RESUMOS DE LIVROS/BOOK REVIEWS

 

 

Ruy Laurenti

Departamento de Epidemiologia - FSP/USP

 

 

Clinical trials, edited by Stanley H. Shapiro and Thomas A. Louis. New York, Marcel Dekker, 1983. 209 p.

Trata-se de publicação bastante interessante podendo-se dizer mesmo, usando-se a repetida frase de que é de leitura obrigatória para clínicos que realizam pesquisas e para estatísticos que participam do seu planejamento e análise. Os responsáveis pela publicação, no Prefácio, justificam plenamente a edição da mesma, ao referirem que os avanços na metodologia de pesquisas clínicas foram enormes nas últimas décadas, tendo aparecido numerosas publicações na literatura universal quer sob o ponto de vista clínico, estatístico, epidemiológico e outros; assim sendo ficar bem informado e atualizado é uma tarefa árdua e perguntam porque estão adicionando mais uma publicação, e a resposta é que julgam que este livro, mais do que tornar a questão mais complexa, contribui para sua solução. De fato os diferentes capítulos abordam temas que freqüentemente deixam clínicos e estatísticos preocupados quanto a soluções para o planejamento, execução e análise de ensaios clínicos, sendo que os vários colaboradores tratam do assunto de maneira a tornar a leitura fácil, compreensível e que realmente tragam contribuição. É de se notar que o livro inclui um capítulo sobre aspectos éticos dos ensaios clínicos o que nem sempre é abordado em publicações que tratam do assunto; outra questão que mereceu um capítulo é a referente a apresentação dos resultados, incluindo aspectos gerais, apresentação dos dados, a forma, o conteúdo específico, o resumo, a introdução, métodos, resultados e discussão. Esses, como os demais capítulos estão muito bem descritos, transmitindo facilmente ao leitor tudo o que se propõe expor.

O livro compõe-se de oito capítulos, sob a responsabilidade de autores em sua maioria bastante conhecidos e respeitados em suas áreas de atuação. Em resumo trata-se de uma publicação recomendada a pesquisadores da área clínica, a estatísticos e epidemiologistas.

 


 

 

Nelly Martins Ferreira Candeias

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

A evolução da medicina até o início do século XX, por A. Bernardes de Oliveira. São Paulo, Liv. Pioneira, 1981. 434 p., ilus.

A finalidade do livro é, como consta em sua apresentação, "despertar o gosto pela medicina entre estudantes e médicos e trazer uma modesta contribuição para a cultura geral".

Publicado pela Livraria Pioneira Editora, em 1981, em convênio com a Secretaria do Estado da Cultura, o livro divide-se em 6 partes: Antigüidade, Idade Média, Século XVI, Século XVII, Século XVIII e Final do Século XVIII ao Início do Século XX.

O autor, médico, que faz parte do corpo docente da Escola Paulista de Medicina e da Universidade de São Paulo, publicou 89 trabalhos científicos em revistas especializadas, dos quais 3 foram em forma de livro, além de 47 artigos de cultura geral em jornais e revistas de outra natureza. A estes, acresce a presente obra que, segundo palavras de João Scantimburgo, no Prefácio, "é obra definitiva, obra que ganharia o prazer da leitura, a honra da consulta e a perenidade das estantes, por fixar em páginas indeléveis a imensa e bela aventura humana da luta contra a dor e a morte, essas duas companheiras que nos seguem, através do tempo, como duas inseparáveis e perpétuas sombras".

Para os que estudam a história do pensamento médico, a obra de Antonio Bernardes de Oliveira, a par dos livros de dois outros autores que, em nosso meio, também se dedicaram à evolução da medicina, Octacílio de Carvalho Lopes e Lycurgo de Castro Santos Filho, certamente despertará o maior interesse. Resta lembrar aqui o nome de Mário Monteiro Pereira que, em Portugal, publicou a "História da Medicina Contemporânea".

Mestres da arte da seleção, são nomes esses que sem dúvida merecem a nossa gratidão porque, em língua portuguesa, fincaram alicerces e ajudaram a construir o complexo monumento da medicina contemporânea.

 


 

 

Midori Ishii

Departamento de Nutrição - FSP/USP

 

 

Food irradiation processing: proceedings of a international symposium . Viena, International Atomic Energy Agency, 1985. 553 p.

É um dos raros documentos existentes, incluindo uma discussão das exeqüibilidades de tecnologia e economia na aplicação de energia ionizante para preservação dos alimentos e enfocando as necessidades específicas nos países em desenvolvimento.

Esta visão torna-se mais atraente, uma vez que todo o compêndio está baseado em relatos reais dos estudiosos sobre o assunto.

O conteúdo está classificado em 10 secções:

1) Exeqüibilidade das aplicações de irradiação nos alimentos.

2) Estudos da viabilidade em escala-piloto.

3) Relatórios sobre os desenvolvimentos dos alimentos irradiados em algumas regiões do mundo (Ásia, África, América-Latina, Europa e Oriente Médio).

4) Mudanças química e microbiológica em alimentos irradiados.

