Estimativa de consumo de sódio pela população brasileira, 2008-2009

Estimativa de consumo de sodio por la población brasileña, 2008-2009

Flavio Sarno Rafael Moreira Claro Renata Bertazzi Levy Daniel Henrique Bandoni Carlos Augusto Monteiro Sobre os autores

Resumos

OBJETIVO:

Atualizar estimativas sobre consumo de sódio no Brasil.

MÉTODOS:

Foram utilizados dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009. Realizou-se a conversão em nutrientes dos registros de aquisição de alimentos dos domicílios brasileiros por meio de tabelas de composição de alimentos. Foram calculadas a disponibilidade média de sódio/pessoa/dia e a disponibilidade média ajustada para um consumo energético diário de 2.000 kcal. Calculou-se a contribuição de grupos de alimentos selecionados para o total de sódio disponível para consumo no domicílio e comparou-se com aqueles da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003.

RESULTADOS:

A quantidade diária de sódio disponível para consumo nos domicílios brasileiros foi de 4,7 g para ingestão diária de 2.000 kcal, mantendo-se mais de duas vezes superior ao limite recomendado de ingestão desse nutriente. A maior parte do sódio disponível para consumo provém do sal de cozinha e de condimentos à base de sal (74,4%), mas a fração proveniente de alimentos processados com adição de sal aumentou linear e intensamente com o poder aquisitivo domiciliar (12,3% do total de sódio no quinto inferior da distribuição da renda por pessoa e 27,0% no quinto superior). Observou-se redução na contribuição de sal e condimentos à base de sal (76,2% para 74,4%) e dos alimentos in natura ou processados sem adição de sal (6,6% para 4,8%) e aumento dos alimentos processados com adição de sal (15,8% para 18,9%) e dos pratos prontos (1,4% para 1,6%) na comparação com a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003.

CONCLUSÕES:

O consumo de sódio no Brasil mantém-se em níveis acima da recomendação máxima para esse nutriente em todas as macrorregiões e classes de renda brasileiras. Observou-se estabilidade na disponibilidade domiciliar total de sódio e aumento na fração proveniente dos alimentos processados com adição de sal e dos pratos prontos, na comparação de 2008-2009 com 2002-2003.

Cloreto de Sódio; Sódio na Dieta; Hábitos Alimentares; Recomendações Nutricionais; Fatores Socioeconômicos; Inquéritos Nutricionais; Orçamentos; Inquéritos Demográficos


OBJETIVO:

Actualizar estimativas sobre consumo de sodio en Brasil.

MÉTODOS:

Se utilizaron datos de la Investigación de Presupuestos Familiares 2008-2009. Se realizó la conversión en nutrientes de los registros de adquisición de alimentos de los domicilios brasileños por medio de tablas de composición de alimentos. Se calcularon la disponibilidad promedio de sodio/persona/día y la disponibilidad promedio ajustada para un consumo energético diario de 2000 kcal. Se calculó la contribución de grupos de alimentos seleccionados para el total de sodio disponible para consumo en el domicilio y se comparó con los datos de la Investigación de Presupuestos Familiares 2002-2003.

RESULTADOS:

La cantidad diaria de sodio disponible para consumo en los domicilios brasileños fue de 4,7 g para ingestión diaria de 2000 kcal, manteniéndose más de dos veces mayor al límite recomendado de ingestión de dicho nutriente. La mayor parte del sodio disponible para consumo proviene de la sal de cocina y de condimentos a base de sal (74,4%), sin embargo, la fracción proveniente de alimentos procesados con adición de sal aumentó linear e intensamente con el poder adquisitivo domiciliar (12,3% del total de sodio en la quinta parte inferior de la distribución de renta por persona y 27,0% en la quinta parte superior). Se observó reducción en la contribución de sal y condimentos a base de sal (de 76,2% a 74,4%) y de los alimentos in natura o procesados sin adición de sal (de 6,6% a 4,8%) y aumento de los alimentos procesados con adición de sal (de 15,8% a 18,9%) y de las comidas listas (de 1,4% a 1,6%) en comparación con la Investigación de Presupuestos Familiares 2002-2003.

