• The Covid-19 pandemic told by women: what do health professionals say? Artigo Original

    Canavêz, Fernanda; Farias, Camila Peixoto; Luczinski, Giovana Fagundes

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Este artigo objetivou investigar narrativas de mulheres brasileiras que trabalham como profissionais de saúde no contexto da pandemia de Covid-19. Parte de uma pesquisa que discute as repercussões subjetivas desse contexto, a partir da perspectiva de gênero, para a qual foi construído um questionário on-line, que convida as mulheres a narrar suas vivências. A investigação foi desenvolvida no âmbito da psicologia, articulando os métodos psicanalítico e fenomenológico, aliados às teorias feministas, em prol de uma análise crítica e situada de fenômenos contemporâneos. A análise qualitativa dos relatos de 602 mulheres levou a diferentes aspectos, dentre os quais se destaca a intensificação das exigências de cuidado, seja no âmbito familiar, seja no âmbito profissional, o que as leva a desconsiderar o autocuidado. Ao mesmo tempo, a exposição ao risco e o medo constante parecem levar à ocorrência de um contágio psíquico a partir do contato com os pacientes acometidos pela Covid-19, o que produz sofrimento intenso. Os resultados evidenciam como as questões de gênero repercutem nas mulheres que trabalham na área da saúde, reafirmando a necessidade de considerar as especificidades desse público na elaboração de políticas públicas e dispositivos de atenção em saúde mental.

    Abstract in English:

    ABSTRACT The article aims to investigate narratives of Brazilian women working as healthcare professionals in the context of the Covid-19 pandemic. It is part of a research that discusses the subjective repercussions of this context, from a gender perspective, for which an online questionnaire was constructed, inviting women to narrate their experiences. The research was developed within the scope of psychology, articulating psychoanalytic and phenomenological methods, allied to feminist theories, in favor of a critical and situated analysis of contemporary phenomena. The qualitative analysis of the reports of 602 women led to different aspects, among which we highlight the intensification of care demands, whether in the family or the professional sphere, which leads them to disregard self-care. At the same time, the exposure to risk and the constant fear seems to lead to the occurrence of a psychic contamination from the contact with patients affected by Covid-19, which produces intense suffering. The results show how gender issues impact women working in the health field, reaffirming the need to consider the specificities of this public in the development of public policies and mental health care devices.
  • Gender inequalities by field of knowledge in Brazilian science: an overview of the PQ/CNPq female researchers Artigo Original

    Cunha, Rocelly; Dimenstein, Magda; Dantas, Candida

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO O número de mulheres pesquisadoras tem crescido mundialmente. No entanto, as desigualdades de gênero persistem em quatro aspectos: as mulheres ainda representam parcela minoritária na ciência mundial; concentram-se em determinadas áreas de conhecimento; predominam nos níveis iniciais da carreira e são sub-representadas em posições deliberativas da política científica e tecnológica. No Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), apesar do aumento de mulheres bolsistas de Produtividade em Pesquisa (PQ) nas últimas décadas, as assimetrias permanecem. Este estudo visou discutir as assimetrias de gênero e raça nas diferentes áreas do conhecimento, em particular na psicologia, tomando como analisador a distribuição de bolsas (PQ) do CNPq. Utilizaram-se dados disponibilizados pelo CNPq e coletados por meio de SurveyMonkey. As desigualdades de gênero na ciência persistem no sistema científico brasileiro: as mulheres são minoria entre os bolsistas PQ/CNPq, concentram-se em guetos disciplinares e enfrentam dificuldades tanto para acessar o sistema PQ quanto para alcançar as modalidades de bolsa de maior prestígio científico. Na psicologia, apesar da presença em todas as modalidades de bolsa, ocupam proporcionalmente menos posições no topo da carreira. Ademais, há invisibilidade de mulheres negras e indígenas, a qual tem suas raízes no projeto moderno colonial.

