Associação entre doenças crônicas e força de preensão manual de idosos residentes em Florianópolis – SC, Brasil

Susana Cararo Confortin Ana Lúcia Danielewicz Danielle Ledur Antes Lariane Mortean Ono Eleonora d'Orsi Aline Rodrigues Barbosa Sobre os autores

Resumo

O objetivo deste artigo é verificar a associação entre doenças crônicas e força de preensão manual (FPM) em idosos de Florianópolis, SC. Análise transversal de um estudo longitudinal de base populacional, com 599 idosos avaliados. A FPM foi verificada por meio de dinamômetro. As variáveis independentes incluíram 10 doenças crônicas e quedas. Foram realizadas análises de regressão linear simples e múltipla. No modelo final, a artrite/reumatismo/artrose (β:-1,27; IC95%: -2,55;-0,20) foi associada à menor FPM, enquanto a bronquite/ asma (β:1,61; IC95%:0,21;3,00) foi associada à maior FPM, nas mulheres. Para os homens, no modelo final, diabetes (β:-3,78; IC95%:-6,51;-1,05) mostrou associação com a menor FPM. Na análise de tendência, houve declínio da FPM com o aumento do número de doenças crônicas para ambos os sexos. Houve associação entre algumas doenças crônicas e a FPM, com diferenças entre os sexos. Torna-se imprescindível a reformulação de políticas de saúde direcionadas à manutenção da independência e autonomia da população idosa.

Palavras-chave
Dinamômetro de força muscular; Saúde do idoso; Estudos transversais; Doença crônica

Introdução

A força de preensão manual (FPM) tem sido mencionada como bom indicador para predizer a força muscular total11. Hicks GE, Shardell M, Alley DE, Miller RR, Bandinelli S, Guralnik J, Lauretani F, Simonsick EM, Ferrucci L. Absolute strength and loss of strength as predictors of mobility decline in older adults: the InCHIANTI study. J Gerontol A Biol Sci Med Sci 2012; 67(1):66-73.

2. Stenholm S, Tiainen K, Rantanen T, Sainio P, Heliövaara M, Impivaara O, Koskinen S. Long term determinants of muscle strength decline: Prospective evidence from the 22 year mini Finland follow up survey. J Am Geriatr Soc 2012; 60(1):77-85.
-33. Taekema DG, Ling CH, Kurrle SE, Cameron ID, Meskers CG, Blauw GJ, Westendorp RG, de Craen AJ, Maier AB. Temporal relationship between handgrip strength and cognitive performance in oldest old people. Age Ageing 2012; 41(4):506-512., sendo imprescindível para a manutenção da independência funcional e autonomia44. Lopes CDC, Magalhães RA, Hunger MS, Martelli A. Treinamento de força e terceira idade: componentes básicos para autonomia. Arch Health Invest 2015; 4(1):37-44. dos indivíduos idosos. Além disso, é um dos métodos de avaliação da função muscular mais utilizado em estudos epidemiológicos com a população idosa, especialmente por ser de baixo custo e fácil aplicabilidade11. Hicks GE, Shardell M, Alley DE, Miller RR, Bandinelli S, Guralnik J, Lauretani F, Simonsick EM, Ferrucci L. Absolute strength and loss of strength as predictors of mobility decline in older adults: the InCHIANTI study. J Gerontol A Biol Sci Med Sci 2012; 67(1):66-73.

2. Stenholm S, Tiainen K, Rantanen T, Sainio P, Heliövaara M, Impivaara O, Koskinen S. Long term determinants of muscle strength decline: Prospective evidence from the 22 year mini Finland follow up survey. J Am Geriatr Soc 2012; 60(1):77-85.
-33. Taekema DG, Ling CH, Kurrle SE, Cameron ID, Meskers CG, Blauw GJ, Westendorp RG, de Craen AJ, Maier AB. Temporal relationship between handgrip strength and cognitive performance in oldest old people. Age Ageing 2012; 41(4):506-512..

Sabe-se que, com o avanço da idade, os idosos ficam mais suscetíveis ao acometimento por doenças crônicas não transmissíveis, as quais podem repercutir em redução na FPM22. Stenholm S, Tiainen K, Rantanen T, Sainio P, Heliövaara M, Impivaara O, Koskinen S. Long term determinants of muscle strength decline: Prospective evidence from the 22 year mini Finland follow up survey. J Am Geriatr Soc 2012; 60(1):77-85.. Algumas doenças como osteoporose, diabetes mellitus e hipertensão arterial, além de desencadearem disfunções metabólicas e nutricionais55. Rantanen T, Volpato S, Ferrucci L, Heikkinen E, Fried LP, Guralnik JM. Handgrip Strength and Cause Specific and Total Mortality in Older Disabled Women: Exploring the Mechanism. J Am Geriatr Soc 2003; 51(5):636-641. também induzem a comportamentos e estilos de vida não saudáveis, que contribuem para a perda da força muscular66. Rahi B, Morais JA, Dionne IJ, Gaudreau P, Payette H, Shatenstein B. The combined effects of diet quality and physical activity on maintenance of muscle strength among diabetic older adults from the NuAge cohort. Exp Gerontol 2014; 49:40-46.,77. Sternäng O, Reynolds CA, Finkel D, Ernsth-Bravell M, Pedersen NL, Aslan AKD. Factors associated with grip strength decline in older adults. Age ageing 2015; 44(2):269-274.. Outras condições crônicas de saúde comumente observadas em idosos incluem as quedas88. Antes DL, d'Orsi E, Benedetti TRB. Circumstances and consequences of falls among the older adults in Florianopolis. Epi Floripa Aging 2009. Rev Bras Epidemiol. 2013; 16(2):469-81. e as incapacidades99. Danielewicz AL, Barbosa AR, Del Duca GF. Nutritional status, physical performance and functional capacity in an elderly population in southern Brazil. Rev Assoc Med Bras 2014; 60(3):242-248.. Estas condições crônicas, quando associadas à menor FPM podem repercutir em pior qualidade de vida1010. Huntley AL, Johnson R, Purdy S, Valderas JM, Salisbury C. Measures of multimorbidity and morbidity burden for use in primary care and community settings: a systematic review and guide. Ann Fam Med 2012; 10(2):134-141.,1111. Lu FP, Chang WC, Wu SC. Geriatric conditions, rather than multimorbidity, as predictors of disability and mortality among octogenarians: A population-based cohort study. Geriatr Gerontol Int 2015; 16(3):345-351. e maior risco de mortalidade1111. Lu FP, Chang WC, Wu SC. Geriatric conditions, rather than multimorbidity, as predictors of disability and mortality among octogenarians: A population-based cohort study. Geriatr Gerontol Int 2015; 16(3):345-351..

Apesar da menor FPM ser considerada um fator de risco para determinadas doenças crônicas66. Rahi B, Morais JA, Dionne IJ, Gaudreau P, Payette H, Shatenstein B. The combined effects of diet quality and physical activity on maintenance of muscle strength among diabetic older adults from the NuAge cohort. Exp Gerontol 2014; 49:40-46.,1212. Leenders M, Verdijk LB, van der Hoeven L, Adam JJ, van Kranenburg J, Nilwik R, van Loon LJ. Patients with type 2 diabetes show a greater decline in muscle mass, muscle strength, and functional capacity with aging. J Am Med Dir Assoc 2013; 14(8):585-592.,1313. Li C-I, Li T-C, Lin W-Y, Liu C-S, Hsu C-C, Hsiung CA, Chen CY, Huang KC, Wu CH, Wang CY, Lin CC; Sarcopenia and Translational Aging Research in Taiwan (START) Team. Combined association of chronic disease and low skeletal muscle mass with physical performance in older adults in the Sarcopenia and Translational Aging Research in Taiwan (START) study. BMC geriatrics 2015; 15(1):11., poucos estudos investigaram a associação entre multimorbidade no mesmo indivíduo (incluindo suas comorbidades) e os valores de FPM22. Stenholm S, Tiainen K, Rantanen T, Sainio P, Heliövaara M, Impivaara O, Koskinen S. Long term determinants of muscle strength decline: Prospective evidence from the 22 year mini Finland follow up survey. J Am Geriatr Soc 2012; 60(1):77-85.,1414. Pessini J, Barbosa AR, Trindade E. Chronic diseases, multimorbidity and handgrip strength among older adults from southern Brazil. Rev Nutr 2016; 29(1):43-52.

15. Cheung C-L, Nguyen U-SD, Au E, Tan KC, Kung AW. Association of handgrip strength with chronic diseases and multimorbidity. Age 2013; 35(3):929-941.
-1616. Amaral CA, Portela MC, Muniz PT, Farias ES, Araújo TS, Souza OF. Association of handgrip strength with self-reported diseases in adults in Rio Branco, Acre State, Brazil: a population-based study. Cad Saude Publica 2015; 31(6):1313-1325.. Além de escassos, esses estudos mostram diferenças com relação às doenças associadas entre os sexos, assim como à direção dessas associações.

