Análise da inserção dos nutricionistas nos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva: identidades, trajetórias e tomadas de posição

Camila Ramos Reis Jamacy Costa-Souza Ligia Maria Vieira-da-Silva Sobre os autores

RESUMO

A Nutrição iniciou sua constituição como profissão independente na década de 1930. Conquistou estatuto de formação superior em 1967. Com a emergência do Espaço da Saúde Coletiva nos anos 1970, verificou-se a construção do espaço da Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva. Os nutricionistas integram esse campo multiprofissional nos seus diversos âmbitos. Em que medida essa inserção corresponde a uma integração ao Espaço da Saúde Coletiva ou persiste como um subespaço a ele articulado? Visando responder parcialmente esta indagação, foram analisadas características dos nutricionistas nos programas de pós-graduação a partir dos currículos Lattes de todos que compunham o quadro permanente dos cursos em 2010. Os indicadores foram: principal área de atuação, área do doutorado, linhas de pesquisa e publicações, entre outros. Entre os 944 docentes, 42 eram nutricionistas (4,4%). Desses, 47,6% indicaram a Saúde Coletiva e 42,9% a Nutrição como primeira área de atuação. Nutrição e Alimentação foi referida como a primeira linha de pesquisa por 40,5%; e Epidemiologia por 14,3%. O tema da tese foi Epidemiologia para 42,9%, seguido de Avaliação (14,3%) e Ciências Sociais (11,9%). Estes achados são indicativos de que, embora os nutricionistas tenham inserção no Espaço da Saúde Coletiva, suas tomadas de posição evidenciam estratégias de pertencimento ao campo de origem.

PALAVRAS-CHAVE
Nutricionistas; Saúde pública; Programas de pós-graduação em saúde

Introdução

O processo social que levaria à profissão de nutricionista surgiu entre os anos 1930-1940, durante o governo de Getúlio Vargas11 Viana SV. Perspectiva Relacional no Estudo do Processo de Trabalho em Saúde: Contribuição Para uma Nova Abordagem a Partir do Estudo da Prática do Nutricionista no Campo da Alimentação Institucional. Cad Saúde Pública. 1995 out-dez; 11(4):616-620.,22 Vasconcellos FAG. O nutricionista no Brasil: uma análise histórica. Rev. Nutrição. 2002 maio-ago; 15(2):127-138.. Embora originalmente tenha sido uma disciplina da Medicina, a Nutrição constituiu-se historicamente como espaço social relativamente independente. A primeira regulamentação desta profissão deu-se em 196733 Brasil. Lei nº 5.276, de 4 de abril de 1967. Dispõe sobre a profissão de Nutricionista, regula o seu exercício e dá outras providências. Diário Oficial da União. 4 Abr 1967 [acesso em 2018 jun 7]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/1950-1969/L5276impressao.htm.
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; seu Conselho foi instituído em 197844 Brasil. Lei nº 6.583, de 20 de outubro de 1978. Cria os Conselhos Federal e Regionais de Nutricionistas, regula o seu funcionamento e dá outras providências. Diário Oficial da União. 20 Out 1978 [acesso em 2018 jun 7]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/1970-1979/L6583.htm.
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; e, em 1991, uma nova lei ampliou as suas garantias55 Brasil. Lei nº 8.234, de 17 de setembro de 1991. Regulamenta a profissão de Nutricionista e determina outras providências. Diário Oficial da União. 17 Set 1991 [acesso em 2018 jun 7]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/1989_1994/L8234.htm#art7.
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. Com a emergência do Espaço da Saúde Coletiva (ESC), no Brasil, nos anos 197066 Vieira-da-Silva L, Pinell P. The genesis of collective health in Brazil. Sociol. Health Illn. [internet]. 2014 [acesso em 2018 jun 17]; 36(3):432-446. Disponível em: https://doi.org/10.1111/1467-9566.12069.
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, iniciou-se, no seu interior, a construção de um espaço da Alimentação e Nutrição, tendo em vista as múltiplas interfaces entre os dois espaços sociais77 Vasconcellos FAG, Batista Filho M. História do campo da Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva no Brasil. Ciênc Saúde Colet. 2011; 16(1):81-90..

Essa intersecção entre a Saúde Coletiva (SC) e a Nutrição ocorre principalmente no âmbito da pós-graduação e da pesquisa. Se na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) há uma separação entre os comitês que avaliam os programas de pós-graduação de cada área, no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ambas estão reunidas em um único comitê.