5) Segurança de irradiação sobre os alimentos.

6) Legislação e aceitação de alimentos irradiados.

7) Dosimetria e aceitação de alimentos irradiados.

8) Desenvolvimentos comerciais: Fontes de irradiação e aspectos da implementação de alimento irradiado.

9) Desenvolvimentos comerciais: Programações e financiamento.

10) Relatos do painel de especialistas.

Pelo visto, é uma matéria de suma relevância, pertinente a realidade do País, para todos os profissionais de saúde pública e tenologia, principalmente aqueles que atuam na área da Saúde e da produção de alimentos.

 


 

 

Nelly Martins Ferreira Candeias

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Health communication: a handbook for health professionals, by P.G. Northouse & L.L. Northouse. Englewood Cliffs, N.J., Prentice Hall, 1985. 322 p.

O livro em pauta traz valiosa contribuição para a prática da Saúde Pública. No primeiro capítulo apresentam-se modelos de comunicação humana e, além desses, três outros relacionados especificamente à saúde, dentre os quais o famoso Modelo de Crenças em Saúde, de Hochbaum e Rosenstock, freqüentemente utilizado por educadores de saúde pública. No capítulo 2 descrevem-se cinco variáveis de comunicação, analisando-as a partir das perspectivas tanto dos profissionais da saúde, quanto dos clientes. O capítulo 3 trata dos problemas de relações interpessoais que prejudicam o processo de comunicação: médico-paciente, enfermeira-assistente social, dietista-membro da família e administrador-clínico. O capítulo 4 aborda aspectos ligados à comunicação não-verbal, discorrendo sobre suas principais dimensões e implicações. O capítulo 5 dedica-se inteiramente à técnica de entrevista, descrevendo sua estrutura e fases. O capítulo 6 focaliza problemas de pequenos grupos, considerando alguns componentes que, em geral, prejudicam o funcionamento dos mesmos. O capítulo 7, ao abordar a comunicação em organizações ligadas ao atendimento à saúde, discorre sobre os diferentes estilos da liderança humana. Finalmente, o capítulo 8 discute a gênese de conflitos interpessoais e as principais estratégias para resolvê-los.

Trata-se de um texto inovador que não se limita apenas a comentar os aspectos teóricos da comunicação humana, mas que apresenta, também, aspectos práticos de especial valor para profissionais de saúde. Entre outros, tem o mérito de evidenciar claramente de que modo conceitos e teorias de comunicação humana se aplicam aos complexos problemas que caracterizam as relações interpessoais de profissionais de saúde, clientes e membros de suas famílias. Esta riqueza de detalhes teóricos e práticos acompanhados de interessantes estudos de caso, de exemplos clínicos, de pesquisas recentes e de extensa bibliografia tornam a leitura deste livro altamente recomendável.

 


 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Health policy and the bureaucracy: politics and implementation, by Thompson F.J. Cambridge, The MIT Press, 1984. 334 p.

1. O presente livro é o oitavo da série MIT – "Studies in American Politics and Public Policy", editada por Martha Weinberg e Benjamin Page que fazem, neste livro, uma introdução explicativa da série. Nesta introdução, os editores colocam como os cientistas sociais vêm reconhecendo que o processo de decisão sobre política pública é infinitamente mais complexo do que parece e que esse processo pode ser melhor entendido como envolvendo uma complicada interação entre instituições governamentais, outros agentes e as características próprias das áreas onde as políticas devem ser definidas. A série consta de livros que abordam aspectos substantivos das políticas públicas com inserções nas instituições políticas americanas, pretendendo enriquecer a literatura disponível sobre algumas instituições específicas, as políticas da área e o ambiente em que essas políticas são formuladas, ao longo de todo o processo.

2. O autor, Thompson, que é professor de Ciência Política na Universidade de Geórgia, analisa a trajetória da política pública, desde a legislação até a implantação em oito programas nacionais de saúde. Em cada caso, é analisado o discurso da lei que estabelece cada programa, as características das agências encarregadas da implantação, o ambiente político dessa implantação e o comportamento de pessoas encarregadas da supervisão do programa, com especial atenção sobre a maneira como a linguagem reguladora da lei condiciona o processo de implantação.

3. Thompson estrutura seu livro em 8 capítulos: 1) Saúde como problema político; 2) Instituições de atenção à saúde: da expansão à questão da economia à eficiência; 3) Política de Recursos Humanos e áreas carentes: o corpo do Serviço Nacional de Saúde; 4) MEDICAID: uma estratégia de mercado para o pobre; 5) MEDICARE: do pagamento com uma estratégia de mercado; 6) Quando o governo presta assistência: a evolução, do programa médico da Administração dos Veteranos; 7) Políticas de Saúde Preventiva: o surgimento da Lei da Segurança Ocupacional e Saúde; e 8) Política e sua implementação: atores na arena de saúde.

Seguem-se notas remissivas, por capítulo, e índice por assuntos.

4. O autor utiliza referencial para análise, focado nos resultados dos programas, bem como nas políticas e sua implementação.

