Padrão epidemiológico das oclusopatias muito graves em adolescentes brasileiros

Patrón epidemiológico de las maloclusiones muy graves en adolescentes brasileños

Karen Glazer Peres Paulo Frazão Angelo Giuseppe Roncalli Sobre os autores

Resumos

OBJETIVO:

Descrever o padrão de distribuição das oclusopatias em adolescentes brasileiros e identificar fatores associados a esse agravo bucal.

MÉTODOS:

Foram analisados dados de 7.328 e 5.445 adolescentes de 12 e 15-19 anos, respectivamente, participantes da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SBBrasil 2010). O desfecho foi oclusopatia muito grave segundo o índice de estética dental. As variáveis de exposição foram sexo, cor da pele, renda familiar mensal, número de bens, aglomeração no domicílio, cárie não tratada, perda dentária, uso, frequência e motivo da consulta odontológica. Foram conduzidas análises de regressão logística considerando a complexidade do desenho amostral, com base em modelo hierarquizado.

RESULTADOS:

Prevalência de oclusopatia muito grave foi observada em 6,5% e 9,1% nos jovens de 12 e 15-19 anos, respectivamente. Após análise ajustada, a chance do desfecho foi 1,59 (IC95% 1,08;2,34) vez maior nos pardos e pretos em relação aos brancos e 2,66 (IC95% 1,26;5,63) vezes maior dentre aqueles com perda de pelo menos um primeiro molar aos 12 anos. Jovens de 15-19 anos cuja renda familiar mensal foi de até R$ 1.500,00 (OR 2,69 [IC95% 1,62;4,47]) e aqueles que consultaram o dentista para tratamento (OR 2,59 [IC95% 2,55;4,34]) apresentaram maior chance de oclusopatia muito grave quando comparados aos de maior renda e que procuraram o dentista para prevenção.

CONCLUSÕES:

A distribuição das oclusopatias em adolescentes brasileiros segue o padrão de iniquidade social de outros agravos à saúde. Essas informações são úteis para a formulação de critérios relacionados tanto com a distribuição e provisão de recursos quanto com as prioridades de tratamento ortodôntico fundamentados no princípio da equidade da atenção à saúde bucal.

Adolescente; Má Oclusão, epidemiologia; Fatores Socioeconômicos; Desigualdades em Saúde; Inquéritos de Saúde Bucal; Saúde Bucal


OBJETIVO:

Describir el patrón de distribución de las maloclusiones en adolescentes brasileños e identificar factores asociados a este agravio bucal.

MÉTODOS:

Se analizaron datos de 7.328 y 5.445 adolescentes de 12 y 15-19 años, respectivamente, participantes de la Investigación Nacional de Salud Bucal (SBBrasil 2010). El resultado fue maloclusión muy grave según el índice de estética dental. Las variables de exposición fueron sexo, color de la piel, renta familiar mensual, número de bienes, aglomeración en domicilio, caries no tratada, pérdida dentaria, uso, frecuencia y motivo de la consulta odontológica. Se realizaron análisis de regresión logística considerando la complejidad del diseño de muestreo, con base en el modelo jerarquizado.

RESULTADOS:

Prevalencia de maloclusión muy grave fue observada en 6,5% y 9,1% en los jóvenes de 12 y 15-19 años, respectivamente. Posterior al análisis ajustado, el chance del resultado fue 1,59 (IC95%1,08;2,34) veces mayor en los pardos y negros con respecto a los blancos y 2,66 (IC95%1,26;5,63) veces mayor entre los que presentaron pérdida de al menos un molar a los 12 años. Jóvenes de 15-19 años cuya renta familiar mensual fue de hasta R$ 1.500,00 (OR2,69[IC95%1,62;4,47]) y los que consultaron el dentista para tratamiento (OR2,59[IC95%2,55;4,34]) presentaron mayor chance de maloclusión muy grave al ser comparados con los de mayor renta y que buscaban al dentista para prevención.

CONCLUSIONES:

La distribución de las maloclusiones en adolescentes brasileños sigue el patrón de inequidad social de otros agravios a la salud. Estas informaciones son útiles para la formulación de criterios relacionados tanto con la distribución y provisión de recursos, como con las prioridades de tratamiento ortodóntico fundamentados en el principio de la equidad de la atención a la salud bucal.