Ademais, os nutricionistas integraram o movimento por uma Reforma Sanitária Brasileira (RSB), cujo processo relaciona-se intimamente com a criação da SC brasileira como campo de saberes e práticas88 Paim JS. Reforma Sanitária Brasileira: avanços, limites e perspectivas. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2008. ou um espaço específico com um projeto de se tornar um campo66 Vieira-da-Silva L, Pinell P. The genesis of collective health in Brazil. Sociol. Health Illn. [internet]. 2014 [acesso em 2018 jun 17]; 36(3):432-446. Disponível em: https://doi.org/10.1111/1467-9566.12069.
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,99 Vieira-da-Silva LM, Paim JS, Schraiber LB. O que é Saúde Coletiva? In: Paim JS, Almeida Filho N, organizadores. Saúde Coletiva: Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Medbooks; 2013. p. 3-12.. Essa participação resultou na criação, no âmbito da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), de um Grupo de Trabalho sobre Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva (GT-ANSC), em julho de 20081010 Castro IRR, Medeiros MAT, Recine E. Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva. Ensaios Diálogos Saúde Colet [internet]. 2017 jun [acesso em 2018 jun 7]; 4:40-42. Disponível em: https://www.abrasco.org.br/site/wp-content/uploads/2017/10/PDF_ENSAIOS_COMPLETA_4.pdf.
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, que tem desempenhado um papel importante na discussão desta temática.

Alguns estudos sobre políticas nutricionais mostram que o tema da Nutrição tem ocupado um plano secundário no ESC. Um exemplo é o Programa de Incentivo Fiscal à Alimentação do Trabalhador (Pifat/PAT), que, embora atinja diariamente mais de 16 milhões de pessoas empregadas e envolva cerca de 19% dos postos de nutricionistas brasileiros1111 Reis C, Costa J, Vieira-da-Silva LM. O programa de alimentação do trabalhador (PAT) nas conferências de saúde do trabalhador. In: X Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. Porto Alegre: UFRGS; 2012.,1212 Souza JC, Vieira-da-Silva LM, Pinell P. Uma abordagem sócio-histórica à análise de políticas: o caso do Programa de Alimentação do Trabalhador no Brasil. Cad Saúde Pública. 2018 fev; 34(1):1-15., sequer faz parte da Políticas Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) e da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (PNSTT)1313 Brasil. Portaria nº 1.823, de 23 de agosto de 2012. Institui a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora. Diário Oficial da União. 23 Ago 2002 [acesso em 2018 jun 7]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2012/prt1823_23_08_2012.html.
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.

No que diz respeito às relações entre a Nutrição e a Pós-Graduação em Saúde Coletiva, a despeito de existirem estudos sobre as características da pós-graduação na subárea Nutrição1414 Araújo MDPN, Souza JC. A alimentação do trabalhador no Brasil: um resgate da produção científica nacional. Hist. Ciênc. Saúde-Manguinhos. 2010; 17(4):975-992.

15 Olinto MTA, Lira PIC, Marchini JS, et al. Formação humana, pesquisa e produção científica na subárea de avaliação "nutrição" da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, no Brasil, de 2007 a 2009. Rev. Nutr. 2011 nov-dez; 24(6):917-925.

16 Campos FM, Prado SD, Ferreira FR, et al. Alimentação coletiva no campo científico da Alimentação e Nutrição: reflexões sobre concepções científicas e pesquisa. Rev. Nutr. 2016 maio-jun; 29(3):425-435.
-1717 Vasconcellos FAG. A produção científica da Nutrição publicada pela Scientific Electronic Library sob o olhar da avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Rev. Nutr. 2017 mar-abr; 30(2):147-161., a inserção dos nutricionistas nos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) tem sido pouco investigada.

Assim, algumas questões emergiram: como os docentes dos PPGSC, graduados em Nutrição, integram a SC? Qual o perfil dos nutricionistas que compõem os PPGSC? Estão constituindo um subespaço específico no interior da SC ou guardam identidade com a Nutrição?

Com o propósito de contribuir para o preenchimento de algumas dessas lacunas, o presente estudo descreve as principais características dos nutricionistas docentes dos PPGSC.