Os capítulos 2 e 3 abordam quatro políticas de recursos básicos: o programa Hill-Burton, a Lei de Planejamento Nacional de Saúde e Desenvolvimento de Recursos, o programa HMO e o Serviço Nacional de Saúde. Os capítulos 4 e 6 revêm as três maiores políticas de serviço médico do governo federal americano: Medicaid, Medicare e Sistema Médico da Administração dos Veteranos. O capítulo 7 discute políticas preventivas, enfocando, em particular, o caso da Lei de Segurança Ocupacional e Saúde. O capítulo 8, conclusivo, aborda as implicações mais gerais dos casos relatados na dinâmica das políticas públicas nos Estados Unidos.

5. Dentre os outros aspectos de interesse, o livro permite olhar comparativamente, com um pouco menos de pessimismo a administração pública brasileira, já que analisa, nos Estados Unidos, a dura jornada das políticas desde sua definição na batalha congressional.

6. Dos mais interessantes, o capítulo 6 - "Quando o governo presta diretamente assistência a evolução do Programa Médico da Administração de Veteranos" - relata um exemplo de caso de investimentos consideráveis e assistência médica prestada por meio das próprias burocracias governamentais, no bojo em uma política mais ampla de defesa nacional para os veteranos de guerra. Em 1980, os serviços para os Veteranos incluíram mais do que 170 hospitais e 200 ambulatórios, cerca de 190 postos de enfermagem e 16 serviços domiciliares, empregando cerca de 190.000 pessoas somente no programa médico. A população alvo é estimada em 30 milhões de pessoas, sendo perto de 13 milhões os que serviram durante a II Guerra Mundial e em segundo lugar, cerca de 9 milhões, o grupo de veteranos da guerra do Vietnam.

7. O capítulo 7 - Políticas de Saúde Preventiva - a promulgação da Lei de Segurança Ocupacional e Saúde, de 1970 - destaca-se pela sua importância para os que trabalham com saúde pública, políticas públicas e administração pública. Relata como, desde a metade dos anos 60, as iniciativas em saúde preventiva ambiental tornaram-se freqüentes ao nível deferal: tráfego, produtos inflamáveís, poluição do ar, proteção ao consumidor, controle de ruídos, transporte de produtos perigosos, purificação da água, etc. Esse tipo de políticas preventivas de saúde tinham um componente do que foi chamado de explosão silenciosa na amplitude e força da legislação federal, ou nova regulamentação social ou ainda neo protecionismo. Isso se deu, segundo o autor, por causa do crescente ceticismo das soluções puramente médicas para os problemas de saúde, renovando o interesse por medidas profiláticas. Dois aspectos fundamentais na intervenção governamental operam nesse campo: a tradição individualista da responsabilidade sobre a saúde e o auto-cuidado. Em lugar de remover das casas os obstáculos à saúde, o governo assume o papel de educador e comunicador, subsidiando pesquisas e alertando cidadãos sobre os perigos da sacarina nas bebidas, do cigarro e outros. A tradição ambiental, ao contrário, envolveu diretamente o governo no esforço de eliminar riscos de saúde. Dentre as várias políticas preventivas, o OSHA (Occupational Safety and Health Act of 1970) é escolhida por permitir um amplo campo de análise como lei e os padrões de implementação que daí derivam e que possuem especificidade, mas que têm muito em comum com outras medidas peventivas. São descritas as forças e pressões que tornam possível a definição da política (p. 218 e seguintes), descrevendo todo o jogo do poder entre os grupos com expressão política no cenário americano. Definida a lei, coloca-se para os funcionários do Departamento de Trabalho a questão da implementação, como por exemplo, como identificar riscos à saúde e estabelecer padrões (p. 223 e seguintes). Na seqüência do capítulo, são examinados o surgimento de custos com a conscientização, o desenvolvimento dos padrões, os erros do programa, as dificuldades com os novos padrões, a aceitação e pactos, as relações com o Estado, prioridades, o aspecto legalista e os resultados. E, sem dúvida, de leitura obrigatória.

8. O capítulo 8 - Política e sua implantação, faz uma abordagem geral o que acontece à política de saúde depois que um projeto se transforma em lei, pois as oito políticas examinadas neste livro têm cenários diversos, mas, no entanto, apontam todas para o papel crítico do processo de implantação, reforçando os que julgam que o comportamento burocrático está dentre os mais críticos problemas enfrentados pelos analistas. O capítulo explora certos fatores que são freqüentes e vão afetar o resultado dos programas: adequação da legislação, a agência que deve implementar a política, o meio político externo e a supervisão dos agentes.

Antes de responder a essas questões é necessário esclarecer as formas básicas de dificuldades encontradas pelos programas. Muito do estudo da implementação tem um enfoque de "porque as coisas não funcionam", mas os vários programas sugerem que o simples dizer que a política é um sucesso ou um fracasso freqüentemente não permite abordar toda a complexidade do seu desenvolvimento.

