RESUMOS DE LIVROS/BOOK REVIEWS

 

 

Ruy Laurenti

Departamento de Epidemiologia –FSP/USP

 

 

The Framingham study: the epidemiology of atherosclerotic disease; by Thomas Royle Dowber. Cambridge, Mass, Harvard University Press, 1980. 257 p.

Esse livro é um relato completo que expõe de maneira clara e objetiva todo o "Estudo de Framingham".

Desde 1951, quando Dowber publicou o primeiro trabalho descrevendo o que seria o famoso estudo até o final da década de 70, mais de uma centena de trabalhos foram publicados com resultados e discussões sobre aspectos gerais ou específicos a respeito da epidemiologia ou clínica da doença aterosclerótica, principalmente sua localização coronariana. A publicação deste livro, porém, engloba todo o estudo, abordando desde a organização do projeto, as definições e hipótese de estudo até os resultados, destacando-se, evidentemente, os aspectos ligados aos fatores de risco da Doença Aterosclerótica: hipertensão arterial, lipidos obesidade, atividade física, fumo, diabetes e outros.

Dowber consegue transmitir de maneira extremamente fácil e de leitura agradável todos os resultados, sendo bastante criterioso, apontando, inclusive, algumas possíveis, falhas. Não restam dúvidas, porém, que estas, mesmo existentes, não representam, nada, ou muito pouco, em relação aos resultados obtidos neste que é o mais famoso estudo prospectivo até hoje realizado. Os 24 anos de duração permitiram uma soma de conhecimentos tão grande que se pode dizer, grande parte do que se conhece atualmente sobre a epidemiologia da doença aterosclerótica foi possível graças a Framingham.

Trata-se de um livro de leitura obrigatória a todos os epidemiologistas e cardiologistas, não sendo exagero dizer que todo o profissional de saúde deveria também ler pelo menos os capítulos referentes a organização do estudo e ao "Impacto do Estudo de Framingham sobre a Prática Médica".

Dowber, um dos que mais publicaram nas últimas décadas sobre os resultados do Estudo de Framingham, oferece neste livro uma visão global do que foi esse estudo prospectivo cujos resultados contribuíram de maneira decisiva para o conhecimento da história natural da doença aterosclerótica, permitindo que pudessem ser estabelecidas as bases para a sua prevenção primária.

O livro vem acompanhado de uma excelente bibliografia, bem como, em separado, a bibliografia referente a todos os trabalhos desde 1951 que abordaram qualquer aspecto referente ao "Estudo de Framingham".

 


 

 

Sophia Cornbluth Szarfarc

Departamento de Nutrição – FSP/USP

 

 

Maternal nutrition during pregnancy and lactation: a Nestlé Foundation Workshop, Lausane, 1979. Edited by Hugo Aebi e Roger Whitehead. Bern, Hans Huber Publ., 1980. 354 p. (Nestlé Foundation Publication Series, n. 1).

Este livro resume uma mesa redonda, realizada sob os auspícios da Nestlé, em abril de 1979, reunindo especialistas de renome internacional na área Materno-Infantil. Divide-se em 4 tópicos:

1. Princípios básicos – nesse capítulo foram incluídos trabalhos referentes a aspectos nutricionais durante a gestação; fatores que interferem na utilização dos nutrientes; incrementos de gordura, proteína, minerais e "energia" no feto no no decorrer da gravidez e sua relação com a composição corporal materna. Inclui ainda, um estudo, em ratos e camundongos, sobre os efeitos da mielina (componente específico do cérebro) - capacidade de aprendizado, onde é ressaltada a influência da desnutrição no desenvolvimento bioquímico e comportamental do feto.

2. Consumo dietético de gestantes em diferentes partes do mundo. Destacam-se estudos de balanço nitrogenado, realizados em não-gestantes, gestantes e nutrizes. A influência das características sócio-econômicas culturais é enfocada assim como variações sazonais no consumo dietético.

3. Trata das conseqüências da inadequação dietética durante a gestação e lactação. É importante destacar (tendo em vista os recursos que, entre nós, estão sendo destinados ao incentivo ao aleitamento materno) os estudos que analisam o papel da alimentação no peso da criança ao nascer, na produção e qualidade do leite e, também, o desempenho da nutriz ao aleitar.

4. Este tópico complementa o terceiro, quando avalia o efeito da suplementação dietética no crescimento fetal e na produção e qualidade do leite humano e desempenho da mulher na lactação.

Os trabalhos apresentados apontam a necessidade de mais conhecimentos no aue diz respeito aos efeitos que a seqüência e a composição da dieta da gestante tem na disponibilidade de nutrientes para o feto e sobre os "privilégios" metabólicos deste na deficiência nutricional materna.

Trata-se de um volume de especial interesse para nutrólogos e sociólogos ligados à área materno-infantil.