Metodologia

Orientado pela teoria do mundo social de Pierre Bourdieu, foi realizado um estudo transversal sobre as principais características de todos os nutricionistas docentes dos 55 PPGSC que foram submetidos à avaliação da Capes (2007-2009). Tal estudo fez parte de um projeto que investigou o ESC e os 944 docentes que atuavam nos PPGSC em 201066 Vieira-da-Silva L, Pinell P. The genesis of collective health in Brazil. Sociol. Health Illn. [internet]. 2014 [acesso em 2018 jun 17]; 36(3):432-446. Disponível em: https://doi.org/10.1111/1467-9566.12069.
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,1818 Vieira-da-Silva LM. Gênese Sócio-Histórica da Saúde Coletiva no Brasil. In: Lima NT, Santana JP, Paiva CHA, organizadores. Saúde Coletiva: a Abrasco em 35 anos de história. 1. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2015. 25-48.,1919 Vieira-da-Silva LM. Salud Colectiva brasilena: arquitectura y dinamica de un campo. In: Castro R, Suarez HJ, organizadores. Pierre Bourdieu en la sociologia Latinoamericana: Campo y Habitus. 1. ed. Cuernavacas: Universidad Nacional Autonoma de México; 2018. p. 143-166.. Essa inserção possibilitou comparar as características dos graduados em Nutrição com aquelas dos oriundos de outras profissões.

As fontes de dados foram os currículos Lattes dos 42 nutricionistas que compunham o quadro de professores permanentes dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, em 2010.

Os agentes, docentes dos PPGSC com graduação em Nutrição, foram analisados a partir das seguintes características e indicadores: trajetória profissional e posição no ESC (instituição, função e cargos ocupados); tomadas de posição em relação às linhas de pesquisa e área de atuação (epidemiologia, planejamento ou ciências sociais).

Para fins de análise, foram utilizados os conceitos de campo, espaço social, capital, trajetória e tomada de posição2020 Bourdieu P. Homo Academicus. Paris: Minuit; 1984.. Campo foi entendido como um campo de forças e lutas com autonomia relativa para transformar essas relações de forças e estabelecer as regras legítimas disputas em seu interior. Um espaço social específico pode ser considerado como um espaço de relações entre agentes situados em diferentes campos, mas que possuem interesses em comum, relacionados com as questões em jogo2121 Vieira-da-Silva LM, Chaves SCL, Esperidião MA, et al. Análise sócio-histórica das políticas de saúde: algumas questões metodológicas da abordagem bourdieusiana. In: Teixeira CF, organizadora. Observatório de Análise Política em Saúde. 1. ed. Salvador: Edufba; 2016. p. 15-40.

22 Bourdieu P. Razões Práticas: sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus; 1997.
-2323 Bourdieu P. As regras da arte. Gênese e estrutura do campo literário. Lisboa: Presença; 1996.. É, portanto, uma noção mais flexível, que tanto pode ser um campo propriamente, ou um microcosmo em seu interior, ou mesmo um espaço intercampos2121 Vieira-da-Silva LM, Chaves SCL, Esperidião MA, et al. Análise sócio-histórica das políticas de saúde: algumas questões metodológicas da abordagem bourdieusiana. In: Teixeira CF, organizadora. Observatório de Análise Política em Saúde. 1. ed. Salvador: Edufba; 2016. p. 15-40.. O capital é uma espécie de ativo, uma energia social que permite ao seu portador disputar e lutar segundo as regras específicas e autênticas de cada espaço particular2424 Pinto L. Pierre Bourdieu et la théorie du monde social. Paris: Albin Michel; 1998.. E a distribuição dos agentes no espaço social é dada pela estrutura e pelo volume de diferentes capitais, como o cultural, o econômico e os capitais políticos66 Vieira-da-Silva L, Pinell P. The genesis of collective health in Brazil. Sociol. Health Illn. [internet]. 2014 [acesso em 2018 jun 17]; 36(3):432-446. Disponível em: https://doi.org/10.1111/1467-9566.12069.
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. A análise da trajetória possibilita identificar as posições sucessivas ocupadas pelos agentes em um determinado espaço social, em um determinado tempo. E a relação entre a posição ocupada e a trajetória possibilitam a identificação da tomada de posição, que auxiliam, por sua vez, na compreensão da estrutura do campo e as questões que estão em jogo2121 Vieira-da-Silva LM, Chaves SCL, Esperidião MA, et al. Análise sócio-histórica das políticas de saúde: algumas questões metodológicas da abordagem bourdieusiana. In: Teixeira CF, organizadora. Observatório de Análise Política em Saúde. 1. ed. Salvador: Edufba; 2016. p. 15-40..

