Percepção de segurança no bairro e tempo despendido em frente à tela por adolescentes de Curitiba, Brasil

Crisley Vanessa Prado Cassiano Ricardo Rech Adriano Akira Ferreira Hino Rodrigo Siqueira Reis Sobre os autores

RESUMO:

Objetivo:

Analisar a associação entre a percepção de segurança (PS) no bairro e o tempo despendido em frente à tela pelos adolescentes e verificar o papel moderador das variáveis sexo, idade e nível socioeconômico nessa relação.

Métodos:

Trata-se de um estudo transversal, com inquérito escolar realizado em Curitiba, Paraná. Inicialmente foram selecionadas, de modo intencional, seis escolas (três públicas e três privadas), e em seguida foi sorteada uma turma de cada período de ensino (sexto ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio). A PS foi avaliada com a escala NEWS-Y, e o tempo diário despendido em frente à tela foi definido por aquele passado diante da televisão/vídeo/DVD, jogando videogame e utilizando a internet. Modelos de regressão logística multinomial foram utilizados para testar a associação entre a PS e essa atividade, ajustando para as variáveis moderadoras.

Resultados:

Participaram do estudo 776 adolescentes, com idade entre 11 e 18 anos. A PS relacionada aos crimes foi associada com o uso de videogame por adolescentes mais velhos, no sentido contrário ao esperado (p < 0,05). A PS relacionada ao tráfego de pedestres foi associada inversamente ao uso de videogame por adolescentes de maior nível socioeconômico (p < 0,05).

Conclusão:

A associação entre PS e tempo despendido em frente à tela é complexa para os adolescentes e difere em relação às variáveis sociodemográficas e o desfecho analisado (televisão/vídeo/DVD, videogame e internet).

Palavras-chave:
Percepção.; Estilo de vida sedentário; Adolescentes; Sexo. Grupos etários; Nível socioeconômico

INTRODUÇÃO

O tempo despendido em frente à tela, representado por aquele em que se está assistindo televisão, jogando videogame, usando o computador ou internet, é uma atividade sedentária comum entre os adolescentes11. Bauer KW, Friend S, Graham DJ, Neumark-Sztainer D. Beyond Screen Time: assessing recreational sedentary behavior among adolescent girls. J Obes 2012; 2012: 83194. DOI: 10.1155/2012/183194
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,22. Council on communications and media, Strasburger VC, Hogan MJ, Mulligan DA, Ameenuddin N, Christakis DA, et al. Children, adolescents, and the media. Pediatrics 2013; 132(5): 958-61. DOI: 10.1542/peds.2013-2656
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. Atualmente no Brasil, 79,5% dos adolescentes entre 12 e 14 anos de idade permanecem mais de duas horas por dia nessas atividades33. Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa nacional de sau´de do escolar 2012. Rio de Janeiro: IBGE; 2012.. Evidências apontam associação positiva entre esse comportamento e obesidade, diabetes e baixos níveis de aptidão física em adolescentes44. Salmon J, Tremblay MS, Marshall SJ, Hume C. Health risks, correlates, and interventions to reduce sedentary behavior in young people. Am J Prev Med 2011; 41(2): 197-206. DOI: 10.1016/j.amepre.2011.05.001
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,55. Boulos R, Vikre EK, Oppenheimer S, Chang H, Kanarek RB. ObesiTV: how television is influencing the obesity epidemic. Physiol Behav 2012; 107(1): 146-53. DOI: 10.1016/j.physbeh.2012.05.022
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,66. Mitchell JA, Rodriguez D, Schmitz KH, Audrain-McGovern J. Greater screen time is associated with adolescent obesity: a longitudinal study of the BMI distribution from ages 14 to 18. Obesity (Silver Spring) 2013; 21(3): 572-5. DOI: 10.1002/oby.20157
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. Há ainda indicação de que esse comportamento aumenta ao longo da adolescência. Por exemplo, um estudo longitudinal com 4.218 adolescentes observou acréscimo médio de 60 minutos/dia a cada ano no tempo despendido em frente à tela entre 11 e 15 anos; e esse aumento foi associado com a adiposidade corporal77. Dumith SC, Garcia LMT, Silva KS, Menezes AMB, Hallal PC. Predictors and health consequences of screen-time change during adolescence - 1993 Pelotas (Brazil) birth cohort study. J Adolesc Health 2012; 51(6 Suppl): 16-21. DOI: 10.1016/j.jadohealth.2012.06.025
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. Além disso, existe maior probabilidade dessa conduta ser mantida na vida adulta88. Biddle SJ, Pearson N, Ross GM, Braithwaite R. Tracking of sedentary behaviours of young people: a systematic review. Prev Med 2010; 51(5): 345-51. DOI: 10.1016/j.ypmed.2010.07.018
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.

Em face desse panorama, há um crescente interesse sobre os aspectos que afetam o tempo despendido em frente à tela, particularmente os do ambiente comunitário99. Burdette HL, Whitaker RC. A national study of neighborhood safety, outdoor play, television viewing, and obesity in preschool children. Pediatrics 2005; 116(3): 657-62.,1010. Datar A, Nicosia N, Shier V. Parent perceptions of neighborhood safety and children's physical activity, sedentary behavior, and obesity: evidence from a national longitudinal study. Am J Epidemiol 2013; 177(10): 1065-73. DOI: 10.1093/aje/kws353.
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,1111. Brown HS, Perez A, Mirchandani GG, Hoelscher DM, Kelder SH. Crime rates and sedentary behavior among 4th grade Texas school children. Int J Behav Nutr Phys Act 2008; 5(28). DOI: 10.1186/1479-5868-5-28.
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,1212. MacLeod KE, Gee GC, Crawford P, Wang MC. Neighbourhood environment as a predictor of television watching among girls. J Epidemiol Community Health 2008; 62(4): 288-92. DOI: 10.1136/jech.2007.061424
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, em especial a segurança pública e o trânsito. De fato, a percepção de segurança no bairro relacionada aos crimes e ao trânsito apresenta associação inversa com o comportamento sedentário entre jovens1111. Brown HS, Perez A, Mirchandani GG, Hoelscher DM, Kelder SH. Crime rates and sedentary behavior among 4th grade Texas school children. Int J Behav Nutr Phys Act 2008; 5(28). DOI: 10.1186/1479-5868-5-28.
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,1212. MacLeod KE, Gee GC, Crawford P, Wang MC. Neighbourhood environment as a predictor of television watching among girls. J Epidemiol Community Health 2008; 62(4): 288-92. DOI: 10.1136/jech.2007.061424
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,1313. Salmon J, Veitch J, Abbott G, ChinAPaw M, Brug JJ, teVelde SJ, et al. Are associations between the perceived home and neighbourhood environment and children's physical activity and sedentary behaviour moderated by urban/rural location? Health Place 2013; 24: 44-53. DOI: 10.1016/j.healthplace.2013.07.010
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. Essa relação também é observada quando os pais percebem o bairro inseguro99. Burdette HL, Whitaker RC. A national study of neighborhood safety, outdoor play, television viewing, and obesity in preschool children. Pediatrics 2005; 116(3): 657-62.,1010. Datar A, Nicosia N, Shier V. Parent perceptions of neighborhood safety and children's physical activity, sedentary behavior, and obesity: evidence from a national longitudinal study. Am J Epidemiol 2013; 177(10): 1065-73. DOI: 10.1093/aje/kws353.
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. Esses achados podem, em parte, ser explicados pela ausência de locais seguros para caminhar, reduzindo o deslocamento ativo, e levando o adolescente a passar mais tempo em atividades sedentárias1414. Carver A, Timperio AF, Crawford DA. Neighborhood road environments and physical activity among youth: the clan study. J Urban Health 2008; 85(4): 532-44. DOI: 10.1007/s11524-008-9284-9
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,1515. Santos MP, Pizarro AN, Mota J, Marques EA. Parental physical activity, safety perceptions and children's independent mobility. BMC Public Health 2013; 13: 584. DOI: 10.1186/1471-2458-13-584
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. Tais aspectos podem ser ainda mais importantes no contexto brasileiro, uma vez que as taxas de criminalidade e mortes relacionadas ao trânsito1616. Waiselfisz JJ. Mapa da Violência 2013: acidentes de trânsito e motocicletas. Rio de Janeiro: Flacso; 2013.,1717. World Health Organization (WHO). Global status report on road safety 2013: supporting a decade of action. Geneva: WHO; 2013.,1818. Waiselfisz JJ. Mapa da violência 2013: mortes matadas por armas de fogo. Brasília: Flacso; 2013.encontram-se entre as mais elevadas do mundo.

Até o momento, estudos sobre a associação entre a percepção de segurança e o tempo despendido em frente à tela por adolescentes em diferentes tipos (assistir TV/vídeo/DVD, jogar videogame ou utilizar a internet) não foram identificados no país. Observa-se ainda uma atenção maior nas associações com o tempo despendido com a TV e menor importância atribuída para outros comportamentos como jogar videogame e utilizar a internet, que apresentam elevada prevalência nessa população1919. Autran RG, Rech CR, Mota J, Santos MP. Percepção de regras e de confiança em reduzir o tempo de tela em adolescentes. Rev Bras Ativ Fis Saúde 2014; 19(6): 690-9. DOI: 10.12820/RBAFS.V.19N6P690
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.

Da mesma maneira, o papel moderador das variáveis sociodemográficas na relação entre segurança e tempo despendido em frente à tela por adolescentes também não está bem evidenciado. Contudo, acredita-se que essas variáveis apresentem diferenças nos comportamentos relacionados à tela em subgrupos populacionais. Considerando alguns artigos, encontrou-se uma possibilidade maior de os meninos jogarem videogame em locais mais inseguros1111. Brown HS, Perez A, Mirchandani GG, Hoelscher DM, Kelder SH. Crime rates and sedentary behavior among 4th grade Texas school children. Int J Behav Nutr Phys Act 2008; 5(28). DOI: 10.1186/1479-5868-5-28.
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. Além disso, adolescentes do sexo feminino de menor faixa etária e maior renda têm relatado menor percepção de segurança2020. Dallago L, Perkins DD, Santinello M, Boyce W, Molcho M, Morgan A. Adolescent place attachment, social capital, and perceived safety: a comparison of 13 countries. Am J Community Psychol 2009; 44(1-2): 148-60. DOI: 10.1007/s10464-009-9250-z
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,2121. Schoen TH, Vitalle MSS. Tenho medo de quê? Rev Paul Pediatr 2012; 30(1): 72-8. DOI: 10.1590/S0103-05822012000100011
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. Ainda, acredita-se que o nível socioeconômico é uma variante importante a ser considerada, pois as pessoas que têm renda mais alta sentem-se mais inseguras em seu bairro, possivelmente por apresentarem maior atratividade aos criminosos2222. Borges D. Vitimização e sentimeto de insegurança no Brasil em 2010: teoria, análise e contexto. Mediações 2013; 18(1): 141-63. DOI: 10.5433/2176-6665.2013v18n1p141
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. Identificar subgrupos mais expostos ao efeito da insegurança pode melhorar o entendimento sobre essa complexa relação, especialmente considerando o papel dos moderadores sociodemográficos, pouco explorados até o momento.

Assim, este estudo teve como objetivos:

  1. analisar a associação entre a percepção de segurança no bairro e o tempo despendido em frente à tela, considerando estes como o período que se passa assistindo televisão/vídeo/DVD, jogando videogame e navegando na internet;

  2. verificar o papel moderador das variáveis sociodemográficas como sexo, idade e nível socioeconômico nessa relação.

MÉTODOS

DELINEAMENTO E POPULAÇÃO DO ESTUDO

Trata-se de um estudo transversal realizado entre setembro e outubro de 2012. Participaram adolescentes de 11 a 18 anos, de ambos os sexos, de Curitiba, Paraná, Brasil. Todos os procedimentos foram aprovados pelo Comitê de Ética de Pesquisa em Seres Humanos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (Protocolo nº 93.664/12).

As estimativas mais atuais sugerem que Curitiba possui em torno de 269.505 adolescentes entre 10 e 19 anos, bem distribuídos em termos de gênero (50,5% meninos). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de matriculados em 2012 no ensino fundamental e médio era de 234.215 e 81.614, respectivamente2323. Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Paraná, Curitiba: ensino, matrículas, docentes e rede escolar - 2012. [Internet]. Disponível em: http://cidades.ibge.gov.br/xtras/temas.php?lang=&codmun=410690 &idtema=117&search=parana|curitiba|ensino-matriculas-docentes-e-rede-escolar-2012 (Acessado em 14 setembro de 2015).
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. A maior parte dos alunos, tanto do ensino fundamental como do ensino médio, frequentava instituições públicas de ensino (76,4 e 73,9%, respectivamente). Assim, para tentar obter uma amostra que contemplasse estudantes de escolas públicas e privadas, a seleção foi realizada em dois estágios. Inicialmente foram escolhidas, de modo intencional, seis escolas (três públicas e três privadas) da rede de ensino fundamental e médio de Curitiba, Paraná. Esse critério foi adotado a fim de incluir escolares da região pertencentes tanto às classes socioeconômicas mais elevadas quanto às mais baixas. No segundo estágio foram elegíveis todas as escolas que atendessem aos seguintes critérios:

  1. possuírem ao menos uma turma entre o sexto ano do ensino fundamental e o terceiro ano do ensino médio no período diurno;

  2. apresentarem pelo menos 20 alunos em cada turma.

Desse modo, optou-se por sortear entre as turmas elegíveis uma de cada período de ensino em cada escola. Ao final foram selecionadas 42 turmas e um total estimado de 1.344 adolescentes. Porém, durante as coletas foi obtida uma amostra de 1.081 adolescentes (54% meninas).

VARIÁVEIS DO ESTUDO

Para coleta das informações foi aplicado um instrumento composto por três sessões:

  1. informações sociodemográficas;

  2. percepção do ambiente do bairro;

  3. comportamento sedentário.

O instrumento foi aplicado durante as aulas com a autorização da direção da escola e conduzido por uma equipe de três avaliadores treinados.

O tempo despendido em frente à tela foi analisado com base no período usado diariamente para assistir televisão/vídeo/DVD, jogar videogame e usar a internet, sem incluir o horário de permanência na escola e os dias de fim de semana. Os adolescentes foram questionados sobre quantos minutos em média por dia passam fazendo essas atividades. A resposta foi obtida em uma escala ordinal de sete pontos (nenhum, 15 minutos, 30 minutos, 1 hora, 2 horas, 3 horas, ≥ 4 horas). Esse procedimento tem sido empregado em estudos semelhantes para analisar o tempo dependido em frente à tela2424. Rosenberg DE, Sallis JF, Kerr J, Maher J, Norman GJ, Durant N, et al. Brief scales to assess physical activity and sedentary equipment in the home. Int J Behav Nutr Phys Act 2010; 7:10. DOI: 10.1186/1479-5868-7-10
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. Para fins de análise, as respostas foram agrupadas em três níveis: até 15 minutos; de 30 minutos a 1 hora; 2 horas ou mais.

A percepção quanto à segurança relacionada ao tráfego e crimes foi avaliada por meio da escala de mobilidade do ambiente comunitário para adolescentes (NEWS-Y)2525. Rosenberg D, Ding D, Sallis JF, Kerr J, Norman GJ, Durant N, et al. Neighborhood environment walkability scale for youth (NEWS-Y): reliability and relationship with physical activity. Prev Med 2009; 49(2-3): 213-8. DOI: 10.1016/j.ypmed.2009.07.011
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. As escalas relacionadas à segurança no trânsito e criminalidade foram traduzidas e adaptadas ao contexto brasileiro e sua versão final apresentou equivalência conceitual e semântica adequada2626. Lima AV, Rech CR, Reis RS. Semantic, item, and conceptual equivalence of the brazilian version of the neighborhood environment walkability scale for youth (NEWS-Y). Cad Saúde Pública 2013; 29(12): 2547-53. DOI: 10.1590/0102-311X00182512
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. Com relação à compreensão sobre a segurança no trânsito, a pesquisa foi feita utilizando-se oito itens relacionados ao tráfego de veículos e pedestres no bairro. Em relação aos crimes, foram utilizados sete itens referentes à criminalidade no bairro. Para cada item o adolescente teve como opção de resposta uma escala ordinal de quatro pontos que variou de “discordo totalmente” a “concordo totalmente”.

Por fim, os adolescentes foram questionados sobre características sociodemográficas como sexo (masculino/feminino), idade (anos) e nível socioeconômico (NSE). Para análise do NSE utilizaram-se os critérios estabelecidos pela Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (ABEP), que considera a posse de itens no ambiente doméstico, distribuindo as famílias nas seguintes classes econômicas: A1, A2, B1, B2, C1, C2, D e E2727. Associação Brasileira de Empresas e Pesquisa. Brazilian criteria foreconomic classification. [Internet]. Disponível em: http://www.abep.org/criterio-brasil (Acessado em 02 de dezembro de 2014).
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. Para efeitos de análise, as classes foram agrupadas em três estratos: alto (classe A1 + A2), médio (classe B1 + B2) e baixo (classe C1 + C2 + D + E).

ANÁLISE DOS DADOS

A descrição das variáveis de estudo foi realizada por meio da estatística descritiva de acordo com a escala de medida de cada variante. As variáveis quantitativas foram enumeradas por meio da média e desvio padrão, enquanto as qualitativas por meio da distribuição de frequências absoluta e relativa. A fim de confirmar os componentes principais de cada escala do NEWS-Y, foi realizada uma análise fatorial exploratória com as escalas de percepção de segurança relacionada ao tráfego e crimes.

A associação bivariada entre as variáveis sexo, idade e NSE foi medida pelo teste do χ2 para proporções. A associação multivariada das variáveis sexo, idade, NSE, percepção de segurança e as três categorias de tempo em comportamentos sedentários (até 15 minutos; de 30 minutos a 1 hora; e 2 horas ou mais) foi examinada mediante análise de regressão logística multinomial, uma vez que os dados não apresentaram os pressupostos para que fosse possível realizar a pesquisa de regressão logística ordinal. Na análise multivariada, todas as variáveis foram inseridas no modelo. A razão de chance (odds ratio - OR) foi estimada a partir da associação entre as variáveis independentes (percepção de segurança relacionada a crimes, tráfego de veículos e tráfego de pedestres) inseridas no modelo como variáveis contínuas (carga fatorial padronizada) e interpretadas como sendo o aumento da OR para o aumento de um desvio padrão na carga fatorial padronizada.

Ainda, foi testada a interação entre as variáveis independentes (percepção de segurança relacionada a crimes, tráfego de veículos e tráfego de pedestres) com as variáveis sexo (masculino = 0 versus feminino = 1), idade (11 a 14 anos = 0 versus 15 a 18 anos = 1) e nível socioeconômico (“C”, “B” e “A”). Para isso, foi criado um termo de interação entre as variáveis independentes e as potenciais variáveis moderadoras (sexo, idade e NSE) por meio do produto entre elas. A NSE foi convertida em duas variantes dummy para identificar os participantes com nível socioeconômico “B” e “A”. Os termos de interação foram inseridos no modelo ajustado para as outras potenciais variáveis de confusão. Todas as análises foram elaboradas com auxílio do pacote estatístico STATA, versão 11.0, adotando um nível de significância de p < 0,05.

RESULTADOS

Os resultados da análise fatorial exploratória (Tabela 1) apresentaram a composição de três fatores, sendo eles:

  1. percepção de segurança relacionada aos crimes, composta por cinco itens;

  2. percepção de segurança relacionada ao tráfego de veículos, composta por quatro itens;

  3. percepção de segurança relacionada ao tráfego de pedestres, composta por três itens.

Tabela 1:
Resultados da análise de componentes principais para as escalas de percepção de segurança em adolescentes. Curitiba, 2015.

Participaram deste estudo 1.081 adolescentes (55,0% de meninas), com idade entre 11 e 18 anos. Desses, 776 (72% da amostra inicial) apresentaram dados completos para análise. Primeiramente, foi realizada uma avaliação de não resposta com o objetivo de identificar possíveis diferenças entre os adolescentes incluídos e os não incluídos na amostra. Não houve diferença significativa nessa análise (dados não apresentados). Grande parte da amostra tinha idade entre 14 e 16 anos (57,0%) e NSE alto (51,0%; n = 393). A proporção de adolescentes que assiste televisão mais de 2 horas por dia foi de 45,0%, com intervalo de confiança de 95% (IC95%) 42,4 - 48,7; sendo maior entre as meninas (48,0 ­versus 41,0%), com idade de 13 anos (54,0%) e classe econômica “média” (57,0%). O uso do videogame por tempo superior a 2 horas diárias foi relatado por 48,0% (IC95% 45,9 - 52,2) da amostra, com maior predominância para meninos (62,0 versus 36,0%), com idade de 13 anos (54,0%) e NSE “alto” (50,0%). Maior tempo despendido em frente à tela para acesso a internet foi observado em 61,0% (IC95% 57,8 - 63,9) da amostra. Meninas (63,0 versus 57,0%) com 15 anos (67,0%) e NSE “médio” (62,0%) apresentaram maior predominância nesse comportamento. A Tabela 2 apresenta outras características descritivas dos participantes.

Tabela 2:
Características descritivas dos adolescentes de acordo com o tempo de tela (n = 776). Curitiba, 2015.

Na análise bivariada observou-se menor chance de o adolescente assistir televisão em excesso com o avanço da idade (OR = 0,84; IC95% 0,74 - 0,94). Houve um incremento de 13,0% na possibilidade de uso excessivo da internet para cada ano de vida. Meninas apresentaram menor chance de destinar seu tempo jogando videogame (OR = 0,18; IC95% 0,12 - 0,27), em comparação aos meninos.

A percepção quanto à segurança não foi associada com o tempo destinado à televisão, contudo, observaram-se ligações entre o discernimento a respeito de segurança relacionada ao tráfego de pedestres com o tempo destinado ao videogame (OR = 1,27; IC95% 1,04 -1,55) e ao tráfego de veículos com o uso da internet (OR = 1,32; IC95% 1,04 - 1,69), ambas no sentido inverso ao esperado. A percepção de segurança relacionada aos crimes (Tabela 3) permaneceu associada ao uso de videogame e internet de maneira contrária à nossa hipótese (p < 0,05).

Tabela 3:
Associação entre características sociodemográficas e o tempo de tela em adolescentes (n = 776). Curitiba, 2015.

Após o controle das variáveis de confusão (Tabela 4), a percepção de segurança relacionada aos crimes foi associada à permanência de 30 minutos a 1 hora jogando videogame por adolescentes mais velhos (OR = 1,15; IC95% 1,03 - 1,29). Já a percepção de segurança relacionada ao tráfego de pedestres foi associada à permanência de 30 minutos a 1 hora no videogame em adolescentes de maior NSE (OR = 2,40; IC95% 1,05 - 5,47). A associação entre percepção de segurança relacionada ao tráfego de pedestres e a permanência de 2 horas ou mais no videogame torna-se menor com o aumento da idade (OR = 0,87; IC95% 0,79 - 0,97).

Tabela 4:
Análise de regressão multinomial (n = 775). Referência = 0 - 15 minutos por dia. Curitiba, 2015.

DISCUSSÃO

Os resultados deste trabalho indicam diferentes sentidos e magnitudes na associação entre a percepção de segurança e o tempo despendido em frente à tela por adolescentes. Houve um elevado predomínio de adolescentes que permanecem em atividades relacionadas à tela por mais de duas horas diárias, corroborando outros achados33. Brasil. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa nacional de sau´de do escolar 2012. Rio de Janeiro: IBGE; 2012.,77. Dumith SC, Garcia LMT, Silva KS, Menezes AMB, Hallal PC. Predictors and health consequences of screen-time change during adolescence - 1993 Pelotas (Brazil) birth cohort study. J Adolesc Health 2012; 51(6 Suppl): 16-21. DOI: 10.1016/j.jadohealth.2012.06.025
https://doi.org/10.1016/j.jadohealth.201...
,1313. Salmon J, Veitch J, Abbott G, ChinAPaw M, Brug JJ, teVelde SJ, et al. Are associations between the perceived home and neighbourhood environment and children's physical activity and sedentary behaviour moderated by urban/rural location? Health Place 2013; 24: 44-53. DOI: 10.1016/j.healthplace.2013.07.010
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. Ao considerar as atividades sedentárias separadamente, foi observado que as prevalências diferem de acordo com sexo, idade e NSE.

A predominância no uso da TV foi maior entre as meninas e nos jovens de classe econômica baixa. A insegurança presente na comunidade, combinada com normas sociais que inibem a autonomia das meninas, poderia, ao menos parcialmente, explicar este resultado. Por exemplo, os pais podem proibir atividades fora de casa, levando as garotas a optarem por atividades mais sedentárias. Maior uso da TV em classes econômicas de menor renda tem sido evidenciado em outros estudos99. Burdette HL, Whitaker RC. A national study of neighborhood safety, outdoor play, television viewing, and obesity in preschool children. Pediatrics 2005; 116(3): 657-62.,1212. MacLeod KE, Gee GC, Crawford P, Wang MC. Neighbourhood environment as a predictor of television watching among girls. J Epidemiol Community Health 2008; 62(4): 288-92. DOI: 10.1136/jech.2007.061424
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,2828. Chowhan J, Stewart JM. Television and the behaviour of adolescents: does socio-economic status moderate the link? Soc Sci Med 2007; 65(7): 1324-36. DOI: 10.1016/j.socscimed.2007.05.019
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,2929. Molnar BE, Gortmaker SL, Bull FC, Buka SL. Unsafe to play? neighborhood disorder and lack of safety predict reduced physical activity among urban children and adolescents. Am J Health Promot 2004;18(5): 378-86.. Entre as meninas, com o passar dos anos, durante a adolescência, observa-se predomínio na utilização da internet. Pode se especular que nessa faixa etária elas têm preferência por participar de redes sociais, chats, blogs e outras atividades relacionadas à internet3030. Brasil. Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). O uso da internet por adolescentes. Brasília: UNICEF; 2013., diferente dos meninos, que preferem os jogos eletrônicos1111. Brown HS, Perez A, Mirchandani GG, Hoelscher DM, Kelder SH. Crime rates and sedentary behavior among 4th grade Texas school children. Int J Behav Nutr Phys Act 2008; 5(28). DOI: 10.1186/1479-5868-5-28.
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,3131. Salmon J, Timperio A, Telford A, Carver A, Crawford D. Association of family environment with children's television viewing and with low level of physical activity. Obes Res 2005; 13(11): 1939-51. DOI: 10.1038/oby.2005.239
https://doi.org/10.1038/oby.2005.239...
.

Houve associação positiva entre a percepção quanto à segurança relacionada aos crimes e o uso de videogame. Este resultado é contrário à hipótese do presente estudo. Em pesquisa realizada no Texas, Estados Unidos, foram obtidos resultados diferentes, sendo que a grande taxa de criminalidade no bairro estava associada a mais tempo destinado ao videogame1111. Brown HS, Perez A, Mirchandani GG, Hoelscher DM, Kelder SH. Crime rates and sedentary behavior among 4th grade Texas school children. Int J Behav Nutr Phys Act 2008; 5(28). DOI: 10.1186/1479-5868-5-28.
https://doi.org/10.1186/1479-5868-5-28....
. Todavia, um levantamento realizado em uma amostra ampla de escolares brasileiros não encontrou associação entre as características do bairro e o tempo despendido para assistir televisão3232. Martins MO, Cavalcante VLF, Holanda GS, Oliveira CG, Maia FES, Meneses Júnior JR, et al. Associação entre comportamento sedentário e fatores psicossociais e ambientais em adolescentes da região nordeste do Brasil. Rev Bras Ativ Fis e Saúde 2012; 17(2): 143-50. DOI: 10.12820/RBAFS.V.17N2P143-150
https://doi.org/10.12820/RBAFS.V.17N2P14...
. O emprego de medidas autorreportadas sobre segurança pública pode apresentar limitações, sugerindo a necessidade de melhorar a compreensão sobre o fenômeno da violência na percepção sobre segurança dos jovens.

Observou-se uma associação inversa entre compreensão a respeito de segurança relacionada ao tráfego de pedestres e o uso de videogame em adolescentes. Geralmente, adolescentes mais velhos ficam mais tempo fora de casa e possuem maior independência relacionada à mobilidade1515. Santos MP, Pizarro AN, Mota J, Marques EA. Parental physical activity, safety perceptions and children's independent mobility. BMC Public Health 2013; 13: 584. DOI: 10.1186/1471-2458-13-584
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. Sendo assim, esses fatores podem contribuir para que eles passem menos tempo em atividades como o videogame. No entanto, a percepção sobre segurança relacionada ao tráfego de pedestres não foi associada com o uso da TV e internet. Acredita-se que essas atividades, nessa faixa etária, estejam atreladas a preferências individuais. A internet é uma ferramenta de comunicação que faz parte do cotidiano do adolescente3030. Brasil. Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). O uso da internet por adolescentes. Brasília: UNICEF; 2013.. Assim, aspectos do ambiente do bairro podem ter menor relação com esses comportamentos.

Por fim, é importante ressaltar que este estudo abordou a percepção do adolescente ante a segurança, uma vez que evidências obtidas pela compreensão dos pais tendem a diferir3333. Kerr J, Norma GJ, Sallis JF, Patrick K. Exercise aids, neighborhood safety, and physical activity in adolescents and parents. Med Sci Sports Exerc 2008; 40(7): 1244-8. DOI: 10.1249/MSS.0b013e31816b8797
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. Isso pode estar relacionado ao pouco conhecimento do adolescente sobre a realidade do bairro, ou ainda pela sensação de segurança que pode ser transmitida pela família. Além disso, a forma de avaliação subjetiva com relação a esse discernimento e o tempo despendido em frente à tela não nos possibilita identificar a realidade do bairro e nem mesmo o tempo exato destinado à tela. Outra limitação relacionada à mensuração do tempo despendido em frente à tela consiste na ausência de informações considerando os fins de semana, o que poderia implicar diferentes resultados para a investigação. Assim, sugerem-se futuras pesquisas relacionadas ao tema, que englobem outras variáveis de controle, como, por exemplo, a percepção sobre segurança dos responsáveis e a prática de atividade física dos adolescentes. Ainda, essas investigações devem incluir formas objetivas de avaliação do tempo despendido em frente à tela e delineamentos de estudo diferenciados, para que se possa, de fato, identificar as relações de causa e efeito entre a segurança do bairro e o período despendido em frente à tela por adolescentes.

Alguns fatores devem ser considerados ao interpretarmos estes resultados. As medidas autorreportadas representam outra limitação, uma vez que refletem percepções sobre comportamentos e ambientes e não uma medida direta sobre tais atributos. Portanto, um erro de classificação não pode ser completamente descartado na interpretação dos resultados. Ainda, aproximadamente 30% da amostra inicial não apresentou dados completos para análise, o que resultou em uma menor prova. Além disso, o fato de não se perceber o bairro inseguro não significa que inexistem crimes ou sinistros no trânsito. No entanto, essas medidas têm sido utilizadas em diversos estudos nacionais e internacionais e apresentam resultados válidos. Ainda, este trabalho foi realizado com adolescentes de 11 a 18 anos, estudantes de escolas públicas e particulares de Curitiba, Paraná. Assim, não é possível extrapolar estes resultados para outras populações.

Apesar dessas limitações, a temática abordada aqui é de extrema importância para a implantação de políticas destinadas à redução do tempo despendido por adolescentes em frente à tela. Embora apenas uma associação no sentido esperado tenha sido encontrada, outras informações importantes devem ser consideradas. Os resultados deste artigo permitem observar as características no perfil dos adolescentes que utilizam televisão, videogame e internet, possibilitando assim futuras intervenções com o objetivo de reduzir essas atividades nessa faixa etária. Além disso, foram considerados diferentes desfechos relacionados ao tempo despendido em frente à tela e características mais específicas relacionadas à percepção sobre segurança no bairro. Em países de baixa e média renda como o Brasil, esse tipo de pesquisa envolvendo especialmente adolescentes ainda é escasso.

CONCLUSÃO

A associação entre percepção sobre segurança e tempo despendido em frente à tela por adolescentes mostra-se complexa e difere em relação às características sociodemográficas e ao desfecho analisado (televisão/vídeo/DVD, videogame e internet). Pode-se concluir que é elevada a prevalência de uso da tela por mais de duas horas diárias entre os adolescentes. Maior percepção sobre crimes no bairro esteve associada com maior uso de videogame por adolescentes mais velhos. Assim, recomendam-se novas pesquisas que possam incluir medidas objetivas de segurança no bairro e também que investiguem a percepção dos pais para entender melhor essa complexa relação. Ainda, sugere-se que intervenções para reduzir o tempo despendido em frente à tela sejam colocadas como prioridades na agenda de saúde para adolescentes.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos ao Senhor Alex Vieira Lima, que coordenou a pesquisa, e aos integrantes do Grupo de Pesquisa em Atividade Física e Qualidade de Vida que realizaram a coleta de dados.

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  • Fonte de financiamento: nenhuma

Histórico

  • Recebido
    16 Fev 2016
  • Aceito
    05 Dez 2016
  • Publicação
    Oct-Dec 2017
Associação Brasileira de Pós -Graduação em Saúde Coletiva São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revbrepi@usp.br