Consumo alimentar e fatores dietéticos envolvidos no processo saúde e doença de Nikkeis: revisão sistemática

Consumo alimenticio y factores dietéticos involucrados en el proceso de salud y enfermedad de nikkeis: revisión sistemática

Fabiana Hitomi Tanabe Michele Drehmer Marilda Borges Neutzling Sobre os autores

Resumos

OBJETIVO:

Analisar consumo alimentar e fatores dietéticos envolvidos no processo saúde e doença da população de nikkeis.

MÉTODOS:

Foi realizada revisão sistemática da literatura, com buscas nas bases de dados do Lilacs, SciELO e PubMed/Medline, referente ao período de 1997 a 2012, de estudos observacionais sobre o consumo alimentar de nikkeis. Inicialmente, foram analisados 137 títulos e resumos, sendo excluídos estudos de intervenção, aqueles que apresentavam somente níveis séricos de vitaminas e metabólitos e estudos que não contemplassem o objetivo da revisão. Desses, foram selecionados 38 estudos avaliados com base no método de Downs & Black (1998), adaptado para estudos observacionais, permanecendo 33 para análise.

RESULTADOS:

Foram encontrados poucos estudos sobre consumo alimentar de nikkeis fora do Havaí, dos Estados Unidos e do estado de São Paulo (principalmente em Bauru), no Brasil. Houve elevada contribuição dos lipídios no valor calórico total dos nipo-brasileiros, em detrimento dos carboidratos e das proteínas. Nos Estados Unidos, a prevalência de consumo de alimentos de alta densidade energética foi elevada em nipo-americanos. Os nisseis (filhos de imigrantes) apresentaram, em média, maior consumo de produtos da dieta japonesa, enquanto os sanseis (netos de imigrantes) apresentaram um perfil alimentar mais ocidentalizado.

CONCLUSÕES:

O consumo alimentar de nikkeis, embora ainda conservando alguns hábitos alimentares de japoneses nativos, revela alta prevalência de consumo de alimentos típicos do padrão ocidental (alimentos processados, ricos em gorduras e sódio e pobres em fibras), que pode estar contribuindo para o aumento de doenças crônicas nessa população.

Consumo de Alimentos; Hábitos Alimentares; Aculturação; Emigrantes e Imigrantes; Japão; Estudos Observacionais; Literatura de Revisão como Assunto


OBJETIVO:

Analizar consumo alimenticio y factores dietéticos involucrados en el proceso de salud enfermedad de la población de nikkeis.

MÉTODOS:

Se realizó revisión sistemática de la literatura, buscando en las bases de datos de Lilacs, SciELO y Pubmed/Medline, referente al período de 1997 a 2012, de estudios observacionales sobre el consumo alimenticio de nikkeis. Inicialmente, se analizaron 137 títulos y resúmenes, siendo excluidos estudios de intervención, aquellos que presentaban solamente niveles séricos de vitaminas y metabolitos y estudios que no contemplaban el objetivo de la revisión. De estos, se seleccionaron 38 estudios evaluados con base en el método de Downs & Black (1998), adaptado para estudios observacionales, permaneciendo 33 para análisis.

RESULTADOS:

Se encontraron pocos estudios sobre consumo alimenticio de nikkeis fuera de Hawái, de los Estados Unidos y del estado de Sao Paulo (principalmente en Bauru), Brasil. Hubo elevada contribución de los lípidos en el valor calórico total de los nipo-brasileños, en detrimento de los carbohidratos y de las proteínas. En los Estados Unidos, la prevalencia de consumo de alimentos de alta densidad energética fue elevada en nipo-americanos. Los niseis (hijos de inmigrantes) presentaron, en promedio, mayor consumo de productos de la dieta japonesa, mientras que los sanseis (nietos de inmigrantes) presentaron un perfil alimenticio más occidentalizado.

CONCLUSIONES:

El consumo alimenticio de nikkeis, a pesar de que aún se conservan algunos hábitos alimenticios de japoneses nativos, revela alta prevalencia de consumo de alimentos típicos de patrón occidental (alimentos procesados, ricos en grasas y sodio y pobres en fibras), que puede estar contribuyendo en el aumento de enfermedades crónicas en ésta población.

Consumo de Alimentos; Hábitos Alimenticios; Aculturación; Emigrantes e Inmigrantes; Japón; Estudios Observacionales; Literatura de Revisión como Asunto


INTRODUÇÃO

Estudos com populações migrantes permitem avaliar o impacto de fatores ambientais no surgimento de doenças crônicas não transmissíveis. 48 48. Yamashita C, Damiao R, Chaim R, Harima HA, Kikuchi M, Franco LJ, et al. [Interethnic marriage of Japanese-Brazilians associated with less healthy food habits and worse cardiometabolic profile]. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2009;53:485-96. DOI:10.1590/S0004-27302009000500002
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Indivíduos que passam a residir em países diferentes têm um alto risco de desenvolver essas doenças, devido a mudanças socioculturais pelas quais passam. 26 26. Massimino FC, Gimeno SG, Ferreira SR. All-cause mortality among Japanese-Brazilians according to nutritional characteristics. Cad Saude Publica. 2007;23:2145-56. DOI:10.1590/S0102-311X2007000900022
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Nesse contexto, a dieta se constitui como um importante fator envolvido no desenvolvimento dessas patologias. 45 45. Takata Y, Maskarinec G, Franke A, Nagata C, Shimizu H. A comparison of dietary habits among women in Japan and Hawaii. Public Health Nutr. 2004;7:319-26. DOI:10.1079/PHN2003531
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A aculturação dietética, definida como adoção de novas e manutenção de outras práticas alimentares tradicionais, 22 22. Kim MJ, Lee SJ, Ahn YH, Bowen P, Lee H. Dietary acculturation and diet quality of hypertensive Korean Americans. J Adv Nurs. 2007;58:436-45. DOI:10.1111/j.1365-2648.2007.04258.x
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é comum para a maioria dos imigrantes, independentemente do país de origem.

A proporção demográfica da imigração japonesa torna a aculturação dietética relevante nessa população. De acordo com a Associação Kaigai Nikkeijin Kyokai,a a Associação Kaigai Nikkeijin Kyokai. Quem são os Nikkeis no Exterior? [citado 2012 out]. Disponível em: http://www.jadesas.or.jp/pt/aboutnikkei/index.html existiam cerca de 2,6 milhões de indivíduos de origem japonesa residindo fora do Japão, em 2004. No Brasil, dados do Ministério de Assuntos Exteriores do Japão,b b Ministry of Foreign Affairs of Japan. Japan - Brazil relations [citado 2012 out 6]. Disponível em: http://www.mofa.go.jp/region/latin/brazil/index.html de 2009, estimam cerca de 60 mil japoneses e 1,5 milhão de descendentes vivendo no País. Segundo o dicionário de japonês de Hinata 17 17. Hinata N. Dicionário Japonês-Português do Brasil. Tokyo: Sanseido 2010. 864p. (2010), pessoa nikkei refere-se a imigrantes japoneses e seus respectivos descendentes.