O projeto 'Espaço da Saúde Coletiva', que abriga o presente estudo, foi aprovado pelo Conselho de Ética em pesquisa do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) sob o parecer 054/07/CEP/ISCFR167674.

Resultados e discussão

A posição dos nutricionistas no subespaço científico da Saúde Coletiva

Em 2009, existiam 944 docentes permanentes nos PPGSC. Embora a proporção de nutricionistas docentes fosse pequena, correspondendo a 4,4% do total, era a terceira de maior presença. Havia uma dominância dos docentes graduados em Medicina n=425 (45%), seguida pela Enfermagem n=62 (6,6%), Nutrição n=42 (4,4%), Psicologia n=34 (3,6%) e Odontologia n=30 (3,3%) (tabela 1).

Tabela 1
Docentes dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (n e %), segundo área da graduação

Tendo em vista tratar-se de um campo em construção relativamente recente, a identidade com a SC é ainda uma questão em jogo nesse espaço social. Da mesma forma, os nutricionistas que dele participam estão praticamente divididos entre desejar um reconhecimento como pertencentes ao campo e resguardarem sua identidade como nutricionistas. Esta ambivalência pode ser observada na análise da indicação feita no Lattes sobre qual seria a primeira área de atuação. Os docentes da SC, em sua maioria, 518 (54,9%), indicaram como SC a sua primeira área de atuação. Já os nutricionistas indicaram, quase em proporções equivalentes, com uma discreta diferença, a SC n=20 (47,6%), seguida pela Nutrição n=18 (42,9%) (tabela 2).

Tabela 2
Docentes nutricionistas dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (n e %), segundo área de atuação

Uma dupla atuação pode ser observada pelos nutricionistas, seja na carreira acadêmica - sendo mais forte na SC - ou pelo fortalecimento da profissão de nutricionista, ao tentarem preservar a sua identidade. Desta forma, percebe-se o mesmo fenômeno que aconteceu na primeira área de atuação com a classificação da área da tese de doutorado pelos docentes. A SC predominou entre os docentes dos PPGSC, embora com percentual de 42,6%, o que mostra que a maioria classificou a área da sua tese como fora da SC. Já os nutricionistas classificaram em proporções quase equivalentes, tanto em SC (38,1%) quanto na Nutrição (35,7%) (tabela 3).

Tabela 3
Docentes nutricionistas dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (n e %), segundo área da tese do doutorado

Sobre a subárea da tese de doutorado, a maioria classificou como saúde pública (16,4%), seguida de epidemiologia (16%) e clínica médica (4%). Entre os docentes nutricionistas, a maioria classificou como análise nutricional de população (19%), seguida de epidemiologia (16,7%) e saúde pública (11,9%).

Esses dados podem indicar que a inserção de docentes graduados em Nutrição na SC ocorre de forma ambivalente, o que sugere, ainda, uma forte influência do espaço de origem (Nutrição). Tal fato também foi verificado pela referência a docentes de PPGSC, graduados em outras profissões de saúde, a exemplo da Odontologia2525 Costa JB. Perfil dos Docentes com Graduação em Odontologia Pertencentes aos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva [dissertação]. Salvador: UFBA/ISC; 2018. ou de outras profissões da saúde1919 Vieira-da-Silva LM. Salud Colectiva brasilena: arquitectura y dinamica de un campo. In: Castro R, Suarez HJ, organizadores. Pierre Bourdieu en la sociologia Latinoamericana: Campo y Habitus. 1. ed. Cuernavacas: Universidad Nacional Autonoma de México; 2018. p. 143-166.. Há um predomínio da epidemiologia e de áreas correlatas, a exemplo da área denominada como 'análise nutricional de população'. Neste último caso, a ênfase no objeto e não no método pode estar relacionada com esse movimento de dupla inserção e de busca de delimitação de um espaço específico.

Os nutricionistas distribuem-se no subcampo científico da SC de forma proporcionalmente equivalente aos demais pesquisadores e à sua presença neste campo. A proporção de nutricionistas bolsistas de produtividade do CNPq, indicador de elevado capital científico, foi muito próxima àquela do total de docentes de outras graduações. Em relação aos últimos, dos 944 docentes, 244 (25,8%) possuíam bolsa. Já em relação aos nutricionistas, a proporção foi quase equivalente: 23,8% (dos 42 docentes, 10 tinham bolsa de produtividade). Porém, um número considerável de agentes (76,2%) não era bolsista de produtividade. Este fato tem sido relacionado ao congelamento histórico do número de bolsas, tendo em vista a existência de diversos pesquisadores que atendem aos critérios das bolsas de produtividade, mas não têm seus pedidos acolhidos por falta de recursos do CNPq.