Adolescente; Maloclusión, epidemiología; Factores Socioeconómicos; Desigualdades en la Salud; Encuestas de Salud Bucal; Salud Bucal


INTRODUÇÃO

Importantes mudanças nos padrões epidemiológicos das doenças e agravos à saúde bucal em crianças e adolescentes ocorreram no Brasil nas últimas décadas como, por exemplo, redução na prevalência e agravo da cárie dentária. 12 12 . Narvai PC, Frazão P, Roncalli AG, Antunes JLF. Cárie dentária no Brasil: declínio, polarização, iniqüidade e exclusão social. Rev Panam Salud Publica . 2006;19(6):385-93. DOI:10.1590/S1020-49892006000600004
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Essas mudanças proporcionaram um incremento no desenvolvimento de pesquisas sobre outros problemas bucais como as oclusopatias. 8 . Frazão P, Narvai PC. Socio-environmental factors associated with dental occlusion in adolescents. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;129(6):809-16. DOI:10.1016/j.ajodo.2004.10.016
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, 15 15 . Peres KG, Barros AJD, Anselmi L, Peres MA, Barros FC. Does malocclusion influence the adolescent’s satisfaction with appearance? A cross-sectional study nested in a Brazilian birth cohort. Community Dent Oral Epidemiol . 2008;36(2):137-43. DOI:10.1111/j.1600-0528.2007.00382.x
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As oclusopatias são consideradas problemas de crescimento e desenvolvimento dos ossos maxilares e mandibulares durante a infância e a adolescência 20 20 . Simões WA. Prevenção de oclusopatias. Ortodontia. 1978;11:117-25. e podem acarretar alterações funcionais, estéticas ou psicossociais com consequências negativas para a qualidade de vida das pessoas. 15 15 . Peres KG, Barros AJD, Anselmi L, Peres MA, Barros FC. Does malocclusion influence the adolescent’s satisfaction with appearance? A cross-sectional study nested in a Brazilian birth cohort. Community Dent Oral Epidemiol . 2008;36(2):137-43. DOI:10.1111/j.1600-0528.2007.00382.x
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Os problemas de oclusão ocupam a terceira posição em uma escala de prioridades dos problemas bucais, proposta pela Organização Mundial da Saúde, identificada em investigações epidemiológicas internacionais. 16 16 . Peres KG, Tomita NE. Oclusopatias. In: Antunes JLF, Peres MA. In: Epidemiologia da saúde bucal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2008. p.83-101. No Brasil, inquéritos populacionais em saúde bucal têm incluído a investigação das oclusopatias desde a Pesquisa Nacional SBBrasil 2002-2003, em que 8,2% dos adolescentes aos 12 anos de idade apresentaram problemas oclusais considerados graves e 9,8% muito graves; entre indivíduos de 15 a 19 anos de idade as oclusopatias graves e muito graves atingiram 8,0% e 11,1%, respectivamente. 16 16 . Peres KG, Tomita NE. Oclusopatias. In: Antunes JLF, Peres MA. In: Epidemiologia da saúde bucal. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2008. p.83-101.

