Fatores associados às dificuldades de adultos na mastigação

Factores asociados a las dificultades de adultos en la masticación

Daniela de Rossi Figueiredo Marco Aurélio Peres Carla Antoni Luchi Karen Glazer Peres Sobre os autores

Resumos

OBJETIVO

: Estimar a prevalência de dificuldade de adultos na mastigação, segundo sexo, e analisar os fatores associados.

MÉTODOS

: Estudo transversal de base populacional com adultos de 20 a 59 anos de idade (n = 2.016), de Florianópolis, SC, em 2009, por meio de amostragem em dois estágios, setores censitários e domicílios. A dificuldade na mastigação foi investigada por meio de pergunta sobre dificuldade de mastigação devida a problemas com os dentes ou dentadura. Analisaram-se os fatores  demográficos, socioeconômicos, utilização dos serviços de saúde para consulta odontológica e condição bucal autorreferida. Foi realizada regressão logística multivariável, estratificada por sexo.

RESULTADOS

: A taxa de resposta foi de 85,3% (n = 1.720). A prevalência de dificuldade na mastigação foi de 13,0% (IC95% 10,3;15,8) e 18,0% (IC95% 14,6;21,3) em homens e em mulheres, respectivamente. Mulheres e homens com 50 anos ou mais, aqueles com dez dentes naturais ou menos e os que manifestaram dor dentária tiveram mais chance de apresentar dificuldade na mastigação. O efeito conjunto da perda e da dor na dificuldade na mastigação foi cerca de quatro vezes maior entre as mulheres.

CONCLUSÕES

: A magnitude das associações entre variáveis socioeconômicas, demográficas e de condição bucal autorreferidas foi diferente para homens e mulheres, em geral maiores para as mulheres, destacando-se a dor dentária. Os resultados sugerem que o impacto das condições bucais varia segundo o sexo.

Adulto. Mastigação; Fatores Socioeconômicos; Gênero e Saúde; Saúde Bucal; Inquéritos de Saúde Bucal


OBJETIVO

: Estimar la prevalencia de dificultad de adultos en la masticación, de acuerdo con el sexo, y analizar los factores asociados.

MÉTODOS

: Estudio transversal de base poblacional con adultos de 20 a 59 años de edad (n= 2.016), de Florianópolis SC, Brasil, en 2009, por medio de muestreo en dos fases, sectores censitarios y domicilios. La dificultad en la masticación fue investigada preguntando directamente sobre tal inconveniente debido a problemas en los dientes o dentadura. Se analizaron los factores demográficos, socioeconómicos, utilización de los servicios de salud para consulta odontológica y condición bucal auto-referida. Se realizó regresión logística multivariable, estratificada por sexo.

RESULTADOS

: La tasa de respuesta fue de 85,3% (n= 1.720). La prevalencia de dificultad en la masticación fue de 13% (IC95% 10,3;15,8) y 18% (IC95% 14,6;21,3) en hombres y en mujeres, respectivamente. Mujeres y hombres con 50 años o más, y los que presentaban diez dientes naturales, o menos. Los que manifestaron dolor denario tuvieron mayor chance de presentar dificultad en la masticación. El efecto conjunto de la pérdida y del dolor en la dificultad para masticar fue cerda de cuatro veces mayor entre las mujeres.

CONCLUSIONES

: La magnitud de las asociaciones entre variables socioeconómicas, demográficas y de condición bucal auto-referidas fue diferente para hombres y mujeres, en general mayores en las mujeres, destacándose el dolor dentario. Los resultados sugieren que el impacto de las condiciones bucales varia de acuerdo al sexo.

Adulto; Masticación; Factores Socioeconómicos; Género y Salud; Salud Bucal; Encuestas de Salud Bucal


INTRODUÇÃO

A mastigação é uma das principais funções bucais e a redução de sua capacidade, entendida pela avaliação do indivíduo sobre sua dificuldade na mastigação, 5. Boretti G, Bickel M, Geering AH. A review of masticatory ability and efficiency. J Prosthet Dent . 1995;74(4):400-3. é uma das consequências mais imediatas das desordens e agravos da boca, como a perda dentária. 1616 . Meng X, Gilbert GH. Predictors of change in satisfaction with chewing ability: a 24-month study of dentate adults. J Oral Rehabil . 2007;34(10):745-58. DOI:10.1111/j.1365-2842.2006.01701.x
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A quantidade de dentes influencia a ingestão de fibras alimentares, numa relação positiva com a mastigação: quanto mais dentes, melhor a mastigação e maior a ingestão de alimentos ricos em fibras, vitaminas, ácido fólico, cálcio e proteínas. 1111 . Hsu KJ, Yen YY, Lan SJ, Wu YM, Chen CM, Lee HE. Relationship between remaining teeth and self-rated chewing ability among population aged 45 years or older in Kaohsiung City, Taiwan. Kaohsiung J Med Sci . 2011;27(10):457-65. DOI:10.1016/j.kjms.2011.06.006
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, 1414 . Krall E, Hayes C, Garcia R. How dentition status and masticatory function affect nutrient intake. J Am Dent Assoc . 1998;129(9):1261-9. , 2121 . Sheiham A, Steele JG, Marcenes W, Tsakos G, Finch S, Walls AW. Prevalence of impacts of dental and oral disorders and their effects on eating among older people; a national survey in Great Britain. Community Dent Oral Epidemiol . 2001;29(3):195-203. DOI:10.1034/j.1600-0528.2001.290305.x
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A dificuldade na mastigação de alimentos ricos em fibras pode estar associada ao aumento no risco de doenças sistêmicas, como a doença cardiovascular, e de doenças bucais, como o câncer de orofaringe. 1414 . Krall E, Hayes C, Garcia R. How dentition status and masticatory function affect nutrient intake. J Am Dent Assoc . 1998;129(9):1261-9. , 2323 . Touger-Decker R, Mobley CC. Position of the American Dietetic Association: oral health and nutrition. J Am Diet Assoc . 2007;107(8):1418-28. A dificuldade na mastigação foi destacada por 27,0% dos indivíduos entre os problemas relatados por adultos no Sul do Brasil. 1. Araújo CS, Lima RC, Peres MA, Barros AJ. Utilização de serviços odontológicos e fatores associados: um estudo de base populacional no Sul do Brasil. Cad Saude Publica . 2009;25(5):1063-72. DOI:10.1590/S0102-311X2009000500013
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Estudo populacional brasileiro mostrou prevalência de dificuldade na mastigação em 31,0% dos adultos em 2010. a a Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, Coordenação Nacional de Saúde Bucal. Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, SB Brasil 2010: resultados principais. Brasília (DF); 2011.

A percepção de mastigação regular e ruim em adultos é associada ao ambiente externo (por exemplo, o local de residência) e às características dos indivíduos (sexo, idade, cor da pele autorreferida, renda e escolaridade). 6. Braga APG, Barreto SM, Martins AME. Autopercepção da mastigação e fatores associados em adultos brasileiros. Cad Saude Publica . 2012;28(5):889-904. DOI:10.1590/S0102-311X2012000500008
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, 7. Gilbert GH, Foerster U, Duncan RP. Satisfaction with chewing ability in a diverse sample of dentate adults. J Oral Rehabil . 1998;25(1):15-27. DOI:10.1046/j.1365-2842.1998.00207.x
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Adultos de baixa renda, que referiram cor da pele preta, com baixo nível de escolaridade, com perda dentária e ausência de prótese revelaram estar mais insatisfeitos com sua capacidade de mastigação quando comparados aos seus pares. 6. Braga APG, Barreto SM, Martins AME. Autopercepção da mastigação e fatores associados em adultos brasileiros. Cad Saude Publica . 2012;28(5):889-904. DOI:10.1590/S0102-311X2012000500008
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Comportamentos relacionados à saúde, como pouco uso dos serviços e pior autopercepção de saúde bucal, influenciam negativamente nos relatos de dificuldade na mastigação. 7. Gilbert GH, Foerster U, Duncan RP. Satisfaction with chewing ability in a diverse sample of dentate adults. J Oral Rehabil . 1998;25(1):15-27. DOI:10.1046/j.1365-2842.1998.00207.x
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Homens e mulheres possuem diferentes atitudes quanto ao comportamento em saúde. 1313 . Inglehart MR, Silverton SF, Sinkford JC. Oral health-related quality of life: does gender matter? In: Inglehart MR, Bagramian RA, editors. Oral health-related quality of life. Chicago: Quintessence; 2002. p.111-21. Há diferenças nas prevalências de avaliação da capacidade mastigatória entre os sexos, pois as mulheres relataram mais dificuldade na mastigação. 7. Gilbert GH, Foerster U, Duncan RP. Satisfaction with chewing ability in a diverse sample of dentate adults. J Oral Rehabil . 1998;25(1):15-27. DOI:10.1046/j.1365-2842.1998.00207.x
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, 1616 . Meng X, Gilbert GH. Predictors of change in satisfaction with chewing ability: a 24-month study of dentate adults. J Oral Rehabil . 2007;34(10):745-58. DOI:10.1111/j.1365-2842.2006.01701.x
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, 2020 . Peek CW, Gilbert GH, Duncan RP. Predictors of chewing difficulty onset among dentate adults: 24-month incidence. J Public Health Dent . 2002;62(4):214-21. Apesar da existência de estudos sobre dificuldade na mastigação, 1. Araújo CS, Lima RC, Peres MA, Barros AJ. Utilização de serviços odontológicos e fatores associados: um estudo de base populacional no Sul do Brasil. Cad Saude Publica . 2009;25(5):1063-72. DOI:10.1590/S0102-311X2009000500013
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, 6. Braga APG, Barreto SM, Martins AME. Autopercepção da mastigação e fatores associados em adultos brasileiros. Cad Saude Publica . 2012;28(5):889-904. DOI:10.1590/S0102-311X2012000500008
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, 7. Gilbert GH, Foerster U, Duncan RP. Satisfaction with chewing ability in a diverse sample of dentate adults. J Oral Rehabil . 1998;25(1):15-27. DOI:10.1046/j.1365-2842.1998.00207.x
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, 1616 . Meng X, Gilbert GH. Predictors of change in satisfaction with chewing ability: a 24-month study of dentate adults. J Oral Rehabil . 2007;34(10):745-58. DOI:10.1111/j.1365-2842.2006.01701.x
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, 2020 . Peek CW, Gilbert GH, Duncan RP. Predictors of chewing difficulty onset among dentate adults: 24-month incidence. J Public Health Dent . 2002;62(4):214-21. , 2121 . Sheiham A, Steele JG, Marcenes W, Tsakos G, Finch S, Walls AW. Prevalence of impacts of dental and oral disorders and their effects on eating among older people; a national survey in Great Britain. Community Dent Oral Epidemiol . 2001;29(3):195-203. DOI:10.1034/j.1600-0528.2001.290305.x
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não se observou estudo que investigasse os fatores associados segundo sexo. O padrão dos agravos bucais pode afetar de modo distinto a dificuldade na mastigação entre homens e mulheres.

O objetivo deste estudo foi estimar a prevalência de dificuldade de adultos na mastigação, segundo sexo, e analisar os fatores associados.

MÉTODOS

Este estudo é parte de estudo transversal, prospectivo de base populacional, com adultos da zona urbana de Florianópolis, SC, denominado Epi Floripa Adultos. b b O estudo Epi Floripa teve como objetivo investigar as condições de saúde e de vida da população, como autoavaliação de saúde, morbidades autorreferidas, condição bucal autorreferida, utilização de serviços de saúde e principais fatores de risco para doenças crônicas (características demográficas, socioeconômicas, hábitos alimentares, prática de atividade física, pressão arterial, medidas antropométricas, consumo de álcool e tabaco). Disponível em: www.epifloripa.ufsc.br A coleta de dados ocorreu entre setembro de 2009 e janeiro de 2010 e a população de referência do estudo (n = 249.530) foi composta por adultos de 20 a 59 anos, residentes na zona urbana do município de Florianópolis, estado de Santa Catarina, cuja população estimada era de 408.161 habitantes em 2009. c c Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. População brasileira. Rio de Janeiro; 2012 [citado 2012 fev 5]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br Essa faixa etária compreendia aproximadamente 60,0% da população do município em 2009.

Para o cálculo tamanho da amostra, considerou-se: população de referência (n = 249.530 pessoas), intervalo de confiança de 95%, prevalência para os desfechos desconhecidos (50,0%), erro amostral de 3,5 pontos percentuais, efeito de delineamento = 2 e adicionados 10,0% para eventuais perdas ou recusas e mais 15,0% para o controle de fatores de confusão para estudos de associação. O tamanho da amostra foi de 2.016 pessoas após a aplicação desses parâmetros. Foi realizado cálculo de tamanho da amostra para testar associações com o desfecho, estratificado por sexo. O tamanho final da amostra foi de 1.720 pessoas e a taxa de resposta de 85,3%, suficiente para obter poder de 80,0% ou mais para testar associação entre idade, renda, escolaridade, número de dentes naturais, dor dentária e dificuldade na mastigação em homens e mulheres. Considerou-se a frequência de exposição entre 7,0% e 47,0%, erro tipo alfa de 5% e razões de prevalência mínimas entre 1,6 e 1,7. Cor da pele autorreferida, última consulta ao dentista, local da consulta, sintomas de boca seca e uso de prótese total apresentaram poder < 80,0%.

Os setores censitários urbanos, num total de 420, foram estratificados segundo decis de renda do chefe de família e apresentaram valores de R$ 192,80 a R$ 13.209,50 (baseados no censo 2000). O processo de seleção da amostragem foi em dois estágios: sorteio dos setores censitários seguido dos domicílios. Foram sorteados 60 setores, sistematicamente, considerando seis para cada decil de renda. Os domicílios ocupados nesses setores foram contados pela equipe de pesquisa e variaram de 61 a 810. Foram realizadas fusões de alguns setores e divisões de outros para reduzir a variabilidade entre o número de domicílios em cada setor censitário, totalizando 63 setores. O coeficiente de variação inicial era de 55,0% (n = 60 setores) e o final foi de 32,0% (n = 63 setores). Os domicílios foram sorteados sistematicamente, 18 em cada um dos setores, totalizando 1.134 domicílios.

Como perdas, definiu-se a recusa em participar ou a não localização dos adultos no domicílio após pelo menos quatro tentativas em horários e dias distintos durante a semana e no mínimo uma visita nos finais de semana e no período noturno.

Entrevistas estruturadas face a face foram realizadas por 35 entrevistadoras com todos os adultos residentes nos domicílios sorteados. As entrevistadoras foram treinadas pelos coordenadores e supervisores do estudo e técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O questionário foi pré-testado mediante aplicação em 30 adultos da mesma faixa etária do estudo em área de abrangência de uma unidade de saúde do município. Após o treinamento das entrevistadoras, foi realizado estudo piloto com 100 pessoas em dois setores censitários sorteados para essa finalidade, sendo que os resultados obtidos não foram incorporados ao estudo. O instrumento de coleta de dados Personal Digital Assistants (PDA) foi utilizado para as entrevistas face a face e cada entrevista durou em média uma hora.

Foram realizadas entrevistas via telefone em aproximadamente 15,0% da amostra (n = 248) utilizando-se de um questionário reduzido composto por dez questões para o controle de qualidade do estudo. Calculou-se a estatística Kappa e coeficiente de correlação intraclasses com valores entre 0,6 e 0,9.

A variável dependente foi obtida pela pergunta a cada um dos entrevistados: “Com que frequência tem dificuldade em se alimentar por causa de problemas com seus dentes ou dentadura?” (nunca, raramente, de vez em quando, frequentemente e sempre). 1212 . Hung HC, Willett W, Ascherio A, Rosner BA, Rimm E, Joshipura KJ. Tooth loss and dietary intake. J Am Dent Assoc . 2003;134(9):1185-92. O desfecho foi categorizado em nunca e alguma vez/frequentemente/sempre.

As variáveis independentes foram idade em anos completos (20 a 29, 30 a 39, 40 a 49 e 50 a 59), cor da pele autorreferida (branca, parda e preta – os sujeitos que referiram cor da pele amarela e indígena foram excluídos das análises por apresentarem baixa frequência, n = 17 e 20, respectivamente), renda familiar per capita (em reais) e categorizada segundo tercis (1 o tercil: ≤ R$ 560,00; 2 o tercil: R$ 561,00 - R$ 1.300,00 e 3 o tercil: ≥ R$ 1.314,00), d d Equivalente em dólar: 1º tercil: ≤ US$244,00, 2º tercil: US$245,00-US$565,00 e 3º tercil: ≥ US$566,00 e escolaridade em anos completos de estudo com sucesso (até cinco anos, cinco a oito anos, nove a 11 anos e ≥ 12 anos). Considerando a utilização dos serviços de saúde, as variáveis selecionadas foram última consulta ao dentista em anos (< 1, um a dois e ≥ 3) e local da consulta odontológica (consultório particular, consultório público e outros). Para a condição bucal autorreferida, considerou-se sintoma de boca seca (nunca/de vez em quando e frequentemente/sempre), 2222 . Thomson WM, Poulton R, Broadbent JM, Al-Kubaisy S. Xerostomia and medications among 32-year-olds. Acta Odontol Scand . 2006;64(4):249-54. DOI:10.1080/00016350600633243
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uso de prótese total dicotomizada em não (caso não utilize prótese) e sim (caso utilize prótese total em pelo menos um dos arcos), número de dentes naturais (mais de dez dentes em ambos os arcos, menos de dez dentes em pelo menos um arco e nenhum dente natural presente) e dor de origem dentária nos últimos seis meses dicotomizada (não/sim).

O programa estatístico utilizado foi o Stata 9.0. Foram considerados o efeito de delineamento de amostras complexas e os pesos amostrais nas análises estatísticas. Foram realizadas análises descritivas e de associações das prevalências segundo as variáveis exploratórias estratificadas por sexo. Adotou-se o valor de significância de 5% bicaudal e teste de Qui-quadrado de Rao-Scott que ajusta as análises pelo efeito de delineamento. Utilizou-se a Regressão Logística não condicional para estimar razão de chance (RC) e respectivos intervalo de confiança (IC95%) nas análises univariada e multivariável. Foram considerados potenciais fatores de confusão aquelas variáveis identificadas como tal na literatura e que estivessem associadas com a exposição e com o desfecho com p < 0,20.

Para as análises multivariáveis, foi seguido modelo de determinação baseado em Victora et al 2424 . Victora CG, Huttly SR, Fuchs SC, Olinto MT. The role of conceptual frameworks in epidemiological analysis: a hierarchical approach. Int J Epidemiol . 1997;26(1):224-7. DOI:10.1093/ije/26.1.224
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e Bastos et al 4. Bastos JL, Peres MA, Peres KG, Araujo CL, Menezes AM. Toothache prevalence and associated factors: a life course study from birth to age 12 yr. Eur J Oral Sci . 2008;116(5):458-66. DOI:10.1111/j.1600-0722.2008.00566.x
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com o objetivo de assumir hipoteticamente uma relação temporal e de determinação entre as variáveis de exposição e desfecho. As variáveis demográficas idade e cor da pele autorreferida podem influenciar as condições socioeconômicas, no caso renda e escolaridade, que por sua vez influenciam a utlização dos serviços, que podem determinar as condições bucais como sintoma de boca seca, uso de prótese e número de dentes naturais, as quais mantêm relação mais próxima com a condição autorreferida de dificuldade na mastigação.

Foram testadas interações entre número de dentes naturais (duas categorias: > 10 dentes em ambos os arcos < 10 dentes em pelo menos um arco) e dor dentária dicotomizada (sim/não) na dificuldade na mastigação controlada pelas variáveis de confusão. A significância estatística foi determinada pelo teste de Wald e valores de p menores do que 5% foram considerados estatisticamente significantes.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (Processo nº 351/2008) e foi solicitada assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

RESULTADOS

A média de idade dos entrevistados foi de 38 anos (desvio-padrão – dp = 11,6 anos) e 55,8% eram mulheres. Menos da metade dos homens e das mulheres apresentaram escolaridade maior do que 12 anos de estudo. A maioria dos homens e das mulheres tinha realizado consulta odontológica há menos de um ano e apresentava mais de dez dentes naturais nos dois arcos ( Tabela 1 ).

Tabela 1
. Amostra total e estratificada por sexo, segundo características socioeconômicas, demográficas, de acesso a serviço odontológico e condição bucal autorreferida. Florianópolis, SC, 2009. (N = 1.720)

Cerca de 1 / 6 dos participantes declarou dificuldade na mastigação devido a problemas bucais. A prevalência de dificuldade na mastigação foi maior nas mulheres do que nos homens (p = 0,009). Maiores prevalências de dificuldade na mastigação foram observadas entre homens e mulheres mais velhos (50 a 59 anos) comparados aos mais jovens (20 a 29 anos); entre os do primeiro tercil de renda comparados aos de terceiro tercil; nos que tinham menos de quatro anos de escolaridade comparados aos com mais de 12 anos de escolaridade. Maiores prevalências foram observadas entre os que usavam prótese total, com menos de dez dentes naturais presentes em pelo menos um arco ou edêntulos e que relataram dor dentária nos últimos seis meses. Homens que utilizaram o serviço público para as consultas odontológicas e mulheres que relataram sintomas de boca seca apresentaram maior prevalência de dificuldade na mastigação ( Tabela 2 ).

Tabela 2
. Prevalência de dificuldade na mastigação em homens e mulheres, segundo características socioeconômicas, demográficas, de acesso a serviço odontológico e condição bucal autorreferida. Florianópolis, SC, 2009. (N = 1.720)

Foi observada chance cerca de três vezes maior para dificuldade na mastigação entre os de 50 e 59 anos quando comparados aos mais jovens (20 a 29 anos) na análise multivariável realizada para homens. Escolaridade foi confundida parcial e positivamente pela idade e renda per capita, atenuando o efeito da RC entre os com menor escolaridade quando comparados aos com 12 ou mais anos de estudo. A associação do uso de prótese com dificuldade na mastigação perdeu a significância estatística ao serem consideradas a idade, a renda per capita e a escolaridade dos indivíduos. Homens edêntulos apresentaram RC cerca de seis vezes maior do que aqueles com dez ou mais dentes nos dois arcos dentários de manifestar dificuldade na mastigação. Ter relatado dor dentária aumentou mais do que duas vezes a chance de dificuldade na mastigação ( Tabela 3 ). Entre as mulheres, quanto maior a idade e menor a renda, maior a chance de insatisfação com a mastigação. Embora no limite da significância estatística, mulheres que autorreferiram cor da pele parda e preta apresentaram chance de insatisfação com a mastigação 60,0% maior do que aquelas cuja cor da pele foi autorreferida como branca. Mulheres edêntulas tiveram quase sete vezes a chance do desfecho comparadas àquelas com dez ou mais dentes naturais em ambos os arcos dentários. Magnitude semelhante foi obtida para as que relataram dor dentária, comparadas àquelas sem dor ( Tabela 4 ).

Tabela 3
. Associação entre dificuldade na mastigação em homens de 20 a 59 anos e variáveis independentes. Florianópolis, SC Brasil, 2009. (N = 761)
Tabela 4
. Associação entre dificuldade na mastigação em mulheres de 20 a 59 anos e variáveis independentes. Florianópolis, SC, 2009. (N = 959)

Houve interação significativa entre número de dentes presentes e dor dentária para homens e mulheres. Entretanto, a magnitude de associação do efeito conjunto entre possuir mais de dez dentes nos arcos dentários e a presença de dor dentária foi quase quatro vezes maior entre as mulheres ( Figura ).

Figura
. Interação entre número de dentes naturais e dor dentária sobre a dificuldade de mastigar, entre adultos, segundo sexo. Florianópolis, SC, 2009. Teste de heterogeneidade (p < 0,001).

DISCUSSÃO

A prevalência de dificuldade na mastigação foi maior nas mulheres. Embora os fatores associados à dificuldade na mastigação tenham sido semelhantes entre os sexos, o efeito da presença concomitante de mais de dez dentes presentes nos dois arcos e dor dentária foi quase quatro vezes maior entre as mulheres.

A prevalência de dificuldade na mastigação para a amostra total esteve abaixo dos achados da literatura internacional, que apontam variação de 20,0% em adultos com 45 anos ou mais da Flórida 2020 . Peek CW, Gilbert GH, Duncan RP. Predictors of chewing difficulty onset among dentate adults: 24-month incidence. J Public Health Dent . 2002;62(4):214-21. a 30,0% em adultos com mais de 45 anos de Taiwan. 1111 . Hsu KJ, Yen YY, Lan SJ, Wu YM, Chen CM, Lee HE. Relationship between remaining teeth and self-rated chewing ability among population aged 45 years or older in Kaohsiung City, Taiwan. Kaohsiung J Med Sci . 2011;27(10):457-65. DOI:10.1016/j.kjms.2011.06.006
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A prevalência do desfecho em adultos foi de 31,0% no Brasil. a a Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, Coordenação Nacional de Saúde Bucal. Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, SB Brasil 2010: resultados principais. Brasília (DF); 2011. A diferença desse estudo com o inquérito nacional pode ser justificada pelas condições de vida e saúde de Florianópolis, melhores que os padrões médios do Brasil. b b O estudo Epi Floripa teve como objetivo investigar as condições de saúde e de vida da população, como autoavaliação de saúde, morbidades autorreferidas, condição bucal autorreferida, utilização de serviços de saúde e principais fatores de risco para doenças crônicas (características demográficas, socioeconômicas, hábitos alimentares, prática de atividade física, pressão arterial, medidas antropométricas, consumo de álcool e tabaco). Disponível em: www.epifloripa.ufsc.br As prevalências entre os sexos confirmam a literatura. Estudo em adultos norte-americanos 2020 . Peek CW, Gilbert GH, Duncan RP. Predictors of chewing difficulty onset among dentate adults: 24-month incidence. J Public Health Dent . 2002;62(4):214-21. mostrou que mulheres apresentaram o dobro da prevalência de dificuldade na mastigação em relação aos homens. A prevalência desse desfecho para homens foi 25,0% e de 34,0% para mulheres no Brasil. a a Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, Coordenação Nacional de Saúde Bucal. Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, SB Brasil 2010: resultados principais. Brasília (DF); 2011.

Maior chance do desfecho foi observada com o avanço da idade entre os homens, como no estudo com homens adultos e idosos nos EUA. 1414 . Krall E, Hayes C, Garcia R. How dentition status and masticatory function affect nutrient intake. J Am Dent Assoc . 1998;129(9):1261-9. Esse estudo apontou que, quanto maior a idade, maior comprometimento da dentição natural e menor ingestão de alimentos considerados saudáveis, como frutas e fibras. Apesar de o presente estudo não avaliar o desfecho com a qualidade da ingestão, estudos prévios 1212 . Hung HC, Willett W, Ascherio A, Rosner BA, Rimm E, Joshipura KJ. Tooth loss and dietary intake. J Am Dent Assoc . 2003;134(9):1185-92. , 1414 . Krall E, Hayes C, Garcia R. How dentition status and masticatory function affect nutrient intake. J Am Dent Assoc . 1998;129(9):1261-9. , 2121 . Sheiham A, Steele JG, Marcenes W, Tsakos G, Finch S, Walls AW. Prevalence of impacts of dental and oral disorders and their effects on eating among older people; a national survey in Great Britain. Community Dent Oral Epidemiol . 2001;29(3):195-203. DOI:10.1034/j.1600-0528.2001.290305.x
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, 2323 . Touger-Decker R, Mobley CC. Position of the American Dietetic Association: oral health and nutrition. J Am Diet Assoc . 2007;107(8):1418-28. mostraram associação positiva entre idade e dificuldade na mastigação e salientaram que a não ingestão de alimentos considerados saudáveis gera comprometimento da saúde geral.

