Via, homem e veículo: fatores de risco associados à gravidade dos acidentes de trânsito

Vía, hombre y vehículo: factores de riesgo asociados con la gravedad de los accidentes de tránsito

Rosa Lívia Freitas de Almeida José Gomes Bezerra Filho José Ueleres Braga Francismeire Brasileiro Magalhães Marinila Calderaro Munguba Macedo Kellyanne Abreu Silva Sobre os autores

Resumos

OBJETIVO

Analisar as características das vítimas, vias e veículos envolvidos em acidentes de trânsito e os fatores de risco de acidentes com ocorrência de óbito. 

MÉTODOS

Estudo de coorte não concorrente considerando os acidentes de trânsito em Fortaleza, CE, de janeiro de 2004 a dezembro de 2008. Foram utilizados dados do Sistema de Informação de Acidente de Trânsito de Fortaleza, do Sistema de Informações de Mortalidade, do Sistema de Informações Hospitalares e dos bancos de dados de Habilitação e Veículos do Departamento Estadual de Trânsito. Técnicas de relacionamento determinístico e probabilístico foram aplicadas para integrar as bases de dados. Efetuou-se a análise descritiva das variáveis relativas às pessoas, às vias, aos veículos e ao tempo. Foram utilizados os modelos lineares generalizados na investigação de fatores de risco para óbito por acidente de trânsito. O ajuste do modelo foi verificado pela razão de verossimilhança e análise ROC. 

RESULTADOS

Registraram-se 118.830 acidentes no período. Predominaram colisão/abalroamento (78,1%), atropelamentos (11,9%) e choque com obstáculo fixo (3,9%) e com motocicletas (18,1%). Ocorreram óbitos em 1,4% dos acidentes. Estiveram independentemente associados ao óbito por acidente de trânsito: bicicletas (OR = 21,2; IC95% 16,1;27,8), atropelamentos (OR = 5,9; IC95% 3,7;9,2), choque com obstáculo fixo (OR = 5,7; IC95% 3,1;10,5) e acidentes com motociclistas (OR = 3,5; IC95% 2,6;4,6). Os principais fatores contribuintes foram envolvimento de uma única pessoa (OR = 6,6; IC95% 4,1;10,73), presença de condutores não habilitados (OR = 4,1; IC95% 2,9;5,5) um único veículo envolvido (OR = 3,9; IC95% 2,3;6,4), sexo masculino (OR = 2,5; IC95% 1,9;3,3), tráfego em vias de jurisdição federal (OR = 2,4; IC95% 1,8;3,7), horário madrugada (OR = 2,4; IC95% 1,8;3,0) e dia de domingo (OR = 1,7; IC95% 1,3;2,2), todas ajustadas segundo modelo log-binomial. 

CONCLUSÕES

As ações de promoção e prevenção de acidentes no trânsito devem focar os acidentes com veículos de duas rodas, que mais frequentemente envolvem uma única pessoa, não habilitada, do sexo masculino, em horários noturnos, em finais de semana e nas vias onde se desenvolvem maiores velocidades.

Acidentes de Trânsito, mortalidade; Fatores de Risco; Sistemas de Informação Hospitalar; Registros de Mortalidade; População Urbana


OBJETIVO

Analizar las características de las víctimas, vías y vehículos involucrados en accidentes de tránsito y los factores de riesgo de accidentes con ocurrencia de óbito.

MÉTODOS

Estudio de cohorte no concurrente considerando los accidentes de tránsito en Fortaleza, CE, de enero de 2004 a diciembre de 2008. Se utilizaron datos del Sistema de Informaciones de Mortalidad, del Sistema de Informaciones Hospitalarias y de los bases de datos de Licencia para conducir y Vehículos del Departamento Estatal de Tránsito. Técnicas de relacionamiento determinístico y probabilístico se aplicaron para integrar las bases de datos. Se efectuó el análisis descriptivo de las variables relacionadas con las personas, las vías los vehículos y el tiempo. Se utilizaron los modelos lineales generalizados en la investigación de los factores de riesgo para óbito por accidente de tránsito. El ajuste del modelo fue verificado por la tasa de vero-semejanza y el análisis ROC.

RESULTADOS

Se registraron 118.830 accidentes en el período. Predominaron colisión/choque (78,1%), atropellamientos (11,9%), choque con obstáculo fijo (3,9%), con motocicletas (18,1%). Ocurrieron óbitos en 1,4% de los accidentes. Estuvieron independientemente asociados al óbito por accidente de tránsito: bicicletas (OR= 21,2; IC95% 16,1;27,8), atropellamientos (OR= 5,9; IC95% 3,7;9,2), choque con obstáculo fijo (OR= 5,7; IC95% 3,1;10,5) y accidentes con motociclistas (OR= 3,5; IC95% 2,6;4,6). Los principales factores contribuyentes fueron envolvimiento de una única persona (OR= 6,6; IC95% 4,1;10,73), presencia de conductores sin licencia para conducir (OR= 4,1; IC95% 2,9;5,5), un único vehículo involucrado (OR= 3,9; IC95% 2,3;6,4), sexo masculino (OR= 2,5; IC95% 1,9; 3,3), tránsito en vías de jurisdicción federal (OR= 2,4; IC95% 1,8;3,7), horario madrugada (OR= 2,4; IC95% 1,8;3,0), y día domingo (OR= 1,7; IC95% 1,3;2,2), todas ajustadas de acuerdo con el modelo log-binomial.

CONCLUSIONES

Las acciones de promoción y prevención de accidentes en el tránsito deben enfocarse en accidentes con vehículos de dos ruedas, que más frecuentemente involucran una única persona, sin licencia para conducir, del sexo masculino, en horarios nocturnos, en fines de semana y en las vías donde se desarrollan mayores velocidades.

Accidentes de Tránsito, mortalidade; Factores de Riesgo; Sistemas de Información en Hospital; Registros de Mortalidad; Población Urbana


INTRODUÇÃO

Os acidentes de trânsito mantêm-se como importante problema da saúde pública no Brasil e demandam diferentes abordagens em ações de prevenção. A dinâmica desse fenômeno, multicausal em sua gênese, atinge suas vítimas com diferentes graus de severidade segundo tipo de acidente (atropelamento, com motocicleta e outros tipos de acidentes com veículo a motor) 1 . Alves EF. Características dos acidentes de trânsito com vítimas de atropelamento no município de Maringá-Pr, 2005-2008. Saud Pesq . 2010;3(1):25-32. e atributos demográficos (sexo, idade, cor, estado civil e grau de instrução). 12 12 . Kmet L, Brasher P, Macarthur C. A small area study of motor vehicle crash fatalities in Alberta, Canada. Accid Anal Prev . 2003;35(2):177-82. DOI:10.1016/S0001-4575(01)00101-4 , 20 20 . Soares DFPP, Barros MBA. Fatores associados ao risco de internação por acidentes de trânsito no Município de Maringá-PR. Rev Bras Epidemiol . 2006;9(2):193-205. DOI:10.1590/S1415-790X2006000200006 Possui distribuição mensal diferenciada dos dias da semana e dos horários de ocorrência. 5 . Bastos YGL, Andrade SM, Soares DA. Características dos acidentes de trânsito e das vítimas atendidas em serviço pré-hospitalar em cidade do Sul do Brasil, 1997/2000. Cad Saude Publica . 2005;21(3):815-22. DOI:10.1590/S0102-311X2005000300015 Pesquisas que utilizam técnicas de análise para compreensão desses atributos mostram-se relevantes para a reorientação das ações que buscam a redução da gravidade dos acidentes.

Os fatores presentes, implícita ou explicitamente, que podem contribuir com a casuística em maior ou menor grau, são: homem; veiculo; via e meio ambiente; e os referentes à legislação e seu cumprimento. 4 . Barss P, Kahn JP, Mastroianni AC, Sugarman J. Injury prevention: an international perspective epidemiology, surveillance, and policy. New York: Oxford University Press; 1998. A desagregação desses fatores e o estudo de suas associações são necessários para compreender e melhor intervir no fenômeno do acidente de trânsito. Isso porque sua combinação pode aumentar a probabilidade de ocorrência de acidentes de forma diferenciada em determinados locais. a a Raia Jr AA, Santos L. Acidente zero: utopia ou realidade? 15º Congresso brasileiro de transporte e trânsito. 2005; Goiânia, BR, Goiânia: Centro de Convenções de Goiânia; 2005. p.7. , b b Raia Jr AA. Identificação de pontos críticos de acidentes de trânsito no Município de São Carlos, SP, Brasil: análise comparativa entre um banco de dados relacional – BDR e a técnica de Agrupamentos pontuais. Anais do 2º Congresso Luso Brasileiro para o Planejamento, Urbano, Regional, Integrado, Sustentável, 2006; Braga, PT, Braga: Universidade do Minho; 2006.

