Saúde bucal de adolescentes rurais quilombolas e não quilombolas: um estudo dos hábitos de higiene e fatores associados

Etna Kaliane Pereira da Silva Patrícia Reis dos Santos Tatiana Praxedes Rodrigues Chequer Camila Moreira de Almeida Melo Katiuscy Carneiro Santana Maise Mendonça Amorim Danielle Souto de Medeiros Sobre os autores

Resumo

Este estudo avaliou os hábitos de higiene bucal e sua associação com fatores socioculturais, ambientais e relacionados à utilização de serviços odontológicos entre adolescentes rurais quilombolas e não quilombolas do interior da Bahia. Foi um estudo transversal realizado em 2015. Estimaram-se prevalências e razões de prevalências para os desfechos e foi conduzida análise múltipla por regressão de Poisson com variância robusta. Foram entrevistados 390 adolescentes, 42,8% quilombolas. Escovação dentária insatisfatória e não uso do fio dental foram encontrados em 33,3% e 46,7% dos adolescentes, respectivamente. Mostraram aumentar a escovação dentária insatisfatória: sexo masculino (RP = 1,45), não morar com ambos os pais (RP = 1,45), menor hábito de lavar as mãos (RP = 1,72) e pior autoavaliação da saúde bucal (RP = 1,38). Com o não uso de fio dental, mostraram-se associados: nível econômico E (RP = 1,54), maior idade (RP = 0,91) menor hábito de lavar as mãos (RP = 1,53) e pior autoavaliação da saúde bucal (RP = 1,33). Distintos fatores associados foram observados entre quilombolas e não quilombolas. Ressalta-se a necessidade de se considerar as especificidades das populações para a promoção da saúde bucal dos adolescentes e a importância da intersetorialidade entre educação e saúde e a atenção às famílias.

Saúde bucal; Adolescente; Saúde da população rural; Origem étnica e saúde

Introdução

A adolescência, fase da vida situada entre a infância e a idade adulta, é considerada um período em que se requisita atenção diferenciada no que tange à saúde geral e bucal 11. Silva Junior IF, Aguiar NL, Barros RC, Arantes DC, Nascimento LS. Saúde Bucal do Adolescente: Revisão de Literatura. Rev Adolesc. Saúde [periódico na Internet] 2016 agosto [acessado em 2017 Abr 19]; 13(Supl. 1):95-103. Disponível em: http://www.adolescenciaesaude.com
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. Transformações fisiológicas, psicológicas e sociais, típicas dessa fase, tornam esse grupo populacional mais vulnerável a situações de risco à sua saúde 22. Word Health Organization (WHO). Nutrition in adolescence – Issues and Challenges for the Health Sector [Internet]. 2005. [acessado 2017 Mar 09]. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/43342/1/9241593660_eng.pdf.
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.

A saúde bucal é um aspecto relevante na vida dos adolescentes. Uma percepção desfavorável da saúde bucal influencia na autoestima e socialização desse grupo 33. Barbosa TB, Junqueira SR, Frias AC, Araujo ME. Interferência da Saúde Bucal em funções Biológicas e Sociais Segundo a percepção de Adolescentes Brasileiros. Rev Pesq Bras Odontoped Clin Integr [periódico na Internet]. 2013 Abr-Jun [acessado 2017 Abr 02];13(2)171-176. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=63730017006
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, 44. Silveira MF, Marôco JP, Freire RS, Barros Lima Martins AME, Marcopito LF. Impacto da saúde bucal nas dimensões físicas e psicossocial: uma análise através da modelagem com equações estruturais. Cad Saude Publica [periódico na Internet].2014 Jun [acessado 2017 Mar 18];30(6):1-15. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v30n6/pt_0102-311X-csp-30-6-1169.pdf
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. Entre os agravos bucais que podem interferir na qualidade de vida dos adolescentes estão a cárie dentária não tratada, oclusopatia grave, dor e perda dentária e sangramento gengival 55. Peres KG, Peres MA, Araujo CLP, Menezes AMB, Hallal PC. Social and dental status along the life course and oral health impacts in adolescents: a population-based birth cohort. Health Qual Life Outcomes 2009 ; 7:95. , 66. Peres KG, Cascaes AM, Leão ATT, Côrtes MIS, Vettore MV. Aspectos sociodemográficos e clínicos da qualidade de vida relacionada à saúde bucal em adolescentes. Rev Saude Publica [periódico na Internet] 2013 [acessado 2017 Out 09]; 47(3):19-28. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S003489102013000900019&script=sci_abstract&tlng=pt
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Uma das formas de prevenção das doenças e agravos bucais é a higiene bucal adequada, sendo a escovação dentária e o uso de fio dental ferramentas indispensáveis 11. Silva Junior IF, Aguiar NL, Barros RC, Arantes DC, Nascimento LS. Saúde Bucal do Adolescente: Revisão de Literatura. Rev Adolesc. Saúde [periódico na Internet] 2016 agosto [acessado em 2017 Abr 19]; 13(Supl. 1):95-103. Disponível em: http://www.adolescenciaesaude.com
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. Estudos brasileiros evidenciam que as prevalências de escovação dentária (≥ 3 vezes/dia) variam entre 49,8 a 77,0% entre os adolescentes. Entretanto, o uso de fio dental ainda não é um hábito consolidado quando comparado com a escovação, com frequências que variam de 0,5% a 51,0% 77. Davoglio RS, Ganzo de Castro Aerts DR, Abegg C, Freddo SL, Monteiro L. Fatores associados a hábitos de saúde bucal e utilização de serviços odontológicos entre adolescentes. Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2009 Mar [acessado 2017 fev 12]; 25(3):665-667. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v25n3/20.pdf .
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, 88. Melo FGC, Cavalcanti AL. Hábitos de higiêne bucal e uso dos serviços odontológicos em estudantes de escolas públicas do município de Campina Grande, Paraíba. HU Revista [periódico na Internet].2009 Jul-Set [acessado 2017 Abr 20 ]; 35(3):191-198. Disponível em: https://hurevista.ufjf.emnuvens.com.br/hurevista/article/view/721
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Os hábitos de higiene bucal são influenciados por diferentes fatores relacionados ao indivíduo e à sua família. Observam-se maiores prevalências de hábitos insatisfatórios nos adolescentes do sexo masculino, com menores nível econômico e grau de escolaridade materna, e que relatam sentir-se sozinhos 77. Davoglio RS, Ganzo de Castro Aerts DR, Abegg C, Freddo SL, Monteiro L. Fatores associados a hábitos de saúde bucal e utilização de serviços odontológicos entre adolescentes. Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2009 Mar [acessado 2017 fev 12]; 25(3):665-667. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v25n3/20.pdf .
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, 99. Vettore MV, Moysés SJ, Sardinha LMV, Iser BPM. Condições socioeconômicas, frequência de escovação dentária e comportamentos em saúde em adolescentes brasileiros: uma análise a partir da Pesquisa Nacional de Saúde escolar (PeNSE). Cad Saude Publica [periódico na Internet].2012 [acessado 2017 Mar 18]; 28(Supl.):S101-S113. Disponível em: http://www.scielosp.org/pdf/csp/v28s0/11.pdf
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, 1010. Freire MCM, Jordão LMR, Malta DC, Andrade SSC, Peres MA. Desigualdades econômicas e mudanças nos comportamentos em saúde bucal de adolescente brasileiros de 2009 a 2012. Rev Saude Publica [periódico na Internet]. 2015 [acessado 2017 Abr 9]; 49:50. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsp/v49/pt_0034-8910-rsp-S0034-89102015049005562.pdf
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. Estudos internacionais têm revelado que baixas prevalências de escovação dentária e uso de fio dental estão associados à residência em áreas rurais 1111. Pereira C, Veiga N, Amaral O, Pereira. Comportamentos de saúde oral em adolescentes portugueses. Rev Port Saúde Pública [periódico na Internet]. 2013 Jul [acessado 2017 Mar 18]; 31(2):145-152. Disponível em: http://www.elsevier.pt/pt/revistas/revista-portuguesa-saude-publica-323/artigo/comportamentos-saude-oral-em-adolescentes-portuguesesS0870902513000278
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, 1212. Zhu L, Petersen PE. Oral hialita knowledge, atitudes and behaviour of children and adolescents in China. Rev. International Dental Journal [periódico na Internet]. 2003 [acessado 2017 Abr 02]; 53(5):289-298. Disponível em: http://www.who.int/oral_health/media/en/orh_knowledge_china.pdf
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. No Brasil, um estudo com crianças e adolescentes rurais de 6 a 12 anos evidenciou escovação dentária (≥ 3 vezes/dia) em 56,4% e uso de fio dental em 26,4% dos entrevistados 1313. Menezes VA, Lorena RPF, Rocha LCB, Leite AF, Ferreira JMS, Granville-Garcia AF. Práticas de higiene bucal, uso de serviço odontológico e autopercepção de saúde bucal de escolares da zona rural de Caruaru, PE, Brasil. Rev. Odonto ciên [periódico na Internet]. 2010 [acessado 2017 Mar 02]; 25(1):25-31. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/roc/v25n1/06.pdf
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O local de residência configura-se uma dimensão constitutiva da situação de saúde bucal de grupos sociais. Indivíduos com perfis sociais semelhantes podem apresentar diferentes níveis de saúde bucal, a depender da localidade e atributos da moradia 1414. Moreira RS, Nico LS, Tomita NE. A relação entre o espaço e a saúde bucal coletiva: por uma epidemiologia georreferenciada. Cien Saude Colet [periódico na Internet]. 2007 [acessado 2017 Abr 20]; 12(1):275-284. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csc/v12n1/27.pdf
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Os adolescentes quilombolas residem, em sua maioria, em comunidades rurais com relações territoriais específicas, relacionadas com a resistência à opressão histórica sofrida por essa população 1515. Fundação Cultural Palmares. Certidões expedidas às comunidades remanescentes de quilombos (CRQs) atualizada até a portaria nº 268/2017 . 2017. [acessado 2017 Out 22]. Disponível em: http://www.palmares.gov.br/
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, 1616. Brasil. Decreto nº 4.887, de 20 de novembro de 2003. Regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos de que trata o art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Diário Oficial da União 2003; 21 nov. . Convivem com vulnerabilidades sociais relacionadas ao seu local de moradia, como menor cobertura de abastecimento de água por rede geral de distribuição e de coleta regular de lixo, baixo grau de escolaridade e renda familiar, quando comparadas com as demais comunidades rurais 1717. Silva EKP, Medeiros DS, Martins PC, Sousa LA, Lima GP, Rêgo MAS, Silva TO, Freire AS, Silva FM. Insegurança alimentar em comunidades rurais no Nordeste brasileiro: faz diferença ser quilombola? Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2017 Jun [acessado 2017 Out 22]; 33(4):e00005716. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2017000405013&lng=en
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, assim como dificuldades no acesso ao serviço odontológico 1818. Silva MEA, Rosa PCF, Neves ACC, Rode SM. Necessidade protética da população quilombola de Santo Antônio do Guaporé- Rondônia- Brasil. Rev Braz Dent Sci [periódico na Internet]. 2011 Jul-Dez [acessado 2017 Mar 18]; 14(1-2)62-66. Disponível em: http://ojs.fosjc.unesp.br/index.php/cob/article/view/676
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Assim, este trabalho teve como objetivo avaliar os hábitos de higiene bucal e sua associação com fatores socioculturais, ambientais e relacionados à utilização de serviços odontológicos entre adolescentes rurais quilombolas e não quilombolas de uma área rural do interior da Bahia.

Métodos

Trata-se de um estudo transversal, de base populacional e abordagem domiciliar, realizado com adolescentes entre 10 e 19 anos de idade, residentes em 21 comunidades rurais quilombolas reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares (FCP) 1515. Fundação Cultural Palmares. Certidões expedidas às comunidades remanescentes de quilombos (CRQs) atualizada até a portaria nº 268/2017 . 2017. [acessado 2017 Out 22]. Disponível em: http://www.palmares.gov.br/
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e não quilombolas de Vitória da Conquista, BA. Este estudo faz parte da pesquisa Adolescer: Saúde do Adolescente da Zona Rural e seus Condicionantes , aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos do Instituto Multidisciplinar em Saúde da Universidade Federal da Bahia.

A estratégia amostral considerou a extensão territorial e a população de adolescentes residentes nas comunidades rurais, a fim de garantir a representatividade e a viabilidade da pesquisa. Foram utilizados como princípios amostrais: selecionar domicílios proporcionalmente ao número de adolescentes por comunidade e entrevistar apenas um destes por domicílio. Além disso, para possibilitar a obtenção de estimativas válidas para as populações quilombolas e não quilombolas, a amostra foi calculada separadamente para cada estrato.

A população de pesquisa foi estimada em 811 adolescentes, divididos em dois estratos: quilombolas (n = 350) residentes nas comunidades quilombolas reconhecidas pela FCP e não quilombolas (n = 461). Esse universo amostral foi obtido a partir de um levantamento realizado nas Unidades de Saúde da Família (USF) e confirmado em posterior mapeamento das comunidades.

Para o delineamento amostral foram considerados como critérios: prevalência de 50%, dada à heterogeneidade dos eventos mensurados, precisão de 5%, nível de confiança de 95% e efeito de desenho igual a 1,0, totalizando 184 adolescentes quilombolas e 210 não quilombolas. Foram acrescidos 15% para minimizar as possíveis perdas. Contudo, ao considerar que seria entrevistado apenas um adolescente por domicílio e, entre os quilombolas, o número de domicílios seria superado, foram acrescidas 7,1% para perdas nesse grupo.

A amostragem para o estrato não quilombola foi realizada selecionando aleatoriamente os domicílios que continham adolescentes, seguido à distribuição proporcional destes por comunidade. Posteriormente, houve seleção aleatória de adolescentes por domicílio. Já para o estrato quilombola, procedeu-se apenas seleção aleatória dos adolescentes por domicílio. Considerou-se como critério de exclusão a presença de transtornos mentais graves com comprometimento cognitivo entre os adolescentes.

O instrumento utilizado para a realização das entrevistas foi um questionário estruturado elaborado a partir de inquéritos realizados no Brasil. Para este estudo, foram utilizadas questões oriundas da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 1919. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Questionário PENSE 2012 [internet]. 2012 [acessado 2014 Jun 16]. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=52908
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, da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2020. Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). Questionário do Domicílio [internet]. 2013 [acessado 2014 Jun 16]. Disponível em: http://www.pns.icict.fiocruz.br/arquivos/Domiciliar/Modulo%20A-PNS.pdf
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e da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SBBrasil) 2121. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Projeto SBBrasil 2010: Pesquisa Nacional de Saúde Bucal – Resultados Principais . Brasília: MS; 2011. [acessado 2016 Out 22]. Disponível em: http://dab.saude.gov.br/CNSB/sbbrasil/arquivos/projeto_sb2010_
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.

O questionário foi dividido em dois blocos, o primeiro, contendo questionamentos sobre características domiciliares e econômicas, foi respondido pelo adolescente (quando com idade ≥ 18 anos) ou por seu responsável. O segundo bloco foi respondido apenas pelo adolescente, contendo informações sobre o mesmo.

Foi realizado o estudo piloto em dezembro de 2014 com adolescentes rurais não pertencentes ao estudo principal. A coleta de dados aconteceu entre janeiro e maio de 2015. Foram realizadas re-entrevistas em 5% dos domicílios da amostra, no período de até 7 dias após a primeira, no intuito de garantir a qualidade dos dados.

Os hábitos de higiene bucal foram avaliados a partir da frequência de escovação dentária e de utilização de fio dental. A frequência de escovação dentária foi obtida a partir da pergunta Nos últimos 30 dias, quantas vezes por dia você usualmente escovou os dentes? com as seguintes opções de respostas: a) Não escovei meus dentes nos últimos 30 dias, b) Uma vez por dia, c) Duas vezes por dia, d) Três vezes por dia, e) Quatro ou mais vezes por dia e f) Não escovei meus dentes diariamente. Já o uso de fio dental foi obtido a partir do seguinte questionamento O que você usa para fazer a limpeza da sua boca? , em que uma das perguntas secundárias era “ Fio dental? (não; sim)”. Para fins de análises bivariada e multivariada foram consideradas como desfechos: (1) frequência insatisfatória de escovação dentária, quando inferior a três vezes ao dia; (2) não utilização do fio dental.

As variáveis independentes foram selecionadas levando em consideração um modelo conceitual baseado em Petersen 2222. Petersen PE. Sociobehavioural risk factors in dental caries – international perspectives. Community Dent Oral Epidemiol 2005 ; 33(4):274-279. , organizado em dois blocos. O primeiro bloco foi constituído pelos fatores socioculturais e ambientais e o segundo por variáveis relacionadas à utilização de serviços odontológicos.

Os fatores socioculturais foram: nível econômico 2323. Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP). Critério de classificação econômica Brasil . [site da Internet] 2017. [acessado 2017 Abr 19]. Disponível em: http://www.abep.org/criterio-brasil
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(B e C – níveis mais altos; D; E – nível mais baixo); sexo; cor/raça, categorizada em negro (pardos e pretos) e não negro (brancos, amarelos e indígenas); idade; escolaridade; experimentação de uma dose de bebida alcoólica; experimentação de tabaco; experimentação de drogas ilícitas; prática de atividade física; número de amigos próximos; composição familiar; sentimento de solidão nos últimos 12 meses; compreensão dos problemas pessoais pelos pais nos últimos 30 dias.

Possuir como principal fonte de abastecimento de água a rede geral de distribuição foi considerado um fator ambiental, assim como o hábito de higienizar as mãos antes das refeições. O segundo bloco foi composto pelas seguintes variáveis: autoavaliação da saúde bucal; percepção da necessidade de tratamento dentário; dor dentária nos últimos 6 meses; e consulta odontológica no último ano.

Foi realizada uma análise descritiva das características relacionadas à saúde bucal por meio da distribuição de frequências para amostra total e por estrato, quilombola e não quilombola, assim como a estimativa da prevalência de escovação dentária e uso de fio dental. As diferenças entre as proporções foram avaliadas pelos testes qui-quadrado de Pearson e exato de Fisher.

Para identificar as variáveis associadas à escovação dentária insatisfatória e a não utilização de fio dental, realizou-se análise bivariada. As estimativas de razão de prevalência e respectivos intervalos de confiança foram feitos por meio da regressão de Poisson com variância robusta para a amostral total e por estrato. Todas as variáveis com nível de significância menor que 20% foram incluídas na análise múltipla.

Foi adotada na análise múltipla a entrada hierárquica das variáveis em blocos. As variáveis do primeiro bloco permaneceram como fatores de ajuste para o segundo hierarquicamente inferior, permanecendo no modelo aquelas que apresentaram valor de p < 0,05. A comparação entre modelos foi feita pelo critério de Akaike e de informação Bayesiana. A adequação dos valores preditos pelos modelos aos valores observados foi avaliada pelo qui-quadrado. O programa Stata, versão 15.0 ( Stata Corporation, College Station , USA) foi utilizado para as análises dos dados.

Resultados

Foram entrevistados 390 adolescentes, dos quais 42,8% (167) eram quilombolas. O hábito de escovação dentária menor que três vezes ao dia foi observado em 33,3% da amostra total, em 32,7% dos adolescentes não quilombolas e em 34,1% dos quilombolas (Figura 1A). A prevalência de não uso de fio dental foi de 46,7% para o total de adolescentes e de 46,2% e 47,3% entre não quilombolas e quilombolas, respectivamente (Figura 1B). Não foram encontradas diferenças significativas entre os dois estratos avaliados.

Figura 1
Prevalência de escovação dentária e uso de fio dental na amostra total, não quilombola e quilombola. Bahia, 2015.

A maioria dos adolescentes relatou utilizar escova dental e dentifrício (99,7%) para realizar a higiene bucal e 49,5% afirmaram substituir a escova dental com menos de 3 meses de uso. Quanto à saúde bucal, 63,0% dos adolescentes consideraram sua saúde bucal boa ou muito boa, 48,1% relataram necessidade de tratamento dentário e 2,6% de prótese dentária total, 19,6% afirmaram dor dentária nos últimos seis meses e 73,1% disseram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com seus dentes e boca ( Tabela 1 ).

Tabela 1
Características relacionadas à saúde bucal na amostra total, adolescentes quilombolas e não quilombolas. Bahia, 2015.

Do total de adolescentes, 15,6% relataram nenhuma consulta odontológica na vida e 33,2% nenhuma consulta odontológica no último ano. Dos adolescentes que já realizaram uma consulta odontológica, 67,8% utilizaram o serviço público e 66,8% foram atendidos numa USF, 50,8% realizaram por motivo de limpeza, manutenção, revisão ou prevenção, 41,9% devido à dor de dente, extração, problemas na gengiva e tratamento dentário e 7,3% para manutenção de aparelho ortodôntico ou orçamentos, 85,4% consideraram a última consulta boa ou muito boa. Diferenças entre adolescentes quilombolas e não quilombolas foram observadas apenas para a variável consulta odontológica alguma vez na vida em que 22,7% e 10,3% relataram nenhuma consulta, respectivamente ( Tabela 1 ).

A escovação dentária insatisfatória foi significativamente superior nos adolescentes do sexo masculino, que não moravam com ambos os pais, não higienizavam as mãos antes das refeições frequentemente e consideravam sua saúde bucal regular, ruim ou muito ruim ( Tabela 2 ).

Tabela 2
Prevalência, razão de prevalência e intervalo de confiança 95% de escovação dentária menor que três vezes ao dia para a amostra total, não quilombola e quilombola. Bahia, 2015.

Entre os adolescentes não quilombolas, observou-se associação positiva e significativa entre a escovação dentária insatisfatória e sexo masculino, não morar com ambos os pais, menor frequência de higienização das mãos antes das refeições e não realização de consulta odontológica no último ano. Foi observada associação negativa com compreensão dos pais acerca de seus problemas às vezes nos últimos 30 dias. No estrato quilombola, a escovação dentária menor que três vezes ao dia foi mais prevalente entre os que não higienizavam as mãos antes das refeições frequentemente e os que afirmaram ter uma pior saúde bucal ( Tabela 2 ).

Em relação à não utilização do fio dental, na amostra total foi observada associação positiva e significativa com nível econômico E, ausência da rede geral de distribuição como principal forma de abastecimento de água, higienização das mãos antes das refeições às vezes, raramente ou nenhuma vez, e saúde bucal regular, ruim ou muito ruim. Foi observada associação negativa com a maior idade e escolaridade ( Tabela 3 ).

Tabela 3
Prevalência, razão de prevalência e intervalo de confiança 95% de não utilização de fio dental para a amostra total, não quilombola e quilombola. Bahia, 2015.

A não utilização do fio dental foi mais prevalente entre os adolescentes não quilombolas do nível econômico E, que relataram não higienizar as mãos antes das refeições frequentemente e não consultaram um dentista no último ano, e menos prevalente entre os adolescentes com maior idade e escolaridade. Entre os quilombolas, observou-se associação positiva com a compreensão dos problemas pessoais pelos pais nenhuma vez ou raramente nos últimos 30 dias e com ausência da rede geral de distribuição como principal forma de abastecimento de água e negativa com a maior idade e não terem consultado odontólogo no último ano ( Tabela 3 ).

Os seguintes fatores mostraram-se independentemente associados à escovação dentária insatisfatória na amostra total: ser do sexo masculino (RP = 1,45 IC95% = 1,10–1,92); morar apenas com um dos pais ou não morar com os pais (RP = 1,45 IC95% = 1,11–1,90); higienizar as mãos antes das refeições às vezes, raramente ou nenhuma vez (RP = 1,72 IC95% = 1,32–2,24); e relatar saúde bucal ruim ou muito ruim (RP = 1,38 IC95% = 1,05–1,82). Para o estrato não quilombola, ser do sexo masculino (RP = 1,96 IC95% = 1,32–2,91), morar apenas com um dos pais ou não morar com os pais (RP = 1,57 IC95% = 1,12–2,21), higienizar as mãos antes das refeições às vezes, raramente ou nenhuma vez (RP = 1,91 IC95% = 1,36–2,68) e não ter consultado um dentista no último ano (RP = 1,50 IC95% = 1,04–2,16) estiveram positivamente associados. Para o quilombola, associação positiva foi encontrada com higienização das mãos antes das refeições às vezes/frequentemente (RP = 1,59 IC95% = 1,05–2,40) e relato de uma saúde bucal ruim ou muito ruim (RP = 1,72 IC95% = 1,12–2,62) ( Tabela 4 ).

Tabela 4
Fatores associados à escovação dentária menor que três vezes ao dia e ao não uso de fio dental, segundo modelo de regressão, para a amostra total, não quilombola e quilombola. Bahia, 2015.

A não utilização de fio dental na amostra total mostrou-se independentemente associado ao nível econômico E (RP = 1,54 IC95% = 1,19–2,01), idade (RP = 0,91 IC95% = 0,88–0,95), higienizar as mãos antes das refeições às vezes, raramente ou nenhuma vez (RP = 1,53 IC95% = 1,25–1,88) e relatar saúde bucal ruim ou muito ruim (RP = 1,33 IC95% = 1,09–1,64) ( Tabela 4 ).

Entre os adolescentes não quilombolas, mantiveram-se independentemente associados ao não uso de fio dental: nível econômico E (RP = 1,57 IC95% = 1,12–2,22), idade (RP = 0,91 IC95% = 0,86–0,95), higienizar as mãos antes das refeições às vezes, raramente ou nenhuma vez (RP = 1,71 IC95% = 1,31–2,23) e não ter consultado um dentista no último ano (RP = 1,31 IC95% = < 1,00–1,71). Nos quilombolas, encontrou-se associação positiva com compreensão dos problemas pessoais pelos pais às vezes, raramente ou nenhuma vez nos últimos 30 dias (RP = 1,51,IC95% = 1,04–2,20, às vezes e RP = 1,64,IC95% = 1,11–2,42, nenhuma vez ou raramente), ausência da rede de distribuição como principal forma de abastecimento de água (RP = 1,46 IC95% = 1,07–2,00) e relatar saúde bucal ruim ou muito ruim (RP = 1,51 IC95% = 1,12–2,05) e associação negativa com ter maior idade (RP = 0,91 IC95% = 0,86–0,97) ( Tabela 4 ).

Discussão

Hábitos satisfatórios de higiene bucal, escovação dentária e uso de fio dental, foram encontrados na maioria da população estudada. Os adolescentes quilombolas e não quilombolas não diferiram em relação à prevalência desses hábitos, contudo, diferenças foram encontradas nos fatores socioculturais, ambientais e relacionados à utilização dos serviços odontológicos associados a essas práticas.

Freire et al. 1010. Freire MCM, Jordão LMR, Malta DC, Andrade SSC, Peres MA. Desigualdades econômicas e mudanças nos comportamentos em saúde bucal de adolescente brasileiros de 2009 a 2012. Rev Saude Publica [periódico na Internet]. 2015 [acessado 2017 Abr 9]; 49:50. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsp/v49/pt_0034-8910-rsp-S0034-89102015049005562.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rsp/v49/pt_0034...
, num estudo com estudantes brasileiros do 9º ano do Ensino Fundamental, encontraram resultados semelhantes ao presente estudo para a escovação dentária ≥ 2 vezes/dia nos anos de 2009 (95,2%) e 2012 (91,7%). Contudo, a escovação ≥ 3x/dia, apontada por diversos estudos como a frequência diária recomendada para a adolescência, apresentou prevalência inferior à encontrada entre adolescentes de diferentes regiões brasileiras 44. Silveira MF, Marôco JP, Freire RS, Barros Lima Martins AME, Marcopito LF. Impacto da saúde bucal nas dimensões físicas e psicossocial: uma análise através da modelagem com equações estruturais. Cad Saude Publica [periódico na Internet].2014 Jun [acessado 2017 Mar 18];30(6):1-15. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v30n6/pt_0102-311X-csp-30-6-1169.pdf
http://www.scielo.br/pdf/csp/v30n6/pt_01...
, 77. Davoglio RS, Ganzo de Castro Aerts DR, Abegg C, Freddo SL, Monteiro L. Fatores associados a hábitos de saúde bucal e utilização de serviços odontológicos entre adolescentes. Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2009 Mar [acessado 2017 fev 12]; 25(3):665-667. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v25n3/20.pdf .
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, 88. Melo FGC, Cavalcanti AL. Hábitos de higiêne bucal e uso dos serviços odontológicos em estudantes de escolas públicas do município de Campina Grande, Paraíba. HU Revista [periódico na Internet].2009 Jul-Set [acessado 2017 Abr 20 ]; 35(3):191-198. Disponível em: https://hurevista.ufjf.emnuvens.com.br/hurevista/article/view/721
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, 2424. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional De Saúde Escolar (PeNSE, 2015) [internet]. 2016 [acessado 2016 Set 05]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/população/pense/2015/default.shtm
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.A utilização do fio dental foi superior ao apresentado por estudos realizados com crianças e adolescentes (9 a 12 anos) da zona rural de Pernambuco (33,3%) 1313. Menezes VA, Lorena RPF, Rocha LCB, Leite AF, Ferreira JMS, Granville-Garcia AF. Práticas de higiene bucal, uso de serviço odontológico e autopercepção de saúde bucal de escolares da zona rural de Caruaru, PE, Brasil. Rev. Odonto ciên [periódico na Internet]. 2010 [acessado 2017 Mar 02]; 25(1):25-31. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/roc/v25n1/06.pdf
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, com adolescentes rurais e urbanos em Campina Grande, PB (0,5%) 88. Melo FGC, Cavalcanti AL. Hábitos de higiêne bucal e uso dos serviços odontológicos em estudantes de escolas públicas do município de Campina Grande, Paraíba. HU Revista [periódico na Internet].2009 Jul-Set [acessado 2017 Abr 20 ]; 35(3):191-198. Disponível em: https://hurevista.ufjf.emnuvens.com.br/hurevista/article/view/721
https://hurevista.ufjf.emnuvens.com.br/h...
, e com adolescentes urbanos de outras regiões brasileiras 44. Silveira MF, Marôco JP, Freire RS, Barros Lima Martins AME, Marcopito LF. Impacto da saúde bucal nas dimensões físicas e psicossocial: uma análise através da modelagem com equações estruturais. Cad Saude Publica [periódico na Internet].2014 Jun [acessado 2017 Mar 18];30(6):1-15. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v30n6/pt_0102-311X-csp-30-6-1169.pdf
http://www.scielo.br/pdf/csp/v30n6/pt_01...
, 77. Davoglio RS, Ganzo de Castro Aerts DR, Abegg C, Freddo SL, Monteiro L. Fatores associados a hábitos de saúde bucal e utilização de serviços odontológicos entre adolescentes. Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2009 Mar [acessado 2017 fev 12]; 25(3):665-667. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v25n3/20.pdf .
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. Estudos internacionais apresentaram prevalências inferiores de escovação dentária e de utilização do fio dental 1111. Pereira C, Veiga N, Amaral O, Pereira. Comportamentos de saúde oral em adolescentes portugueses. Rev Port Saúde Pública [periódico na Internet]. 2013 Jul [acessado 2017 Mar 18]; 31(2):145-152. Disponível em: http://www.elsevier.pt/pt/revistas/revista-portuguesa-saude-publica-323/artigo/comportamentos-saude-oral-em-adolescentes-portuguesesS0870902513000278
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, 2525. Pengpid S, Peltzer K. Hygiene Behaviour and Associated Factors among In-School Adolescents in Nine African Countries. Int.J. Behav. Med . 2011 ; 18(2):150-159.

26. Barata C, Veiga N, Mendes C, Araújo F, Ribeiro O, Coelho I. Determinação do CPOD e comportamentos de saúde oral numa amostra de adolescentes do concelho de Mangualde. Rev Port Estomaltol Med Dent Cir Maxilofac [periódico na Internet]. 2013 [acessado em 2017 Mar 18]; 54(1):27-32. Disponível em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1646289013000046
www.sciencedirect.com/science/article/pi...

27. Casanova-Rosado AJ, Medina-Solís CE, Casanova-Rosado JF, Vallejos-Sánchez AA, Minaya-Sánchez M, Mendoza-Rodríguez M, Márquez-Rodríguez S, Maupomé G. Tooth brushing frequency in Mexican schoolchildren and associated socio-demographic, socioeconomic, and dental variables. Med Sci Monit 2014 ; 20:938-944.

28. Silva RMA, Bezerra V, Medeiros DS. Experimentação de tabaco e fatores associados entre adolescentes da zona rural de Vitória da Conquista, BA, Brasil. Cien Saude Colet [periódico na Internet]. [acessado 2017 Out 22] No prelo. Disponível em: http://www.cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/experimentacao-de-tabaco-e-fatores-associados-entre-adolescentes-da-zona-rural-de-vitoria-da-conquista-ba-brasil/16171
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29. Santana KC, Teles N, Oliveira MHB, Medeiros DS. Direito à saúde: adolescentes quilombolas em comunidades rurais de Vitória da Conquista (BA). In: Oliveira MHB, Erthal RMC, Vianna MB, Matta JLJ, Vasconcellos LCF, Bonfatti RJ, organizadores. Direitos humanos e saúde: construindo caminhos, viabilizando rumos . Rio de Janeiro: Cebes; 2017 . v. 1. p. 53-68.

30. Conselho Federal de Odontologia (CFO). Código de Ética Odontológica . 2012. [acessado 2017 Out 23]. Disponível em: http://cfo.org.br/wp-content/uploads/2009/09/codigo_etica.pdf
http://cfo.org.br/wp-content/uploads/200...

31. Gomes KO, Reis EA, Guimarães MDC, Cherchiglia ML. Utilização de serviços de saúde por população quilombola do Sudoeste da Bahia, Brasil . Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2013 Set [acessado 2017 Out 23]; 29(9):1829-1842. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102311X2013000900022&lng=en
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32. Santos NCN, Alves TDB, Freitas VS. A saúde bucal de adolescentes: aspectos de higiene, de cárie dentária e doença periodontal nas cidades de Recife, Pernambuco e Feira de Santana, Bahia. Cien Saude Colet [periódico na Internet]. 2007 [acessado 2017 Mar 04]; 12(5):1155-1166. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232007000500012
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33. Freddo SL, Castro Aerts DRG, Abegg C, Davoglio R, Vieira PC, Monteiro L. Hábitos de higiene bucal e utilização de serviços odontológicos em escolares de uma cidade da Região Sul do Brasil. Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2008 Set [acessado 2017 Fev 20]; 24(9):1992- 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008000
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34. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal . [Internet]. 2004 [acessado 2017 Maio 18]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_brasil_sorridente.pdf
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35. Garbin CAS, Garbin AJI, Moimaz SDC, Gonçalves PE. A saúde na percepção do adolescente. Rev Physis [periódico na Internet]. 2009 [acessado 2017 Fev 08]; 19(1):227-238. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-73312009000100012&script=sci_abstract&tlng=pt
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36. Avlund K, Pedersen PH, Morse DE, Viitanen M, Winbland B.Social relations as determinants of oral healter among persons over the age of 80 years. Rev. Comunnity Dentistry and Oral Epidemiology [periódico na Internet] 2003[acessado 2017 Maio 10]:32;454-462. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1046/j.1600-0528.2003.00115.x/abstract
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- 3737. Dorri M, Sheiham A, Watt RG. Relationship between general hygiene behaviours and oral hygiene behaviours in Iranian adolescentes. Eur J Oral Sci 2009; 117(4):407-412. .

A literatura evidencia que os brasileiros possuem uma boa frequência nos hábitos de higiene bucal, no entanto, a qualidade dessa higienização pode deixar a desejar 11. Silva Junior IF, Aguiar NL, Barros RC, Arantes DC, Nascimento LS. Saúde Bucal do Adolescente: Revisão de Literatura. Rev Adolesc. Saúde [periódico na Internet] 2016 agosto [acessado em 2017 Abr 19]; 13(Supl. 1):95-103. Disponível em: http://www.adolescenciaesaude.com
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. Essa situação contribui para que a erradicação das doenças bucais no país ainda seja uma realidade distante. No entanto, destaca-se que não apenas práticas individuais são responsáveis pelo cuidado em saúde bucal, e sim que, na falta de outros tipos de políticas sociais, essas práticas tornam-se ainda mais importantes 11. Silva Junior IF, Aguiar NL, Barros RC, Arantes DC, Nascimento LS. Saúde Bucal do Adolescente: Revisão de Literatura. Rev Adolesc. Saúde [periódico na Internet] 2016 agosto [acessado em 2017 Abr 19]; 13(Supl. 1):95-103. Disponível em: http://www.adolescenciaesaude.com
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.

Os adolescentes quilombolas e não quilombolas não diferiram em relação às prevalências de escovação dentária e utilização do fio dental, mas diferenças foram encontradas na utilização dos serviços odontológicos alguma vez na vida e nos fatores associados aos hábitos de higiene bucal insatisfatórios, evidenciando que há especificidades entre esses grupos.

A semelhança nas prevalências de aspectos comportamentais relacionados à saúde entre quilombolas e não quilombolas foi também relatada por Silva et al. 2828. Silva RMA, Bezerra V, Medeiros DS. Experimentação de tabaco e fatores associados entre adolescentes da zona rural de Vitória da Conquista, BA, Brasil. Cien Saude Colet [periódico na Internet]. [acessado 2017 Out 22] No prelo. Disponível em: http://www.cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/experimentacao-de-tabaco-e-fatores-associados-entre-adolescentes-da-zona-rural-de-vitoria-da-conquista-ba-brasil/16171
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, em estudo sobre a experimentação do tabaco nessa mesma população. Sugere-se que o convívio social desses adolescentes na escola poderia favorecer a influência mútua entre eles, transpondo efeitos da família, do ambiente e da sua vizinhança 1111. Pereira C, Veiga N, Amaral O, Pereira. Comportamentos de saúde oral em adolescentes portugueses. Rev Port Saúde Pública [periódico na Internet]. 2013 Jul [acessado 2017 Mar 18]; 31(2):145-152. Disponível em: http://www.elsevier.pt/pt/revistas/revista-portuguesa-saude-publica-323/artigo/comportamentos-saude-oral-em-adolescentes-portuguesesS0870902513000278
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, 2929. Santana KC, Teles N, Oliveira MHB, Medeiros DS. Direito à saúde: adolescentes quilombolas em comunidades rurais de Vitória da Conquista (BA). In: Oliveira MHB, Erthal RMC, Vianna MB, Matta JLJ, Vasconcellos LCF, Bonfatti RJ, organizadores. Direitos humanos e saúde: construindo caminhos, viabilizando rumos . Rio de Janeiro: Cebes; 2017 . v. 1. p. 53-68. . Esse convívio é ainda mais evidente em regiões rurais, nas quais a oferta de serviços educacionais é reduzida quando comparada às urbanas.

A diferença quanto à realização de consulta odontológica alguma vez na vida pode ser explicada, em parte, pela localização das USF que, em sua maioria, tem sede nas comunidades não quilombolas. As ações das equipes de saúde nas comunidades quilombolas acontecem cerca de uma vez ao mês em unidades satélites que não possuem a infraestrutura necessária para a consulta odontológica 2929. Santana KC, Teles N, Oliveira MHB, Medeiros DS. Direito à saúde: adolescentes quilombolas em comunidades rurais de Vitória da Conquista (BA). In: Oliveira MHB, Erthal RMC, Vianna MB, Matta JLJ, Vasconcellos LCF, Bonfatti RJ, organizadores. Direitos humanos e saúde: construindo caminhos, viabilizando rumos . Rio de Janeiro: Cebes; 2017 . v. 1. p. 53-68. . Assim, o atendimento odontológico restringe-se à sede da USF e nas demais comunidades são realizadas ações educativas. Fatos que se somam à obrigatoriedade da presença de um responsável maior de 18 anos para o primeiro atendimento odontológico do adolescente 3030. Conselho Federal de Odontologia (CFO). Código de Ética Odontológica . 2012. [acessado 2017 Out 23]. Disponível em: http://cfo.org.br/wp-content/uploads/2009/09/codigo_etica.pdf
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, o que aumenta a dificuldade do primeiro acesso dos adolescentes quilombolas a esses serviços. Gomes et al. 3131. Gomes KO, Reis EA, Guimarães MDC, Cherchiglia ML. Utilização de serviços de saúde por população quilombola do Sudoeste da Bahia, Brasil . Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2013 Set [acessado 2017 Out 23]; 29(9):1829-1842. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102311X2013000900022&lng=en
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, ao estudar a utilização dos serviços de saúde pela população adulta quilombola de Vitória da Conquista, BA, sugeriu que existe uma maior dificuldade de acesso aos serviços pelos quilombolas devido às iniquidades enfrentadas por essa população, sobretudo piores condições sociais e econômicas.

Os adolescentes do sexo masculino apresentaram maior prevalência de escovação dentária insatisfatória, resultado corroborado por outros estudos 77. Davoglio RS, Ganzo de Castro Aerts DR, Abegg C, Freddo SL, Monteiro L. Fatores associados a hábitos de saúde bucal e utilização de serviços odontológicos entre adolescentes. Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2009 Mar [acessado 2017 fev 12]; 25(3):665-667. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v25n3/20.pdf .
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8. Melo FGC, Cavalcanti AL. Hábitos de higiêne bucal e uso dos serviços odontológicos em estudantes de escolas públicas do município de Campina Grande, Paraíba. HU Revista [periódico na Internet].2009 Jul-Set [acessado 2017 Abr 20 ]; 35(3):191-198. Disponível em: https://hurevista.ufjf.emnuvens.com.br/hurevista/article/view/721
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9. Vettore MV, Moysés SJ, Sardinha LMV, Iser BPM. Condições socioeconômicas, frequência de escovação dentária e comportamentos em saúde em adolescentes brasileiros: uma análise a partir da Pesquisa Nacional de Saúde escolar (PeNSE). Cad Saude Publica [periódico na Internet].2012 [acessado 2017 Mar 18]; 28(Supl.):S101-S113. Disponível em: http://www.scielosp.org/pdf/csp/v28s0/11.pdf
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- 1010. Freire MCM, Jordão LMR, Malta DC, Andrade SSC, Peres MA. Desigualdades econômicas e mudanças nos comportamentos em saúde bucal de adolescente brasileiros de 2009 a 2012. Rev Saude Publica [periódico na Internet]. 2015 [acessado 2017 Abr 9]; 49:50. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rsp/v49/pt_0034-8910-rsp-S0034-89102015049005562.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rsp/v49/pt_0034...
. Este comportamento pode ser explicado por uma maior preocupação das adolescentes em relação à estética e aos cuidados com a higiene bucal devido aos padrões sociais e culturais vigentes 3232. Santos NCN, Alves TDB, Freitas VS. A saúde bucal de adolescentes: aspectos de higiene, de cárie dentária e doença periodontal nas cidades de Recife, Pernambuco e Feira de Santana, Bahia. Cien Saude Colet [periódico na Internet]. 2007 [acessado 2017 Mar 04]; 12(5):1155-1166. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232007000500012
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. No estrato quilombola, no entanto, essa diferença entre os sexos não foi observada; mais estudos são necessários para uma melhor compreensão das especificidades desse grupo.

A condição socioeconômica associou-se apenas à utilização do fio dental na amostra total e entre os não quilombolas, resultado semelhante a outros estudos com adolescentes 77. Davoglio RS, Ganzo de Castro Aerts DR, Abegg C, Freddo SL, Monteiro L. Fatores associados a hábitos de saúde bucal e utilização de serviços odontológicos entre adolescentes. Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2009 Mar [acessado 2017 fev 12]; 25(3):665-667. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v25n3/20.pdf .
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, 3333. Freddo SL, Castro Aerts DRG, Abegg C, Davoglio R, Vieira PC, Monteiro L. Hábitos de higiene bucal e utilização de serviços odontológicos em escolares de uma cidade da Região Sul do Brasil. Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2008 Set [acessado 2017 Fev 20]; 24(9):1992- 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008000
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. O fio dental, em comparação com a escova de dente, é um produto mais caro e seu uso é um hábito menos consolidado, o que pode ter influenciado na maior utilização pelos adolescentes de melhor nível econômico 3636. Avlund K, Pedersen PH, Morse DE, Viitanen M, Winbland B.Social relations as determinants of oral healter among persons over the age of 80 years. Rev. Comunnity Dentistry and Oral Epidemiology [periódico na Internet] 2003[acessado 2017 Maio 10]:32;454-462. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1046/j.1600-0528.2003.00115.x/abstract
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.10...
. A Política Nacional de Saúde Bucal – Programa Brasil Sorridente, prevê a disponibilidade de cuidados odontológicos básicos apropriados à população 3434. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal . [Internet]. 2004 [acessado 2017 Maio 18]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_brasil_sorridente.pdf
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, entretanto, para isso, não apenas a escova dental e o dentifrício fluoretado seriam necessários, mas também a distribuição do fio dental, o que possivelmente reduziria a influência das condições econômicas no estabelecimento do hábito.

A maior homogeneidade da população quilombola em relação ao nível econômico pode ter contribuído para que essa variável não permanecesse no modelo final para esse estrato. Além disso, é prática local a realização de atividades educativas com a população rural sobre a confecção do fio dental de forma artesanal (ráfia) utilizando sacos de linhagem, material de fácil acesso nas comunidades rurais e quilombolas, pelos profissionais das equipes de saúde bucal.

O aumento de um ano de idade reduziu em cerca de 9% a prevalência de não utilização do fio dental, relação já evidenciada em estudo com adolescentes da Paraíba 88. Melo FGC, Cavalcanti AL. Hábitos de higiêne bucal e uso dos serviços odontológicos em estudantes de escolas públicas do município de Campina Grande, Paraíba. HU Revista [periódico na Internet].2009 Jul-Set [acessado 2017 Abr 20 ]; 35(3):191-198. Disponível em: https://hurevista.ufjf.emnuvens.com.br/hurevista/article/view/721
https://hurevista.ufjf.emnuvens.com.br/h...
. A maior atenção à saúde bucal está relacionada com a afetividade e o convívio social 3535. Garbin CAS, Garbin AJI, Moimaz SDC, Gonçalves PE. A saúde na percepção do adolescente. Rev Physis [periódico na Internet]. 2009 [acessado 2017 Fev 08]; 19(1):227-238. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-73312009000100012&script=sci_abstract&tlng=pt
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, aspectos que podem contribuir para um maior cuidado entre os adolescentes de maior idade.

Os aspectos familiares influenciaram os hábitos de higiene bucal dos adolescentes rurais, resultado corroborado por outros trabalhos. Davoglio et al . 77. Davoglio RS, Ganzo de Castro Aerts DR, Abegg C, Freddo SL, Monteiro L. Fatores associados a hábitos de saúde bucal e utilização de serviços odontológicos entre adolescentes. Cad Saude Publica [periódico na Internet]. 2009 Mar [acessado 2017 fev 12]; 25(3):665-667. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csp/v25n3/20.pdf .
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discutem que quando os adolescentes não são compreendidos pelos pais podem assumir uma postura de desinteresse com sua aparência e autocuidado como forma de protesto. Além disso, indivíduos que vivem sozinhos ou que apresentam baixa satisfação com suas relações sociais tendem a adotar menos comportamentos preventivos de saúde 3636. Avlund K, Pedersen PH, Morse DE, Viitanen M, Winbland B.Social relations as determinants of oral healter among persons over the age of 80 years. Rev. Comunnity Dentistry and Oral Epidemiology [periódico na Internet] 2003[acessado 2017 Maio 10]:32;454-462. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1046/j.1600-0528.2003.00115.x/abstract
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.

Esses achados mostram que a atenção à saúde com foco nas famílias pode trazer bons resultados à saúde bucal dos adolescentes. Considerando que nas áreas rurais a Estratégia de Saúde da Família comumente está presente, atividades educativas voltadas para o núcleo familiar poderiam ser desenvolvidas pelas equipes de saúde bucal, assim como pelos agentes comunitários de saúde, especialmente por meio das visitas domiciliares.

A higiene bucal é um componente da higiene corporal, mas que, para ser realizada adequadamente, necessita de aprendizado 3434. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal . [Internet]. 2004 [acessado 2017 Maio 18]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_brasil_sorridente.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoe...
. Estudos evidenciam que a higiene bucal está significativamente associada aos hábitos de higiene rotineiros 99. Vettore MV, Moysés SJ, Sardinha LMV, Iser BPM. Condições socioeconômicas, frequência de escovação dentária e comportamentos em saúde em adolescentes brasileiros: uma análise a partir da Pesquisa Nacional de Saúde escolar (PeNSE). Cad Saude Publica [periódico na Internet].2012 [acessado 2017 Mar 18]; 28(Supl.):S101-S113. Disponível em: http://www.scielosp.org/pdf/csp/v28s0/11.pdf
http://www.scielosp.org/pdf/csp/v28s0/11...
, 3737. Dorri M, Sheiham A, Watt RG. Relationship between general hygiene behaviours and oral hygiene behaviours in Iranian adolescentes. Eur J Oral Sci 2009; 117(4):407-412. . No presente estudo, a escovação dentária ≤ 3 vezes/dia e a não utilização do fio dental foram mais prevalentes entre os adolescentes que relataram não higienizar as mãos antes das refeições frequentemente.

Entre os quilombolas, a não utilização do fio dental foi mais prevalente em adolescentes que não tinham a rede geral de distribuição como principal forma de abastecimento de água em seu domicílio, o que reforça a vulnerabilidade e a necessidade das práticas de autocuidado nesse grupo, já que o mesmo tem menos acesso contínuo à água fluoretada. A fluoretação das águas de abastecimento público é obrigatória no Brasil desde 1974, no entanto a não universalidade no acesso à água fluoretada mantém extenso número de pessoas à margem desse benefício reconhecidamente eficaz e que apresenta boas relações de custo-efetividade 3838. Antunes JLF, Narvai PC. Políticas de saúde bucal no Brasil e seu impacto sobre as desigualdades em saúde. Rev Saude Publica [periódico na Internet]. 2010 Abr [acessado 2017 Out 22]; 44(2): 360-365. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003489102010000200018&lng=en.
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.

A autoavaliação da saúde bucal como regular, ruim ou muito ruim foi uma das variáveis associadas aos hábitos insatisfatórios de higiene bucal. A concordância entre a condição clínica e a autopercepção da saúde bucal ocorre geralmente em casos mais dolorosos e estéticos mais severos, enquanto outros problemas bucais mais leves são subestimados 3939. Narvai PC, Frazão P. Saúde Bucal no Brasil: Muito Além do Céu da Boca . Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2008 . . A condição bucal precária tem impactos negativos nas atividades diárias dos adolescentes, entre elas, a maior dificuldade na escovação dentária. Uma escovação dentária menos frequente pode ser então consequência da pior condição bucal, o que pode influenciar o resultado encontrado no presente estudo. Ressalta-se que a percepção da saúde bucal está relacionada também a características socioculturais e subjetivas dos indivíduos 3939. Narvai PC, Frazão P. Saúde Bucal no Brasil: Muito Além do Céu da Boca . Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2008 . .

A ausência de consulta odontológica no último ano apresentou-se como um fator que aumenta os hábitos de higiene bucal insatisfatórios apenas para o estrato não quilombola. O contato do profissional de odontologia com o adolescente influencia na adoção de hábitos satisfatórios de higiene bucal. Todavia, apesar do trabalho odontológico ser relevante, este resolve problemas individuais reconhecidos pelos que o utilizam. Em termos populacionais, o cuidado à saúde bucal resulta de uma gama de fatores – biológicos, psicológicos e sociais 3939. Narvai PC, Frazão P. Saúde Bucal no Brasil: Muito Além do Céu da Boca . Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2008 . .

O presente estudo apresenta algumas limitações. Por tratar-se de um estudo de delineamento transversal, não é possível inferir a temporalidade de algumas das associações observadas. O tamanho da amostra não foi planejado para testar diferenças entre quilombolas e não quilombolas, logo, pode não ter havido suficiente poder amostral para algumas variáveis, entretanto, esse fato não compromete as diferenças observadas e descritas. Além disso, não foram coletadas informações das condições clínicas dos adolescentes, a técnica utilizada para a escovação e utilização do fio dental, assim como os horários das higienizações, impossibilitando a análise desses aspectos.

Considerações finais

As políticas de saúde bucal são ainda recentes no Brasil e têm como objetivo a promoção, a prevenção de doenças e a recuperação da saúde bucal dos indivíduos. Entretanto, ainda são enfatizadas as práticas voltadas à recuperação, o que torna necessário um redirecionamento do processo de trabalho, a fim de criar suporte para a atenção integral à saúde e para as necessidades dos diferentes grupos populacionais 3939. Narvai PC, Frazão P. Saúde Bucal no Brasil: Muito Além do Céu da Boca . Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2008 . .

As Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal prevêem a realização de atividades de higiene bucal supervisionadas para que a autonomia seja desenvolvida, com vistas ao autocuidado 3434. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Diretrizes da Política Nacional de Saúde Bucal . [Internet]. 2004 [acessado 2017 Maio 18]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_brasil_sorridente.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoe...
. Contudo, essas atividades são comumente direcionadas ao público infantil, não abrangendo os adolescentes, principalmente aqueles mais velhos. Medidas de caráter coletivo possibilitam a economia de recursos financeiros e humanos e são fundamentais dentro de um sistema único de saúde para a garantia da integralidade da atenção, principalmente em locais mais vulneráveis, como as áreas rurais e comunidades tradicionais.

O cuidado com a saúde bucal demanda ações intersetoriais que considerem aspectos inerentes ao adolescente, em seu contexto social/familiar, com a finalidade de promover uma atenção integral e resolutiva a saúde bucal na adolescência. As ações de educação em saúde devem considerar os traços culturais e levar em consideração que a saúde bucal é um componente da saúde e transcende a Odontologia. A percepção da saúde bucal como um direito humano e não como um privilégio deve ser cada vez mais fortalecida, especialmente nas populações de vulnerabilidade reconhecida.

Agradecimentos

Às famílias e adolescentes rurais, entrevistadores, Agentes Comunitários de Saúde e demais profissionais das equipes da Estratégia de Saúde da Família, fundamentais na execução desse trabalho.

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Histórico

  • Recebido
    31 Out 2017
  • Revisado
    26 Fev 2018
  • Aceito
    22 Abr 2018
  • Publicação
    Set 2018
ABRASCO - Associação Brasileira de Saúde Coletiva Rio de Janeiro - RJ - Brazil
E-mail: revscol@fiocruz.br