Os docentes de Nutrição tinham atualizado os seus currículos Lattes em menos de 30 dias, tempo este menor do que aquele do conjunto dos docentes dos PPGSC, que fizeram a atualização em até 90 dias. Tal fato revela a importância dada por estes docentes à plataforma, caracterizada como um instrumento relevante para o campo científico.

O pós-doutorado não é ainda uma atividade predominante no ESC, uma vez que quase 70% dos seus agentes ainda não o fizeram; o mesmo é observado quando se trata dos nutricionistas. Enquanto na SC n=300 (31,8%) dos docentes já o tem, entre os nutricionistas, esse percentual cai um pouco, indo para n=11 (26,2%).

Em relação aos programas de doutorado, tanto para a SC como para os nutricionistas, as universidades do Sudeste apresentaram um maior número de docentes. Na SC, destacam-se a Universidade de São Paulo (USP) Saúde Pública n=117 (22,7%), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Saúde Pública n=103 (20%), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) n=57 (11%), seguidas dos programas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Saúde Coletiva/Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), com n= 37 (7,2%) e n= 27 (5,2%), respectivamente. Para os nutricionistas, a maioria deles tem destaque na USP Saúde Pública n=11 (26,2%), na Uerj Saúde Coletiva n=7 (16,7%) e na Unicamp Saúde Coletiva n=3 (7,1%), seguidas dos programas da UFBA Saúde Coletiva e USP Nutrição em Saúde Pública, ambas correspondendo a n=2 (4,8%) (tabela 4).

Tabela 4
Docentes nutricionistas dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (n e %), segundo tema da tese do doutorado

Sobre os temas da tese de doutorado, a epidemiologia é individualmente o mais frequente, tanto para a SC como para os nutricionistas, sendo a proporção destes últimos ainda maior. Os docentes da SC, em sua maioria, classificaram como epidemiologia (28,8%), seguida de avaliação (14,3%) e ciências sociais em saúde (11,9%). Já os nutricionistas classificaram como epidemiologia n=18 (42,9%), seguida de avaliação n=6 (14,3%) e ciências sociais em saúde n=5 (11,9%) (tabela 3).

Em relação ao mestrado, grande parte dos docentes da SC indicou como área de conhecimento a saúde pública (31,2%), seguido de SC (15,5%), Medicina (6,3%) e Medicina Preventiva (5,1%), caracterizando uma distribuição mais heterogênea para os da SC. Já em relação aos nutricionistas, há um predomínio, como área de conhecimento, da saúde pública (40,5%), seguida de Nutrição (9,5%), SC e ciências sociais (7,1%), tendo um número considerável de docentes que fizeram mestrado em outras áreas (23,8%). Este fato revela a importância da saúde pública como identidade dos docentes dos PPGSC, tanto por alguns a considerarem como sinônimo de SC1818 Vieira-da-Silva LM. Gênese Sócio-Histórica da Saúde Coletiva no Brasil. In: Lima NT, Santana JP, Paiva CHA, organizadores. Saúde Coletiva: a Abrasco em 35 anos de história. 1. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2015. 25-48. como pelo fato de que alguns programas importantes preservam o nome de Saúde Pública. Também, a dominância da designação 'Saúde Pública' pode estar relacionada à necessidade de diálogo internacional, pelo fato de que disciplinas e áreas de conhecimento equivalentes são assim denominadas.

Sobre a época e a universidade de conclusão do mestrado, nos anos 1990-2000 (52,1%), o programa que isoladamente formou a maior proporção de mestres da SC foi o da USP (18,5%), seguido daqueles que concluíram em universidades fora do País (12,6%). Entre os nutricionistas, a maioria n=30 (75%) formou-se entre os anos 1990-2000, na USP (26,2, %), seguida daqueles formados fora do País (11,9%) e dos que se formaram na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) (7,1%) e na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/RJ) (7,1%).

