Capacidade funcional para atividades da vida diária de idosos da Estratégia de Saúde da Família da zona rural

Andressa Hoffmann Pinto Celmira Lange Carla Albereci Pastore Patricia Mirapalheta Pereira de Llano Denise Przylynski Castro Fernanda dos Santos Sobre os autores

Resumo

O artigo objetivou descrever o perfil dos idosos da zona rural de Pelotas, considerando a prevalência de capacidade funcional para as atividades básicas e instrumentais da vida diária segundo idade, sexo, renda, escolaridade e doenças crônicas não transmissíveis. Estudo quantitativo, transversal e analítico, realizado com 820 idosos, de julho a outubro de 2014. Utilizou-se o teste de qui-quadrado de heterogeneidade de Pearson para as exposições nominais e o teste de tendência para aquelas ordinais. Na amostra predominaram as mulheres, entre 60-69 anos, que se autodenominaram brancas e viviam com seus companheiros. A prevalência de capacidade para as atividades básicas da vida diária (ABVD) foi de 81,8% e para as instrumentais da vida diária (AIVD) 54,6%. As variáveis sexo (masculino), idade (60-69) e não ter problemas cardíacos foram associadas de forma significativa com as ABVD. Já, as AIVD apresentaram associação com idade (60-69 anos), anos de escolaridade (5-8), renda (1-2 salários) e osteoporose. O estudo conclui que os idosos, na maioria, eram funcionalmente capazes para a realização das atividades da vida diária, tanto básicas quanto instrumentais. Espera-se que os resultados e a iniciativa em estudar os idosos residentes na zona rural sirvam de estimulo a futuras pesquisas.

Atenção Primária à Saúde; Saúde do idoso; População rural; Saúde da Família

Introdução

O Brasil está a caminho de se tornar um país de população majoritariamente idosa. Espera-se que o número de idosos em 2020 seja de aproximadamente 30,9 milhões de pessoas, o que representará 14% da população brasileira. Essa prevalência fará com que o país transforme-se no sexto com o maior número de idosos no mundo. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o grupo de idosos de 60 anos ou mais será maior que o de crianças com até 14 anos em 2060, a população nessa faixa etária deverá ser de 58,4 milhões (26,7% do total) no mesmo ano11. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Distribuição da população por sexo segundo os grupos de idade Brasil (RS) . 2010 [acessado 2013 dez 17] Disponível em: http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/webservice/frm_piramide.php?codigo=431440&corhomem=3d4590&cormulher=9cdbfc
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Em virtude do crescimento exponencial do contingente de idosos no país, a preocupação em relação à capacidade funcional tem aumentado em diversos setores22. Alves LC, Leimann BCQ, Vasconcelos MEL, Carvalho MS, Vasconcelos AGG, Fonseca TCO, Lebrão ML, Laurenti R. A influência das doenças crônicas na capacidade funcional dos idosos do Município de São Paulo, Brasil. Cad Saude Publica 2007; 8(23):1924-1930.. A capacidade funcional é definida como a habilidade para realizar atividades que possibilitam à pessoa cuidar de si mesmo e viver de forma independente. Sua mensuração tem sido foco no exame do idoso e em um indicador de saúde mais amplo que a morbidade, pois se correlaciona com a qualidade de vida33. Aires M, Paskulin LM, Morais EP. Capacidade funcional de idosos mais velhos: estudo comparativo entre três regiões do rio Grande do Sul. Rev Lat Am Enfermagem 2010; 18(1):11-17.. A avaliação da capacidade funcional tornou-se, assim, indispensável para a escolha da intervenção mais adequada e monitorização da situação clínica funcional dos idosos44. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: MS; 2006. Cadernos de Atenção Básica nº 19..

A capacidade funcional pode ser avaliada sob dois aspectos: relacionados às atividades básicas da vida diária (ABVD) e às atividades instrumentais da vida diária (AIVD). As ABVD são aquelas ligadas ao autocuidado, tais como banhar-se, vestir-se, alimentar-se, ser continente55. Del Duca GF, Silva MC, Halall PC. Incapacidade funcional para atividades básicas e instrumentais da vida diária em idosos. Rev Saude Publica 2009; 43(5):796-805.. Já as AIVD são aquelas relacionadas às ações mais complexas, como a participação social, que abrange o ato de fazer compras, usar o telefone, dirigir e usar meios de transporte coletivo66. Lawton MP, Brody EM. Assessment of older people: self maintaining and instrumental activities of daily living. Gerontologist 1969; 9(3):179-186..

Os fatores identificados como responsáveis, diretamente, pela perda da capacidade funcional dos idosos são os fatores individuais, como os demográficos, socioeconômicos e as condições de saúde33. Aires M, Paskulin LM, Morais EP. Capacidade funcional de idosos mais velhos: estudo comparativo entre três regiões do rio Grande do Sul. Rev Lat Am Enfermagem 2010; 18(1):11-17..

Um estudo, realizado no sul do Brasil, comparou o grau de dependência para as atividades da vida diária (AVD) de idosos com 80 anos ou mais em três regiões distintas, identificando a maior independência para as AVD entre os da região rural77. Inouke K, Pedrazzani ES, Pavarini SCI. Octogenários e cuidadores: perfil sócio-demográfico e correlação da variável qualidade de vida. Texto & contexto enfermagem / UFSC 2008; 17(2):350-357.. Outro estudo, também realizado no sul do Brasil, que verificou as condições de saúde de pessoas idosas residentes em uma comunidade rural, observou que ocorreu dependência leve em uma parcela significativa da população, ou seja, em 52,9%, sinalizando que os indivíduos pesquisados encontravam-se em um estado inicial de declínio funcional. Os graus de dependência mais severos foram encontrados apenas entre as mulheres, e elas apresentaram maior prejuízo na realização das AVD quando comparadas aos homens88. Rigo II, Paskulin LMG, Morais EP. Capacidade funcional de idosos de uma comunidade rural do rio grande do sul. Rev Gaucha Enferm 2010; 21(2):245-261..

Um estudo realizado na área rural do estado de Minas Gerais, Brasil, descreveu a qualidade de vida e a capacidade funcional dos idosos segundo dados socioeconômicos e demográficos e obteve que 99,8% deles eram independentes para as ABVD. O estudo demonstrou, ainda, a associação entre baixa escolaridade, idade mais avançada e maior número de morbidades com a incapacidade para as AIVD99. Tavares DM, Gávea Júnior SA, Dias FA, Santos NM, Oliveira B. Qualidade de vida e capacidade funcional de idosos residentes na zona rural. Rev Rene 2011; 12(Esp):895-903..

Desse modo, considerando-se que o estado do Rio Grande do Sul (RS) apresenta 13,65% de sua população com 60 anos ou mais de idade e está na quarta posição em número absoluto de idosos no país; que o município de Pelotas (RS) apresenta uma prevalência de 15,8% de idosos na zona rural11. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Distribuição da população por sexo segundo os grupos de idade Brasil (RS) . 2010 [acessado 2013 dez 17] Disponível em: http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/webservice/frm_piramide.php?codigo=431440&corhomem=3d4590&cormulher=9cdbfc
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; que por tal situação estar associada ao fato de que a população rural, em geral, apresenta índices de saúde e determinantes sociais piores do que a urbana1010. Ando NM, Targa LV, Almeida A, Silva DHS, Barros EF, Schwalm FD, Savassi LCM, Breunig M, Lima MC, Amaral R, Horta TCG. Declaração de Brasília. O conceito de rural e o cuidado à saúde. Revista brasileira de medicina de familia e comunidade 2011; 6(19):142-144.; que pelo fato do Brasil, enfim, apresentar escassas pesquisas que focalizem a relação dos fatores determinantes da incapacidade funcional entre os idosos na zona rural; então, o presente estudo tem como objetivo descrever o perfil, a prevalência de capacidade funcional para as atividades básicas e instrumentais da vida diária e analisar a capacidade funcional segundo idade, sexo, renda, escolaridade e doenças crônicas não transmissíveis dos idosos residentes na zona rural de Pelotas.

Metodologia

Trata-se de um estudo quantitativo, com delineamento transversal, analítico, realizado em uma amostra representativa dos idosos cadastrados na Estratégia de Saúde da Família (ESF) na zona rural de Pelotas. A zona rural de Pelotas possui uma população de 22.082 de habitantes, dentre os quais 15,8% estão na faixa etária de 60 anos ou mais11. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Distribuição da população por sexo segundo os grupos de idade Brasil (RS) . 2010 [acessado 2013 dez 17] Disponível em: http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/webservice/frm_piramide.php?codigo=431440&corhomem=3d4590&cormulher=9cdbfc
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O tamanho da amostra foi estabelecido a partir de cálculo estatístico considerando: população idosa cadastrada nas ESF da zona Rural de Pelotas, 2.920 indivíduos, nível de confiança de 95%, prevalência estimada do desfecho, capacidade funcional encontrada na literatura de 60%, de acordo com o estudo realizado no município de Pelotas no ano de 200955. Del Duca GF, Silva MC, Halall PC. Incapacidade funcional para atividades básicas e instrumentais da vida diária em idosos. Rev Saude Publica 2009; 43(5):796-805., e erro aceitável de 3 pontos percentuais. Em acordo com esses parâmetros, a base de cálculo inicial foi de 758 idosos, sendo somados 10% relativos a possíveis perdas e recusas, obtendo-se, assim, o total de 834 idosos. A amostra de idosos foi localizada por meio dos dados disponibilizados pela Secretaria Municipal de Saúde de Pelotas, a qual foi solicitado, em um primeiro momento, a liberação para a realização da pesquisa nas Unidades de Saúde da Família. Ao total foram incluídas 10 unidades de saúde que se organizavam sob o regime de ESF. O número de idosos a serem entrevistados em cada unidade foi calculado, proporcionalmente, ao número total de idosos que a unidade tinha cadastrado, a partir deste cálculo foram sorteados: Vila Nova, 111 idosos, Grupelli, 94 idosos, Monte Bonito, 54 idosos, Cordeiro de Farias, 82 idosos, Osório, 73 idosos, Corrientes, 72 idosos, Pedreira, 80 idoso, Maciel, 78 idoso, Triunfo, 70 idosos, Cerrito Alegre, 122 idosos.

As UBS’s foram contatadas por meio de uma lista com nomes e números de prontuários de idosos, os mesmos foram sorteados (aleatoriamente) até que a quantidade total estabelecida fosse atingida, e no caso de se identificar mais de um idoso cadastrado no mesmo prontuário, todos os residentes no domicílio eram elegíveis para a pesquisa.

A pesquisa teve como critérios de inclusão possuir 60 anos ou mais, residir na zona rural de Pelotas (RS), ter sido contemplado no sorteio realizado pelas pesquisadoras e aceitar participar do estudo. Os critérios de exclusão foram: estar viajando no momento da coleta de dados naquela localidade, estar privado de liberdade por decisão judicial, ter mudado de residência, estar institucionalizado/hospitalizado ou não apresentar condições físicas, cognitivas ou emocionais de participar do estudo e seu respondente ou auxiliar também não apresentar condições para participar. Após três tentativas de entrevistas com o idoso sem sucesso, este era considerado como perda.

Os instrumentos de pesquisa foram aplicados por cinco pós-graduandas e cinco graduandos da Faculdade de Enfermagem previamente treinados, em uma capacitação de trinta horas, em um período de cinco dias.

Para mensurar o desfecho capacidade funcional foi utilizado Índice de Katz e Akpom1111. Katz S, Akpom CA. A measure of primary sociobiological functions. Int J Health Serv 1976; 6(3):493-508. para as ABVD e a escala de Lawton e Brody66. Lawton MP, Brody EM. Assessment of older people: self maintaining and instrumental activities of daily living. Gerontologist 1969; 9(3):179-186. para as AIVD. Para avaliar os dados obtidos, os escores do Índice de Katz foram agrupados, classificando os idosos em: independentes quando relataram necessidade de ajuda em 0 atividades, dependência leve/moderada quando relataram necessidade para 1-3 atividades e dependentes quando relataram necessidade de ajuda para 4-6 atividades. Para a escala de Lawton-Brody, aqueles idosos que atingiram 27 pontos foram classificados como independentes, entre 26-18 pontos com dependência parcial e menos de 18 pontos, como dependentes.

As informações foram referidas pelo próprio idoso ou, caso ele estivesse impossibilitado de se expressar, as mesmas foram respondidas pelo respondente auxiliar ou substituto. As variáveis independentes foram: sexo (feminino/masculino), idade (60-69, 70-79 anos e 80 anos ou mais), cor da pele (branca/não branca), situação conjugal (com companheiro/sem companheiro), se mora sozinho (sim/não), se frequentou a escola (sim/não), anos de estudo (< 1 ano, 1-3 anos, 3 ou mais), profissão (agricultor, outro), renda mensal (< de 1 salário mínimo, 1-2 salários mínimos, > de 2 salários mínimos) e referir ser portador de doença crônica não transmissível (hipertensão arterial, diabetes melito, reumatismo, osteoporose, problemas circulatórios, respiratórios, cardíacos e acidente vascular cerebral).

Para a parte descritiva dos resultados foram apresentadas as prevalências das variáveis categóricas e a média e o desvio–padrão das variáveis contínuas. As associações com o desfecho de acordo com as variáveis independentes de interesse foram testadas utilizando-se o teste de qui-quadrado de heterogeneidade de Pearson para as exposições nominais e o teste de tendência para aquelas ordinais.

A pesquisa desenvolveu-se entre os meses de julho e outubro de 2014. Ao final da coleta de dados foi realizada a re-entrevista via telefone em 3% dos idosos pesquisados, como uma forma de controle de qualidade da coleta de dados.

O presente projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, os preceitos da Resolução do Conselho Nacional de Saúde n° 466/20121212. Brasil. Resolução 466, de 12 de dezembro de 2012. Dispõe sobre as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humano. Diário oficial da União 2012; 12 dez. foram seguidos rigorosamente e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi apresentado e disponibilizado em duas vias aos idosos entrevistados. Os autores declaram que não há conflitos de interesse neste estudo.

Resultados

O estudo apresentou nove recusas e cinco perdas, nas quais os idosos não foram encontrados nas suas residências, totalizando 820 indivíduos entrevistados ao final do estudo.

Na amostra estudada houve predominância do sexo feminino 56,1% (460), com média de idade de 70 anos e desvio padrão de 7,6 anos, sendo a idade mínima 60 anos e a máxima de 95 anos. Idosos que relataram ser da raça branca foram 90,2% (740) e terem um companheiro, 71,5% (586). Quanto à escolaridade, identificou-se a média de quatro anos de estudo, e desvio padrão de 2,4 anos sendo o mínimo de zero anos de estudo (quando o idoso relatou não ter concluído o primeiro ano) e o máximo 23 anos. Dos idosos entrevistados 91% (746) relataram não morar sozinhos, sendo o número médio de pessoas que moravam com eles 2 e desvio padrão de 1 pessoa, sendo o mínimo uma pessoa e o máximo 15. Dos idosos, 91,8% (793) eram aposentados, mas 35,5% ainda exerciam alguma atividade laboral. A profissão de maior prevalência foi a agricultura, 72% (574), e a renda de um a dois salários mínimos para 80,1% (653) (Tabela 1).

Tabela 1
Prevalência de capacidade funcional para as Atividades da Vida Diária, segundo o Índice de Katz e Escala de Lawton-Brody. Pelotas-RS, 2014.

Em relação à capacidade funcional para as atividades básicas da vida diária, 81,8% (671) idosos referiram não necessitar de ajuda para nenhuma das seis atividades avaliadas pelo Índice de Katz e 14,2% (117) necessitaram de ajuda em uma ou duas atividades, sendo classificados em uma dependência leve/moderada. Apenas 2% (16) classificaram-se em totalmente dependente.

Em relação à capacidade funcional para as atividades instrumentais da vida diária, 54,6% (448) dos idosos foram classificados como totalmente independentes.

Quando analisados segundo as atividades básicas da vida diária, a atividade que apresentou maior prevalência de ajuda para sua realização foi a de continência, 14,5% (119). Em contrapartida, a que apresentou maior independência foi a atividade de alimentação, em que 98,2% (805) referiram não necessitar de ajuda (Tabela 2).

Tabela 2
Prevalência de capacidade funcional para as Atividades Básicas da Vida Diária por atividade segundo o Índice de Katz. Pelotas-RS, 2014.

Quando avaliados segundo as atividades instrumentais, os idosos relataram mais frequentemente não conseguirem realizar ou necessitar de ajuda parcial na atividade de deslocar-se à locais distantes 27,4% (225) e na de administrar suas finanças, 33,9% (378). A atividade em que os idosos relataram maior independência foi na de preparo das suas próprias refeições 91,1% (747) (Tabela 3).

Tabela 3
Prevalência de capacidade funcional para atividades instrumentais da vida diária por atividade segundo a Escala de Lawton-Brody. Pelotas-RS, 2014.

Quando analisada a capacidade para as ABVD segundo sexo, observou-se que entre os idosos totalmente capazes, 46,2% (310) eram mulheres e 53,8% (361) eram homens (p = 0,006). Isso demonstra que o fato de ser homem seria um fator de proteção para a manutenção da capacidade funcional. Na categoria dependência leve/moderada observou-se que 69% (87) eram mulheres.

Os idosos mais jovens, ou seja, aqueles com idade entre 60-69 anos, classificados como independentes representaram 57,9% (338). Já a prevalência de independência entre os idosos com 90 anos ou mais foi de apenas 0,4% (3). A faixa etária que compreendeu a maior prevalência de incapacidade funcional foi a de 70-89 anos, totalizando 69,5% (16) dos idosos dependentes.

As variáveis escolaridade (anos de estudo) e renda não apresentaram significância, porém, destaca-se que entre os idosos independentes a maioria, 63,3% (362), tinha entre 1-4 anos de estudo, sendo que essa média manteve-se nas demais categorias. Em relação à renda, em todas as categorias o valor de 1-2 salários mínimos foi o mais prevalente, 80% (553) entre os independentes, 77,8% (98) nos de dependência leve/moderada e 95,7 (22) nos dependentes.

Quando avaliada a capacidade para as ABVD, segundo a prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, apenas problemas cardíacos apresentaram associação (p = 0,011), mesmo apesar da prevalência de hipertensão arterial e problemas de visão terem sido relevantes em todas as categorias (Tabela 4).

Tabela 4
Prevalência de capacidade funcional para as ABVD segundo idade, sexo, renda, escolaridade e doenças crônicas não transmissíveis. Pelotas, 2014

Para as atividades instrumentais segundo o sexo não houve significância, porém as mulheres foram mais prevalentes do que os homens em todas as categorias. A idade foi um fator relevante para as AIVD, apresentando um p < 0,001, sendo a faixa etária de 60-69 anos mais prevalentes entre os independentes 68,9% (308). A escolaridade também demonstrou significância, p < 0,001, mantendo a faixa de 1-4 anos de estudo entre as categorias, destacando que entre os independentes a faixa de 5-8 anos foi a mais expressiva 34,5% (140). A renda também foi uma variável significante, p = 0,007.

Entre as DCNT, apenas a osteoporose mostrou significância p = 0,005, sendo que entre os independentes apresentou prevalência de 82,6% (370) e entre os independentes, 96,7% (59). Ressalta-se que a prevalência de HAS e problemas de visão apesar de não significantes em relação à capacidade funcional mantiveram as prevalências mais altas em todas as categorias (Tabela 5).

Tabela 5
Prevalência de capacidade funcional para as AIVD segundo idade, sexo, renda, escolaridade e doenças crônicas não transmissíveis. Pelotas, 2014.

Discussão

A amostra pesquisada apresentou um perfil que vai ao encontro dos dados levantados em um estudo desenvolvido na zona rural do município de Uberaba-MG99. Tavares DM, Gávea Júnior SA, Dias FA, Santos NM, Oliveira B. Qualidade de vida e capacidade funcional de idosos residentes na zona rural. Rev Rene 2011; 12(Esp):895-903., em que também houve predomínio do sexo feminino (63,6%) na faixa etária de 60-69 anos (58,8%). Ambos os estudos quanto ao perfil vão de encontro com os dados da última PNAD 20131313. Programa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). 2010 [ acessado 2015 fev 10] Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?indicador=1&id_pesquisa=149
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, em que foi descrito um cenário distinto quanto ao gênero dos idosos residentes da zona rural, já que foram identificados 1,3 milhões de homens a mais do que mulheres, sendo os idosos 15,29 milhões contra 14,08 milhões de idosas. Tal fato deve ser relativizado, porque a PNAD é uma pesquisa de nível nacional, talvez sendo este o motivo pelo qual os dados divirjam, muito embora as diferenças regionais do país não possam ser relegadas.

Quanto à cor da pele a maioria intitulou-se branca, enquanto que no Brasil mais de 50% da população rural intitula-se parda1313. Programa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). 2010 [ acessado 2015 fev 10] Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/pesquisas/pesquisa_resultados.php?indicador=1&id_pesquisa=149
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. Esse dado encontrado na atual pesquisa apenas corrobora o tipo de colonização da região sul, sendo o maior número de imigração de famílias alemãs, seguidas das famílias italianas, francesas, austríacas, portuguesas e espanholas1414. Teixeira RC. Zona Rural de Pelotas: Desenvolvimento para o Turismo. CVT 2004; 4(3):1-13..

A maioria dos idosos relatou ter ido à escola, dados que discordam dos encontrados em um estudo realizado em uma comunidade rural nordestina, com 61,33% dos idosos analfabetos1515. Torres, GV, Reis LAR, Reis LAR. Assessment of functional capacity in elderly residents of an outlying area in the hinterland of Bahia/Northeast Brazil. Arq Neuropsiquiatr 2010; 68(1):39-43.. Essa discrepância deve-se a alguns fatos: primeiro, a época em que esses idosos iniciaram seus estudos, década de 50, foi no período após a segunda guerra mundial, momento em que o Brasil sofreu algumas mudanças em relação às questões educacionais, devido ao grande contingente de imigrantes. Assim, os governantes tinham como objetivo homogeneizar as escolas, com o intuito de construir um país branco, ocidental e cristão, o que acabava por excluir os afrodescendentes, o que pode explicar a prevalência alta de analfabetismo entre os idosos baianos, região majoritariamente colonizada por negros vindos da África1616. Consorte JG. Culturalismo e educação nos anos 50: O desafio da diversidade. Cad CEDES [periódico da Internet]. 1997 [acessado 2015 jan 11];18(43). Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32621997000200003
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. Situação semelhante ocorreu com os alemães e italianos, porém, os alemães, devido à forte ligação entre a cultura, a religião e a educação organizaram-se e, diante da indiferença às suas reinvidicações, por parte do governo brasileiro, iniciaram o processo de criação das escolas comunitárias que disponibilizavam à comunidade a formação no ensino básico1717. Lima CRR. Ruralidade: o debate sobre o velho e o novo no meio rural. XIII Congresso Brasileiro de Sociologia; 2007; Recife, Brasil. [acessado 2010 fev 1]. Disponível em: http://www.sbsociologia.com.br/portal/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=48&Itemid=171
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. Assim, supõe-se que apesar das dificuldades impostas pelo Estado, as crianças alemães da época tinham maior acesso à formação básica, diferente das crianças afrodescendentes, o que justifica a razão pela qual os idosos da zona rural de Pelotas apresentarem um nível de escolaridade alto para os padrões da época.

Do total de idosos pesquisados, a maioria relatou estar aposentada, porém, mais de 35% afirmaram continuar exercendo alguma atividade laboral. Esse tipo de situação tem sido recorrente no cenário rural brasileiro. Em um estudo sobre o impacto dos determinantes da condição do idoso em relação ao trabalho e à aposentadoria, os resultados sugeriram que, com o aumento dos anos de vida, são maiores as chances de não realizar atividade laboral, pois, com o envelhecimento, sua capacidade física decresce1616. Consorte JG. Culturalismo e educação nos anos 50: O desafio da diversidade. Cad CEDES [periódico da Internet]. 1997 [acessado 2015 jan 11];18(43). Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32621997000200003
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. Este fato foi identificado na população estudada, pois dos que relataram ainda exercer alguma atividade laboral 75,3% estavam na faixa etária de 60-69 anos (p < 0,0001). Outro ponto que pode ser relacionado com essa prevalência é o fato da renda mediana ter sido de um salário mínimo nacional (referência do ano de 2014), valor que, nos dias atuais, muitas vezes inviabiliza a manutenção dos gastos da família. Além disso, deve-se considerar que as velhas concepções sobre o ‘rural’ sempre estiveram atreladas à agricultura e, portanto, à atividade econômica. O espaço rural sempre foi visto de forma estrita e restrita enquanto espaço de exploração econômica, gerador de riqueza1717. Lima CRR. Ruralidade: o debate sobre o velho e o novo no meio rural. XIII Congresso Brasileiro de Sociologia; 2007; Recife, Brasil. [acessado 2010 fev 1]. Disponível em: http://www.sbsociologia.com.br/portal/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=48&Itemid=171
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. Desse modo, pode-se supor que os idosos pesquisados, apesar de aposentados, por sentirem-se e serem capazes funcionalmente mantiveram suas atividades laborais.

A análise dos dados demonstrou que a maioria dos idosos era totalmente capaz para as atividades básicas da vida diária, já no estudo realizado em Minas Gerais, a prevalência encontrada para a independência foi de 99,8%99. Tavares DM, Gávea Júnior SA, Dias FA, Santos NM, Oliveira B. Qualidade de vida e capacidade funcional de idosos residentes na zona rural. Rev Rene 2011; 12(Esp):895-903.. Esse dado pode ser justificado devido ao critério de inclusão elencado pelo autor em que apenas os idosos que atingissem a pontuação mínima de 13 pontos no Mini Exame do Estado Mental (MEEM) eram selecionados. Já outro estudo realizado em uma comunidade rural nordestina demonstrou que 78% dos idosos avaliados por meio da Escala de Barthel tinham algum tipo de dependência.

Essa diferença de prevalência para capacidade funcional entre os idosos do sul e do nordeste pode ser explicada pelo fato de que os primeiros eram mais jovens, diferença de quatro anos na média de idade e nível de escolaridade maior do que o destes últimos. Destaca-se, também, a diferença dos instrumentos utilizados para mensuração, o que dificulta a realização de comparações.

Quando analisado segundo o sexo, observou-se que os homens foram mais independentes para as ABVD do que as mulheres, assim como em um estudo realizado em Nova Roma, no Sul no Rio Grande do Sul88. Rigo II, Paskulin LMG, Morais EP. Capacidade funcional de idosos de uma comunidade rural do rio grande do sul. Rev Gaucha Enferm 2010; 21(2):245-261., que também verificou maior prejuízo na realização das AVD entre as mulheres em relação aos homens. Em um estudo realizado na zona urbana de Pelotas (RS), o sexo e a idade também estiveram associados, com p = 0,05 e p < 0,001, respectivamente55. Del Duca GF, Silva MC, Halall PC. Incapacidade funcional para atividades básicas e instrumentais da vida diária em idosos. Rev Saude Publica 2009; 43(5):796-805.. Isso corrobora a importância dos profissionais de saúde manterem uma atenção especial às mulheres idosas pelos. Um fator que pode ter influenciado nessa variável é que as mulheres além de serem a maioria no estudo quando analisadas segundo faixa etárias foram as mais prevalentes entre os mais longevos.

A continência (urinária e fecal) foi a atividade em que os idosos relataram maior dificuldade, o que vai ao encontro de outros estudos em que a prevalência de incapacidade para tal atividade foi de 28,6%1515. Torres, GV, Reis LAR, Reis LAR. Assessment of functional capacity in elderly residents of an outlying area in the hinterland of Bahia/Northeast Brazil. Arq Neuropsiquiatr 2010; 68(1):39-43. e 21,3%55. Del Duca GF, Silva MC, Halall PC. Incapacidade funcional para atividades básicas e instrumentais da vida diária em idosos. Rev Saude Publica 2009; 43(5):796-805., ambos estudos realizados na zona urbana, sendo esse último na cidade de Pelotas. Ao analisar esse achado, torna-se importante destacar a necessidade de intervir precocemente nessas situações, auxiliando o idoso a manter a sua continência urinária e fecal. Sabe-se da dificuldade em abordar tal assunto, principalmente com aqueles residentes na zona rural que, possivelmente, foram educados de forma pudica e evitam falar sobre questões ligadas à sexualidade. O profissional de saúde deve em um primeiro momento criar um vínculo de confiança com o idoso, para que o mesmo sinta-se à vontade para relatar dificuldades e aceitar as orientações que, porventura, se façam necessárias.

O problema cardíaco foi a única DCNT que apresentou associação com a capacidade funcional para as ABVD, apesar de na literatura estar descrita a relação com outras DCNT como a hipertensão arterial e a diabetes melito1818. Santos Júnior EB, Oliveira LPAB, Silva RAR. Doenças crônicas não transmissíveis e a capacidade funcional de idosos. R pesq cuid fundam online 2014; 6(2):516-524.. As modificações que ocorrem no aparelho circulatório dos idosos em virtude do processo de envelhecimento facilitam o desenvolvimento de patologias cardiovasculares que podem influenciar no status funcional. Sabe-se da variabilidade de patologias cardíacas que podem acometer os idosos, uma limitação do estudo foi o de não identificar qual patologia cardíaca o idoso possuía1919. Wajngarten M. O coração no idoso. Jornal Diagnósticos em Cardiologia 2010;13(43):1-9.. Ter uma doença cardíaca pode influenciar diretamente a realização de atividades simples do cotidiano, como vestir-se e se transferir de um local a outro, dependendo do grau de comprometimento cardiovascular.

A hipertensão arterial foi a DCNT mais prevalente entre os idosos quando classificados nos três níveis de capacidade funcional para as ABVD, sendo a prevalência maior entre os dependentes. Supõe-se que as doenças não influenciaram no desfecho capacidade funcional devido ao fato de estarem em estágios que ainda não interferem nesta, o que ratifica a importância da atuação dos profissionais de saúde no controle das mesmas, principalmente em relação às mudanças de hábitos.

Em relação à prevalência de capacidade funcional para as AIVD, no presente estudo obteve-se que mais de 50% dos idosos eram independentes, diferente do achado em um estudo realizado em Goiânia2020. Nunes DP, Nakatani AYK, Silveira EA, Bachion MM, Souza MR. Capacidade funcional, condições socieconômicas e de saúde de idosos atendidos por equipes de Saúde da Família de Goiânia (GO-Brasil). Cien Saude Colet 2010; 15(6)2872-2898., no qual 58,1% (61) apresentaram algum grau de dependência. No interior da Bahia1515. Torres, GV, Reis LAR, Reis LAR. Assessment of functional capacity in elderly residents of an outlying area in the hinterland of Bahia/Northeast Brazil. Arq Neuropsiquiatr 2010; 68(1):39-43., os idosos que também apresentaram maior dependência para as AIVD 65,3% (98) eram dependentes. As atividades instrumentais exigem maior desenvolvimento da parte cognitiva, maior desenvoltura nas relações sociais e capacidade em lidar com adversidades, o que é influenciado pelo grau de escolaridade. Desse modo, supõe-se que a escolaridade, por apresentar um valor de p significativo, tenha sido um dos fatores de maior influência na capacidade funcional na atual pesquisa.

A população estudada manteve sua independência para as AIVD, principalmente em relação à ingestão de medicamentos e no preparo de suas refeições. É relevante saber dessas potencialidades dos idosos para que a realização dessas atividades seja estimulada. O profissional de saúde pode facilitar a manutenção da terapia medicamentosa por meio de recursos didáticos, adaptando-os de acordo com as condições de compreensão do idoso, e o orientando quanto à dosagem e frequência. Quanto à alimentação, é importante destacar que o idoso ao ser independente para preparar suas próprias refeições, torna-se o autor de suas escolhas alimentares. Destaca-se a capacidade para ir a locais distantes como a atividade que apresentou maior prevalência de necessidade de ajuda, dados que vão ao encontro de um estudo55. Del Duca GF, Silva MC, Halall PC. Incapacidade funcional para atividades básicas e instrumentais da vida diária em idosos. Rev Saude Publica 2009; 43(5):796-805. realizado na zona urbana, em que cerca de 43% dos idosos apresentou dificuldade para utilizar o meio de transporte. Esses dados demonstram que o fato dos idosos da atual pesquisa morarem na zona rural não dificultou o acesso dos mesmos a outros lugares.

A necessidade de ajuda no manejo das finanças foi a atividade mais prevalente entre os idosos pesquisados, o que difere de pesquisa realizada com os idosos urbanos da mesma região, em que apenas 11,8% (70)55. Del Duca GF, Silva MC, Halall PC. Incapacidade funcional para atividades básicas e instrumentais da vida diária em idosos. Rev Saude Publica 2009; 43(5):796-805. apresentaram alguma dificuldade nessa atividade. Assim, pode-se inferir que o fato de residirem na zona rural e de, teoricamente, terem menor contato com as questões tecnológicas, os idosos sentem-se mais inseguros para realizar atividades ligadas às questões financeiras, mesmo que em ambos os estudos os anos de escolaridade tenham sido semelhantes.

A idade, a renda e a escolaridade foram fatores que influenciaram na capacidade funcional dos indivíduos nas AIVD, assim como no estudo realizado com idosos urbanos55. Del Duca GF, Silva MC, Halall PC. Incapacidade funcional para atividades básicas e instrumentais da vida diária em idosos. Rev Saude Publica 2009; 43(5):796-805.. Este fato reforça que idosos mais velhos, com renda mais baixa e nível de escolaridade menor são os mais vulneráveis à perda da capacidade funcional, pois, quanto menos estudos e menos recursos financeiros, mais tendem a se isolar do restante do mundo. Deve-se considerar primeiro as dificuldades de compreensão e a distância dos grandes centros. Desse modo, essa parcela populacional necessita de assistência direta, não apenas por parte dos profissionais especificamente de saúde, visto que a capacidade funcional envolve outras dimensões, como a questão social e educacional.

A osteoporose, que caracteriza-se por ser um distúrbio metabólico do osso, resultante da perda de conteúdo mineral e da deterioração da microarquitetura, o que acarreta em fragilidade2121. Porto CC. Vadecum de Clínica Médica. Rio de Janeiro: Porto; 2014., foi a única DCNT que apresentou significância com o desfecho, embora a hipertensão arterial, o reumatismo e os problemas de visão tenham sido as doenças mais prevalentes nos três grupos de classificação da capacidade funcional. A presença de osteoporose pode influenciar diretamente o desenvolvimento de limitações para ações que exijam maior desenvoltura corporal, como, por exemplo, realizar compras e deslocar-se a locais mais distantes.

O estudo apresentou como limitação a exclusão de duas áreas da zona rural em virtude das mesmas não contarem com a ESF, o que dificultaria consideravelmente o acesso aos idosos, visto que a pesquisa não contou com financiamento, o que inviabilizou a realização de um censo. Porém, destaca-se que o grande diferencial desta pesquisa foi a avaliação de uma parcela populacional diferente da urbana. Tratam-se de idosos que nasceram e viveram em um contexto rural, o qual os expõe a diferentes fatores de risco e, principalmente, aos de proteção, e que torna inconcebível traçar estratégias de prevenção fundamentado em estudos na zona urbana.

Conclusão

O presente estudo conclui que os idosos, na maioria, são do sexo feminino, na faixa etária de 60-69 anos, apresentaram a média de quatro anos de estudo, renda de um a dois salários mínimo, vivem com seus companheiros, são aposentados e ainda exercem alguma atividade laboral. Os idosos pesquisados apresentaram capacidade funcional para as atividades da vida diária, tanto básicas quanto instrumentais. As variáveis independentes idade, renda e escolaridade influenciaram positivamente na manutenção do status funcional. Espera-se que os resultados e a iniciativa em estudar os idosos residentes na zona rural sirvam de estímulo a futuras pesquisas que venham a contribuir para a manutenção da capacidade funcional dessa população, pois a maioria dos estudos focalizam os urbanos.

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Histórico

  • Recebido
    01 Jul 2015
  • Revisado
    01 Fev 2016
  • Aceito
    03 Fev 2016
  • Publicação
    Nov 2016
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E-mail: revscol@fiocruz.br