Processo CDS-APQ-00996-13).

Histórico

  • Recebido
    22 Mar 2018
  • Aceito
    28 Maio 2018
  • Publicação Online
    01 Abr 2019
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revsp@org.usp.br