Homens com menor escolaridade apresentaram maior chance de insatisfação com a mastigação. Homens com piores níveis socioeconômicos têm maior dedicação à provisão econômica da casa do que com o autocuidado e utilizam menos os serviços de saúde em relação às mulheres. 9. Gomes R, Nascimento EF, Araújo FC. Por que os homens buscam menos os serviços de saúde do que as mulheres? As explicações de homens com baixa escolaridade e homens com ensino superior. Cad Saude Publica . 2007;23(3):565-74. DOI:10.1590/S0102-311X2007000300015
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Além disso, estão mais propensos ao ambiente de estresse, tendem a adotar estilo de vida menos saudável, como maior consumo de álcool e tabaco. Essas substâncias acarretam problemas crônicos de saúde, 1010 . Ho R, Davidson G, Ghea V. Motives for the adoption of protective health behaviours for men and women: an evaluation of the psychosocial-appraisal health model. J Health Psychol. 2005;10(3):373-95. DOI:10.1177/1359105305051424
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entre eles o câncer de boca, mais prevalente entre os homens e que gera inúmeros impactos negativos para o indivíduo, como a dificuldade na mastigação. 1818 . Pace-Balzan A, Shaw RJ, Butterworth C. Oral rehabilitation following treatment for oral cancer. Periodontology 2000 . 2011;57(1):102-17. DOI:10.1111/j.1600-0757.2011.00384.x
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Mulheres de cor parda e preta apresentaram mais chance de dificuldade na mastigação. Mulheres de cor preta tendem a relatar maior dificuldade na mastigação 2020 . Peek CW, Gilbert GH, Duncan RP. Predictors of chewing difficulty onset among dentate adults: 24-month incidence. J Public Health Dent . 2002;62(4):214-21. e mais perdas dentárias que as de cor branca. 3. Barbato PR, Nagano HCM, Zanchet FN, Boing AF, Peres MA. Perdas dentárias e fatores sociais, demográficos e de serviços associados em adultos brasileiros: uma análise dos dados do Estudo Epidemiológico Nacional (Projeto SB Brasil 2002-2003). Cad Saude Publica . 2007;23(8):1803-14. DOI:10.1590/S0102-311X2007000800007
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Umas das possíveis explicações se dá pelo fato de que mulheres da cor da pele preta ocupam posições menos qualificadas e de pior remuneração no mercado de trabalho, residem em áreas com menos infraestrutura básica e sofrem restrições aos serviços de saúde. 2. Araújo EM, Costa MCN, Hogan VK, Araújo TM, Dias AB, Oliveira LOA. A utilização da variável raça/cor em Saúde Pública: possibilidades e limites. Interface (Botucatu). 2009;13(31):383-94. DOI:10.1590/S1414-32832009000400012
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Os resultados desta pesquisa confirmam os da literatura. Ao se considerar a posição socioeconômica das mulheres, a cor da pele foi confundida com a renda e a escolaridade e ficou no limite da significância estatística.

Não apresentar dente natural entre homens e mulheres aumentou a chance de dificuldade na mastigação em pelo menos seis vezes, quando comparado aos que tinham mais de dez dentes naturais em pelo menos um arco. Por outro lado, autores mostraram diferenças nos relatos da satisfação com a mastigação entre os sexos, quando da ausência de dentes naturais. Mulheres que utilizam próteses convencionais apresentam maior insatisfação com a mastigação do que homens e relatam sentir maior sensibilidade perioral pela movimentação da prótese. 1. Araújo CS, Lima RC, Peres MA, Barros AJ. Utilização de serviços odontológicos e fatores associados: um estudo de base populacional no Sul do Brasil. Cad Saude Publica . 2009;25(5):1063-72. DOI:10.1590/S0102-311X2009000500013
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9. Gomes R, Nascimento EF, Araújo FC. Por que os homens buscam menos os serviços de saúde do que as mulheres? As explicações de homens com baixa escolaridade e homens com ensino superior. Cad Saude Publica . 2007;23(3):565-74. DOI:10.1590/S0102-311X2007000300015
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Os resultados desse estudo apontam diferente magnitude de associação entre dificuldade na mastigação e dor dentária para homens e mulheres. Estudo com adultos e idosos espanhóis mostrou maior prevalência de dor nas mulheres do que nos homens. 1717 . Montero J, Bravo M, Vicente MP, Galindo MP, Lopez-Valverde A, Casals E, et al. Oral pain and eating problems in Spanish adults and elderly in the Spanish National Survey performed in 2005. J Orofac Pain . 2011;25(2):141-52. As mulheres tiveram associação mais forte com o desfecho do que os homens quando apresentaram maior número de dentes e dor dentária. Homens e mulheres, por questões sociais e culturais, tendem a ter diferentes concepções para sensações dolorosas e de bem-estar relacionadas à boca. Mulheres estão mais atentas ao fato de que a ausência de dentes ou a dor dentária podem determinar a qualidade de vida, seja pela aparência e humor, seja pelas melhores oportunidades no mercado de trabalho. 1313 . Inglehart MR, Silverton SF, Sinkford JC. Oral health-related quality of life: does gender matter? In: Inglehart MR, Bagramian RA, editors. Oral health-related quality of life. Chicago: Quintessence; 2002. p.111-21. Segundo Pan et al 1919 . Pan S, Awad M, Thomason JM, Dufresne E, Kobayashi T, Kimoto S, et al. Sex differences in denture satisfaction. J Dent . 2008;36(5):301-8. DOI:10.1016/j.jdent.2008.02.009
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diferenças relacionadas a aspectos biológicos em mulheres adultas, como alterações hormonais, menopausa, osteoporose, devem ser consideradas para os relatos de insatisfação com a mastigação.