Os problemas de oclusão são resultados da interação entre fatores genéticos e ambientais. 6 . Corruccini RS, Potter RHY. Genetic analysis of occlusal variation in twins. Am J Orthod. 1980;78(2):140-54. Pesquisas sobre a etiologia e os fatores associados aos problemas oclusais apresentam resultados bastante divergentes. Enquanto algumas pesquisas destacam associação entre a presença de oclusopatias e condições socioeconômicas desfavoráveis, 8 . Frazão P, Narvai PC. Socio-environmental factors associated with dental occlusion in adolescents. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;129(6):809-16. DOI:10.1016/j.ajodo.2004.10.016
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outras não identificam tal associação. 3 . Bernabé E, Flores-Mir C. Orthodontic treatment need in Peruvian young adults evaluated through dental aesthetic index. Angle Orthod. 2006;6(3):417-21. DOI: 10.1043/0003-3219(2006)076[0417:OTNIPY]2.0.CO;2
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O mesmo é observado em relação à associação com os aspectos demográficos e com a presença de outros agravos bucais, como cárie 8 . Frazão P, Narvai PC. Socio-environmental factors associated with dental occlusion in adolescents. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;129(6):809-16. DOI:10.1016/j.ajodo.2004.10.016
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, 14 14 . Peres KG, Latorre MRDO, Sheiham A, Peres MA, Victora CG, Barros FC. Social and biological early life influences on the prevalence of open bite in Brazilian 6-year-olds. Int J Paediatr Dent. 2007;17(1):41-9. DOI:10.1111/j.1365-263X.2006.00793.x
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e perda dentária. 17 17 . Robke FJ. Effects of nursing bottle misuse on oral health. Prevalence of caries, tooth malalignments and malocclusions in North-German preschool children. J Orofac Orthop . 2008;69(1):5-19. DOI:10.1007/s00056-008-0724-7
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Parte dessa divergência pode ser decorrente das características oclusais capturadas pelos diferentes instrumentos de medida. Enquanto em algumas pesquisas que investigaram os fatores associados com a oclusão dentária o desfecho foi definido como um desvio oclusal específico (mordida aberta anterior, sobressaliência do maxilar superior), em outras o desfecho foi definido como um estado global expresso por um escore indicando uma condição leve, moderada ou grave. Para desvios oclusais específicos, é possível identificar fatores proximais e distais associados. Para condições oclusais do tipo moderada ou grave, é possível somente avaliar o papel de fatores distais porque os resultados da mensuração combinam desvios específicos de diferente origem etiológica. 8 . Frazão P, Narvai PC. Socio-environmental factors associated with dental occlusion in adolescents. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;129(6):809-16. DOI:10.1016/j.ajodo.2004.10.016
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A possibilidade de identificar desigualdades na distribuição desse agravo bucal de acordo com diferentes aspectos sociais e demográficos pode contribuir para subsidiar a provisão do tratamento ortodôntico à população, por meio dos centros de especialidades odontológicas, uma política de saúde bucal do sistema de saúde brasileiro. a a Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, Coordenação Geral de Saúde Bucal. Brasil Sorridente. Brasília (DF); 2003 [citado 2010 jun 24]. Disponível em: http://dtr2004.saude.gov.br/dab/cnsb/brasil_sorridente.php Conhecer o padrão de distribuição das oclusopatias, do ponto de vista de saúde pública, visa atender dois objetivos principais: avaliar a necessidade e a prioridade de tratamento dos indivíduos, bem como obter informações para alocar adequadamente os recursos necessários para a provisão do tratamento ortodôntico para a população. O objetivo deste trabalho foi descrever o perfil de distribuição das oclusopatias muito graves em adolescentes e identificar fatores associados.

MÉTODOS

Foram utilizados dados primários da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SBBrasil 2010), realizada pelo Ministério da Saúde. No presente estudo foram incluídas as amostras de 12 anos e de 15 a 19 anos de idade.

Para o plano amostral foram considerados como domínios cada uma das capitais de unidade da federação (estados e Distrito Federal) e uma amostra de 30 municípios do interior de cada macrorregião (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul), totalizando 32 domínios. A seleção da amostra foi probabilística por conglomerado, estruturada em dois estágios para as capitais dos 26 estados e o Distrito Federal e em três estágios para os municípios do interior das cinco macrorregiões. As unidades primárias de amostragem foram: (a) município, para o interior das regiões, e (b) setor censitário, para as capitais.

Foram entrevistados e examinados em seus domicílios indivíduos nas idades de cinco anos e de 12 anos e os pertencentes aos grupos etários de 15 a 19 anos, 35 a 44 anos e 65 a 74 anos. Para o presente estudo o tamanho da amostra foi igual a 7.328 (12 anos) e 5.445 (15 a 19 anos). Informações detalhadas sobre o procedimento amostral podem ser obtidas em outra publicação. 18 18 . Roncalli AG, Moyses SJ, Marques R, Pinto RS, Goes PSA, Figueiredo N, et al. Aspectos metodológicos do projeto SB Brasil 2010 de interesse para inquéritos nacionais de saúde. Cad Saude Publica. 2012;28(Suppl):s40-57. DOI:10.1590/S0102-311X2012001300006
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Foram realizados exames odontológicos e entrevistas na forma de questionário estruturado. As oclusopatias foram diagnosticadas segundo o Índice de Estética Dental ( Dental Aesthetic Index – DAI). 5 . Cons NC, Jenny J, Kohout FJ. DAI: the dental aesthetic index. Iowa City: College of Dentistry, University of Iowa; 1986. O DAI é composto por dez medidas: (a) número de incisivos, caninos e pré-molares perdidos; (b) apinhamento e (c) espaçamento na região de incisivos; (d) diastema; (e) desalinhamento anterior maxilar e (e) mandibular; (f) overjet anterior maxilar e (g) mandibular; (h) mordida aberta anterior e (i) relação molar. Cada medida recebe uma ponderação específica, gerando um escore final, o qual é categorizado em quatro situações: (a) sem oclusopatia, escore até 25; (b) oclusopatia definida, escore entre 26 e 30; (c) oclusopatia grave, escore entre 31 e 35; e (d) oclusopatia muito grave, escore maior ou igual a 36. Na presente pesquisa adotou-se como desfecho a presença de necessidade de tratamento imediato (sim/não), ou seja, a prevalência de oclusopatia muito grave.