Em relação à área de dissertação do mestrado, a maioria da SC indicou como área a SC (36,8%) e a Nutrição (3%). Especificamente entre os nutricionistas, a maioria (54,8%) indicou a Nutrição, seguida pela SC (26,2%), sendo esta, talvez, uma vez mais, uma forma de os nutricionistas delimitarem seu espaço, como uma tomada de posição. Isto é, embora estejam no ESC, delimitam seu pertencimento a um subespaço da Nutrição (tabela 5).

Tabela 5
Docentes nutricionistas dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (n e %), segundo área de dissertação do mestrado

A análise das subáreas do mestrado indica que não parece ser um tema relevante para os agentes da SC, uma vez que um número considerável não preencheu essa informação (18,9%); e, entre aqueles que informaram, a maioria foi tão dispersa que 21,1% indicaram como outras subáreas. Ainda assim, cabe mencionar que a maioria dos docentes indicaram a saúde pública como subárea n=156 (16,5%), seguido da epidemiologia n=113 (12%) e clínica médica n=32 (3,4%). Já para os nutricionistas, a maioria indicou a Análise Nutricional de População (26,2%), seguida de saúde pública (16,7%) e epidemiologia (9,5%). Percebe-se que a epidemiologia aparece nos dois subespaços, porém, como identificado anteriormente, a delimitação do espaço para os nutricionistas fica mais clara quando eles indicam como subárea a análise nutricional da população. Tal achado vai reforçando a hipótese de que os nutricionistas tentam se fixar dentro da SC com uma identificação própria, seja como uma categoria profissional, um espaço de pertencimento ou uma área de conhecimento.

A análise das dissertações de mestrado indica na SC que o tema dominante relaciona-se à epidemiologia (28,2%), seguido pelas ciências sociais (22,5%) e pela área de planejamento e gestão (12,8%). Entre os nutricionistas, o tema dominante é a epidemiologia (40,5%), seguido de avaliação (9,5%) e clínica (9,5%).

Em relação ao ano de conclusão da graduação, a maioria na SC formou-se entre os anos 1970 e 1980. Entre os nutricionistas, a maioria formou-se nos anos 1975 e 1990. Ou seja, a incorporação dos nutricionistas no espaço é mais recente do que a dos demais profissionais do ESC.

Quanto à formação acadêmica, percebeu-se que há uma semelhança, tanto para os nutricionistas quanto para os docentes da SC, que se dá em relação ao pós-doutorado, ao doutorado e ao ano de conclusão da graduação. Já para o mestrado, muitos nutricionistas se formaram entre os anos 1990 e 2000, caracterizando uma formação mais recente em relação à dos demais agentes analisados.

No que se refere à carreira acadêmica, a maioria dos nutricionistas são Dedicação Exclusiva (DE), enquanto os dados sugeriram que, para a SC, há um número maior de agentes que transita por outros subespaços, como burocracia, política, consultoria e clínica.

Tomadas de posição ao interior do campo científico

Quase 3/4 (73,8%) dos nutricionistas têm contrato de DE. Na SC, embora a DE seja maioria, esta se dá em um percentual menor (56,3%). E o regime de 40 horas é mais incidente do que entre os nutricionistas (31,8% e 21,4%, respectivamente). Estes achados podem indicar que, enquanto a ampla maioria dos nutricionistas segue uma carreira exclusivamente acadêmica, há um número maior de agentes da SC que transita por outros subespaços, como a burocracia, a política, a consultoria e a clínica.

No que diz respeito às linhas de pesquisa, verifica-se uma grande dispersão. Na SC, a mais citada (epidemiologia) é referida apenas por 14,7% dos docentes, seguida por política, planejamento e gestão (5,9%). Entre os nutricionistas, verifica-se maior consistência: há uma grande proporção de docentes que indicam como principal linha de pesquisa temas relacionados com nutrição e alimentação (40,5%) - uma designação bastante abrangente -, seguida de epidemiologia (14,3%) e 'outros' (16,7%).

A análise dos temas de escolha dos primeiros projetos de pesquisa para os nutricionistas demonstra que o predominante é a epidemiologia (47,6%), seguida das ciências sociais em saúde (14,3%) e da avaliação (9,5%). Na SC, a maioria dos temas também é em epidemiologia (23,1%).

