Cultura organizacional na área da saúde: um estudo bibliométrico

Organizational culture in the health field: a bibliometric study

Pedro Henrique Fonseca Ingrid Margareth Voth Lowen Mariane Lemos Lourenço Aida Maris Peres Sobre os autores

RESUMO

O artigo objetivou identificar as características das pesquisas na área de saúde sobre o tema cultura organizacional publicadas em revistas brasileiras. A busca foi efetuada na Biblioteca Virtual em Saúde a partir do termo ‘cultura organizacional’, no período de 2007 a 2016. Foram encontrados 30 artigos em revistas nacionais de Qualis A1, A2, B1 nas áreas de avaliação Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior): enfermagem, saúde coletiva e psicologia. Os resultados evidenciaram o predomínio de artigos quantitativos e a aplicação de grande variedade de instrumentos para analisar a cultura organizacional na saúde, o que amplia as possibilidades de investigação e análise de diferentes aspectos do tema.

PALAVRAS-CHAVE
Cultura organizacional; Saúde pública; Enfermagem; Psicologia; Bibliometria

ABSTRACT

The article aims to identify the characteristics of research studies in the healthcare field on organizational culture published in Brazilian journals. The search was carried out in the Virtual Health Library from the search term ‘organizational culture’, in the period between 2007 and 2016. Thirty (30) articles were found in national journals rated Qualis A1, A2, B1 in the following Capes (Coordination of Superior Level Staff Improvement) assessment areas: nursing, collective health and psychology. The results showed the prevalence of quantitative articles, and the application of a large variety of instruments to analyze organizational healthcare culture, which broadens the possibilities of investigation and analysis of different aspects of the theme.

KEYWORDS
Organizational culture; Public health; Nursing; Psychology; Bibliometric

Introdução

A cultura organizacional é um termo com vastas possibilidades de pesquisa, que podem ser executadas por diferentes abordagens. Fleury e Fischer11 Fleury MTL, Fisher RM. Cultura e poder nas organizações. 2. ed. São Paulo: Atlas; 2007. distinguem três formas de investigação da cultura organizacional: a partir da visão da antropologia, que é caracterizada pela observação; a visão empirista, que é representada pela análise dos comportamentos na organização; e a clínica, que realiza a pesquisa na organização como uma forma de diagnóstico. Essas formas de investigação evidenciam a capacidade do campo para estudos e utilização de diferentes mecanismos para construções de artigos, com métodos tanto transversais quanto longitudinais, quantitativos, qualitativos e mistos, bem como estudos empíricos e teóricos.

Conceituar cultura organizacional não decorre de posições consensadas, já que ela é estudada a partir de várias perspectivas22 Braquehais AP, Wilbert JKW, Moresi EAD, et al. O Papel da Cultura Organizacional na Gestão do Conhecimento: Revisão de Literatura de 2009 a 2015. Perspectivas em Gestão & Conhecimento [internet]. 2017 Mar [acesso em 2017 jun 27]; 7(n.esp.):80-93. Disponível em: http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/pgc/article/view/32944/17293.
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. Existem diversos conceitos para definir cultura. Pires e Macêdo relatam que cultura é “um conjunto complexo e multidimensional de tudo o que constitui a vida em comum nos grupos sociais”33 Pires JCS, Macêdo KB. Cultura organizacional em organizações públicas no Brasil. RAP [internet]. 2006 Jan/Fev [acesso em 2017 jun 20]; 40(1):81-105. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rap/v40n1/v40n1a05.pdf.
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(84). Ainda pelos mesmos autores, cultura é tudo o que integra uma sociedade e oferece modos para pensar e agir. A cultura é algo amplo e complexo, como citado, está presente em todas as dimensões da vida humana. Já Chatman e O’Reilly44 Chatman JA, O'Reilly CA. Paradigm lost: Reinvigorating the study of organizational culture, Research in Organizational Behavior [internet]. 2016 [acesso em 2017 jul 20];1-26. Disponível em: http://faculty.haas.berkeley.edu/chatman/papers/ParadigmLost2016.pdf.
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definem a cultura em termos de seus mecanismos psicológicos subjacentes, que os autores identificam como normas sociais que operam através das informações e influências da sociedade também nas organizações.

As organizações são tratadas como organismos e sistemas de conhecimentos, imersos em uma estrutura social, servindo como pontos primários de referências para construir o pensamento humano. Ressalta-se que as organizações são, também, constituídas por pessoas que partilham significados e agem de forma conjunta55 Smircich L. Concepts of culture and organizational analysis. Administrative Science Quartely. 1983 Set [acesso em 2017 jun 20]; 28(3):339-358. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rac/v18n4/1415-6555-rac-18-04-00372.pdf.
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,66 Morgan G. Imagens da organização. São Paulo, Atlas, 2007.. Nesse sentido, nas constantes relações entre as pessoas de uma organização, considerando-as imersas em uma sociedade ou ambiente, pode-se dizer que a cultura está presente nas organizações. Scmircich55 Smircich L. Concepts of culture and organizational analysis. Administrative Science Quartely. 1983 Set [acesso em 2017 jun 20]; 28(3):339-358. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rac/v18n4/1415-6555-rac-18-04-00372.pdf.
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relata que a relação entre as organizações e cultura é dividida em dois campos de estudo: o primeiro situa a cultura organizacional como uma variável que pode ser gerenciada, tratando o tema como algo que a organização tem; já o segundo traz a cultura organizacional como uma metáfora, admitindo que ela é algo que a organização é.

Ao descrever a formação da cultura de um grupo, Schein77 Schein, EH. Cultura organizacional e liderança. São Paulo: Atlas; 2009. afirma que uma das formas é a cultura originada a partir de um líder que impõe suas visões, metas, crenças, valores pessoais a um grupo, e determina como as coisas devem acontecer. Essa imposição pode produzir confiança neste líder; e, a partir do sucesso do resultado da tarefa, os valores e as crenças serão reconhecidos e compartilhados. Sua conclusão será de que ‘esta é a forma correta’ de pensar, sentir e agir. Se não tiver sucesso, o grupo fracassará ou buscará outro líder que levará as suas crenças e valores, podendo ser aceitas e gradativamente consideradas verdadeiras.

De acordo com Schein77 Schein, EH. Cultura organizacional e liderança. São Paulo: Atlas; 2009., a cultura consiste em uma aprendizagem acumulada e compartilhada por um determinado grupo, envolvendo aspectos comportamentais, emocionais e cognitivos dos seus membros. Os valores que se tornam inegociáveis e compartilhados são aprendidos ao longo do processo de resolução dos problemas para sobreviver, crescer e se adaptar ao ambiente externo e de integração interna no seu funcionamento, adaptação e aprendizado. Esse padrão de pensar, agir e sentir ante os problemas persiste no ensinamento aos novos membros do grupo.

Na área da saúde, a importância da cultura organizacional também tem sido evidenciada. A saúde é considerada “um bem comum, um direito à vida nas sociedades modernas e um vetor de desenvolvimento sustentável”88 Costa LS. Healthcare, development and innovation. Cad. Saúde Pública [internet]. 2016 Nov [acesso em 2017 maio 22]; 32(sup2):S1/S2. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v32s2/en_1678-4464-csp-32-s2-eED01S216.pdf.
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(1). Kurcgant e Massarollo99 Kurcgant P, Massarollo MCKB. In: Kurcgant P. (Coord.). Gerenciamento em Enfermagem. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2012., pesquisadoras da área da saúde, citam o conjunto de convicções, objetivos, normas, rituais e a forma de resolver os problemas pela equipe ao conceito de cultura organizacional, e que espelha os objetivos e valores da organização. Também afirmam que a compreensão da realidade organizacional é fundamental, tanto nos seus elementos formais, tais como organogramas, regulamentos, manuais de técnicas e procedimentos, entre outros, como nos informais, que não são visualizados por meio de documentos e outras formas concretas, entre os quais estão a cultura e o poder. Acrescenta-se a importância de considerar o contexto social e cultural na gestão organizacional, a inserção do meio ambiente como influenciador nos “valores, atitudes e comportamentos das pessoas”, o que reflete nos “processos decisórios e nas formas de gestão”1010 Aidar MM, Brisola AB, Motta FCP, et al. Mudança organizacional: uma introdução ao tema. In: Wood Junior T. (Coord.). Mudança organizacional. 5. ed., São Paulo: Atlas, 2009.(56).