    Abstract in English:

    ABSTRACT The number of women researchers has grown worldwide. However, gender inequalities persist in four aspects: women still represent a minority share in world science; they are concentrated in certain fields of knowledge; they predominate in early career levels; and they are underrepresented in deliberative positions of science and technology policies. At the National Council for Scientific and Technological Development (CNPq), despite the increase in women Research Productivity Scholars (PQ) in recent decades, the asymmetries remain. This study aims to discuss the asymmetries of gender and race in different fields of knowledge, particularly in Psychology, taking as an analyzer the distribution of grants (PQ) by the CNPq. Data made available by the CNPq and collected through SurveyMonkey were used. Gender inequalities in science persist in the Brazilian scientific system: women are a minority among the PQ/CNPq fellows, they are concentrated in disciplinary ghettos and face difficulties both to access the PQ system, and to reach the most prestigious scientific fellowships. In Psychology, despite their presence in all the scholarship modalities, they occupy proportionally fewer positions at the top of the career. In addition, there is the invisibility of black and indigenous women, which has its roots in the modern colonial project.
  • From epistemological violence to own epistemologies: narrative experiences with peripheral cis women, trans women and transvestite Artigo Original

    Chohfi, Laiz Maria Silva; Melo, Jailton Bezerra; Souza, Paola Alves de

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Este artigo apresenta compreensão de problemáticas enfrentadas por mulheres cis periféricas, mulheres trans e travestis na construção de epistemologias próprias no campo das ciências. Para tal, baseia-se no campo construído por três teses de doutorado, cujos autores são os mesmos deste artigo. As teses, embora não tenham como foco principal e central o mesmo do presente artigo, evidenciam, a partir do campo construído, que pouco conhecimento a respeito das populações trans, travesti e periférica é produzido por seus integrantes. Identifica-se, a partir da releitura do material produzido pelos pesquisadores, a existência de trincheiras, que se interpõem no caminho percorrido por mulheres trans, travestis e mulheres cis periféricas para produzir conhecimento. São elas: a própria sobrevivência, a permanência no ensino e a validação do conhecimento produzido por corpos e existências não hegemônicas. Discute-se, por fim, que há um descompasso entre as políticas de educação vigentes e as experiências vividas, indicando uma fissura em práticas de saúde e no cuidado integral dessa população. A isso, somam-se violências e iniquidades em saúde que acabam interferindo na comunicação e na potência do saber popular como estratégia de resistência e saber científico, contrapondo-se ao saber acadêmico hegemônico.

    Abstract in English:

    ABSTRACT This article presents an understanding of the problems faced by peripheral cis women, trans women, and transvestites in the construction of their own epistemologies in the field of sciences. For that, it is based on the field built by three doctoral theses, whose authors are the same as in this article. The theses, although they do not have the main focus of the present article, show, from the field constructed, that little knowledge about the trans, transvestite, and peripheral populations is produced by their members. From the re-reading of the material produced by the researchers, the existence of trenches is identified, which stand in the path taken by trans women, transvestites, and peripheral cis women to produce knowledge. The trenches are: survival, permanence at university, and the validation of knowledge produced by bodies and non-hegemonic existences. Finally, it discusses the existing mismatch between the current education policies and the experiences, indicating a fissure in health practices and in the comprehensive care of this population. In addition, we see violence and inequities in health that end up interfering in the communication and power of popular knowledge as a strategy of resistance and scientific knowledge, in contrast to hegemonic academic knowledge.
  • Feminist contributions and gender issues in healthcare practices of the Brazilian Unified Health System’s primary care Artigo Original

    Rivera, Mariana Fagundes de Almeida; Scarcelli, Ianni Regia

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Pretendeu-se refletir sobre a relevância de contribuições feministas como referenciais contrahegemônicos para uma análise crítica de práticas de saúde desenvolvidas em um serviço da atenção básica do Sistema Único de Saúde. Observaram-se ações de profissionais em uma Unidade Básica de Saúde com o objetivo de analisar como se manifestam questões de gênero na atenção básica a partir de perspectiva da psicologia social postulada por Pichon-Rivière em diálogo com produções feministas. A partir de discussão crítica perante visões dicotômicas, como público e privado, e discursos naturalistas, foram identificados três aspectos relevantes: divisão sexual do trabalho, maternidade e ausência paterna; centralidade das práticas de saúde da mulher na reprodução; e binarismo das políticas públicas de saúde. Isso permitiu identificar aspectos importantes acerca das práticas de saúde na atenção básica. Espera-se que este estudo, ao examinar a naturalização e a reprodução de sexismo, racismo e classismo em meio às práticas consideradas, fomente discussões futuras no campo da saúde que caminhem no sentido de uma produção de saberes e práticas comprometidos com a contestação de tais desigualdades.

    Abstract in English:

    ABSTRACT It was intended to reflect on the relevance of feminist contributions as counter-hegemonic references for a critical analysis of health practices developed in a primary care service of the Unified Health System. The actions of professionals in a Basic Health Unit were observed with the aim of analyzing how gender issues are manifested in primary care from the perspective of social psychology postulated by Pichon-Rivière in dialogue with feminist productions. From a critical discussion on dichotomous views, such as public and private, and naturalistic discourses, three relevant aspects were identified: sexual division of work, maternity and paternal absence; centrality of women’s health practices in reproduction; and binarism of public health policies. This allowed us to identify important aspects about health practices in primary care. It is hoped that this study, by examining the naturalization and reproduction of sexism, racism, and classism among the practices considered, will encourage future discussions in the field of health that move towards a production of knowledge and practices committed to contesting such inequalities.
  • Black Women Science: an experiment of insubmission Artigo Original

    Xavier, Giovana

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO O objetivo deste artigo foi apresentar a ‘Ciência de Mulheres Negras’, teoria de conhecimento feminista negro desenvolvida à luz das minhas experiências como ativista pública, historiadora e professora universitária e como coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras UFRJ. Para tal, o texto foi organizado em três partes. Na primeira, dedico-me a caracterizar a ‘Ciência de Mulheres Negras’ como uma epistemologia alternativa focada nos saberes de mulheres negras. Na segunda, baseada em situações de sala de aula, apresento algumas práticas curriculares focalizadas no pensamento feminista negro. Entendidas como ‘atos de insubmissão’, tais práticas contribuem para criar conhecimentos ligados à intelectualidade de mulheres negras e à história do Brasil. Concluo dimensionando os desafios postos ao trabalho de produção e validação de conhecimentos feministas negros na comunidade científica.

    Abstract in English:

    ABSTRACT The aim of this paper is to present the ‘Black Women Science’, a theory of black feminist knowledge developed in the light of experiences as a public activist, historian, and professor and as coordinator of the Black Female Intellectual Studies and Research Group UFRJ. The text was organized in three parts, in the first I dedicate myself to characterize the ‘Black Women Science’ as an alternative epistemology focused on the knowledge of black women. In the second, based on classroom situations, I present some curricular practices focused on black feminist thinking. Understood as ‘acts of insubmission’, these practices contribute to creating new knowledge linked to the intellectuality of black women and the history of Brazil. I conclude by assessing the challenges posed to the work of producing and validating black feminist knowledge in the scientific community.
  • The presence of women in patenting activities in Brazil (1996-2017) Artigo Original

    Azevedo, Nara; Abrantes, Antônio Carlos Souza de

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO O envolvimento de mulheres com a atividade de patenteamento no Brasil é examinado por meio da análise de patentes concedidas e de pedidos de depósitos de residentes no País, publicados na ‘Revista da Propriedade Industrial’ do Instituto Nacional da Propriedade Industrial durante o período 1996-2017. O estudo contribui para a melhor compreensão da presença de mulheres na produção de conhecimento tecnológico nacional, revelando o crescimento de sua participação, apesar do predomínio do sexo masculino no sistema de patentes brasileiro. Ao examinar essa dimensão pouco estudada da atuação das mulheres como cientistas, busca-se apresentar novos elementos sobre os processos que vêm conformando as desigualdades de gênero na ciência brasileira.

    Abstract in English:

    ABSTRACT The involvement of women in the patenting activity in Brazil is examined through the analysis of the patent registrations granted and applications for deposits from residents, published in the ‘Industrial Property Journal’ (RPI) of the National Institute of Industrial Property (Inpi) during the period 1996-2017. The study contributes to a better understanding of the presence of women in the production of technological knowledge in the country, revealing the growth of their participation, despite the predominance of males in the Brazilian patent system. By examining this little-studied dimension of women’s role as scientists, the aim is to present new elements about the processes they confer, shaping gender inequalities in Brazilian science.
  • Women of medical and health sciences and Brazilian publications on Covid-19 Artigo Original

    Aquino, Estela M. L; Diele-Viegas, Luisa Maria; Pilecco, Flávia Bulegon; Reis, Ana Paula; Menezes, Greice Maria de Souza

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO Apesar do aumento histórico da participação feminina na produção científica brasileira, reconfigurações domésticas e laborais para o controle da Covid-19 podem estar reduzindo a produtividade das mulheres cientistas. A pesquisa GenCovid-Br objetivou traçar um panorama da participação feminina nos artigos sobre Covid-19 das ciências médicas e da saúde, disponibilizados no PubMed, com ao menos um autor de filiação brasileira. Das 1.013 publicações até 14 de agosto de 2020, 6,1% foram escritas exclusivamente por mulheres; 17,2%, exclusivamente por homens; grupos mistos respondem por 31,1% com liderança feminina, e 45,6% com liderança masculina. As mulheres participam mais de artigos com primeira autoria feminina (50,1% vs 35,6% nos liderados por homens). Nos artigos de áreas da Medicina Clínica, em que as mulheres são maioria, ocorre menos participação de autoras, o que também acontece em publicações resultantes de colaborações internacionais. Os presentes resultados indicam a possibilidade de ampliação de desigualdades de gênero prévias durante a pandemia de Covid-19. Novos estudos devem aprofundar a investigação sobre a magnitude e os determinantes desse fenômeno, incluindo análises temporais. As políticas institucionais devem considerar as iniquidades de gênero nas avaliações acadêmicas, prevenindo impactos futuros nas carreiras das mulheres, em particular, das jovens pesquisadoras envolvidas na reprodução social.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Despite the increasing historical participation of women in Brazilian scientific production, domestic and labor reconfiguration for the control of the Covid-19 pandemic is likely to reduce women scientists’ productivity. The GenCovid-Br Research aimed to outline a panorama of female production in Covid-19 papers in medical and health sciences, available in PubMed, with at least one author with Brazilian affiliation. From the 1,013 publications by August 14, 2020, 6.1% were written exclusively by women, 17.2% exclusively by men, 31.1% were mixed with female leadership, and 45.6% were mixed with male leadership. Women participated in more papers led by women (50.1% vs. 35.6% in those led by men). Papers in Clinical Medicine, where female researchers are predominant, have fewer female authors, occurring in publications resulting from international collaborations. Our results point to the possible expansion of previous gender inequalities during the Covid-19 pandemic. New studies should deepen the investigation of the magnitude and determinants of such phenomenon, including temporal analyses. Institutional policies must consider gender inequalities in academic assessments, preventing future impacts on women’s careers, particularly young researchers involved in social reproduction.
  • Black female professors in health postgraduate courses: between structural racism and the feminization of care Artigo Original

    Sousa, Ana Lucia Nunes de; Cabral, Luciana Ferrari Espíndola; Moreira, Janine Monteiro; Weihmüller, Valentina Carranza; Rodrigues, Marina Meloni da Silva; Araujo, Gabriela Gomes; Macedo, Beatriz Cristina Castro

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO A partir de referenciais do feminismo negro, da perspectiva interseccional e dos estudos étnicoraciais no Brasil, problematizam-se o racismo e o sexismo na academia brasileira com base na caracterização e análise da presença/ausência de professoras negras em programas de pós-graduação em ciências da saúde de duas universidades federais fluminenses, UFRJ e UFF. Utilizando informações de sites de 31 Programas de Pós-Graduação (PPG), reconstruíram-se quantitativamente os perfis de gênero e étnico-raciais por universidade e área de avaliação. Identificaram-se 23 professoras negras que ocupam 26 vagas docentes nos PPG analisados. Com base em informações da Plataforma Lattes, também se abordou longitudinalmente a dimensão de estudo. Os resultados assinalam que a presença de professoras negras é de 2% na UFRJ e de 6% na UFF; que ela é maior em áreas relativas aos cuidados e ínfima em áreas de maior prestígio científico e socioeconômico, como medicina. Constata-se o racismo como principal sistema de poder, operando no contexto institucional e disciplinar. Neste último, associado ao sexismo que determina as hierarquias de gênero nas áreas de saúde. Observa-se, também, que as desigualdades de raça se sobrepõem às de gênero no contexto desta pesquisa, confirmando as teses que apontam o epistemicídio dos saberes negros.

    Abstract in English:

    ABSTRACT Based on black feminism, intersectional perspective and Brazilian ethnic-racial studies, the paper problematized racism and sexism in the Brazilian academy. It characterizes and analyses the presence/ absence of black women professors in PhD programs in health sciences of two federal universities, UFRJ and UFF. Using information from the websites of 31 PhD programs, we reconstructed, quantitatively, the gender and ethnic-racial profiles of the PhD programs by university and evaluation area. Twentythree black women professors were identified in 26 teaching positions. Based on information from the Plataforma Lattes, we also addressed the study dimension longitudinally. The results indicate that the presence of black women professors is 2% at UFRJ and 6% at UFF. It is greater in areas related to care, and non-existent in areas of greater scientific and socio-economic prestige, such as Medicine. Racism is seen as the main power system, operating in the institutional and disciplinary context. In the latter, it is associated with sexism that determines gender hierarchies in health fields. It is also observed that race inequalities overlap with gender inequalities in the context of this research, confirming the theses that point to the epistemicide of black knowledge.
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