CONCLUSIONES:

El consumo de sodio en Brasil se mantiene en niveles por encima de la recomendación máxima para dicho nutriente en todas las macro regiones y clases de renta brasileña. Se observó estabilidad en la disponibilidad domiciliar total de sodio y aumento en la fracción proveniente de los alimentos procesados con adición de sal y de las comidas listas, en comparación entre 2008-2009 y 2002-2003.

Cloruro de Sódio; Sodio en la Dieta; Hábitos Alimenticios; Política Nutricional; Factores Socioeconómicos; Encuestas Nutricionales; Presupuestos; Encuestas Demográficas


INTRODUÇÃO

O consumo excessivo de sódio é um dos principais fatores de risco para a hipertensão arterial. 22 22. Zhao D, Qi Y, Zheng Z, Wang Y, Zhang XY, Li HJ, et al. Dietary factors associated with hypertension. Nat Rev Cardiol. 2011;8(8):456-65. DOI:10.1038/nrcardio.2011.75
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Globalmente, 7,6 milhões de mortes prematuras, cerca de 54% dos acidentes vasculares cerebrais e 47% da doença isquêmica cardíaca são atribuídos à elevação da pressão arterial. 10 10. Lawes CM, Vander Hoorn S, Rodgers A. Global burden of blood-pressure-related disease, 2001. Lancet. 2008;371(9623):1513-8. DOI:10.1016/S0140-6736(08)60655-8
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A ingestão elevada de sódio também associa-se com acidente vascular cerebral, hipertrofia ventricular esquerda e doenças renais. 6 6. He FJ, MacGregor GA. Reducing population salt intake worldwide: from evidence to implementation. Prog Cardiovasc Dis. 2010;52(5):363-82. DOI:10.1016/j.pcad.2009.12.006
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A redução do consumo de sódio está associada com a diminuição dos níveis de pressão arterial em indivíduos hipertensos e em normotensos, e com o menor risco de doença cardiovascular. Análises de custo-eficácia documentam que mesmo reduções modestas na ingestão de sódio pela população teriam efeitos benéficos sobre a saúde das pessoas e determinariam grande redução nos gastos com o tratamento de doenças. 7 7. He FJ, Macgregor GA. Salt intake, plasma sodium, and worldwide salt reduction. Ann Med. 2012;44(Suppl 1):127-37. DOI:10.3109/07853890.2012.660495
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, 21 21. Wang G, Labarthe D. The cost-effectiveness of interventions designed to reduce sodium intake. J Hypertens. 2011;29(9):1693-9. DOI: 10.1097/HJH.0b013e328349ba18
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Apesar disso, o consumo de sódio apresenta-se acima de 2,3 g/dia na maioria das populações adultas de diversos países, 3 3. Brown IJ, Tzoulaki I, Candeias V, Elliott P. Salt intakes around the world: implications for public health. Int J Epidemiol. 2009;38(3):791-813. DOI:10.1093/ije/dyp139
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enquanto o limite máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 2 g/dia.a a World Health Organization. WHO Forum on Reducing Salt Intake in Populations. Reducing salt intake in populations: report of a WHO forum and technical meeting, 5-7 October 2006, Paris; 2006.

No Brasil, a partir de dados coletados pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2002-2003, estimou-se em 4,7 g/pessoa/dia a quantidade diária de sódio disponível para consumo nos domicílios, excedendo assim em mais de duas vezes o limite máximo recomendado de ingestão desse nutriente. 19 19. Sarno F, Claro RM, Levy RB, Bandoni DH, Ferreira SR, Monteiro CA. Estimativa de consumo de sódio pela população brasileira, 2002-2003. Rev Saude Publica. 2009;43(2):219-25. DOI: 10.1590/S0034-89102009005000002
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Este estudo teve por objetivo atualizar as estimativas sobre o consumo de sódio no Brasil.

MÉTODOS

Os dados coletados pela POF, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre maio de 2008 e maio de 2009, em amostra probabilística de 55.970 domicílios, serviram de base para este estudo.b b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009. Avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil. Rio de Janeiro; 2010.