Analisar mudanças de hábitos alimentares entre nikkeis justifica-se pelo drástico aumento na incidência de câncer e doenças cardiovasculares nessa população 45 45. Takata Y, Maskarinec G, Franke A, Nagata C, Shimizu H. A comparison of dietary habits among women in Japan and Hawaii. Public Health Nutr. 2004;7:319-26. DOI:10.1079/PHN2003531
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em comparação com seu país de origem. No Brasil, estudos 12 12. Gimeno SG, Ferreira SR, Franco LJ, Iunes M. Comparison of glucose tolerance categories according to World Health Organization and American Diabetes Association diagnostic criteria in a population-based study in Brazil. The Japanese-Brazilian Diabetes Study Group. Diabetes Care. 1998;21:1889-92. DOI:10.2337/diacare.21.11.1889
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, 21 21. Iunes M, Franco LJ, Wakisaka K, Iochida LC, Osiro K, Hirai AT, et al. Self-reported prevalence of non-insulin-dependent diabetes mellitus in the 1st (Issei) and 2nd (Nisei) generation of Japanese-Brazilians over 40 years of age. Diabetes Res Clin Pract. 1994;24(Suppl):S53-7. indicam que a prevalência de diabetes tipo II em nipo-brasileiros triplicou entre as décadas de 1980 a 2000. O principal alimento na dieta tradicional japonesa é o arroz, complementado por vegetais, cogumelos, algas, soja e seus derivados. Em média, essa dieta contém 15% de proteína, 17% de lipídios e 61% de carboidratos em relação ao valor calórico total diário. 26 26. Massimino FC, Gimeno SG, Ferreira SR. All-cause mortality among Japanese-Brazilians according to nutritional characteristics. Cad Saude Publica. 2007;23:2145-56. DOI:10.1590/S0102-311X2007000900022
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O alto consumo de peixe, ao longo da vida pelos japoneses que moram no Japão, pode estar relacionado aos níveis mais baixos de aterosclerose nessa população devido aos efeitos anti-inflamatórios provenientes do ácido graxo ômega 3, que melhoram a função endotelial, diminuindo o estresse oxidativo e reduzindo o risco de trombose. 41 41. Sekikawa A, Curb JD, Ueshima H, El-Saed A, Kadowaki T, Abbott RD, et al. Marine-derived n-3 fatty acids and atherosclerosis in Japanese, Japanese-American, and white men: a cross-sectional study. J Am Coll Cardiol. 2008;52:417-24. DOI:10.1016/j.jacc.2008.03.047
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No entanto, durante o processo de migração para outros países, o povo japonês incorporou ao seu hábito alimentar o consumo de pão, grãos, carne vermelha, produtos lácteos, lanches e refrigerantes e reduziu o consumo de peixes. 26 26. Massimino FC, Gimeno SG, Ferreira SR. All-cause mortality among Japanese-Brazilians according to nutritional characteristics. Cad Saude Publica. 2007;23:2145-56. DOI:10.1590/S0102-311X2007000900022
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Alguns trabalhos mostraram que indivíduos americano-asiáticos nascidos fora dos Estados Unidos, com curto período de residência (menos de cinco anos) em solo americano, apresentavam menor risco de sobrepeso e obesidade do que aqueles que estavam residindo há mais de 15 anos nesse país. 24 24. Lauderdale DS, Rathouz PJ. Body mass index in a US national sample of Asian Americans: effects of nativity, years since immigration and socioeconomic status. Int J Obes Relat Metab Disord. 2000;24:1188-94. DOI:10.1038/sj.ijo.0802147
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Além disso, nipo-americanos têm uma prevalência maior de diabetes tipo II, quando comparados a americanos brancos ou japoneses nativos. 31 31. Nakanishi S, Okubo M, Yoneda M, Jitsuiki K, Yamane K, Kohno N. A comparison between Japanese-Americans living in Hawaii and Los Angeles and native Japanese: the impact of lifestyle westernization on diabetes mellitus. Biomed Pharmacother. 2004;58:571-7. DOI:10.1016/j.biopha.2004.10.001
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Entretanto, nipo-americanos que mantêm o estilo de vida japonês (dieta relativamente pobre em gordura, rica em carboidratos complexos e com nível de atividade física regular) parecem estar menos propensos ao diabetes do que aqueles que não preservam os costumes, principalmente no que se refere à dieta. 35 35. Pierce BL, Austin MA, Crane PK, Retzlaff BM, Fish B, Hutter CM, et al. Measuring dietary acculturation in Japanese Americans with the use of confirmatory factor analysis of food-frequency data. Am J Clin Nutr. 2007;86:496-503.

Em concordância com esses achados, estudos feitos com a população de origem japonesa do município de Bauru, SP, mostraram também uma alta prevalência de distúrbios do metabolismo da glicose e incidência de diabetes melito. Tais resultados podem estar refletindo uma forte predisposição genética dessa população a esses distúrbios associados ao estilo de vida ocidental. 11 11. Gimeno SG, Ferreira SR, Franco LJ, Hirai AT, Matsumura L, Moises RS. Prevalence and 7-year incidence of Type II diabetes mellitus in a Japanese-Brazilian population: an alarming public health problem. Diabetologia. 2002;45:1635-8. DOI:10.1007/s00125-002-0963-x
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O objetivo deste artigo foi analisar o consumo alimentar e os fatores dietéticos envolvidos no processo saúde e doença na população de nikkeis.

MÉTODOS

Procedeu-se a uma revisão sistemática da literatura acerca do consumo alimentar de imigrantes japoneses e de seus descendentes. Foram utilizadas as bases de dados Medline/PubMed, Lilacs e SciELO e selecionados os artigos entre o período de 1997 a 2012, com o objetivo de incluir os mais recentes sobre o tema. Os descritores utilizados nas buscas foram: "issei",c c Issei: japonês de primeira geração (imigrante japonês)19 "nisei",d d Nisei: descendente japonês da segunda geração (filho de imigrante)19 "sansei",e e Sansei: descendente japonês de terceira geração (neto de imigrante)19 "Nikkei", "Japanese-Brazilian", "Japanese-American", para caracterizar os sujeitos, e "diet", "dietary habits", "dietary patterns", "food habits", "food intake", para identificar o consumo alimentar desses indivíduos, isoladamente ou combinados usando "and" ou "or".

Inicialmente, foram excluídos estudos de intervenção, experimentais com animais, aqueles que apresentavam somente níveis séricos de vitaminas e metabólitos, estudos de revisão e/ou relatórios com resultados de vários estudos e artigos que não contemplassem o objetivo desta revisão. Também foram excluídos artigos escritos em idiomas diferentes do inglês, espanhol ou português.

Em seguida, foi analisado o texto completo dos artigos selecionados, quando foram também analisadas as listas de referências citadas, nas quais foram selecionados estudos adicionais que pertenciam ao tema. O total de estudos selecionados foi classificado de acordo com os critérios de Downs & Black 6 6. Downs SH, Black N. The feasibility of creating a checklist for the assessment of the methodological quality both of randomised and non-randomised studies of health care interventions. J Epidemiol Community Health. 1998;52:377-84. (1998), adaptado para estudos observacionais, a fim de avaliar sua qualidade metodológica. A versão adaptada consistiu de 20 itens de uma lista de 32 pontos originais. Dessa forma, o escore adaptado totalizou 20 pontos originais. O ponto de corte utilizado para exclusão de artigos na avaliação de Downs & Black 6 6. Downs SH, Black N. The feasibility of creating a checklist for the assessment of the methodological quality both of randomised and non-randomised studies of health care interventions. J Epidemiol Community Health. 1998;52:377-84. foi 10, pois representa a metade da pontuação máxima possível (20).

A busca inicial identificou 137 artigos. Desses, seis foram encontrados no SciELO, 22 no Lilacs e 109 no Medline/PubMed. A seleção considerou somente os artigos publicados entre as datas 1/1/1997 e 3/10/2012. A partir da análise de títulos e resumos, foram identificados e excluídos 26 artigos repetidos, sete artigos que representavam estudos de intervenção, seis que traziam dados apenas de níveis séricos de vitaminas e metabólitos e 68 que não atendiam aos objetivos do presente estudo ou que tratavam de revisões narrativas ou sistemáticas. O total de estudos elegíveis provenientes das bases de dados somou 30. Posteriormente, oito artigos foram encontrados por meio da busca de referências bibliográficas adicionais, a partir das referências citadas nos artigos elegíveis. Assim, 38 artigos com texto integralmente lido foram analisados pelos critérios de Downs & Black adaptado, sendo excluídos cinco estudos com escore menor que 10. Ao final, procedeu-se à revisão sistemática de 33 estudos.

Para fins de análise, os estudos foram organizados em três grupos: 1. estudos com nipo-brasileiros, 2. nipo-americanos e 3. realizados no Brasil e Japão, ou Estados Unidos e Japão. Estudos multiétnicos que analisaram e descreveram o consumo alimentar de nikkeis também foram incluídos na revisão.

RESULTADOS

De todos os estudos analisados, 36% (n = 12) foram realizados apenas com a população nipo-brasileira; 42% (n = 14) com população nipo-americana (que muitas vezes encontrava-se alocada em algum grupo de estudos multiétnicos); e 22% (n = 7) constituíam-se de estudos realizados em dois países, Japão e Brasil, ou Japão e Estados Unidos.

