Determinantes da autoavaliação de saúde no Brasil e a influência dos comportamentos saudáveis: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde, 2013

Celia Landmann Szwarcwald Giseli Nogueira Damacena Paulo Roberto Borges de Souza Júnior Wanessa da Silva de Almeida Lilandra Torquato Medrado de Lima Deborah Carvalho Malta Sheila Rizzato Stopa Maria Lúcia França Pontes Vieira Cimar Azeredo Pereira Sobre os autores

RESUMO:

Objetivo:

Investigar os determinantes da autoavaliação de saúde (AAS) no Brasil e a influência dos comportamentos saudáveis.

Métodos:

Foram usados os dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013. A AAS foi categorizada em muito boa/boa, regular, ruim/muito ruim. Foram testadas diferenças na distribuição da AAS segundo faixa de idade e sexo e foram usados modelos de regressão logística para investigar os efeitos de grau de escolaridade, raça/cor e presença de pelo menos uma doença crônica não transmissível (DCNT) sobre a AAS ruim/muito ruim. Adicionalmente, testou-se a influência dos comportamentos saudáveis, controlando-se os efeitos dos fatores sociodemográficos e presença de pelo menos uma DCNT.

Resultados:

Foram analisados 60.202 indivíduos, 66,1% avaliaram o seu estado de saúde como muito bom/bom, e 5,9%, como ruim/muito ruim; 47,1% referiram o diagnóstico de pelo menos uma DCNT; e apenas 9,3% disseram ter "estilo de vida saudável" (não usa produtos de tabaco, consome frutas e hortaliças e pratica atividade física no lazer). Entre os fatores sociodemográficos, idade, sexo, grau de escolaridade e raça mostraram associações significativas com a AAS, bem como a presença de pelo menos uma DCNT. Os efeitos de todos os comportamentos saudáveis foram significativos, mesmo após o controle dos demais determinantes.

Conclusão:

Embora a adoção dos comportamentos saudáveis no Brasil ainda seja insuficiente, a associação dos hábitos saudáveis com a percepção da saúde encontrada neste estudo é um indício de que a população brasileira já começa a relacionar os comportamentos saudáveis ao seu bem-estar e à avaliação melhor da saúde.

Palavras-chave:
Inquérito: Morbidade; Determinantes epidemiológicos; Doenças crônicas; Comportamentos saudáveis; Brasil.

INTRODUÇÃO

Historicamente, os estudos para estabelecer o estado de saúde de uma população eram baseados em indicadores de mortalidade. No entanto, o aumento da longevidade nos países desenvolvidos trouxe a necessidade de elaboração de novos indicadores de saúde que incluíssem medidas da qualidade de vida11. Asada Y, Ohkusa Y. Analysis of health-related quality of life (HRQL), its distribution, and its distribution by income in Japan, 1989 and 1998. Soc Sci Med 2004; 59(7): 1423-33.. Uma vez que uma vida longa não significa necessariamente uma vida saudável, é, atualmente, consenso que os indicadores de mortalidade são insuficientes para caracterizar adequadamente o estado de saúde de uma população22. Verbrugge LM, Jette AM. The disablement process. Soc Sci Med 1994; 38(1): 1-14. 33. Luy M, Minagawa Y. Gender gaps-Life expectancy and proportion of life in poor health. Health Rep 2014; 25(12): 12-9..

Ao longo das últimas décadas, diferentes indicadores de saúde que consideram a morbidade, bem como as deficiências e limitações funcionais, têm sido propostos para complementar os estudos sobre mortalidade44. GBD 2013 Mortality and Causes of Death Collaborators. Global, regional, and national age-sex specific all-cause and cause-specific mortality for 240 causes of death, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet 2015; 385(9963): 117-71. 55. Campos MR, Doellinger V dos R, Mendes LV, Costa M de F, Pimentel TG, Schramm JM. Morbidity and mortality associated with injuries: results of the Global Burden of Disease study in Brazil, 2008. Cad Saúde Pública 2015; 31(1): 121-36. 66. Haro J, Tyrovolas S, Garin N, Diaz-Torne C, Carmona L, Riera L, et al. The burden of disease in Spain: results from the global burden of disease study 2010. BMC Med 2014; 12(1): 236.. Nos inquéritos de saúde, a autoavaliação de saúde (AAS) vem sendo amplamente utilizada para descrever o estado de saúde de uma população77. Verropoulou G. Specific versus general self-reported health indicators predicting mortality among older adults in Europe: disparities by gender employing SHARE longitudinal data. Int J Public Health 2014; 59(4): 665-78., estabelecer diferenças de morbidade em subgrupos populacionais, comparar necessidades de serviços e recursos de saúde por área geográfica, bem como para calcular outros indicadores de morbimortalidade, tais como a esperança de vida saudável88. Devlin N, Hansen P, Herbison P. Variations in self-reported health status: results from a New Zealand survey. NZ Med J 2000; 113(1123): 517-20. 99. Romero DE, Leite I da C, Szwarcwald CL. Healthy life expectancy in Brazil: applying the Sullivan method. Cad Saúde Pública 2005; 21(Suppl 1): 7-18. 1010. Nepomuceno MR, Turra CM. Trends in healthy life expectancy among older Brazilian women between 1998 and 2008. Rev Saúde Pública 2015; 49:1-8. 1111. Jagger C, Gillies C, Moscone F, Cambois E, Van Oyen H, Nusselder W, et al. Inequalities in healthy life years in the 25 countries of the European Union in 2005: a cross-national meta-regression analysis. Lancet 2009; 372: 2124-31..

A percepção individual do estado de saúde tem sido considerada um indicador importante por si, já que o nível de bem-estar de um indivíduo pode influenciar a sua qualidade de vida1212. Zack MM, Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Health-related quality of life - United States, 2006 and 2010. MMWR Surveill Summ 2013; 62(Suppl 3): 105-11.. Por outro lado, a utilidade da AAS deriva também de sua validade, estabelecida por suas relações com as condições clínicas e com os indicadores de morbidade e mortalidade1313. Theme-Filha MM, Szwarcwald CL, Souza Junior PR. Measurements of reported morbidity and interrelationships with health dimensions. Rev Saúde Pública 2008; 42(1): 73-81. 1414. Feng Q, Zhu H, Zhen Z, Gu D. Self-Rated Health, Interviewer-Rated Health, and Their Predictive Powers on Mortality in Old Age. J Gerontol B Psychol Sci Soc Sci 2015..

Pesquisas têm demonstrado que a percepção individual da saúde concorda, frequentemente, com a avaliação feita por médico1515. Nielsen TH. The Relationship Between Self-Rated Health and Hospital Records. Health Econ 2015.. Em termos de mortalidade, desde que pesquisadores comprovaram a associação entre a AAS ruim e o risco aumentado de morte prematura ainda na década de 19801616. Mossey JM, Shapiro E. Self-rated health: a predictor of mortality among the elderly. Am J Public Health 1982; 72(8): 800-8. 1717. Kaplan GA, Camacho T. Perceived health and mortality: a nine-year follow-up of the human population laboratory cohort. Am J Epidemiol 1983; 117(3): 292-304., vários estudos têm mostrado que a percepção ruim de saúde é um preditor importante da menor sobrevida1818. Idler EL, Benyamini Y. Self-rated health and mortality: a review of twenty-seven community studies. J Health Soc Behav 1997; 38(1): 21-37. 1919. Burstrom B, Fredlund P. Self rated health: Is it as good a predictor of subsequent mortality among adults in lower as well as in higher social classes? J Epidemiol Community Health 2001; 55(11): 836-40. 2020. Razzaque A, Mustafa AH, Streatfield PK. Do self-reported health indicators predict mortality? Evidence from Matlab, Bangladesh. J Biosoc Sci 2014; 46(5): 621-34.. Enquanto a avaliação "objetiva" do estado de saúde de um indivíduo, do ponto de vista médico, refere-se à identificação de uma doença indicada por um conjunto de sinais, sintomas e resultados laboratoriais, a AAS é subjetiva, combinando componentes físicos, emocionais, do bem-estar e de satisfação com a vida2121. Blank N, Diderichsen F. The Prediction of different experiences of longterm illness: a longitudinal approach in Sweden. J Epidemiol Community Health 1996; 50(2): 156-61. 2222. Mithen J, Aitken Z, Ziersch A, Kavanagh AM. Inequalities in social capital and health between people with and without disabilities. Soc Sci Med 2015; 126: 26-35.. Além disso, estudos indicam que a percepção ruim da própria saúde pode ocorrer mesmo na ausência de diagnóstico de alguma doença, sugerindo-se que existem sentimentos que geram uma percepção ruim da própria saúde antes da identificação médica de doença2323. Froom P, Melamed S, Triber I, Ratson N, Hermoni D. Predicting self-reported health: the CORDIS study. Prev Med 2004; 39(2): 419-23..