Esta pesquisa apresenta limitações. Apesar da diminuição do poder estatístico quando da estratificação da amostra por sexo, foi observado poder acima de 80% para as variáveis, idade, renda, escolaridade, número de dentes naturais e dor dentária em ambos os sexos. Outras limitações do estudo seriam a obtenção das medidas de saúde bucal por meio de questões autorreferidas. b b O estudo Epi Floripa teve como objetivo investigar as condições de saúde e de vida da população, como autoavaliação de saúde, morbidades autorreferidas, condição bucal autorreferida, utilização de serviços de saúde e principais fatores de risco para doenças crônicas (características demográficas, socioeconômicas, hábitos alimentares, prática de atividade física, pressão arterial, medidas antropométricas, consumo de álcool e tabaco). Disponível em: www.epifloripa.ufsc.br Entretanto, o número de dentes autorreferidos tem mostrado ser uma medida válida em outros contextos. 8. Gilbert GH, Chavers LS, Shelton BJ. Comparison of two methods of estimating 48-month tooth loss incidence. J Public Health Dent . 2002;62(3):163-9. DOI:10.1111/j.1752-7325.2002.tb03438.x
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A impossibilidade de generalização para outros contextos pode ser considerada outra limitação do estudo, pois Florianópolis apresenta melhores condições de vida e saúde que a maioria das cidades brasileiras. b b O estudo Epi Floripa teve como objetivo investigar as condições de saúde e de vida da população, como autoavaliação de saúde, morbidades autorreferidas, condição bucal autorreferida, utilização de serviços de saúde e principais fatores de risco para doenças crônicas (características demográficas, socioeconômicas, hábitos alimentares, prática de atividade física, pressão arterial, medidas antropométricas, consumo de álcool e tabaco). Disponível em: www.epifloripa.ufsc.br

Foi identificada alta validade interna, uma vez que as estimativas do IBGE para sexo, idade e renda para a população adulta do município de Florianópolis em 2009 b b O estudo Epi Floripa teve como objetivo investigar as condições de saúde e de vida da população, como autoavaliação de saúde, morbidades autorreferidas, condição bucal autorreferida, utilização de serviços de saúde e principais fatores de risco para doenças crônicas (características demográficas, socioeconômicas, hábitos alimentares, prática de atividade física, pressão arterial, medidas antropométricas, consumo de álcool e tabaco). Disponível em: www.epifloripa.ufsc.br mostraram-se similares às deste estudo. Embora as perguntas utilizadas no presente estudo não tenham sido validadas no Brasil, um ponto forte foi a aplicação de perguntas utilizadas em outros inquéritos nacionais 1515 . Lima-Costa MF, Firmo JOA, Uchôa E. A estrutura da auto-avaliação da saúde entre idosos: projeto Bambui. Rev Saude Publica . 2004;38(6):827-34. DOI:10.1590/S0034-89102004000600011
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, a a Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica, Coordenação Nacional de Saúde Bucal. Pesquisa Nacional de Saúde Bucal, SB Brasil 2010: resultados principais. Brasília (DF); 2011. e internacionais. 2222 . Thomson WM, Poulton R, Broadbent JM, Al-Kubaisy S. Xerostomia and medications among 32-year-olds. Acta Odontol Scand . 2006;64(4):249-54. DOI:10.1080/00016350600633243
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Observaram-se altas taxas de reprodutibilidade entre as entrevistadoras para as questões autorrelatadas e o mascaramento dos entrevistadores para a pergunta de pesquisa, o que sugere não ter havido viés de observação. A análise multivariável guiada por um modelo teórico permitiu controlar possíveis fatores de confusão, além de testar interações plausíveis. Além disso, a questão autorreferida utilizada neste estudo: “Com que frequência tem dificuldade em se alimentar por causa de problemas com seus dentes ou dentadura?” poderá permitir uma avaliação sistemática por meio do sistema de vigilância à saúde ao longo do tempo para o desfecho em questão. Sugere-se a inclusão desta pergunta em inquéritos populacionais. Existem diferentes magnitudes nos fatores associados para dificuldade na mastigação entre homens e mulheres, em geral maiores para as mulheres, destacando-se a dor dentária. Os resultados sugerem que o impacto das condições de saúde bucal varia segundo o sexo.

AGRADECIMENTOS

Ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pelo apoio na fase de treinamento do estudo; à Profª. Drª. Nilza Nunes da Silva, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, pela contribuição nos procedimentos de amostragem; à Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, pelo auxílio na operacionalização da pesquisa; e aos discentes dos Programas de Pós-Graduação em Saúde Pública, Educação Física e Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina, pela supervisão do estudo.

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Histórico

  • Recebido
    20 Fev 2013
  • Aceito
    2 Ago 2013
  • Publicação
    Dez 2013
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo São Paulo - SP - Brazil