Estudos com nipo-brasileiros

A maioria dos estudos com nipo-brasileiros foi realizada na população de ancestralidade japonesa residente no município de Bauru, no estado de São Paulo. Do total de 12 estudos, apenas dois2,15 foram realizados em outras localidades com concentração de descendentes japoneses. A Tabela 1 mostra a relação dos artigos e as características de cada estudo.

Tabela 1
Características dos estudos sobre padrão alimentar e desfechos de saúde entre nipo-brasileiros entre 1997 e 2009.

Quanto ao idioma, oito artigos 7 7. Ferreira SR, Lerario DD, Gimeno SG, Sanudo A, Franco LJ. Obesity and central adiposity in Japanese immigrants: role of the Western dietary pattern. J Epidemiol. 2002;12:431-8. DOI:10.2188/jea.12.431
https://doi.org/10.2188/jea.12.431...

8. Freire RD, Cardoso MA, Gimeno SG, Ferreira SR. Dietary fat is associated with metabolic syndrome in Japanese Brazilians. Diabetes Care. 2005;28:1779-85. DOI:10.2337/diacare.28.7.1779
https://doi.org/10.2337/diacare.28.7.177...
- 9 9. Freire RD, Cardoso MA, Shinzato AR, Ferreira SR. Nutritional status of Japanese-Brazilian subjects: comparison across gender and generation. Br J Nutr. 2003;89:705-13. DOI:10.1079/BJN2002824
https://doi.org/10.1079/BJN2002824...
, 15 15. Hamada GS, Kowalski LP, Nishimoto IN, Rodrigues JJ, Iriya K, Sasazuki S, et al. Risk factors for stomach cancer in Brazil (II): a case-control study among Japanese Brazilians in Sao Paulo. Jpn J Clin Oncol. 2002;32:284-90. DOI:10.1093/jjco/hyf061
https://doi.org/10.1093/jjco/hyf061...
, 26 26. Massimino FC, Gimeno SG, Ferreira SR. All-cause mortality among Japanese-Brazilians according to nutritional characteristics. Cad Saude Publica. 2007;23:2145-56. DOI:10.1590/S0102-311X2007000900022
https://doi.org/10.1590/S0102-311X200700...
, 32 32. Neuhouser ML, Thompson B, Coronado GD, Solomon CC. Higher fat intake and lower fruit and vegetables intakes are associated with greater acculturation among Mexicans living in Washington State. J Am Diet Assoc. 2004;104:51-7. DOI:10.1016/j.jada.2003.10.015
https://doi.org/10.1016/j.jada.2003.10.0...

33. Okuda N, Ueshima H, Okayama A, Saitoh S, Nakagawa H, Rodriguez BL, et al. Relation of long chain n-3 polyunsaturated fatty acid intake to serum high density lipoprotein cholesterol among Japanese men in Japan and Japanese-American men in Hawaii: the INTERLIPID study. Atherosclerosis. 2005;178:371-9. DOI:10.1016/j.atherosclerosis.2004.09.007
https://doi.org/10.1016/j.atherosclerosi...
- 34 34. Pan YL, Dixon Z, Himburg S, Huffman F. Asian students change their eating patterns after living in the United States. J Am Diet Assoc. 1999;99:54-7. DOI:10.1016/S0002-8223(99)00016-4
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eram em língua inglesa e quatro 1 1. Bertolino CN, Castro TG, Sartorelli DS, Ferreira SR, Cardoso MA. [Dietary trans fatty acid intake and serum lipid profile in Japanese-Brazilians in Bauru, Sao Paulo, Brazil]. Cad Saude Publica. 2006;22:357-64 DOI:10.1590/S0102-311X2006000200013
https://doi.org/10.1590/S0102-311X200600...
, 5 5. De Castro TG, Bertolino CN, Gimeno SG, Cardoso MA. [Changes in dietary intake among Japanese-Brazilians in Bauru, Sao Paulo, Brazil, 1993-2000]. Cad Saude Publica. 2006;22:2433-40. DOI:10.1590/S0102-311X2006001100017
https://doi.org/10.1590/S0102-311X200600...
, 37 37. Salvo VL, Cardoso MA, Barros Junior N, Ferreira SR, Gimeno SG. [Dietary intake and macrovascular disease in a Japanese-Brazilian population: a cross-sectional study]. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2009;53:865-73. , 48 48. Yamashita C, Damiao R, Chaim R, Harima HA, Kikuchi M, Franco LJ, et al. [Interethnic marriage of Japanese-Brazilians associated with less healthy food habits and worse cardiometabolic profile]. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2009;53:485-96. DOI:10.1590/S0004-27302009000500002
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em língua portuguesa. No que se refere ao delineamento utilizado, dois estudos eram de coorte 4 4. Damiao R, Castro TG, Cardoso MA, Gimeno SG, Ferreira SR. Dietary intakes associated with metabolic syndrome in a cohort of Japanese ancestry. Br J Nutr. 2006;96:532-8. DOI:10.1079/BJN20061876
https://doi.org/10.1079/BJN20061876...
, 26 26. Massimino FC, Gimeno SG, Ferreira SR. All-cause mortality among Japanese-Brazilians according to nutritional characteristics. Cad Saude Publica. 2007;23:2145-56. DOI:10.1590/S0102-311X2007000900022
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e os demais estudos 1 1. Bertolino CN, Castro TG, Sartorelli DS, Ferreira SR, Cardoso MA. [Dietary trans fatty acid intake and serum lipid profile in Japanese-Brazilians in Bauru, Sao Paulo, Brazil]. Cad Saude Publica. 2006;22:357-64 DOI:10.1590/S0102-311X2006000200013
https://doi.org/10.1590/S0102-311X200600...

2. Cardoso MA, Hamada GS, de Souza JM, Tsugane S, Tokudome S. Dietary patterns in Japanese migrants to southeastern Brazil and their descendants. J Epidemiol. 1997;7:198-204. DOI:10.2188/jea.7.198
https://doi.org/10.2188/jea.7.198...
- 3 3. Costa MB, Ferreira SR, Franco LJ, Gimeno SG, Iunes M. Dietary patterns in a high-risk population for glucose intolerance. Japanese-Brazilian Diabetes Study Group. J Epidemiol. 2000;10:111-7. DOI:10.2188/jea.10.111
https://doi.org/10.2188/jea.10.111...
, 5 5. De Castro TG, Bertolino CN, Gimeno SG, Cardoso MA. [Changes in dietary intake among Japanese-Brazilians in Bauru, Sao Paulo, Brazil, 1993-2000]. Cad Saude Publica. 2006;22:2433-40. DOI:10.1590/S0102-311X2006001100017
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, 7 7. Ferreira SR, Lerario DD, Gimeno SG, Sanudo A, Franco LJ. Obesity and central adiposity in Japanese immigrants: role of the Western dietary pattern. J Epidemiol. 2002;12:431-8. DOI:10.2188/jea.12.431
https://doi.org/10.2188/jea.12.431...

8. Freire RD, Cardoso MA, Gimeno SG, Ferreira SR. Dietary fat is associated with metabolic syndrome in Japanese Brazilians. Diabetes Care. 2005;28:1779-85. DOI:10.2337/diacare.28.7.1779
https://doi.org/10.2337/diacare.28.7.177...
- 9 9. Freire RD, Cardoso MA, Shinzato AR, Ferreira SR. Nutritional status of Japanese-Brazilian subjects: comparison across gender and generation. Br J Nutr. 2003;89:705-13. DOI:10.1079/BJN2002824
https://doi.org/10.1079/BJN2002824...
, 15 15. Hamada GS, Kowalski LP, Nishimoto IN, Rodrigues JJ, Iriya K, Sasazuki S, et al. Risk factors for stomach cancer in Brazil (II): a case-control study among Japanese Brazilians in Sao Paulo. Jpn J Clin Oncol. 2002;32:284-90. DOI:10.1093/jjco/hyf061
https://doi.org/10.1093/jjco/hyf061...
, 37 37. Salvo VL, Cardoso MA, Barros Junior N, Ferreira SR, Gimeno SG. [Dietary intake and macrovascular disease in a Japanese-Brazilian population: a cross-sectional study]. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2009;53:865-73. , 48 48. Yamashita C, Damiao R, Chaim R, Harima HA, Kikuchi M, Franco LJ, et al. [Interethnic marriage of Japanese-Brazilians associated with less healthy food habits and worse cardiometabolic profile]. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2009;53:485-96. DOI:10.1590/S0004-27302009000500002
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eram transversais, sendo três1,2,5 de comparação de dados transversais.