O Brasil atravessa, atualmente, um período de transição epidemiológica, com um crescimento expressivo das doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs)2424. Schmidt MI, Duncan BB, Azevedo e Silva G, Menezes AM, Monteiro CA, Barreto SM, et al. Chronic non-communicable diseases in Brazil: burden and current challenges. Lancet 2011; 377(9781): 1949-61.. No novo cenário, esforços têm sido dirigidos à promoção dos comportamentos saudáveis2525. Ramos LR, Malta DC, Gomes GA, Bracco MM, Florindo AA, Mielke GI, et al. Prevalence of health promotion programs in primary health care units in Brazil. Rev Saúde Pública 2014; 48(5): 837-44. 2626. Malta DC, Silva MMA, Albuquerque GM, Lima CM, Cavalcante T, Jaime PC, et al. A implementação das prioridades da Política Nacional de Promoção da Saúde, um balanço, 2006-2014. Ciênc Saúde Colet 2014; 19(11): 4301-11., não só para apoiar as políticas de prevenção dos agravos crônicos, mas também para melhorar a qualidade de vida da população brasileira.

Utilizando os dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013, o presente estudo teve o objetivo de investigar a AAS dos brasileiros, visando identificar os principais determinantes sociodemográficos, estabelecer diferenças pela ocorrência/ausência de diagnóstico de pelo menos uma doença crônica e analisar a influência dos comportamentos saudáveis na percepção do estado de saúde.

METODOLOGIA

A PNS foi uma pesquisa de base domiciliar, de âmbito nacional, realizada pelo Ministério da Saúde e pela Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nos anos de 2013 e 2014. O projeto foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) em junho de 2013.

A amostra da PNS é uma subamostra da Amostra Mestra do Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares (SIPD) do IBGE2727. Freitas MPS, Lila MF, Azevedo RV, Antonaci GA. Amostra Mestra para o Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares. Rio de Janeiro: IBGE; 2007. (Texto para discussão, nº 23). Disponível em: Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/sipd/texto_discussao_23.pdf (Acessado em 02 de fevereiro de 2015).
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/...
. Foi selecionada por amostragem por conglomerados em três estágios, com estratificação das unidades primárias de amostragem (UPAs). No primeiro estágio, em cada estrato, a seleção das UPAs foi realizada por amostragem aleatória simples. No segundo estágio, em cada UPA, foi selecionado, aleatoriamente, um número fixo de domicílios. No terceiro estágio, em cada domicílio, foi selecionado aleatoriamente um morador com 18 anos ou mais.

Foram visitados 81.254 domicílios, 69.994 domicílios estavam ocupados. Foram realizadas 64.348 entrevistas domiciliares e 60.202 com o morador selecionado.

No presente estudo, foram analisadas as informações do questionário individual. A análise da AAS foi baseada na seguinte questão: "Em geral, como o(a) sr.(a) avalia sua saúde?". As respostas variaram de 1 (muito boa) a 5 (muito ruim), que foram agregadas em três categorias (muito boa/boa; regular; ruim/muito ruim).

Foram consideradas as seguintes características sociodemográficas: sexo (masculino; feminino); faixa de idade (18 - 29; 30 - 39; 40 - 49; 50 - 59; 60 - 69; 70+); grau de escolaridade (sem instrução/fundamental incompleto; fundamental completo/médio incompleto; médio completo/superior incompleto; superior completo); e raça/cor (branca; preta; parda; outra).

A variável presença/ausência de alguma DCNT foi composta pelas respostas a todas às questões relativas ao diagnóstico de doenças crônicas: "Algum médico já lhe deu o diagnóstico de ____________?", incluindo hipertensão arterial, diabetes, doença do coração, acidente vascular cerebral (AVC), asma, artrite, problema crônico de coluna, distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT), depressão, outra doença mental, doença do pulmão, câncer, insuficiência renal crônica, outra doença crônica física ou mental não especificada anteriormente. Considerou-se presença de DCNT quando houve pelo menos uma resposta afirmativa e ausência quando todas as respostas foram negativas.

Para análise da influência dos comportamentos saudáveis sobre a AAS, foram considerados os seguintes hábitos: tabagismo (fuma algum produto de tabaco atualmente; fumou algum produto de tabaco anteriormente; nunca fumou); atividade física no lazer (pratica atividade física no lazer no nível recomendado - 150 minutos ou mais em atividades físicas leves/moderadas ou 75 minutos ou mais em atividades físicas vigorosas por semana); consumo recomendado de hortaliças e frutas (consumo de hortaliças e frutas pelo menos 5 vezes ao dia). Adicionalmente, foi composta uma variável denominada de "estilo de vida saudável", agregando-se as pessoas que têm todos os hábitos saudáveis.

Utilizou-se aplicativo estatístico que leva em consideração o efeito do plano amostral. Para teste de associações da AAS com grupo de idade e sexo, foram utilizados testes do χ2 de homogeneidade. Para a análise multivariada, foram utilizados modelos de regressão logística, tendo como variável resposta autoavaliação ruim/muito ruim e como variáveis independentes idade, sexo, grau de instrução, raça/cor e presença de pelo menos uma DCNT. Adicionalmente, foram testados os efeitos dos comportamentos saudáveis, controlando-se os fatores sociodemográficos e a presença de alguma DCNT.

RESULTADOS

Foram analisados 60.202 indivíduos pesquisados na PNS, sendo 47,1% do sexo masculino e 52,9% do sexo feminino (Tabela 1). A idade variou de 18 a 101 anos, com valor da média igual a 43 e mediana de 41. A distribuição por faixa etária mostra que 81,9% tinham idade entre 18 e 59 anos, e 18,1%, idade maior ou igual a 60 anos.

Tabela 1:
Distribuição dos indivíduos por características sociodemográfias, autoavaliação de saúde, diagnóstico de pelo menos uma doença crônica não transmissível e comportamentos saudáveis. Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2013.

Resultados por grau de escolaridade mostram que 38,9% não têm ensino fundamental completo e que 12,8% têm superior completo. Em relação à cor da pele/raça, 47,5% se referiram como de cor branca, 42,0%, parda, e 9,2%, preta (Tabela 1).

Em relação à percepção da própria saúde, 66,1% avaliaram o seu estado de saúde como muito bom ou bom, 28%, como regular, e 5,9%, como ruim ou muito ruim. Entre todos os indivíduos pesquisados na PNS, 47,1% referiram o diagnóstico de pelo menos uma doença crônica (Tabela 1).

Quanto aos comportamentos saudáveis avaliados, 14,7% fumam produtos de tabaco atualmente, 17,5% fumaram algum produto do tabaco anteriormente e 67,8% nunca fumaram; 37,3% fazem consumo recomendado de frutas e hortaliças; e 22,5% praticam atividade física no lazer no nível recomendado. Ainda com os dados dispostos na Tabela 1, pode ser observado que apenas 9,3% têm "estilo de vida saudável" (não usa produtos de tabaco, tem consumo adequado de frutas e hortaliças e pratica atividade física no lazer no nível recomendado) (Tabela 1).

Na Tabela 2 são apresentadas as distribuições da autoavaliação do estado de saúde segundo sexo e faixa de idade. A comparação por faixa de idade mostra um gradiente significativo (p < 0,001) com o aumento da idade: a proporção de AAS muito boa/boa decresce de 81,6%, entre as pessoas de 18 a 29 anos, a 41,4%, no grupo daquelas com 70 anos ou mais. Diferenças por sexo são igualmente observadas. A percepção da própria saúde é sempre pior entre as mulheres, independentemente da faixa de idade. Em média, a diferença na proporção de AAS boa/muito boa para o sexo feminino (62,4%) em relação à encontrada para o sexo masculino (70,3%) é de quase 8 pontos percentuais.

Tabela 2:
Distribuição dos indivíduos por categorias da autoavaliação da saúde, segundo sexo e faixa de idade. Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2013.

Os resultados dos modelos de regressão logística apresentados na Tabela 3, tendo como variável resposta a autoavaliação ruim/muito ruim, mostram, primeiramente, que todos os fatores sociodemográficos considerados no estudo têm efeitos significativos (p < 0,01). No que se refere à idade, foi evidenciada uma associação direta, isto é, quanto mais velho é o indivíduo, maior é o percentual de percepção ruim da própria saúde. Quanto às diferenças por sexo, as mulheres têm pior AAS do que os homens, e em relação à raça/cor, os indivíduos não brancos avaliam pior a sua saúde do que os brancos. Os efeitos do grau de instrução foram altamente significativos. A razão de chances (OR) de ter uma avaliação ruim/muito ruim da própria saúde foi 9 vezes maior entre os que têm ensino fundamental incompleto, quando comparados aos que completaram o ensino superior, e 7 vezes maior no modelo ajustado por idade, sexo, raça/cor e presença de pelo menos uma DCNT.

Tabela 3:
Resultados dos modelos univariado e multivariado de regressão logística tendo como desfecho a autoavaliação de saúde muito ruim/ruim. Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2013.

Os resultados apresentados na Tabela 3 mostram, adicionalmente, os efeitos significativos (p < 0,01) da presença de DCNT sobre a AAS ruim/muito ruim. A OR foi 5,3 vezes maior entre os indivíduos que tiveram diagnóstico de pelo menos uma DCNT, quando comparados aos demais, mesmo após o controle dos fatores sociodemográficos.

Já o modelo de regressão logística multivariada apresentado na Tabela 4 revela a influência dos comportamentos saudáveis sobre a AAS. Foram evidenciadas associações inversas e estatisticamente significantes para a atividade física no nível recomendado e para o consumo adequado de frutas e hortaliças com a percepção ruim/muito ruim da própria saúde, enquanto os efeitos de tabagismo, tanto de fumo atual de algum produto de tabaco como de fumo de algum produto do tabaco no passado, foram diretamente associados ao desfecho (p < 0,001), mesmo após o controle dos fatores sociodemográficos e do diagnóstico de pelo menos uma DCNT.

Tabela 4:
Efeito dos comportamentos saudáveis e da variável "estilo de vida saudável" sobre a autoavaliação de saúde muito ruim/ruim controlando-se por sexo, idade, grau de instrução, raça/cor e diagnóstico de uma doença crônica não transmissível. Pesquisa Nacional de Saúde, Brasil, 2013.

DISCUSSÃO

Os resultados da Pesquisa Mundial de Saúde (PMS), inquérito domiciliar de base populacional realizado no Brasil em 2003, evidenciaram uma proporção de autoavaliação muito boa/boa de 53%, variando de 47% entre as mulheres a 60% entre os homens2828. Szwarcwald CL, Souza-Júnior PR, Esteves MA, Damacena GN, Viacava F. Socio-demographic determinants of self-rated health in Brazil. Cad Saúde Pública 2005; 21(Suppl 1): 54-64.. Dez anos depois, utilizando-se exatamente a mesma pergunta usada na pesquisa anterior, a PNS revelou proporção bem maior de percepção boa da própria saúde para ambos os sexos, de 66% para a amostra total, 62% entre as mulheres e 70% entre os homens. Tendo em vista o envelhecimento da população brasileira e o crescimento expressivo das DCNTs, este resultado é, aparentemente, paradoxal.

De fato, no presente estudo, 47% das pessoas entrevistadas referiram diagnóstico de pelo menos uma DCNT. Entre essas pessoas, o percentual de autoavaliação muito boa/boa foi significativamente menor (48,4%) em relação às pessoas que não referiram diagnóstico de doença crônica (81,9%). Sendo assim, uma provável explicação para o aumento na proporção de brasileiros que avalia sua saúde como muito boa ou boa está na melhora na qualidade de vida da população brasileira em termos das condições socioeconômicas e da assistência em saúde2929. Victora CG, Barreto ML, do Carmo Leal M, Monteiro CA, Schmidt MI, Paim J, et al. Health conditions and health-policy innovations in Brazil: the way forward. Lancet 2011; 377(9782): 2042-53.. Estudos nacionais recentes têm apontado a influência da melhora das condições socioeconômicas e o impacto da diminuição da desigualdade de renda, bem como os avanços conseguidos na atenção à saúde sobre indicadores de morbimortalidade3030. Soares GP, Brum JD, Oliveira GM, Klein CH, Souza e Silva NA. Evolution of socioeconomic indicators and cardiovascular mortality in three Brazilian states. Arq Bras Cardiol 2013; 100(2): 147-56. 3131. Rasella D, Aquino R, Barreto ML. Impact of income inequality on life expectancy in a highly unequal developing country: the case of Brazil. J Epidemiol Community Health 2013; 67(8): 661-6..

Tal hipótese é corroborada pela grande associação encontrada na PNS entre as características sociodemográficas e a AAS. Trabalhos internacionais e nacionais já haviam indicado os efeitos das condições socioeconômicas sobre a percepção do estado de saúde3232. Lima-Costa MF, Barreto S, Giatti L, Uchoa E. Desigualdade social e saúde entre idosos brasileiros: um estudo baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Cad Saúde Pública 2003; 19: 745-57. 3333. Dachs JNW. Determinantes das desigualdades na auto-avaliação do estudo de saúde no Brasil: análise dos dados da PNAD/1998. Ciênc Saúde Colet 2002; 7: 641-57. 3434. Martikainen P, Adda J, Ferrie JE, Smith GD, Marmot M. Effects of income and health on GHQ depression and poor self rated health in white collar women and men in the Whitehall II study. Journal of Epidemiology and Community Health 2003; 57: 718-23. 3535. Kim J. Socioeconomic inequalities in self-rated health among middle-aged and older adults. Soc Work Health Care 2011; 50(2): 124-42.. Educação incompleta, dificuldades materiais, posição social inferior e situação de trabalho, além dos fatores ambientais, têm se mostrado importantes determinantes na percepção da própria saúde, obedecendo a um gradiente desfavorável aos grupos sociais mais pobres3636. Franks P, Gold MR, Fiscella K. Sociodemographics, self-rated health, and mortality in the US. Soc Sci Med 2003; 56(12): 2505-14. 3737. Chandola T, Ferrie J, Sacker A, Marmot M. Social inequalities in self reported health in early old age: follow-up of prospective cohort study. BMJ 2007; 334(7601): 990. 3838. Cummins S, Stafford M, Macintyre S, Marmot M, Ellaway A. Neighbourhood environment and its association with self rated health: evidence from Scotland and England. J Epidemiol Community Health 2005; 59(3): 207-13. 3939. Szwarcwald CL, da Mota JC, Damacena GN, Pereira TG. Health inequalities in Rio de Janeiro, Brazil: lower healthy life expectancy in socioeconomically disadvantaged areas. Am J Public Health 2011; 101(3): 517-23..

Entre os indicadores de nível socioeconômico, o nível de instrução tem sido, provavelmente, o mais utilizado, considerado mais estável do que a situação ocupacional e a renda, que podem variar ao longo do tempo4040. Heistaro S, Vartiainen E, Puska P. Trends in self-rated health in Finland 1972-1992. Prev Med 1996;25(5): 625-32.. Contudo, uma das limitações do presente estudo é que a renda domiciliar per capita ainda não foi disponibilizada para análise. Conforme apontado3434. Martikainen P, Adda J, Ferrie JE, Smith GD, Marmot M. Effects of income and health on GHQ depression and poor self rated health in white collar women and men in the Whitehall II study. Journal of Epidemiology and Community Health 2003; 57: 718-23., o nível de renda não só reflete o atendimento às necessidades materiais da vida, tais como a possibilidade de adquirir boa nutrição e habitação adequada, mas é também um marcador de bem-estar social.

Um resultado importante deste estudo foi o efeito positivo dos comportamentos saudáveis aqui considerados: o fato de não fumar, a prática de atividade física e o consumo adequado de frutas e hortaliças. A influência do estilo de vida saudável na percepção boa da própria saúde ocorreu tanto entre as pessoas que não referiram diagnóstico de alguma DCNT como entre aquelas que referiram pelo menos uma doença. Efeitos dos hábitos saudáveis já foram também evidenciados em vários países4141. Borg V, Kristensen TS. Social class and self-rated health: can the gradient be explained by differences in life style or work environment? Soc Sci Med 2000; 51: 1019-30. 4242. Mood C. Life-style and self-rated global health in Sweden: a prospective analysis spanning three decades. Prev Med 2013; 57(6): 802-6. 4343. Jankovic N, Geelen A, Streppel MT, de Groot LC, Orfanos P, van den Hooven EH, et al. Adherence to a healthy diet according to the World Health Organization guidelines and all-cause mortality in elderly adults from Europe and the United States. Am J Epidemiol 2014; 180(10): 978-88. 4444. Kendig H, Browning CJ, Thomas SA, Wells Y. Health, lifestyle, and gender influences on aging well: an Australian longitudinal analysis to guide health promotion. Front Public Health 2014; 2: 70. 4545. Rosenkranz RR, Duncan MJ, Rosenkranz SK, Kolt GS. Active lifestyles related to excellent self-rated health and quality of life: cross sectional findings from 194,545 participants in The 45 and Up Study. BMC Public Health 2013; 13: 1071..

A adoção de comportamentos saudáveis vem crescendo no Brasil. Notável, por exemplo, é o decréscimo no uso de produtos de tabaco no Brasil4646. Malta DC, Oliveira TP, Luz M, Stopa SR, Silva Junior JB, Reis AA. Smoking trend indicators in Brazilian capitals, 2006-2013. Ciênc Saúde Colet 2015; 20(3): 631-40., como resultado das políticas públicas de combate ao fumo, tais como a proibição de propaganda e publicidade, a proibição de fumo em lugares fechados, a exposição dos produtos limitada aos pontos de venda, as mensagens de advertência nas embalagens e o aumento dos impostos4747. Silva ST, Martins MC, Faria FR, Cotta RM. Combate ao Tabagismo no Brasil: a importância estratégica das ações governamentais. Ciênc Saúde Colet 2014; 19(2): 539-52.. Indivíduos que usam produtos de tabaco atualmente podem estar avaliando pior a sua saúde não só pela presença de algum agravo de saúde, mas também por estarem informados sobre os efeitos nocivos do tabagismo. A PNS mostrou que 52% dos fumantes atuais pensaram em parar de fumar devido às advertências nos maços de cigarro4848. Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Diretoria de Pesquisas Coordenação de Trabalho e Rendimento. Pesquisa Nacional de Saúde: Percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças Crônicas. Rio de Janeiro: IBGE 2014. p. 181. (dados não apresentados no presente trabalho).

Esforços estão sendo feitos, adicionalmente, para incentivar a prática de atividade física, como o programa Academia da Saúde4949. Reis RS, Kelly CM, Parra DC, Barros M, Gomes G, Malta D, et al. Developing a research agenda for promoting physical activity in Brazil through environmental and policy change. Rev Panam Salud Publica 2012; 32(2): 93-100.. Entretanto, embora os benefícios da prática regular de atividade física no lazer e do consumo de cinco porções ou mais de frutas, legumes e verduras sejam devidamente reconhecidos para a prevenção de várias doenças crônicas5050. World Health Organization (WHO). The World Health Report - Reducing Risks, Promoting Healthy Life. Geneva: WHO; 2002., a adoção desses comportamentos pela população brasileira ainda é, sem dúvida, insuficiente.

CONCLUSÃO

Embora a adoção dos estilos de vida saudáveis ainda seja pouco frequente na população brasileira, a associação de comportamentos saudáveis com a percepção da saúde encontrada no presente estudo, ainda que se controlando os efeitos dos fatores socioeconômicos e da presença de pelo menos uma DCNT, é um indício de que a população brasileira já começa a relacionar os estilos de vidas saudáveis ao seu bem-estar e à avaliação melhor da sua saúde.

REFERÊNCIAS

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  • Fonte de financiamento: nenhuma.

Histórico

  • Recebido
    23 Abr 2015
  • Aceito
    13 Jul 2015
  • Publicação
    Dez 2015
Associação Brasileira de Pós -Graduação em Saúde Coletiva São Paulo - SP - Brazil
E-mail: revbrepi@usp.br