A POF 2008-2009b b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009. Avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil. Rio de Janeiro; 2010. utilizou plano amostral complexo por conglomerados, com sorteio dos setores censitários no primeiro estágio e de domicílios no segundo. Para o sorteio dos setores censitários, a pesquisa procedeu ao agrupamento dos 12.800 setores presentes no conjunto de setores censitários, denominado Amostra Mestra de Inquéritos Domiciliares (ou Amostra Comum), com o objetivo de obter estratos de domicílios com alta homogeneidade geográfica e socioeconômica. Nesse agrupamento, considerou-se a localização dos setores (região, unidade da federação, capital ou interior, área urbana ou rural) e o espectro de variação do nível econômico das famílias residentes internamente a cada lócus geográfico, a partir da renda do indivíduo responsável pelo domicílio (dado obtido no Censo Demográfico 2000). O número de setores sorteados em cada estrato foi proporcional ao número total de domicílios no estrato, com a condição de manter pelo menos três setores na amostra de cada estrato. Foram sorteados os domicílios em cada setor por amostragem aleatória simples sem reposição. O número de domicílios com entrevistas, por setor, foi fixado de acordo com a área da pesquisa (12 domicílios nos setores urbanos, 16 nos setores rurais). As entrevistas domiciliares, dentro de cada estrato, foram distribuídas uniformemente ao longo dos quatro trimestres de duração do estudo, reproduzindo a variação sazonal de rendimentos e aquisições de alimentos (e de outros produtos) em cada estrato.

O curto período de referência empregado pela POF para o registro das despesas com alimentação em cada domicílio (sete dias) não permite que se conheça o padrão usual de aquisição de alimentos de cada um dos domicílios estudados. Por isso, as estimativas da POFb b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009. Avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil. Rio de Janeiro; 2010. referem-se aos agregados de domicílios que representam regiões, unidades da federação ou mesmo municípios (como as capitais dos estados). Optamos por utilizar agregados de domicílios como unidade de estudo, que correspondem aos domicílios estudados em cada um dos 550 estratos amostrais da pesquisa. Assim, garantimos unidades de estudo homogêneas do ponto de vista espacial e socioeconômico, cujo padrão de aquisição de alimentos, ao longo de 12 meses, pode ser conhecido com fidedignidade.

As informações básicas da POF 2008-2009b b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009. Avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil. Rio de Janeiro; 2010. analisadas neste estudo referem-se às aquisições de alimentos e bebidas para consumo domiciliar feitas pela unidade de consumo (família) durante sete dias consecutivos e registradas diariamente na caderneta de despesas coletivas por um dos moradores do domicílio ou por entrevistador do IBGE. A quantidade, a unidade de medida (com o seu equivalente em peso ou volume), a despesa, o local de compra e a forma de obtenção do produto (monetária ou não monetária) foram registrados para cada aquisição.

Excluiu-se, quando necessário, a fração não comestível da quantidade bruta adquirida de cada alimento pelos domicílios, usando fatores de correção estimados pelo IBGE.c c Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estudo Nacional da Despesa Familiar - ENDEF: dados preliminares, consumo alimentar, antropometria. Rio de Janeiro; 1977. A quantidade comestível de cada alimento foi convertida em energia (kcal) e sódio (gramas) utilizando a Tabela Brasileira de Composição dos Alimentos - versão 2d d Universidade Estadual de Campinas. Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação. Tabela brasileira de composição de alimentos. Versão II. 2.ed. Campinas; 2006. ou, na ausência desta, a tabela oficial de composição de alimentos dos Estados Unidos, versão 15.e e United States. Department of Agriculture, Agricultural Research Service. National nutrient database for standard reference, Nutrient Data Laboratory Home Page. Beltsville; 2005 [citado 2011 jul 31]. Disponível em: http://www.ars.usda.gov/main/site_main.htm?modecode=12-35-45-00 (Release, 18). Para alimentos preservados em sal, como charque, carne seca e de sol e peixes salgados, considerou-se a quantidade equivalente e a concentração de sódio referente ao alimento já dessalgado.

Os dados dos alimentos foram divididos em 98 grupos diferentes na POF 2008-2009. A partir dessa divisão e depois de convertidos para energia, os registros foram reunidos nos grupos de alimentos: sal e condimentos à base de sal; alimentos processados com adição de sal (pães, embutidos e conservas de hortaliças); alimentos in natura ou processados sem adição de sal (leite pasteurizado, carnes frescas ou congeladas, frutas e hortaliças) e pratos prontos (refeições prontas à base de carnes ou massas).

Calculou-se a disponibilidade diária por pessoa de energia e de sódio para cada unidade de estudo (estratos de domicílios). Calculou-se a disponibilidade de sódio ajustada para valor energético total de 2.000 kcal, correspondente à recomendação brasileira para a ingestão diária por pessoa de energiaf para contornar o fato de que se analisa a disponibilidade domiciliar de sódio e não o consumo efetivo desse nutriente (não são consideradas as refeições feitas fora do domicílio nem a fração de alimentos adquiridos, mas não consumidos).

Médias da disponibilidade de sódio na POF 2008-2009b b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009. Avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil. Rio de Janeiro; 2010. (e respectivos erros-padrão) são apresentadas para o País como um todo, para as cinco macrorregiões geográficas, desagregadas em situação urbana ou rural e para quintos da distribuição da renda por pessoa observada nos 550 estratos do presente estudo. A participação dos grupos de alimentos na disponibilidade domiciliar de sódio foi avaliada segundo quintos crescentes da distribuição da renda domiciliar. A tendência dessa participação foi avaliada por meio de modelos de regressão linear que tiveram como desfecho o valor da participação de determinado grupo de alimentos na disponibilidade domiciliar de sódio e como variável explanatória quintos da distribuição de renda. Consideraram-se significativos valores de p < 0,05.

A evolução da participação percentual de grupos de alimentos na disponibilidade domiciliar total de sódio é descrita para o País como um todo, comparando-se os dados da POF 2002-2003g g Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares 2002-2003: aquisição alimentar domiciliar per capita. Rio de Janeiro; 2004. com a de 2008-2009.b b Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009. Avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil. Rio de Janeiro; 2010.

Os procedimentos adotados para estimação da disponibilidade domiciliar de sódio na POF 2002-2003, idênticos aos utilizados no presente estudo, estão descritos em publicação anterior. 19 19. Sarno F, Claro RM, Levy RB, Bandoni DH, Ferreira SR, Monteiro CA. Estimativa de consumo de sódio pela população brasileira, 2002-2003. Rev Saude Publica. 2009;43(2):219-25. DOI: 10.1590/S0034-89102009005000002
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Empregou-se o aplicativo Stata versão 9.2 para as análises dos dados e foram considerados os pesos amostrais das unidades de estudo.

RESULTADOS

A disponibilidade domiciliar de sódio no Brasil foi de 4,7 g/pessoa/dia, ajustada para consumo de 2.000 kcal, excedendo em mais de duas vezes o consumo máximo recomendado de 2 g/dia. A disponibilidade foi superior a 4 g em todas as regiões, sendo maior nos estratos de domicílios rurais. A menor disponibilidade de sódio foi encontrada nos domicílios urbanos da região Sudeste e a maior nos domicílios rurais da região Norte do País (Tabela 1).

Tabela 1
Disponibilidade domiciliar de energia e de sódio, segundo macrorregião e situação urbana ou rural do domicílio. Brasil, 2008 a 2009.

A disponibilidade domiciliar de sódio ajustada para consumo de 2.000 kcal/pessoa/dia diminui conforme aumenta a renda, com diferença de cerca de 20% entre o maior e o menor quinto da distribuição de renda por pessoa da população brasileira. Entretanto, a disponibilidade foi elevada em todos os grupos de renda, excedendo a recomendação máxima de consumo de sódio (Tabela 2).

Tabela 2
Disponibilidade domiciliar de energia e de sódio, segundo quintos da distribuição da renda domiciliar por pessoa. Brasil, 2008 a 2009.

Cerca de três quartos do total do sódio disponível para consumo proveio da aquisição de sal de cozinha e condimentos à base de sal. Essa contribuição diminuiu significativamente com o aumento da renda, variando de 83,7% a 63,5% entre os quintos de menor e de maior renda. A contribuição dos alimentos processados e dos pratos prontos aumentou significativa e intensamente, mais que dobrando entre os quintos de menor e de maior renda (12,9% a 30,3%) (Tabela 3).

Tabela 3
Distribuição (%) da disponibilidade domiciliar de sódio em quintos crescentes da distribuição da renda domiciliar por pessoa, segundo grupos de alimentos. Brasil, 2008 a 2009.