Sobre a ferramenta utilizada para a investigação do consumo alimentar, todos os estudos usaram questionários de frequência alimentar (QFA) e apenas um dos artigos 2 2. Cardoso MA, Hamada GS, de Souza JM, Tsugane S, Tokudome S. Dietary patterns in Japanese migrants to southeastern Brazil and their descendants. J Epidemiol. 1997;7:198-204. DOI:10.2188/jea.7.198
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mencionou ter utilizado, na segunda fase da pesquisa, o registro alimentar de três dias.

Entre os 12 artigos analisados, oito 1 1. Bertolino CN, Castro TG, Sartorelli DS, Ferreira SR, Cardoso MA. [Dietary trans fatty acid intake and serum lipid profile in Japanese-Brazilians in Bauru, Sao Paulo, Brazil]. Cad Saude Publica. 2006;22:357-64 DOI:10.1590/S0102-311X2006000200013
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, 2 2. Cardoso MA, Hamada GS, de Souza JM, Tsugane S, Tokudome S. Dietary patterns in Japanese migrants to southeastern Brazil and their descendants. J Epidemiol. 1997;7:198-204. DOI:10.2188/jea.7.198
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, 4 4. Damiao R, Castro TG, Cardoso MA, Gimeno SG, Ferreira SR. Dietary intakes associated with metabolic syndrome in a cohort of Japanese ancestry. Br J Nutr. 2006;96:532-8. DOI:10.1079/BJN20061876
https://doi.org/10.1079/BJN20061876...
, 5 5. De Castro TG, Bertolino CN, Gimeno SG, Cardoso MA. [Changes in dietary intake among Japanese-Brazilians in Bauru, Sao Paulo, Brazil, 1993-2000]. Cad Saude Publica. 2006;22:2433-40. DOI:10.1590/S0102-311X2006001100017
https://doi.org/10.1590/S0102-311X200600...
, 7 7. Ferreira SR, Lerario DD, Gimeno SG, Sanudo A, Franco LJ. Obesity and central adiposity in Japanese immigrants: role of the Western dietary pattern. J Epidemiol. 2002;12:431-8. DOI:10.2188/jea.12.431
https://doi.org/10.2188/jea.12.431...

8. Freire RD, Cardoso MA, Gimeno SG, Ferreira SR. Dietary fat is associated with metabolic syndrome in Japanese Brazilians. Diabetes Care. 2005;28:1779-85. DOI:10.2337/diacare.28.7.1779
https://doi.org/10.2337/diacare.28.7.177...
- 9 9. Freire RD, Cardoso MA, Shinzato AR, Ferreira SR. Nutritional status of Japanese-Brazilian subjects: comparison across gender and generation. Br J Nutr. 2003;89:705-13. DOI:10.1079/BJN2002824
https://doi.org/10.1079/BJN2002824...
, 48 48. Yamashita C, Damiao R, Chaim R, Harima HA, Kikuchi M, Franco LJ, et al. [Interethnic marriage of Japanese-Brazilians associated with less healthy food habits and worse cardiometabolic profile]. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2009;53:485-96. DOI:10.1590/S0004-27302009000500002
https://doi.org/10.1590/S0004-2730200900...
verificaram elevada contribuição dos lipídios no valor calórico total dos sujeitos estudados, em detrimento dos carboidratos e das proteínas. Salvo et al37 (2009) constataram que a dieta dos nikkeis, independentemente de doença macrovascular, era constituída de 54% de carboidratos, 14% de proteínas e 32% de lipídios em relação ao valor calórico total diário. Em outra publicação referente ao mesmo estudo,13 os autores verificaram que o maior consumo das gorduras totais foi significativamente associado à doença arterial periférica. Tal associação foi corroborada por Freire et al8 (2005), que verificaram significativamente maior ingestão lipídica entre homens com síndrome metabólica do que naqueles sem essa enfermidade.

Ainda nesse contexto, foi observado que indivíduos com casamento interétnico, ou seja, cujo cônjuge não tinha ancestralidade japonesa, apresentavam valores médios de ingestão de calorias totais, carboidratos, proteínas, lipídios e gordura saturada maiores que aqueles casados intraetnicamente (2.183 kcal versus 1.990 kcal; 278,1 g versus 268,3 g; 71,2 g versus 68,9 g; 85,7 g versus 70,5 g; e 20,5 g versus 16,9 g, respectivamente). 48 48. Yamashita C, Damiao R, Chaim R, Harima HA, Kikuchi M, Franco LJ, et al. [Interethnic marriage of Japanese-Brazilians associated with less healthy food habits and worse cardiometabolic profile]. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2009;53:485-96. DOI:10.1590/S0004-27302009000500002
https://doi.org/10.1590/S0004-2730200900...
Comparações entre as gerações também apresentaram diferenças relevantes. Evidências indicam que o consumo de alimentos tradicionais japoneses, como a sopa de missô (missoshiru), está diminuindo entres os nisseis quando comparados aos isseis; em contrapartida, há um maior relato de ingestão lipídica pelos mais jovens. Entretanto, o consumo de outros alimentos tradicionais japoneses, como produtos derivados da soja, vegetais em conserva e chá verde, foi raro em ambas as gerações. 9 9. Freire RD, Cardoso MA, Shinzato AR, Ferreira SR. Nutritional status of Japanese-Brazilian subjects: comparison across gender and generation. Br J Nutr. 2003;89:705-13. DOI:10.1079/BJN2002824
https://doi.org/10.1079/BJN2002824...

A respeito de outras mudanças dietéticas, De Castro et al5 (2006) verificaram que, entre 1993 e 2000, os nipo-brasileiros de Bauru aumentaram o consumo de laticínios, frutas e sucos de frutas. Damião et al4 (2006), após seguimento de sete anos nessa mesma população, observaram diminuição no consumo de carne vermelha e de leite integral e aumento do de leite desnatado.

Estudos com nipo-americanos

Entre os 14 artigos analisados nesse subgrupo, 78,57% (n = 11) faziam parte de algum estudo multiétnico, conduzidos principalmente no eixo Havaí-Califórnia, nos Estados Unidos. Todos os estudos selecionados foram publicados em língua inglesa. A Tabela 2 apresenta a relação dos artigos selecionados e das características de cada um deles.

Tabela 2
Características dos estudos sobre padrão alimentar e desfechos de saúde entre nipo-americanos entre 2000 e 2010.

Em relação ao delineamento dos estudos, dez eram de coorte, 16 16. Henderson SO, Haiman CA, Wilkens LR, Kolonel LN, Wan P, Pike MC. Established risk factors account for most of the racial differences in cardiovascular disease mortality. PLoS One. 2007;2:e377. DOI:10.1371/journal.pone.0000377
https://doi.org/10.1371/journal.pone.000...
, 18 18. Hopping BN, Erber E, Grandinetti A, Verheus M, Kolonel LN, Maskarinec G. Dietary fiber, magnesium, and glycemic load alter risk of type 2 diabetes in a multiethnic cohort in Hawaii. J Nutr. 2010;140:68-74. DOI:10.3945/jn.109.112441
https://doi.org/10.3945/jn.109.112441...