As falhas mais comuns são erros legais, inefetividade, custos excessivos e solapamento da credibilidade governamental, porque as bases são más ou porque boas idéias são pobremente executadas. Algumas variáveis, entre outras, possuem particularmente, importantes implicações: recursos fiscais e humanos alocados, a exatidão da legislação, se a política é primariamente regulatória ou distributiva e o grau de descentralização da implementação para o governo estadual ou local.

Às páginas 258 e 259 há um interessante quadro ilustrativo da precisão da hipótese original da política, onde constam os 8 programas abordados neste livro, com seus objetivos e significados; a tabela da página 262, também é didaticamente muito útil, ao classificar os programas de saúde, regulamentadores ou distributivos, ao longo da dimensão dada pelo modelo federal.

Ao final deste capítulo, o autor coloca sob ênfase particular duas conclusões: 1.°) as dificuldades de execução de uma política não podem ser simplistamente consideradas como o "problema da burocracia" e, 2.°) os programas analisados neste livro não foram unânimes ao diminuir o pessimismo que dominou os estudos das políticas, e sua implementacão, nos anos 70.

É uma obra extremamente útil, seja pelo conteúdo, seja pelas comparações que permite com o nosso processo de formulação de políticas públicas e dos percalços de sua implementação. Leitura obrigatória para os que trabalham em política e administração da Saúde Pública.

 


 

 

Arnaldo Augusto Franco de Siquera

Departamento de Saúde Materno-Infantil FSP/USP

 

 

Maternidad en Buenos Aires: la experiencia popular, by S.Ramos, Buenos Aires, Centro de Estudios de Estado y Sociedad, 1984. 66 p.

O trabalho aborda o tema da maternidade nas mulheres dos setores populares. Foram documentados e analisados os comportamentos, percepções e expectativas em relação à maternidade de mulheres residentes na Grande Buenos Aires.

Um dos objetivos do trabalho foi desenvolver categorias analíticas com as quais se pudesse enfocar a maternidade desde uma perspectiva sociológica.

Enfoca o problema da estratégia de assistência ao processo de gravidez e parto, visando a responder às seguintes questões:

a) Como entendem sua experiência de maternidade as mulheres dos setores populares?

b) Qual é a presença do serviço público de saúde dentro do conjunto das diferentes formas de assistência ao processo de maternidade?

c) Quando, como e para quê se recorre a ele?

A autora faz uma análise do problema, suas dificuldades, bem como das questões metodológicas relacionadas à formulação e aplicação de questionários, bem como sobre o trabalho de campo.

A autora chega a interessantes conclusões sobre os valores que as mulheres dão à "medicina institucionalizada", a uma "rede de assistência de mulheres" (parteiras, obstretizes, curiosas), bem como sobre o custo emocional da passagem das mulheres pelos serviços.

Leitura recomendável, especialmente para aqueles preocupados em algo mais do que avaliação quantitativa de serviços de saúde.

 


 

 

Nelly Martins Ferreira Candeias

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

La mujer, la salud y el desarrollo: informe del Director General de la OMS. Ginebra, Organización Mundial de la Salud, 1985. 39 p. (OMS -Publicación en offset, nº 90).

O texto em pauta divide-se em quatro partes: "Introdución", "Analisis de la situación: la mujer, la salud y el desarrollo", "Resumen de medidas adoptadas" e "Estrategias a largo plazo en el contexto de la salud para todos".

A publicação corresponde ao término do Decênio das Nações Unidas para a Mulher, período este que se desdobra em três etapas bastante distintas. A primeira caracterizou-se por declarações políticas, assim como por resoluções e atividades realizadas com vistas a sensibilizar diferentes setores sociais para que estes integrassem os princípios do Decênio nos programas da Organização Mundial da Saúde. Recomendou-se, então, que as mulheres, além de beneficiárias, passassem a participar ativamente dos programas a elas dirigidos. Em 1975, mediante a Resolução WHA 28.40, o Diretor Geral da OMS, informou o Conselho Executivo sobre os resultados decorrentes da participação dessa agência no Ano Internacional da Mulher. Isto deu origem, por sua vez, à Resolução WHA 29.43, apresentada na 29.ª Assembléia Mundial da Saúde (1976).

Na segunda etapa, e a partir dos dados levantados, se delinearam os mecanismos para promoção e coordenação das atividades dirigidas a mulheres e, além disso, se identificaram os grupos em âmbito regional e mundial e se prepararam metodologias específicas para ações concretas.

Finalmente, na terceira etapa, passou-se a dar conhecimento, de forma mais ampla, das funções da mulher e da interdependência sistêmica entre esta, a saúde e o desenvolvimento, dinamizando-se as atividades propostas.

Do ponto de vista prático, é valiosa a informação contida nesta publicação, particularmente para os sanitaristas envolvidos nos diversos aspectos de programas dirigidos a mulheres. Mediante esta leitura poderão os mesmo tomar conhecimento do tipo de estratégias adotadas neste decênio, a nível mundial, assim como das especificidades e opções que, a nível regional, têm caracterizado os diversos continentes, entre os quais se coloca a América.