Um estudo desenvolvido com enfermeiros em um hospital da Coreia do Sul, no qual é analisada a relação entre a cultura organizacional e bullying, evidenciou que uma cultura orientada para hierarquia aumenta a chance de sofrer bullying do que em uma cultura na qual se privilegia uma relação horizontalizada1111 An Y, Kang J. Relationship between Organizational Culture and Workplace Bullying among Korean Nurses. Asian Nursing Research, Korea [internet]. 2016 Set [acesso em 2017 jun 28]; 10:2334-239. Disponível em: http://www.asian-nursingresearch.com/article/S1976-1317(16)30049-4/pdf.
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. No Brasil, um estudo que analisou a cultura organizacional e a capacidade de resiliência dos trabalhadores em um hospital psiquiátrico, demonstrou que a “rigidez, hierarquização, controle do trabalho e desvalorização da liberdade e da autonomia individual” 1212 Rocha FLR, Gaioli CCLO, Camelo SHH, et al. Organizational culture of a psychiatric hospital and resilience of nursing workers. REBEN [internet]. 2016 Sept/Oct [acesso em 2017 jun 28]; 69(5):765-72. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reben/v69n5/en_0034-7167-reben-69-05-0817.pdf.
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(823), relacionados com o modelo de gestão e organização, podem levar os trabalhadores ao sofrimento e ao adoecimento, o que leva à necessidade de desenvolver a resiliência.

Na saúde pública, a cultura organizacional também tem interferido nos resultados de gestão. Em um estudo em Portugal, mudanças na cultura após a capacitação de gestores na área refletiram positivamente para as reformas necessárias no setor1313 Leone C, Dussault G, Lapão LV. Reforma na atenção primária à saúde e implicações na cultura organizacional dos Agrupamentos dos Centros de Saúde em Portugal. Cad. Saúde Pública [internet]. 2014 Jan [acesso em 2017 jun 28]; 30(1):149-160. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v30n1/0102-311X-csp-30-01-00149.pdf.
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. Portanto, as diferentes áreas e profissionais de saúde têm sido influenciados pela cultura da organização, e o desafio é de evidenciar aspectos que possam contribuir favoravelmente para as mudanças e melhorias nos resultados, na saúde do trabalhador, entre outros fatores inerentes ao processo de trabalho e seu gerenciamento.

Com o intuito de ampliar o conhecimento e compreender a perspectiva de estudos publicados que abordam a cultura organizacional em revistas de saúde, especificamente na saúde coletiva, enfermagem e psicologia, o objetivo desta revisão foi identificar as características das pesquisas brasileiras da área de saúde sobre o tema cultura organizacional publicadas na última década, entre os anos de 2007 a 2016. A importância deste trabalho justifica-se pela necessidade de reconhecer as diversas influências e contribuições do estudo organizacional na área de saúde. O estudo oferece contribuições também para que os pesquisadores da área de cultura organizacional e saúde adquiram um panorama geral das pesquisas realizadas nos últimos dez anos como fundamento para pesquisas futuras.

Metodologia

Realizou-se uma pesquisa quantitativa de caráter exploratório1414 Oliveira SL. Tratado de metodologia científica: projetos de pesquisas, TGI, TCC, monografia, dissertações e teses. São Paulo: Pioneira Thomson; 2004. para a qual foi utilizada a técnica da bibliometria. Pritchard definiu a bibliometria como “a aplicação de métodos matemáticos e estatísticos a livros e outros meios de comunicação”1515 Pritchard A. Statistical bibliography or bibliometrics? Journal of Documentation [internet]. 1969 Jan [acesso em 2017 jun 10]; 25:348-349. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/236031787_Statistical_Bibliography_or_Bibliometrics.
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(348). Também é conceituada como a mensuração da produção científica, a partir de busca em periódicos, conjuntos de estudos e artigos, com objetivo de contribuir para o levantamento, avaliação e análise da produção científica1616 Splitter K, Rosa CA, Borba JA. Uma Análise das Características dos Trabalhos "Ditos" Bibliométricos Publicados no Enanpad entre 2000 e 2011. In: Congresso brasileiro de custos. São Leopoldo: Associação Brasileira de Custos, 2013..

Buscou-se, na Plataforma Sucupira, uma ferramenta para coleta de informações, análises e avaliações1717 Plataforma Sucupira [internet]. Capes. [data desconhecida] [acesso em 2017 jun 5]. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/.
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, o Qualis-Periódicos, que afere a qualidade dos artigos e outras produções publicadas. Essa busca foi realizada a partir da classificação de periódicos brasileiros 2015, das áreas de avaliação - enfermagem; saúde coletiva; psicologia - com o Qualis A1, A2 e B1, por serem as áreas da saúde de maior produção sobre o tema.

Após a identificação das revistas desses Qualis, prosseguiu-se a busca no Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). O Portal Regional da BVS é caracterizado como um espaço de integração de fontes de informação em saúde que promove a democratização e ampliação do acesso à informação científica e técnica em saúde na AL&C (América Latina e Caribe)1818 Sobre o portal [internet]. Biblioteca Virtual em Saúde. [data desconhecida] [acesso em 2017 jun 5]. Disponível em: http://bvsalud.org/sobre-o-portal/.
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. O portal da BVS oferece acesso a seis bases especializadas nacionais: Bibliografia Brasileira de Odontologia (BBO); Base de Dados de Enfermagem (BDENF); Coleção Nacional das Fontes de Informação do SUS (ColecionaSUS); Homeoindex, Bibliografia Brasileira de Homeopatia; Psicologia Diversas Bases de Dados; Bibliografia em Indicadores da Saúde (IPSA). Ademais, também oferece acesso a cinco bases de dados que abordam temas de ciências da saúde em geral: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs); Literatura Internacional em Ciências da Saúde (Medline); Scientific Electronic Library Online (SciELO); Revisões Sistemáticas da Colaboração Cochrane (Cochrane); Legislação Básica de Saúde da América Latina e Caribe (Leyes). Utilizou-se o descritor ‘cultura organizacional’ também utilizado em inglês, para selecionar os artigos nos periódicos, conforme critérios descritos acima, quanto ao Qualis A1, A2 e B1, em periódicos brasileiros.

Como filtro para a seleção, foram utilizados: artigo, texto completo, país de filiação - Brasil, data de publicação, entre 2007 e 2016 e assunto principal -, cultura organizacional. Considerando que o foco da pesquisa era verificar os estudos sobre cultura organizacional, nas revistas da área de saúde e realizados no Brasil, a aplicação dos filtros citados acima permitiu afunilar os resultados de forma automática, sendo que a escolha dos filtros foi baseada nos objetivos do trabalho. A tabulação dos dados da pesquisa bibliométrica foi realizado no software Microsoft Excel® para análise estatística.

Resultados e discussão

Após a definição do conteúdo de pesquisa, seleção dos artigos perante os critérios preestabelecidos e devida tabulação dos dados, apresentam-se aqui as características das publicações realizadas no período de 2007 a 2016.

O termo cultura organizacional no portal da BVS gerou 23.044 resultados. A partir da utilização dos filtros: Texto completo - Disponível -, Assunto principal - Cultura Organizacional -, Ano de publicação - 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016 -, Tipo de documento - artigo - e país de afiliação - Brasil. Após a ativação dos filtros citados acima, foram encontrados 54 resultados, dos quais foram selecionados 30 artigos a partir do critério de escolhas de revistas, dessa forma, 24 artigos não atendiam ao requisito de Qualis Capes A1, A2 e B1 em periódicos das áreas de enfermagem, saúde coletiva e psicologia, conforme definido pela metodologia.

Referente a publicações por período, a média encontrada de publicações de artigos por ano é de três, e o desvio padrão é de 1.4907. Dentro da quantidade de publicações por ano, não foram encontrados valores considerados outliers, ou seja, fora do padrão de publicações.

Os períodos mais distantes da concentração de quantidades de artigos publicados são os anos de 2011 e 2013 com um artigo cada, e os anos de 2009 e 2016, ambos com cinco artigos publicados. O primeiro semestre do ano de 2017, ano não contabilizado nesta busca, não apresentou publicações dentro dos critérios estabelecidos para a realização desta pesquisa.

Quanto às regiões das pesquisas, destaca-se o Sudeste com 12 (40%) dos artigos publicados, seguido de estudos multirregionais com 3 (10%) das pesquisas, Sul e Centro-Oeste com 4 (13,2%), a região Nordeste consta com um (3,3%) dos artigos publicados. Não foi possível identificar a região de 5 (16,6%) pesquisas, 1 (3,3%) artigo utiliza dados secundários do contexto brasileiro, e 4 (13,2%) artigos são estudos teóricos.

Sobre os autores das referidas pesquisas, foram encontrados 103 pesquisadores, sendo a moda de 4 autores por estudo. Entre as informações disponíveis sobres estes, percebe-se uma grande concentração de autores com graduação área de enfermagem (65%) e medicina (25%), e demais autores de diferentes campos, como fonoaudiologia, comunicação social e farmácia (10%). De muitos desses autores também foi possível visualizar algum tipo de contato com a área administrativa em seu histórico profissional, como a atuação na gestão estratégica de organizações de saúde ou especializações na referida área, até mesmo no nível de mestrado e doutorado.

Conforme citado, os artigos tinham o requisito de estar publicados em revistas de Qualis A1, A2 ou B1, portanto, foi realizada a separação dos artigos por revistas, a fim de demonstrar quais revistas mais publicaram o tema ‘cultura organizacional’, conforme o quadro 1.

Quadro 1
Nome das revistas e seu número de publicações, Qualis segundo critérios da Capes nas áreas de enfermagem, saúde coletiva, psicologia e administração

Foram selecionados artigos de 14 revistas diferentes. Dessas, 11 (78%) encontram-se nas três áreas de avaliação Qualis A1, A2 ou B1 selecionadas: enfermagem, saúde coletiva e psicologia, simultaneamente, exceto três revistas: Revista da Escola de Enfermagem da USP, Psicologia Clínica e a Revista da SPAGESP. Nove (64%) revistas também são avaliadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na área de administração.

Quanto aos aspectos metodológicos, dos 30 artigos analisados, 26 (87%) são pesquisas empíricas, e 4 (13%) são pesquisas teóricas. Assim, a apresentação dos demais aspectos metodológicos será realizada a partir de duas categorias: artigos empíricos e artigos teóricos.

Entre os artigos empíricos, 23 (88%) são constituídos por técnicas quantitativas, 1 (4%) artigo é formado por uma pesquisa mista, a primeira quantitativa e a segunda qualitativa, e os outros 2 artigos (8%) são relatos de experiência, referentes à estágio e aplicação de projeto.

A desproporção entre a pesquisa quantitativa e qualitativa nos estudos sobre cultura organizacional remete à necessidade de analisar o motivo da escolha predominantemente da primeira abordagem. Minayo afirma que o “caráter do objeto específico do conhecimento”1919 Minayo MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec, 2014. p. 63.(63) a ser pesquisado é que define a escolha do método de pesquisa. Um estudo que analisou os métodos empregados na produção de dissertações e teses referentes à administração em enfermagem evidenciou 49% de pesquisas quantitativas e 43% de qualitativas, diferentemente da presente pesquisa2020 Meneses AS, Sanna MC. Research methods used in the production of knowledge on nursing administration. Rev. Eletr. Enf. [internet]. 2015 Out/Dez [acesso em 2017 jul 1]; 17(4):1-11. Disponível em: https://revistas.ufg.br/fen/article/view/34648/20692.
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.

A opção de método misto, que é a combinação da abordagem quantitativa e qualitativa indicada quando se quer compreender de forma mais ampla e/ou melhor o objeto pesquisado e que é caracterizada pela complementaridade de métodos, o que nem sempre é necessário, mas poderá ampliar a análise do problema2121 Creswell JW, Clark VLP. Pesquisa de métodos mistos. Tradução: Magda França Lopes. 2. ed. Porto Alegre: Penso; 2013., mostrou-se incipiente nesta busca.

Quanto à utilização da nomenclatura questionário e survey, optou-se pela classificação de acordo com o termo utilizado no artigo, sem realizar juízo de valor quanto ao termo ou método, mas vale ressaltar que as técnicas juntas correspondem a 63% das formas de coleta de dados. Justifica-se a utilização de questionários, surveys e que incluem as diversas escalas já elaboradas e validadas anteriormente, que caracterizam a pesquisa quantitativa. Bruno-Faria e Fonseca, ressaltam que “os instrumentos validados com rigor científico permitem a realização de estudos diversos [...]”2222 Bruno-Faria MF, Fonseca MVA. Cultura de Inovação: Conceitos e Modelos Teóricos. RAC [internet]. 2014 Jul/Ago [acesso em 2017 jun 20]; 18(4):372-396. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rac/v18n4/1415-6555-rac-18-04-00372.pdf.
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(32).

Quanto à grande variedade de ferramentas, relacionadas na tabela 1, foram identificadas 26 delas para coleta e análise dos dados quantitativos, com destaque para o Instrumento Brasileiro para Avaliação da Cultura Organizacional (Ibaco), presente em quatro diferentes artigos. Ressalta-se que alguns artigos utilizaram mais do que uma ferramenta em sua pesquisa, semelhante ao encontrado em uma pesquisa bibliográfica2222 Bruno-Faria MF, Fonseca MVA. Cultura de Inovação: Conceitos e Modelos Teóricos. RAC [internet]. 2014 Jul/Ago [acesso em 2017 jun 20]; 18(4):372-396. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rac/v18n4/1415-6555-rac-18-04-00372.pdf.
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. Embora em dois artigos não tenham sido descritas as ferramentas utilizadas, identificou-se uma grande variedade de ferramentas disponíveis para avaliação de diversos aspectos da cultura organizacional.

Tabela 1
Relação de ferramentas utilizadas para coleta e análise

Dos instrumentos aplicados em seis hospitais (28,5%), quatro foram exclusivamente para a equipe de enfermagem, e três incluíram médicos e trabalhadores não especificados, com a utilização de um ou mais instrumentos acima citados. Cinco (23,8%) pesquisas foram realizadas com estudantes, professores ou trabalhadores não especificados em Instituições de Ensino Superior (IES), e dez (47,6%) foram realizadas em organizações públicas, indústria farmacêutica, alimentícia e em outras não especificadas. No entanto, ressalta-se a falta de estudos nas revistas pesquisadas na área da atenção primária à saúde, bem como o olhar do usuário e sua relação com a cultura organizacional.

Do total de artigos pesquisados, três (14,2%) abordam a cultura de segurança do paciente, tema em evidência na área da saúde, já que os riscos existem em todas as áreas da saúde e poderão ser evitados a partir de ‘práticas seguras’, conforme citado em um estudo reflexivo2323 Fernando FSL, Almeida MTG, Oliveira KA, et al. Patient safety: a reflective analysis. JNUOL [internet]. 2016 Fev [acesso em 2017 jul 6]; 10(supl.2):894-902. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/viewFile/11034/12428.
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. Nas pesquisas encontradas, aplicam questionários específicos para esse fim: Hospital Survey on Patient Safety Culture (HSOPSC), Self Assessment Questionnaire 30 e Questionário de atitudes de segurança. Os artigos recomendam fortalecer os valores que caracterizam a cultura organizacional de modo que promova maior segurança para os pacientes no ambiente do cuidado, neste caso, nos hospitais2424 Tomazoni A, Rocha PK, Souza S, et al. Patient safety culture at Neonatal Intensive Care Units: perspectives of the nursing and medical team. Rev. Latino-Am. Enfermagem [internet]. 2014 Set/Out [acesso em 2017 jun 21]; 22(5):755-63. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v22n5/0104-1169-rlae-22-05-00755.pdf.
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.

Referente aos métodos mistos utilizados, destaca-se que um artigo realizou sua coleta de dados em documentos e questionários, um artigo adquiriu seus dados a partir de questionários e entrevistas. Ademais, um dos artigos é caracterizado pela análise de dados obtidos em prontuários de um sistema chamado ‘Telemedicina’, o qual auxilia profissionais de saúde por meio de apoio de especialistas na assistência ao paciente2525 Steinman M, Morbeck RA, Pires PV, et al. Impact of telemedicine in hospital culture and its consequences on quality of care and safety. Gestão e economia em saúde [internet]. 2015 Out/Dez [acesso em 2017 jun 21]; 13(4):580-586. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/eins/v13n4/1679-4508-eins-S1679-45082015GS2893.pdf.
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que consiste em impacto da telemedicina na cultura hospitalar e suas consequências na qualidade dos cuidados e da segurança.

A seguir, apresenta-se um quadro com os artigos selecionados a partir da utilização de um instrumento previamente elaborado e validado e artigos que descrevem a elaboração e validação de instrumento. Busca-se, por meio deste quadro, sintetizar as principais informações do artigo e do instrumento utilizado.

Quadro 2
Relação de artigos estudados e devidos instrumentos utilizados

Em 2002, nos Estados Unidos, foi lançado um documento denominado ‘Medical professionalism in the new millennium: a physician charter’, que refere que o comportamento individual do médico está relacionado com a cultura, com as políticas e com os comportamentos das organizações nas quais esse profissional está inserido. Posteriormente, foi elaborada uma carta relacionada com o profissionalismo nos cuidados de saúde, na qual foi ampliado o escopo das abordagens, em que é abordada a cultura organizacional. Consideram-na como a chave para o profissionalismo e incentivam os líderes nas organizações a criarem uma cultura de confiança entre os integrantes, inclusive com os pacientes e suas famílias. Ressaltam a importância do bem-estar de todos, o que inclui um ambiente saudável de trabalho2626 Mason D. Professionalism in Health Care Organizations. Jama [internet]. 2017 Mar [acesso em 2017 jun 28]; 317(12):1203-1204. Disponível em: http://jamanetwork.com/journals/jama/fullarti cle/2613143.
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.

Diante da complexidade e da amplitude do tema, emerge uma grande diversidade de instrumentos para avaliação da cultura organizacional. A maioria consiste em escalas, além de questionários e outras nomenclaturas que contribuem para a pesquisa dos aspectos da cultura organizacional e fatores associados, como valores, poder, clima organizacional, satisfação e bem-estar no trabalho, comportamento, estilos de liderança, entre outros, focado na inserção do trabalhador no contexto da organização. Tem como finalidade analisar e/ou avaliar a relação entre a cultura e o desempenho organizacional. Chatman e O’Reilly44 Chatman JA, O'Reilly CA. Paradigm lost: Reinvigorating the study of organizational culture, Research in Organizational Behavior [internet]. 2016 [acesso em 2017 jul 20];1-26. Disponível em: http://faculty.haas.berkeley.edu/chatman/papers/ParadigmLost2016.pdf.
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citam a vasta diversidade dos instrumentos encontrados, o que dificulta a elaboração de uma teoria integrativa de cultura. Consideram que as quatro abordagens quantitativas mais significativas para avaliar a cultura organizacional são: Denison Organizational Culture Survey (Docs), Competing Value Framworks (CVF), Organizational Culture Inventory (OCI) e o Organizational Culture Profile (OCP). O OCI foi citado em um dos artigos, o qual descreve sua adaptação e validação no Brasil,

Por fim, destacam-se três padrões de tratamento da cultura organizacional nos artigos encontrados na plataforma da BVS: cultura organizacional em instituições de saúde, saúde relacionada com a cultura organizacional e estudos sobre cultura organizacional. Na primeira categoria, foram alocados os artigos que realizavam suas pesquisas em instituições de saúde (n=11), na categoria seguinte, encontram-se os artigos que realizaram sua pesquisa sobre a cultura organizacional e seu impacto na saúde dos trabalhadores (n=7), na última categoria, encontram-se os artigos que realizam estudos mais amplos ou em diferentes abordagens sobre cultura organizacional (n=12), como estudos psicológicos no tema de cultura organizacional. A categoria de estudos sobre cultura organizacional apresenta maior representatividade devido à inclusão dos artigos teóricos que abordam de maneira geral o tema cultura organizacional, sem se atrelar ao desenvolvimento de uma categoria de estudos específica. Destaca-se que estudos em áreas como atenção primária e serviços de urgência e emergência não foram encontrados.

Conclusões

A pesquisa evidenciou diferentes campos de pesquisa, dentre os quais destacam-se várias áreas, como a hospitalar, a indústria farmacêutica, alimentícia, de órgãos públicos e outras organizações. O estudo nas instituições de ensino de nível superior também obteve destaque, já que integram as organizações nas quais a cultura ou várias subculturas são encontradas. No entanto, esta bibliometria desafia a ampliar o escopo de pesquisa sobre o tema no Brasil, já que estudos na atenção primária, serviços de urgência e emergência e de outras áreas da saúde não foram constatadas.

A maior representatividade da região Sudeste na publicação de pesquisas que abordam a cultura organizacional e os estudos multirregionais são evidências que merecem ser analisadas em um contexto que relaciona o número de IES, linhas de pesquisa e outras características que podem contribuir para o seu número expressivo.

O principal achado desta pesquisa se reporta à grande variedade de instrumentos descritos e/ou utilizados nas pesquisas em diferentes cenários para coleta de dados que amplia as possibilidades de análises da cultura organizacional. Recomendam-se outros estudos que utilizem essas ferramentas, pois a grande maioria só foi aplicada em um estudo, conforme a presente busca bibliométrica, a fim de ampliar a análise de suas potencialidades e limitações. Como sugestões para pesquisas futuras, poderiam ser realizados também estudos na área da atenção primária à saúde, bem como o olhar do usuário e sua relação com a cultura organizacional da instituição.

  • Suporte financeiro: não houve

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Histórico

  • Recebido
    11 Ago 2017
  • Aceito
    17 Jan 2018
  • Publicação
    Jan-Mar 2018
Centro Brasileiro de Estudos de Saúde RJ - Brazil
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