Como variáveis independentes foram consideradas aquelas constantes no questionário socioeconômico e relativas ao indivíduo entrevistado ou à família e que dizem respeito à condição socioeconômica e utilização de serviços odontológicos. A Figura 1 descreve as variáveis independentes do estudo e as respectivas adaptações. As equipes de campo foram compostas por um examinador (cirurgião-dentista) e um anotador, devidamente treinadas em oficinas regionais com duração de 40 horas, incluindo etapas teóricas e práticas. Os procedimentos de calibração foram realizados considerando a técnica do consenso 9 . Frias AC, Antunes JLF, Narvai PC. Precisão e validade de levantamentos epidemiológicos em saúde bucal: cárie dentária na cidade de São Paulo, 2002. Rev Bras Epidemiol. 2004;7(2):144-54. DOI:10.1590/S1415-790X2004000200004
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pela qual se avalia a concordância entre cada examinador e os resultados obtidos pelo consenso da equipe. Considerou-se para análise de concordância o coeficiente kappa ponderado para cada examinador, grupo etário e agravo estudado, tendo como limite mínimo aceitável o valor de 0,65. 18 18 . Roncalli AG, Moyses SJ, Marques R, Pinto RS, Goes PSA, Figueiredo N, et al. Aspectos metodológicos do projeto SB Brasil 2010 de interesse para inquéritos nacionais de saúde. Cad Saude Publica. 2012;28(Suppl):s40-57. DOI:10.1590/S0102-311X2012001300006
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Figura 1
. Descrição das variáveis independentes utilizadas no estudo.

A análise dos dados levou em conta o plano complexo de amostragem. Foram consideradas como unidades primárias de amostragem o município (quando o domínio era o interior das regiões) e o setor censitário (quando o domínio era a capital). 18 18 . Roncalli AG, Moyses SJ, Marques R, Pinto RS, Goes PSA, Figueiredo N, et al. Aspectos metodológicos do projeto SB Brasil 2010 de interesse para inquéritos nacionais de saúde. Cad Saude Publica. 2012;28(Suppl):s40-57. DOI:10.1590/S0102-311X2012001300006
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Na análise de regressão, foram consideradas as estimativas de razão de chances (OR) e os respectivos IC95% brutos e ajustados, relativos a cada variável independente. Essa análise foi conduzida com base em um modelo teórico com abordagem hierarquizada. 24 24 . Victora CG, Huttly SR, Fuchs SC, Olinto MT. The role of conceptual frameworks in epidemiological analysis: a hierarchical approach. Int J Epidemiol . 1997;26(1):224-7. DOI:10.1093/ije/26.1.224
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As variáveis independentes foram introduzidas na modelagem a partir das mais distais até as mais proximais segundo o modelo de análise adotado ( Figura 1 ). O primeiro nível do modelo incluiu as variáveis demográficas, sexo e cor da pele do adolescente (usado como proxy da cor da pele do pai e/ou da mãe). O segundo nível incluiu as variáveis socioeconômicas (renda familiar mensal, número de bens e aglomeração) e o terceiro nível os agravos bucais e utilização de serviço odontológico ( Figura 2 ). Esse tipo de análise proporciona o ajuste entre as variáveis de um mesmo nível e também por aquelas localizadas em níveis anteriores ( Figura 2 ). Como critério para a entrada da variável na análise múltipla, foram consideradas todas as que apresentaram valor de “p” menor ou igual a 0,20 na análise bivariada. Foram mantidas no modelo final apenas as variáveis com valor de p ≤ 0,20 e consideradas estatisticamente significativas aquelas variáveis com valor de p < 0,05, após o ajuste pelas variáveis do mesmo nível e dos níveis acima. A variável sexo foi mantida no modelo final independentemente de sua significância estatística.

Figura 2
. Modelo teórico para o estudo de associação entre as variáveis independentes e a oclusopatia muito grave.

O Projeto SBBrasil 2010 foi conduzido dentro dos padrões exigidos pela Declaração de Helsinque e aprovado pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa, sob o registro n° 15.498, em 7 de janeiro de 2010.

RESULTADOS

Participaram da amostra 7.328 adolescentes de 12 anos de idade e 5.445 pertencentes ao grupo etário de 15 a 19 anos. As prevalências de oclusopatia muito grave observadas no Brasil foram de 6,5% (IC95% 5,0;8,5) aos 12 anos e de 9,1% (IC95% 7,5;10,9) aos 15-19 anos de idade. Segundo os 32 domínios investigados, as prevalências de oclusopatia muito grave aos 12 anos de idade variaram de 2,2% na cidade de Cuiabá (IC95% 0,6;7,6) a 15,3% (IC95% 8,8;25,3) em Porto Velho, com uma estimativa para o País de 6,5% (IC95% 5,0;8,5). No grupo etário de 15 a 19 anos, a taxa para o Brasil foi 9,1% (IC95% 7,5;10,9), sendo o menor valor 2,0 (IC95% 0,6;6,8) em São Luiz e o maior 16,8% (IC95% 9,4;28,1) em João Pessoa ( Figura 3 ).

Figura 3
. Prevalência de oclusopatia muito grave em indivíduos de 12 e de 15 a 19 anos de idade, segundo domínios (capitais e interior das regiões). SBBrasil, 2010.

As características da população do estudo aos 12 anos e de 15 a 19 anos de idade foram semelhantes. Em ambos os grupos, observou-se maior proporção de mulheres, participantes cuja cor da pele correspondia a pardos e pretos em relação a brancos, renda familiar mensal até R$ 1.500,00 e consulta odontológica há menos de um ano por motivo de tratamento. Em relação às condições de saúde bucal, a situação mais favorável foi observada aos 12 anos de idade com apenas 5,0% apresentando pelo menos um dente primeiro molar permanente perdido, contra 15,8% aos 15 a 19 anos de idade. Por outro lado, apresentar um ou mais dentes cariados não tratados foi observado em 41,8% e 50,4% aos 12 e 15 a 19 anos de idade, respectivamente ( Tabela 1 ).

Tabela 1
. Distribuição da amostra e prevalências com respectivos intervalos de confiança de oclusopatia muito grave, segundo grupo etário e variáveis independentes. SBBrasil, 2010.

No grupo de 12 anos de idade verificou-se prevalência de oclusopatia muito grave significativamente mais elevada dentre os pardos e pretos e dentre aqueles com pelo menos um primeiro molar perdido por cárie. Para 15 a 19 anos de idade, apresentar renda menor ou igual a R$ 1.500,00, ter pelo menos um primeiro molar perdido por cárie, apresentar um ou mais dentes cariados sem tratamento e ter visitado o dentista por motivos diferentes de prevenção ou revisão foram fatores associados a maior prevalência de oclusopatia muito grave.

Na análise bruta para os adolescentes de 12 anos de idade, indivíduos de cor da pele parda e preta (p = 0,019) e a perda de pelo menos um primeiro molar permanente (p = 0,030) foram associados a maiores chances de oclusopatia muito grave. Após análise ajustada, ambas as variáveis permaneceram no modelo final, observando-se um pequeno aumento (cerca de 10%) na magnitude da associação da variável perda de pelo menos um primeiro molar com o desfecho ( Tabela 2 ).

Tabela 2
. Análise bruta e ajustada considerando o desfecho “prevalência de oclusopatia muito grave” para as variáveis independentes, segundo grupo etário. SBBrasil, 2010.

Entre os jovens de 15 a 19 anos de idade, renda familiar mensal de até R$ 1.500,00 (p < 0,001), perda de pelo menos um primeiro molar permanente (p = 0,027), presença de um ou mais dentes cariados não tratados (p = 0,006) e motivo de tratamento para a última consulta odontológica (p = 0,001) apresentaram-se associados a maiores chances de oclusopatia muito grave ( Tabela 2 ). Após ajuste segundo modelo hierárquico, verificou-se que renda ≤ R$ 1.500,00, apesar da diminuição na magnitude de associação, manteve-se associada ao desfecho. Ter um ou mais dentes cariados não tratados perdeu a significância estatística após ajuste pelas variáveis cor da pele e renda, enquanto ter consultado dentista por tratamento manteve-se significativamente associado ao desfecho após ajuste pelas variáveis cor da pele, renda e presença de dentes cariados não tratados ( Tabela 2 ).

DISCUSSÃO

O padrão de distribuição de oclusopatia muito grave em adolescentes brasileiros não apresentou variação significativa entre a estimativa para o País e os valores para as capitais e o interior das diferentes regiões. Adicionalmente, menor renda familiar mensal, cor da pele preta e parda, perda de primeiro molar permanente e ter realizado consulta por motivo de tratamento foram associadas ao desfecho após ajuste por potenciais variáveis de confusão. Apesar da abrangência e meticulosa metodologia do SBBrasil 2010, o caráter transversal de seu delineamento dificulta a inferência de causalidade às associações encontradas.

As prevalências de oclusopatia muito grave observadas foram semelhantes aos resultados de estudos internacionais realizados no Irã (10,9%) 4 . Borzabadi-Farahani A, Eslamipour F, Asgari I. Association between orthodontic treatment need and caries experience. Acta Odontol Scand. 2011;69(1):2-11. DOI:10.3109/00016357.2010.516732
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e na Tanzânia (6,9%), 19 19 . Rwakatema DS, Ng’ang’a PM, Kemoli AM. Orthodontic treatment needs among 12-15 year-olds in Moshi, Tanzania. East Afr Med J. 2007;84(5):226-32. além de outros estudos nacionais, como no estado de São Paulo (8,2% aos 12 anos e 6,5% aos 18 anos), 8 . Frazão P, Narvai PC. Socio-environmental factors associated with dental occlusion in adolescents. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;129(6):809-16. DOI:10.1016/j.ajodo.2004.10.016
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em Recife (5,8% entre 13 a 15 anos) 10 10 . Marques CR, Couto GB, Orestes Cardoso S. Assessment of orthodontic treatment needs in Brazilian schoolchildren according to the Dental Aesthetic Index (DAI). Community Dent Health . 2007;24(3):145-8. e em Belo Horizonte (13,2% entre 10 a 14 anos). 11 11 . Marques LS, Barbosa CC, Ramos-Jorge ML, Pordeus IA, Paiva SM. Prevalência da maloclusão e necessidade de tratamento ortodôntico em escolares de 10 a 14 anos de idade em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil: enfoque psicossocial. Cad Saude Publica . 2005;21(4):1099-106. DOI:10.1590/S0102-311X2005000400012
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Por outro lado, pesquisa na Índia (1,8%) 21 21 . Singh A, Purohit B, Sequeira P, Acharya S, Bhat M. Malocclusion and orthodontic treatment need measured by the dental aesthetic index and its association with dental caries in Indian schoolchildren. Community Dent Health . 2011;28(4):313-6. identificou prevalência menor e a na Nigéria maior (17,0% entre 12 a 16 anos). 1 . Anosike AN, Sanu OO, Costa OO. Malocclusion and its impact on quality of life of school children in Nigeria. West Afr J Med . 2010;29(6):417-24. A diferença entre as faixas etárias estudadas, assim como a possibilidade de o acesso a tratamento ortodôntico poder variar entre os países limitam comparações diretas com esta pesquisa. 7 . Foster Page LA, Thomson WM, Quick AN. Changes in malocclusion over time in New Zealand adolescents. Aust Orthod J. 2011;27(2):169-75.

Adolescentes de 12 anos cuja cor da pele foi autorreferida como preta ou parda tiveram chance maior de apresentar oclusopatia grave do que os brancos. Pesquisas na população brasileira mostram que pretos e pardos apresentam renda inferior aos brancos, mesmo considerando outras características como a escolaridade, o sexo e a idade. 2 . Bastos JL, Peres MA, Peres KG, Dumith SC, Gigante DP. Socioeconomic differences between self-and interviewer-classification of color/race. Rev Saude Publica. 2008;42(2):324-34. DOI:10.1590/S0034-89102008005000005
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, 22 22 . Telles EE, Lim N. Does it matter who answers the race question? Racial classification and income inequality in Brazil. Demography. 1998;35(4):465-74. Na nossa pesquisa, a diferença observada pode ser um importante indicativo de iniquidade socioeconômica decorrente da redução de oportunidades de vida que os pretos e pardos e suas famílias experimentaram e ainda experimentam no País.