 


 

 

Nelly Martins Ferreira Candeias

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Perspectives on Community Health Education, edited by Raymond W. Carlaw. California, Third Party Publishing Company, 1982. 199 p.

O livro "Perspectivas sobre Educação em Saúde na Comunidade, Uma Série de Estudos de Caso", é dedicado, com justiça,a um dos mais eminentes educadores de saúde pública da velha guarda americana - Mayhew Derryberry - "educador de saúde por profissão, amigo, mentor e inspiração para todos aqueles que ó conhecem". Carlaw, seu editor, foi aluno de Derryberry, durante seus cursos de mestrado e de doutorado na "School of Public Health", da Universidade da Califórnia em Berkelly. Mais tarde, após adquirir invejável experiência a nível internacional, retornou a Berkelly e, como professor, lá permaneceu por alguns anos. Nunca se afastou do velho mestre - eram ambos homens de campo com sólidos conhecimentos teóricos e práticos.

O livro divide-se em quatro partes: "Educação em Saúde e o Público", "Educação em Saúde na Comunidade", "Educação em Saúde e Organização" e "Educação em Saúde e Ação". Contém um interessante artigo de Raymond W. Carlaw, que apresenta um esquema teórico, útil para analisar os estudos de caso que se discutem a seguir, todos eles relatados de forma semelhante. Começam com uma descrição do problema, seguida por um diagnóstico social ou comportamental, para então identificar os componentes de interesse para a Educação em Saúde. A partir disto, descrevem-se os objetivos, o plano de ação e o papel da Educação em Saúde no referido plano, mencionando-se, a seguir, problemas e experiências adquiridas em cada um dos casos. Ao final, apresenta-se um conjunto de questões habilmente formuladas por Carlaw, que transformam os casos discutidos em valiosa experiência de aprendizagem para os leigos. Resta mencionar que estes têm, como autores, professores da Educação de Saúde de várias Universidades americanas: Los Angeles, Nevada, Reno, Johns Hopkins, North Carolina, South Carolina, Southern Califórnia, Loma Lins, assim como presidentes e diretores de instituições de renome e coordenadores de programas comunitários.

Com esta publicação, o Professor Carlaw, que se encontra atualmente na "School of Public Health" da Universidade de Minnesota, certamente atingiu o objetivo de fornecer documentação de experiências para observação e desenvolvimento dos que entram na profissão, tal como sempre desejou, e expressou em suas aulas, o Professor Mayhew Derryberry. Mostra isto que se a vida é pujante, mesmo quando desaparece, se recusa a terminar. É por isso que Derryberry permanece.

Notas Históricas

Carlaw, em seu artigo, traça breve histórico da Educação em Saúde nos Estados Unidos, salientando os nomes de três grandes educadores de saúde americanos que, curiosamente, muito têm a ver com a memória histórica da Faculdade de Saúde Pública de São Paulo - Morgan, Derryberry e Nyswander. Vejamos porquê.

Morgan tornou-se famosa nos Estados Unidos, em 1938, por sua firme atuação no programa de Hartford. Foi este tão significativo, na época, que mereceu ser incluído no já clássico livro de Rosen, "História da Saúde Pública". O fato é que o programa mostrou profundas mudanças nos objetivos da Educação em Saúde e, portanto, na própria filosofia da Saúde Pública. Morgan rejeitou a ainda prevalecente prática "educativa" do século XIX, que ingenuamente se limitava à veiculação de informações sobre conteúdos, propondo-se a atuar sobre as tramas e malhas do próprio processo educativo. O programa de Hartford levou à publicação do livro "Organização da Comunidade para a Educação em Saúde", editado pela Associação Americana de Saúde Pública, em 1941.

A partir dessa data, Lucy Morgan passou a fazer parte da "School of Public Health" da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, onde ainda hoje reside. Não admira, pois, que Geraldo Horacio de Paula Souza, fundador e então Diretor da Faculdade de Higiene e Saúde Pública da USP, tivesse ido visitá-la, em 1948, para trocar idéias sobre o "Curso de Educação Sanitária", o qual, de nível médio, fora por ele criado em 1925.

