Representações dos agentes de combate ao Aedes aegypti sobre a estratégia de retirada do inseticida nas ações de controle do vetor

 

Views of the agents that fight Aedes aegypti on the strategy of eliminating insecticide in vector control action

 

 

Ana Maria Cavalcanti LefevreI; Fernando LefevreII; Sirle Abdo Salloum ScandarIII; Sueli YasumaroIII; Susy Mary do P. SampaioII

IPrefeitura do Município de São Paulo, Centro de Controle de Doenças (CCD), Departamento de Prática em Saúde Pública, Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo. Av. Dr. Arnaldo, 715; 01246-904 - São Paulo, SP; alefevre@usp.br
IIDepartamento de Prática em Saúde Pública Faculdade de Saúde Pública Universidade de São Paulo
IIISUCEN - Superintendência de Controle de Endemias/SES—SP

 

 


RESUMO

Estudos realizados pela Superintendência de Controle de Endemias-SUCEN sobre a suscetibilidade do Aedes aegypti a inseticidas utilizados rotineiramente no seu controle demonstraram que o principal problema identificado dizia respeito ao uso excessivo do controle químico, em detrimento da melhoria das condições de saneamento do meio e das ações educativas. Verificou-se também que este uso inadequado do inseticida, se mantido ao longo do tempo, viria a comprometer a sustentabilidade das ações anti-Aedes. A presente pesquisa pretende investigar a percepção de profissionais da Saúde das esferas estadual e municipal que atuam no controle do Aedes aegypti frente à proposta técnica da SUCEN, que, em função desses estudos, decidiu pela retirada do inseticida usado rotineiramente no controle do vetor. A investigação quali-quantitativa foi feita em 5 municípios do Estado de São Paulo, tendo sido utilizado o método do Discurso do Sujeito Coletivo. Chegou-se à conclusão de que as idéias e valores que presidiram a adoção pela SUCEN da política de retirada do inseticida do casa a casa fazem parte do imaginário dos técnicos entrevistados, estando presentes as idéias de toxidade do veneno, do prejuízo à ecologia e à saúde do funcionário, da revalorização do controle mecânico do vetor e da necessidade de reforço da atuação no plano educativo junto à população. Estão também presentes idéias que confrontam com esta política e que dizem respeito à forte crença no uso do inseticida e também a uma visão céptica da atividade educativa a ser desenvolvida junto à população.

Palavras- chave: Vetor da dengue. Inseticida. Educação. Avaliação de políticas públicas.


ABSTRACT

Studies undertaken by the SUCEN (Superintendency for the Control of Endemic Diseases) on the susceptibility of Aedes Aegypti to the insecticide normally used to fight this mosquito have identified the main problem as being the excessive use of chemical control causing environmental damage, and the reduction in educational activities. These studies have also showed that the inadequate use of the insecticide during a long period of time would jeopardize the sustainability of the fight against the mosquito. The current study intends to investigate the views of state and municipal health professionals that work on Aedes aegypti control, and the technical proposals of SUCEN, which, due to such studies, has removed the insecticide normally used in the control of mosquito larvae. The current qualitative-quantitative research was undertaken in five municipalities in the State of São Paulo. The method used was the Discourse of the Collective Subject. The conclusion was that the ideas and values that led SUCEN to suspend the use of the insecticide were present in the imaginary of the health professionals interviewed. Their ideas included toxicity, damage to the environment and to the health of staff, renewed appreciation of the relevance of mechanical vector control and the need to reinforce educational activities. Ideas opposing the policy were also found. These ideas show a strong belief in the use of insecticides and a skeptical view of educational activities.

Key Words: Dengue-vector. Insecticide. Education. Evaluation of public policies.


 

 

Introdução

Desde 1996, a Superintendência de Controle de Endemias - SUCEN vem desenvolvendo um Programa de Monitoramento da Suscetibilidade do Aedes aegypti, vetor transmissor da febre amarela e da dengue, a inseticidas utilizados rotineiramente no seu controle, com vistas a verificar o nível de resposta à exposição deste mosquito aos produtos e a definição do momento da substituição destes produtos1.

As avaliações das ações de vigilância e controle vetorial da dengue desenvolvidas no Estado de São Paulo desde o ano de 2000 demonstraram que, nas atividades rotineiras, o principal problema identificado dizia respeito ao uso excessivo do controle químico, em detrimento da melhoria das condições de saneamento do meio como reflexo das ações educativas implementadas durante o período de 1996 a 2000 e das ações de vigilância sanitária. Este uso inadequado, se mantido ao longo do tempo, viria a comprometer a sustentabilidade das ações anti-Aedes2.

Estudos sobre a resistência do vetor ao inseticida têm confirmado esta preocupação, como mostra o artigo de Glasser & Donalísio3, ao afirmarem que "além dos vários mecanismos de resistência presentes nos insetos, que permitem sua sobrevivência após contato com o inseticida, há outra forma, chamada de comportamental, que define o processo de seleção de indivíduos com aptidão para evitar total ou parcialmente o contato com doses que resultariam letais." O Informe Técnico 737 da Organização Mundial da Saúde4 faz também referência a esta mesma constatação.

Outros estudos da Organização Mundial da Saúde, como o Informe Técnico 8185 e Informe Técnico 5856, ressaltam outros problemas relativos ao uso de inseticida. O primeiro mostra a crescente necessidade de sucessivas substituições dos inseticidas ou da adoção de novos métodos de controle, para evitar a resistência do vetor ao uso continuado do mesmo. O segundo relata os vários fatores envolvidos no processo de resistência e várias formas de retardar este processo, através da adoção de medidas de manejo na construção das estratégias de controle de vetores.

Isso veio reforçar a necessidade do máximo de racionalização no emprego desses produtos químicos em todo o Brasil e no Estado, seguindo normas do Ministério da Saúde por meio da FUNASA7, como forma de preservar, por períodos mais longos, sua efetividade.

Os resultados do Monitoramento da Suscetibilidade do Aedes aegypti evidenciaram, para o larvicida Temephos e para a Cipermetrina (adulticida), a resistência das populações de Aedes aegypti no Estado de São Paulo, de forma generalizada. Assim, ficou evidente a diminuição mais acentuada da suscetibilidade de Aedes aegypti nos locais onde a utilização desses produtos químicos foi mais intensa.

Estes resultados, associados à perspectiva de agravamento da situação epidemiológica da dengue, combinada com a linha central da estratégia de controle de Aedes aegypti, que consistia na redução de criadouros desse vetor, levou a que se propusesse a utilização de produtos caseiros como sal, desinfetantes, detergente, água sanitária e outros como forma alternativa, em substituição ao larvicida Temephos.

 

Objetivo

O objetivo da presente pesquisa foi verificar a percepção de profissionais da saúde das esferas estadual e municipal que atuam no controle do Aedes aegypti frente à proposta técnica da retirada do inseticida usado rotineiramente no controle do vetor.

 

Metodologia

A partir de uma situação vivenciada em uma disciplina de um curso para técnicos da SUCEN sobre a operacionalização de estratégia para o controle da dengue no Estado de São Paulo, decidiu a SUCEN realizar uma pesquisa quali-quantitativa utilizando a metodologia do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC)8, com o objetivo de verificar a percepção dos técnicos a propósito da retirada do inseticida das ações do casa a casa.

Esta técnica implica em selecionar, de cada resposta individual a uma questão, as Expressões Chave, que são trechos mais significativos destas respostas. A essas Expressões Chave correspondem Idéias Centrais, que são a síntese do conteúdo discursivo manifestado nas Expressões Chave. Com o material das Expressões Chave das Idéias Centrais semelhantes são construídos discursos-síntese ou DSCs, na primeira pessoa do singular, com um número variado de participantes, onde o pensamento de um grupo ou coletividade aparece como se fosse um discurso individual. Uma vez "qualificada" a variável pelo DSC, ela passa a poder ser quantificada, utilizando-se os recursos habituais de quantificação como gráficos, tabelas, etc.

O Discurso do Sujeito Coletivo ou DSC representa um recurso metodológico destinado a tornar mais claras e expressivas as Representações Sociais, permitindo que um determinado grupo social possa ser visto como autor e emissor de discursos compartilhados entre os membros do grupo9.

O termo Representação Social10 nomeia uma perspectiva teórico-metodológica das ciências sociais, mais particularmente da psicologia social11, que, tendo como base o conceito sociológico de Representação Coletiva12, introduz um novo conceito, aparentado deste, que diz respeito menos a idéias, opiniões ou ideologias, e mais a esquemas mentais sociocognitivos13 - que podem também ser vistos como práticas discursivas14 - aprendidos espontaneamente na prática corrente da vida social pelos diversos atores sociais, e usados por estes para a percepção do mundo e para as comunicações correntes.

Nesse sentido, o levantamento e a descrição das Representações Sociais via pesquisas empíricas15,16 é de grande valia para o acompanhamento e avaliação das políticas públicas na área da saúde e fora dela. Mais particularmente, a descrição das representações sociais é importante na medida em que estas são formuladas nos altos escalões do Aparelho de Estado, mas implementadas por técnicos (aqui os desinsetizadores) que mobilizam, muitas vezes de modo inconsciente, suas representações sociais e seus esquemas sociocognitivos para entenderem e interpretarem (não raro de modo próprio) estas políticas públicas. A título de exemplo, a política publica para o SUS — regionalização da assistência à saúde — foi objeto de um interessante estudo que mostra como os profissionais médicos a entendem e a implementam17.

Ora, como são estes técnicos que interagem diretamente com a população, a verdadeira e concreta face desta política passa, necessariamente, pela Representação que dela faz o técnico, que precisa então ser conhecida e descrita pelo formulador da política que deseja vê-la incorporada ao tecido social.

O conhecimento, via pesquisa, destas Representações dos técnicos serve também para que se possa utilizar os resultados como matéria-prima de processos pedagógicos de treinamento, reciclagem e capacitação destes técnicos18, numa linha pedagógica inspirada nos modelos dialogais formulados por Paulo Freire, em que se busca confrontar o técnico com seu próprio universo discursivo19.

 

Universo da Pesquisa

Foram estudadas 5 regiões do Estado, a saber: região metropolitana da Grande São Paulo, regiões de Araçatuba, São José do Rio Preto, Sorocaba e Presidente Prudente.

Nestas regiões foram entrevistados 89 funcionários, tanto da esfera estadual como da esfera municipal, com experiência no desenvolvimento do Programa de Controle da Dengue. Foram entrevistados 20 funcionários no Município de Presidente Prudente, 11 em Araçatuba, 28 em Sorocaba, 10 na Grande São Paulo e 20 em São José do Rio Preto. A escolha dos entrevistados foi feita de forma aleatória, mas por se tratar de pesquisa exploratória de cunho qualitativo não houve a intenção de constituir uma amostra representativa da população estudada.

Os depoimentos foram colhidos através de entrevistas semi-estruturadas, abordando aspectos de interesse da pesquisa. O instrumento de pesquisa foi pré-testado, sofrendo readequações. A coleta dos depoimentos foi realizada com a concordância dos participantes, ocorrendo no próprio local de trabalho, sendo os depoimentos gravados em fitas magnéticas para serem posteriormente transcritos.

 

Resultados

Tendo em vista a grande quantidade de dados obtidos nesta pesquisa, este artigo abordará em detalhes, no segmento qualitativo, apenas os principais DSCs, ou seja, aqueles que revelam a concordância explícita com a proposta de retirada do abate® ou a discordância dela. Isto explica o fato de as letras dos DSCs apresentados não obedecerem a uma seqüência completa, estando no segmento qualitativo presentes somente as representações A, B, C, D, G, H, J, K e O.

O segmento quantitativo será apresentado na íntegra, ou seja, com todas as idéias centrais presentes nas representações.

Apresentaremos inicialmente os dados qualitativos e a seguir a sua expressão quantitativa.

• Dados qualitativos

A pergunta que serviu de estímulo para que os técnicos se posicionassem foi:

A SUCEN está propondo para breve a retirada do ABATE (inseticida) do casa a casa. Fale um pouco sobre isto.

DSCs PARA O ESTADO DE SÃO PAULO

I - CONCORDA PORQUE:

A. O inseticida é tóxico

DSC

A retirada do abate é uma nova estratégia, é uma necessidade. Eu acho importante, acho que seria bom essa retirada do ABATE; para os funcionários, seria um larvicida a menos para mexer. Se o agente parasse com o ABATE, não estaria mexendo com um inseticida que, apesar de não ser um inseticida forte, não deixa de ser tóxico. Daí que eu acho que tirar o Abate é uma boa, porque evita o contato direto nosso com o Abate; melhora muito para a gente que trabalha com o inseticida, porque está exposto aos gases que solta o Abate, que é um produto químico.

Tem também o fato de que o ABATE é um veneno, enquanto que o sal é um produto de consumo de vários moradores, de toda a população. Então, além de estar lidando com sal não vai estar lidando com veneno, o que não vai prejudicar a saúde de ninguém.

Outra coisa: com a retirada, você vai estar evitando depositar milhões de quilos de ABATE inseticida aí nos rios, porque queira ou não você jogou o veneno lá no pratinho, o morador vai lavar, vai pra rede de esgoto, vai cair num rio, você vai estar poluindo de certa forma. O resíduo destas embalagens também vai diminuir.

Além disso, o ABATE tem um poder de larvicida, era usado em plantas, e inclusive algumas pessoas reclamam que morreram plantas. Então, acho que pelo fato de colocar em excesso havia esse problema de reclamação de moradores. Daí, com a retirada, vai estar evitando as reclamações.

B. O inseticida pode levar à resistência do vetor

DSC

Eu acredito que o ABATE, ele é muito bom como medida de controle, só que com o tempo a tendência do mosquito, da larva, é criar resistência. Mas se for usado com critério ele tem que continuar; não da maneira indiscriminada como o pessoal usa, sem técnica nenhuma, principalmente o pessoal de alguns municípios: qualquer coisinha, ao invés de retirar, põe o ABATE.

Desde que eles começaram com a aplicação do ABATE, aplicaram sempre em excesso, o que está dando resistência ao mosquito. Por isso é que eu acho válida a retirada do ABATE. Então, eu acredito realmente que ele tem de ser usado só em casos específicos, para evitar que a larva adquira resistência, pra o mosquito não ter resistência. Na minha opinião, o excesso de ABATE complica as coisas e o mosquito não vai morrer mais.

Talvez estaria na hora de estar sendo estudado um novo método para ser controlado na substituição do ABATE. De um tempo pra cá, mais ou menos uns 10 meses, já estamos trabalhando com sal de cozinha, que a gente vem colocando nas casas das pessoas. As pessoas perguntam se vai funcionar; eu acho que sim, o sal o agente combate e não faz tanto ... como eu posso falar ... assim ... não cria resistência, e se o ABATE não está tendo realmente uma eficácia no seu propósito, eu acho que realmente tem que repensar. Biologicamente, seria o ideal tirar mesmo.

C. A retirada do inseticida possibilitará melhor controle mecânico do vetor e o avanço da atividade educativa junto à população

DSC

A retirada do ABATE vai ser um meio importante para que o nosso trabalho de IEC se valorize mais ainda, para que a gente possa estar treinando muito mais os agentes, colocando eles mais em dia com todas as informações, estar deixando eles, assim, praticamente mais afiados pra esse trabalho do casa a casa.

No meu caso, a gente tem sempre trabalhado na parte educativa e nós sempre achamos que esse lado educativo é o que deveria estar funcionando mais. A educação é o grande desafio: a gente está trabalhando com criatividade, a gente tem que aprender a usar aquilo que a gente sabe.

Nos últimos anos, usou-se o ABATE à vontade. Você chegava numa casa, tinha o ABATE pra tratar o prato, hoje você chega lá não tem mais. Você chega lá vai ter que fazer o quê? Você vai ter que resolver o problema daquele prato; antes você chegava lá e colocava o ABATE lá e ia embora. Eu acredito que o agente vai ter que se virar muito mais agora, vai ter que realmente tomar uma atitude neste trabalho, mudar a cabeça desse morador, que ele não deve mais jogar aquela latinha lá no quintal, ele deve jogar no lixo. O agente vai ter que estar muito bem preparado, pra realmente fazer essa mudança com o morador.

Trocando o ABATE por soluções caseiras como açúcar, sal, cloro, vai fazer com que a população se integre mais ao programa e participe mais. Eu acho que vai ser um ponto positivo, porque vai fazer a população cuidar da sua própria casa com mais interesse. Se tirar o uso dele e o pessoal conseguir conscientizar o povo a eliminar todos os criadouros que tiver água parada , eu acho que vai ser melhor.

D. O uso do inseticida leva os moradores e os agentes a não fazerem corretamente o controle mecânico do vetor

DSC

Eu sou a favor, porque o pessoal está acostumado, você vai nas casas e eles perguntam, "Você não tem aquele pozinho? dá pra você colocar um pouquinho aqui pra mim? não dá pra você deixar um pouco aqui pra mim?" Em qualquer situação, eles falam, "Não tem veneno?" Alguns ainda chamavam de "remedinho". Falavam que era remedinho pra colocar nas plantas pra não criar o mosquito.

O morador sempre acha que colocando o ABATE nos criadouros ameniza o problema da dengue. Ele já se acostumou, existe determinados lugares em que ele mesmo chama o agente para colocar o ABATE. É como se tivesse esperando que a gente passasse lá pra jogar o ABATE. Com isso, você percebe que nessa casa o agente deixou claro que a única medida para solucionar aquele problema é o ABATE.

Eu não sei de que forma a população vai entender isso; pode ser que vá dar um choque, quinze anos falando que deve usar e depois você vai passar mais não sei quantos anos falando que não deve usar. Então, eu acredito que tudo que é novo, vai causar um certo impacto. O morador já está adaptado a isso; assim, vai ser um trabalho muito difícil. A gente tem que começar a longo prazo mesmo, para estar tirando tudo.

Eu acredito que o ABATE é uma "muleta". Você deixa de pensar em soluções definitivas e outras alternativas além daquilo que você está fazendo, você deixa de enxergar uma maneira de resolver o problema, porque tem aquela muleta de ficar usando o ABATE.

Também a coisa varia de agente pra agente, porque o agente se sente mais seguro com o veneno, uma vez que ele passa no imóvel onde ele vê criadouros, vê que tem larvas. Além de ele fazer a coleta, ele coloca o veneno, vai sentir que ele matou as larvas; porque ele vê que o morador às vezes não tem aquela responsabilidade de retirar o criadouro, de não esperar que o agente venha até a sua casa.

Alguns agentes têm resistido, principalmente aqueles que têm dificuldade pra passar orientação, que vão nas casas só para fazer o tratamento mesmo; o diálogo de alguns desses é curto com o morador, e então, se vai tirar o ABATE dele, você está tirando mais uma arma que ele tem.

A gente está percebendo que não está colhendo bons resultados com isso. Não posso falar do lado técnico da resistência, mas sim do lado do trabalho de campo mesmo, que a gente costuma dizer que virou uma muleta para o funcionário da SUCEN e para os funcionários das prefeituras, que usam o ABATE como muleta para entrar na casa, acham que o ABATE vai resolver tudo e estão esquecendo do lado educativo da coisa.

II - DISCORDA PORQUE:

G. Não há ainda suficiente consciência educativa na população

DSC

Eu acho que tirar o ABATE não é uma boa, não, porque o pessoal tinha de fazer controle mecânico. Eles não fazem, os moradores continuam mantendo água nos pratos das plantas, continuam deixando os recipientes com água, e por mais que se peça, eles não fazem, sempre têm alguma coisa prá tratar com ABATE.

Tirar cem por cento do ABATE não funciona. Acho que pode piorar. e alguns morador vão falar, "Coloca o veneninho aí".

Eu não acho muito certo tirar o ABATE. Precisaria trabalhar muito, trabalhar bem mais na área de educação com a população. Pode se pensar nisso futuramente, mas não no momento.

O que a gente percebe, na verdade, é que depois de quase 2 anos de serviço usando o ABATE, mesmo com toda orientação, a população não absorveu. A população não ajuda a gente fazer o trabalho, né? não se conscientizaram ainda da retirada dos criadouros.

Penso que o ABATE deveria ser retirado gradativamente, retirando das casas onde há moradores, onde eles possam estar assumindo o controle dos criadouros.

Então, eu acho que pra retirar o ABATE não deveria ser assim da forma que está sendo feito. Antes deveria ser feita uma pesquisa pra avaliar o que aconteceria sese tirasse o ABATE agora.

Do meu ponto de vista, a população não está preparada e vai ser assim uma compensação a nível de gasto de despesa, mas não pra resolver o problema.

Eu acho que o problema tem de ser resolvido a longo prazo, até você colocar novamente na cabeça de cada morador que é melhor ele cuidar do quintal dele e não deixar recipientes, do que estar sempre lá colocando o larvicida, o ABATE.

H. Há situações em que você precisa usar o inseticida

DSC

Eu sou completamente contra a retirada do ABATE. Acho que não vai funcionar, porque há muitos recipientes e locais que têm de ser tratados com ABATE. Não tem como você retirar. Então, eu sou contra. Uma COHAB abandonada, cercada, murada, você não tem como entrar nessas diversas casas com caixinhas com água. A mesma coisa acontece em pontos estratégicos, borracharias, ferros velhos. Em vários locais, nós temos dificuldade em fazer o trabalho de retirada do material. Às vezes é pesado, contém água conforme chove. O ABATE ajuda a combater os focos de dengue nos locais onde o acesso é difícil, onde é alagado e a gente não tem condições de tirar água, como piscina. A piscina fica parada com água. Nesse caso, é muito necessário o ABATE. Você coloca o cloro; o sal, como vai colocar, quantas gotas de sal? Agora, o ABATE, não; você vai colocar uma quantidade certa de ABATE.

O ABATE pode ajudar na caixa d'água, na medida certa, e não faz mal para saúde. Em um terreno baldio, o ABATE faz o tratamento até achar o dono, pra ele estar resolvendo o problema.

Se tirar o ABATE, nos não removíveis o agente não vai ter o que fazer. Um tambor, do lado que você coloca, ele junta água. Um tambor de 200l de boca para cima ou para baixo, ele junta água. Nesse caso tem que usar o ABATE. Em vários outros recipientes que o agente acha nos quintais, tem essa mesma conjuntura do tambor, né?

Pode continuar a diminuição, tirar uma proposta para usar adequadamente, mas não retirar assim totalmente o ABATE. Eu acho que o que vai acontecer é que vão ficar muitos criadouros sem tratamento. Aí pode estar um foco muito grande, uma proliferação do Aedes nesse local, por falta de um tratamento químico.

Nós podemos mudar a sistemática de serviço, nós podemos trabalhar mais com controle mecânico e usar o ABATE. Em caso necessário mesmo, pode até diminuir o ABATE, mas eu acho que o ABATE não deveria sair da nossa bolsa.

Então, a retirada do ABATE, na minha opinião, não vai resolver, porque o ABATE ajuda a gente demais. É o único ali que pode estar resolvendo o problema.

J. Se retirar o inseticida, tem que colocar outro produto

DSC

Olha, se não tiver o ABATE, logicamente vai criar muito mais larvas, né? Então, eu acho que não se deve tirar, ou se tirar se deve colocar outro produto no lugar. Não tem como. Vai ter que procurar outro inseticida, uma outra forma pra gente trabalhar sem o ABATE, porque eu não vejo como é que a gente, só mecanicamente, possa fazer esse controle aí. Simplesmente retirar o ABATE e garantir que nós vamos continuar tendo o controle da situação, sem utilizar nenhum tipo de larvicida, eu acho extremamente arriscado. Quem vai me garantir que o mosquito não vai parar de procriar naquela piscina abandonada, naquele terreno abandonado, naquela cerâmica que está em processo de falência?

Acho que só o agente passar e virar esses recipientes que têm água, não vai ser suficiente. O trabalho educativo até que resolve, lógico, mas não é o suficiente, né? Eu acho que tem que se manter, no caso, o ABATE ou um outro produto. Deveria ser repassado aos municípios um larvicida biológico, e logicamente isso deveria ser testado nos municípios pra ver se tem uma eficiência grande, de que maneira poderia ser feito isso. Talvez mudando a formula do ABATE.

Então, eu acho que deve ser retirado, sim, se tiver um substituto, à altura do ABATE, pro controle da larva; se conseguir uma substituição sem ter tanto perigo, né?, seria ótimo.

K. Se for retirado o inseticida fica comprometido o trabalho de bloqueio feito pela vigilância

DSC

Eu sou contrario à retirada do ABATE. Acho que até poderia haver uma substituição, mas não a retirada completa do larvicida, porque agente fica meio desprotegido em relação ao bloqueio, a algum tipo de serviço desse tip. Se você tiver alguma pessoa infectada aqui, como o município nosso é bastante infestado já pelo mosquito, fica difícil você controlar só com atividades mecânicas.

O. O trabalho do agente vai se complicar

DSC

Se vai tirar aquele ABATE de você, vai tirar sua arma. Então, você vai ter um serviço muito mais demorado, entendeu? Vai ter que aprender a colocar tudo isso aí em prática. Tudo o que você fazia com o ABATE ... você colocava o abate no vaso de flor, e agora você não vai ter mais o ABATE pra colocar, e então você vai ter que guardar o pneu, colocar areia no vaso ...

Com o ABATE, você gasta 10 minutos numa casa. Agora, não. Com esse trabalho, vai gastar 20 minutos, meia hora. Demora mais. Então, tem tudo isso aí ...

• Dados quantitativos

Os resultados quantitativos serão apresentados sob a forma de um quadro geral (Quadro 1) e do gráfico correspondente (Gráfico 1). O gráfico 2 corresponde à comparação entre as representações que indicam concordância e as que indicam discordância sobre a retirada do inseticida.

 

 

Outro resultado quantitativo importante a ser mostrado é o total de representações de concordância versus total de representações de discordância em relação à retirada do inseticida.

 

Análise e Discussão

• Dados qualitativos

Idéias Centrais nas quais há concordância com a política de retirada do inseticida:

A. O inseticida é tóxico

B. O inseticida pode levar à resistência do vetor

C. Esta medida possibilitará melhor controle mecânico do vetor e o avanço da atividade educativa junto à população.

D. O uso do inseticida leva os moradores e os agentes a não fazerem o controle mecânico adequado do vetor.

Em relação a este bloco de representações, podemos afirmar que:

  • São de extrema importância para este trabalho, porque se trata das representações de amplo poder de penetração, isto é, que se encontram disseminadas no interior das instituições envolvidas nesta pesquisa com o uso do inseticida, uma vez que tais representações foram encontradas tanto em municípios distantes da Capital, como Presidente Prudente, quanto em municípios pertencentes à Grande São Paulo.

  • Os aspectos relativos à biologia do vetor (adaptação para a resistência) e ao controle ambiental (toxidade do inseticida, tanto para as pessoas como para o meio) que levaram à decisão da retirada do inseticida por parte da SUCEN foram absorvidos por seu corpo de trabalhadores e fazem parte do seu universo representacional.

  • Faz parte deste universo de amplas representações a idéia de que os agentes utilizam em excesso o inseticida e que isto acarreta danos às pessoas e ao meio ambiente.

  • Estão presentes em todo o universo pesquisado as representações de que a retirada do inseticida favorecerá a ampliação da atividade educativa junto aos moradores e o controle mecânico do vetor, bem como a importância destas atividades em todo o programa de controle do Aedes.

  • Está fortemente presente entre estes servidores a representação de que o uso do inseticida tem levado tanto os moradores como os agentes a não fazerem o controle adequado do vetor (controle mecânico), levando os moradores a serem educados erroneamente, criando neles o hábito de controle através do inseticida. Segundo esta representação, favorável à retirada do inseticida, é preciso mudar o comportamento tanto dos agentes quanto da população, que acreditam fortemente no uso do inseticida como a forma mais eficaz de combate ao vetor, vendo no veneno um elemento de segurança para que o trabalho do agente seja mais efetivo.

  • Está presente também a representação em que os trabalhadores concordam com a retirada do inseticida, mas com algumas ressalvas, pois acham que, para que isto seja possível, teria de existir um excelente controle mecânico por parte dos moradores e agentes, fato que ainda não se tornou realidade. Esta representação, apesar de estar no grupo de concordância, apresenta elementos contrários à implementação desta política por parte da SUCEN no presente momento, alegando-se falta de preparo tanto dos agentes como da população para realizarem um efetivo controle mecânico.

Idéias Centrais nas quais há discordância em relação à política de retirada do inseticida:

G. Não há ainda suficiente consciência educativa na população

H. Há situações e momentos em que você precisa usar o inseticida

J. Se for retirado o inseticida, é preciso colocar outro produto.

K. Se for retirado o inseticida, ficará comprometido o trabalho da vigilância.

O. O trabalho do agente vai ficar complicado

Em relação a este segundo bloco de representações, podemos concluir que:

  • Da mesma forma que no primeiro bloco, com exceção das representações K e O, estas também apresentam um alto poder de penetração por estarem presentes em todos ou quase todos dos municípios pesquisados apesar, da distância existente entre eles.

  • Das representações contrárias à política de retirada do ABATE, a de maior penetração (pois está presente em todos os municípios pesquisados) é de que a população não está suficientemente preparada para fazer o controle do vetor em suas residências, baseando-se esta argumentação na idéia de que a população não cumpre a sua parte neste processo e que a política proposta não irá funcionar neste momento.

  • Está também fortemente presente no imaginário dos funcionários a idéia de que há situações em que o inseticida é indispensável. A argumentação baseia-se no fato alegado de que o controle ficará falho em situações onde a atuação puramente mecânica de controle do vetor é insuficiente, e o uso do inseticida indispensável.

  • Outra representação contrária à retirada do inseticida diz respeito à troca do inseticida por outro produto. Para este grupo, a presença de algum produto é sempre indispensável, pois o simples controle mecânico será sempre insuficiente.

  • Embora as representações K e O estejam presentes somente, respectivamente, nos Municípios de Sorocaba e Presidente Prudente, são bastante reveladoras quanto às argumentações contrárias à retirada do ABATE. Na primeira, quanto ao receio de não ser feito o adequado bloqueio comprometendo-se assim o trabalho da vigilância; na segunda, quanto às dificuldades surgidas em relação às modificações nas atividades cotidianas do agente.

• Dados quantitativos

A análise a ser feita levou em consideração a freqüência de uma dada idéia central e o peso desta idéia em relação ao total de idéias centrais proferidas pelos sujeitos entrevistados. É importante ressaltarmos o fato de que um mesmo indivíduo pode proferir uma ou várias idéias em um só discurso.

Em relação à análise quantitativa das freqüências das idéias centrais, podemos observar que:

  • Apesar das freqüências das idéias centrais variarem conforme o Município analisado, pode-se observar que as maiores freqüências concentram-se nas idéias centrais A,B,C,D,E,G,H e J.

  • As idéias centrais que têm maior freqüência foram, de maneira geral, as de maior poder de penetração, isto é, estão presentes em grande parte dos municípios analisados. Podemos, portanto, afirmar que estas representações são compartilhadas em grande parte pelos sujeitos entrevistados.

  • Os municípios não são uniformes em relação à freqüência das idéias centrais, sendo que alguns apresentam uma freqüência maior de determinado tipo de idéia central de concordância ou não em relação à retirada do inseticida, e em outros municípios os motivos são outros.

  • É bastante próxima a freqüência de representações favoráveis em relação à freqüência de representações contrárias a retirada do inseticida nos municípios de Araçatuba e Sorocaba.

  • No Município de Presidente Prudente, o número de representações contrárias à retirada do inseticida é superior ao das representações favoráveis (50,81% - 29,51%). O mesmo fenômeno ocorre no Município de São Paulo (50% - 25%). Em Rio Preto, a situação é inversa, com a freqüência de idéias centrais favoráveis à retirada no inseticida superior (48,77%- 29,27%).

 

Conclusões

• O universo da conformidade

Uma importante conclusão que se pode tirar deste trabalho é a de que as idéias e valores que presidiram a adoção pela SUCEN da política de retirada do inseticida do "casa a casa" fazem parte do imaginário dos técnicos entrevistados, em todas as regiões abrangidas pela pesquisa.

Estão presentes as idéias de toxidade do veneno, de prejuízo para a ecologia e para a saúde do funcionário, de revalorização do controle mecânico do vetor e, conseqüentemente, de necessidade de reforço da atuação no plano educativo junto à população.

• O universo da discordância

Por outro lado, estão também presentes idéias que confrontam com esta política e que dizem respeito à forte crença no inseticida, ainda presente entre os técnicos e a população; a idéia de que ele é necessário e mesmo imprescindível numa série de situações de controle do vetor.

Outro aspecto talvez até mais importante, pertencente ao universo da discordância, diz respeito a uma visão pobre e por vezes céptica, da atividade educativa a ser desenvolvida junto à população. De fato, uma parte dos técnicos simplesmente não acredita na vontade da população de realizar o controle mecânico do vetor, enquanto outra parte concebe esta atividade educativa de um modo bastante unilateral, dos técnicos para a população, sem que se divise, ainda que de forma indireta, uma perspectiva pedagógica que implique em participação ativa e diálogo entre técnicos e população.

• O uso da pesquisa qualitativa/DSC para o acompanhamento de políticas públicas

A pesquisa e análise das representações dos profissionais de saúde envolvidos sobre a proposta de retirada do inseticida do "casa a casa" mostraram claramente a importância da utilização deste tipo de pesquisa como técnica de acompanhamento e avaliação de políticas públicas, de um modo geral e particularmente na área da saúde.

A implantação de políticas públicas de saúde vai sempre requerer a participação ativa dos profissionais de saúde.

Ora, para isso pensa-se, em geral, ser suficiente treinar/capacitar os profissionais encarregados, sem investigar o que eles pensam e como se posicionam a respeito da política a ser implantada.

Acontece que cada um destes profissionais tem sempre uma posição diante da política que lhe cabe implantar, e esta posição é muito importante, às vezes decisiva, para o sucesso ou fracasso na implantação da política. De fato, como os administradores sabem, toda política ditada pelo núcleo central de uma instituição acontece ou não, concretamente, na prática, através do trabalho dos profissionais "de linha de frente"

A utilização da técnica do DSC permite o levantamento, análise e discussão das opiniões de coletividades de profissionais de um modo sistemático e padronizado, num tempo relativamente curto, sendo este levantamento apresentado sob uma forma discursiva, isto é, semelhante ao modo como as pessoas pensam

Estas características da técnica permitem que o administrador passe a dispor de dados qualitativos que, ao lado dos dados quantitativos, constituem instrumentos indispensáveis na tarefa de acompanhamento de políticas públicas.

• A necessidade de dados quali-quantitativos para as decisões gerenciais.

A utilização de gráficos de freqüência das idéias centrais permite ao gerente visualizar o campo estudado, conhecendo os argumentos utilizados mais ou menos freqüentemente pelos entrevistados, bem como a sua localização no campo. Desta forma é possível completar-se a análise qualitativa com a freqüência relativa das argumentações proferidas pelos sujeitos.

 

Recomendações

Os resultados da pesquisa sugerem a necessidade de intervenções pedagógicas junto aos técnicos, com a devolução para eles dos principais achados desta pesquisa, reforçando-se os aspectos de conformidade e colocando em discussão as idéias discordantes encontradas.

 

Referências

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8. Lefevre F, Lefevre AMC. O discurso do sujeito coletivo um novo enfoque em pesquisa qualitativa (desdobramentos). Caxias do Sul: Educs, 2003.        

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Recebido em: 16/10/2002
Versão final reapresentada em: 24/09/2003
Aprovação em: 03/10/2003

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