19. Howarth NC, Murphy SP, Wilkens LR, Hankin JH, Kolonel LN. Dietary energy density is associated with overweight status among 5 ethnic groups in the multiethnic cohort study. J Nutr. 2006;136:2243-8.
- 20 20. Hu Y, Block G, Sternfeld B, Sowers M. Dietary glycemic load, glycemic index, and associated factors in a multiethnic cohort of midlife women. J Am Coll Nutr. 2009;28:636-47. , 23 23. Kolonel LN, Henderson BE, Hankin JH, Nomura AM, Wilkens LR, Pike MC, et al. A multiethnic cohort in Hawaii and Los Angeles: baseline characteristics. Am J Epidemiol. 2000;151:346-57. DOI:10.1111/j.1365-2648.2007.04258.x
https://doi.org/10.1111/j.1365-2648.2007...
, 25 25. Laurin D, Masaki KH, Foley DJ, White LR, Launer LJ. Midlife dietary intake of antioxidants and risk of late-life incident dementia: the Honolulu-Asia Aging Study. Am J Epidemiol. 2004;159:959-67. DOI:10.1039/aje/kwh124
https://doi.org/10.1039/aje/kwh124...
, 42 42. Sharma S, Wilkens LR, Shen L, Kolonel LN. Dietary sources of five nutrients in ethnic groups represented in the Multiethnic Cohort. Br J Nutr. 2013;109:1479-89. DOI:10.1017/S0007114512003388
https://doi.org/10.1017/S000711451200338...

43. Steinbrecher A, Erber E, Grandinetti A, Kolonel LN, Maskarinec G. Meat consumption and risk of type 2 diabetes: the Multiethnic Cohort. Public Health Nutr. 2011;14:568-74. DOI:10.1017/S1368980010002004
https://doi.org/10.1017/S136898001000200...
- 44 44. Stram DO, Hankin JH, Wilkens LR, Park S, Henderson BE, Nomura AM, et al. Prostate cancer incidence and intake of fruits, vegetables and related micronutrients: the multiethnic cohort study* (United States). Cancer Causes Control. 2006;17:1193-207. DOI:10.1007/s10552-006-0064-0
https://doi.org/10.1007/s10552-006-0064-...
, 46 46. Willcox BJ, Yano K, Chen R, Willcox DC, Rodriguez BL, Masaki KH, et al. How much should we eat? The association between energy intake and mortality in a 36-year follow-up study of Japanese-American men. J Gerontol A Biol Sci Med Sci. 2004;59:789-95. DOI:10.1093/gerona/59.8.B789
https://doi.org/10.1093/gerona/59.8.B789...
um de caso controle, 47 47. Wu AH, Wan P, Hankin J, Tseng CC, Yu MC, Pike MC. Adolescent and adult soy intake and risk of breast cancer in Asian-Americans. Carcinogenesis. 2002;23:1491-6. DOI:10.1093/carcin/23.9.1491
https://doi.org/10.1093/carcin/23.9.1491...
e três 14 14. Gold EB, Block G, Crawford S, Lachance L, FitzGerald G, Miracle H, et al. Lifestyle and demographic factors in relation to vasomotor symptoms: baseline results from the Study of Women's Health Across the Nation. Am J Epidemiol. 2004;159:1189-99. DOI:10.1093/aje/kwh168
https://doi.org/10.1093/aje/kwh168...
, 35 35. Pierce BL, Austin MA, Crane PK, Retzlaff BM, Fish B, Hutter CM, et al. Measuring dietary acculturation in Japanese Americans with the use of confirmatory factor analysis of food-frequency data. Am J Clin Nutr. 2007;86:496-503. - 36 36. Rice MM, LaCroix AZ, Lampe JW, van Belle G, Kestin M, Sumitani M, et al. Dietary soy isoflavone intake in older Japanese American women. Public Health Nutr. 2001;4:943-52. DOI:10.1079/PHN2001150
https://doi.org/10.1079/PHN2001150...
de desenho transversal.

No Multiethnic Cohort Study (MEC), realizado no eixo Havaí-Califórnia, os nipo-americanos apresentaram a menor densidade energética dietética, assim como o menor índice de massa corporal quando comparados a outros grupos étnicos. 19 19. Howarth NC, Murphy SP, Wilkens LR, Hankin JH, Kolonel LN. Dietary energy density is associated with overweight status among 5 ethnic groups in the multiethnic cohort study. J Nutr. 2006;136:2243-8. Além disso, Henderson et al 16 16. Henderson SO, Haiman CA, Wilkens LR, Kolonel LN, Wan P, Pike MC. Established risk factors account for most of the racial differences in cardiovascular disease mortality. PLoS One. 2007;2:e377. DOI:10.1371/journal.pone.0000377
https://doi.org/10.1371/journal.pone.000...
(2007) constataram que o maior consumo de gordura saturada estava relacionado à maior mortalidade por doenças cardiovasculares, e que em homens nipo-americanos esse consumo era drasticamente menor do que em afro-americanos, latinos e brancos. Recentemente, Steinbrecher et al 43 43. Steinbrecher A, Erber E, Grandinetti A, Kolonel LN, Maskarinec G. Meat consumption and risk of type 2 diabetes: the Multiethnic Cohort. Public Health Nutr. 2011;14:568-74. DOI:10.1017/S1368980010002004
https://doi.org/10.1017/S136898001000200...
(2011) verificaram que o consumo de carne vermelha, processada ou não, foi positivamente associado ao risco de diabetes, com risco mais elevado entre indivíduos caucasianos do que nipo-americanos. Sharma et al 42 42. Sharma S, Wilkens LR, Shen L, Kolonel LN. Dietary sources of five nutrients in ethnic groups represented in the Multiethnic Cohort. Br J Nutr. 2013;109:1479-89. DOI:10.1017/S0007114512003388
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(2013) destacam que, nesse estudo de coorte, os principais alimentos consumidos por americanos de origem japonesa eram: arroz, pão, cereais, galinha, peru, nozes, peixe, molho para salada, manteiga, carne frita com hortaliças, laranja, suco de uva ou pomelo, bananas, frutas tropicais, refrigerantes e sucos de fruta.

Sobre a ingestão da soja e de seus derivados, a ingestão foi maior nas mulheres de origem chinesa, intermediária na de origem japonesa e menor na com ascendência filipina. 47 47. Wu AH, Wan P, Hankin J, Tseng CC, Yu MC, Pike MC. Adolescent and adult soy intake and risk of breast cancer in Asian-Americans. Carcinogenesis. 2002;23:1491-6. DOI:10.1093/carcin/23.9.1491
https://doi.org/10.1093/carcin/23.9.1491...
Outros estudos encontraram que o maior preditor para o consumo de isoflavona foi a língua falada na entrevista (japonês ou inglês). Os indivíduos que falavam japonês ingeriam, em média, mais alimentos ricos em isoflavona. O local de nascimento também se mostrou um forte preditor da ingestão de soja e seus derivados. O consumo, no ano anterior, de alimentos fontes de isoflavona foi de 7,8 mg/dia, 6 mg/dia e 22,5 mg/dia nas mulheres nascidas nos EUA, no Havaí e no Japão, respectivamente. 36 36. Rice MM, LaCroix AZ, Lampe JW, van Belle G, Kestin M, Sumitani M, et al. Dietary soy isoflavone intake in older Japanese American women. Public Health Nutr. 2001;4:943-52. DOI:10.1079/PHN2001150
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O tofu, consumido de forma natural ou em preparações elaboradas, foi a principal fonte de soja entre as chinesas, as japonesas e as filipinas, contemplando cerca de 60% do valor calórico total diário. 47 47. Wu AH, Wan P, Hankin J, Tseng CC, Yu MC, Pike MC. Adolescent and adult soy intake and risk of breast cancer in Asian-Americans. Carcinogenesis. 2002;23:1491-6. DOI:10.1093/carcin/23.9.1491
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No estudo de Rice et al 36 36. Rice MM, LaCroix AZ, Lampe JW, van Belle G, Kestin M, Sumitani M, et al. Dietary soy isoflavone intake in older Japanese American women. Public Health Nutr. 2001;4:943-52. DOI:10.1079/PHN2001150
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(2001), a ingestão de isoflavonas esteve positivamente associada ao consumo de kamaboko (bolinho de peixe), manju e mochi (ambas sobremesas japonesas), leites desnatados e vegetais vermelhos e amarelos. Entretanto, em mulheres de origem chinesa e japonesa, o consumo de genisteína (uma das isoflavonas da soja) apresentou relação positiva, mas não significativa, com os sintomas vasomotores da menopausa. 14 14. Gold EB, Block G, Crawford S, Lachance L, FitzGerald G, Miracle H, et al. Lifestyle and demographic factors in relation to vasomotor symptoms: baseline results from the Study of Women's Health Across the Nation. Am J Epidemiol. 2004;159:1189-99. DOI:10.1093/aje/kwh168
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Na comparação entre gerações de nipo-americanos, os nisseis apresentaram, em média, maior consumo de produtos da dieta japonesa, enquanto os sanseis apresentaram um perfil alimentar mais ocidentalizado.35

Estudos mistos: Japão x Brasil e Japão x Estados Unidos

Sete estudos foram realizados em dois países diferentes, e apenas um deles39 foi conduzido no Brasil e no Japão. Os demais seis estudos 27 27. Miura K, Nakagawa H, Ueshima H, Okayama A, Saitoh S, Curb JD, et al. Dietary factors related to higher plasma fibrinogen levels of Japanese-americans in hawaii compared with Japanese in Japan. Arterioscler Thromb Vasc Biol. 2006;26:1674-9. DOI:10.1161/01.ATV.0000225701.20965.b9
https://doi.org/10.1161/01.ATV.000022570...
, 29 29. Nakamura Y, Ueshima H, Okuda N, Higashiyama A, Kita Y, Kadowaki T, et al. Relation of dietary and other lifestyle traits to difference in serum adiponectin concentration of Japanese in Japan and Hawaii: the INTERLIPID Study. Am J Clin Nutr. 2008;88:424-30.

30. Nakamura Y, Ueshima H, Okuda N, Miura K, Kita Y, Okamura T, et al. Relation of dietary and lifestyle traits to difference in serum leptin of Japanese in Japan and Hawaii: the INTERLIPID study. Nutr Metab Cardiovasc Dis. 2012;22:14-22. DOI:10.1016/j.numecd.2010.03.004
https://doi.org/10.1016/j.numecd.2010.03...
- 31 31. Nakanishi S, Okubo M, Yoneda M, Jitsuiki K, Yamane K, Kohno N. A comparison between Japanese-Americans living in Hawaii and Los Angeles and native Japanese: the impact of lifestyle westernization on diabetes mellitus. Biomed Pharmacother. 2004;58:571-7. DOI:10.1016/j.biopha.2004.10.001
https://doi.org/10.1016/j.biopha.2004.10...
, 33 33. Okuda N, Ueshima H, Okayama A, Saitoh S, Nakagawa H, Rodriguez BL, et al. Relation of long chain n-3 polyunsaturated fatty acid intake to serum high density lipoprotein cholesterol among Japanese men in Japan and Japanese-American men in Hawaii: the INTERLIPID study. Atherosclerosis. 2005;178:371-9. DOI:10.1016/j.atherosclerosis.2004.09.007
https://doi.org/10.1016/j.atherosclerosi...
, 45 45. Takata Y, Maskarinec G, Franke A, Nagata C, Shimizu H. A comparison of dietary habits among women in Japan and Hawaii. Public Health Nutr. 2004;7:319-26. DOI:10.1079/PHN2003531
https://doi.org/10.1079/PHN2003531...
foram conduzidos nos Estados Unidos e no Japão.

Os instrumentos utilizados para obtenção dos dados sobre a alimentação dos indivíduos estudados foram diferentes. Quatro estudos 27 27. Miura K, Nakagawa H, Ueshima H, Okayama A, Saitoh S, Curb JD, et al. Dietary factors related to higher plasma fibrinogen levels of Japanese-americans in hawaii compared with Japanese in Japan. Arterioscler Thromb Vasc Biol. 2006;26:1674-9. DOI:10.1161/01.ATV.0000225701.20965.b9
https://doi.org/10.1161/01.ATV.000022570...
, 29 29. Nakamura Y, Ueshima H, Okuda N, Higashiyama A, Kita Y, Kadowaki T, et al. Relation of dietary and other lifestyle traits to difference in serum adiponectin concentration of Japanese in Japan and Hawaii: the INTERLIPID Study. Am J Clin Nutr. 2008;88:424-30. , 30 30. Nakamura Y, Ueshima H, Okuda N, Miura K, Kita Y, Okamura T, et al. Relation of dietary and lifestyle traits to difference in serum leptin of Japanese in Japan and Hawaii: the INTERLIPID study. Nutr Metab Cardiovasc Dis. 2012;22:14-22. DOI:10.1016/j.numecd.2010.03.004
https://doi.org/10.1016/j.numecd.2010.03...
, 33 33. Okuda N, Ueshima H, Okayama A, Saitoh S, Nakagawa H, Rodriguez BL, et al. Relation of long chain n-3 polyunsaturated fatty acid intake to serum high density lipoprotein cholesterol among Japanese men in Japan and Japanese-American men in Hawaii: the INTERLIPID study. Atherosclerosis. 2005;178:371-9. DOI:10.1016/j.atherosclerosis.2004.09.007
https://doi.org/10.1016/j.atherosclerosi...
utilizaram recordatório alimentar de 24 horas e os outros três31,39,45 utilizaram questionários de frequência alimentar. Todos os estudos foram publicados em língua inglesa. Na Tabela 3 estão relacionados os artigos analisados.

Tabela 3
Relação de estudos comparativos sobre padrão alimentar e desfechos de saúde realizados no Brasil x Japão ou Estados Unidos x Japão entre 2004 e 2012.

Schwingel et al 39 39. Schwingel A, Nakata Y, Ito LS, Chodzko-Zajko WJ, Erb CT, Shigematsu R, et al. Central obesity and health-related factors among middle-aged men: a comparison among native Japanese and Japanese-Brazilians residing in Brazil and Japan. J Physiol Anthropol. 2007;26:339-47. DOI:10.2114/jpa2.26.339
https://doi.org/10.2114/jpa2.26.339...
(2007) observaram que os nipo-brasileiros residentes no Brasil ou no Japão consumiam significativamente menos peixe, mais carne vermelha, mais alimentos gordurosos e doces do que japoneses residentes no Japão. Seguindo esse mesmo padrão alimentar, Takata et al 45 45. Takata Y, Maskarinec G, Franke A, Nagata C, Shimizu H. A comparison of dietary habits among women in Japan and Hawaii. Public Health Nutr. 2004;7:319-26. DOI:10.1079/PHN2003531
https://doi.org/10.1079/PHN2003531...
(2003) mostraram que na cidade de Gifu, Japão, o consumo de peixes, ovos, produtos derivados da soja, vegetais e algas marinhas foi maior, e o consumo de carne, produtos lácteos e frutas foi menor do que aquele verificado na dieta dos nipo-americanos e caucasianos do Havaí.

No que se refere ao consumo energético e de macronutrientes, Miura et al 27 27. Miura K, Nakagawa H, Ueshima H, Okayama A, Saitoh S, Curb JD, et al. Dietary factors related to higher plasma fibrinogen levels of Japanese-americans in hawaii compared with Japanese in Japan. Arterioscler Thromb Vasc Biol. 2006;26:1674-9. DOI:10.1161/01.ATV.0000225701.20965.b9
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(2006) constataram que, em homens, essa ingestão calórica foi maior no Havaí (2.427 kcal dp = 613 kcal) do que no Japão (2.280 kcal dp = 428 kcal). No entanto, essa diferença não foi encontrada entre mulheres. Quanto aos macronutrientes houve consumo maior de proteína animal, gordura total, saturada e trans para ambos os sexos.

Okuda et al 33 33. Okuda N, Ueshima H, Okayama A, Saitoh S, Nakagawa H, Rodriguez BL, et al. Relation of long chain n-3 polyunsaturated fatty acid intake to serum high density lipoprotein cholesterol among Japanese men in Japan and Japanese-American men in Hawaii: the INTERLIPID study. Atherosclerosis. 2005;178:371-9. DOI:10.1016/j.atherosclerosis.2004.09.007
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(2005) relataram que, em homens, a ingestão de energia, proteína e gordura total foi maior no Havaí do que no Japão. Mulheres no Japão consumiram mais carboidratos (56,2% kcal dp = 6,4 versus 50,9% kcal dp = 8,7) e menos gordura total (26,1% kcal dp = 4,9 versus 31,9% kcal dp = 7,7) do que as havaianas (p < 0,001). Achados de Nakamura et al 30 30. Nakamura Y, Ueshima H, Okuda N, Miura K, Kita Y, Okamura T, et al. Relation of dietary and lifestyle traits to difference in serum leptin of Japanese in Japan and Hawaii: the INTERLIPID study. Nutr Metab Cardiovasc Dis. 2012;22:14-22. DOI:10.1016/j.numecd.2010.03.004
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(2012) indicam que o consumo de ácidos graxos ômega 3 foi maior no Japão do que no Havaí, tanto por homens quanto por mulheres (p < 0,001).

Por outro lado, Nakanishi et al 31 31. Nakanishi S, Okubo M, Yoneda M, Jitsuiki K, Yamane K, Kohno N. A comparison between Japanese-Americans living in Hawaii and Los Angeles and native Japanese: the impact of lifestyle westernization on diabetes mellitus. Biomed Pharmacother. 2004;58:571-7. DOI:10.1016/j.biopha.2004.10.001
https://doi.org/10.1016/j.biopha.2004.10...
(2004) não encontraram diferença na ingestão total energética entre homens nipo-americanos e japoneses nativos. Diferentemente, a ingestão energética total em mulheres tendeu a ser maior entre as japonesas (1.925 kcal), quando comparadas com as nipo-americanas (1.727 kcal). Nesse mesmo contexto, as mulheres japonesas de Gifu reportaram a maior ingestão energética, seguidas pelas nipo-americanas e pelas caucasianas do Havaí. Os autores observaram menor porcentagem das calorias provenientes da gordura e maior dos carboidratos em mulheres japonesas. 45 45. Takata Y, Maskarinec G, Franke A, Nagata C, Shimizu H. A comparison of dietary habits among women in Japan and Hawaii. Public Health Nutr. 2004;7:319-26. DOI:10.1079/PHN2003531
https://doi.org/10.1079/PHN2003531...

DISCUSSÃO

Os resultados dos estudos avaliados sugerem que imigrantes japoneses e seus descendentes, embora ainda conservando muitos de seus hábitos alimentares tradicionais, aderem, ao mesmo tempo, a uma dieta do tipo ocidental (rica em gorduras saturadas, sódio, açúcares simples e pobre em fibras).

No Brasil, vários artigos relataram aumento na contribuição dos lipídios na dieta dos imigrantes japoneses e de seus descendentes ao longo dos anos (1997 a 2012). 1 1. Bertolino CN, Castro TG, Sartorelli DS, Ferreira SR, Cardoso MA. [Dietary trans fatty acid intake and serum lipid profile in Japanese-Brazilians in Bauru, Sao Paulo, Brazil]. Cad Saude Publica. 2006;22:357-64 DOI:10.1590/S0102-311X2006000200013
https://doi.org/10.1590/S0102-311X200600...
, 2 2. Cardoso MA, Hamada GS, de Souza JM, Tsugane S, Tokudome S. Dietary patterns in Japanese migrants to southeastern Brazil and their descendants. J Epidemiol. 1997;7:198-204. DOI:10.2188/jea.7.198
https://doi.org/10.2188/jea.7.198...
, 4 4. Damiao R, Castro TG, Cardoso MA, Gimeno SG, Ferreira SR. Dietary intakes associated with metabolic syndrome in a cohort of Japanese ancestry. Br J Nutr. 2006;96:532-8. DOI:10.1079/BJN20061876
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O mesmo padrão elevado de ingestão foi observado nos estudos de Okuda et al (2005) 33 33. Okuda N, Ueshima H, Okayama A, Saitoh S, Nakagawa H, Rodriguez BL, et al. Relation of long chain n-3 polyunsaturated fatty acid intake to serum high density lipoprotein cholesterol among Japanese men in Japan and Japanese-American men in Hawaii: the INTERLIPID study. Atherosclerosis. 2005;178:371-9. DOI:10.1016/j.atherosclerosis.2004.09.007
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e Schwingel et al 39 39. Schwingel A, Nakata Y, Ito LS, Chodzko-Zajko WJ, Erb CT, Shigematsu R, et al. Central obesity and health-related factors among middle-aged men: a comparison among native Japanese and Japanese-Brazilians residing in Brazil and Japan. J Physiol Anthropol. 2007;26:339-47. DOI:10.2114/jpa2.26.339
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(2007). Nesses dois estudos, os autores constataram que a participação dos lipídios na alimentação foi maior nos indivíduos que residiam no Brasil ou nos Estados Unidos do que naqueles que nasceram e moravam no Japão. Entretanto, em estudo multiétnico que comparou imigrantes japoneses com os de outras localidades, Henderson et al 16 16. Henderson SO, Haiman CA, Wilkens LR, Kolonel LN, Wan P, Pike MC. Established risk factors account for most of the racial differences in cardiovascular disease mortality. PLoS One. 2007;2:e377. DOI:10.1371/journal.pone.0000377
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(2007) encontraram que a ingestão lipídica em nipo-americanos foi drasticamente menor que a aquela verificada em indivíduos de outras ascendências não asiáticas.

A adesão a uma dieta rica em lipídios parece aumentar conforme a geração de descendentes de imigrantes japoneses. Freire et al 9 9. Freire RD, Cardoso MA, Shinzato AR, Ferreira SR. Nutritional status of Japanese-Brazilian subjects: comparison across gender and generation. Br J Nutr. 2003;89:705-13. DOI:10.1079/BJN2002824
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(2003) e Ferreira et al 7 7. Ferreira SR, Lerario DD, Gimeno SG, Sanudo A, Franco LJ. Obesity and central adiposity in Japanese immigrants: role of the Western dietary pattern. J Epidemiol. 2002;12:431-8. DOI:10.2188/jea.12.431
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(2002) verificaram que nisseis consumiam mais gorduras totais que os isseis. A ingestão elevada de lipídios da dieta poderia justificar o aumento do número de mortes causadas por doenças cardiovasculares numa população cujo país de origem, o Japão, exibe a menor taxa de mortalidade por doenças do coração no mundo. 28 28. Moriguchi EH, Yamori Y, Mori M, Sagara M, Mori H, Sakuma T, et al. New Beverage for Cardiovascular Health, Proposal Based on Oriental and Occidental Food Culture from a World-Wide Epidemiological Study. Geriatrics & Gerontology International. 2008;8:S3-S7. DOI:10.1111/j.1447-0594.2007.00398.x
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Sharma et al 42 42. Sharma S, Wilkens LR, Shen L, Kolonel LN. Dietary sources of five nutrients in ethnic groups represented in the Multiethnic Cohort. Br J Nutr. 2013;109:1479-89. DOI:10.1017/S0007114512003388
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(2012) descreveram que os alimentos que mais contribuíram para o consumo de energia entre nipo-americanos foram o arroz e o pão. Os autores identificam que refrigerantes e sucos artificiais foram as maiores fontes de açúcares de adição nessa população. Esses achados são relevantes considerando a elevada prevalência de diabetes tipo II (DM2) entre os nikkeis e a associação dessa doença com o consumo excessivo de carboidratos, açúcar de adição e de alimentos de elevado índice glicêmico. 18 18. Hopping BN, Erber E, Grandinetti A, Verheus M, Kolonel LN, Maskarinec G. Dietary fiber, magnesium, and glycemic load alter risk of type 2 diabetes in a multiethnic cohort in Hawaii. J Nutr. 2010;140:68-74. DOI:10.3945/jn.109.112441
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Estudos epidemiológicos 10 10. Fujimoto WY, Bergstrom RW, Leonetti DL, Newell-Morris LL, Shuman WP, Wahl PW. Metabolic and adipose risk factors for NIDDM and coronary disease in third-generation Japanese-American men and women with impaired glucose tolerance. Diabetologia. 1994;37:524-32. , 38 38. Schulz LO, Bennett PH, Ravussin E, Kidd JR, Kidd KK, Esparza J, et al. Effects of traditional and western environments on prevalence of type 2 diabetes in Pima Indians in Mexico and the U.S. Diabetes Care. 2006;29:1866-71. DOI:10.2337/dc06-0138
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mostram consistentemente que indivíduos migrantes incorporam rapidamente o mesmo padrão de doença crônica do país de destino. Japoneses e mexicanos que moram nos Estados Unidos possuem maior prevalência de doença cardiovascular quando comparados aos que vivem em seus países de origem. A possível explicação seria a aculturação dietética e a mudança no padrão de atividade física. Além dos japoneses, outras etnias também são afetadas por esse processo. Em 2004, Neuhouser et al 32 32. Neuhouser ML, Thompson B, Coronado GD, Solomon CC. Higher fat intake and lower fruit and vegetables intakes are associated with greater acculturation among Mexicans living in Washington State. J Am Diet Assoc. 2004;104:51-7. DOI:10.1016/j.jada.2003.10.015
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encontraram que imigrantes de origem hispânica aculturados em solo norte-americano relataram maior consumo de lipídios na sua dieta. Kim et al 22 22. Kim MJ, Lee SJ, Ahn YH, Bowen P, Lee H. Dietary acculturation and diet quality of hypertensive Korean Americans. J Adv Nurs. 2007;58:436-45. DOI:10.1111/j.1365-2648.2007.04258.x
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(2007), em estudo com imigrantes coreanos norte-americanos e coreanos nativos, relataram que os primeiros consumiram menos alimentos típicos da Coreia (32,5%) e mais fast foods (42,5%), enquanto nos coreanos nativos a predominância da culinária coreana foi de 100%, não sendo relatado consumo de fast foods. O exemplo mais clássico é a aculturação dos índios Pimas, descendentes dos Hohokans que habitaram a região da Piméria, antigamente em terras mexicanas, hoje estado do Arizona, Estados Unidos. A considerável redução da atividade física e as mudanças nos seus hábitos alimentares foram determinantes para o elevado ganho de peso. Hoje, além de obesa, essa população apresenta a maior prevalência de DM2 registrada no mundo. Há, portanto, evidências convincentes de que mudanças no estilo de vida associadas à ocidentalização desempenham papel importante na epidemia global de DM2. 38 38. Schulz LO, Bennett PH, Ravussin E, Kidd JR, Kidd KK, Esparza J, et al. Effects of traditional and western environments on prevalence of type 2 diabetes in Pima Indians in Mexico and the U.S. Diabetes Care. 2006;29:1866-71. DOI:10.2337/dc06-0138
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Analisando-se estudos nipo-americanos 35 35. Pierce BL, Austin MA, Crane PK, Retzlaff BM, Fish B, Hutter CM, et al. Measuring dietary acculturation in Japanese Americans with the use of confirmatory factor analysis of food-frequency data. Am J Clin Nutr. 2007;86:496-503. , 36 36. Rice MM, LaCroix AZ, Lampe JW, van Belle G, Kestin M, Sumitani M, et al. Dietary soy isoflavone intake in older Japanese American women. Public Health Nutr. 2001;4:943-52. DOI:10.1079/PHN2001150
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e nipo-brasileiros 7 7. Ferreira SR, Lerario DD, Gimeno SG, Sanudo A, Franco LJ. Obesity and central adiposity in Japanese immigrants: role of the Western dietary pattern. J Epidemiol. 2002;12:431-8. DOI:10.2188/jea.12.431
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verificou-se que os indivíduos nisseis tiveram uma ingestão maior de produtos da dieta japonesa do que os sanseis. No entanto, em estudo feito com jovens asiáticos que imigraram para os Estados Unidos, Pan et al34 observaram alteração significativa nos hábitos alimentares após a mudança de local de residência, com um aumento no consumo de doces e gorduras, produtos lácteos e frutas, e diminuição na ingestão de carnes e vegetais. As principais razões relatadas para o não consumo de uma dieta similar à de seus países de origem foram: falta de tempo para preparo, falta de disponibilidade de alguns ingredientes, qualidade inferior do alimento, não saber como cozinhar pratos tradicionais e preços mais elevados desses produtos.

A ingestão de alimentos à base de soja, como o tofu, parece estar fortemente associada ao local de nascimento do indivíduo e ao idioma de preferência para comunicação. Dessa forma, os imigrantes que nasceram no Japão e aqueles nikkeis que escolheram a língua japonesa na entrevista foram os que mais consumiram derivados da soja. 36 36. Rice MM, LaCroix AZ, Lampe JW, van Belle G, Kestin M, Sumitani M, et al. Dietary soy isoflavone intake in older Japanese American women. Public Health Nutr. 2001;4:943-52. DOI:10.1079/PHN2001150
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O estudo de Wu et al 47 47. Wu AH, Wan P, Hankin J, Tseng CC, Yu MC, Pike MC. Adolescent and adult soy intake and risk of breast cancer in Asian-Americans. Carcinogenesis. 2002;23:1491-6. DOI:10.1093/carcin/23.9.1491
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(2002) mostra que o consumo de soja, particularmente na primeira infância, pode trazer um efeito protetor ao de câncer de mama em um período posterior na vida. Essa neoplasia é a mais prevalente no sexo feminino no Brasil. 40 40. Sclowitz ML, Menezes AM, Gigante DP, Tessaro S. [Breast cancer's secondary prevention and associated factors]. Rev Saude Publica. 2005;39:340-9. DOI:10.1590/S0034-89102005000300003
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O presente trabalho apresenta algumas limitações que devem ser consideradas. Pode ter ocorrido viés de seleção pelo fato de não terem sido pesquisadas outras bases de dados além do Medline/PubMed, Lilacs e SciELO, apesar de essas três bases, no conjunto, contemplarem a maioria dos artigos publicados em inglês, espanhol e português. Outra limitação está relacionada às questões metodológicas dos estudos selecionados e analisados. Vários aspectos referentes aos desenhos utilizados podem gerar limitações que afetam a acurácia e a validade das estimativas inferidas. Os mais comuns foram: uso de amostras não representativas, curtos períodos de seguimento e perdas de seguimento. Além disso, encontrou-se grande variação de faixas etárias nas amostras estudadas, dificultando a comparabilidade entre os estudos. Outros critérios utilizados que podem ter levado à ocorrência de erros sistemáticos foram: informações obtidas por meio de estratégias recordatórias e baseadas em percepções subjetivas do grupo avaliado; seleção da amostra realizada através de anúncios em meios de comunicação como jornais e revistas; e uso de instrumentos de medida do consumo alimentar válidos para a população em geral e não específicos para descendentes de japoneses.

A utilização de escores para aferir a qualidade metodológica dos artigos tem como finalidade tornar menos subjetiva a avaliação dos estudos. No entanto, devido à heterogeneidade dos estudos, dificilmente um escore será adequado a todos os desenhos existentes. Dessa forma, a utilização do Downs & Black adaptado para estudos observacionais pode ter sido também uma limitação.

Apesar disso, este estudo fornece dados atuais sobre o consumo alimentar e fatores dietéticos relacionados ao processo saúde e doença em imigrantes japoneses e seus descendentes, oferecendo subsídios para a formulação de projetos que promovam a saúde e previnam o desenvolvimento de doenças nessa população.

Esta revisão mostra que existem poucos estudos sobre o consumo alimentar de nikkeis fora do Havaí, nos EUA, e de Bauru (estado de São Paulo), no Brasil, e sugere o desenvolvimento de mais estudos, em outros países e regiões do Brasil, com métodos padronizados, que possibilitem melhores comparações. Esses achados são importantes para a saúde pública, considerando o grande contingente de descendentes japoneses que vivem no Brasil. Além de políticas públicas direcionadas ao estímulo de uma alimentação saudável, em regiões com grandes concentrações desses imigrantes poderia haver incentivo ao não abandono de hábitos alimentares saudáveis característicos da população japonesa.

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    Issei: japonês de primeira geração (imigrante japonês)19
  • d
    Nisei: descendente japonês da segunda geração (filho de imigrante)19
  • e
    Sansei: descendente japonês de terceira geração (neto de imigrante)19

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    Jun 2013

Histórico

  • Recebido
    18 Maio 2011
  • Aceito
    18 Out 2012
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revsp@org.usp.br