Dezenove anos depois, em 1962, Morgan viria a São Paulo, com o patrocínio da Organização Mundial da Saúde, em resposta à solicitação do Prof. Rodolfo dos Santos Mascarenhas, Professor Catedrático de Técnica de Saúde Pública. A necessidade fizera-se sentir por ter o Curso de Educação Sanitária sido reconhecido, pelo Ministério da Educação, como sendo de nível universitário, decidindo a Congregação interrompê-lo, por isso, com a intenção de reformular e complementar seu conteúdo didático. Morgan esteve em São Paulo a fim de participar de reuniões especialmente organizadas para o planejamento de um novo curso para graduados, não mais de nível médio. Dessas reuniões participaram, mais diretamente, Ruth Sandoval Marcondes, Assistente da Cátedra de Educação Sanitária, Harold L. Savage, Consultor em Educação Sanitária, do Ponto IV, e Nilo Chaves Brito Bastos, Diretor do Serviço Nacional de Educação Sanitária. Foi essa, pois, a evolução histórica do curso de Educação Sanitária que, após essa discussão, transformou-se em um outro, de nível universitário, e que atualmnente se denomina "Curso de Especialização em Saúde Pública Opção Educação em Saúde Pública" da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Além de Morgan, cuja presença na Faculdade de Saúde Pública foi historicamente mais significativa, os outros dois grandes educadores, mencionados no livro em pauta, vieram também a São Paulo. Derryberry, então Diretor de uma Divisão de Educação Sanitária nos Estados Unidos, tinha estado nesta Faculdade em 1951, portanto onze anos antes de Morgan. Viera, nessa altura, para discutir a organização do curso de formação do educador a nível universitário, por solicitação, mais uma vez, do Prof. Rodolfo dos Santos Mascarenhas. Nyswander participou da I Jornada Brasileira de Estudos de Educação Pública, em 1970. É pois gratificante verificar qe o desenvolvimento dessa área de conhecimento técnico científico foi de tal magnitude, em nosso meio, que justificou a vinda dos três eminentes educadores mencionados por Carlaw neste livro.

 


 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

Servicios de salud y sectores populares: los años del processo, by Llovet, J.J., Buenos Aires, Centro de Estudios de Estado y Sociedad, 1984. 164 p.

1. O trabalho é parte do Programa sobre Setores Populares desenvolvido pelo Centro de Estudos de Estado e Sociedade - CEDES, Argentina, com o patrocínio do International Development Research Centre.

2. O livro de Juan Jose Llovet assemelha-se a outras descrições/denúncia das condições em que as classes populares obtêm, quando obtêm, serviços de saúde, principalmente em um período de governo de opressão. É trabalho de campo, uma pesquisa social com um universo de amostra não probabilística de 19 famílias, num total de 102 pessoas, dos setores populares da Área Metropolitana de Buenos Aires e, segundo o autor, com uma deliberada heterogeneidade geográfica, que tornasse mais ou menos coberta a eventual variabilidade de situações e condições segundo a zona de residência (ver página 15 e seguintes).

3) O propósito do trabalho é explorar e descrever os padrões, as alternativas e as estratégias de utilização e recepção dos serviços de saúde nos setores populares da Área Metropolitana de Buenos Aires, de uma perspectiva qualitativa e microsociológica, recuperando e analisando, por meio das falas nas entrevistas, os comportamentos dos setores populares urbanos em relação ao uso dos serviços médicos. Daí, analiticamente, passa a interpretar os reflexos do auto-denominado Processo de Reorganização Nacional na organização dos serviços de saúde. A pesquisa restringe-se ao estudo da vinculação dos setores populares com a medicina ocidental moderna, já que o autor, não negando a importância das demais, considera que é essa medicina, oficial, a que vai ser ofertada e demandada.

4. O livro está organizado em quatro capítulos, que correspondem a quatro questões fundamentais: "quando" - os condicionantes da demanda; "quem" - as relações intra-familiares; "onde" - as alteranativas institucionais, e "como", o interior organizado do hospital, embora o autor reconheça que essa separação é analítica e forçada, pois na realidade a demanda e oferta de serviços de saúde estão dialeticamente ligadas.

Os dois primeiros capítulos têm por objeto de estudo a demanda, examinando-se o "quando" do consumo de serviços médicos, o momento e o estágio da doença em que os setores populares são levados a buscar auxílio, sendo interpretado pelo autor como o "quem" do consumo, abordando a variabilidade da utilização dos serviços de saúde conforme sexo e idade nas unidades domésticas. Os capítulos III e IV analisam a oferta, respondendo ao "onde" do consumo, descrevendo, segundo a interpretação dos relatos dos usuários, a ação potencial e efetiva dos prestadores de serviço e as mudanças produzidas pelo regime militar sobre a oferta de serviços de saúde. Neste último capítulo é analisado o "como" da oferta e do processamento do consumo dentro das instituições, reconstruindo os conteúdos e as circunstâncias concretas da interação dos membros dos setores populares com a instituição e os agentes institucionais.

5. O livro, na linha da descrição da verdade do usuário, é fascinante para os que se preocupam com a análise da distância entre o discurso oficial e ação final.

Porém, é necessário fazer aqui algumas considerações. É útil a narração de uma pesquisa social não probabilística, pois é uma abordagem inovadora e da qual se carece em pesquisa não tradicional. Mas não é fácil seguir a metodologia adotada pelo autor, talvez porque este livro está baseado também em produto de outra pesquisa, inter-relacionada (ver pág. 15 e seguinte). Não fica claro quando foi que bastou uma única entrevista para preenchimento do questionário, já que esta informação foi juntada a dados de reprocessamento de material de outro estudo, realizado entre meados de 1979 e princípios de 1982, pelo CEDES, com 16 famílias, sendo que a quatro delas foi aplicado um questionário e, que foram periodicamente visitadas para seguimento de seus problemas de habitação, trabalho, saúde, vestuários, etc. e de suas atitudes quanto a eles (trata-se do trabalho "Unidade Doméstica e Nível de Vida" nos estados populares urbanos, dirigidos por Elizabeth Jelin). Foram realizadas mais do que 180 entrevistas, abertas, naquele estudo, que terminaram por formar um verdadeiro banco de dados qualitativos sobre as dimensões e condições de vida dos setores populares. Disso tudo, foi extraído o aspecto saúde, reinterpretado à luz do tema do presente trabalho; em 1981, o trabalho de campo incluiu entrevistas com 9 médicos pediatras, o que não parecia constar do universo descrito. É preciso fazer justiça ao autor, que não esconde, em nenhum momento, a natureza fragmentada do material quantitativo e secundário do trabalho, alertando para a impossibilidade de seu uso generalizar-se, do ponto de vista estatístico (pág. 18), reconhecendo que faz uma "colagem" metodológica, buscando pistas de alguns problemas graves na área da saúde para encaminhamentos futuros.

6. Outra abordagem importante do livro para os estudantes e docentes das áreas de saúde seria para perceber a influência das políticas no funcionamento dos serviços e menos para auxiliar em reformulações/organizações que visem a inovar. Porque Llovet mistura, a meu ver, nessa análise política das condições de acesso das classes populares dos serviços de saúde, alguns exemplos de medidas de organização para as quais os relatos das entrevistas não são suficientes. Por exemplo, o aparato de administração e de controle é entendido como devesse ter sido mais proveitoso se situado em outros encargos. Também acha que os recursos financeiros não foram significativos, mas reconhece e cita que o próprio Ministro de Saúde Pública e Meio Ambiente fora claro em dizer que a tabela de honorários era provisória e que as medidas não eram solução e sim apenas uma ajuda. Mas, a partir desse tipo de análise o autor conclui que houve deterioração do subsetor público. E, no seu entender, na medida em que poderia produzir um nexo entre o Sistema Hospitalar e o da Previdência Social, a tabela de honorários é uma questão a ser pensada, possível de revalorização nos debates sobre a política sanitária. No entanto, para aquele tabelamento, tal como foi concebido e executado, à luz de vantagens inexistentes, faz uma abolição definitiva.

7. Para os técnicos que buscarão formas alternativas para organizar serviços de saúde amplamente democráticos - como dever do Estado – o livro é pessimista, porque reforça os visíveis preconceitos com que são vistos os procedimentos e organizações burocráticas públicas. Tal como aqui, também na Argentina, segundo o livro de Llovet, aos anos de repressão está se dando um papel histórico exclusivo, bastante adequado para forçar uma dicotomia entre autoritarismo e organização. Nesse rumo, há uma colocação forçada da organização burocrática necessariamente autoritária e se intitulando eficiente, contrapondo-se a uma liberdade, sempre ineficiente, de escolha de ação. Isso se coloca claramente quando o autor, ao concluir seu ensaio, afirma que, se não se modificarem os rumos iniciados nos anos de repressão - que levariam, com o tempo a aumentar a precariedade do subsetor público como alternativa única e modal da demanda e não se reformar o perfil qualitativo do subsetor, a demanda efetiva poderia transformar-se em algo mais do que um padrão de consumo destacado para tornar-se a única possível. "Os anos do Processo" robusteceriam um certo "onde" e um certo "como" que redundam em um "quando" cuja generalização poderia ameaçar o destino sanitário dos setores populares.

8. Finalizando, creio que o tamanho deste resumo dá bem idéia da grande complexidade deste pequeno livro.

 


 

 

Evelin Naked de Castro Sá

Departamento de Prática de Saúde Pública - FSP/USP

 

 

The struggle for development, edited by Manfred Bienefeld and Martin Godfrey. Chichester, John Wiley, 1982. 378 p.

1. Os editores fazem a introdução deste livro, que compreende um capítulo inicial, extenso, escrito pelo próprio Bienefeld: "O contexto internacional para estratégias nacionais de desenvolvimento: obstáculos e oportunidades num mundo em mudança", seguidos de 11 capítulos, cada qual sobre um país, a saber: Inglaterra, Japão, China, Índia, Brasil, Coréia do Sul, Costa Rica, República da Irlanda, Kenia, Tanzânia e Coréia do Norte; há, ao final, um apêndice, com dados comparativos dos países referidos nos capítulos 5 a 12, ou seja, a partir da Índia e até a Coréia do Norte, e um índice por assuntos.

2. Na introdução é colocada a questão central: quais as perspectivas de desenvolvimento nas economias menos desenvolvidas e no que essas perspectivas dependem de uma efetiva implementação de estratégias de desenvolvimento nacional que levem em conta as tendências dominantes na economia internacional.

3. Os capítulos referentes aos países oferecem um interesse mais imediato apenas aos que têm, neles, suas pesquisas e estudos.

4. O capítulo sobre o Brasil: "A economia do capitalismo selvagem" escrito por Regis de Castro Andrade, do CEDEC, contém uma descrição introdutória das origens da economia do Brasil moderno, de 1930 até a crise econômica de 1962-67, uma análise do modelo brasileiro, o "boom" econômico de 1968-73 (o milagre brasileiro), o mais recente desenvolvimento e finaliza com a discussão dos novos projetos da economia brasileira à luz das análises anteriores. Em 25 páginas, este capítulo pode servir, como já foi dito, para colocar o leitor em dia com uma visão econômica sintética do Brasil atual. As referências bibliográficas utilizadas por Castro Andrade, também podem ser fonte de consultas para os interessados.

5. O apêndice traz 23 tabelas com dados comparativos dos 8 países ditos subdesenvolvidos: indicadores básicos, desenvolvimento da produção, estrutura da produção, desenvolvimento do consumo e investimento, estrutura da demanda, industrialização, energia, mercado, estrutura da exportação, estrutura da importação, comércio de produtos manufaturados, balanço de pagamentos e rateios da dívida de serviços, fluxo de capital externo, dívida pública externa e reservas internacionais, crescimento populacional passado e projetado e população estacionaria hipotética, demografia e indicadores de fertilidade, força de trabalho, urbanização, indicadores de esperança de vida, indicadores de saúde, educação e distribuição de renda.

Essas tabelas foram construídas a partir dos dados dos capítulos, para facilitar a comparação entre os casos, reunidos de uma única fonte, o Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial, 1980, do Banco Mundial. Por esse motivo, os editores alertam que, por causa das diferenças de definições e outras, os dados do apêndice podem não ter em todos os casos, exata consistência com outros dados, nos capítulos, obtidos diretamente de fontes diversas.

 


 

 

José Alberto Neves Candeias

Departamento de Microbiologia - ICB/USP

 

 

Viral diseases in South-East Asia and the Western Pacific; proceeding of an International Seminar; edited by John S.Mackenzie. Sydney, Academic Press, 1982. 751 p.

Este livro é compilação das apresentações feitas em um Seminário realizado em Canberra, em 1982, e sua edição deve-se aos esforços do Dr. John Mackenzie, do Departamento de Microbiologia da Universidade de Austrália Ocidental. Este Seminário foi dedicado ao Professor Frank Fenner, quando de sua aposentadoria da Universidade Nacional da Austrália, como merecida homenagem por suas múltiplas e proveitosas atividades nos campos da virologia e das ciências biomédicas.

Depois de uma leitura fácil e sumamente agradável de todo o livro, não pudemos deixar de nos lembrar de um artigo escrito por Camilo, por volta de 1851, que começa com a seguinte frase: "Uma zelosa applicação aos livros, embora desajudada e sozinha, sem a regra dos methodos escholares, dá, por ventura, sobejas proporções de muito saber a quem tiver algumas de inteligência". Realmente trata-se de um livro que, mesmo para os não especialistas abre novos horizontes de conhecimento sem grande esforço. É uma excelente publicação, não só pelos conhecimentos que fornece sobre diversas doenças a vírus na região geográfica mencionada, mas também pelas revisões sobre vários temas da virologia. Todas elas, apesar de sumárias merecem igual destaque, razão pela qual passamos a referí-las por ordem de apresentação no texto.

1. Fatores geográficos e sociológicos na epidemiologia das doenças a virus. 2. Resposta imunológica nas doenças a virus e imunopatologia da infecção viral.3. Diagnóstico virológico rápido por microscopia eletrônica, imunofluorescência e ensaio imuno-enzimático. 4. Anticorpos monoclonais e DNA recombinante. 5. Progressos na vacinação contra as doenças virais e vacinação anti-viral e desnutrição. 6. Compostos anti-virais e potencial terapêutico dos anticorpos monoclonais. 7. Virus respiratórios e epidemiologia do vírus da Influenza. 8. Virus das hepatites A, B e não A - não B. 9. Vacinas inativadas e atenuadas contra a poliomielite. 10. Enterites virais. 11. Dengue e Febres hemorrágicas. 12. Vírus de importância veterinária. 13. Infecções humanas por herpesvírus.

Esta relação parece-nos útil por facilitar o acesso aos temas discriminados e por permitir, rapidamente, uma consulta bibliográfica, que se não é absolutamente atualizada, não deixa de ser proveitosa. Ao mesmo tempo esta publicação é motivo de sérias reflexões e um exemplo do método unificador na consideração dos temas abordados. Não seria de todo despropositado pensar-se na realização de Seminário organizado em moldes idênticos para os países da América Latina. Que os assuntos sobre que possa cair nosso interesse sejam ou não os mesmos apresentados naquele Seminário é questão sujeita a discussão, mas o que parece incontestável é a necessidade de se reunirem as experiências vividas pelos diversos países da América Latina no campo da virologia, gerando-se nova fonte abundante de ensinamentos. Afinal, não podemos ignorar que as doenças de etiologia viral continuam representando a principal causa de morte em nossa região, não parecendo sensato perderem-se as contribuições de excelente qualidade que têm sido feitas, graças aos esforços de um número sempre crescente de virologistas, aos quais não pode, por outro lado, negar-se a oportunidade de trocar pontos de vista e ampliar o campo das discussões.

Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil