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Revista Brasileira de Epidemiologia, Volume: 23, Published: 2020
  • Placental measurements and their association with birth weight in a Brazilian cohort Original Articles

    Nascente, Lígia Moschen de Paula; Grandi, Carlos; Aragon, Davi Casale; Cardoso, Viviane Cunha

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO: Introdução: Estudos epidemiológicos demonstraram associações entre medidas placentárias, resultados perinatais e futuros. Objetivos: Descrever medidas placentárias e avaliar suas associações com peso ao nascer numa coorte de nascimentos brasileira. Metodologia: Estudo de coorte retrospectiva de 958 mães, placentas e recém-nascidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Brasil, em 2010 e 2011. As informações foram coletadas por entrevistas, prontuários médicos e laudos de patologia. As medidas placentárias foram: peso, diâmetros maior e menor, excentricidade, espessura, forma, área, relações peso ao nascer/ peso da placenta e peso da placenta/ peso ao nascer. As associações entre peso ao nascer e medidas placentárias foram examinadas por meio de regressão linear múltipla. Resultados: O peso da placenta foi responsável por 48% da variabilidade do peso ao nascer (p < 0,001), enquanto o conjunto de medidas placentárias (peso, diâmetros maior e menor e espessura) foi responsável por 50% (p < 0,001). Quando ajustadas pelas características maternas e neonatais, as medidas placentárias explicaram 74% da variabilidade do peso ao nascer (p < 0,001). Conclusão: medidas placentárias são preditores independentes do peso ao nascer. O peso placentário é o mais forte preditor dentre elas, seguido pelo diâmetro menor.

    Abstract in English:

    ABSTRACT: Introduction: Epidemiological studies have shown associations between placental measurements and perinatal and later life outcomes. Objectives: To report placental measurements and evaluate their association with birth weight in a Brazilian birth cohort. Methods: Retrospective cohort study with 958 mothers, placentas, and newborns delivered at the Ribeirão Preto Medical School Hospital, Universidade de São Paulo, Brazil, in 2010 and 2011. The information was collected from interviews, medical records, and pathology reports. The placental measurements were: weight, largest and smallest diameters, eccentricity, thickness, shape, area, and birth weight/placental weight and placental weight/birth weight ratios. We analyzed the associations between birth weight and placental measurements using multiple linear regression. Results: Placental weight alone accounted for 48% of birth weight variability (p < 0.001), whereas placental measurements combined (placental weight, largest and smallest diameters, and thickness) were responsible for 50% (p < 0.001). When adjusted for maternal and neonatal characteristics, placental measurements explained 74% of birth weight variability (p < 0.001). Conclusion: Placental measurements are powerful independent predictors of birth weight. Placental weight is the most predictive of them, followed by the smallest diameter.
  • Socioeconomic status and cardiovascular risk factors in young adults: a cross-sectional analysis of a Brazilian birth cohort Original Articles

    Silva, Fernando Alberto Costa Cardoso da; Bragança, Maylla Luanna Barbosa Martins; Bettiol, Heloisa; Cardoso, Viviane Cunha; Barbieri, Marco Antonio; Silva, Antônio Augusto Moura da

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO: Introdução: Em países de alta renda, indivíduos de situação socioeconômica elevada apresentam menor risco cardiovascular. Em países de média e baixa rendas, os resultados são controversos. Objetivo: Avaliar a associação entre renda familiar e fatores de risco cardiovascular em adultos jovens. Metodologia: Estudo seccional em que foram avaliados 2.063 indivíduos aos 23/25 anos de uma coorte de nascimento iniciada em 1978/79 na cidade de Ribeirão Preto, Brasil. Avaliaram-se fatores de risco cardiovascular (hipertensão arterial, sedentarismo, tabagismo, HDL - colesterol baixo, LDL - colesterol elevado, fibrinogênio alto, resistência insulínica, diabetes, obesidade abdominal e total e síndrome metabólica) de acordo com renda familiar. A renda foi avaliada em múltiplos do salário mínimo. As razões de prevalências (RP) foram estimadas em modelos de regressão de Poisson simples, com estimativa robusta da variância. Resultados: Mulheres de maior renda apresentaram menores prevalências de HDL - colesterol baixo (RP = 0,47), obesidade total (RP = 0,22) e abdominal (RP = 0,28), resistência insulínica (RP = 0,57), pressão arterial elevada (RP = 0,28), sedentarismo (RP = 0,47), síndrome metabólica (RP = 0,24) e alta ingestão calórica (RP = 0,71) (p < 0,05). Os homens de maior renda apresentaram menores prevalências de HDL - colesterol baixo (RP = 0,73) e sedentarismo (RP = 0,81) (p < 0,05). Pode ser que mulheres de alta renda prestem mais atenção aos hábitos saudáveis e aquelas com menor renda têm menor probabilidade de acessar recursos e tratamentos de serviços de saúde. Conclusão: As mulheres encontravam-se na fase final da transição epidemiológica, enquanto os homens, na fase intermediária.

    Abstract in English:

    ABSTRACT: Introduction: In high-income countries, persons of high socioeconomic status (SES) have a lower cardiovascular risk. However, in middle and low-income countries, the results are controversial. Objective: To evaluate the association between family income and cardiovascular risk factors in young adults. Methods: A total of 2,063 individuals of a birth cohort initiated in 1978/79 in the city of Ribeirão Preto, Brazil, were evaluated at age of 23/25 years. Cardiovascular risk factors (hypertension, sedentary lifestyle, smoking, low high-density lipoprotein (HDL)-cholesterol, high low-density lipoprotein (LDL)-cholesterol, high fibrinogen, insulin resistance, diabetes, abdominal and total obesity, and metabolic syndrome) were evaluated according to family income. Income was assessed in multiples of the minimum wage. Simple Poisson regression models were used to estimate the prevalence ratios (PR) with robust estimation of the variance. Results: High-income women showed lower prevalences of low HDL-cholesterol (PR = 0.47), total obesity (PR = 0.22), abdominal obesity (PR = 0.28), high blood pressure (PR = 0.28), insulin resistance (PR = 0.57), sedentary lifestyle (PR = 0.47), metabolic syndrome (PR = 0.24), and high caloric intake (PR = 0.71) (p < 0.05). High-income men showed lower prevalences of low HDL-cholesterol (PR = 0.73) and sedentarism (PR = 0.81) (p < 0.05). These results may be explained by the fact that high-income women pay more attention to healthy habits and those with the lowest family income are least likely to access health services resources and treatments. Conclusion: Women were in the final phase of the epidemiologic transition, whereas men were in the middle phase.
  • Epidemiology of envenomation by Africanized honeybees in the state of Rio Grande do Norte, Northeastern Brazil Original Articles

    Marques, Michael Radan de Vasconcelos; Araújo, Kaliany Adja Medeiros de; Tavares, Aluska Vieira; Vieira, Alecxandro Alves; Leite, Renner de Souza

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO: Introdução: No continente americano, os acidentes causados por abelhas são um problema de saúde pública devido à alta incidência e severidade dos casos. Apesar de sua importância médica, há poucos estudos epidemiológicos sobre esse tema no Brasil, especialmente referentes aos estados do Nordeste. O presente estudo tem como objetivo descrever as características epidemiológicas dos casos de envenenamento por abelhas no estado do Rio Grande do Norte, no Nordeste do Brasil, de 2007 a 2014. Metodologia: Os dados foram coletados da base de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte. Resultados: Um total de 2.168 casos foram analisados. Os casos mostraram distribuição em todos os meses dos anos estudados, com maior frequência de junho a outubro. A maioria dos casos ocorreu em áreas urbanas e envolveu homens, com vítimas entre 20 e 39 anos de idade. As vítimas foram principalmente picadas na cabeça e na mão, e receberam assistência médica predominantemente dentro de 3 horas após serem picadas. As manifestações locais eram mais frequentes do que as sistêmicas. Clinicamente, a maioria dos casos foi leve e progrediu para cura. Conclusão: O alto número casos de picadas de abelhas mostra que o Rio Grande do Norte pode ser uma importante área de risco para tal incidente.

    Abstract in English:

    ABSTRACT: Introduction: In the American continent, accidents caused by honeybees are a public health problem due to the high incidence and severity of the cases. Despite its medical importance, there are few epidemiological studies on this topic in Brazil, especially referring to the Northeastern states. The present study aims to describe the epidemiological features of honeybee envenomation cases in the state of the Rio Grande do Norte, Northeastern Brazil, from 2007 to 2014. Methods: Data were collected from the Notifiable Diseases Information System database of the Health Department of Rio Grande do Norte. Results: We analyzed a total of 2,168 cases. Cases occurred in all months of the years studied, reaching higher frequencies from June to October. Most incidents happened in urban areas and involved men, with victims aged between 20 and 39 years. Victims were mainly stung on the head and hand, and they received medical care predominantly within 3 hours after the injury. Local manifestations were more frequent than systemic ones. Clinically, most cases were mild and progressed to cure. Conclusion: The high number of honeybee sting cases shows that Rio Grande do Norte may be an important risk area for such injury.
  • Demographic, socioeconomic and lifestyle factors associated with sugar-sweetened beverage intake: a population-based study Original Articles

    Fontes, Amanda Silva; Pallottini, Ana Carolina; Vieira, Diva Aliete dos Santos; Fontanelli, Mariane de Mello; Marchioni, Dirce Maria; Cesar, Chester Luiz Galvão; Alves, Maria Cecilia Goi Porto; Goldbaum, Moisés; Fisberg, Regina Mara

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO: Introdução: A ingestão de bebidas açucaradas varia de acordo com as características da população. Objetivos: Investigar o consumo de bebidas açucaradas e os fatores demográficos, socioeconômicos e de estilo de vida associados ao seu consumo em adolescentes, adultos e idosos residentes em São Paulo. Métodos: Foram utilizados dados do Inquérito de Saúde de São Paulo, estudo transversal de base populacional, incluindo 1.662 indivíduos com 12 anos ou mais. As bebidas açucaradas foram classificadas em seis grupos: refrigerantes, cafés e chás adoçados, leite e produtos lácteos adoçados, sucos de fruta natural adoçados, sucos de fruta artificial adoçados e bebidas açucaradas totais. A associação de cada grupo com variáveis demográficas, socioeconômicas e de estilo de vida foi determinada por meio de modelos de regressão linear. Resultados: A ingestão média de bebidas açucaradas foi 668,4 mL em adolescentes, 502,6 mL em adultos e 358,2 mL em idosos. Refrigerantes e cafés e chás adoçados foram os grupos com a maior contribuição para a ingestão energética. O consumo de bebidas açucaradas foi menor entre as mulheres e maior entre os adolescentes com excesso de peso, entre adultos suficientemente ativos e entre os idosos de menor renda familiar per capita. O consumo de bebidas açucaradas foi elevado, particularmente entre adolescentes. Políticas públicas são necessárias a fim de reduzir o consumo dessas bebidas. Conclusão: Faixa etária, sexo, renda familiar per capita e índice de massa corporal foram associadas ao consumo de bebidas açucaradas.

    Abstract in English:

    ABSTRACT: Introduction: The intake of sugar-sweetened beverages (SSB) varies according to the characteristics of the population. Objective: To investigate the SSB intake and demographic, socioeconomic and lifestyle factors associated with its consumption in adolescents, adults, and older adults in São Paulo. Methods: Data were drawn from the Health Survey of São Paulo, a cross-sectional population-based study including 1,662 individuals aged 12 years or more. SSB were classified into six groups: sugar-sweetened sodas, sweetened coffee and tea, sweetened milk and dairy products, sweetened fruit juice, sweetened fruit drink, and total SSB. The association of each group with demographic, socioeconomic and lifestyle variables was assessed using linear regression models. Results: The mean SSB intake was 668.4 mL in adolescents, 502.6 mL in adults, and 358.2 mL in elderly adults. Sodas and sweetened coffee and tea represented had the greatest contribution to energy intake. SSB consumption was lower among female sex and higher among overweight adolescents, among sufficiently active adults, and among lower household per capita income older adults. Consumption of SSB was high, particularly among adolescents. Public policies are required in order to decrease the consumption of these beverages. Conclusion: Age group, sex, household per capita income, and body mass index status were associated with SSB intake.
  • Gender differences in disability among older adults in the context of social gender and income inequalities: 2013 Brazilian Health Survey Original Articles

    Lima, André Luiz Barbosa de; Espelt, Albert; Bosque-Prous, Marina; Lima, Kenio Costa

    Abstract in Portuguese:

    RESUMO: Objetivos: Estimar a magnitude das diferenças de gênero na incapacidade entre adultos com 60 anos ou mais e avaliar se elas podem estar associadas à desigualdade social de gênero e aos fatores contextuais socioeconômicos no nível das unidades federativas brasileiras. Métodos: Estudo multinível que utilizou dados de 23.575 adultos mais velhos das 27 unidades federativas que participaram da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013. O índice de limitação de atividades foi desenvolvido a partir da teoria de resposta ao item, utilizando-se variáveis de atividades básicas e instrumentais da vida diária. Foram estimadas as associações das variáveis individuais e contextuais com a incapacidade, avaliando-se a magnitude das diferenças entre os gêneros, ao utilizar efeitos de interação de nível cruzado em modelos lineares generalizados multiníveis, incluindo-se apenas as variáveis que foram estatisticamente significantes no modelo final. Resultados: A prevalência de incapacidade foi mais elevada entre as mulheres (37,6%) do que entre os homens (26,5%), totalizando 32,7% dos adultos mais velhos. Na análise multinível ajustada, a incapacidade foi influenciada pela desigualdade de renda (γgini = 0,022, p < 0,001) entre as unidades federativas. Além disso, as diferenças de gênero na incapacidade foram associadas com as desigualdades sociais de gênero (γmgiiXsex = 0,020, p = 0,004). Conclusões: As mulheres tiveram desvantagens maiores de incapacidade quando comparadas aos homens, e estas diferenças foram associadas às desigualdades sociais de gênero entre unidades federativas brasileiras, influenciadas pelas desigualdades de renda.

    Abstract in English:

    ABSTRACT: Objectives: To estimate the magnitude of gender differences in disability among adults aged 60 and older and to evaluate whether they can be associated with social gender inequality and socioeconomic contextual factors at the level of Brazilian federative units. Methods: This is a multilevel study that used data from 23,575 older adults of 27 federative units who participated in the 2013 Brazilian Health Survey. The activity limitation index was developed from the item response theory, using activities of daily living and instrumental activities of daily living variables. The association of individual and contextual variables with disability was estimated by assessing the magnitude of differences between genders, using cross-level interaction effects in multilevel generalized linear models, including only the variables that were statistically significant in the final model. Results: The prevalence of disability was higher among women (37.6%) than among men (26.5%), totaling 32.7% of the older adults. In the adjusted multilevel analysis, disability was influenced by income inequality (γgini = 0.022, p < 0.001) among federative units. In addition, gender differences in disability were associated with social gender inequalities (γmgiiXsex = 0.020, p = 0.004). Conclusion: Women had higher disability disadvantages compared to men, and those differences were associated with social gender inequalities among the Brazilian federative units influenced by income inequality.
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