NOTAS E INFORMAÇÕES/NOTES AND INFORMATION

 

Tratamento preventivo da raiva humana

 

Preventive treatment against rabies in humans

 

Nota Técnica

 

 

Murillo Pacca de AzevedoI; Pedro José BarbanteII; Sosthenes Vital KerbrieI; Marcia Caraça CortásIII

IDo Instituto Pasteur e Membro da Comissão Permanente de Controle da Raiva – Av. Paulista, 393 – 01311 – São Paulo, SP – Brasil
IIAssessor Técnico do Gabinete do Secretário – Av. Dr. Arnaldo, 351 – 5o andar – 01246 - São Paulo, SP –Brasil
IIIDa Divisão de Estudos e Programas da CSC e Membro da Comissão Permanente de Controle da Raiva – Av. São Luiz, 99 – 7o andar – 01046 – São Paulo, SP – Brasil

 

 


RESUMO

Foi elaborada Norma Técnica por uma Comissão constituída pelo Serviço Especial de Saúde Pública do Ministério da Saúde com a participação de represeentantes de vários estados brasileiros para que seja adotado, em todo o território nacional, um mesmo esquema de tratamento anti-rábico preventivo humano pós-exposição ao contágio.

Unitermos: Raiva. Profilaxia. Norma técnica.


ABSTRACT

A technical note has been elaborated by a working-group coordinated by the "Serviço Especial de Saúde Pública" of the "Ministério da Saúde" with the participation of experts from various Brazilian States with a view to the adaptation, throughout Brazil, of the same technical norms for post-exposure anti-rabies preventive treatment.

Uniterms: Rabies. Prophylaxis. Technical note.


 

 

O emprego de esquemas reduzidos de Imunização Anti-Rábica é recomendação da Comissão de Peritos em Raiva da Organização Mundial da Saúde.1

No Brasil, tais esquemas eram extremamente variáveis em diferentes regiões do País, inclusive quanto à associação ou não com a imunização passiva, raramente empregada e de modo nem sempre adequado.

Por ocasião do III Seminário sobre Técnicas de Controle da Raiva promovido pelo Instituto Pasteur CST-SS em novembro de 1979, foi recomendada a constituição de um grupo de trabalho, a nível nacional, para estudar os aspectos relacionados ao tratamento anti-rábico preventivo humano com esquemas reduzidos a ser adotado em todo o País.2

A experiência apresentada pelo Instituto Pasteur de São Paulo com mais de 100.000 casos de tratamentos preventivos efetuados com número reduzido de doses de vacina, esquema adotado em todo o Estado através da norma técnica SS 17/76 e as observações apresentadas no mesmo sentido pela Coordenadoria de Raiva da Secretaria de Saúde de Minas Gerais, serviram de suporte aos trabalhos da Comissão constituída pelo Serviço Especial de Saúde Pública do Ministério da Saúde que, em reuniões sucessivas com a participação de elementos de vários estados brasileiros com experiência naquele importante setor de saúde pública, elaboraram Norma Técnica a ser adotada em todo o território nacional.

A importância na adoção de tal medida ressalta não só da redução no aparecimento de acidentes pós-vacinais, como do maior conforto para os pacientes, maior exiqüibilidade, melhor controle do ponto de vista epidemiológico e redução dos custos operacionais.

Além do mais a norma ora apresentada segue o princípio geral de que nas imunizações, principalmente no caso específico da raiva em que elas se processam pós-contágio, deve-se administrar a menor quantidade possível de antígeno que promova a maior resposta imunitária no menor espaço de tempo possível.

Em 1980 foi constituído o Grupo de Trabalho na Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, que elaborou, conforme recomendações aprovadas em reunião promovida pela Comissão Nacional de Profilaxia da Raiva, Fundação SESP, Ministério de Saúde, e com a participação do Instituto Pasteur e da OPAS/OMS, a Norma Técnica no 26/81, em substituição à de no 17/76, que fica revogada. A presente norma, a seguir apresentada, teve aprovação do CTA em 19/5/1981.

 

NORMA TÉCNICA SS No 26/81

TRATAMENTO PREVENTIVO DA RAIVA HUMANA

(em substituição à N.T. SS no 17/76, que fica revogada)

O tratamento preventivo da raiva humana deve ser empregado em todos os pacientes expostos ao contágio, considerando a natureza da exposição e as condições do animal agressor, em conformidade com o especificado no quadro anexo.

As substâncias medicamentosas utilizadas nesse tratamento são:

1 – Vacina anti-rábica humana

Aplicar 1 dose de 1 ml da vacina, por via subcutânea ou intramuscular, diariamente durante 7 dias, mais 3 doses de reforço, sendo a primeira no décimo dia após o término da vacinação básica e as outras com intervalos de 10 dias.

2 – Soro anti-rábico

Nos casos considerados graves será aplicado, simultaneamente com a vacina, soro anti-rábico, em dose única de 40 U.I./Kg de peso, parte ao redor da lesão e o restante por via intramuscular.

São considerados graves os casos de:

– mordeduras próximas do cérebro (cabeça e pescoço);

– mordeduras nas regiões de maior enervação (polpas digitais);

– mordeduras múltiplas e/ou profundas, e/ou dilacerantes, em qualquer região do corpo;;

– lambeduras nas mucosas.

 

OBSERVAÇÕES

a) Nos casos graves, quando se utilizam simultaneamente soro e vacina, esta será aplicada, por via subcutânea ou intramuscular, em doses de 1 ml diariamente durante 10 dias, mais 3 doses de reforço, sendo a primeira no décimo dia após o término da vacinação básica e as outras com intervalos de 10 dias.

b) E pacientes reexpostos ao contágio após 90 dias do início de tratamento anterior, desde que corretamente conduzido, serão aplicadas doses de 1 ml de vacina, em dias alternados, num total de 3 doses, independentemente do tempo decorrido. Nestes casos não será aplicado o soro anti-rábico.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ORGANIZACION MUNDIAL DE LA SALUD. Comite de Expertos en Rabia, Ginebra, 1972. Sexto informe. Ginebra, 1973 (Ser. Inf. técn., 523).        

2. SEMINÁRIO SOBRE TÉCNICAS DE CONTROLE DA RAIVA, 3o, São Paulo, 1979. São Paulo, Imprensa Oficial do Estado, 1980.        

 

 

Recebido para publicação em 25/05/1981
Aprovado para publicação em 27/08/1981

Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil