ARTIGO ORIGINAL

 

Fatores associados ao consumo regular de refrigerante não dietético em adultos de Pelotas, RS

 

Factores asociados al consumo regular de gaseosa no dietética en adultos de Pelotas, Sur de Brasil

 

 

Airton José RombaldiI, II; Marilda Borges NeutzlingIII; Marcelo Cozzensa da SilvaI, II; Mario Renato AzevedoI, II; Pedro Curi HallalI, II

IPrograma de Pós-Graduação em Educação Física. Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Pelotas, RS, Brasil
IIGrupo de Estudos em Epidemiologia da Atividade Física. Escola Superior de Educação Física. UFPel. Pelotas, RS, Brasil
IIIDepartamento de Medicina Social. Faculdade de Medicina. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil

Correspondência | Correspondence

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Analisar fatores associados ao consumo regular de refrigerantes não dietéticos por adultos.
MÉTODOS: Estudo transversal de base populacional com 972 adultos (20 a 69 anos) do município de Pelotas, RS, realizado em 2006. A freqüência de consumo nos 12 meses anteriores à pesquisa foi medida por meio da pergunta: "em geral desde o <Mês> do ano passado, quantas vezes tu tomaste refrigerante não dietético?". As respostas categorizadas foram dicotomizadas para fins de análise. Foi considerado consumo regular de refrigerante não dietético a freqüência de cinco ou mais vezes por semana. A associação entre o desfecho e variáveis demográficas, socioeconômicas, comportamentais e nutricionais foi analisada pelo teste qui-quadrado para heterogeneidade e tendência linear e a análise multivariável foi realizada por meio de regressão de Poisson, com variância robusta.
RESULTADOS: Cerca de um quinto da população adulta de Pelotas (20,4%) ingeria regularmente refrigerante não dietético. Indivíduos do sexo masculino (RP 1,50; IC95%: 1,20;2,00), fumantes atuais (RP 1,60; IC95%: 1,20;2,10) e que consumiam semanalmente lanches (RP 2,10; IC95%: 1,60;2,70) apresentaram maior prevalência de consumo de refrigerantes não dietéticos na análise ajustada. A análise estratificada por sexo mostrou que o consumo regular de frutas, legumes e verduras foi fator protetor ao consumo de refrigerantes entre mulheres (RP 0,50; IC95%: 0,30;0,90).
CONCLUSÕES: A freqüência do consumo regular de refrigerantes não dietéticos na população adulta foi elevada, particularmente entre homens, jovens e fumantes.

Descritores: Adulto. Refrigerantes. Consumo de Alimentos. Inquéritos sobre Dietas. Estudos Transversais.


RESUMEN

OBJETIVO: Analizar factores asociados al consumo regular de gaseosas no dietéticas por adultos.
MÉTODOS: Estudio transversal de base poblacional con 972 adultos (20 a 69 años) del municipio de Pelotas, Sur de Brasil, realizado en 2006. La frecuencia de consumo en los 12 meses anteriores a la investigación fue medida por medio de la pregunta: "en general desde el <Mes> del año pasado, cuantas veces tu tomaste gaseosa no dietética?". Las respuestas categorizadas fueron dicotomizadas para fines de análisis. Fue considerado consumo regular de refrigerante no dietético la frecuencia de cinco o más veces por semana. La asociación con variables demográficas, socioeconómicas, conductuales y nutricionales fue analizada por la prueba de chi-cuadrado para heterogeneidad y tendencia linear y el análisis multivariable fue realizado por medio de regresión de Poisson, con variancia robusta.
RESULTADOS: Cerca de un quinto de la población adulta de Pelotas (20,4%) ingería regularmente gaseosa no dietética. Individuos del sexo masculino (RP 1,50; IC95%: 1,20;2,00), fumadores actuales (RP 1,60; IC 95%: 1,20;2,10) y que consumían semanalmente meriendas (RP 2,10; IC95%: 1,60;2,70) presentaron mayor prevalencia de consumo de gaseosas no dietéticas en el análisis ajustado. El análisis estratificado por sexo mostró que el consumo regular de frutas, legumbres y verduras fue factor protector al consumo de gaseosas entre mujeres (RP 0,50; IC95%: 0,30;0,90).
CONCLUSIONES: La frecuencia de consumo regular de gaseosas no dietéticas en la población adulta fue elevada, particularmente entre hombres, jóvenes y fumadores.

Descriptores: Adulto. Gaseosas. Consumo de Alimentos. Encuestas sobre Dietas. Estudios Transversales.


 

 

INTRODUÇÃO

O consumo de refrigerantes tem se tornado altamente prevalente nas últimas décadas e muitos autores13,18,21 associam o consumo excessivo com o aumento da prevalência de obesidade e suas conseqüências. Estudos de revisão13 e meta-análise18 mostram que o aumento no consumo de bebidas açucaradas está associado ao aumento na ingestão energética, ganho de peso, obesidade e diabetes. Por outro lado, em revisão sistemática de 2008, Wolff & Dansinger22 ponderam que, embora estudos observacionais suportem a hipótese de que o consumo de refrigerantes cause obesidade, há escassez de ensaios clínicos que confirmem essa hipótese. Ainda que sejam necessárias mais pesquisas, a Organização Mundial da Saúde (OMS)21 enfatiza que existem evidências suficientes para desencorajar o consumo de refrigerantes para uma alimentação saudável.

O atendimento à recomendação da OMS tem sido prioridade das políticas públicas de saúde em muitos países. É preconizado consumo máximo de 10% do valor energético total da dieta.21 Refrigerantes foram banidos das escolas na Inglaterra e na França e tiveram sua venda limitada ou proibida nos Estados Unidos (Los Angeles, Filadélfia e Miami).18 O Guia alimentar para a população brasileiraª sugere a redução em pelo menos um terço no consumo atual desses alimentos como uma das estratégias para uma alimentação saudável.

Identificar os fatores associados ao consumo de refrigerantes pode ser o primeiro passo para se aproximar das populações em maior risco. De acordo com estudos prévios,8,17 fatores como sexo, menor nível educacional e idade são importantes determinantes do consumo de refrigerantes. Estudos recentes7,18,23 apontam ainda que a qualidade da dieta pode estar associada ao consumo de refrigerantes. Em comparação a outros países, como os Estados Unidos7,17 e países europeus,19 existem poucos dados no Brasil com relação à ingestão de refrigerantes e fatores associados. A última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada no Brasilb mostrou aumento considerável no consumo de refrigerantes (400%), se comparado ao da década de 1970. O consumo dessas bebidas pode ser ainda maior, uma vez que os dados da POF não incluem o extradomiciliar. Resultados do Vigitel 2007c mostraram que a freqüência de adultos que referiram ingerir regularmente refrigerantes não dietéticos variou de 21,0% em Aracaju (Sergipe) a 38,4% em Macapá (Pará), sendo de 31,7% em Porto Alegre, Rio Grande do Sul; a freqüência foi maior entre os homens e diminuía com o aumento da idade e escolaridade.

O objetivo do presente estudo foi analisar os fatores associados ao consumo de refrigerante não dietético por adultos.

 

MÉTODOS

Foi conduzido estudo transversal de base populacional em Pelotas, RS. A cidade está localizada no extremo sul do estado e possui cerca de 340.000 habitantes. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 408 setores censitários urbanos domiciliares, os quais são ordenados em ordem no formato "espiral", do centro para os bairros. Dos 404 setores que contêm domicílios, 40 foram sorteados sistematicamente para inclusão no estudo, representando todas as áreas da zona urbana da cidade. Em cada setor sorteado, foi escolhido aleatoriamente um ponto de partida para a escolha das residências a serem visitadas. A primeira casa foi incluída e as próximas foram selecionadas de forma sistemática, respeitando-se um pulo de sete domicílios, até atingir 15 moradias em cada setor. Foram selecionados 600 domicílios para participar do estudo. Todos os moradores com idade entre 20 e 69 anos foram incluídos na amostra, exceto aqueles com incapacidade mental ou física severa que os impedisse de responder o questionário.

Foram realizados dois cálculos para tamanho amostral. A amostra necessária para avaliar a prevalência do consumo de refrigerantes foi estimada em 35,0%, respeitando os parâmetros: margem de erro aceitável de 4,0 pontos percentuais, nível de confiança de 95%, acréscimo de 10% para perdas e recusas e efeito de delineamento amostral de 1,5. Esse cálculo resultou em 901 sujeitos. Para analisar a associação entre consumo de refrigerantes e variáveis independentes, os seguintes parâmetros foram utilizados: nível de confiança de 95%, poder de 80%, prevalência de exposição variando de 10% a 90%, razão de prevalências de 1,7, acréscimo de 10% para não respondentes e 15% para controle de fatores de confusão e efeito de delineamento amostral de 1,5. O cálculo apontou 990 sujeitos.

Características demográficas, socioeconômicas, de saúde e nutricionais foram avaliadas por meio de um questionário padronizado contendo 100 questões. A variável cor da pele foi observada pelos entrevistadores e o nível socioeconômico foi categorizado segundo classificação da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa.d O nível de atividade física foi avaliado na seção de lazer da versão longa do International Physical Activity Questionnaire (IPAQ).3 Utilizou-se ponto de corte de 150 minutos por semana para classificar os sujeitos como ativos ou sedentários.3 O estado nutricional foi determinado pelo índice de massa corporal (IMC), calculado a partir do peso e altura auto-referidos e classificado segundo critérios da OMS.20

O desfecho - consumo regular de refrigerantes não dietéticos - foi investigado por meio da pergunta: "em geral desde o <Mês> do ano passado, quantas vezes tu tomaste refrigerante não dietético?". As opções de resposta eram: (a) uma vez ou menos por mês; (b) duas a três vezes por mês; (c) uma a duas vezes por semana; (d) três a quatro vezes por semana; (e) cinco ou mais vezes por semana. Para fins de análise, o desfecho foi dicotomizado, sendo considerados como positivos os respondentes que relataram consumir refrigerante não dietético cinco ou mais vezes por semana (consumo regular). O tempo de consumo referiu-se aos 12 meses anteriores ao momento da entrevista.

Entrevistadores de ambos os sexos, com idade mínima de 18 anos e pelo menos ensino médio completo, participaram de treinamento teórico-prático de 20 horas. Supervisores (acadêmicos dos cursos de Educação Física e Fisioterapia), em contato permanente com os entrevistadores durante o trabalho de campo, revisaram os questionários e realizaram controle de qualidade, por meio de revisitas a 25% da amostra. Os dados obtidos a partir dos questionários foram duplamente digitados no programa EpiInfo 6.0 e as análises conduzidas no programa estatístico Stata 9.0.

Na análise bruta, foi investigada a relação entre o desfecho e as variáveis sexo, idade, cor da pele, nível socioeconômico, escolaridade, tabagismo, atividade física no lazer, estado nutricional, consumo regular de frutas, legumes e verduras (FLV - cinco ou mais vezes por semana) e consumo semanal (uma ou mais vezes por semana) de lanches (hambúrguer ou cachorro-quente). Para isso, foram utilizados os testes de qui-quadrado para heterogeneidade e tendência linear. A análise multivariável foi realizada por meio de regressão de Poisson, com variância robusta. As análises levaram em consideração o efeito do delineamento amostral por meio do grupo de comandos "svy" do Stata. O nível de significância adotado foi de 5%.

O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas em 17/1/2008 - protocolo 005/2008) e os dados foram coletados após consentimento informado dos sujeitos.

 

RESULTADOS

Em 514 domicílios sorteados com moradores adultos, 1.062 eram elegíveis. Destes, 972 responderam ao questionário (taxa de não-respondentes de 9,3%). A variável independente com maior número de valores ignorados foi o IMC, pois 87 indivíduos não souberam informar seu peso e/ou altura.

As maiores freqüências observadas na amostra foram nas categorias: 57% do sexo feminino, 26,1% entre 20 e 29 anos, 41,5% na classe C, 82% brancos, 49,4% nunca fumaram, 69,8% sedentários, 51,3% com sobrepeso ou obesidade, 20,9% consumiam regularmente FLV e 36,6% consumiam lanches semanalmente (Tabela 1).

 

 

O consumo regular de refrigerante não dietético foi de 20,4% (IC95% 17,9;22,9). O efeito de delineamento, considerando o setor censitário como unidade amostral, foi de 1,6. Análises complementares mostraram que o efeito de delineamento utilizando o domicílio como unidade amostral foi de 1,4 para o consumo regular de refrigerantes não dietéticos.

A Tabela 2 apresenta a freqüência de consumo regular de refrigerante não dietético e as razões de prevalência segundo as variáveis independentes. Não foram observadas diferenças estatisticamente significantes nas variáveis idade, nível socioeconômico, cor da pele, sedentarismo no lazer, estado nutricional e consumo regular de FLV. Na análise ajustada, indivíduos do sexo masculino, fumantes atuais e que consumiam lanches semanalmente apresentaram maior prevalência de consumo regular de refrigerantes não dietéticos.

 

 

Após ajustes para possíveis fatores de confusão, observou-se que as variáveis consumo regular de FLV (associação inversa) e consumo semanal de lanches (associação direta) mantiveram-se associadas ao consumo regular de refrigerantes não dietéticos no sexo feminino e as variáveis tabagismo e consumo semanal de lanches (associação direta), no sexo masculino (Tabelas 3 e 4).

 

 

 

 

DISCUSSÃO

A amostra deste estudo é representativa em relação aos adultos de 20 a 69 anos de idade residentes em Pelotas, tendo em vista o alto percentual de indivíduos entrevistados e o baixo índice de perdas e recusas. Entre as limitações, comparações com outros estudos devem ser feitas com cautela, devido a variações no processo amostral, esquemas de coleta dos dados dietéticos e classificação das freqüências de consumo. Existe a possibilidade do viés de causalidade reversa na associação entre freqüência de consumo de refrigerante não dietético e estado nutricional, visto que pessoas obesas podem modificar o consumo como conseqüência de seu estado nutricional. Além disso, deve-se considerar a possibilidade da ocorrência de um erro de recordatório, uma vez que o tempo de consumo pregresso investigado em relação ao momento da entrevista foi de 12 meses.

Um quinto (20,4%) dos indivíduos adultos em Pelotas consumiam refrigerante não dietético regularmente. Os efeitos de delineamento amostral, tanto para o setor censitário como para o domicílio, foram muito próximos aos estimados no cálculo de tamanho amostral e controlados nas análises estatísticas conduzidas.

A freqüência de consumo observada no presente estudo é bem inferior àquela relatada nos Estados Unidos. Em 2007, Dhingra et al5 concluíram que 35% dos adultos participantes do estudo de Framingham consumiam refrigerantes não dietéticos uma ou mais vezes por dia. Estudo brasileiro sobre fatores de risco para doenças não transmissíveis (Vigitel)c indica achados semelhantes aos nossos.

Assim como outros estudos,10,17 observamos que as freqüências de consumo de refrigerante não dietético foram maiores entre os homens, e no nosso estudo não houve diferenças significativas no que se refere à idade, nível socioeconômico e cor da pele. No entanto, outros autores encontraram diferenças em relação a idade,10,15 nível socioeconômico4 e cor da pele.4

Nos fumantes atuais a freqüência de consumo dessas bebidas foi significativamente maior, consonante com outros estudos.5,11,15 Tal resultado corrobora a tendência de que um comportamento de risco à saúde está associado a outros.5,11

Nossos resultados não mostraram associação entre excesso de peso e consumo de refrigerantes não dietéticos, ao contrário do que tem sido encontrado em revisões e meta-análises.13,18 Recente revisão sistemática da literatura13 indica associação positiva entre maior ingestão de bebidas açucaradas e o ganho de peso e obesidade em crianças e adultos. Em meta-análise de 88 estudos, Vartanian et al18 encontraram fortes associações entre a ingestão de refrigerantes e o aumento da ingestão de energia e peso corporal. Possivelmente o desenho transversal de nosso estudo tenha sido fator limitante na análise dessa associação.

Uma possível explicação para o aumento de peso decorrente do consumo excessivo de bebidas açucaradas seria o fato de os efeitos fisiológicos da ingestão energética sobre a saciedade serem diferentes para líquidos e para alimentos sólidos. Dessa forma, o carboidrato ingerido em líquidos promoveria um balanço energético positivo maior. Possivelmente devido à menor distensão gástrica e à maior rapidez de trânsito, a energia contida nos líquidos tem sua "detecção" pelo organismo dificultada e a ingestão posterior de alimento não se ajusta devidamente para levar em conta a energia ingerida na forma líquida.1,6

Não observamos associação significativa entre o consumo regular de refrigerantes não dietéticos e a inatividade física, o que contraria estudos prévios.11,15 Contudo, comparações precisam ser feitas com cautela, pois há diferença de instrumentos e critérios para a classificação do nível de atividade física entre os estudos.

A análise da relação entre consumo semanal de lanches e ingestão regular de refrigerantes não dietéticos revelou associação significativa entre essas variáveis. Outros autores2,5,12,16 defendem que indivíduos com maior freqüência de consumo de refrigerantes consomem dietas nutricionalmente mais pobres de um modo geral, pois o consumo de refrigerantes estimularia o apetite dos indivíduos para alimentos não nutritivos. Estudo16 mostrou que indivíduos que consomem mais refrigerantes têm dietas com maior índice glicêmico, confirmando a suposição de que o consumo de alimentos com alto índice glicêmico (como refrigerantes) estimularia o de outros alimentos desse tipo.12 Outro estudo mostra que o consumo de refrigerantes está associado ao de hambúrgueres e pizzas.2

O consumo regular de FLV esteve inversamente associado com o consumo regular de refrigerantes não dietéticos, particularmente no sexo feminino. Associação semelhante foi observada por Marshall et al14 em crianças norte-americanas, por Figueiredo et al9 em adultos paulistanos e em jovens adultas japonesas.23

Concluímos que a freqüência do consumo de refrigerantes não dietéticos na população adulta residente no município de Pelotas é elevada, principalmente entre homens, fumantes atuais, que consomem lanches semanalmente e não fazem consumo regular de FLV. A população deve reduzir o consumo de refrigerantes não dietéticos, que implicam aumento na ingestão calórica de alimentos de baixo valor nutricional, além de estarem relacionados a outros hábitos alimentares não saudáveis.

 

REFERÊNCIAS

1. Almiron-Roig E, Chen Y, Drewnowski A. Liquid calories and the failure of satiety: how good is the evidence? Obes Rev. 2003;4(4):201-12. DOI:10.1046/j.1467-789X.2003.00112.x        

2. Bes-Rastrollo M, Sanchez-Villegas A, Gomez-Gracia E, Martinez JA, Pajares RM, Martinez-Gonzalez MA. Predictors of weight gain in a Mediterranean cohort: the Seguimiento Universidad de Navarra Study 1. Am J Clin Nutr. 2006;83(2):362-70; quiz 94-5.         

3. Craig CL, Marshall AL, Sjostrom M, Bauman AE, Booth ML, Ainsworth BE, et al. International physical activity questionnaire: 12-country reliability and validity. Med Sci Sports Exerc. 2003;35(8):1381-95. DOI:10.1249/01.MSS.0000078924.61453.FB        

4. Deshmukh-Taskar P, Nicklas TA, Yang SJ, Berenson GS. Does food group consumption vary by differences in socioeconomic, demographic, and lifestyle factors in young adults? The Bogalusa Heart Study. J Am Diet Assoc. 2007;107(2): 223-34. DOI:10.1016/j.jada.2006.11.004        

5. Dhingra R, Sullivan L, Jacques PF, Wang TJ, Fox CS, Meigs JB, et al. Soft drink consumption and risk of developing cardiometabolic risk factors and the metabolic syndrome in middle-aged adults in the community. Circulation. 2007;116(5): 480-8. DOI:10.1161/CIRCULATIONAHA.107.689935        

6. DiMeglio DP, Mattes RD. Liquid versus solid carbohydrate: effects on food intake and body weight. Int J Obes Relat Metab Disord. 2000;24(6):794-800. DOI:10.1038/sj.ijo.0801229        

7. Duffey KJ, Popkin BM. Adults with healthier dietary patterns have healthier beverage patterns. J Nutr. 2006;136(11):2901-7.         