Expressivo número de estudos realizados no Brasil aborda a mortalidade por acidentes de trânsito. Entretanto, poucos fazem referência às vítimas sobreviventes, o que leva alguns autores a destacar a importância da realização de pesquisas que incluam casos não fatais. 9 . Deslandes SF, Silva C. Análise da morbidade hospitalar por acidentes de trânsito em hospitais públicos do Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Rev Saude Publica . 2000;34(4):367-72. DOI:10.1590/S0034-89102000000400009 , 10 10 . Gawryszewski VP, Koizumi MS, Mello-Jorge MHP. As causas externas no Brasil no ano 2000: comparando a mortalidade e a morbidade. Cad Saude Publica . 2004;20(4):995-1003. DOI:10.1590/S0102-311X2004000400014 , 14 14 . Mello Jorge MHP, Gawryszewski VP, Latorre MI. Análise dos dados de mortalidade. Rev Saude Publica . 1997;31(4Suppl):5-25. DOI:10.1590/S0034-89101997000500002
https://doi.org/10.1590/S0034-8910199700...
, 18 18 . Ott EA, Favaretto ALF, Neto AFPR, Zechin JG, Bordin R. Traffic accidents: characterization accidents and lesions in an urban center of southern Brazil. Rev Saude Publica . 1993;27(5):350-6. DOI:10.1590/S0034-89101993000500005 , c c Soares DFPP. Acidentes de trânsito em Maringá-PR: Análise do perfil epidemiológico e dos fatores de risco de internação e de óbito. 2003 [tese de doutorado]. Campinas: Universidade Estadual de Campinas; 2003. Além de escassos, esses estudos empregam metodologias diversificadas e diferentes fontes de informações. Grande parte dessa produção refere-se aos problemas de cobertura e qualidade dos sistemas oficiais de informações como fatores limitantes para o conhecimento desse fenômeno. 20 20 . Soares DFPP, Barros MBA. Fatores associados ao risco de internação por acidentes de trânsito no Município de Maringá-PR. Rev Bras Epidemiol . 2006;9(2):193-205. DOI:10.1590/S1415-790X2006000200006

Para especialistas, a falta de um sistema de informação integrado com base em um boletim de ocorrência de acidentes de trânsito padronizado impossibilita o conhecimento sobre a acidentalidade no País e o consequente equacionamento das medidas que poderiam mitigá-lo. 7 . Branco AG. A falta de estatísticas confiáveis dificulta a formatação de políticas públicas para solucionar os problemas no trânsito. Rev ABRAMET . 2003;11(21):33-47. Como alternativa para superar essa dificuldade, utilizaram-se técnicas de relacionamento de bancos de dados para aprimorar a qualidade da informação quanto ao número de variáveis investigadas, número de registros válidos, alcançando, portanto, maior completitude da informação.

Este estudo tem por objetivo descrever características de vítimas, vias e veículos envolvidos em acidentes de trânsito e fatores de risco para acidentes com ocorrência de óbito.

MÉTODOS

Estudo de coorte não concorrente, considerando os acidentes de trânsito ocorridos dentro dos limites geográficos de Fortaleza, CE, de 1º de janeiro de 2004 a 31 de dezembro de 2008. O conjunto das ocorrências abrangeu as registradas nos Boletins de Ocorrência (BO) captadas pelo Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito do Município de Fortaleza (SIAT-FOR) e gerenciadas pela Autarquia Municipal de Trânsito de Fortaleza (AMC). Foi considerado acidente de trânsito todo aquele ocorrido em via pública, abrangendo não somente colisões entre veículos, mas também choques com objetos fixos, colisões entre pedestres e ciclistas, capotagem, atropelamento e tombamento. 17 17 . Organização Mundial de Saúde. Classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde. 10. ed. rev. São Paulo: Editora Edusp; Universidade de São Paulo; 2007. v.1. Foi considerado critério de inclusão o acidente registrado em BO com ou sem vítimas feridas ou fatais e como exclusão, o acidente de trânsito sem registro em BO.

Fortaleza é uma aglomeração metropolitana da Região Nordeste do Brasil classificada como a quinta maior cidade do País. O espaço urbano está cortado por aproximadamente 3.700 km de malha viária. Desse total, cerca de 35 km são de jurisdição estadual e 25 km de jurisdição federal. d d Departamento Nacional de Trânsito (BR). Anuário estatístico de acidentes de trânsito de Fortaleza - 2008. Ceará; 2009. O traçado viário obedece a uma tipologia radioconcêntrica e constitui os principais eixos de ligação entre a zona urbana e municípios vizinhos. Suas vias são estreitas com forte traço de sua origem tipológica em xadrez definida no berço da fundação da cidade e, por falta de controle no uso e na ocupação do solo, é inviável seu alargamento, tornando o sistema viário insuficiente. e e Muniz MPC. O Plano Diretor Como Instrumento de Gestão da Cidade: o caso da cidade de Fortaleza/CE. Ceará: Universidade Federal do Rio Grande do Norte; 2006.

Foram coletados dados do sistema SIAT-FOR, que inclui dez órgãos envolvidos na prestação de atendimento às ocorrências de trânsito no município.

Foram coletadas também informações dos bancos de dados de Habilitação e Veículos do Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN-CE), do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), que contém as declarações de óbito, e do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), objetivando a complementação de informações. Os bancos de dados de internação e óbito (SIH e SIM) foram obtidos com a Secretaria Estadual de Saúde do Estado do Ceará (SESA). Os dados do SIM referiram-se a todos os óbitos ocorridos no Ceará de janeiro de 2004 a março de 2009, considerando que acidentes ocorridos em dezembro poderiam evoluir para óbitos em 2009. Quanto à internação, os dados foram obtidos em hospitais da rede SUS de Fortaleza, de janeiro 2004 a julho de 2009, considerando que, para fins de cobrança, as AIH são apresentadas ao gestor local até seis meses seguintes à sua autorização.

Os dados de veículos e de habilitados foram obtidos com o DETRAN-CE e referiram-se a todos os veículos e habilitados do estado do Ceará até 31 de dezembro de 2008.

As variáveis investigadas foram categorizadas em quatro grupos: características da vítima, subdivididas em sociodemográficas, tempo de habilitação e adequação da habilitação ao veículo no momento do acidente; variáveis relativas às condições de tempo (ano, horário e semana); vias de jurisdição, posição do acidente na quadra e iluminação; natureza do acidente, tipo de veículo e idade da frota.

Os bancos de dados foram vinculados por técnicas de relacionamento entre bancos de dados para formar um único banco com informações sobre o veículo, via, condutor e pessoas envolvidas.

Esse processo foi realizado por meio de dois métodos: o relacionamento determinístico e o relacionamento probabilístico. 6 . Blakely T, Salmond C. Probabilistic record linkage and a method to calculate the positive predictive value. Int J Epidemiol . 2002;31(6):1246-52. , 13 13 . Machado CJ, Hill K. Probabilistic record linkage and an automated procedure to minimize the undecided-matched pair problem. Cad Saude Publica 2004;20(4):915-25. DOI:10.1590/S0102-311X2004000400005

As informações dos acidentes coletadas pelo sistema SIAT-FOR foram complementadas segundo os dois tipos de relacionamento, compreendendo duas fases distintas. Na primeira, fase determinística, o banco de dados do SIAT-FOR fornecido pela AMC, relativo aos veículos que se envolveram em acidentes de trânsito, foi relacionado com o banco de dados do DETRAN-CE pela placa do veículo para obtenção dos dados ano e tipo do veículo. Os dados do condutor: categoria de habilitação, ano da habilitação, sexo, estado civil, nível de instrução, data de nascimento e nome da mãe, foram obtidos do banco de dados de habilitados do DETRAN- CE a partir do identificador número da CNH (carteira nacional de habilitação) registrado no banco de dados de pessoas envolvidas em acidentes de trânsito do sistema SIAT-FOR.

A complementação dos dados relativos às pessoas envolvidas em acidentes de trânsito da categoria pedestre e passageiro foi realizada por relacionamento probabilístico junto aos sistemas SIM e SIH. Foram variáveis-chaves: nome, idade da vítima e data do acidente quando foram a óbito ou internadas na rede SUS.

Para analisar os acidentes de trânsito, um conjunto de covariáveis foi criado a partir das variáveis descritas: tipo de veículo envolvido, número de veículos, tipo de pessoa, número de pessoas, idade da frota, sexo dos condutores, situação da habilitação dos condutores, tempo de habilitação dos condutores, idade dos condutores, situação civil dos condutores e escolaridade dos condutores.

Foram apresentados os dados descritivos, segundo as variáveis de interesse. Utilizaram-se teste Qui-quadrado de Pearson, exato de Fisher e teste t de Student na análise comparativa. O risco estimado de acidente com óbito foi verificado na análise bivariada por meio de odds ratio , com intervalo de 95% de confiança. Foram selecionadas as variáveis cuja associação com acidente com óbito pelo teste Qui-quadrado apresentou p < 0,20 para serem incluídas na análise multinomial. 11 11 . Hosmer DW, Lemeshow S. Applied logistic regression. 2 ed. New York: Wiley-Interscience; 2000.

A análise multinomial foi realizada utilizando-se o Modelo Linear Generalizado (MLG) com distribuição binomial e função de ligação logística. A escolha dessa distribuição justifica-se, uma vez que a medida do desfecho é da forma dicotômica.

A modelagem seguiu a estratégia recomendada por Hosmer & Lemeshow e a retirada de cada variável foi feita após a comparação da razão de verossimilhança (-2logL) dos modelos com e sem a variável em questão. A permanência da variável no modelo deu-se em função de justificativas teóricas e da significância estatística.

O modelo final foi avaliado pela sensibilidade, especificidade, acurácia e com base no percentual de melhoria do modelo em relação à deviance inicial (razão de verossimilhança). O valor da área sob a curva ROC foi de 0,86, indicando elevado poder discriminante. Pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Ceará (Processo nº 90/2008).

RESULTADOS

Foram registrados 118.830 acidentes de trânsito em Fortaleza de janeiro de 2004 a dezembro de 2008, 1,4% com óbitos e 46,6% com feridos graves ou leves. Dos sinistros, 78,1% estavam categorizados como colisão/abalroamento e 11,9% eram devido a atropelamentos, 3,9% a choque com obstáculo fixo, 0,5% a capotamento e 5,6% a queda/tombamento e outros acidentes na via pública ( Tabela 1 ).

Tabela 1
Frequência absoluta e relativa dos acidentes de trânsito segundo variáveis do estudo e ano de ocorrência. Fortaleza, CE, 2004 a 2008.

A média anual de acidentes para o período foi de 23.767 acidentes/ano, o maior número de eventos foi registrado em 2008 (20,8%; p < 0,001). A média mensal do período foi de 1.981 acidentes/mês. O trimestre de outubro a dezembro destacou-se pelo elevado número de acidentes (média de 6.382 acidentes), enquanto o trimestre de janeiro a março abrigou o menor volume de acidentes (média de 5.421 acidentes; p < 0,001) ( Tabela 1 ).

Cerca de 43,7% dos acidentes ocorreram entre automóveis e/ou caminhonetes; 26,5% envolveram motociclista e participaram apenas motociclistas em 8,5%. Acidentes com mais de dois veículos foram minoria durante todo o período, sobretudo em 2005 (4,7%; p < 0,001) ( Tabela 1 ).

Em 75,1% dos acidentes, figuraram apenas o condutor de veículo motorizado. Os acidentes que incluíram passageiros de qualquer tipo de veículo foram minoria em todo o período (5,2%). A média de pessoas envolvidas em acidentes foi de 2,03 pessoas/acidente.

Ocorreram em seguimentos contínuos 65,1% dos sinistros, categorizados como meio de quadra, seguida da intersecção em cruz (30,0%); 67,6% ocorreram à luz do dia, 13,1% no período da noite em vias iluminadas e 11,6% à luz do entardecer. As vias mal iluminadas ou sem iluminação responderam por 3,7% e luz do amanhecer por 4,0% dos acidentes; 63,2% dos acidentes ocorreram durante o dia. O período da tarde, horário compreendido entre 12 e 18 horas, teve o maior número de sinistros registrado (35,1%) ( Tabela 1 ).

A quase totalidade (92,6%) ocorreu sob a jurisdição municipal, seguida da jurisdição estadual (4,5%), consequência da distribuição da malha viária por jurisdição na cidade. O sábado foi o dia em que mais ocorrem acidentes (17,3%), seguido da sexta-feira (15,9%) e do domingo (14,5%). As terças e quartas-feiras são os dias em que ocorrem menos acidentes (12,7% e 12,9%, respectivamente) ( Tabela 1 ).

Acidentes envolvendo bicicletas apresentaram maior risco bruto (OR = 3,95; IC95% 3,44;5,17) para acidentes com óbito na análise bivariada, tomando como base acidentes com automóveis ou caminhonetes. Os acidentes em que estiveram envolvidas apenas motocicletas configuraram o segundo maior risco bruto para acidentes com óbito (OR = 2,88; IC95% 2,48;3,34). Acidentes envolvendo apenas um veículo apresentam maior risco bruto para acidentes com óbito (OR = 4,15; IC95% 3,77;4,57) comparados com acidentes com dois veículos ( Tabela 2 ).

Tabela 2
Análise bivariada para investigação de fatores relativos às vias. aos veículos e ao tempo associados ao óbito por acidentes de trânsito. Fortaleza, CE. 2004 a 2008.

O atropelamento (OR = 6,32; IC95% 5,71;6,98) apresentou maior risco bruto para acidentes com óbito seguido pelos acidentes devido a capotamento (OR = 4,90; IC95% 3,32;7,24) e o choque com obstáculo fixo (OR = 3,57; IC95% 2,98;4,28), comparados com colisões ou abalroamentos ( Tabela 2 ).

Os condutores com menos de cinco anos de habilitação (OR = 1,78; IC95% 1,52;2,08) apresentaram maior risco bruto para acidentes com óbito comparados com condutores com mais de cinco anos de habilitação. Condutores com habilitação inadequada (OR = 1,95; IC95% 1,74;2,18) apresentaram maior risco bruto para acidentes com óbito comparados aos condutores com habilitação adequada ( Tabela 3 ).

Tabela 3
Análise bivariada para investigação de fatores relativos às vias, aos veículos e ao tempo associados ao óbito por acidentes de trânsito. Fortaleza, CE, 2004 a 2008.

Acidentes em segmentos contínuos ou meio de quadra (OR = 2,02; IC95% 1,79;2,19) apresentaram maior risco bruto para acidentes com óbito e ocorreram com maior frequência, diferentemente de acidentes em cruzamento com via férrea (OR = 8,50; IC95% 5,44;13,30), que envolveram maior risco bruto para acidentes com óbito, porém com menor frequência. Cerca de 18,9% dos sinistros ocorreram em semáforos e não apresentaram risco bruto para acidentes com óbito quando comparados com a sinalização vertical. Os acidentes mediante sinalização vertical na lateral (OR = 2,26; IC95% 1,92;2,66) representam 63% do total e apresentaram risco bruto para acidentes com óbito quando comparados com a sinalização vertical ( Tabelas 1 e 2 ).

A gravidade dos acidentes mostrou-se mais acentuada no nível federal (OR = 4,30; IC95% 3,70;4,99), seguido do estadual em comparação ao municipal. O risco bruto para acidentes com óbito foi maior sob a luz do amanhecer (OR = 2,78; IC95% 2,32;3,34) quando comparados com acidentes à luz do dia. O domingo (OR = 2,11; IC95% 1,76;2,53) apresentou maior risco bruto para acidentes com óbito quando comparado com a quarta-feira. O risco bruto para acidentes com óbito foi maior na madrugada (OR = 2,42; IC95% 2,07;2,82), seguido da noite (OR = 1,48; IC95% 1,30;1,68) quando comparados com o período da manhã ( Tabela 2 ).

Presença de condutores não habilitados (OR = 4,1; IC95% 2,9;5,5) ou com habilitação inadequada ao tipo de veículo (OR = 1,6; IC95% 1,2;1,9), tráfego em vias de jurisdição federal (OR = 2,4; IC95% 1,8;3,1), horário da madrugada (OR = 2,4; IC95% 1,8;3,0) e dia de domingo (OR = 1,7; IC95% 1,3;2,2) destacaram-se como fatores contribuintes para o acidente com óbito na análise multinomial ( Tabela 3 ).

Os acidentes com motociclistas (OR = 3,5; IC95% 2,6;4,5) foram potenciais acidentes com óbito. Acidentes de trânsito que apresentaram maior risco para o óbito foram aqueles que envolveram bicicletas (OR = 21,2; IC95% 16,1;27,8), atropelamento OR = 5,9 (IC95% 3,7;9,2) e colisão com obstáculos fixos OR = 5,7 (IC95% 3,1;10,4).

DISCUSSÃO

O Brasil desponta no cenário mundial por seu desenvolvimento econômico promissor; entretanto, a morbimortalidade por acidente de trânsito é reconhecidamente um fenômeno de grande magnitude e de elevada complexidade. Representa uma expressão tardia da relação investimentos em segurança viária, política de desenvolvimento econômica centrada na indústria automobilística e educação para o trânsito.

A análise dos fatores que interferem na ocorrência dos acidentes de trânsito é um procedimento complexo porque são numerosos e não são independentes. 8 . Crundall D, Clarke D, Ward P, Bartle C. Road safety good practice guide. London: Defence Terrain Research Laboratory; 2001. Os resultados do presente estudo permitem a ampliação do olhar sobre o fenômeno acidente de trânsito a partir da análise de suas características de vias, indivíduos e veículos envolvidos. Esse aspecto destaca a importância de práticas intersetoriais para melhor enfrentamento do agravo, haja vista sua complexidade e multiplicidade de fatores relacionados com as diversas áreas do conhecimento humano.

Tabela 4
Modelo final da análise multivariada para fatores associados ao óbito por acidente de trânsito. Fortaleza, CE, 2004 a 2008.

A estrutura das vias como sinalização e iluminação, o dia da semana e o horário da ocorrência estão relacionados à gravidade dos acidentes de trânsito. Pesquisadores encontraram resultados semelhantes e atribuíram a maior ocorrência de óbito no final de semana e nos horários da madrugada ao uso de álcool e excesso de velocidade. 2 . Abreu AMM, Lima JMB, Griep RH. Acidentes de trânsito e a frequência dos exames de alcoolemia com vítimas fatais na cidade do Rio de Janeiro. Esc Anna Nery Rev Enferm . 2009;13(1):44-50. DOI:10.1590/S1414-81452009000100007 Por outro lado, é importante considerar a má qualidade da iluminação e sinalização das vias. 16 16 . Montenegro MMS, Duarte E, Ruscitto RP, Nascimento AF. Mortalidade de motociclistas em acidentes de transporte no Distrito Federal, 1996 a 2007. Rev Saude Publica . 2011;45(3):529-38. DOI:10.1590/S0034-89102011000300011
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O planejamento de ações preventivas deve contemplar o nível de iluminação das vias e a sinalização adequada como parâmetro de segurança.

A gravidade dos acidentes relaciona-se com o tipo de jurisdição da via, apresentando maior risco aquelas do nível federal, seguidas do estadual, em comparação ao municipal. A velocidade permitida para cada tipo de via e o fluxo de veículos diferem e ocasionam congestionamentos em vias municipais, levando a acidentes mais leves, sem vítimas feridas.

Os condutores com menos de cinco anos de habilitação apresentaram maior risco de óbito em acidentes, diferente do encontrado em outros estudos, que apontam motoristas mais velhos como significativamente mais envolvidos em acidentes graves e fatais, quando os números são ajustados para as diferenças na exposição. 22 22 . Young-Jun Kweon, Kara M. Kockelman, Overall injury risk to different drivers: combining exposure, frequency, and severity models. Accident Analysis & Prevention, Volume 35, Issue 4, July 2003, Pages 441-450, ISSN 0001-4575. DOI:10.1016/S0001-4575(02)00021-0.
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Essa informação coloca em discussão a qualidade do processo de habilitação no Brasil. A inexperiência dos novos habilitados denuncia que a rigidez do código de trânsito que prevê carteira provisória até um ano não é suficiente para deixá-los aptos a dirigir veiculos.

As condições de tráfego, das vias e o maior fluxo de indivíduos no deslocamento casa-trabalho aumentam a exposição ao agravo. Soma-se a isso a cultura punitiva em detrimento da educativa desenvolvida em torno do fenômeno. Esses entraves impedem a melhoria dos indicadores, apesar da implantação de políticas públicas que tentam mitigar o fenômeno. Grupos populacionais com maior vulnerabilidade (pedestres, ciclistas e motociclistas) tornam-se vítimas das condições das vias, dos veículos e dos usuários.

Existem diferenças na manifestação da gravidade dos acidentes de trânsito segundo a tipologia. Atropelamentos e acidentes envolvendo ciclistas e motociclistas são descritos como de maior gravidade. 1 . Alves EF. Características dos acidentes de trânsito com vítimas de atropelamento no município de Maringá-Pr, 2005-2008. Saud Pesq . 2010;3(1):25-32. Esse fato, explicado pela cinemática do trauma, continuará a ser problema de vulnerabilidade até que haja equidade no trânsito.

A posição que o indivíduo assume no trânsito é determinante da gravidade das vítimas. O risco de morte é maior para ciclistas e pedestres. Esse fato também é apresentado em outros estudos, em que pedestres e ciclistas são os usuários mais vulneráveis do sistema viário e compõem o maior percentual entre vítimas. 19 19 . Silva DW, Andrade SM, Soares DA, Paula Soares DFP, Mathias TAF. Perfil do trabalho e acidentes de trânsito entre motociclistas de entregas em dois municípios de médio porte do Estado do Paraná, Brasil. Cad Saude Publica . 2008;24(11):2643-52. DOI:10.1590/S0102-311X2008001100019 Enquanto os ciclistas carecem de local próprio para circular e precisam disputar com os veículos um espaço na via em meio a opressão e fumaça, os pedestres deparam-se com calçadas estreitas e sem conservação. Isso ocorre apesar de Fortaleza tratar-se de uma cidade plana em que essas formas de se transportar deveriam ser prioridade por razões diversas: preservação ambiental, salubridade e economia.

Congestionamentos nas grandes cidades, ineficiência do transporte coletivo, serviço de tele-entrega e mototáxistas ocasionaram a rápida disseminação das motocicletas, o que representou aumento de 700% nas mortes de 1998 a 2008. 3 . Bacchieri G, Barros AJD. Acidentes de trânsito no Brasil de 1998 a 2010: muitas mudanças e poucos resultados. Rev Saude Publica . 2011;45(5):949-63. DOI:10.1590/S0034-89102011005000069 O baixo custo e as facilidades de financiamento do veículo são responsáveis pelo expressivo aumento das motocicletas. A problemática da gravidade desse tipo de acidente evidenciada por este e outros estudos suscita necessidade de pensar na segurança desse usuário.

Acidentes envolvendo apenas um veículo apresentam maior risco de óbito quando comparados com acidentes com dois veículos. Conflitos no trânsito com veículos mais suscetíveis, como motos e bicicletas, acabam levando o condutor à queda. Segundo a cinemática do trauma, a gravidade mostra-se mais acentuada onde há maior transferência de energia cinética. Isso foi comprovado por este estudo, em que os principais tipos de acidentes envolvendo vítimas fatais foram aqueles que envolveram choques com obstáculo fixo e atropelamentos. A velocidade é o mais importante produtor dessa energia.

A gravidade e incidência dos acidentes eleva-se no período noturno e nos finais de semana, o que remete ao trânsito livre, sem congestionamentos e ao uso de bebidas alcoólicas, haja vista ser conhecido o efeito devastador da combinação de uso de bebidas alcoólicas e alta velocidade.

Foi observada diferença na distribuição da ocorrência de acordo com mês, dia da semana e horário. 5 . Bastos YGL, Andrade SM, Soares DA. Características dos acidentes de trânsito e das vítimas atendidas em serviço pré-hospitalar em cidade do Sul do Brasil, 1997/2000. Cad Saude Publica . 2005;21(3):815-22. DOI:10.1590/S0102-311X2005000300015 Fatores sociodemográficos como sexo, idade e escolaridade estão relacionados com a gravidade e ocorrência de acidentes. 12 12 . Kmet L, Brasher P, Macarthur C. A small area study of motor vehicle crash fatalities in Alberta, Canada. Accid Anal Prev . 2003;35(2):177-82. DOI:10.1016/S0001-4575(01)00101-4 , 20 20 . Soares DFPP, Barros MBA. Fatores associados ao risco de internação por acidentes de trânsito no Município de Maringá-PR. Rev Bras Epidemiol . 2006;9(2):193-205. DOI:10.1590/S1415-790X2006000200006

Existe risco maior de acidentes graves ou fatais para solteiros, mesmo quando ajustado para sexo, idade e álcool do que para os casados, 21 21 . Whitlock G, Norton R, Clark T, Jackson R, MacMahon S. Motor vehicle driver injury and marital status: a cohort study with prospective and retrospective driver injuries. Inj Prev . 2004;10(1):33. DOI:10.1136/ip.2003.003020 o que pode ser justificado pelo fato de os solteiros se exporem mais aos fatores de risco, o que foi confirmado pelo presente estudo. Os horários e vias em que ocorrem os acidentes fatais sugerem trânsito menos congestionado e deslocamento para atividades de lazer, caracterizando a imprudência. Isso sinaliza para a necessidade de investimentos em prevenção de acidentes e promoção de trânsito seguro por meio de estratégias educativas, estabelecendo a cultura de paz no trânsito.

As ações de promoção e prevenção de acidentes no trânsito devem prioritariamente focar os acidentes com veículos de duas rodas que com frequência envolvem uma única pessoa, não habilitada, do sexo masculino, em horários noturnos, em finais de semana e nas vias onde se desenvolvem maiores velocidades.

É possível unificar várias fontes de dados de setores diferentes para melhor entendimento dos acidentes de trânsito para fomentar políticas públicas intersetoriais que visem à redução das mortes por este agravo. A análise das características de risco no acidente, considerando o ser humano, os veículos, as vias por onde trafegam veículos e pessoas, constitui importante contribuição desse estudo para ampliação do número de fatores desvelados que apresentam relação com o fenômeno.

A utilização de dados secundários pode ser possível limitação do estudo. Porém, acreditamos que as técnicas de relacionamento de bancos de dados utilizadas repercutem como inovação alavancada por este estudo na abordagem dos fatores que concorrem para a gravidade dos acidentes de trânsito. Entretanto, o esforço desenvolvido para integrar as diferentes bases de dados empregadas e os resultados alcançados de forma alguma substituem a necessidade da implantação de um sistema de informação unificado que contemple as variáveis necessárias à análise da situação do trânsito no Brasil.

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Histórico

  • Recebido
    18 Ago 2012
  • Aceito
    21 Fev 2013
  • Publicação
    Ago 2013
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil
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