EDITORIAL

 

 

Foi realizado no X Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em novembro de 2012, o Fórum das Revistas Científicas da área de Saúde Coletiva. O Fórum contou com a participação de editores e representantes de 13 revistas da área. Estiveram presentes os editores dos periódicos mais antigos dedicados à Saúde Coletiva, como Revista de Saúde Pública e Cadernos de Saúde Pública, os periódicos da ABRASCO: Revista Brasileira Epidemiologia e Ciência e Saúde Coletiva. Physis, Saúde e Sociedade, Interface, Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, e revistas mais jovens também participaram, como Cadernos ESP da Escola de Saúde Pública do Ceará, Revista Brasileira em Promoção da Saúde, Cadernos de Saúde Coletiva, Revista Brasileira de Educação Médica, SANARE (Revista de Políticas Públicas).

Abel Packer, dirigente do portal SciELO, fez uma avaliação da presença dos periódicos nacionais no cenário internacional, enfatizando o desempenho dos principais periódicos da área de saúde coletiva, indicando que os periódicos brasileiros da área situam-se em 15º lugar em citações recebidas. Entretanto, identificou também que a o idioma das publicações é um grande entrave para que a produção nacional tenha uma maior visibilidade externa, visto que os artigos disseminados em inglês recebem o dobro de citações que aqueles disseminados apenas em português.

Rita Barradas, representante da área de saúde coletiva na Capes, apresentou os critérios que são empregados para a classificação Qualis Capes, indicando quais bases de indexação e do fator de impacto dos periódicos são utilizadas. Foi enfatizado o crescimento da produção cientifica da área, e que esta é disseminada para uma grande gama de periódicos nacionais e internacionais.

Mauricio Barreto, do ISC- UFBA, que já foi editor do periódico Epidemiology and Community Health, promoveu discussão sobre a importância do acesso aberto na disseminação do conhecimento e dos diversos mecanismos financeiros existentes que sustentam esta opção de disseminação cientifica e a dificuldade de utilizar os diversos índices cientométricos na avaliação da produção cientifica.

Nos anos recentes houve um crescimento aumento do número de periódicos cientificas da área. Estes possuem diferentes origens e estágios de consolidação, e há também diferenças nas linhas editoriais. Dois periódicos têm uma abordagem abrangente da área e se encontram consolidados, como a Revista de Saúde Pública e Cadernos de Saúde Pública, que estão indexados em diversas bases internacionais e apresentam elevado número de citações e índice H. Estas revistas pertencem a instituições de ensino e pesquisa tradicionais da área e foram criadas há mais de 20 anos. A revista Ciência e Saúde Coletiva também encontra-se indexada nas principais bases internacionais. Outros periódicos são mais orientados para áreas mais especificas da saúde coletiva, Revista Brasileira de Epidemiologia, Physis, Saúde e Sociedade e Interface; e estão em fase de consolidação, encontram-se indexados em diferentes bases de indexação internacional e apresentam fatores de impacto distintos. Os periódicos mais recentes ainda estão buscando sua indexação nas bases internacionais.

Ficou claro que o crescimento da produção cientifica da área é resultante da politica de C&T iniciada há mais de quatro décadas, que privilegiou a formação de pesquisadores por meio do sistema nacional de pós-graduação e dos recursos destinados ao financiamento de pesquisas. Entretanto, a disseminação da produção cientifica não conta com uma política explícita de fortalecimento dos periódicos nacionais. O financiamento dos periódicos ainda é incipiente e muitos deles passam por períodos de instabilidade para sua manutenção.

O Fórum debateu as propostas apresentadas na Carta de Fortaleza, que teve origem no Encontro de Editores realizado em Fortaleza em setembro de 2012, como a formação de uma rede interinstitucional de editores científicos do campo da Saúde Coletiva, com a participação da ABRASCO, para a formulação e implementação de uma Política Nacional Estratégica de Comunicação Técnico-científica em Saúde Coletiva, que irá buscar a participação do Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Ministério da Ciência e Tecnologia, Capes, CNPq e ABEC, para o fortalecimento dos periódicos da área.

Também foram objeto de debate no Fórum as dificuldades que os periódicos encontram para obtenção de pareceres dos manuscritos recebidos. Uma das formas de contornar esta dificuldade é a valorização desta atuação na concessão de bolsas de produtividade do CNPq. Esta proposta já foi encaminhada para os nossos representantes no Comitê Assessor da área de Saúde Coletiva no CNPq. Visando, ainda, fortalecer esta atividade, foi realizado no X Congresso de Saúde Coletiva um curso sobre a emissão de pareceres para manuscritos científicos.

Como resultado do Fórum, em dezembro de 2012, foi realizada uma reunião entre a ABRASCO e o SciELO para formulação de uma proposta de formação de uma cooperativa das revistas cientificas da área de Saúde Coletiva, visando dar organicidade e reduzir os custos da produção editorial, e apoiar o desenvolvimento da editoria cientifica das revistas da área.

 

 

Márcia Furquim de Almeida - FSP/USP
Luiz Augusto Facchini - UFRGS
Luis Eugênio Portela - UFBA

Associação Brasileira de Pós -Graduação em Saúde Coletiva São Paulo - SP - Brazil
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