A disponibilidade domiciliar total de sódio manteve-se estável entre as POF de 2002-2003 e 2008-2009 (4,7 g/ 2.000 kcal). A contribuição do sal de mesa e de condimentos à base de sal (de 76,2% para 74,4%) diminuiu e dos alimentos processados com adição de sal e dos pratos prontos aumentou (de 17,2% para 20,5%) (Figura).

Figura
Contribuição de grupos de alimentos (%) para a disponibilidade domiciliar total de sódio, de acordo com as Pesquisas de Orçamentos Familiares. Brasil, 2002 a 2003 e 2008 a 2009.

DISCUSSÃO

A quantidade de sódio disponível para consumo nos domicílios brasileiros permanece duas vezes maior que o limite máximo de ingestão recomendado pela OMS. A disponibilidade excessiva de sódio continua sendo observada em todas as regiões do País, nos meios urbanos e rurais e em todas as classes de renda.

Embora o sódio disponível para consumo provenha principalmente do sal de cozinha e de condimentos à base de sal, quase 1/5 do mineral advém de alimentos processados com adição de sal, cuja contribuição ultrapassa 25% nos domicílios de maior renda.

Apesar de estável em patamar elevado entre a POF 2002-2003 19 19. Sarno F, Claro RM, Levy RB, Bandoni DH, Ferreira SR, Monteiro CA. Estimativa de consumo de sódio pela população brasileira, 2002-2003. Rev Saude Publica. 2009;43(2):219-25. DOI: 10.1590/S0034-89102009005000002
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e 2008-2009, a origem da disponibilidade domiciliar de sódio modificou-se no Brasil: houve aumento da fração proveniente de alimentos processados com adição de sal e pratos prontos e diminuição da contribuição relativa do sal de mesa e de condimentos à base de sal.

A eficácia do ajuste para uma disponibilidade fixa de 2.000 kcal/pessoa/dia pressupõe que as refeições feitas fora do domicílio tenham teor de sódio semelhante ao das refeições feitas no domicilio e que a fração desperdiçada dos alimentos seja independente do seu teor de sódio.

Embora não conheçamos estudos brasileiros que tenham comparado o teor de sódio de refeições feitas dentro e fora dos domicílios, admite-se que as refeições feitas fora de casa tendam a apresentar maior teor de sódio. 2 2. Beydoun MA, Powell LM, Wang Y. Reduced away-from-home food expenditure and better nutrition knowledge and belief can improve quality of dietary intake among US adults. Public Health Nutr. 2009;12(3):369-81. Se esse fenômeno for de fato observado no Brasil, o real consumo de sódio pela população poderia ser maior do que o estimado neste estudo.

Assim, a ingestão de sódio poderia estar subestimada, particularmente no meio urbano, onde o consumo energético fora do domicílio alcançou em média 17,5% do consumo energético dos indivíduos (9,8% naqueles de situação rural), de acordo com a POF 2008-2009.h h Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009: análise do consumo alimentar pessoal no Brasil. Rio de Janeiro; 2011. Da mesma forma, a relação inversa entre renda familiar e sódio poderia ser atenuada caso fosse considerado o consumo fora do domicílio, usualmente superior em indivíduos com maior renda.

Dois procedimentos culinários domésticos podem fazer com que o desperdício de sal de cozinha seja superior ao dos demais itens da dieta: a cocção de alimentos em água de salmoura e o salgamento de alimentos. Os alimentos usualmente cozidos em água de salmoura são macarrão, batata e cenoura, no Brasil. Considerando a quantidade média que as famílias brasileiras adquirem desses alimentos,i i Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009: aquisição alimentar domiciliar per capita Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro; 2010. a concentração de sal habitual na água de salmoura 5 5. Fisberg RM, Villar BS. Manual de receitas e medidas caseiras para cálculo de inquéritos alimentares. São Paulo: Signus; 2002. , 17 17. Pinheiro ABV, Lacerda EMA, Benzecry EH, Gomes MCS, Costa VM. Tabela para avaliação de consumo alimentar em medidas caseiras. 3.ed. Rio de Janeiro: Atheneu; 1993. e a fração de sal retida por esses alimentos após sua cocção, 18 18. Sánchez-Castillo CP, James WP. Defining cooking salt intakes for patient counselling and policy making. Arch Latinoam Nutr. 1995;45(4):259-64. o consumo desses citados alimentos determinariam desperdício de cerca de 5,5% do total de sódio adquirido pelas famílias brasileiras. Dessa forma, esse desperdício não seria suficiente para modificar as conclusões do presente estudo quanto ao consumo excessivo de sódio no Brasil.

Outra possível fonte de desperdício de sal é sua utilização no salgamento doméstico de alimentos. A excepcionalidade dessa prática no meio urbano indica efeito pequeno das estimativas feitas para os cerca de 85% dos brasileiros que vivem nas cidades. A possível maior frequência do salgamento doméstico no meio rural poderia justificar a maior disponibilidade de sódio observada nos domicílios rurais.

O curto período de referência (uma semana) para a coleta de dados sobre as aquisições de alimentos feitas em cada domicílio, conforme a POF, poderia constituir importante limitação deste estudo. Para minimizar esse efeito, adotamos grupos de domicílios homogêneos quanto à localização territorial e características socioeconômicas (estratos) como unidade de análise, estudados ao longo de 12 meses.

Apesar dessas limitações, estudos comparando dados da POF com aqueles obtidos em inquéritos individuais de consumo apontam para considerável concordância entre os métodos. 15 15. Naska A, Vasdekis VG, Trichopoulou A. A preliminary assessment of the use of household budget survey data for the prediction of individual food consumption. Public Health Nutr. 2001;4(5B):1159-65. Dados de disponibilidade domiciliar de sódio refletem melhor o consumo domiciliar desse nutriente em comparação com os inquéritos pessoais de ingestão, uma vez que a POF avalia, com maior acurácia, o consumo de ingredientes utilizados nas preparações alimentares. 1 1. Becker W. Comparability of household and individual food consumption data-evidence from Sweden. Public Health Nutr. 2001;4(5B):1177-82.

Países desenvolvidos, onde o sal adicionado durante o processamento do alimento é a fonte dominante de sódio da dieta, vêm implantando estratégias de redução do consumo de sódio para o controle da alta morbimortalidade por doenças crônicas não transmissíveis. Essas estratégias incluem: campanhas públicas de sensibilização e educação do público e de profissionais de saúde, informação sobre o conteúdo de sódio no rótulo dos alimentos, estabelecimento de normas e metas para o conteúdo de sódio em alimentos processados, acordos com a indústria de alimentos para limitar o conteúdo de sódio em seus produtos e regulação da propaganda de alimentos ricos em sódio. 20 20. Webster JL, Dunford EK, Hawkes C, Neal BC. Salt reduction initiatives around the world. J Hypertens. 2011;29(6):1043-50. DOI: 10.1097/HJH.0b013e328345ed83
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Os resultados mostram reduções no consumo de sódio de cerca de 25% na Finlândia 9 9. Laatikainen T, Pietinen P, Valsta L, Sundvall J, Reinivuo H, Tuomilehto J. Sodium in the Finnish diet: 20-year trends in urinary sodium excretion among the adult population. Eur J Clin Nutr. 2006;60(8):965-70. DOI:10.1038/sj.ejcn.1602406
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e de cerca 14% no consumo de sal na Inglaterra. 12 12. Millett C, Laverty AA, Stylianou N, Bibbins-Domingo K, Pape UJ. Impacts of a national strategy to reduce population salt intake in England: serial cross sectional study. PLoS One. 2012;7(1):e29836. DOI:10.1371/journal.pone.0029836
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A recente estratégia nacional de redução do consumo de sódio no Brasil, formulada pelo Ministério da Saúde, contempla ações voltadas a reduzir o conteúdo de sódio em alimentos processados,j j Ministério da Saúde. Termo de Compromisso nº 004/2011. Diario Oficial Uniao. 08 abr 2011 [citado 2012 fev 05] Disponível em: http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/termo_compromisso_004_2011.pdf , k k Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Perfil nutricional dos alimentos processados. Brasília (DF); 2012 [citado 2012 fev 18]. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/c476ee0047457a6e86efd63fbc4c6735/INFORME+T%C3%89CNICO+n++43+-+2010-+PERFIL+NUTRICIONAL+_2_.pdf?MOD=AJPERES (Informe técnico, 43). veiculação da informação nutricional nos produtos alimentícios comercializados por redes de lanchonetes e restaurantesl l Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Termo de compromisso de ajustamento de conduta para informação nutricional. Brasília (DF); 2010 [citado 2012 jun 03]. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Alimentos/Assuntos+de+Interesse/Rotulagem/Termo+de+compromisso+de+ajustamento+de+conduta+para+informacao+nutricional e ações voltadas para a redução da adição de sódio na alimentação preparada em casa e nos serviços de alimentação.m m Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Documento de referência para guias de boas práticas nutricionais. Brasília (DF); 2012 [citado 2012 fev 18]. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/28fe0e0049af6b5b96e1b66dcbd9c63c/2DocumentobaseparaGuiasdeBoas PraticasNutricionais2.pdf?MOD=AJPERES , n n Ministério da Saúde. Campanha busca conscientizar população em relação ao uso excessivo de sal. Brasília (DF); 2011 [citado 2012 fev 18]. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=1529&CO_NOTICIA=13050

Os resultados dos acordos firmados com a indústria de alimentos dependerão, além da ampliação das metas pactuadas, da existência de mecanismos de cobrança dessas metas, eventualmente não atingidas, e do controle da adição nos produtos de outras substâncias químicas (por exemplo, conservantes) ou nutrientes (açúcar ou gordura), em substituição ao sódio. O monitoramento e avaliação das estratégias implantadas devem ser realizados de forma independente para que se evitem possíveis conflitos de interesses. Além disso, mesmo que os alimentos processados apresentem reduções no conteúdo de sódio, poderiam permanecer com baixos teores de potássio, cálcio e magnésio, nutrientes importantes para a regulação da pressão arterial. 8 8. Karppanen H, Karppanen P, Mervaala E. Why and how to implement sodium, potassium, calcium, and magnesium changes in food items and diets? J Hum Hypertens. 2005;19(Suppl 3):S10-9. DOI:10.1038/sj.jhh.1001955
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O consumo de sódio mostra-se excessivo na maioria dos países; porém, as fontes de consumo alimentar do mineral variam de acordo com o país estudado. A maior parte do sódio consumido em países da Europa e nos Estados Unidos e Canadá provém de alimentos processados. No Japão e na China, a principal fonte de sódio consumido é proveniente do sal e condimentos à base de sal adicionados às preparações culinárias. 3 3. Brown IJ, Tzoulaki I, Candeias V, Elliott P. Salt intakes around the world: implications for public health. Int J Epidemiol. 2009;38(3):791-813. DOI:10.1093/ije/dyp139
https://doi.org/10.1093/ije/dyp139...

Os primeiros estudos sobre consumo de sódio no Brasil datam da década de 1970, com resultados variando entre 3,1 g e 5,9 g por dia, sempre acima do limite máximo de ingestão recomendado pela OMS. 4 4. Claro RM, Machado FMS, Bandoni DH. Evolução da disponibilidade domiciliar de alimentos no município de São Paulo no período de 1979 a 1999. Rev Nutr. 2007;20(5):483-90. DOI: 10.1590/S1415-52732007000500004
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Em 2008-2009, a POF analisou o padrão de consumo alimentar individual dos participantes > 10 anos de idade, por meio de dois registros alimentares em uma subamostra de 13.569 domicílios.h i Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009: aquisição alimentar domiciliar per capita Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro; 2010. O consumo diário de sódio estimado variou de 3,2 g a 3,7 g em homens e 2,6 g a 2,9 g em mulheres, dependendo da faixa etária analisada. Os valores menores em comparação aos deste estudo podem dever-se às limitações do método de avaliação de consumo utilizado no módulo individual da POF 2008-2009,h i Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de orçamentos familiares 2008-2009: aquisição alimentar domiciliar per capita Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro; 2010. como a ausência de informação sobre o uso de sal à mesa e a adoção de valores padronizados e não diretamente informados pelos indivíduos para a quantidade de sal adicionada nas preparações culinárias.

Em conclusão, o consumo de sódio no Brasil mantém-se em níveis acima da recomendação máxima para esse nutriente em todas as macrorregiões e classes de renda brasileiras. Houve tendência de redução da participação relativa ao sal e condimentos à base de sal e alimentos in natura ou processados sem adição de sal e aumento da fração de sódio proveniente de alimentos processados e de pratos prontos nos últimos cinco anos.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jun 2013

Histórico

  • Recebido
    14 Jun 2012
  • Aceito
    26 Nov 2012
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revsp@org.usp.br