8. Elfhag K, Tynelius P, Rasmussen F. Sugar-sweetened and artificially sweetened soft drinks in association to restrained, external and emotional eating. Physiol Behav. 2007; 91(2-3):191-5. DOI:10.1016/j.physbeh.2007.02.005        

9. Figueiredo IC, Jaime PC, Monteiro CA. Factors associated with fruit and vegetable intake among adults of the city of Sao Paulo, Southeastern Brazil. Rev Saude Publica. 2008;42(5):777-85. DOI:10.1590/S0034-89102008005000049        

10. Garriguet D. Beverage consumption of Canadian adults. Health Rep. 2008;19(4):23-9.         

11. Kvaavik E, Andersen LF, Klepp KI. The stability of soft drinks intake from adolescence to adult age and the association between long-term consumption of soft drinks and lifestyle factors and body weight. Public Health Nutr. 2005;8(2):149-57. DOI:10.1079/PHN2004669        

12. Ludwig DS. The glycemic index: physiological mechanisms relating to obesity, diabetes, and cardiovascular disease. JAMA. 2002;287(18):2414-23.         

13. Malik VS, Schulze MB, Hu FB. Intake of sugar-sweetened beverages and weight gain: a systematic review. Am J Clin Nutr. 2006;84(2):274-88.         

14. Marshall TA, Eichenberger Gilmore JM, Broffitt B, Stumbo PJ, Levy SM. Diet quality in young children is influenced by beverage consumption. J Am Coll Nutr. 2005;24(1):65-75.         

15. Palmer JR, Boggs DA, Krishnan S, Hu FB, Singer M, Rosenberg L. Sugar-sweetened beverages and incidence of type 2 diabetes mellitus in African American women. Arch Intern Med. 2008;168(14):1487-92. DOI:10.1001/archinte.168.14.1487        

16. Schulze MB, Manson JE, Ludwig DS, Colditz GA, Stampfer MJ, Willett WC, et al. Sugar-sweetened beverages, weight gain, and incidence of type 2 diabetes in young and middle-aged women. JAMA. 2004;292(8):927-34.         

17. Storey ML, Forshee RA, Anderson PA. Beverage consumption in the US population. J Am Diet Assoc. 2006;106(12):1992-2000. DOI:10.1016/j.jada.2006.09.009        

18. Vartanian LR, Schwartz MB, Brownell KD. Effects of soft drink consumption on nutrition and health: a systematic review and meta-analysis. Am J Public Health. 2007;97(4):667-75. DOI:10.2105/AJPH.2005.083782        

19. Vereecken CA, Inchley J, Subramanian SV, Hublet A, Maes L. The relative influence of individual and contextual socio-economic status on consumption of fruit and soft drinks among adolescents in Europe. Eur J Public Health. 2005;15(3):224-32. DOI:10.1093/eurpub/cki005        

20. World Health Organization. Physical Status: the use and interpretation of anthropometry - Report of a WHO Expert Committee. Geneva; 1995. (WHO Technical Report Series, 854).         

21. World Health Organization. Food and Agriculture Organization of the United Nations. Expert Consultation on Diet, Nutrition and the prevention diseases. Diet Nutrition and the Prevention of chronic diseases: report of a joint WHO/FAO WHO expert consultation. Geneva; 2003. (WHO Technical Report Series, 916).         

22. Wolff E, Dansinger ML. Soft drinks and weight gain: how strong is the link? Medscape J Med. 2008;10(8):189.         

23. Yamada M, Murakami K, Sasaki S, Takahashi Y, Okubo H. Soft drink intake is associated with diet quality even among young Japanese women with low soft drink intake. J Am Diet Assoc. 2008;108(12):1997-2004. DOI:10.1016/j.jada.2008.09.033        

 

 

Correspondência | Correspondence:
Airton José Rombaldi
R. Luis de Camões, 625 - Areal
96055-630 Pelotas, RS, Brasil
E-mail: rombaldi@ufpel.tche.br

Recebido: 28/9/2009
Aprovado: 8/9/2010

 

 

Os autores declaram não haver conflito de interesses.
a Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Guia alimentar para a população brasileira. Brasília (DF); 2005.
b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003: análise da disponibilidade domiciliar de alimentos e do estado nutricional no Brasil. Rio de Janeiro; 2004.
c Ministério da Saúde. Vigitel Brasil 2007. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília (DF); 2008.
d Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Critério de classificação econômica Brasil. São Paulo; 2006[citado 2009 fev 25]. Disponível em: http://www.abep.org/codigosguias/CCEB2008-Base2006e2007.pdf

Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revsp@org.usp.br