 


 

 

Nilce Piva Adami

Departamento de Prática de Saúde Pública – FSP/USP

 

 

The process of planning nursing care: nursing practice models; by Fay Louise Bower. 3rd ed. St. Louis, Miss, C.V. Mosby Co., 1982. 207 p., 93 ilus.

Os assuntos abordados estão divididos em seis capítulos, sumariados a seguir.

– Na parte inicial, a autora aborda o planejamento do atendimento de enfermagem individualizado que visa a ir ao encontro das necessidades da clientela. Dentro da visão geral do processo de enfermagem, apresenta, através de modelos, as várias etapas que integram esse processo racionalizador das decisões que devem ser tomadas pela enfermeira.

– No capítulo segundo, o enfoque centra-se em um modelo para o atendimento humanístico e holístico em enfermagem. Para tanto, são expostos conceitos de humanismo, teoria holística, equilíbrio dinâmico e "stress", os quais são analisados para formar uma estrutura conceituai do planejamento do cuidado de enfermagem.

– No capítulo terceiro, a autora discute o processo de determinar o diagnóstico de enfermagem, utilizando o modelo de resposta ao "stress". Nessa etapa analisa o processo e a metodologia para coletar e reunir dados que levem a enfermeira a identificar necessidades e problemas de clientes ou famílias.

– No capítulo seguinte, é apresentado modelo para o planejamento de ações de enfermagem, ressaltando três processos: o de estabelecimento de objetivos, o de estabelecimento de prioridades e, por último, a análise de recursos que compreende os recursos humanos e materiais e os serviços requeridos pela clientela e que devem ser considerados no planejamento da assistência de enfermagem.

– No capítulo quinto, expõe-se um modelo para determinar as ações específicas de enfermagem e para desenvolver critérios de avaliação dos resultados. Em linhas gerais, o conteúdo especifica um esquema conceituai para o processo de tomada de decisão e considera também os meios para a formulação de alternativas, as diretrizes para a tomada de decisão, tendo em vista a resolução de problemas e os planos de avaliação.

– No capítulo sexto, a autora explora o conteúdo, a aplicabilidade e o uso do plano de cuidados como um meio para prover a continuidade da assistência de enfermagem. Ressalta a evolução, os propósitos e os elementos que compõem um plano de cuidados de enfermagem. Analisa também as vantagens dos planos de assistência orientados para o problema.

Além desse conteúdo, a autora apresenta esquemas e figuras que auxiliam a visualização do modelo de processo de assistência de enfermagem proposto pela mesma.

Recomenda-se a leitura deste livro a estudantes de enfermagem, enfermeiros de serviços de saúde e docentes de enfermagem, por oferecer uma estrutura conceitual e operacional para prática de enfermagem compreensiva. Neste aspecto, a qualidade do cuidado de enfermagem prestado à clientela é considerada como fator de importância fundamental.

 


 

 

Aracy Witt de Pinho Spínola

Departamento de Prática de Saúde Pública – FSP/USP

 

 

Research methods for community health and welfare: an introduction, by Karl E. Bauman. New York, Oxford University Press, 1980. 147 p.

O livro apresenta conhecimentos básicos de metodologia de pesquisa, pretendendo fornecer conceitos fundamentais para a leitura crítica de trabalhos de pesquisa publicados e elementos para a realização de pequenos trabalhos de investigação.

Contém matéria referente a problemática de hipóteses, causalidade, estratégias comuns de pesquisa, população e amostragem, bem como procedimentos para a mensuração e análise, incluindo tabelas de contingência e significância estatística.

O conteúdo possui detalhamento e profundidade moderados, caracterizando-se o trabalho como texto introdutório para o entendimento geral de um processo de pesquisa; fornece bases conceituais de pontos importantes; a destacar é existir farta exemplificação relacionada à saúde, para ilustrar os princípios expostos; a abordagem é atual, com interrelação entre os tópicos.

A obra é de fácil leitura, possuindo uma organização apropriada, com clara exposição da lógica e método da atividade pesquisadora; cada capítulo se faz acompanhar de bibliografia de referência.

Todavia cabe notar, não terem sido incluídos alguns assuntos de presença comum em livros de orientação geral a pesquisas; é o caso de elementos para a elaboração de protocolo, técnicas usuais de coleta de dados, noções relativas a previsão de tempo e recursos necessários e características desejáveis do relatório final; ainda, há um privilegiamento de questões de natureza quantitativa; as de índole sócio-cultural, têm tratamento limitado.

Porém, a adequada abordagem dos assuntos apresentados e a importância dos mesmos recomendam a leitura da obra pelos principiantes em metodologia de pesquisa do setor saúde, tanto Profissionais quanto estudantes; é de interesse sua inclusão em bibliotecas universitárias de citada área.

 


 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública – FSP/USP

 

 

The economics of health and medical care: an introduction; by Phillip Jacobs. Baltimore, Md, University Park Press, c 1980. 309 p.

O livro pretende dar a leitores, sem informação anterior em economia, elementos de análise econômica e instrumentos de aplicação prática desse conhecimento na área da assistência à saúde. É considerado pelo autor necessário tão somente conhecimento matemático a nível de 2o grau. Destina-se, assim, aos alunos de cursos de nível médio de graduação em economia da saúde, saúde pública, administração de serviços de saúde e a outros correlatos. De acordo com esse objetivo, o assunto foi dividido em três partes, correspondentes aos campos principais da economia: descrição, análise e avaliação com recomendações, sempre enfocando o campo específico da saúde.

O livro não pretende ser uma obra de crítica à literatura disponível em economia em saúde, embora possa ajudar os leitores em estudos futuros sobre algum tema específico. Nem pretende, também, fazer uma investigação ou análise das políticas de saúde; porém, de fato, ao colocar no centro da discussão os programas governamentais, a previdência em saúde, a ação de organizações de voluntários e não lucrativas, o papel do médico como provedor de serviços médicos e como conselheiro e outros aspectos, como parte da Economia de Saúde, o livro permite que se possa analisar políticas sob outros ângulos além do econômico.

A introdução mostra a possibilidade de uso do enfoque econômico para análise de problemas de assistência à saúde, baseado no reconhecimento da escassês quantitativa e qualitativa de recursos como causa fundamental de muitos deles; discute-se o "quanto" é necessário, levando à diversidade de opiniões, conforme o lado que argumente e tornando claro que o problema não é simplesmente o de serem ou não suficientes os recursos. São analisados o rápido crescimento de gastos com assistência à saúde, as cirurgias desnecessárias e os gastos supérfluos em equipamento hospitalar. O conceito de recursos demasiados é encarado, também, sob o enfoque de "não suficiente", já que muitos recursos para assistência médica podem significar diminuição ou outros programas governamentais e mudança de prioridades, passando do debate econômico ao político.

O autor estrutura o livro nas três grandes áreas da economia, usando exemplos de sua aplicação prática. A primeira parte é descritiva da produção setorial de assistência e cuida da dimensão econômica do setor (como por exemplo, em 1974, os americanos de 65 ou mais anos de idade tinham uma média de consulta de 4,7 ao ano, enquanto os dos grupos de 25 a 44 anos de idade tinham 2,6 visitas por ano). A segunda parte procura determinar porque ocorrem os fatos exemplificados na primeira parte, cuidando de analisar a demanda por assistência médica, o mercado, custos, preço direto, as implicações de assistência à saúde na demanda individual por segurança e o comportamento econômico dos empresários da assistência à saúde A terceira parte aponta alternativas de uso de recursos escassos, que poderiam render mais, desenvolvendo, por exemplo, análises de várias e importantes relações de produção e uso dos recursos em assistência à saúde. Destaca-se pela importância o capítulo 14 – Análise Custo-Benefício –, já que traz com uma série de detalhes informações, indica os problemas de dimensionamento, faz relações entre produção e efetividade e entre medidas de benefício, custo da longevidade e melhor saúde e de custo da doença. Um exemplo de análise de custo/benefício é dado à página 287.

Num apêndice são juntadas, por assunto, indicações de fontes de dados mais recentes (à época da edição do livro) relativos à economia de saúde, incluindo bibliografias especializadas sobre estatística vital, utilização de assistência à saúde, assistência hospitalar, médicos e assistência médica, gastos e custos nacionais em saúde e outros, finalizando com a indicação de uma coletânea de dados relativos à saúde nos Estados Unidos.

Acredito que o livro seja uma fonte possível de conhecimento para os funcionários do governo ligados ao planejamento de saúde, a nível de unidade federada e para os alunos em pós-gradução. Para os alunos de nível médio, conforme pretendeu o autor, a leitura dificilmente levará à ação, já que, em nosso meio, o administrador de saúde nesse nível raramente tomará decisões na área econômica.

O livro poderá contribuir para uma melhor análise econômica das políticas públicas no setor saúde, desde que ressalvado que reflete as condições institucionais de organização do setor saúde nos Estados Unidos, que possuem um sistema de livre empresa e onde as políticas públicas têm uma real implementação por intermédio da Administração Pública, o que está longe de ser a realidade institucional brasileira. Uma dificuldade adicional pode ser a que a maioria de nossos alunos e outros usuários potenciais têm no uso das matemáticas.

 


 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública – FSP/USP

 

 

Health care systems and comparative manpower policies, by Milton I. Roemer and Ruth J. Roemer. New York, Marcel Dekker, Inc., c1981. 441 p.

Inicialmente é necessário destacar que o livro é encomendado aos Roemer com destino certo: os Estados Unidos. Reconhece-se (Introdução) que naquele país não se tem dado atenção ao conhecimento desenvolvido pelos europeus no campo da organização da assistência médica e que se traduzem em várias e boas experiências relativas a recursos humanos, financiamentos e estruturas organizacionais. É provável que haja mesmo uma atitude ambivalente sobre a utilização de experiências estrangeiras, embora haja evidências do fracasso do sistema de assistência médica americano no atender, de maneira moderna e efetiva, a uma significativa parte da população. São apontados como sinais dessa inadequação: o aumento dos custos da assistência médica, deficiências no atendimento aos pobres e às minorias, corrupção, má distribuição de recursos e outros, os quais formam a base de um sentimento de que algo precisa ser feito, nacional e oficialmente, usando, talvez, algo da experiência européia.

Os países estudados pelos autores, na busca desses modelos, são Austrália, Bélgica, Canadá, Noruega e Polônia, escolhidos por representarem, em diferentes contextos político-sociais, o desenvolvimento de políticas de saúde e de recursos humanos adequadas às necessidades de seus respectivos sistemas nacionais de saúde. Os autores consideram também que, nesses países, não surgiram obstáculos significativos às políticas definidas e que a longo prazo, as ações encaminham-se no sentido de obter-se ainda maior equidade na prestação de serviços às populações. Os assuntos apresentados podem ser mais significativos e importantes do que os outros (para os EUA), mas a escolha política de quais as experiências que podem ser adotadas ficaria para decisão das autoridades responsáveis pela formulação de políticas públicas nesse país.

O livro está dividido em três partes: a primeira descreve os sistemas de saúde dos cinco países, analisando-os quase sempre sob os mesmos tópicos: descrição geral do país e do sistema nacional de saúde, outros programas nacionais ou regionais, padrões de assistência, organização governamental, centros de saúde, serviços comunitários, utilização e custos, os progressos recentes e referências bibliográficas específicas. São de especial interesse para nós os tópicos relativos ao custo dos serviços e às modernizações mais recentes.

O sistema de saúde polonês é colocado sob forma um pouco diferente dos outros países (pág. 217-280): o sistema político no passado e no presente, o Ministério da Saúde e Bem Estar Social, outros programas nacionais em assistência à saúde, serviços de saúde locais integrados, programas especializados, serviço sanitário epidemiológico, padrões de assistência, serviços de saúde das "províncias" ("voivodships" no texto, em no de 49, decorrentes da reorganização das jurisdições governamentais na Polônia e que substituem os antigos distritos), assistência não governamental, utilização e gastos, inovações e referências bibliográficas específicas.

A segunda parte trata de políticas e experiências de planejamento de recursos humanos para a saúde (capítulos 6 a 9), descrevendo e analisando tipos e quantidades, distribuição, previsão e planejamento, inovações significativas e formação para os vários tipos de pessoal de saúde e em diferentes níveis e regulamentação. Os capítulos vêm seguidos de indicação bibliográfica específica para cada assunto.

A terceira parte, com conclusões (capítulo 10), tem, no título "Soluções possíveis para os Estados Unidos" – um reforço dos objetivos do livro, já mencionados na apresentação, quais sejam, retirar da exposição dos sistemas de saúde e das políticas de recursos humanos dos países estudados, idéias e princípios que possam ter significância para utilização futura pelos Estados Unidos. Concluem os autores que há inevitáveis interrelações entre os vários aspectos das políticas de força de trabalho examinadas e que dificilmente podem ser feitas conclusões simplicistas aplicáveis a todos os tipos de pessoal de saúde nos cinco países. Com essas ressalvas, as conclusões devem ser entendidas como registro das principais tendências que prevalecem em cada campo ou assunto. São, ao todo, 73 conclusões, sendo: 13 conclusões em recursos humanos, onde comparações são feitas entre os sistemas estudados e os Estados Unidos (muito úteis são as apresentações de tipo e quantidades proporcionais); 18 conclusões sobre funções novas e significativas para os Estados Unidos; 24 conclusões sobre formação de pessoal e 18 conclusões sobre regulamentação das várias profissões.

As conclusões listadas são abrangentes das exposições anteriores e podem ser aproveitadas por aqueles que não teriam muito tempo para ler as descrições dos sistemas de saúde e das políticas de recursos humanos.

O livro dos Roemer, embora se destine primordialmente aos Estados Unidos, tem utilidade para nós na medida em que traz descrições detalhadas e comparativas dos sistemas de assistência e de recursos humanos para saúde nos cinco países estudados. O livro é útil também, entre nós, para os técnicos da área de saúde pública porque lhes permite apreciar a variedade de outras maneiras de tratar a questão "saúde" nos planos do governo.

Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil
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