A influência das condições socioeconômicas sobre as oclusopatias é objeto de investigação ainda escasso, cujos resultados não apresentaram, até hoje, respostas conclusivas. Na nossa pesquisa observamos que adolescentes de 15 a 19 anos com renda familiar mensal mais baixa apresentaram chance quase três vezes maior de oclusopatia muito grave quando comparados àqueles com maior renda. As condições socioeconômicas parecem desempenhar um importante papel na saúde bucal das pessoas, por meio de uma complexa inter-relação com outros determinantes, como nível de escolaridade, domínio de conhecimentos, adoção de certos comportamentos, acesso a bens e serviços básicos, como alimentos, produtos de higiene e serviços de saúde. Alguns estudos também encontraram associação entre características socioeconômicas e oclusopatias. 8 . Frazão P, Narvai PC. Socio-environmental factors associated with dental occlusion in adolescents. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;129(6):809-16. DOI:10.1016/j.ajodo.2004.10.016
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, 23 23 . Tickle M, Kay EJ, Bearn D. Socio-economic status and orthodontic treatment need. Community Dent Oral Epidemiol . 1999;27(6):413-8. Em outros, essa associação não foi notada. 3 . Bernabé E, Flores-Mir C. Orthodontic treatment need in Peruvian young adults evaluated through dental aesthetic index. Angle Orthod. 2006;6(3):417-21. DOI: 10.1043/0003-3219(2006)076[0417:OTNIPY]2.0.CO;2
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, 11 11 . Marques LS, Barbosa CC, Ramos-Jorge ML, Pordeus IA, Paiva SM. Prevalência da maloclusão e necessidade de tratamento ortodôntico em escolares de 10 a 14 anos de idade em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil: enfoque psicossocial. Cad Saude Publica . 2005;21(4):1099-106. DOI:10.1590/S0102-311X2005000400012
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Adolescentes de 12 anos com perda do primeiro molar devido a cárie dentária tiveram chance quase três vezes maior de apresentar oclusopatia muito grave. Alguns estudos também identificaram associação entre oclusopatia e cárie na dentição permanente. 4 . Borzabadi-Farahani A, Eslamipour F, Asgari I. Association between orthodontic treatment need and caries experience. Acta Odontol Scand. 2011;69(1):2-11. DOI:10.3109/00016357.2010.516732
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, 8 . Frazão P, Narvai PC. Socio-environmental factors associated with dental occlusion in adolescents. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;129(6):809-16. DOI:10.1016/j.ajodo.2004.10.016
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, 21 21 . Singh A, Purohit B, Sequeira P, Acharya S, Bhat M. Malocclusion and orthodontic treatment need measured by the dental aesthetic index and its association with dental caries in Indian schoolchildren. Community Dent Health . 2011;28(4):313-6. Considerando o declínio da cárie na população infantil brasileira, 8 . Frazão P, Narvai PC. Socio-environmental factors associated with dental occlusion in adolescents. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2006;129(6):809-16. DOI:10.1016/j.ajodo.2004.10.016
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a presença de ao menos um primeiro molar perdido expressa no presente estudo uma condição bucal que pode representar um importante marcador de exclusão social, caracterizando uma parcela de adolescentes vivendo em famílias com oportunidades de vida bastante diminuídas em relação às demais.

Jovens que relataram ter consultado um dentista por motivo de tratamento apresentaram chance 2,5 vezes maior de oclusopatia muito grave. Essa relação permaneceu significativa após ajuste pelas variáveis cor da pele e renda. Embora, do ponto de vista normativo, a necessidade de tratamento ortodôntico possa ser expressiva nessa idade, a oferta de assistência ortodôntica no País ainda é escassa e acessível apenas aos segmentos de renda mais alta na estratificação social. Consequentemente, é grande a possibilidade de o tratamento corresponder ao cuidado odontológico geral decorrente de necessidades associadas a uma complexa inter-relação de determinantes socioeconômicos, comportamentais e de acesso a bens e serviços básicos.

Comparando as taxas de prevalência com os valores observados em 2003, observa-se que a magnitude do problema continua praticamente igual, atingindo até um em cada dez adolescentes. Esse grupo é composto por jovens portadores de oclusopatia muito grave que pode gerar problemas psicossociais relacionados às deficiências na aparência e estética orofacial; problemas funcionais incluindo dores musculares, desordens da articulação têmporo-mandibular, dificuldades com mastigação, deglutição, digestão e fonética; e maior suscetibilidade a traumas, doença periodontal e cárie dentária, que com o tempo poderão levar ao colapso da capacidade bucal. 13 13 . Narvai PC, Frazão P. Saúde bucal coletiva. In: Luiz RR, Costa AJL, Nadanovsky P. Epidemiologia e bioestatística em Odontologia. São Paulo: Atheneu; 2008. p21-48. , 15 15 . Peres KG, Barros AJD, Anselmi L, Peres MA, Barros FC. Does malocclusion influence the adolescent’s satisfaction with appearance? A cross-sectional study nested in a Brazilian birth cohort. Community Dent Oral Epidemiol . 2008;36(2):137-43. DOI:10.1111/j.1600-0528.2007.00382.x
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Considerando a população estimada de adolescentes de 12 a 19 anos de idade, isso significava em 2010 aproximadamente 2,7 milhões de brasileiros, com maior prevalência entre os de menor renda familiar mensal, cor da pele preta e parda, e que tiveram pelo menos um primeiro molar permanente perdido. Uma importante implicação disso é que, sem uma política de saúde que dote os serviços públicos de especialistas e condições de trabalho adequadas, esses jovens enfrentarão dificuldades de inserção social com consequências importantes para a qualidade e as oportunidades de vida.

A oferta de serviços especializados no sistema público de saúde brasileiro foi estruturada em 2004 com a criação dos centros de especialidades odontológicas b b Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, Coordenação Geral de Saúde Bucal. Nota Técnica: Portaria 718/SAS. Brasília (DF); 2010 [citado 2010 mai 12]. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/geral/nota_portaria718_sas4.pdf no âmbito da Política Nacional de Saúde Bucal. Somente a partir do final de 2010, com a publicação da Portaria 718/SAS (Brasil, 2010 – Portaria SAS 2010), o tratamento ortodôntico foi incluído como um procedimento do Sistema Único de Saúde (SUS). b b Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, Coordenação Geral de Saúde Bucal. Nota Técnica: Portaria 718/SAS. Brasília (DF); 2010 [citado 2010 mai 12]. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/geral/nota_portaria718_sas4.pdf Desde sua implantação até fevereiro de 2012, o Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS registrava a instalação de 8.810 aparelhos ortodônticos fixos, sendo 3.978 no grupo etário de 10 a 14 anos e 2.051 no de 15 a 19 anos. Trata-se, portanto, de um déficit que exigirá um grande esforço institucional para ser corrigido, mesmo em médio e longo prazos, ainda mais quando se considera a distribuição desses procedimentos em termos regionais. A região Norte, que detém 8% da população brasileira, responde por pouco mais de 2% dos procedimentos (190), e a região Nordeste, com 27,8% da população, foi responsável por 1.527 procedimentos (17%). Por outro lado, 53% de todos os procedimentos ortodônticos foram realizados na região Sudeste, onde vivem 42% dos brasileiros.

Do ponto de vista da implementação das políticas públicas de saúde, as informações epidemiológicas apresentadas neste estudo são úteis para a formulação de critérios relacionados tanto com a distribuição e provisão de recursos quanto com as prioridades de tratamento ortodôntico fundamentados no princípio da equidade da atenção à saúde bucal.

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  • Frazão P é bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
  • A Pesquisa Nacional de Saúde Bucal – SBBrasil 2010 foi financiada pela Coordenação de Saúde Bucal do Ministério da Saúde (COSAB/MS), por meio do Centro Colaborador do Ministério da Saúde em Vigilância da Saúde Bucal, Faculdade de Saúde Pública da USP (CECOL/USP), processo nº 750398/2010.
  • Artigo submetido ao processo de julgamento por pares adotado para qualquer outro manuscrito submetido a este periódico, com anonimato garantido entre autores e revisores.
  • Editores e revisores declaram não haver conflito de interesses que pudesse afetar o processo de julgamento do artigo.
    Os autores declaram não haver conflito de interesses.
  • Artigo disponível em português e inglês em: www.scielo.br/rsp

Histórico

  • Recebido
    17 Maio 2012
  • Aceito
    04 Mar 2013
  • Publicação
    Dez 2013
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revsp@org.usp.br