O estudo de Pessini et al.1414. Pessini J, Barbosa AR, Trindade E. Chronic diseases, multimorbidity and handgrip strength among older adults from southern Brazil. Rev Nutr 2016; 29(1):43-52., realizado com idosos brasileiros, verificou que a presença de diabetes, doença coronariana e doença pulmonar foram associadas à menor FPM nos homens, enquanto que o câncer e a depressão tiveram associação com a menor FPM nas mulheres. As associações verificadas foram independentes das características sociodemográficas, estilo de vida e outras doenças crônicas. Em outros dois estudos1515. Cheung C-L, Nguyen U-SD, Au E, Tan KC, Kung AW. Association of handgrip strength with chronic diseases and multimorbidity. Age 2013; 35(3):929-941.,1616. Amaral CA, Portela MC, Muniz PT, Farias ES, Araújo TS, Souza OF. Association of handgrip strength with self-reported diseases in adults in Rio Branco, Acre State, Brazil: a population-based study. Cad Saude Publica 2015; 31(6):1313-1325., também realizados com indivíduos idosos as associações foram verificadas no sentido inverso, considerando-se a FPM como variável de exposição e as doenças crônicas como desfechos. Cheung et al.1515. Cheung C-L, Nguyen U-SD, Au E, Tan KC, Kung AW. Association of handgrip strength with chronic diseases and multimorbidity. Age 2013; 35(3):929-941., encontraram que menor FPM foi associada à maior ocorrência de acidente vascular cerebral (AVC), ansiedade, hipertireoidismo e obstrução das vias aéreas nos homens; assim como à anemia, quedas e cifose nas mulheres. Para Amaral et al.1616. Amaral CA, Portela MC, Muniz PT, Farias ES, Araújo TS, Souza OF. Association of handgrip strength with self-reported diseases in adults in Rio Branco, Acre State, Brazil: a population-based study. Cad Saude Publica 2015; 31(6):1313-1325., a menor FPM esteve associada com maiores chances de hipertensão, diabetes e distúrbio musculoesquelético somente entre os homens.

Deste modo, torna-se necessário obter maior conhecimento da relação entre diferentes doenças crônicas e a FPM, uma vez que esta medida é considerada um importante indicador para a vigilância da saúde geral do idoso. O objetivo deste estudo foi verificar a associação entre presença de doenças crônicas e FPM em idosos residentes em Florianópolis, Santa Catarina.

Métodos

Área e população de estudo

Os dados deste estudo fazem parte da pesquisa longitudinal sobre as condições de saúde da população idosa de Florianópolis denominado EpiFloripa Idoso (www.epifloripa.ufsc.br). Tratase de uma análise transversal do estudo longitudinal de base populacional, realizado com idosos (60 anos ou mais) residentes na zona urbana do município de Florianópolis, estado de Santa Catarina, sul do Brasil, em 2013/2014 (linha de base 2009/2010).

Detalhes sobre o local, população do estudo e amostragem foram publicados previamente88. Antes DL, d'Orsi E, Benedetti TRB. Circumstances and consequences of falls among the older adults in Florianopolis. Epi Floripa Aging 2009. Rev Bras Epidemiol. 2013; 16(2):469-81. e serão apresentados de forma breve. Para a seleção da amostra da linha de base do estudo foi utilizada uma estratégia de amostragem em dois estágios. No primeiro, sortearam-se sistematicamente 80 setores (oito em cada decil de renda) dentre os 420 setores censitários urbanos do município. As unidades do segundo estágio foram os domicílios, sorteado de maneira sistemática. Todos os idosos residentes nos domicílios sorteados foram convidados a participar do estudo, sendo entrevistados 1705 idosos em 2009/2010 (linha de base). Na segunda onda do estudo, realizada em 2013/2014 foram excluídos 217 óbitos, resultando em 1488 idosos elegíveis. Durante as entrevistas realizadas em 2013/14 todos os idosos foram convidados a comparecer às dependências da Universidade Federal de Santa Catarina para realização de exames clínicos e laboratoriais, dentre os quais a FPM. Consideraram-se perdas as entrevistas não realizadas após quatro tentativas (inclusive no período noturno e no final de semana) e recusas quando as pessoas optaram em não responder o questionário. Para a presente análise a amostra consiste nos idosos que compareceram aos exames, sendo utilizados dados coletados nas entrevistas domiciliares de 2013/14 e durante a realização dos exames.

Coleta de dados

Para a coleta dos dados das entrevistas domiciliares de 2013/14 foi utilizado um instrumento estruturado na forma de entrevistas face a face, com entrada informatizada de dados em notebooks. Os entrevistadores foram previamente treinados para aplicação do instrumento, refinamento e calibração (precisão e validade) dos testes.

A consistência dos dados foi verificada semanalmente e o controle de qualidade foi realizado via telefone, por meio da aplicação, de questionário reduzido, em 10% das entrevistas realizadas selecionadas aleatoriamente.

Variável dependente

A FPM [quilograma força (kgf)] foi verificada por meio do dinamômetro (Takei Kiki Kogyio® TK 1201, Japão), utilizando o braço considerado de maior força (de acordo com a informação referida pelo entrevistado). Durante a execução do teste o entrevistado permaneceu sentado, apoiando o cotovelo em uma mesa, antebraço estendido à frente, palma da mão voltada para cima, devendo exercer a maior força possível no dinamômetro1717. Barbosa AR, Souza JM, Lebrão ML, Laurenti R, Marucci MFN. Functional limitations of Brazilian elderly by age and gender differences: data from SABE Survey. Cad Saude Publica 2005; 21(4):1177-1185.. A FPM foi analisada como variável contínua.

Condições crônicas de saúde: foi avaliada cada doença crônica individualmente e o número de morbidades autorreferidas (discreta; de 0 a 9) a partir da seguinte pergunta: Algum médico ou profissional de saúde já disse que o(a) Sr. (a) tem/teve...?, na qual constavam as seguintes opções de agravos (questionário da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD1818. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Instrumento de Coleta. Pesquisa nacional por amostra de domicílios: PNAD. 2003. [acessado 2003 Mar 20]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2003/questpnad2003.pdf.
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/...
: hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, câncer, doença crônica pulmonar (asma, bronquite, enfisema), doença coronariana, insuficiência renal crônica, doença vascular cerebral (embolia, derrame, isquemia, trombose cerebral), artrite/ reumatismo/artrose e depressão. A queda no último ano foi verificada por meio da pergunta: “O Senhor(a) sofreu alguma queda(tombo) no ultimo ano?”, categorizada em sim ou não.

Variáveis de ajuste

As variáveis de ajuste utilizadas foram: idade (anos completos), arranjo familiar (vive sozinho; vive acompanhado), escolaridade em anos de estudo (sem estudo formal; 1 a 4; 5 a 8; 9 a 11 e ≥ 12), tabagismo (fumante atual, ex-fumante ou nunca fumou), atividade física de lazer verificada através do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ)1919. Craig CL, Marshall AL, Sjostrom M, Bauman AE, Booth ML, Ainsworth BE, Pratt M, Ekelund U, Yngve A, Sallis JF, Oja P. International physical activity questionnaire: 12-country reliability and validity. Med Sci Sports Exerc 2003; 35(8):1381-1395., versão longa (0 a 149 minutos e ≥ 150 minutos de atividades físicas/semana). O estado cognitivo (normal e presença de provável déficit cognitivo) foi investigado pelo Miniexame do Estado Mental (MEEM), com pontos de corte que levam em consideração o nível de escolaridade de acordo com Almeida2020. Almeida OP. Mini exame dos estado mental e o diagnóstico de demência no Brasil. Arq Neuro Psiquiatr. 1998; 56(3B):605-612.. O índice de massa corporal para idosos foi avaliado a partir das medidas de massa corporal e altura [IMC = massa corporal (Kg) / estatura22. Stenholm S, Tiainen K, Rantanen T, Sainio P, Heliövaara M, Impivaara O, Koskinen S. Long term determinants of muscle strength decline: Prospective evidence from the 22 year mini Finland follow up survey. J Am Geriatr Soc 2012; 60(1):77-85. (m)], sendo realizadas de acordo com procedimentos padronizados2121. Chumlea WC, Guo S, Roche A, Steinbaugh M. Prediction of body weight for the nonambulatory elderly from anthropometry. J Am Diet Assoc 1988; 88(5):564-568..

A incapacidade funcional foi avaliada por meio do Questionário Brasileiro de Avaliação Funcional Multidimensional2222. Blay SL, Ramos LR, Mari JJ. Validity of a Brazilian version of the Older Americans Resources and Services (OARS) mental health screening questionnaire. J Am Geriatr Soc 1988; 36(8):687-692. adaptado do questionário Old Americans Resources and Services (BOMFAQ/OARS), o qual investiga a realização de 15 atividades básicas e instrumentais da vida diária (AVD/AIVD). A incapacidade foi classificada de acordo com o número de atividades com comprometimento: nenhuma, uma a três e quatro ou mais atividades.

Estas variáveis de ajuste foram escolhidas, pois há estudos que apresentam que a força muscular pode ser alterada com a idade, escolaridade2323. Confortin SC, Barbosa AR. Factors associa s associa s associated with m ted with m ted with muscle strength in older men fr ength in older men fr ength in older men from a rural Brazilian comm azilian comm azilian community. Medicina (Ribeirão Preto) 2015; 48(2):151-159.,2424. Confortin SC, Barbosa AR. Factors associated with muscle strength among rural community-dwelling older women in southern Brazil. J Geriatr Phys Ther 2015; 38(4):162-168., tabagismo2323. Confortin SC, Barbosa AR. Factors associa s associa s associated with m ted with m ted with muscle strength in older men fr ength in older men fr ength in older men from a rural Brazilian comm azilian comm azilian community. Medicina (Ribeirão Preto) 2015; 48(2):151-159., estado cognitivo33. Taekema DG, Ling CH, Kurrle SE, Cameron ID, Meskers CG, Blauw GJ, Westendorp RG, de Craen AJ, Maier AB. Temporal relationship between handgrip strength and cognitive performance in oldest old people. Age Ageing 2012; 41(4):506-512.,2424. Confortin SC, Barbosa AR. Factors associated with muscle strength among rural community-dwelling older women in southern Brazil. J Geriatr Phys Ther 2015; 38(4):162-168. e IMC22. Stenholm S, Tiainen K, Rantanen T, Sainio P, Heliövaara M, Impivaara O, Koskinen S. Long term determinants of muscle strength decline: Prospective evidence from the 22 year mini Finland follow up survey. J Am Geriatr Soc 2012; 60(1):77-85.,33. Taekema DG, Ling CH, Kurrle SE, Cameron ID, Meskers CG, Blauw GJ, Westendorp RG, de Craen AJ, Maier AB. Temporal relationship between handgrip strength and cognitive performance in oldest old people. Age Ageing 2012; 41(4):506-512..

Análise dos dados

Foram realizadas análises descritivas para todas as variáveis, com cálculo das prevalências e dos respectivos intervalos de confiança (IC95%) para as variáveis categóricas; e médias e desvio padrão para as variáveis contínuas, estratificadas por sexo. Para a análise bivariada foi utilizado o teste qui-quadrado (variáveis categóricas) e teste t-Student (variáveis contínuas). Para as análises bivariada e ajustada foram utilizadas regressão linear estimando-se coeficientes (β) brutos e ajustados, com seus respectivos intervalos de confiança (IC95%). Foram considerados três modelos de ajuste na associação para cada doença crônica e a FPM: Modelo 1) ajustado por idade, escolaridade e arranjo familiar; Modelo 2) ajustado por idade, escolaridade e arranjo familiar, tabagismo, atividade física, índice de massa corporal, incapacidade funcional e estado cognitivo; Modelo 3) ajustado por idade, escolaridade e arranjo familiar, tabagismo, atividade física, índice de massa corporal, incapacidade funcional, estado cognitivo e por todas as condições crônicas de saúde (hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, câncer, doença crônica pulmonar [asma, bronquite, enfisema], doença coronariana, insuficiência renal crônica, doença vascular cerebral [embolia, derrame, isquemia, trombose cerebral], artrite/reumatismo/artrose, depressão e quedas), para eliminar o possível efeito de confusão da presença de múltiplas doenças crônicas. Considerou-se o nível de significância estatística de 5%.

Foi realizada análise de tendência da FPM pelo número de morbidades, para cada sexo. Para isso, calculou-se a média predita de FPM a partir de um modelo de regressão linear, ajustado por idade, escolaridade, arranjo familiar, tabagismo, atividade física, índice de massa corporal, incapacidade funcional e estado cognitivo. A diferença significativa foi verificada a partir do intervalo de confiança de 95%.

A análise dos dados foi conduzida no programa estatístico Stata 13.0 (Stata Corp., College Station, EUA). Todas as análises realizadas consideraram o efeito do desenho amostral por conglomerados e incorporando-se os pesos amostrais por meio do comando svy.

Considerações éticas

O projeto foi aprovado pelo comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina, por meio do Certificado de Apresentação para Apreciação Ética (CAAE). Foi solicitada, aos entrevistados, a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os autores declaram não haver conflito de interesses.

Resultados

Do total de idosos elegíveis para o estudo (1705-217 óbitos = 1488 idosos), 1197 foram entrevistados em 2013/14 (2 duplicados, 1 idade incompatível, 159 foram perdas, e 129 recusas), com taxa de resposta de 80,1%. Destes, 604 idosos compareceram para realizar os exames clínicos, dentre os quais 599 submeteram-se a avaliação da FPM, sendo essa a amostra analítica do estudo. A maioria dos indivíduos que realizou os exames clínicos era do grupo etário mais jovem (60-69 anos), trabalhava, consumia álcool, era fisicamente ativa, com menor grau de dependência, com estado cognitivo normal, sem suspeita de depressão e tinha plano de saúde.

A FPM média foi 17,9 (desvio padrão: 5,4) kg/força para as mulheres e 29,3 (desvio padrão: 8,7) kg/força para os homens.

Os dados da Tabela 1 mostram que houve diferença entre os sexos em relação à escolaridade, arranjo familiar, tabagismo, estado cognitivo, atividade física, incapacidade funcional e quedas. A maior parte das mulheres relatou ter 1 a 4 anos de escolaridade (39,1%), vivia acompanhada (71,2%), nunca fumou (74,8%), com estado cognitivo normal (75,3%), praticava de 0 a 149 minutos de atividade física no lazer (57,3%), relatou incapacidade em 1 a 3 AVD (38,5%) e não sofreu queda no último ano (66,2%), enquanto que a maior parte dos homens tinha 12 ou mais anos de escolaridade (32,9%), vivia acompanhado (89,3%), era ex-fumante (58,5%), com estado cognitivo normal (84,2%), praticava 150 minutos ou mais de atividade física no lazer (54,2%) e relatou nenhuma incapacidade funcional (48,0%).

Tabela 1
Descrição da amostra e análise bivariada, de acordo com as variáveis demográficas, socioeconômicas, estilo de vida e condições de saúde em idosos de Florianópolis, Santa Catarina, 2013/2014.

Os resultados das associações entre FPM e as variáveis independentes para as mulheres são apresentados na Tabela 2. Na análise bruta, a presença de artrite/reumatismo/artrose, acidente vascular cerebral e osteoporose foram associadas à menor FPM. No modelo 1, a presença de artrite/reumatismo/artrose e osteoporose mantiveram a associação e bronquite ou asma passou a ser associada à maior FPM, considerando as variáveis de ajuste (idade, escolaridade, arranjo familiar, tabagismo, atividade física, IMC, estado cognitivo e incapacidade funcional). Nos modelos 2 e 3, após os ajustes, apenas artrite/reumatismo/artrose (β:-1,37; IC95%: -2,55;-0,20) manteve associação com a menor FPM e bronquite ou asma (β:1,61; IC95%:0,21;3,00) manteve a associação com a maior FPM.

Tabela 2
Análise de regressão linear múltipla para teste de associação entre cada doença crônica e força de preensão manual em mulheres. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, 2013/2014.

Para os homens (Tabela 3), na análise bruta, o diabetes, acidente vascular cerebral e relatar quedas no último ano foram associadas à menor FPM. Nos Modelos 1, 2 e 3, considerando as variáveis de ajuste, apenas diabetes (β:-3,78; IC95%:-6,51;-1,05) mostrou associação independente com a menor FPM.

Tabela 3
Análise de regressao linear múltipla para teste de associação entre cada doença crônica e força de preensão manual em homens. Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, 2013/2014.

A Figura 1 apresenta o gráfico referente à distribuição da média predita de FPM de acordo com o número de doenças crônicas em homens e mulheres. Observa-se propensão ao declínio da FPM média com o aumento do número de doenças crônicas para ambos os sexos. Em relação às mulheres, houve redução significativa na média predita de FPM entre as que apresentaram 2 ou mais morbidades quando comparadas às que não tinham morbidade. Entre os homens, a redução também foi significativa a partir da existência de 3 ou mais morbidades, quando comparados àqueles com nenhuma morbidade (Tabela 4).

Figura 1
Gráfico de análise da distribuição da média predita de força de preensão manual (FPM) e o número de doenças crônicas em homens e mulheres do município de Florianópolis, Santa Catarina.
Tabela 4
Distribuição da média predita de força de preensão manual (FPM) e o número de doenças crônicas em homens e mulheres.

Discussão

Os resultados mostraram diferenças entre os sexos em relação às condições crônicas associadas à FPM, mesmo após ajustes para todas as morbidades e demais fatores de ajuste. Nas mulheres, a artrite/reumatismo/artrose foi associada a menores valores de FPM enquanto a bronquite ou asma foi associada a maiores valores de FPM. Para os homens, o diabetes foi associado a menores valores de FPM. Em relação à análise de tendência, houve redução significativa da FPM com o aumento do número de doenças crônicas para ambos os sexos.

A associação entre artrite/reumatismo/artrose e menores valores de FPM, em mulheres, é consistente com os resultados de estudo prévio1313. Li C-I, Li T-C, Lin W-Y, Liu C-S, Hsu C-C, Hsiung CA, Chen CY, Huang KC, Wu CH, Wang CY, Lin CC; Sarcopenia and Translational Aging Research in Taiwan (START) Team. Combined association of chronic disease and low skeletal muscle mass with physical performance in older adults in the Sarcopenia and Translational Aging Research in Taiwan (START) study. BMC geriatrics 2015; 15(1):11.. O estudo de Li et al.1313. Li C-I, Li T-C, Lin W-Y, Liu C-S, Hsu C-C, Hsiung CA, Chen CY, Huang KC, Wu CH, Wang CY, Lin CC; Sarcopenia and Translational Aging Research in Taiwan (START) Team. Combined association of chronic disease and low skeletal muscle mass with physical performance in older adults in the Sarcopenia and Translational Aging Research in Taiwan (START) study. BMC geriatrics 2015; 15(1):11., com 2.398 indivíduos, com 65 anos ou mais, mostrou associação artrite/reumatismo/artrose e menor FPM, mesmo após o ajuste para as demais doenças e fatores socioeconômicos. A diminuição da FPM em indivíduos com artrite/reumatismo/artrose pode ser explicada pelo fato que nos portadores destas doenças a fraqueza muscular é frequente e, em geral, ocorre devido à atrofia por desuso. Além disso, o processo de inflamação sistêmica, dor e rigidez articular contribuem para alterações funcionais e estruturais vinculadas ao sistema neuromuscular, tais como a diminuição da ativação neural voluntária e atrofia muscular2525. Häkkinen A, Kautiainen H, Hannonen P, Ylinen J, Mäkinen H, Sokka T. Muscle strength, pain, and disease activity explain individual subdimensions of the Health Assessment Questionnaire disability index, especially in women with rheumatoid arthritis. Ann Rheum Dis 2006; 65(1):30-34..

O relato de bronquite/asma foi associado a maiores valores de FPM em mulheres, resultado contrário ao verificado em estudos prévios22. Stenholm S, Tiainen K, Rantanen T, Sainio P, Heliövaara M, Impivaara O, Koskinen S. Long term determinants of muscle strength decline: Prospective evidence from the 22 year mini Finland follow up survey. J Am Geriatr Soc 2012; 60(1):77-85.,2626. Shah S, Nahar P, Vaidya S, Salvi S. Upper limb muscle strength & endurance in chronic obstructive pulmonary disease. Indian J Med Res 2013; 138(4):492-496.. Alguns estudos não identificaram diferenças na FPM de indivíduos saudáveis quando comparados àqueles com doença pulmonar crônica2727. Heijdra YF, Pinto-Plata V, Frants R, Rassulo J, Kenney L, Celli BR. Muscle strength and exercise kinetics in COPD patients with a normal fat-free mass index are comparable to control subjects. Chest 2003; 124(1):75-82.,2828. Engelen M, Schols A, Baken W, Wesseling G, Wouters E. Nutritional depletion in relation to respiratory and peripheral skeletal muscle function in out-patients with COPD. Eur Respir J 1994; 7(10):1793-1797., e que os casos onde tal associação foi encontrada22. Stenholm S, Tiainen K, Rantanen T, Sainio P, Heliövaara M, Impivaara O, Koskinen S. Long term determinants of muscle strength decline: Prospective evidence from the 22 year mini Finland follow up survey. J Am Geriatr Soc 2012; 60(1):77-85.,2626. Shah S, Nahar P, Vaidya S, Salvi S. Upper limb muscle strength & endurance in chronic obstructive pulmonary disease. Indian J Med Res 2013; 138(4):492-496. são mais explicados por características nutricionais da amostra, como por exemplo, a menor quantidade de massa magra muscular, do que pela função pulmonar reduzida. A asma e a bronquite são doenças crônicas, que podem se apresentar tanto em fases de exacerbação quanto de remissão, o que modifica a forma de uso da medicação, assim como dos comportamentos ligados à prática de atividade física e alimentação, os quais podem interferir diretamente na FPM2929. Global Initiative for Asthma. Global strategy for asthma management and prevention: GINA. 2015. [acessado 2003 Mar 20]. Disponível em: http://www.ginasthma.org/local/uploads/files/GINA_Report_2015_Aug11.pdf
http://www.ginasthma.org/local/uploads/f...
. Tais características podem ter influenciado o resultado encontrado neste estudo.

A presença de diabetes foi associada à menor FPM, assim como verificado em estudos prévios66. Rahi B, Morais JA, Dionne IJ, Gaudreau P, Payette H, Shatenstein B. The combined effects of diet quality and physical activity on maintenance of muscle strength among diabetic older adults from the NuAge cohort. Exp Gerontol 2014; 49:40-46.,1212. Leenders M, Verdijk LB, van der Hoeven L, Adam JJ, van Kranenburg J, Nilwik R, van Loon LJ. Patients with type 2 diabetes show a greater decline in muscle mass, muscle strength, and functional capacity with aging. J Am Med Dir Assoc 2013; 14(8):585-592.,1414. Pessini J, Barbosa AR, Trindade E. Chronic diseases, multimorbidity and handgrip strength among older adults from southern Brazil. Rev Nutr 2016; 29(1):43-52.. As alterações metabólicas presentes no diabetes podem acarretar desordens do tecido conjuntivo, neuropatias, atrofia do músculo estriado esquelético, distúrbios motores3030. Arkkila PE, Gautier J-F. Musculoskeletal disorders in diabetes mellitus: an update. Best Pract Res Clin Rheumatol 2003; 17(6):945-970. e, consequentemente, redução da força muscular. Estudo1212. Leenders M, Verdijk LB, van der Hoeven L, Adam JJ, van Kranenburg J, Nilwik R, van Loon LJ. Patients with type 2 diabetes show a greater decline in muscle mass, muscle strength, and functional capacity with aging. J Am Med Dir Assoc 2013; 14(8):585-592. realizado com homens idosos diabéticos mostrou que esses apresentavam menor massa muscular esquelética apendicular, pior performance funcional e menor FPM, quando comparados a outros homens idosos não diabéticos. Além disso, eles estão mais propensos ao risco de quedas, depressão e fragilidade3131. Souza MB, Sampaio R, Cavalcanti FS, Dias R, Kirkwood R. The Relationship between Diabetes Mellitus, Geriatric Syndromes, Physical Function, and Gait: A Review of the Literature. Curr Diabetes Rev 2015., o que pode repercutir em incapacidade funcional e pior FPM.

A coexistência de duas ou mais doenças crônicas, avaliada na análise de tendência, reduziu em ambos os sexos a FPM média predita. Essa coexistência, além de muito frequente entre idosos, repercute em prejuízos à saúde de indivíduos, especialmente em idades mais avançadas, como incapacidade funcional, perda da qualidade de vida e gerar altos custos com saúde3232. Fortin M, Soubhi H, Hudon C, Bayliss EA, van den Akker M. Multimorbidity's many challenges. BMJ 2007; 334(7602):1016-1017.,3333. Marengoni A, Angleman S, Melis R, Mangialasche F, Karp A, Garmen A, Meinow B, Fratiglioni L. Aging with multimorbidity: a systematic review of the literature. Ageing Res Rev 2011; 10(4):430-439.. Apesar de escassos, alguns estudos1414. Pessini J, Barbosa AR, Trindade E. Chronic diseases, multimorbidity and handgrip strength among older adults from southern Brazil. Rev Nutr 2016; 29(1):43-52.

15. Cheung C-L, Nguyen U-SD, Au E, Tan KC, Kung AW. Association of handgrip strength with chronic diseases and multimorbidity. Age 2013; 35(3):929-941.
-1616. Amaral CA, Portela MC, Muniz PT, Farias ES, Araújo TS, Souza OF. Association of handgrip strength with self-reported diseases in adults in Rio Branco, Acre State, Brazil: a population-based study. Cad Saude Publica 2015; 31(6):1313-1325. se propuseram a investigar a relação entre FPM e a presença de múltiplas doenças crônicas e também encontraram valores reduzidos de FPM na presença de doenças crônicas.

Dentre as limitações deste estudo incluem-se as informações autorreferidas e o uso de Proxy respondente, pois podem repercutir na interpretação errônea do entrevistado e/ou omissão de respostas legítimas quando o idoso recebeu auxílio do cuidador/acompanhante, repercutindo em viés de informação. Além disso, o instrumento usado neste estudo para colher dados referentes às doenças crônicas, não permitiu investigar o estágio, tipo ou gravidade da doença. Ainda, o uso de certos medicamentos não foi utilizado como variável de ajuste, pois esta informação está indisponível.

Como pontos fortes destaca-se o fato deste ser o primeiro estudo brasileiro realizado com amostra representativa de idosos de uma capital, de base populacional, a analisar a associação entre força muscular e a presença de doenças crônicas. Ressalta-se também que a avaliação da FPM é amplamente utilizada na literatura, sendo que o instrumento e o procedimento adotados nesta investigação têm sido utilizados em estudos envolvendo diferentes populações de idosos1313. Li C-I, Li T-C, Lin W-Y, Liu C-S, Hsu C-C, Hsiung CA, Chen CY, Huang KC, Wu CH, Wang CY, Lin CC; Sarcopenia and Translational Aging Research in Taiwan (START) Team. Combined association of chronic disease and low skeletal muscle mass with physical performance in older adults in the Sarcopenia and Translational Aging Research in Taiwan (START) study. BMC geriatrics 2015; 15(1):11.,1515. Cheung C-L, Nguyen U-SD, Au E, Tan KC, Kung AW. Association of handgrip strength with chronic diseases and multimorbidity. Age 2013; 35(3):929-941.,1717. Barbosa AR, Souza JM, Lebrão ML, Laurenti R, Marucci MFN. Functional limitations of Brazilian elderly by age and gender differences: data from SABE Survey. Cad Saude Publica 2005; 21(4):1177-1185.. Além disso, a investigação e contagem de doenças crônicas em indivíduos é uma das medidas mais comumente utilizadas na assistência primária1010. Huntley AL, Johnson R, Purdy S, Valderas JM, Salisbury C. Measures of multimorbidity and morbidity burden for use in primary care and community settings: a systematic review and guide. Ann Fam Med 2012; 10(2):134-141. e pode fornecer informações importantes para o planejamento de ações de cuidados à saúde.

A FPM é uma medida objetiva, considerada como bom indicador do estado de saúde, da progressão de doenças e da eficácia de programas de reabilitação, especialmente em idosos. Sua medida permite analisar o impacto da presença de doenças crônicas na força muscular periférica, tornando-se essencial para a vigilância da saúde geral.

A partir disso, o desenvolvimento de políticas de saúde e de programas de intervenção baseados em exercícios, podem almejar a promoção e recuperação de força, massa muscular e, consequentemente, da capacidade funcional da população idosa, além de promover indiretamente a percepção positiva de saúde e melhor qualidade de vida desta população.

De acordo com os resultados obtidos, percebe-se a importância da avaliação da FPM entre os idosos que apresentam doenças crônicas, pois estas podem repercutir em prejuízo na saúde física e funcional. A manutenção da força muscular repercute na independência e autonomia dos idosos, que são considerados fatores de promoção do envelhecimento saudável3434. Moraes JFD. Factors associated with the successful aging of the socially-active elderly in the metropolitan region of Porto Alegre. Rev Bras Psiquiatr 2005; 27(4):302-308., e devem ser foco de ações preventivas e de intervenções.

Agradecimentos

Ao CNPq pelo financimento do estudo.

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Histórico

  • Recebido
    09 Dez 2015
  • Revisado
    24 Ago 2016
  • Aceito
    26 Ago 2016
  • Publicação
    Maio 2018
ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva Rio de Janeiro - RJ - Brazil
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