Considerações finais

Este estudo traz algumas evidências sobre as relações estabelecidas entre os nutricionistas e o ESC. A formação pós-graduada em SC, a opção pela participação em PPGSC e a indicação da SC como primeira área de atuação por elevada proporção de nutricionistas são indicadores de um movimento voltado para a integração destes últimos no ESC. Por outro lado, a persistência de proporção quase equivalente de docentes que indicam ainda a Nutrição como primeira área de atuação, que fizeram mestrado e doutorado em programas de Nutrição ou em outras áreas do conhecimento, caracteriza uma segunda modalidade de participação, que mantém a identidade com o espaço da Nutrição. Uma terceira possibilidade, nos casos onde a primeira e a segunda área de atuação são SC e ou Nutrição, poderia expressar uma participação ambivalente, entre a identificação com a SC e a reafirmação da identidade e pertencimento à Nutrição.

Os docentes graduados em Nutrição distribuem-se nas diversas posições do subcampo científico da SC, de forma proporcional. No polo dominante, a razão de bolsistas de produtividade em pesquisa em relação aos pesquisadores é relativamente equivalente àquela do universo.

Embora os nutricionistas constituam uma parcela dos docentes dos PPGSC e, na indicação para a primeira área de atuação, haja um pequeno predomínio da SC, a análise apontou que suas tomadas de posição priorizam objetos ligados à Nutrição. Em um espaço social dominado ainda por médicos e disputado por cientistas sociais, odontólogos e enfermeiros, entre outros, os nutricionistas possivelmente procuram delimitar seu subespaço recorrendo à identidade de origem. É possível que esta ambiguidade termine por afetar as disposições para as lutas no interior do ESC, o que talvez auxilie a compreensão da não priorização ou mesmo da ausência dos temas da alimentação e Nutrição nas principais pautas da agenda da SC brasileira. Por outro lado, a dupla identidade faz parte do processo de autonomização do campo da SC, onde a perda da identidade profissional de origem é ambivalente, tendo em vista que uma nova identidade profissional ainda não foi consolidada1818 Vieira-da-Silva LM. Gênese Sócio-Histórica da Saúde Coletiva no Brasil. In: Lima NT, Santana JP, Paiva CHA, organizadores. Saúde Coletiva: a Abrasco em 35 anos de história. 1. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2015. 25-48.,1919 Vieira-da-Silva LM. Salud Colectiva brasilena: arquitectura y dinamica de un campo. In: Castro R, Suarez HJ, organizadores. Pierre Bourdieu en la sociologia Latinoamericana: Campo y Habitus. 1. ed. Cuernavacas: Universidad Nacional Autonoma de México; 2018. p. 143-166..

Sobre a incorporação dos nutricionistas nesse espaço, percebeu-se que tem ocorrido de forma gradual, a exemplo das demais profissões, como a médica. Quando considerado o capital científico, sintetizados na forma de bolsa produtividade do CNPq, observa-se que os nutricionistas ocupam posição proporcionalmente equivalente aos demais pesquisadores, demonstrando certa força política para esta subárea, visto que eles têm conquistado/delimitado alguns espaços científicos no interior da SC, como no caso da criação do GT-ANSC da Abrasco, que, ao lado do GT de saúde bucal, tem temática associada a uma delimitação também profissional, sendo que 89,5% dos seus membros são nutricionistas2626 Associação Brasileira de Saúde Coletiva. GT Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva. Rio de Janeiro: Abrasco; 2018 [acesso em 2018 jul 1]. Disponível em: https://www.abrasco.org.br/site/gtalimentacaoenutricaoemsaudecoletiva.
https://www.abrasco.org.br/site/gtalimen...
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O presente estudo apresenta algumas limitações, principalmente por ter se apoiado apenas na análise dos currículos Lattes. Uma melhor compreensão acerca das relações entre a Nutrição e a SC requer a realização de investigações que incorporem outras fontes de dados, a exemplo de entrevistas em profundidade e documentos capazes de permitir uma análise mais completa sobre a arquitetura e a dinâmica desse espaço social e das questões em jogo. Embora os dados refiram-se à avaliação de 2006-2009, e precisem ser comparados com aqueles de avaliações subsequentes, a sua importância reside em realizar uma primeira aproximação ao subespaço da Nutrição ao interior da SC, com uma abordagem sistemática e teoricamente orientada e comparada com o universo dos docentes dos PPGSC. Esse estudo poderá servir de linha de base para análises subsequentes.

  • Suporte financeiro: não houve

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Histórico

  • Recebido
    04 Jul 2018
  • Aceito
    19 Set 2018
  • Publicação
    Out 2018
Centro Brasileiro de Estudos de Saúde RJ - Brazil
E-mail: revista@saudeemdebate.org.br